Os movimentos que surgiram após a Reforma de Martinho Lutero, agora no século XVIII e XIX: Metodismo, Evangelicalismo, Movimento de Santidade, Movimento Carismático e Movimento Restauracionista (Millerismo e Adventismo: Mórmons, Testemunhas de Jeová, Ellen White, Igreja Adventista do Sétimo Dia).


Metodismo, Adventismo, Evangelicalismo




Neste estudo nós vamos falar sobre o Metodismo, o Evangelicalismo, o Movimento de Santidade, o Movimento Carismático e o Movimento Restauracionista, que já havia sido apoiado no passado por outros grupos: Anabatistas, Puritanos e Landmarkistas (um ramo Batista no sul do EUA) e inclusive aqueles considerados precursores da Reforma Protestante do século XVI, como, por exemplo, os Hussitas (século XV) e os Valdenses (século XIII). No século XIX, o restauracionismo ressurgiu com o Mormonismo, as Testemunhas de Jeová, o Millerismo e o Adventismo, que mais tarde, através de Ellen White, originou a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Os Mórmons e as Testemunhas de Jeová, na verdade, não são consideradas parte do protestantismo, devido à sua visão diferente da Santíssima Trindade (ver menu).

Metodismo

A Igreja Metodista começou em 1784 na Inglaterra como um movimento de avivamento com John Wesley (1703-1791), um sacerdote e evangelista anglicano, e seu irmão mais novo Charles (1707-1788). Ela foi fundada em 1844 sob influência de George Whitfield, um padre anglicano itinerante. O que começou como um movimento evangélico de avivamento dentro da Igreja da Inglaterra do século XVIII se tornou uma Igreja separada após a morte de Wesley e teve uma vigorosa atividade missionária. Ele enfatizou o estudo metódico da bíblia e a busca da relação pessoal entre o indivíduo e Deus.

Em 1729, recém-ordenado diácono da Igreja Anglicana, John Wesley se reuniu com um grupo de estudantes organizado por seu irmão Charles, na Universidade de Oxford, ‘o clube santo’ (‘the holy club’). Seu grupo se reunia semanalmente e eles começaram a viver uma vida santa de maneira sistemática: jejuavam regularmente, recebiam a comunhão uma vez por semana, abstinham-se da maioria das formas de diversão e luxo e freqüentemente visitavam os enfermos e os pobres, bem como os prisioneiros. Eles foram chamados de Metodistas pela maneira metódica e regrada que praticavam sua fé cristã. Mas esse grupo se desfez em 1735. Ele e seu irmão passaram dois anos na América (1736-1738), mas voltaram por considerarem infrutífera sua missão com a evangelização dos Nativos Americanos.

No início do ano de 1738, John Wesley experimentou o que veio a ser chamado de sua ‘conversão evangélica’, quando sentiu seu ‘coração estranhamente aquecido’ com a certeza da sua confiança em Cristo somente como Seu salvador e recebeu uma garantia interior de que Ele havia tirado seus pecados, e o salvou da lei do pecado e da morte. Seu irmão, Charles, teve uma experiência semelhante alguns dias antes.

Os dois irmãos imediatamente começaram a pregar a salvação pela fé a indivíduos e grupos, em casas, em sociedades religiosas e nas poucas igrejas que não tinham fechado suas portas para pregadores evangélicos. Como os púlpitos da Igreja Anglicana foram se fechando aos irmãos Wesley e seu amigo George Whitfield, eles decidiram fazer as pregações ao ar livre. Em 1739, Wesley organizou a primeira Sociedade Metodista e abriu uma capela (‘The Foundry’) em Londres.


The Foundery

A ‘Fundição’ (‘The Foundery’ ou ‘Foundry’), a primeira capela Metodista em Londres – litografia de H. Humphreys, 1830 – wikipedia.org

Imagem acima: A ‘Fundição’ (‘The Foundery’ ou ‘Foundry’), em Moorfields, foi a primeira fundição de Londres a fundir canhões de latão para o Conselho Britânico de Artilharia. O edifício posteriormente serviu como o primeiro local de culto metodista de Wesley e um importante ponto de encontro para a comunidade metodista primitiva. Em 1778, a congregação Metodista foi transferida para a Capela de Wesley, construída especificamente para esse fim, na City Road.

Quanto à salvação, a maioria dos Metodistas, como Wesley apoiava a doutrina Arminiana (do teólogo holandês Jacobus Arminius – 1560–1609), enfatizando que Cristo realizou a salvação para todos os seres humanos e que eles devem exercer seu livre-arbítrio para recebê-la (em oposição à doutrina calvinista tradicional de que só Deus faz o processo e determina arbitrariamente tudo, ou seja, Deus havia pré-ordenado um número eleito de pessoas para a bem-aventurança eterna, enquanto outros pereciam eternamente). Por outro lado, George Whitfield (clérigo e evangelista anglicano – c. 1714–1770) e outros amigos eram Metodistas Calvinistas.

Charles Wesley escreveu muitos hinos da Igreja Metodista e influenciou muitos outros escritores de hinos.

Whitfield havia sido aluno dos irmãos Wesley e tornou-se conhecido por seu ministério itinerante e heterodoxo, no qual se dedicava à pregação ao ar livre, alcançando milhares de pessoas. Inclusive tinha participado de uma missão na Geórgia (EUA). Um passo fundamental no desenvolvimento do ministério de John Wesley foi pregar nos campos, minas e cemitérios para aqueles que não freqüentavam os cultos paroquiais regularmente. George Whitfield o ajudou nisso.


reunião campal metodista

Gravura de uma reunião campal metodista – Jacques Gérard Milbert (1766-1840) – wikipedia.org


Muitos convertidos eram aqueles desconectados da Igreja da Inglaterra, mas Wesley ainda permanecia um clérigo dela e insistia que eles freqüentassem sua igreja paroquial local, bem como as reuniões Metodistas, porque apenas um pastor ordenado poderia realizar os sacramentos do batismo e comunhão. Devido às crescentes responsabilidades evangelísticas e pastorais, Wesley e Whitfield nomearam pregadores e líderes leigos, e eles se concentraram em evangelizar pessoas que haviam sido ‘negligenciadas’ pela Igreja Estabelecida da Inglaterra. Assim, em 1742, Wesley e os líderes e pregadores leigos organizaram os novos convertidos em sociedades Metodistas, divididas num sistema de ‘classes’, reuniões de grupos pequenos de aproximadamente doze pessoas em que os indivíduos confessavam seus pecados uns aos outros e se edificavam mutuamente, partilhando seus testemunhos. Em 1744 foi realizada a primeira conferência anual dos pregadores metodistas com o rev. John Wesley.

Três ensinamentos vistos por eles como o fundamento da fé cristã eram:
• Todas as pessoas estão, por natureza, ‘mortas no pecado’.
• Elas são justificadas somente pela fé.
• A fé produz santidade interior e exterior.

Pela sua capacidade de organização, Wesley foi estabelecido como o líder principal do movimento. Quanto à doutrina da predestinação, Wesley era Arminianista e Whitfield era um calvinista. Isso abalou sua amizade, embora mais tarde ela tenha sido restaurada e cada um deles continuasse firme na sua maneira de pensar. Wesley argumentava que os cristãos poderiam desfrutar de uma inteira santificação (ou ‘perfeição cristã’) nesta vida da seguinte maneira: amar a Deus e ao próximo, mansidão e humildade de coração e abster-se de toda aparência do mal.

Inicialmente, os Metodistas apenas buscaram uma reforma dentro da Igreja da Inglaterra (Anglicanismo), mas o movimento gradualmente se afastou dessa Igreja, pois as formas fixas de oração no Livro de Oração Comum dos Anglicanos desagradavam a George Whitfield, que preferia orações espontâneas, e ele insistia na necessidade do Novo Nascimento.


Logotipo da Igreja Metodista

Logotipo da Igreja Metodista


O Metodismo inicial experimentou uma fase radical e espiritual que permitiu às mulheres autoridade na liderança da igreja. As mulheres metodistas formaram uma comunidade que cuidava dos vulneráveis, estendendo o papel de mãe para além dos cuidados físicos. As mulheres foram incentivadas a testificar sua fé. No entanto, a centralidade do papel das mulheres diminuiu drasticamente depois de 1790, à medida que as Igrejas Metodistas se tornaram mais estruturadas e mais dominadas pelos homens. A Igreja Metodista também se importou com a educação das crianças, no início com a criação de Escolas Dominicais, mas em 1836 a Conferência Metodista Britânica liberou também a criação de ‘escolas durante a semana’.

John Wesley ensinou quatro pontos-chave fundamentais para o Metodismo, enfocando a santificação e o efeito transformador da fé no caráter de um cristão:
• Uma pessoa tem o livre-arbítrio de aceitar ou rejeitar a salvação.
• Todas as pessoas que obedecem ao evangelho de acordo com a medida do conhecimento que lhes foi dado serão salvas.
• O Espírito Santo garante ao cristão que ele é justificado pela fé em Jesus (Rm 8: 16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”).
• Os cristãos nesta vida são capazes de atingir a perfeição cristã (fazer um movimento em direção à santidade) e Deus os ordena a buscá-la. Depois da justificação pela graça e pelo sangue de Jesus no ‘novo nascimento’, o poder do Espírito Santo capacita o cristão no processo de santificação.

