Visão geral do livro de Apocalipse: autor, tema central, contexto histórico da época, correntes teológicas de interpretação e sua divisão. É uma mensagem de Deus para a Igreja em todas as eras, não apenas para os tempos do fim. Deus é soberano e nunca perdeu controle da História. Seu projeto final para nós é a vida eterna e Sua completa vitória sobre o mal. Sua segunda vinda é certa e será para julgar o mundo.


O livro de Apocalipse – Visão Geral




Autor e tema central do livro

A palavra grega Apocalipse (Apokálypsis) significa: descobrimento, revelação. O livro de Apocalipse foi escrito por volta de 90–95 DC por João, o apóstolo de Jesus (Ap 1: 2), às províncias da Ásia Menor (atual Turquia – Ap 1: 9-11), durante o governo do imperador Domiciano (81-96 DC), enquanto aquele estava prisioneiro na ilha de Patmos (Ap 1: 9), uma pequena ilha de 14km de comprimento por 10km de largura, no leste do Mar Egeu (entre a Grécia e a Turquia hoje, onde estavam as sete igrejas naquela época), a fim de advertir os crentes para que não abandonassem a fé em Cristo, assegurando sua vitória por permanecerem com Deus. João tomou conta da Igreja em algumas cidades da região de Éfeso. Morreu de morte natural em Éfeso em 103 DC, quando tinha 94 anos, após ter sido solto da prisão no governo de Nerva, o imperador romano que sucedeu Domiciano.

O tema central deste livro é a segunda vinda de Jesus (Ap 1: 7-8), e objetivo do autor é nos trazer a certeza do total controle de Deus sobre todos os acontecimentos da humanidade (Ap 1: 16; 18; 20; Ap 2: 1; Ap 3: 7; Ap 3: 14), prometendo sempre aos Seus filhos a vitória contra o mal (Ap 2: 7; Ap 2: 11; Ap 2: 17; Ap 2: 26-28; Ap 3: 5; Ap 3: 12; Ap 3: 21) e a restauração total da sua intimidade com Deus, como foi desde a criação do homem. E isso traz fé e coragem para superar as provas da vida cristã. No final, os salvos viverão uma eterna bem-aventurança com o Senhor, livres das trevas e dos males deste mundo (Ap 7: 17; Ap 21: 3-4).

O livro de Apocalipse nos incentiva a buscar a santidade e, portanto, nos preparar para a Sua segunda vinda; ele nos encoraja nos momentos de sofrimento; incentiva-nos a adorar somente Àquele que está no trono, acima de qualquer outra força espiritual, e que detém o controle do Universo inteiro, de anjos e demônios e da história da humanidade, e que nunca vai ser derrotado pelas forças das trevas, nunca foi nem jamais será pego de surpresa por nada nem ninguém. É como se a bíblia ficasse incompleta sem este livro.

Jesus é “Aquele que é, que era e que há de vir” (Ap 1: 4; Ap 1: 8; Ap 4: 8), o que nos consola com a certeza de que Ele não foi um Deus do passado que fez milagres e deixou registrado num livro de histórias. Nem é um Deus que só vai fazer justiça no futuro e vê injustiças e abominações no presente sem intervir, que fica de braços cruzados apenas olhando Seus escolhidos sofrerem. Mas é um Deus presente em todas as eras da humanidade, fazendo justiça e julgamento de um modo ou de outro, vingando Seu povo das ações malignas do diabo e Seus servos em cada geração. Quando olhamos para a perseguição dos cristãos pela Roma pagã, podemos ver a grande quantidade de imperadores que tiveram mortes violentas ou que enfrentaram guerras contra povos bárbaros ou ainda desastres naturais, políticos e econômicos avassaladores em seu governo. O que são todos esses saques, guerras, instabilidades sociais e desastres da natureza? Coincidência ou a mão de Deus fazendo justiça aos Seus servos?

