As denominações protestantes que surgiram após a Reforma de Martinho Lutero: Anglicanismo, Puritanismo, Presbiterianismo, Anabatismo, de onde surgiu ‘o Movimento dos Irmãos’, que por sua vez deu origem aos huteritas, amish e menonitas. Conheça o que é ‘o vestido de Genebra’, o Credo dos Apóstolos; o que significa: milenismo, dispensacionalismo e amilenismo.


anglicanos, puritanos, presbiterianos, anabatistas




Neste estudo nós vamos começar a descrever as diversas denominações protestantes que surgiram após a Reforma Protestante de Martinho Lutero, comçando com os anglicanos, puritanos, presbiterianos, anabatistas.

O Movimento Evangélico (ou Evangelicalismo, Cristianismo Evangélico ou Protestantismo Evangélico) surgiu depois da Reforma Protestante (século XVI), em primeiro lugar com o surgimento dos puritanos no século XVII, a partir da Igreja Anglicana, mas com base na Reforma Calvinista; e logo a seguir, no século XVIII, com os metodistas, também a partir da Igreja Anglicana.

Igreja Anglicana

A Igreja Anglicana surgiu em 1534 derivando de um cisma entre o rei Henrique VIII da Inglaterra e a Igreja Católica, ao se divorciar de Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena e deixar um descendente masculino no trono. Ela tem uma organização episcopal semelhante à Igreja Católica, onde os bispos das províncias eclesiásticas nacionais ou regionais estão em plena comunhão com o Arcebispo de Canterbury, que por sua vez é subordinado ao Papa, que fica na Santa Sé (Sé de Roma ou Sé Apostólica), regendo não apenas a igreja no mundo como tendo jurisdição também sobre a Cidade do Vaticano. O arcebispo de Canterbury é o clérigo mais antigo, embora o monarca seja o governador supremo. A Igreja Inglesa sob Henrique VIII continuou a manter as doutrinas católicas romanas e os sacramentos, apesar da separação de Roma. Sob o rei Eduardo VI (1547-1553), no entanto, a igreja na Inglaterra passou pelo que é conhecido como a Reforma Inglesa, com as tendências protestantes radicais, constituindo sua identidade anglicana distinta. Em 1559, com Elizabeth I (1558-1603), a Igreja da Inglaterra declarou sua independência da Igreja Católica, mas acabou num caminho intermediário entre as duas tradições protestantes: o luteranismo e o calvinismo. Porém, ao longo do tempo o Protestantismo acabou ficando num estado de desenvolvimento interrompido. Portanto, seria mais acertado dizer que o anglicanismo ficou numa posição intermediária entre o catolicismo do século 16 e o protestantismo luterano dessa época; por isso, ela é considerada por alguns estudiosos como uma igreja católica reformada.

O ‘Livro de Oração Comum’ é a coleção de serviços que os adoradores na maioria das igrejas anglicanas usam há séculos, sendo que o primeiro foi compilado por Thomas Cranmer, arcebispo de Canterbury em 1549. E em 1662, sob o rei Carlos II, foi produzido um Livro de Oração Comum revisado. Nos livros de oração estão os fundamentos da doutrina anglicana: os credos dos apóstolos e os credos nicenos, o credo de Atanásio (provavelmente se refere ao Arcebispo Atanásio I, o patriarca de Alexandria, defensor da ortodoxia, mas cujas atitudes eram arianas. O credo de Atanásio é raramente usado hoje), as escrituras, os sacramentos, a oração diária, o catecismo e a sucessão apostólica.

Os anglicanos baseiam sua fé cristã nas Escrituras e nos Evangelhos, nas tradições da Igreja apostólica, na sucessão apostólica (episcopado histórico) e nos escritos dos Pais da Igreja (não os apóstolos de Jesus, mas seus sucessores depois do século I, bem entendido). Também celebram a Missa e a Eucaristia de maneira semelhante à tradição católica ocidental, com vestes de sacerdócio, mas têm um grau considerável de liberdade litúrgica, assim como os demais sacramentos tradicionais. Quanto à teologia da Ceia (Eucaristia), o anglicanismo em si não tem doutrina oficial sobre o assunto, acreditando que é mais sensato deixar a Presença em mistério, embora seus membros divirjam: uns acreditando na visão memorialista de Zuínglio, outros acreditando na presença real de Cristo na Eucaristia, segundo a doutrina da transubstanciação da igreja católica ou da posição de Martinho Lutero e Calvino (união sacramental e consubstanciação).