Outras doutrinas aceitas pelo Metodismo:
• A Escritura é considerada uma autoridade primária, mas os Metodistas também olham para a tradição cristã, incluindo os credos históricos.
• O evangelismo
• O Metodismo enfatiza o ‘Evangelho Social’: a caridade e o apoio aos enfermos, pobres e aflitos por meio das obras de misericórdia. Essas obras são colocadas em prática com o estabelecimento de hospitais, orfanatos, cozinhas populares e escolas para seguir a ordem de Cristo de divulgar as Boas Novas da salvação e servir a todas as pessoas.
• Há uma grande variedade de formas litúrgicas de culto, que vão desde as igrejas que dão maior valor para rituais e sacramentos às igrejas que dão menos valor a eles, além de avivamentos em encontros e acampamentos realizados em certas épocas do ano.


Uma capela Metodista na Irlanda

Uma capela Metodista em Athlone, Irlanda, aberta em 1865. Foto: Dantadd – wikipedia.org


O metodismo herdou sua liturgia do Anglicanismo, embora a teologia metodista americana tenda a ter uma ‘ênfase sacramental’ mais forte do que a dos Anglicanos evangélicos.

Em comum com a maioria dos Protestantes, os Metodistas reconhecem dois sacramentos como instituídos por Cristo: Batismo e Santa Comunhão (também chamada de Ceia do Senhor). A maioria das igrejas metodistas pratica o batismo infantil, em antecipação a uma resposta a ser feita mais tarde (confirmação), bem como o batismo de crentes. Quanto à Ceia, a maneira como a presença de Cristo se manifesta nos elementos (pão e vinho) é descrita como um ‘Mistério Santo’.

Os primeiros metodistas usavam roupas simples, jejuavam uma vez por semana, se abstinham de álcool e observavam devotamente o sábado. Não participavam e ainda condenavam os ‘hábitos mundanos’, incluindo jogo de cartas, corridas de cavalo, jogos de azar, freqüentar o teatro, dançar (tanto em brincadeiras como em bailes) e briga de galo. Eles vinham de todos os níveis da sociedade, incluindo a aristocracia, mas os pregadores metodistas levaram a mensagem aos trabalhadores e criminosos que tendiam a ser deixados de fora da religião organizada naquela época. Na Grã-Bretanha, a Igreja Metodista teve um grande efeito nas primeiras décadas do desenvolvimento da classe trabalhadora (1760–1820). Nos Estados Unidos, tornou-se a religião de muitos escravos que mais tarde formaram igrejas negras na tradição metodista. Os metodistas são historicamente conhecidos por sua adesão à doutrina da separação do mundo, refletida por seus padrões tradicionais de compromisso com a abstinência de bebidas alcoólicas, a proibição de jogos de azar, participação regular em reuniões de ‘classe’, e observância semanal do jejum de sexta-feira.

Com o tempo, muitas dessas práticas foram gradualmente relaxadas no Metodismo tradicional, embora práticas como abstinência alcoólica e jejum ainda sejam muito encorajadas, além da proibição atual do jogo. A Igreja Metodista na América ainda guarda o Domingo, pois exige que os crentes atendam a todas as ordenanças de Deus, incluindo a adoração pública, e proíbe profanação o dia do Senhor, seja fazendo um trabalho normal ou comprando ou vendendo.

A Igreja Metodista no Brasil foi fundada por missionários americanos em 1867. Ela se tornou autônoma em 1930. Na década de 1970, ordenou sua primeira ministra. Em 1975 também fundou a primeira Universidade Metodista da América Latina, a Universidade Metodista de Piracicaba.


A Capela de Wesley

A Capela de Wesley em Londres foi fundada por John Wesley, cuja estátua fica no pátio. Foto: Mike Peel – wikipedia.org

Estátua de John Wesley

Estátua de John Wesley, por Paul Raphael Montford, do lado de fora da Igreja de Wesley em Melbourne – Foto: Adam Carr, 2005 – wikipedia.org


Muitas denominações surgiram da Igreja Metodista. Outros movimentos estão ligados ao Metodismo, como por exemplo ‘O Exército de Salvação’ fundado por William Booth, um Metodista, em Londres em 1865, bem como o Movimento de santidade. O Movimento de santidade envolve um conjunto de crenças e práticas cristãs que surgiram principalmente dentro do Metodismo do século XIX e, em menor grau, outras tradições como o Quakerismo, o Anabatismo e o Restauracionismo. Sua teologia é baseada na visão Wesley-Arminiana, e sua ênfase é dada na inteira santificação do crente, levando à perfeição cristã. Para o Movimento de Santidade, o termo ‘perfeição’ significa a plenitude do caráter cristão; sua liberdade de todo pecado e a posse completa de todos os dons do Espírito. Uma série de denominações cristãs evangélicas, organizações não eclesiásticas e movimentos enfatizam essas crenças como doutrina central. Podemos dizer que o movimento de santidade que começou com Wesley veio a influenciar várias denominações Evangélicas e preparar o terreno para o Pentecostalismo do final do século XIX e início do século XX.

Restauracionismo ou Movimento de Restauração

Um dos movimentos que surgiram no século XIX e também influenciou a Igreja foi o Restauracionismo (ou Primitivismo Cristão) por parte daqueles que crêem que o Cristianismo histórico, em algum ponto da sua existência, apostatou da fé; por isso, é necessário restaurar o Cristianismo primitivo da era apostólica. Algumas denominações cristãs protestantes que apoiavam essa posição eram os Anabatistas, Puritanos, Landmarkistas (um ramo Batista no sul do EUA), Hussitas e Valdenses, estes dois últimos considerados como movimentos pré-reforma.

Os valdenses (também conhecidos como valdesi) receberam esse nome por causa do fundador desse movimento ascético, Peter Waldo, um rico comerciante que em 1173 doou suas propriedades pregando a pobreza apostólica como caminho para a perfeição. Eles são considerados os precursores da Reforma Protestante e foram declarados heréticos em 1215 pela Igreja Católica, vindo a se tornar parte da tradição Calvinista em 1532.

O movimento Hussita (século XV) segue os ensinamentos do reformador tcheco Jan Hus (ou John Huss; 1372–1415), que se tornou o representante mais conhecido da Reforma Boêmia e um dos precursores da Reforma Protestante. Boêmia é uma região histórica da Europa Central. Foi parte do Sacro Império Romano-Germânico, do Império Austríaco e do Império Austro-Húngaro. Após a Segunda Guerra Mundial, passou a ser o terço ocidental e médio da atual República Checa ou Tcheca. A parte oriental é a Morávia. Esse movimento predominantemente religioso foi impulsionado por questões sociais e fortaleceu a consciência nacional tcheca. As tradições Hussitas entre os cristãos de hoje se encontram na Igreja da Morávia e nas igrejas Hussitas da República Tcheca.

Restauracionismo do século XIX:

Outros movimentos como o Adventismo, o Mormonismo e as Testemunhas de Jeová (oriundas do Movimento dos Estudantes da Bíblia) procuravam restabelecer os padrões da Igreja Primitiva. Embora o Restauracionismo tenha prevalecido entre os Protestantes, há outros grupos religiosos envolvidos com ele: algumas alas do Catolicismo, a Ciência Cristã e o Espiritismo.

No século XIX esse pensamento (o Restauracionismo) ressurgiu nos Estados Unidos e na Inglaterra. O pastor presbiteriano inglês Edward Irving proclamava uma restauração espiritual do Cristianismo primitivo. Por outro lado, John Nelson Darby (1800–1882; um pregador anglo-irlandês) e outros grupos protestantes da Irlanda, como os irmãos de Plymouth (ou Assembléias dos Irmãos, em Dublin, por volta de 1825) pretendiam restaurar um Cristianismo simples e adenominacional. A Assembléia dos Irmãos é proveniente do Anglicanismo e afirma o ‘sola scriptura’. Consiste de uma coleção de igrejas independentes que pensam da mesma forma.

Nessa época, durante o Segundo Grande Despertar nos Estados Unidos (1790-1840, entre os Presbiterianos, Metodistas e Batistas) emergiram movimentos Restauracionistas, o primeiro na fronteira agrícola na região dos Apalaches (Cordilheira Leste da América do Norte, que se estende desde o Canadá até o Alabama, ao sudeste dos EUA), onde alguns cristãos pregavam um Cristianismo sem credos e sem barreiras denominacionais. Depois surgiram praticamente na mesma época e na mesma região, movimentos como o Mormonismo, o Adventismo e as Testemunhas de Jeová, que procuravam restabelecer uma igreja visível e restaurada conforme os princípios bíblicos, não apenas uma restauração espiritual do Cristianismo Primitivo, como havia sugerido o pastor presbiteriano Edward Irving.

Adventismo

Millerismo

O Adventismo ou Millerismo começou no século XIX a partir do Segundo Grande Despertar nos Estados Unidos (1790-1840), com William Miller, cujos seguidores ficaram conhecidos como milleritas.

