Ap 20: 1-15 faz parte da última seção de Apocalipse, e o assunto principal é a prisão de Satanás por mil anos (‘o milênio’), o reinado das almas dos decapitados e o que é a primeira ressurreição (a ressurreição espiritual dos que entregam sua vida a Jesus).


O livro de Apocalipse – capítulo 20




Sexta seção – Capítulos 20 –22

Essa seção descreve a cena do reinado das almas (milênio), a prisão de Satanás e o juízo final (lago de fogo); os novos céus e a nova terra, e as admoestações e promessas finais (Ap 20: 1 – Ap 22: 21).
O capítulo 12 introduz os inimigos da igreja. Agora, a queda deles é em ordem inversa; portanto, o dragão ficou deixado por último. Da mesma forma que a mulher (Ap 12) representa a igreja na 1ª vinda, no capítulo 20 João retorna à 1ª vinda de Cristo.

O livro de Apocalipse não é um livro linear, cronológico. Ele traz cenas semelhantes uma ao lado da outra registrando os mesmos fatos de maneiras diferentes. Como falei antes, esse livro foi escrito mostrando cenas paralelas e progressivas. O milênio do capítulo 20 não é uma seqüência cronológica do cap. 19, mas é um episódio simbólico entre a 1ª e a 2ª vinda de Cristo. É a última seção paralela.

Capítulo 20

• Ap 20: 1-15:
1 Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente.
2 Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos;
3 lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo.
4 Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus (cf. Ap 6: 9 – 5º selo), tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.
5 Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.
6 Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos.
7 Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão.
8 e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar.
9 Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu.
10 O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.
11 Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.
12 Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.
13 Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras.
14 Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.
15 E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.

O Milênio

Aqui, vamos esclarecer um ponto bastante discutido que é o reinado de Cristo, de maneira física, com corpo glorificado, por mil anos da terra, como os dispensacionalistas pensam. Mil anos literais na terra é uma situação impensável por várias razões:

1) O NT não fala de milênio terreno onde o mundo está convivendo com a igreja glorificada de Cristo. Nem nos evangelhos, nem nas cartas de Paulo, nem nas cartas gerais se menciona o milênio na terra.

2) O reino de Cristo não é físico nem político nem material, mas espiritual (“O meu reino não é deste mundo” – Jo 18: 36). E o apóstolo Paulo descreve em Rm 14: 17 que o reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito; que ele não consiste em palavras, mas em poder (1 Co 4: 20).

3) A linha de interpretação dispensacionalista considera um tempo de Deus reservado especialmente para os judeus, com o templo reconstruído materialmente no monte Sião, tentando restaurar o reino de Israel como era na sua época áurea com Davi e Salomão. Isso, então, restabeleceria a igreja judaica como o centro da Igreja de Deus e diferente da Igreja gentia, mas Paulo escreveu que na cruz Deus fez dos dois povos um único povo, uma só igreja. Jesus quebrou a inimizade entre Judeus e gentios na cruz (Ef 2: 14-22). Portanto, não pode haver de novo a distinção entre judeus e gentios, mas uma só igreja. Eles vão se voltar a Jesus da mesma forma que os gentios, antes ou durante a Grande Tribulação.

O dispensacionalismo é um sistema teológico que apresenta duas distinções básicas: (1) Uma interpretação literal das Escrituras, em particular da profecia bíblica. (2) A distinção entre Israel e a Igreja no programa de Deus (Deus vai cumprir as promessas a eles no milênio).

Se fosse assim, necessitaria de três ressurreições: a dos gentios antes do milênio; a dos judeus convertidos depois do milênio, e a dos ímpios seguidores da besta no dia do juízo. Entretanto, a ressurreição é um fato único: crentes e ímpios ressuscitarão para a vida ou para a condenação, concomitantemente, no dia da volta de Jesus e do Seu julgamento.
• João escreve em Jo 5: 28-29 que os mortos ouvirão a voz de Jesus e ressuscitarão, uns para a vida e outros, para o juízo, o que se dará na segunda vinda de Cristo:
• Dn 12: 2: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno”.
• Mt 25: 31-34; 41; 46: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo... Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos... E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna”.