Também divergem sobre a doutrina da justificação, pois alguns anglo-católicos defendem os sacramentos e uma fé com boas obras, enquanto outros anglicanos evangélicos acreditam na justificação pela fé. As crenças e rituais de piedade pessoal seguem na maior parte das vezes a tradição católica, o rosário (‘rezar o terço’), recitar o Ângelus, a adoração de ‘Nossa Senhora’ e a petição da intercessão dos santos. Além dos bispos, que exercem a jurisdição das dioceses, existem duas outras ordens de ministério: diácono e sacerdote. Nenhuma exigência é feita para o celibato clerical, embora muitos padres anglo-católicos sejam tradicionalmente solteiros. Após a Segunda Guerra Mundial, as resoluções da Conferência de Lambeth aprovavam a contracepção e o novo casamento de pessoas divorciadas. Após a segunda metade do século 20, as mulheres puderam ser ordenadas diaconisas em quase todas as províncias, como sacerdotisas e bispas. Em anos mais recentes, algumas jurisdições permitiram a ordenação de homossexuais, assim como sua união matrimonial.


Abadia de Westminster Church of the Good Shepherd

Nas imagens acima, você pode ver:
Esquerda: A Abadia de Westminster, formalmente intitulada Igreja Colegiada de São Pedro em Westminster. Foto – Rabanus Flavus – wikipedia.org
Direita: Altar-mor na Igreja Anglo-Católica do Bom Pastor (Church of the Good Shepherd – Rosemont, Pennsylvania) – foto: Francis Helminski – wikipedia.org

Puritanismo

O puritanismo surgiu na Inglaterra nos séculos XVI e XVII a partir de uma comunidade de protestantes radicais depois da Reforma de Calvino. Os puritanos rejeitavam tanto a Igreja Católica Romana quanto o ritualismo e organização episcopal da Igreja Anglicana, bem como se opuseram ao anabatismo (‘rebatizadores’). Eles pretendiam purificar a Igreja Anglicana, tornando sua liturgia mais próxima do calvinismo (sobraram apenas traços da liturgia do catolicismo nele). Devido à perseguição na Inglaterra, muitos dos puritanos fugiram para países como os EUA (para a Nova Inglaterra). O puritanismo nunca foi uma divisão religiosa formalmente definida dentro do protestantismo. Muitos continuaram a praticar sua fé em denominações não conformistas, especialmente em igrejas Presbiterianas e Congregacionalistas (na tradição calvinista, cada congregação administra de forma independente e autônoma seus próprios assuntos). Nas igrejas Presbiterianas, o governo da igreja se faz por assembléias representativas de anciãos. Também procedem do Calvinismo. Os puritanos defendiam maior pureza de culto e doutrina, bem como piedade pessoal e de grupo. Também queriam os costumes presbiterianos de governo, ou seja, por assembléias representativas de anciãos. Entretanto, essas reformas através do Parlamento Inglês foram bloqueadas pela Rainha Elizabeth I, que era anglicana.

Os puritanos queriam a omissão de partes da liturgia para permitir mais tempo para o sermão e o canto. Alguns de seus membros recusaram-se a curvar-se ao ouvir o nome de Jesus e a fazer o sinal da cruz no batismo. Os clérigos puritanos preferiam usar vestimentas acadêmicas pretas (veste de púlpito, manto de púlpito, manto de pregação ou ‘o vestido de Genebra’) e exigiam que os sacerdotes usassem a sobrepeliz, orações escritas no lugar de orações improvisadas e se opuseram a reverenciar o nome de Jesus. A sobrepeliz (latim tardio: superpelliceum, de super, ‘sobre’ e pellicia, ‘vestimenta de peles’) é uma vestimenta litúrgica da Igreja Cristã Ocidental. A sobrepeliz tem a forma de uma túnica de linho branco ou tecido de algodão, chegando aos joelhos, com mangas largas ou moderadamente largas. É mais típico das igrejas Congregacionais, Presbiterianas e Reformadas (influenciadas pelo calvinismo) e também comum com o clero Batista e Metodista; seu uso diminuiu no século XX, quando houve uma mudança geral para um serviço religioso menos formal; este movimento se espalhou pela maioria das linhas denominacionais.