William Miller (1782-1849) nasceu de uma família simples de Massachusetts, aprendeu a ler com a mãe e freqüentou a escola apenas por dezoito meses. Mas lia os poucos livros que tinha em casa com muita voracidade: um saltério, uma bíblia e um livro de oração. Na sua juventude na área rural de Low Hampton (Nova Iorque), como agricultor, cria na bíblia e em outros livros como inspirados. Casou com Lucy P. Smith em 1803 e se mudou para Poultney (Vermont), mas a partir de seu casamento, ele rejeitou sua herança Batista e adotou o deísmo, uma posição filosófica que acredita na criação do universo por uma inteligência superior (que pode ser Deus, ou não), através da razão, do livre pensamento e da experiência pessoal, em vez da revelação direta ou da tradição religiosa. Em outras palavras: um deísta é aquele que aceita a existência de um princípio criador, mas não pratica nenhuma religião, e não nega a realidade de um mundo completamente regido pelas leis naturais e físicas. Além de agricultor, teve várias profissões e funções voluntárias: juiz de paz, xerife comissionado, e militar; recebeu o posto de tenente de milícia em 1810. Serviu como voluntário na Guerra de 1812 (entre os Estados Unidos e o Reino Unido), terminando como capitão em 1815. Em 1816, voltou a morar em Low Hampton, sendo ao mesmo tempo um deísta e um membro de igreja batista. Ele foi convidado a ler o sermão do dia durante uma das ausências freqüentes do ministro, e se voltou com ardor a estudar a bíblia, pois teve um encontro com Deus. Sua visão era de que a bíblia, caso fosse realmente a palavra de Deus, deveria explicar por si só suas aparentes contradições. Entre 1816 e 1818, estudou intensivamente o livro sagrado. Enquanto no deísmo, Miller tornou-se maçom, ocupando o cargo de grão-mestre, entretanto, renunciaria sua afiliação à maçonaria em 1831, por achá-la incompatível com suas idéias evangelísticas.

Um dia (por volta de 1830), estudando a bíblia, ele se deparou com o texto que deveria marcá-lo para o resto da vida: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” (Dn 8: 14). Usando textos como Ez 4: 6-7 e outros mais (infelizmente, interpretando-os de maneira distorcida e fora do contexto bíblico) ele concluiu que as 2.300 tardes e manhãs representavam 2.300 anos literais que teriam começado em 457 AC (quando Artaxerxes I ordenou o 2º retorno dos cativos na Babilônia a Jerusalém sob o comando de Esdras – 458 AC), terminando com o fim do mundo e a volta literal de Jesus Cristo entre a primavera de 1843 e a primavera de 1844. Miller pensava que o santuário era a Terra e que sua purificação seria feita com fogo por ocasião da vinda de Cristo. Em 1831, com 50 anos de idade, decidiu propagar suas interpretações, e começou a pregar nas fazendas, depois em vilas e, por fim, nas grandes cidades.

Quero apenas deixar um comentário em relação ao tempo cronológico dessa profecia de Daniel (Dn 8: 14). Ele estava se referindo ao tempo decorrido desde a profanação do templo por Antíoco IV Epifânio, rei Selêucida (por volta de 168-167 AC) até sua purificação por Judas Macabeu. A revolta dos Macabeus durou de 167 AC a 160 AC, ou seja, 2.300 dias, mais precisamente, 6 anos, 3 meses e 18 dias (não 2.300 anos, como Miller erroneamente interpretou).

Em 1838, estudando o capítulo 8 e 9 do Apocalipse (Os anjos com as sete trombetas), chegou à conclusão de que exatamente em apenas dois anos, ou seja, 1840, o Império Otomano, influente e poderoso na época, seria desintegrado. O Império Turco-Otomano passou por uma crise realmente, mas não se desintegrou como Miller previra. O período Tanzimat (do árabe Tanzîmât, que significa ‘reestruturação) – 1839-1876 – foi uma série de reformas constitucionais no Império Otomano que gerou um exército bastante moderno (recrutamento militar), reformas no sistema bancário, a descriminalização da homossexualidade, a substituição da lei religiosa por lei secular e substituição das guildas por fábricas modernas (guildas = unidades de produção artesanal; associações de artesãos e comerciantes que supervisionam a prática de seu artesanato ou comércio em uma determinada área e que surgiram na Idade Média).

Entretanto, isso deixou uma sensação alarmante no coração das pessoas, fazendo-as a acreditar numa volta iminente de Jesus para aqueles dias. Ele dizia que o único milênio ensinado na bíblia eram os mil anos que se seguiriam à ressurreição dos justos por ocasião da Vinda de Jesus (Ap 20: 4; 7).

Pessoas de várias denominações religiosas da América aderiram a este movimento religioso, que se chamou de Adventismo ou Millerismo, pois aguardavam a volta de Jesus para muito breve, embora o mesmo não tivesse uma organização eclesiástica formal, e tivesse pessoas das mais diferentes vertentes protestantes.

O nome Adventismo ou Millerismo se refere à crença na segunda vinda iminente (ou ‘segundo advento’) de Jesus Cristo. Ao longo da história da denominação, vários grupos deixaram a igreja e formaram seus próprios movimentos. A família de igrejas adventistas é considerada como protestantes conservadoras.

Após o que ficou conhecido como ‘O Grande Desapontamento’, o grupo se dispersou em outros menores. Em 29 de janeiro de 1845, Miller, sua família e seus adeptos foram expelidos da Igreja Batista. Em 1848, ele construiu uma capela em sua propriedade para o culto dos Adventistas. Faleceu em 1849.

Alguns desses adeptos insistiram na reavaliação das ‘profecias’ de Miller, dando uma nova interpretação ao retorno de Cristo. Em 1845, foi organizada Conferência de Albany, e fundada a Associação Milenial Americana (American Millennial Association), mas nos anos subseqüentes, por divergências doutrinárias, denominações dissidentes acabaram sendo formadas, como, por exemplo: a Igreja Adventista do Sétimo Dia (uma Igreja Adventista Sabatista), as Igrejas de Deus Adventistas (Igrejas Sabatistas), a Igreja Cristã do Advento (uma Igreja Adventista Dominical), o movimento dos Estudantes da Bíblia, do qual emergiram as Testemunhas de Jeová. No início de seu desenvolvimento, o movimento dos Estudantes da Bíblia, fundado por Charles Taze Russell, tinha ligações estreitas com o movimento millerita e os partidários da fé adventista. Embora as Testemunhas de Jeová e os Estudantes da Bíblia não se identifiquem como parte do movimento adventista millerita (ou outras denominações, em geral), alguns teólogos categorizam esses grupos e seitas relacionadas como adventistas milleritas por causa de seus ensinamentos sobre uma segunda vinda iminente e seu uso de datas específicas.

Dentro dessas citadas acima, muitas outras denominações surgiram. Os Davidianos (the Davidians), ou ‘a Vara do Pastor’ (The Shepherd’s Rod) ou ‘a Vara’ (The Rod) é uma ramificação americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia em todo o mundo. Foi fundada em 1929 por Victor Houteff, seu presidente e profeta. Houteff ingressou na Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1919, mas foi desassociado em 1930 por promover doutrinas heréticas. O nome oficial da organização foi mudado em 1942 para Adventistas do Sétimo Dia Davidianos, mas ainda era referido como ‘A Varinha’ tanto por membros como por críticos. Os vários grupos que reivindicam a teologia de Houteff continuam a ser conhecidos como a Vara do Pastor e Davidianos.

Todas essas denominações retiveram em comum o senso da iminência da volta de Jesus Cristo.

Embora as igrejas adventistas tenham muito em comum, suas teologias diferem sobre se o estado dos mortos é sono inconsciente (Ec 9: 10) ou consciente, se a punição final dos ímpios é a aniquilação ou tormento eterno; a natureza da imortalidade, se os ímpios são ressuscitados ou não após o milênio; e se o santuário descrito em Daniel (Dn 8: 11; 13) se refere àquele no céu ou na terra. Outros incluem a guarda do Sábado, regulação dietética e o juízo investigativo (um processo escatológico no qual o juízo de Deus se iniciou em 1844, segundo a interpretação de Ellen White).

Ellen White

Para os Adventistas do Sétimo Dia, Ellen White considerou que o evento de 1844 se tratava do ‘juízo investigativo’, um processo escatológico que começou naquele ano, quando Jesus entrou no santuário celestial e cada pessoa seria julgada para verificar se era um eleito à salvação e a justiça de Deus seria confirmada diante do universo (seria um pré-julgamento, antes da segunda vinda de Cristo).

Ellen Gould White (1827-1915) foi uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia e uma famosa escritora cristã norte-americana. Para os adventistas, o ‘testemunho de Jesus’ (que é a profecia, segundo Ap 19: 10) também está presente nas mensagens de Ellen White, pois sua mensagem está em concordância com a bíblia, reconhece a divindade e encarnação de Jesus Cristo, e se cumpriu em concordância com as Escrituras. Por isso, eles a consideram uma profetisa contemporânea, que entra na linha de profetas que foram chamados por Deus para dar ânimo, conselho e admoestação ao povo de Deus, mas cujos escritos não entram no Cânon sagrado. Eles citam alguns profetas da bíblia e os comparam a ela: Natã, Gade, Semaías, Azarias, Eliézer, Aías, Ido e Obede no AT, e Simeão, João Batista, Ágabo e Silas no NT. Também incluem mulheres como Miriã, Débora e Hulda, que foram denominadas profetisas nos tempos antigos, bem como Ana ao tempo de Cristo, e as quatro filhas de Filipe, que profetizavam, segundo At 21: 9.

Ellen White fala em suas obras sobre teologia, evangelização, vida cristã, educação e saúde (defende o vegetarianismo). Seus escritos restauracionistas procuram mostrar a mão de Deus guiando os cristãos ao longo da história. Ela também torna evidente a existência de um conflito cósmico sendo travado na terra entre o bem (Deus) e o mal (Satanás). Esse conflito é conhecido como ‘O Grande Conflito’ e foi fundamental para o desenvolvimento da teologia Adventista.