4) A convivência de Cristo e os santos glorificados com homens não regenerados, em corpo natural de carne: como ficaria a área dos negócios, a política e a economia? Seria algo impossível.

5) Ap 20: 7-10 – a bíblia cita uma guerra liderada por Satanás contra os santos e a cidade de Jerusalém após o período de mil anos em que ele foi acorrentado. Mas parece estranho uma revolta depois de um período benéfico de mil anos do reinado de Cristo na terra, sendo que a besta e o falso profeta já foram lançados para dentro do lado de fogo. Como se explica nações (‘Gogue e Magogue’) conspirando contra o reinado pacífico de mil anos de Cristo? É impossível.

6) O NT ensina que o juízo é universal e seguirá imediatamente a segunda vinda de Cristo. Ele virá e se assentará no Seu trono de glória e julgará as nações, não mil anos depois, mas na Sua segunda vinda (Mt 24: 29-31; Mt 25: 31-34; Mt 16: 27). Dessa forma, quando Jesus vier (Mt 25: 31; Mt 16: 27; Mt 19: 28), tudo se consuma e Seu reino se estabelece (o juízo final logo depois da vinda de Cristo).

Podemos ver aqui algumas cenas distintas:

Primeira cena: a prisão de Satanás

• Ap 20: 1-3: “Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo”.

Um anjo desce do céu com a chave do poço do abismo e uma corrente. Ele segurou o dragão (a antiga serpente, o diabo, Satanás), lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele para que não mais enganasse as nações até que se completassem mil anos.

A palavra ‘abismo’ em Apocalipse pode ser vista em: Ap 9: 1 e 2 (Poço do abismo); Ap 9: 11 (anjo do abismo); Ap 11: 7 (besta do abismo); Ap 17: 8 (abismo); Ap 20: 1 e 3 (abismo). Em todos esses versículos, a palavra grega usada é abussos (αβυσσος), com exceção de Ap 9: 1-2 (Poço do abismo), onde a palavra abussos (Strong #g12) é usada juntamente com phrear (φρέαρ), onde abussos significa: o abismo (infernal), profundidade insondável, sem profundidade, uma concepção especialmente judaica, a casa dos mortos e dos espíritos malignos. E phrear (Strong #g5421) significa: poço, cisterna; um buraco no solo (cavado para obter ou reter água ou outros fins), ou seja, uma cisterna ou poço; figurativamente, um abismo (como uma prisão). Resumidamente, é um poço sem fundo, um abismo com uma tampa e que pode ser aberto, fechado e selado.

Em todas as sete vezes que essa expressão aparece em Apocalipse, abismo refere-se ao lugar onde anjos caídos e espíritos malignos estão aprisionados, esperando o lago de fogo, o inferno final preparado para eles (Mt 25: 41).

Agora, vamos raciocinar. Satanás é um anjo caído, e anjos são espíritos; não têm corpos como os nossos. Espírito não se prende com correntes nem com cadeados, nem se põe tampa sobre ele no poço. Portanto, isso é uma linguagem figurada, onde ‘acorrentar’, ‘prender’ é simbólico de restrição de poder e autoridade. Não significa que ele está inativo, mas está limitado. Deus lhe pôs limites ‘para que não mais enganasse as nações’. Lembre-se que no cap. 12 ele foi expulso do céu e teve seu poder limitado em tempo e autoridade.