O vestido de Genebra

Um pastor vestindo roupas litúrgicas presbiterianas tradicionais, um vestido de Genebra sobre uma batina com abas brancas de pregação. Foto: Tim Engleman – wikipedia.org


Os puritanos eliminaram a música com instrumentos musicais, como o órgão, e com um coral em seus serviços religiosos porque estavam associados ao catolicismo romano; entretanto, cantavam os Salmos.


‘A Casa de Reunião de Old Ship’


Na imagem acima você pode ver o interior da Igreja Old Ship (‘A Casa de Reunião de Old Ship’), construída em 1681 em Hingham, Massachusetts, a única capela puritana sobrevivente do século XVII na América. Sua congregação se reuniu pela 1ª vez em 1635. Os puritanos eram calvinistas, portanto, suas igrejas não tinham adornos e eram simples. Foto: Michael Carter – wikipedia.org.

Como Calvino, os puritanos aceitavam a doutrina da predestinação (os ‘eleitos’ foram destinados por Deus a receber graça e salvação). Os eleitos de Deus poderiam ser salvos através da fé em Cristo. A conversão era admitida após um encontro pessoal individualizado com Deus, não meramente pelo reconhecimento intelectual da verdade do Cristianismo. Entretanto, se exigia da pessoa uma introspecção prolongada e contínua, o que tornou a santificação de um crente um fardo penoso. Muitos textos escritos pelo clero puritano serviam de guias espirituais para ajudar seus paroquianos a buscar a piedade pessoal e a santificação.

Os puritanos criam no sabatismo, o dia de descanso, guardado no Domingo. O sabatismo ou sabatismo puritano ou sabatismo reformado é a observância do sábado no Cristianismo, tipicamente caracterizada pela devoção do dia inteiro à adoração e, consequentemente, evitando-se as atividades recreativas e os esportes. Ao contrário dos sabatistas do sétimo dia, os sabatistas puritanos praticam o sabatismo do primeiro dia (sabatismo dominical), mantendo o domingo como sábado e referindo-se a ele como o Dia do Senhor. Não apenas no Domingo, outras formas de lazer e entretenimento foram completamente proibidas por motivos morais, como os esportes sangrentos: lutas de urso (o ‘Bear-baiting’, por exemplo, envolvendo o incentivo / força de um cão e uma luta de ursos acorrentados (isca) ou envolvendo um urso contra outro animal) e briga de galos, porque envolviam ferimentos desnecessários às criaturas de Deus. O jogo de cartas foram proibidos na Inglaterra e nas colônias, assim como a dança mista envolvendo homens e mulheres, porque se pensava que levava à fornicação. Mas a dança folclórica foi permitida. Os puritanos não se opunham a beber álcool com moderação. No entanto, as cervejarias eram estritamente regulamentadas por governos controlados pelos puritanos na Inglaterra e na América colonial. As leis proibiam a prática de brindes entre si, com a explicação de que isso levava ao desperdício de cerveja e vinho como dom de Deus, além de ser carnal.

A adoração do Domingo consistia na oração da manhã no ‘Livro de Oração Comum’ dos anglicanos, incluindo o sermão, um meio de educação religiosa e a maneira mais comum de Deus preparar o coração de um pecador para a conversão. Mas a Santa Ceia eram observadas apenas ocasionalmente. A maioria das pessoas só recebia a comunhão uma vez por ano na Páscoa. Os puritanos rejeitaram os ensinos católico-romanos (transubstanciação) e luteranos (união sacramental) de que Cristo está fisicamente presente no pão e no vinho da Ceia do Senhor. Em vez disso, os puritanos abraçaram a doutrina reformada da presença espiritual real, crendo que na Ceia do Senhor os fiéis recebem a Cristo espiritualmente. Eram muito estritos em administrar a Eucaristia, julgando muito as pessoas no que diz respeito ao seu direito de receber o sacramento.

Os puritanos concordavam com a prática do batismo infantil, e queriam acabar com os padrinhos, que faziam os votos batismais em nome das crianças, para dar essa responsabilidade ao pai da criança. Não admitiam que os sacerdotes fizessem o sinal da cruz no batismo, e acreditavam que a pregação sempre deveria acompanhar os sacramentos. Alguns clérigos puritanos se recusaram a batizar crianças moribundas porque isso implicava que o sacramento contribuía para a salvação.