No ano de 1840, com 12 anos de idade, durante uma reunião campal da Igreja Metodista, Ellen se entregou a Jesus. E em 1842 se batizou nas águas e foi aceita como membro da Igreja Metodista. Em dezembro de 1844, aos 17 anos, ela teve sua primeira visão, não muito tempo depois do ‘Grande Desapontamento’ de 22 de outubro de 1844. Seu objetivo era incentivar seus irmãos adventistas desencorajados e fragmentados em tantas denominações por causa do acontecimento daquele ano. Ela viu o povo adventista viajando em um alto e reto caminho em direção à Nova Jerusalém e havia uma luz brilhante no começo do caminho, atrás deles. Jesus encorajava os viajantes que estavam cansados; outros não davam importância para a luz que os guiava e ‘caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio’. Na visão, apreciam cenas da segunda vinda de Cristo e a entrada do povo do advento na Nova Jerusalém. Quando terminou a visão, ao ‘voltar a Terra’, ela se sentiu solitária, desolada, almejando um mundo melhor. A visão era um incentivo para Adventistas, um triunfo, apesar do desespero no qual eles haviam mergulhado.

Ela teve mais duas visões em 1845, uma após a outra, onde viu a nova terra, e que para ela deu um significado à sua primeira visão e apoiou o desenvolvimento do pensamento racional sobre o santuário de Daniel 8, combatendo as visões de adventistas fanáticos, retratando Deus e Jesus como seres literais e o céu como um lugar físico. Só depois de algum tempo, ela compartilhou suas visões com a comunidade millerita. Em uma reunião de oração em sua casa, uma luz muito brilhante, como uma bola de fogo (ela descreve), veio em sua direção e ela se sentiu como se estivesse na presença de Jesus e dos anjos. A voz do Senhor veio a ela, pedindo para fazer conhecidas as revelações que ela recebia aos outros irmãos. Nessa época, ela ainda participava encontros regulares da Igreja Metodista realizados em casas particulares.

Nesse mesmo ano de 1845 ela conheceu um millerita, James Springer White, com quem se casou em 1846, perante um juiz de paz em Portland, Maine. Eles tiveram quatro filhos: Henry Nichols (1847), James Edson (1849), William Clarence (1854) e John Hebert (1860). Mas seu filho mais novo morreu de erisipela aos três meses de idade, e o mais velho morreu de pneumonia aos 16 anos de idade.

Ellen White descrevia que suas visões ela era sempre envolvida por uma luz brilhante, se sentindo na presença de Jesus ou de Seus anjos, e lhe eram mostrados eventos históricos e futuros, bem como lugares (na terra, no céu ou outros planetas); ou, então, ela recebia informações. Ao voltar dessas visões, ela se sentia novamente envolvida pela escuridão da Terra. Os estudiosos escrevem que pessoas testemunharam momentos em que ela teve suas visões, e numa dessas ocasiões, um médico estava presente e disse que quando ela estava em visão não respirava, ficava de olhos abertos e olhar sereno, como se olhasse ao longe, e podia ficar neste estado por minutos ou horas. Ao sair da visão, o Senhor determinava que escrevesse imediatamente.

Em 1858, White recebeu uma visão onde declarou ter recebido instruções práticas para membros da igreja (como guardar o sábado, por exemplo) e teve um vislumbre cósmico do conflito ‘entre Cristo e Seus anjos, e Satanás e seus anjos’, o que foi exposto mais tarde em um livro. Alguns de seus defensores dizem que ela recebeu visões da guerra da secessão americana (1861-1865), o surgimento do moderno espiritismo, a supremacia dos EUA no mundo entre outras profecias com pleno cumprimento. Ellen G. White morreu em 1915 aos 87 anos.

Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD)

A Igreja Adventista do Sétimo Dia foi oficialmente fundada em 1863, com a participação de Ellen White e seu marido, James White; Joseph Bates (também um millerita; era um ministro e, na vida secular, um marinheiro) e John Nevins Andrews (também um millerita; ministro, missionário, escritor, editor e erudito).


Logotipo da Igreja Adventista do Sétimo Dia

Logotipo da Igreja Adventista do Sétimo Dia


Os estudiosos adventistas dão crédito a Ellen G. White por trazer a Igreja Adventista do Sétimo Dia a uma consciência mais abrangente da divindade durante a década de 1890, influenciando na mudança da igreja, de raízes semi-arianas para o trinitarismo (Embora seu marido alegasse que suas visões não apoiavam o credo trinitário). O Arianismo é uma visão herética de Cristo criada por Ário (c. 250-336 DC), um presbítero cristão de Alexandria, nos primórdios da Igreja Primitiva e que negava a Trindade e a divindade de Jesus, ou seja, Ele era aceito como o Filho de Deus, mas não era igual a Deus Pai, portanto, não era Deus. Ele estaria subordinado a Deus, mas não era Deus. Assim, a tese ariana diz que o Filho de Deus, Jesus de Nazaré, e Deus Pai seriam de substâncias (em grego: ‘ousia’) diferentes. A Igreja Adventista só adotou mesmo a teologia trinitária no início do século XX e a partir daí começou a dialogar com outros grupos protestantes, ganhando finalmente o reconhecimento como uma igreja protestante (antes era considerada uma seita, por negar a Trindade).

A Igreja se distingue por sua forte crença na segunda vinda iminente (advento) de Jesus Cristo antes do milênio (doutrina chamada de pré-milenismo); a observância do sábado, que é o sétimo dia da semana nos calendários cristão e judaico; dá ênfase na dieta e na saúde, aderindo às leis de alimentos kosher, defendendo o vegetarianismo e sua compreensão holística da pessoa (o ser humano é composto de corpo, alma e espírito, que são inseparáveis). Apóia a liberdade religiosa, mas seus princípios e estilo de vida são conservadores.

A doutrina adventista também apóia a teoria arminiana, ou seja, a salvação depende do livre-arbítrio do homem em responder positivamente à graça incondicional de Deus; crêem na infalibilidade das Escrituras, na justificação somente pela fé, na morte de Jesus na cruz como um meio de expiar nossos pecados e acreditam na ressurreição dos mortos. Realizam o batismo por imersão. Quanto à Criação, eles crêem num tempo de seis dias literais.

Outros ensinamentos incluem a vida eterna para os que crêem em Cristo (‘imortalidade condicional’), o estado inconsciente dos mortos (os mortos dormem inconscientes até a Ressurreição dos Mortos quando haverá um Juízo Final antes do Mundo Vindouro) e a doutrina de um ‘julgamento investigativo’.

Algumas orientações da IASD:

Dieta
A Igreja Adventista dá muito valor à integridade do crente e à saúde. Os adventistas defendem o consumo de vegetais e alimentos kosher (Pronuncia-se: cashér, em hebraico, e significa: ‘permitido, próprio, bom, alimento correto, alimentação correta’). Kosher não só diz respeito à carne de animais, mas ao preparo de muitos outros tipos de alimentos, inclusive vegetais. Os animais permitidos e proibidos por Deus ao homem estão descritos em Lv 11: 1-47, o que significa que de todos os quadrúpedes, os proibidos na alimentação eram: o camelo, o arganaz (parecido com uma marmota alpina; é vegetariano e vive nas rochas), a lebre e o porco. Dentre as aves eram proibidas as aves de rapina, que costumam se alimentar de carniça (cadáver). Dentre os animais aquáticos só eram permitidos os que têm barbatanas e escamas (peixes), mas proibidos os animais que hoje chamamos ‘frutos do mar’, como os mariscos (todos os invertebrados comestíveis como os crustáceos: lagostas, lagostins, camarões, caranguejos, etc.), por exemplo, e todos os que têm uma casca e são moles como a lesma; por isso, só comemos o seu conteúdo, como por exemplo: os moluscos (mexilhão, ostra, lula, polvo, amêijoas, etc. As amêijoas são mais freqüentemente conhecidas pelo seu nome em Italiano, ‘vongole’). Dos insetos, só eram permitidos a locusta, o gafanhoto devorador, o grilo e o gafanhoto.

A igreja também proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou drogas ilegais. Além disso, alguns adventistas evitam café, chá, coca-cola e outras bebidas que contenham cafeína. Entre os membros pioneiros da igreja os cereais matinais foram muito aceitos, como por exemplo, os cereais da marca Kellogg’s, empresa fundada por William Kellogg por incentivo do seu irmão John Harvey Kellogg, um dos primeiros fundadores da obra adventista de saúde. John Harvey considerava cereais matinais como um alimento saudável e anunciava flocos de milho insípidos como uma forma de conter o desejo sexual e evitar os males da masturbação. A igreja possui hoje na Austrália e na Nova Zelândia uma famosa empresa fabricante de produtos relacionados à saúde e alimentos vegetarianos.

Casamento e sexualidade
Para os adventistas, o casamento é um compromisso legal vitalício de um homem e uma mulher, sendo uma instituição divina estabelecida pelo próprio Deus antes da queda. As esposas devem se submeter aos maridos, segundo os textos do AT e do NT. Os adventistas acreditam e incentivam a abstinência sexual tanto para homens quanto para mulheres antes do casamento. A igreja desaprova a coabitação extraconjugal.

Não realizam casamentos homossexuais, e indivíduos que são homossexuais praticantes não podem ser ordenados, mas podem ser membros da Igreja e ocupar cargos religiosos se não estiverem buscando ativamente relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. São bem-vindos nos cultos e tratados com amor e bondade, como se trata qualquer ser humano. Os adventistas acreditam que as Escrituras não aprovam relacionamentos homossexuais, e sua posição oficial se opõe a isso.