Quando Jesus falou em Mt 12: 29 que se alguém quiser entrar na casa do valente para lhe roubar os bens precisa primeiro amarrá-lo, Ele quis dizer que o valente é Satanás que detinha vidas (‘bens’) no mundo (‘sua casa’) sob seu poder. Jesus era mais valente que ele e veio ao mundo para tirar o poder dele e resgatar as vidas que são de Deus. O plano de Deus não pode ser frustrado. Em outras palavras, Jesus restringiu o poder de Satanás. Ele não pode impedir os eleitos de Deus de crerem no Senhor e serem salvos (cf. Ap 5: 9; Ap 6 e 7 – os comprados estão na glória glorificando a Deus; portanto, Seu projeto é vitorioso). Os decapitados (v.4) estão reinando no céu desde Abel. Jesus amarrou o valente e o fez na Sua primeira vinda. Assim, Ele também deu autoridade aos que são Seus para realizar Sua obra na terra:

• Lc 10: 17-18: “Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago”. Isso significa limitação de poder.
• Jo 12: 31-32: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe [Satanás, vencido na cruz do Calvário por Jesus] será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo”.
• Jo 16: 8-11: “Quando ele [o Espírito Santo, no Pentecostes] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque eu vou para junto do Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado”.
• Hb 2: 14-15: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida”.

• Ap 20: 3: “lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo” – ‘Não enganar as nações’ significa que a palavra de vida que antes estava limitada aos judeus (a promessa de salvação de Deus e Sua Lei confiada a eles), agora nas mãos dos seguidores de Jesus, se espalha pelas nações, chamando os eleitos.

Então, essa limitação de poder imposta a Satanás pelo próprio Deus ocorreu na 1ª vinda de Cristo, não na 2ª vinda.

Em Cl 2: 15 nós podemos ler que na cruz Jesus cancelou o escrito de dívida (a maldição da lei) que era contra nós, despojou publicamente o inferno e o expôs ao desprezo, pois com Seu sangue Ele nos comprou para o Pai e nos resgatou das mãos de Satanás e da lei do pecado e da morte.

Sob esse raciocínio, nós podemos dizer que os mil anos não são literais. O número 1 traz o conceito de unidade e o caráter sem paralelo de Deus, unidade entre Cristo e o Pai, a união entre os crentes e Deus. O número 10 também pode significar o primeiro número de um começo maior, algo completo ou fidelidade, além de ser considerado por alguns como o número da Igreja. O número 1000 significa 10³, ou seja, um tempo completo da 1ª à 2ª vinda, o número simbólico da era da igreja, de plenitude, inteireza, de uma condição espiritual dos redimidos (as almas dos mortos no céu com Jesus, e os vivos fazendo Sua obra na terra, pregando Sua palavra de salvação e arrependimento).

Depois, em Ap 20: 3 está escrito: “Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo”. No v. 7 se repete: “Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão”.

“Solto pouco tempo” ou “solto da sua prisão” significa o tempo que antecede a volta de Jesus, quando se poderá ver a apostasia, a Grande Tribulação e a manifestação do homem da iniqüidade (o Anticristo), ou seja, o pouco tempo que Satanás tem permissão para agir na terra; um momento final de perseguição atroz contra os santos e o Cordeiro, quando, então, ele será vencido (Ap 20: 7-10 cf. Dn 7: 19-27). Enquanto isso não acontece, nesses ‘mil anos’ de sua prisão, símbolo do número completo, da 1ª à 2ª vinda de Cristo, os remidos estarão exercendo Sua autoridade na terra e pregando Sua palavra de salvação e arrependimento. E as almas dos santos mortos reinam com Ele no céu

Segunda cena: o reinado dos santos no céu com Cristo

• Ap 20: 4-6: “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos”.

• Ap 20: 4 – João diz: “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus (cf. Ap 6: 9 – 5º selo), tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”.


Ap 20:4 – as almas dos decapitados


Os decapitados sentados em tronos – ‘trono’ é o símbolo da autoridade de julgar. Esse reinado é no céu.