A cerimônia de casamento foi criticada por usar uma aliança de casamento (o que implicava que o casamento era um sacramento, como o Catolicismo o vê). Os puritanos aceitavam a sexualidade, mas a colocavam no contexto do casamento. Sexo fora do casamento era punido. Acreditavam que o casamento estava enraizado na procriação, no amor e, o mais importante, na salvação. Os maridos eram os chefes espirituais da família, enquanto as mulheres deviam demonstrar piedade religiosa e obediência sob a autoridade masculina. Além disso, o casamento representava não apenas o relacionamento entre marido e mulher, mas também o relacionamento entre os cônjuges e Deus. Os maridos puritanos comandavam, usando a autoridade por meio da orientação familiar e da oração. A relação feminina com o marido e com Deus foi marcada pela submissão e humildade. Assim, na esfera pública, a mulher era inferior ao homem, mas havia igualdade espiritual de homens e mulheres no casamento, o que deu autoridade às mulheres em relação aos assuntos do lar e da educação dos filhos, das propriedades e da administração das hospedarias e tabernas de seus maridos. Enfatizavam muito a educação religiosa e a obediência da criança, associando isso à remissão daquela alma. As meninas eram catequizadas separadamente dos meninos na adolescência, pois carregavam o fardo adicional da corrupção de Eva. Elas eram educadas para fins domésticos e religiosos, enquanto os meninos eram preparados para vocações e papéis de liderança. Os servos tinham com seu mestre uma relação muito parecida com a de pai e filho, portanto, os senhores eram responsáveis por hospedar e educar os jovens servos; e eram cuidados em caso de doenças ou ferimentos. Os servos afro-americanos e indianos provavelmente foram excluídos desses benefícios. Também havia punição para homossexualidade.

Os puritanos do século XVI acreditavam na existência ativa do diabo e dos demônios, assim como criam na bruxaria e nas bruxas, pessoas ligadas ao diabo. Dessa forma, fenômenos inexplicáveis como a morte de gado, doenças humanas e ataques horríveis sofridos por jovens e velhos podiam ser atribuídos à ação do diabo ou de uma bruxa. Por isso, os pastores puritanos realizaram exorcismos por possessão demoníaca em alguns casos importantes. Em decorrência desse pensamento, milhares de pessoas em toda Europa nos séculos XVI e XVII foram acusadas de serem bruxas e executadas (a ‘caça às bruxas’) e os puritanos se envolviam com isso, especialmente depois que perderam o controle político da colônia de Massachusetts. Os julgamentos das bruxas de Salém em 1692 tiveram um impacto duradouro na reputação histórica dos puritanos da Nova Inglaterra.

Milênio, milenismo, dispensacionalismo e amilenismo

Outro assunto muito ligado aos puritanos foi o ‘milenismo’, baseando suas crenças e visões escatológicas em uma interpretação historicista do Livro do Apocalipse e do Livro de Daniel. Os teólogos daquela época tendiam a colocar seu próprio período de tempo próximo ao fim. Para eles, era esperado que a tribulação e a perseguição aumentassem, mas por fim os inimigos da igreja – a Igreja Católica Romana (identificado com o Anticristo) e o Império Otomano – seriam derrotados. Com base em Ap 20: 1-10, acreditava-se que ocorreria um período de mil anos (o milênio), durante o qual os santos governariam com Cristo na terra antes do julgamento final. Da mesma forma, o cristianismo e o judaísmo produziram movimentos messiânicos baseados num milênio e muitas vezes levaram a bastante agitação social.

Na verdade, ‘Milênio’ foi uma concepção criada por estudiosos judeus no período pós-exílico e Intertestamentário para endossar uma crença e uma esperança de redenção e regeneração de Israel de uma maneira física e excessivamente material (a restauração de Israel como nação, na sua própria terra, dotada de um trono literal, de um rei Davídico literal, de um templo literal e de um sistema de sacrifícios literal), pois interpretaram erroneamente as palavras dos profetas e não esperavam que o seu Messias viesse de outra forma, por isso não creram em Jesus. Essa teoria se chama: dispensacionalismo. Entretanto, muitos expositores sentem que a idéia de um milênio não pode ser encaixada no quadro bíblico escatológico. O episódio de Ap 20: 1-6 (‘a prisão de Satanás por mil anos’) diz respeito à vitória dos santos martirizados (Ap 20: 4 – ‘as almas dos decapitados’ – versão ARA), que se encontram no céu (os martirizados pela Besta). Segundo esta teoria, a segunda vinda inaugurará imediatamente a consumação, o julgamento final, e os novos céus e nova terra (Ap 21: 1; Is 65: 17; Is 66: 22; 2 Pe 3: 13; 1 Co 15: 24-28). Esse ponto de vista é chamado amilenismo [Fonte: O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995 / Nota do comentário deste parágrafo: cf. G.E. Ladd, Crucial Questions about the Kingdom of God, 1952, pg. 141 & segs.].