Ética
• Para a Igreja Adventista do Sétimo Dia o aborto está em desarmonia com o plano de Deus para a vida humana, inclusive o aborto como controle de natalidade e sexo antes do casamento em qualquer caso.
A igreja declarou oficialmente a sua posição em relação a outras questões éticas:
• É contra a eutanásia ativa (é administrada uma substância com o propósito de causar a morte), mas permissiva à retirada dos recursos médicos que mantinham a pessoa viva – a eutanásia passiva.
• É a favor do controle de natalidade para casais, se usado corretamente.
• É contra a clonagem humana, uma vez que a tecnologia não é segura e resultaria em nascimentos defeituosos ou abortos.

Vestuário e entretenimento
Os adventistas se opõem a piercing e tatuagens e evitam o uso de jóias, incluindo itens como brincos e pulseiras. Eles tradicionalmente mantêm atitudes socialmente conservadoras em relação a vestuário e entretenimento. Os adventistas conservadores evitam certas atividades recreativas que são consideradas uma influência espiritual negativa, incluindo dança, teatro secular, música rock e música popular, ler romances, jogar cartas, boliche, sinuca ou até mesmo ficar fascinado por esportes profissionais. A Igreja Adventista se opõe oficialmente à prática da jogatina.

Estrutura governamental da Igreja
A Igreja Adventista do Sétimo Dia é governada de forma semelhante ao sistema presbiteriano de organização da igreja. O nível básico é a igreja local, onde os membros têm poder de voto dentro dela. No nível acima da igreja local está a ‘Conferência Local’, uma organização de igrejas dentro de um estado, província ou território que nomeia (ordena) ministros, possui terras da igreja e organiza a distribuição de dízimos e pagamentos aos ministros. Ela geralmente administra cerca de 50-150 congregações locais. O nível superior dela é a ‘Conferência Sindical’, que incorpora uma série de conferências locais dentro de um território maior (são responsáveis por 6-12 conferências locais). O mais alto nível de liderança é a ‘Conferência Geral’, que consiste em 13 ‘divisões’, correspondentes a várias localizações geográficas. É a autoridade máxima da igreja e decide questões mais importantes e as administrativas.

O clero ordenado da Igreja Adventista é composto pelos ministros (pastores). Os ministros são nomeados pelas Conferências Locais, que lhes atribuem responsabilidades sobre uma única igreja ou grupo de igrejas. Presbíteros e diáconos são nomeados pelo voto de uma reunião de negócios da igreja local ou comitês eleitos. Os presbíteros desempenham um papel principalmente administrativo e pastoral. O papel dos diáconos é ajudar no bom funcionamento de uma igreja local e manter a propriedade da igreja.

Embora a igreja não tenha uma política escrita proibindo a ordenação de mulheres, tradicionalmente ordena apenas homens.

Saúde
Os adventistas patrocinam um grande número de hospitais e instituições sem fins lucrativos relacionadas à saúde.

Liberdade religiosa
A Igreja Adventista do Sétimo Dia busca proteção dentro da legislação para não afetar suas práticas religiosas, como por exemplo, protegendo funcionários adventistas que desejam guardar o sábado. A IASD defende a separação entre Igreja e Estado.

A Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia em 1980 compilou as crenças básicas dessa igreja nas 28 Crenças Fundamentais (a 11ª foi escrita em 2005). Todas essas doutrinas, com exceção do item 11 (a respeito do retorno pré-milenar de Cristo), são amplamente defendidas entre os protestantes conservadores ou evangélicos (diferentes grupos de protestantes têm visões diferentes sobre o milênio). As crenças podem ser divididas em grupos. Meus comentários estão escritos resumidamente, baseados no meu entendimento sobre o assunto defendido por eles:

I) Doutrinas de Deus

1. Sagradas Escrituras
As Sagradas Escrituras são a revelação infalível da vontade de Deus. Os teólogos adventistas acreditam que Deus inspirou os pensamentos dos autores bíblicos (‘inspiração do pensamento’) e que eles expressaram esses pensamentos em suas próprias palavras, mas não que Deus ditou Suas palavras (‘inspiração verbal’) a eles, como as demais denominações de evangélicos conservadores acreditam. Os adventistas geralmente rejeitam abordagens de alta crítica das Escrituras, ou seja, evitam acreditar nas pressuposições e nas deduções do método histórico-crítico.

2. Trindade
A Divindade consiste no Pai, no Senhor Jesus Cristo e no Espírito Santo. Os três são Um.

3. Deus Pai é um Ser pessoal e espiritual, imortal, onipotente, onipresente, onisciente. Ele é infinito em sabedoria, amor e fidelidade. É o Criador de todas as coisas.

4. Jesus Cristo, o Filho, é Deus; portanto, da mesma natureza e essência do pai. Ele assumiu a natureza humana, vivendo como um homem justo na terra, morrendo pelos pecados da humanidade, ressuscitou dos mortos e ascendeu ao céu, onde intercede pela humanidade. Ele virá outra vez para o livramento final do Seu povo e a restauração de todas as coisas.

5. O Espírito Santo é Deus, é eterno, estava ativo com o Pai e o Filho na Criação, encarnação e redenção. Ele inspirou os escritores das Escrituras. Encheu de poder a vida de Cristo e atrai os seres humanos; aqueles que respondem, Ele renova e transforma à imagem de Deus. Enviado pelo Pai e pelo Filho para estar sempre com Seus filhos, Ele estende dons espirituais à igreja, capacita-a para dar testemunho de Cristo e a conduz a toda a verdade em harmonia com as Escrituras. Entretanto, uma minoria de Adventistas do Sétimo Dia hoje é carismática (manifestação de dons do Espírito Santo como cura divina e falar em línguas estranhas ou ‘língua de anjos’). Os dons estão fortemente associados àqueles que mantêm crenças adventistas mais ‘progressistas’.

II) Doutrinas da humanidade

6. A Criação
A doutrina do Criacionismo do ponto dos Adventistas do Sétimo Dia, baseada nos capítulos iniciais de Gênesis, é que eles devem interpretados literalmente, ou seja, toda a vida terrestre se originou num período de seis dias, cerca de 6.000 anos atrás, e um Dilúvio global destruiu todos os animais terrestres e humanos, exceto aqueles salvos na Arca de Noé. Não acreditam numa interpretação simbólica para os dias da Criação. Embora sustentem que a semana da Criação foi um evento recente (6.000 anos), eles acreditam que a bíblia fala de outros mundos povoados por seres inteligentes em outras partes do universo, que existiram antes da semana da criação da Terra – não consegui encontrar nenhum texto adventista com provas bíblicas irrefutáveis em relação a isso (Eles se baseiam nas visões de Ellen White sobre Deus ter revelado a ela outros lugares na terra, no céu e em outros planetas – Outros planetas habitados estão localizados na vastidão do espaço, bem além do alcance das sondas espaciais de nosso sistema solar ‘contaminado pelo pecado, colocados em quarentena devido a essa infecção’). Os ‘filhos de Deus’ de Jó 1: 6-12 são os ‘Adões’ de ‘mundos não caídos’ que se encontram na presença de Deus em algum lugar do universo. Mas, se escrevemos acima o que eles mesmos dizem: ‘Os adventistas geralmente... evitam acreditar nas pressuposições e nas deduções do método histórico-crítico’, ou seja, se rejeitam pressuposições e deduções, e o que lemos acima é uma pressuposição, pois não há um único versículo bíblico que fale claramente sobre isso, então, isso é uma incongruência. Além do que, a hipótese de mundos mais evoluídos espiritualmente do que o nosso mísero planeta, é uma doutrina espiritualista da qual outras religiões não cristãs compartilham, e não fazem parte do projeto de salvação de Deus para nós. Nada disso importa para nós, como cristãos. Lembre-se que a origem do adventismo era Millerita, e Miller conheceu muito mais das ciências ocultas do que qualquer outro cristão, como o deísmo e a maçonaria.

Os adventistas acreditam numa matéria inorgânica que foi criada antes da semana da Criação e depois alterada para sua forma atual no momento do processo criativo de Deus. Portanto, as datas computadas da geologia padrão por Carbono 14 são irrelevantes para datar a criação da vida na Terra por ser uma ciência interpretativa.

7. Natureza da humanidade
Natureza humana holística
Os humanos são uma unidade indivisível de corpo, mente e espírito. Eles não possuem uma alma imortal e não há consciência após a morte (comumente referido como ‘sono da alma’). O homem e a mulher foram formados à imagem de Deus com individualidade e liberdade de pensar e agir. Quando desobedeceram a Deus, caíram de sua elevada posição. A imagem de Deus neles foi distorcida e tornaram-se sujeitos à morte. Seus descendentes partilham dessa natureza caída e de suas conseqüências.

III) Doutrinas da salvação

8. O Grande Conflito
Na visão cristã comum, a humanidade está envolvida em um ‘Grande Conflito’ entre Jesus Cristo e Satanás desde que o mal começou no céu, quando Lúcifer (um ser angelical) se rebelou contra a Lei de Deus. A Igreja Adventista do Sétimo Dia acredita que ‘o Grande Conflito’ se refere à batalha cósmica entre Jesus Cristo e Satanás, também travada na Terra, como Ellen White escreveu em seu livro ‘o Grande Conflito’, publicado em 1858 e onde ela relata as visões que recebeu, junto com referências bíblicas. Para os adventistas, esse é um conceito importante, pois nos faz entender a origem do mal e da sua destruição, bem como da restauração do propósito original de Deus para este mundo.