A palavra ‘trono’ em grego é ‘thronos’ (θρόνος – Strong #g2362) e aparece 63 vezes no NT, e sempre se refere a tronos que estão no céu; as únicas vezes onde tronos estão na terra se refere ao trono de Satanás (cujas referências estão em Apocalipse): Ap 2: 13 – Satanás; Ap 13: 2 – o dragão; Ap 16: 10 – a besta.

As almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus e que não adoraram a besta nem receberam sua marca na fronte estão vivas e reinando com Jesus no céu. João não está vendo corpos. São as mesmas (Ap 6: 9) que morreram, porém suas almas clamam diante de Deus pelos seus irmãos que estão sendo mortos por causa das perseguições, mas esperam até que o número deles se complete e suas almas se juntem ao seu corpo glorificado na 2ª vinda de Jesus. Estão reinando com Cristo, no céu, à destra de Deus.

Então, a missão dos que morreram em Cristo é estar em co-regência com Ele. Eles recebem a autoridade de julgar (os crentes se assentam em tronos).

A marca da besta a que se refere aqui não é só a da besta escatológica, mas toda força hostil a Cristo na História. E os crentes resistiram à besta; são estes que estão com Cristo. Não importa que tipo de marca seja essa. O selo do sangue de Jesus na fronte dos que são salvos é uma marca espiritual. A da besta também pode ser espiritual, simbolizando a obediência dos seus servos a ela; portanto, eles são sua propriedade. ‘Os decapitados’ aqui são os mártires (cf. Ap 6: 9; Ap 18: 24; Ap 19: 2). O termo pode ser interpretado como um termo geral para ‘execução’, não necessariamente um método específico (decapitação). Os mártires da tribulação serão executados por se recusarem receber a marca da besta, mas reinarão. Inclui os crentes da Grande Tribulação, juntamente com os redimidos das eras do AT e NT.

A bíblia diz que todos os salvos reinarão com Cristo (2 Tm 2: 12) e receberão o poder de julgar o mundo e os anjos caídos (1 Co 6: 2-3: “Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!”).

Ainda na segunda cena:
• Ap 20: 5-6: “Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos”.

Nos versículos 5-6 João menciona a primeira ressurreição, e que são bem-aventurados os têm parte na 1ª ressurreição, pois sobre eles a segunda morte não tem autoridade. A primeira ressurreição é chamada de a ‘ressurreição dos justos’ (Lc 14: 14) ou ‘ressurreição da vida’ (Jo 5: 24). Ela significa a regeneração, a ressurreição espiritual, não física, na hora que uma pessoa recebe a Cristo. Ela, então, passa da morte para a vida. É vivificado com Cristo porque crê nele (Rm 6: 4; Cl 2: 12):
• Jo 5: 24: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”.
• Rm 6: 4: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida”.
• Cl 2: 12: “tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”.

Assim, um crente um convertido não vê a 2ª morte (“sobre esses a segunda morte não tem autoridade” – Ap 20: 6).

A 2ª ressurreição (também chamada de ‘a ressurreição do juízo’ ou ‘a ressurreição para a condenação’) é a ressurreição corporal dos mortos: Jo 5: 28-29; Dn 12: 2, também referida por Paulo em 1 Co 15: 20; 23-28; 44; 51-52 e 1 Ts 4: 13-17 (quando fala da ressurreição corporal dos que receberam a ressurreição espiritual aqui na terra ao entregar a vida para Jesus). Isso ocorrerá no Dia do Juízo (Ap 11: 18; Ap 20: 11-15) diante do grande trono branco, e que determinará o destino de todos, por isso a bíblia fala sobre os livros (os livros das vidas dos homens) serem abertos, a fim de que sejam julgados pelo Senhor segundo as suas obras (Ap 20: 12; Dn 7: 9-10 cf. 1 Co 4: 5). Os salvos não terão seus livros abertos para serem condenados, mas para receberem o Reino de Deus. Os ímpios mortos que ressuscitarem fisicamente receberão a condenação, enquanto os que receberam Jesus em vida como Senhor e Salvador, os que passaram pela experiência da 1ª ressurreição (a espiritual), não passarão pela morte, não entrarão em condenação.