João escreve várias vezes sobre Jesus como “Aquele que é, que era que e que há de vir”, e isso nos mostra que Apocalipse é um livro escrito para os que viveram no passado, na época de João, um livro contemporâneo, para nós que vivemos hoje, e futurista também, descrevendo com mais detalhes os eventos do tempo do fim, quando o plano de Deus irá se completar.

A figuras de linguagem e os símbolos

Ainda que muitas palavras usadas ali devam ser interpretadas em seu sentido literal, João também usa símbolos e figuras de linguagem, comuns aos leitores da Antiguidade, e muito semelhantes aos profetas do AT (Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oséias, Zacarias e Joel) para se referir às grandes mudanças na vida religiosa e secular, governamental, antes e durante a segunda vinda de Jesus (Ap 6: 12-14 cf. Mt 24: 29; Mc 13: 24-25; Lc 21: 25; Is 13: 10; Is 34: 4; Ez 32: 7; Jl 2: 31). Por exemplo, Ap 6: 14 (“e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar) pode ser comparado com Is 34: 4: “Todo o exército dos céus (as estrelas dos céus) se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira”. Essa figura de linguagem é usada para expressar o horror desta calamidade, como se os próprios céus, o sol, a lua e as estrelas fossem afetados por ela (cf. Is 13: 10). Quando um rolo (livro) era enrolado, ninguém poderia ler mais nada dele; ou seja, Deus não tinha mais nada dizer ou revelar sobre aquele assunto. A mesma metáfora é usada em Apocalipse quando se trata de descrever as calamidades de Deus contra as forças das trevas e a arrogância e soberba dos homens. Esta era um tipo de linguagem muito entendida pelos judeus; por isso, o apóstolo João (séc. I DC) fez uso dela para descrever os eventos apocalípticos. João também relata os juízos de Deus sobre os ímpios com os mesmos símbolos do livro de Êxodo em relação às dez pragas do Egito.

Correntes teológicas de interpretação

Escatologia é uma palavra que deriva de duas raízes gregas: ‘escatos’ (ἔσχατος), que significa ‘último’; e ‘logia’ (λογία), que significa ‘estudo’, portanto, o estudo das ‘coisas do fim’. Em termos gerais, a escatologia cristã enfoca o destino final das almas individuais e de toda a ordem criada, com base principalmente nos textos bíblicos do AT e do NT. O livro de Apocalipse é o livro da bíblia mais ligado aos tempos do fim. Por causa de interpretações diferentes em relação ao capítulo de Ap 20: 1-6, em especial o versículo 2 (que fala dos mil anos da prisão de Satanás), todo o livro acabou sendo interpretado de maneira diferente pelas várias correntes teológicas:

• Pré-milenismo dispensacionalista – crê que a segunda vinda de Jesus Cristo será um acontecimento no mundo físico, envolvendo o arrebatamento pré-tribulacionista (um arrebatamento secreto primeiro, antes da Grande Tribulação) e um período de sete anos (A Grande Tribulação), após o qual ocorrerá a batalha do Armagedom (ou seja, uma segunda vinda visível de Cristo), duas ressurreições e o estabelecimento do Seu Reino Milenar na Terra, uma era de ouro literal de mil anos de paz onde Ele reina aqui fisicamente com Seus santos, cumprindo materialmente as numerosas profecias do AT para os judeus (2 Sm 7: 12-16; SI 2: 1-12; Is 11: 6-12; Is 24: 23; Os 3: 4-5; Jl 3: 9-21; Am 9: 11-15; Mq 4: 1-8; Sf 3: 14-20; Zc 14: 1-11). Também crê que Israel é separado da igreja gentia e que, depois do arrebatamento da igreja gentia, Deus voltará Sua atenção para Israel, ou seja, o tratamento de Deus com os eleitos da Primeira Aliança será diferente do tratamento com os gentios. Em outras palavras, essa linha acredita que a Igreja não substituiu Israel no programa de Deus e as Suas promessas a Israel não foram transferidas para a Igreja gentia, a Igreja de Cristo, o Israel de Deus. Elas serão cumpridas nesse período de mil anos.