Toda a humanidade está agora envolvida em um grande conflito entre Cristo e Satanás a respeito do caráter de Deus, Sua lei e Sua soberania sobre o universo por causa da rebelião de um ser espiritual, e que levou Adão e Eva ao pecado. Isso trouxe à humanidade a distorção da imagem de Deus, a desordem do mundo criado e sua devastação na época do Dilúvio. No final, o amor de Deus prevalecerá. Para ajudar Seu povo a superar esse conflito, Cristo envia o Espírito Santo e os anjos para guiar e proteger os que são Seus, protegê-los e sustentá-los no caminho da salvação (Hb 1: 4-14).

9. A vida, morte e ressurreição de Cristo
Em resumo, foi uma atitude de reconciliação da parte de Deus para com o homem, provendo a expiação do pecado humano. Os que crêem em Jesus têm a vida eterna (‘imortalidade condicional’).

10. A experiência de salvação
O Espírito Santo nos faz reconhecer os nossos pecados e nos leva ao arrependimento. Pela fé, podemos ver Jesus como Senhor e Salvador, nosso substituto. E essa fé é dom de Deus. A salvação vem a nós pela Sua graça (Seu favor imerecido sobre nós). Por meio do Seu sangue nós somos justificados, libertados do domínio do pecado e nascemos de novo.

11. Crescendo em Cristo (escrita em 2005)
O Espírito Santo aperfeiçoa nosso caráter para que cheguemos à perfeição (à estatura do varão perfeito, Cristo – Ef 4: 13). O Espírito nos transforma cada momento e cada tarefa que realizamos.

IV) Doutrinas da igreja

12. A igreja
O principal culto de adoração semanal ocorre no sábado, normalmente começando com a Escola Sabatina, um estudo bíblico realizado em pequenos grupos na igreja. A chamada ‘Lição da Escola Sabatina’ é produzida oficialmente, e trata-se de um texto bíblico ou doutrina particular a cada trimestre. Paralelamente ao culto dos adultos, há reuniões para crianças e jovens (análogo à escola dominical em outras igrejas). Depois de um breve intervalo, tem início o serviço religioso, seguindo a costume evangélico, com cantos, orações, ofertas (incluindo o dízimo), leitura das Escrituras e o sermão. Os instrumentos e formas de música de louvor variam muito, dependendo do país. Algumas igrejas na América do Norte têm um estilo de música cristã contemporâneo, enquanto outras igrejas cantam hinos mais tradicionais, incluindo os do Hinário Adventista. A adoração é restrita em matéria de tempo e manifestações corporais.

13. O Remanescente e sua missão
A igreja universal se compõe de todos os que crêem em Cristo, mas haverá um remanescente do tempo do fim que guardará os mandamentos de Deus e terá ‘o testemunho de Jesus’ (“os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” – Ap 12: 17). O dom de profecia é o sinal que identifica a Igreja Remanescente. Uma das perguntas feitas pelo ancião a um candidato a membro da IASD e ao batismo nela é: “Aceita e acredita que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a Igreja Remanescente da profecia bíblica que pessoas de todas as nações, raças e línguas são convidadas a aceitas na sua comunhão? Deseja ser membro desta congregação local da igreja universal?” (fonte: Manual_IASD_2016.pdf – pg. 49). Os remanescentes anunciam a hora do juízo, proclama a salvação por meio de Cristo e prediz que Sua vinda está próxima. Para eles, essa proclamação é simbolizada pelos três anjos de Apocalipse 14 e coincide com a obra de julgamento no céu e resulta numa obra de arrependimento e reforma na terra.

14. Unidade no Corpo de Cristo
A Igreja é um corpo com muitos membros, chamados de toda nação, tribo, língua e povo (1 Co 12: 12-31; Ef 1: 22-23; Ef 4: 4-6, 16; Rm 12: 5).

15. Batismo
Na Igreja Adventista do Sétimo Dia, depois que o candidato responde ao exame público pelo pastor diante da congregação ou pelo Conselho dos Anciãos, confirmando as 28 crenças fundamentais da Igreja (‘Aliança batismal’) e faz o voto de compromisso (‘Voto batismal’), a Igreja dá o seu voto e ele é aceito como membro da igreja e batizado. Ele recebe uma cópia escrita da Aliança, o Certificado de Batismo e o Compromisso, devidamente assinado. O batismo é por imersão. Na Igreja Adventista do Sétimo Dia, o re-batismo por imersão não é exigido novamente para quem já é Adventista; apenas para aqueles que sentem que receberam novas informações sobre os ensinos de Jesus ou passaram por uma ‘nova conversão’, uma nova experiência religiosa com Jesus. Membros vindos de outras igrejas que aceitam as crenças da IASD e que tenham sido batizados anteriormente por imersão podem solicitar o re-batismo. Os membros que se afastaram da fé e da presença de Deus e voltam a congregar são re-batizados. Membros de outras igrejas da IASD que não conseguiram uma carta de transferência da sua igreja de origem ou membros cujo ‘registro de membro’ se transviou também são aceitos na Igreja e re-batizados. Geralmente, eles são muito cautelosos na recepção de uma pessoa que veio de outra denominação cristã.

16. A Ceia do Senhor
As igrejas adventistas geralmente praticam a comunhão aberta (ou seja, todos os que dedicaram sua vida ao Senhor) quatro vezes por ano. Ela começa com uma cerimônia do lava-pés, conhecida como ‘Ordenança da Humildade’, baseada no relato do Evangelho de João, capítulo 13. A ‘Ordenança da Humildade’ tem o objetivo de imitar o ato de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés de Seus discípulos, e lembrar os participantes sobre a necessidade de servir humildemente uns aos outros. Os participantes se separam: mulheres numa sala e homens em outra, embora algumas congregações permitam que os casais realizem a ordenança um sobre o outro e as famílias sejam freqüentemente incentivadas a participar juntas. Após sua conclusão, os participantes retornam ao santuário para a Ceia do Senhor, que consiste em pães asmos e suco de uva não fermentado. Para os Adventistas do Sétimo Dia, as Ceia tem um caráter memorial, ou seja, lembram-nos do sacrifício de Jesus na cruz.

17. Dons e ministérios espirituais – 1 Co 12: 1-11; Ef 4: 7-16; Rm 12: 3-8. Deus concede a todos os membros de Sua Igreja, em todas as épocas, dons espirituais. Entretanto, uma minoria de Adventistas do Sétimo Dia hoje é carismática (manifestação de dons do Espírito Santo como cura divina e falar em línguas estranhas ou ‘língua de anjos’). Os dons estão fortemente associados àqueles que mantêm crenças adventistas mais ‘progressistas’.

18. O dom da profecia – Rm 12: 6; 1 Co 12: 10; Ef 4: 11; Ap 19: 10. O ministério de Ellen G. White é comumente referido como o ‘Espírito de Profecia’ e suas mensagens falam com a autoridade profética, fornecendo conforto, orientação, instrução e correção para a igreja de acordo com a bíblia.

V) As doutrinas da vida cristã

19. A Lei de Deus
A Lei de Deus está incorporada nos Dez Mandamentos, que continuam a ser obrigatórios para os cristãos.

20. O Sábado
O Sábado deve ser observado no sétimo dia da semana, especificamente, do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado. Parte da sexta-feira pode ser gasta na preparação para o sábado: refeições, arrumação da casa etc.. Os adventistas podem se reunir para o culto de sexta-feira à noite para dar as boas-vindas ao Sábado. Eles se abstêm de trabalho secular no sábado, bem como de formas puramente seculares de recreação, como assistir a programas não religiosos na televisão e os esportes competitivos. Mas incentivam os passeios pela natureza, as atividades voltadas para a família, trabalhos de caridade e outras atividades de natureza compassiva. Nas tardes de sábado as atividades variam muito, dependendo da origem cultural, étnica e social, como por exemplo, um almoço de confraternização para os membros e visitantes e as atividades com os jovens adventistas.

21. Mordomia
Independente da igreja, todos nós somos despenseiros de Deus, responsáveis pelo uso apropriado do tempo e das oportunidades, capacidades e posses, e das bênçãos da Terra e seus recursos, que Ele colocou sob o nosso cuidado, mas Ele é o proprietário legal de tudo isso. Portanto, nós o servimos e aos nossos semelhantes, e damos os dízimos e ofertas para a proclamação de Seu evangelho e para a manutenção e o crescimento de Sua igreja. Se, por algum motivo, um membro da IASD não possa dar o dízimo num determinado, deve consultar os oficiais.

22. Comportamento cristão
Os cristãos foram chamados para ser um povo piedoso, que pensa, sente e age de acordo com os princípios de Deus. Por isso, para que o Espírito recrie em nós o caráter de Jesus, é necessário o envolvimento com coisas que produzirão na nossa vida os frutos de pureza, saúde e alegria semelhantes aos de Cristo.

23. Casamento e família
O casamento foi divinamente estabelecido por Deus como uma união vitalícia entre um homem e uma mulher, em amoroso companheirismo. Para o cristão, o compromisso matrimonial é com Deus, bem como com o cônjuge, e só deve ser assumido entre parceiros que partilham da mesma fé. Deus deixou na Lei a liberação para o divórcio em casos de adultério. Quanto à criação de filhos, os pais devem educá-los para amarem e obedecerem ao Senhor.