As duas ressurreições são dois eventos futuros sem distinção de tempo. Em Jo 5: 24-25; 28-29, Jesus estava ensinando sobre a totalidade da ressurreição para os salvos e para os ímpios incrédulos, não o tempo em que ela aconteceria.

Terceira cena: a derrota final de Satanás e a batalha do Armagedom

• Ap 20: 7-10: “Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos”.

Gogue e Magogue simbolizam os inimigos de Deus, do Cordeiro e do Seu povo. Trata-se da mesma batalha descrita nos capítulos anteriores:
Ap 16: 14; 16 (entre o 6º e o 7º flagelo) – no contexto dos flagelos.
Ap 17: 14 – os dez reis pelejam contra o Cordeiro e os santos; depois contra a meretriz.
Ap 19: 19-21 – a volta de Jesus no cavalo branco e a ceia de Deus.
Ap 20: 7-10 – Satanás seduzirá as nações dos quatro cantos da terra para reuni-las para a peleja.
É a mesma batalha, a derrota universal do mal quando Jesus voltar; elas apenas estão em seções diferentes.

Ezequiel também a descreveu de outra forma (Ez 38 e 39 – batalha final do povo de Deus: Gogue e Magogue, como ele expressa, e que são descendentes de Jafé, filho de Noé, segundo a tabela das nações – Gn 10: 1-32). Vamos ler alguns trechos e podemos ver que se encaixam nos textos de João, quando fala dos flagelos e da ceia das aves de rapina (Ap 19: 17-21):

• Ez 38 [ARA]:
1 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, volve o rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs [na Septuaginta, significa ‘príncipe maior’, ‘príncipe de Rosh’ ou ‘Rhos’], de Meseque e Tubal; profetiza contra ele
3 e dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal [A Septuaginta sugere Magogue como um povo e não um país; sendo assim, ele poderia também reinar sobre o povo de Meseque e Tubal, para ser chamado de seu ‘príncipe chefe’, ou ‘príncipe maior’. Há outra explicação, sugerindo Magogue como o reino original de Gogue, e que ele tenha adquirido também Meseque e Tubal].

• Ez 38: 18-20: “Naquele dia, quando vier Gogue contra a terra de Israel, diz o Senhor Deus, a minha indignação será mui grande. Pois, no meu zelo, no brasume do meu furor, disse que, naquele dia, será fortemente sacudida a terra de Israel, de tal sorte que os peixes do mar, e as aves do céu, e os animais do campo, e todos os répteis que se arrastam sobre a terra, e todos os homens que estão sobre a face da terra tremerão diante da minha presença [ou seja, a imagem de um terremoto que abalará todo o planeta]; os montes serão deitados abaixo, os precipícios se desfarão, e todos os muros desabarão por terra”.

• Ez 38: 22-23: “Contenderei com ele por meio da peste e do sangue; chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre [chuva torrencial, com granizo, fogo e enxofre] farei cair sobre ele [Gogue], sobre as suas tropas e sobre os muitos povos que estiverem com ele. Assim, eu me engrandecerei, vindicarei a minha santidade e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor”.

• Ez 39: 6: “Meterei fogo em Magogue e nos que habitam seguros nas terras do mar; e saberão que eu sou o Senhor”.

A bíblia descreve claramente aqui um julgamento sobrenatural, como foi no Antigo Testamento, não uma guerra iniciada pelas Forças de Defesa de Israel, como mísseis da Força Aérea Israelita, por exemplo. Não há evidências no texto das forças militares israelenses em movimento e defendendo a si mesmas e à sua nação. O texto não fornece evidências claras de que os militares israelenses entraram em ação para proteger seu país e derrotar seus inimigos. Pelo contrário, ele indica que o Deus de Israel intervém e defende o próprio povo de Israel, fazendo chover fogo e enxofre sobre as forças inimigas e destruindo-as completamente e o faz no último momento possível, quando parece não haver mais esperança; algo muito parecido com o que aconteceu no Egito durante as dez pragas. Assim, Deus age para proteger a nação de Israel e derrotar seus inimigos para trazer julgamento e revelar a Si mesmo, Seu poder e glória a Israel e às nações.