Os puritanos entendiam a escatologia em um nível pessoal, relacionada com a santificação, a certeza da salvação e a experiência de conversão. Em um nível mais amplo, a escatologia foi uma forma de se interpretar eventos como a Guerra Civil Inglesa e a Guerra dos Trinta Anos. A Guerra Civil Inglesa (1642-1649) foi uma guerra civil entre os partidários do rei Carlos I da Inglaterra e do Parlamento, liderado por Oliver Cromwell. Antes da revolução, o poder do rei era absolutista. Depois dela, o poder do rei foi reduzido, ou seja, ele reina, mas não governa, quem governa é o Primeiro-Ministro, através do parlamento. Carlos I foi condenado à morte.

A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) foi uma série de guerras que diversas nações européias travaram entre si, especialmente na Alemanha, por rivalidades religiosas, dinásticas, territoriais e comerciais, sendo que começou pela rivalidade entre católicos e protestantes e assuntos constitucionais germânicos. Foi um dos maiores e mais destrutivos conflitos da história, onde mais de oito milhões de pessoas morreram.

Um lado positivo e otimista do milenismo puritano era a crença de um futuro reavivamento religioso mundial antes da segunda vinda de Cristo, bem como a crença de que a conversão dos judeus ao cristianismo era um sinal importante do Apocalipse.

Quanto à celebração do Natal, ela foi bastante condenada pelos puritanos, por considerarem a festa uma invenção católica, e vista como ímpia (as prisões inglesas geralmente estavam cheias de foliões bêbados e brigões). Mas em 1660, o feriado de Natal na Inglaterra foi novamente legalizado. Em Boston, o Natal foi proibido a partir de 1659, mas a proibição foi revogada em 1681, junto com a proibição puritana de festividades nas noites de sábado. No entanto, foi só em meados do século XIX que celebrar o Natal se tornou comum em Boston.

Os puritanos na Inglaterra e na Nova Inglaterra acreditavam que o estado deveria proteger e promover a religião verdadeira através da educação e que a religião deveria influenciar a política e a vida social. Alguns historiadores consideram os puritanos da Nova Inglaterra como tendo um grande impacto sobre a cultura e a identidade americanas.

Presbiterianismo

O presbiterianismo refere-se às igrejas cristãs protestantes que aderem à Reforma Calvinista do século XVI e cuja forma de organização eclesiástica se caracteriza pelo governo de uma assembléia e presbíteros ou anciãos.

Os ‘presbíteros’ a que se faz referência em At 20: 17 são chamados, em At 20: 28, ‘bispos’ ou ‘superintendentes’ em razão do seu cargo. Em 1 Tm 3: 2-7, o apóstolo Paulo particulariza as qualidades que devem revestir os que têm de desempenhar essa missão na igreja. Bispo vem do grego antigo, επίσκοπος ou episcopos; e do latim ‘episcopus’: ‘inspetor’, ‘diretor’, ‘superintendente’ ou, literalmente, ‘supervisor’, de epi, ‘fim, extremidade’ + skopos, ‘vista’, ou seja, ‘aquele que vê por cima, pelo alto, que supervisiona’. Antes do Cristianismo, o termo era utilizado para designar todo tipo de administrador ou superintendente nos domínios civil, financeiro, militar e judiciário. Uma mulher é uma episcopisa (porém, no Brasil, é incorretamente chamada de ‘bispa’). Os bispos também desempenhavam funções pastorais (At 20: 28; 1 Tm 5: 17). Quando a organização das igrejas cristãs entre os gentios solicitava a superintendência pastoral, o título de ‘episcopus’ ou ‘episcopos’ foi prontamente adotado pelos gregos, como tinha sido o termo ‘ancião’ (ou presbítero) na igreja-mãe de Jerusalém. Por conseqüência, não há dúvida de que as palavras ‘ancião’ (Gr. presbuteroi, presbuteros), ‘presbítero’ (Strong gr. #4245: presbuteroi) e ‘bispo’ (episcopos) eram primitivamente consideradas equivalentes [1 Tm 5: 17 – presbuteroi; 1 Tm 3: 1-2 – episcopado (episkopês), bispo (episkopon ou episcopos) – Strong gr. #1984]. No século I os termos ‘presbíteros’ e ‘bispos’ eram usados para os líderes da igreja local submetidos a um apóstolo (por exemplo, Tito e Timóteo, escolhidos por Paulo de Tarso), e no final do século I e até a metade do século II, a Igreja Romana não possuía um só Bispo como chefe da igreja local, mas uma liderança grupal, sendo que o monoepiscopado começou somente mais tarde, e assim, originalmente o ministério papal não existia.