VI) As doutrinas da restauração

24. O ministério de Cristo no Santuário Celestial
Para os Adventistas do Sétimo Dia, “há um santuário no céu, onde Cristo, como nosso grande Sumo Sacerdote, ministra em nosso favor (intercedendo por nós junto ao Pai, desde a Sua ascensão), tornando acessíveis aos crentes os benefícios do Seu sacrifício expiatório oferecido uma vez por todas na cruz”. Em 1844, no fim do período profético dos 2.300 dias (Dn 8: 14), segundo a interpretação Millerita e, interpretada mais tarde por Ellen White, “Jesus começou a limpar o santuário celestial, ou seja, Jesus iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório, através do que eles chamaram ‘juízo investigativo’. Segundo essa visão, o ‘juízo investigativo’ (também chamado: o juízo pré-advento ou, mais precisamente, o juízo pré-segundo advento – seria um pré-julgamento, antes da segunda vinda de Cristo, por assim dizer) faz parte da eliminação de todo o pecado, e foi prefigurada na purificação do santuário hebraico (Hb 9: 7), no Dia da expiação (Yom Kippur, Lv 23: 27-28; Lv 16: 29-30), com o sangue dos animais, mas as coisas celestiais são purificadas pelo sangue de Jesus. O ‘juízo investigativo’ afirma que o juízo divino dos cristãos está em andamento desde 1844 e revela aos seres celestiais quem dentre os mortos será digno de ter parte na primeira ressurreição (a ressurreição dos justos). Também torna manifesto quem, dentre os vivos, está preparado para ser arrebatado para o Reino de Deus. O término do ministério de Cristo assinalará o fim do tempo da graça para os seres humanos, antes do Segundo advento”. O juízo investigativo visa deixar clara a justiça de Deus perante a humanidade no desfecho do Grande Conflito entre o bem e o mal (Dn 7: 9-27; Dn 8: 13-14; Dn 9: 24-27; Ap 14: 6-7; Ap 20: 12; Ap 22: 12).

Em palavras mais claras para nós, a bíblia diz que o Senhor está sentado à direita de Deus e intercede por nós. Ao morrer na cruz, o véu do santuário se rasgou (o véu do Templo Judaico, que separava o Lugar Santo do Santo dos Santos), simbolizando que nós temos entrada livre ao Seu trono, passagem direta a Ele para Lhe pedirmos o que necessitamos. Jesus era o santuário de Deus conosco na terra. Quando Ele se referia ao ‘santuário’, Ele estava falando do Seu próprio corpo, como hoje, nós somos o santuário de Deus, onde Seu Espírito habita (Ez 37: 25b-27 – Jesus, o ‘Príncipe’, o Messias, seria o santuário de Deus como os homens; Ezequiel estava falando do tabernáculo espiritual trazido pelo Messias, como foi em Sua primeira vinda. Na nova Jerusalém, Ele continuará a ser este santuário espiritual de Deus conosco. Portanto, não há um santuário no céu, onde Cristo ministra; Ele é o santuário: Mt 26: 61; Mt 27: 40; Mt 27: 51; Mc 14: 58; Mc 15: 29; Jo 2: 19; At 7: 56; Rm 8: 34; 1 Co 3: 16-17; 1 Co 6: 19; 2 Co 6: 16; Hb 4: 14-16; Hb 10: 19-22; Ap 21: 3 – uma lembrança da Sua encarnação).

Quanto ‘juízo investigativo’, eles acham que em 1844, quando Miller anunciou a segunda vinda de Cristo, e que não ocorreu, Jesus começou uma ‘segunda parte’ da dispensação da graça (a segunda dispensação de Deus para a humanidade; a segunda Aliança), deixando bem claro aos Seus anjos quem dentre os mortos ressuscitará na Sua segunda vinda, e começando a purificar os que são Seus, mostrando também quem está preparado para ser arrebatado. Repetindo o comentário em relação ao tempo cronológico dessa profecia de Daniel. Ele estava se referindo ao tempo decorrido desde a profanação do templo por Antíoco IV Epifânio, rei Selêucida (por volta de 168-167 AC) até sua purificação por Judas Macabeu. A revolta dos Macabeus durou de 167 AC a 160 AC, ou seja, 2.300 dias, mais precisamente, 6 anos, 3 meses e 18 dias.

Jesus não iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório, pois Ele já cumpriu espiritualmente tudo o que tinha que fazer na cruz. Ele não precisa completar o que já completou. Toda a libertação e justiça para nós, e todo julgamento sobre o pecado e todo o mal, foi feito: “Está consumado!” (Jo 19: 30). Quando Ele voltar pela segunda vez, é para julgar os que não se deixaram ser santificados pelo Seu Espírito aqui, em vida; e para fazer juízo sobre os que já estão destinados à condenação eterna: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se” (Ap 22: 11). Em segundo lugar, Ele sempre fez e sempre fará Seu juízo aqui na terra em todas as eras sobre qualquer tipo de maldade, perversidade e injustiça quando bem quiser, não só a partir de 1844. Em terceiro lugar, o mundo espiritual reconhece os que são do Senhor pelo selo do Seu sangue na testa, no momento de sua conversão a Ele, não através de nenhum outro ato. Os seres espirituais (anjos e demônios) vêem os que são selados com Seu sangue e quem não é. Eles têm interesse em ajudar ou atrapalhar os vivos, não precisam se importar com os mortos. Quando o Pai e Jesus (hoje em Sua plena força espiritual e totalmente consciente dos tempos de Deus) decidirem que ‘agora chega’, o fim do tempo da graça termina e tudo se consuma. Ele não precisa dar ‘aviso prévio’. Jesus mesmo deixou bem claro nos evangelhos que tudo acontecerá rapidamente, num piscar de olhos, e que a nossa parte é nos santificar, nos preparar para sua vinda e limpar as vestes. Por que complicar as coisas com palavras e conceitos tão difíceis e com raciocínios que chegam a parecer espiritualismo ocultista? Não seria mais fácil reconhecer que Miller cometeu um erro, ao invés de se agarrar a uma coisa errada e tentar consertar ou dar explicação para algo que tem uma alta chance de não ter vindo de Deus, mas da carne? Não estou julgando Deus nem Seus servos, mas analisando doutrinas que podem confundir a muitos.

25. A segunda vinda de Cristo
A segunda vinda de Cristo será literal, pessoal, visível e universal. Para os Adventistas do Sétimo Dia, Jesus Cristo retornará visivelmente a terra após um tempo de angústia, durante o qual o sábado se tornará um julgamento mundial. A Segunda Vinda será seguida por um reinado milenar dos santos no céu. A segunda vinda de Cristo é o ponto culminante do evangelho. Quando Ele voltar, os justos falecidos serão ressuscitados e, juntamente, com os justos que estiverem vivos, serão glorificados e levados para o céu, mas os ímpios irão morrer.

26. Morte e ressurreição
O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 6: 22-23). Até que o Senhor volte, a morte é um estado inconsciente (Dn 12: 2; Jo 5: 27-29; Jo 11: 11-13; 1 Co 15: 20-27; 1 Ts 4: 13-15 – anotação minha). Os justos que estiverem vivos serão arrebatados para o encontro com Ele no céu. A segunda ressurreição, a ressurreição dos ímpios, ocorrerá mil anos mais tarde (‘os mil anos’ é o assunto mais controverso e discutido entre todos os ramos do Cristianismo).

27. O milênio e o fim do pecado
Segundo a IASD e outras denominações Evangélicas, o milênio é o reinado de mil anos de Cristo com Seus santos no céu, entre a primeira e a segunda ressurreição. Segundo essa visão escatológica, no fim desse período de mil anos, Cristo com Seus santos e a Cidade Santa descerão do céu para a terra. Os ímpios mortos serão então ressuscitados e, com Satanás e seus anjos, cercarão a cidade de Jerusalém; mas o fogo de Deus os consumirá e purificará a terra. O Universo ficará assim eternamente livre do pecado e dos pecadores (Ap 20: 1-15). Os ímpios não sofrerão tormento eterno no inferno, mas serão destruídos para sempre (teoria do aniquilacionismo) e haverá a vida eterna para os que crêem em Cristo (‘imortalidade condicional’).

Minha opinião agora:

Como eu mencionei antes, esse é um assunto sobre milênio ainda muito controverso entre os vários ramos do Cristianismo (Dt 29: 29a; Dn 12: 4b), mas podemos pensar de uma maneira mais simples sobre os tempos do fim ao lermos as profecias que Jesus mesmo fez (Mt 24: 15-31; Mc 13: 1-27; Lc 21: 5-28; e em Daniel 12: 1-3).