Isso não lembra os flagelos, em especial o sétimo (Ap 16: 18-21)? Não lembra a vinda de Jesus no cavalo branco matando os seguidores do Anticristo e do Falso profeta com a espada da Sua boca (Ap 19: 21)? Ezequiel nos diz que as aves do céu [aves de rapina] e os animais do campo [quadrúpedes predadores] comerão muitos dos corpos (Ez 39: 17-20 cf. Ap 19: 17; 18; 21).

A cidade querida’ (Ap 20: 9) muito provavelmente se refere a Jerusalém (cf. Sl 78: 68; Sl 87: 2). A Grande Tribulação terá seu ápice na terra de Israel.

Antes de Jesus voltar o mundo não vai melhorar; portanto, não vai haver melhora com um ‘milênio’. Entretanto, a vitória já está garantida.

Quarta cena: o Juízo de Deus

• Ap 20: 11-15: “Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida (Ap 13: 8; Ap 17: 8; Ap 20: 15; Ap 21: 27), esse foi lançado para dentro do lago de fogo”.


Ap 20:11-15 – O grande trono branco


‘O trono branco’ – Este é um trono de juízo, elevado, puro e santo. Deus está sentado nele como juiz na pessoa do Senhor Jesus Cristo. João viu o universo contaminado sair de existência, a natureza vai se encolher e fugir diante de Deus (Ap 20: 11 cf. Ap 6: 12-17). O universo é destruído, deixará de existir (cf. Mt 24: 35). O céu e a terra serão purificados pelo fogo para haver uma restauração (2 Pe 3: 7; 10-13). Os mortos vão ressurgir, tanto ímpios como crentes.

O texto fala de um juízo universal e individual (v. 13, ‘um por um’) e justo (‘os livros serão abertos’) – todos serão julgados segundo as suas obras. Esses livros registram cada pensamento, palavra e ação dos seres humanos pecadores, todos registrados por divina onisciência (cf. Dn 7: 9-10). Seus pensamentos (Lc 8: 17; Rm 2: 16), palavras (Mt 12: 37) e ações (Mt 16: 27) serão comparados com o padrão perfeito e santo de Deus (Mt 5: 48; 1 Pe 1: 15-16) e serão encontrados em falta (Rm 3: 23).

Portanto, sendo todos os homens pecadores, os eleitos serão salvos não pelas obras, e sim pela graça; por isso, o Livro da Vida é aberto junto com os demais livros (Ap 20: 15). O Livro da Vida contém os nomes de todos os redimidos (Dn 12: 1).

• Ap 20: 14 diz que a morte e o inferno também serão lançados para dentro do lago de fogo e enxofre. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. A morte é o estado das almas dos ímpios; o Hades (inferno) é o lugar, e significa separação definitiva de Deus, onde os maus serão atormentados dia e noite para sempre (Ap 20: 10).

Então, podemos deduzir com tudo isso que a partir do juízo não vai haver mais separação entre corpo e alma do ser humano; ou ele vai estar em glória com Deus ou em vergonha no inferno.


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Fontes de pesquisa:
• O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995.
• Rev. Hernandes Dias Lopes – Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (‘Estudo em Apocalipse’ – pregações online).
• Wikipedia.org
• Fonte para a maioria das imagens: wikipedia.org; Filme: ‘O Apocalipse’ (‘The Apocalypse’) – Coleção: A Bíblia Sagrada.

Este texto se encontra no livro:


O livro de Apocalipse – livro evangélico

O livro de Apocalipse

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