• Pré-milenismo histórico – ao contrário dos Pré-milenismo dispensacionalista, essa linha acredita que a segunda vinda não vai ocorrer em dois turnos (um arrebatamento secreto da igreja e depois um visível), não acredita em duas ressurreições, mas acredita que quando Jesus voltar vai estabelecer um reinado físico de mil anos na terra, baseado em uma interpretação literal de Ap 20: 1-6.

• Pós-milenismo – surgiu nos séculos XVII-XIX e entende a referência ao período de mil anos somente com o símbolo de uma era dourada de justiça e prosperidade espiritual que seria introduzida pela propagação do evangelho na presente era da igreja e se completaria com o retorno de Cristo. Em outras palavras: o mundo vai ser gradualmente evangelizado, cristianizado por Cristo até que todas as nações se rendam a Ele. Referências ao reino de Cristo na terra primordialmente descrevem o Seu reinado espiritual no coração dos crentes na Igreja. Mas essa teoria entrou em colapso no século XX com as duas guerras mundiais, o movimento liberal nas igrejas da Europa e América e a crescente apostasia do mundo.

• Amilenismo: não nega a existência do milênio, mas o interpreta de maneira simbólica, não literal. O milênio compreende o espaço de tempo da 1ª à 2ª vinda de Cristo, que é única e visível. Quando Ele voltar a História cessa, os mortos ressuscitam, os vivos são arrebatados e entra em cena o juízo final, então, haverá novos céus e nova terra e os ímpios irão para a condenação eterna. As profecias do milênio do AT estão se cumprindo espiritualmente agora na igreja (tanto na terra, para os que estão vivos, com o no céu, em relação às almas dos santos que já morreram fisicamente).

Apesar das diferentes visões acima há doutrinas imutáveis: Jesus vai voltar, os mortos vão ressuscitar, haverá um juízo final, há uma bem-aventurança eterna para os salvos e a condenação eterna para os ímpios (inferno).

Para o nosso estudo, usarei a interpretação amilenista, pois parece ser mais compatível com os relatos bíblicos, com as cartas de Paulo e as cartas gerais, inclusive com as profecias de Jesus nos evangelhos. O NT ensina que o juízo é universal e seguirá imediatamente a segunda vinda de Cristo. Ele virá e se assentará no Seu trono de glória e julgará as nações, não mil anos depois, mas na Sua segunda vinda (Mt 24: 29-31; Mt 25: 31-34; Mt 16: 27). Dessa forma, quando Jesus vier (Mt 25: 31; Mt 16: 27; Mt 19: 28), tudo se consuma e Seu reino se estabelece (o juízo final logo depois da vinda de Cristo).

Visão panorâmica do livro

O livro de Apocalipse pode ser dividido de maneira prática em duas partes:
Os capítulos 1–11 relatam o mundo pelejando contra a igreja e os juízos de Deus em resposta às orações dos santos.
Os capítulos 12–22 descrevem uma perseguição mais implacável contra a igreja do Senhor, sem disfarce, porque Satanás (o dragão) aparece com seus aliados: a besta do mar (o Anticristo), a besta da terra (o falso profeta) e a Babilônia (a grande meretriz).

Além disso, a interpretação amilenista divide Apocalipse em várias seções, por isso, ao lermos com cuidado, nós notamos uma espécie de ‘repetição’ de palavras e assuntos. Em outras palavras, o livro não segue uma linha cronológica, mas está dividido em várias seções paralelas e progressivas encaixadas no período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, por isso, temos a sensação que o livro vai e volta, repete cenas. E os personagens escatológicos vão sendo identificados com mais precisão, sendo punidos por ocasião da segunda vinda de Cristo até a derrota final do diabo, seus anjos e seus seguidores no juízo final de Deus.