Cristo está atualmente entronizado à direita de Deus (Rm 8: 34); porém, Seu reino não é evidente para o mundo, por isso Ele voltará de maneira visível para os que não crêem, e para realizar o Seu juízo. Após Sua vitória, quando tudo estiver sujeito a Ele, Seu reino será passado ao Pai (1 Co 15: 24-28). O Senhor aparecerá no céu, arrebatará Seus santos que estiverem vivos e ressuscitará os santos que dormem, ou seja, a ‘primeira ressurreição’, ou a ‘ressurreição dos justos’ ou a ‘ressurreição da vida’ para os que forem salvos (Dn 12: 2; Lc 14: 14; Jo 5: 24; 28-29a; 1 Co 15: 20; 23; 44; 51-52; 1 Ts 4: 13-17; Ap 20: 5); depois fará o Seu juízo sobre os que têm a marca da besta (Ap 13: 16-17; Ap 15: 7; Ap 16: 1-2; 3; 4; 8; 10-11; 12; 18-21; Ap 18: 9-10; 21) e lidará com as trevas (1 Co 15: 24-26; 28; Ap 19: 11-21). O último inimigo a ser destruído é a morte (1 Co 15: 26; Ap 20: 11-14 – ‘a segunda ressurreição’ ou ‘a ressurreição do juízo’ para os ímpios, que serão condenados). Em outras palavras, a segunda vinda inaugurará imediatamente a consumação, o julgamento final (Ap 20: 11-14), e os novos céus e nova terra (Is 65: 17; Is 66: 22; 1 Co 15: 24-28; 2 Pe 3: 13; Ap 21: 1). Esse ponto de vista é chamado amilenismo [Fonte: O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995 / Nota do comentário deste parágrafo: cf. G.E. Ladd, Crucial Questions about the Kingdom of God, 1952, pg. 141 & seq.].

28. A nova terra
Na nova terra, em que habita justiça, Deus proverá um lar eterno para os remidos e um ambiente perfeito para vida, amor, alegria e aprendizado eternos em Sua presença (Is 65: 17; Is 65: 22; 2 Pe 3: 13; Ap 11: 15; Ap 21: 1-5; Ap 22: 1-5). O próprio Deus habitará com Seu povo. O sofrimento e a morte não mais existirão. O Grande Conflito estará terminado porque o pecado deixará de existir.

Minha opinião agora:

Talvez, até por influência do judaísmo, muitos cristãos dão muito enfoque a um reino futuro material (‘a nova terra’), mas algumas passagens do NT nos faz pensar em algo espiritual, ou seja, a vida eterna com Jesus numa morada celestial (num reino espiritual, não exatamente num planeta físico como no qual vivemos hoje). Podemos ver isso em:

• Jo 14: 2-3: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”.
• Hb 11: 10; 16: “porque aguardava [Abraão aguardava] a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador... Mas, agora, aspiram [ele se referia àqueles que morreram na fé, sem obterem suas promessas] a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade”.
• Hb 13: 14: “Na verdade, não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir”.

A Nova Jerusalém que o Senhor promete é espiritual, onde todas as pedras preciosas, portas, edifícios e praças de ouro são o símbolo do reino de Deus com toda a Sua majestade, e que estará disponível a todos os que ouvirem o Seu chamado e responderem positivamente a Ele.


Igreja Adventista do Sétimo Dia

Igreja Adventista do Sétimo Dia, no centro da cidade de Takoma Park, Maryland, EUA. Foto: Farragutful – wikipedia.org


Como eu disse antes, além da IASD, outras igrejas e seitas não-Trinitarianas vieram do Restauracionismo (ou Primitivismo Cristão) do século XIX como o Mormonismo e as Testemunhas de Jeová; e suas doutrinas hereges, misturadas com a bíblia as tornam, inegavelmente, seitas e não podem ser consideradas denominações cristãs protestantes. Falarei delas, separadamente, no final das páginas deste estudo.

Evangelicalismo

O Evangelicalismo (Cristianismo Evangélico ou Protestantismo Evangélico) alcançou os EUA durante os avivamentos dos séculos XVIII e XIX e ainda continua a crescer. É um movimento interdenominacional mundial (interdenominacional = que não distingue denominação; que não é exclusivo de uma igreja) dentro do Cristianismo Protestante que mantém a crença de que a essência do Evangelho consiste na doutrina da salvação somente pela graça, somente através da fé na expiação de Jesus. O Evangelicalismo também remove a força dos rituais, dando força à piedade do ser humano, enfatizando a conversão pessoal (o novo nascimento), a autoridade bíblica; também assume o compromisso de expressar e compartilhar ativamente o evangelho.

Suas origens geralmente remontam a 1738, com John Wesley e outros primeiros metodistas, durante o Primeiro Grande Despertar. Entre os líderes e principais figuras do movimento evangélico protestante estavam George Fox (líder dos Quakers), John Wesley e George Whitfield (pastor itinerante, companheiro de John Wesley), entre outros. O movimento ganhou grande impulso durante o século XVIII e XIX com o Primeiro Grande Despertar na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos (1730-1755).

Os evangélicos podem ser encontrados em quase todas as denominações e tradições protestantes, particularmente nas igrejas reformada (calvinista), batista, metodista (wesleyana-arminiana), morávia, pentecostal e carismática.

A palavra ‘evangélico’ tem suas raízes etimológicas na palavra grega euangelion (εὐαγγέλιον) que significa: ‘evangelho’ ou ‘boas novas’. Durante a Reforma, os teólogos protestantes adotaram o termo como se referindo à ‘verdade do evangelho’. Martinho Lutero se referiu à evangelische Kirche (‘igreja evangélica’) para distinguir protestantes de católicos na Igreja Católica. No século XXI, evangélico continuou a ser usado como sinônimo de protestante (linha principal) em algumas igrejas Luteranas da Alemanha e da América. No mundo de língua inglesa, ‘evangélico’ era comumente aplicado para descrever a série de movimentos de avivamento que ocorreram na Grã-Bretanha e na América do Norte durante o final do século XVIII e início do século XIX, ou seja, a qualquer aspecto do movimento começado na década de 1730.

A palavra ‘igreja’ tem vários significados entre os evangélicos. Pode se referir à igreja universal (o corpo de Cristo), incluindo todos os cristãos em todos os lugares. Também pode se referir à igreja local, que é a representação visível da igreja invisível. É responsável por ensinar e administrar os sacramentos ou ordenanças (batismo e Ceia do Senhor, mas alguns evangélicos também consideram o lava-pés uma ordenança).

A forma mais comum de governo da igreja dentro do Evangelicalismo é a política congregacional, especialmente entre as igrejas evangélicas não denominacionais. Os ministérios comuns dentro das congregações evangélicas são pastor, presbítero, diácono, evangelista e líder de louvor. O ministério de bispo com função de supervisão de igrejas em escala regional ou nacional está presente em todas as denominações cristãs evangélicas. O termo bispo é usado explicitamente em certas denominações. Algumas denominações evangélicas autorizam oficialmente a ordenação de mulheres nas igrejas.

As principais festividades cristãs celebradas pelos evangélicos são Natal, Pentecostes (pela maioria das denominações evangélicas) e Páscoa para todos os crentes.

Mais tarde, a partir do Evangelicalismo surgiu outro movimento chamado Pentecostalismo.

Movimento de Santidade

Como comentei anteriormente, da Igreja Metodista surgiram muitas denominações e movimentos como, por exemplo, ‘O Exército de Salvação’ e o movimento de santidade. Este envolve um conjunto de crenças e práticas cristãs que surgiram principalmente dentro do Metodismo do século XIX, baseado na visão Wesley-Arminiana, que dá ênfase na inteira santificação do crente, levando à perfeição cristã, ou seja, à plenitude do caráter cristão, sua liberdade de todo pecado e a posse completa de todos os dons do Espírito. O movimento de santidade, que começou com Wesley, influenciou várias denominações protestantes e preparou o terreno para o Pentecostalismo do final do século XIX e início do século XX, que nos EUA foi chamado de ‘O Terceiro Grande Despertar’ (1855-1930). O movimento de santidade influenciou não apenas denominações protestantes, como as pietistas, por exemplo, mas inclusive outras religiões e seitas, como as Testemunhas de Jeová, o Espiritualismo (Espiritismo) e Ciência Cristã (um conjunto de crenças e práticas pertencentes à família metafísica dos novos movimentos religiosos) entre outras.

Movimento Carismático

Até cristãos não pentecostais em igrejas protestantes e católicas aceitaram a idéia das crenças pentecostais a respeito do batismo do Espírito e dons espirituais (Movimento Carismático). No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, os cristãos das igrejas tradicionais nos Estados Unidos, Europa e outras partes do mundo começaram a aceitar a idéia pentecostal que o batismo no Espírito Santo está disponível aos cristãos de hoje, mesmo que não aceitassem outros princípios do pentecostalismo formal. O movimento carismático, então, começou a crescer nas principais denominações. Emergiram os carismáticos episcopais, luteranos, católicos, metodistas, batistas e durante esse período de tempo, o termo ‘carismático’ foi utilizado para se referir a movimentos semelhantes que existiam dentro das denominações.

Entretanto, os pentecostais usaram o termo ‘carismático’ para se referir àqueles que faziam parte das igrejas e denominações que cresceram a partir do início do avivamento de 1906, ocorrido na Rua Azusa em Los Angels através do pregador negro William J. Seymour. Os pentecostais clássicos formaram estritamente congregações ou denominações pentecostais, ao contrário dos que se denominam ‘carismáticos’, que adotaram o lema: ‘floresça onde Deus plantou você’, ou seja, eles deixam o Espírito Santo derramar Seus dons nas suas denominações de origem, sem que seus membros tenham que se separar para formar novas congregações ou denominações.

Assim, para muitos críticos, o pentecostalismo é considerado como ‘a primeira onda do Espírito Santo’, e o movimento carismático como ‘a segunda onda’. O Neo-Pentecostalismo seria ‘a terceira onda’.

Fonte de pesquisa: Wikipedia.org

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no anexo:

Reforma Protestante–Denominações Protestantes

Reforma Protestante–Denominações Protestantes

Protestant Reformation–Protestant Denominations

▲ Início  

relacionamentosearaagape@gmail.com