As seções são:

1) Capítulos 1-3 – João vê Jesus glorificado no meio dos sete candeeiros, representando as sete igrejas da Ásia Menor, e recebe orientação para enviar cartas a elas, repreendendo-as nos pontos em que haviam falhado e encorajando-as a prosseguir no serviço cristão. A visão central do livro é: O Senhor virá visivelmente, pela segunda vez, mas agora para julgar (Ap 1: 7-8).

2) Capítulos 4-7 – João relata as visões do trono, as visões de Deus e do Cordeiro (Ap 4: 1-11 – Ap 5: 1-14), após as quais lemos acerca dos sete selos (Ap 6: 1-17; Ap 8: 1). Entre o sexto (Ap 6: 12-17) e o sétimo selo há um espaço de tempo (Ap 7: 1-17 – Ap 8: 1), um período de preparação e prelúdio para as sete trombetas e uma visão se segue a cada uma delas (Ap 8: 2-13 – Ap 9: 1-21; Ap 11: 15-19).

3) Capítulos 8-11 – depois dos sete selos vêm as sete trombetas e uma visão se segue a cada uma delas (Ap 8: 2-13 – Ap 9: 1-21; Ap 11: 15-19). Entre a sexta e a sétima trombetas (Ap 10: 1-11 – Ap 11: 15-19) há outro espaço de tempo. No capítulo 10 João fala dos anjos e os sete trovões e o livrinho que lhe é dado para comer. No capítulo 11, ele se refere às duas testemunhas mártires.

4) Capítulos 12-14 – João descreve várias maravilhas no céu: uma mulher que dá à luz um menino (Ap 12: 1) e que sofre a oposição de Satanás (Ap 12: 1-17), bestas que se opõem a Deus (Ap 13: 1-18), o Cordeiro no monte Sião, junto com Seus seguidores (Ap 14: 1-5). Depois (Ap 14: 6-20) surgem anjos cujas vozes anunciam aos homens os juízos de Deus, terminando com a ceifa e a vindima.

5) Capítulos 15-16 – Mostram visão de João dos remidos entoando o cântico de Moisés e do Cordeiro (Ap 15: 1-4) e os sete flagelos (as taças da cólera de Deus) que vão sendo derramados sobre a terra (Ap 16: 1-21). Não há interlúdio entre os flagelos; são um atrás do outro. O fim do 6º flagelo se refere à batalha final, o Armagedom, o momento do arrebatamento da igreja e a derrota os reis e todos os que adoraram a besta, bem como o Anticristo e o falso profeta.

6) Capítulos 17-19 – essa seção fala sobre a queda da besta (o Anticristo) e do falso profeta; julgamentos também são pronunciados contra a mulher vestida de escarlata (a meretriz), que é outra figura de linguagem usada para a Babilônia (Ap 17: 1 – Ap 18: 1-24), e há júbilo no céu por causa da sua queda (Ap 19: 1-10). Cristo volta visivelmente para a batalha do Armagedom, montado em Seu cavalo branco e seguido pelo seu séquito (Ap 19: 11-21).

7) Capítulos 20-22 – descreve a cena do reinado das almas (milênio), a prisão de Satanás e o juízo final (lago de fogo); os novos céus e a nova terra, e as admoestações e promessas finais (Ap 20: 1 – Ap 22: 21).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Fontes de pesquisa:
• O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995.
• Rev. Hernandes Dias Lopes – Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (‘Estudo em Apocalipse’ – pregações online).
• Wikipedia.org
• Fonte para a maioria das imagens: wikipedia.org; Filme: ‘O Apocalipse’ (‘The Apocalypse’) – Coleção: A Bíblia Sagrada.

Este texto se encontra no livro:


O livro de Apocalipse – livro evangélico

O livro de Apocalipse

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