Portanto, a igreja presbiteriana na Inglaterra, Escócia e Irlanda adotaram uma forma de governo presbiteriano (uma assembléia de presbíteros ou anciãos) em vez de episcopal. Esta forma de governo foi desenvolvida como rejeição ao domínio por hierarquias de bispos individuais (forma de governo episcopal) e por ser o modelo organizacional utilizado pelos Apóstolos nos primórdios da Igreja de Cristo. Episcopal é uma forma de organização hierárquica, com a autoridade máxima local exercida por um bispo. Esta estrutura está presente na maioria das Igrejas Católicas, Igrejas Ortodoxas e Igrejas Episcopais, inclusive na Igreja da Inglaterra (Anglicana). Algumas denominações protestantes também adotaram episcopado, como por exemplo, a Igreja do Evangelho Quadrangular, na qual o bispo rege regiões, a Igreja Metodista e a Assembléia de Deus (Ministério de Madureira), que recentemente passou a ser governada por um Colégio de Bispos. Algumas outras igrejas independentes também têm esta estrutura. Neste sistema os ministros principais da igreja são os bispos. Outros ministros são presbíteros e diáconos. No Novo Testamento, como comentamos anteriormente, os termos: ‘ancião, bispo e presbítero’ eram sinônimos.

O governo da igreja presbiteriana foi assegurado pelos atos da União em 1707, que criou o Reino da Grã-Bretanha. Os Atos de União foram dois Atos do Parlamento: o Ato de União com a Escócia de 1706, aprovado pelo Parlamento da Inglaterra, e o Ato de União com a Inglaterra, aprovado em 1707 pelo Parlamento da Escócia.

Os presbiterianos também se dividiram em alguns países por razões doutrinárias, entre outras razões, fazendo assim com que existam várias denominações presbiterianas diferentes em alguns países (mais ou menos umas 25 ramificações no Brasil), mas todas com o mesmo sistema de governo eclesiástico. Há uma gama de visões teológicas dentro do presbiterianismo contemporâneo. No século XX, algumas igrejas presbiterianas entraram em união com outras igrejas, como as congregacionalistas, os luteranos, os anglicanos e os metodistas.

Em especial na Escócia, a tradição presbiteriana tem suas origens na Igreja fundada por São Columba. Columba ou Colmcille (521–597) foi um abade irlandês, evangelista missionário, que trouxe o Cristianismo até a Escócia no início da missão Hiberno-Escocesa do século VI. A missão Hiberno-Escocesa foi uma série de missões e expedições, iniciada por vários clérigos irlandeses e estudiosos do clero. Eles não agiam em conjunto, mas levaram o Cristianismo a várias nações bárbaras do Império romano. Columba fundou a importante abadia de Iona, que se tornou uma instituição religiosa e política na região por muitos séculos. Muitas influências celtas permaneceram na igreja escocesa apesar do domínio Romano e sua influência religiosa. Entre as tradições celtas que restaram estão o canto dos salmos métricos, canções tradicionais e folclóricas escocesas ajustadas ao Cristianismo celta, e que mais tarde se tornou parte do culto presbiteriano escocês.


Abadia de Iona

Abadia de Iona, Escócia, fundada por São Columba. Foto: Colin Smith – wikipedia.org


Mas o início do presbiterianismo como um movimento distinto ocorreu durante a Reforma Protestante do século XVI através do trabalho de John Knox, um padre católico escocês que estudou com o teólogo francês João Calvino em Genebra. John Knox trouxe os ensinamentos calvinistas para a Escócia. Em 1560, o Parlamento da Escócia adotou a Confissão Escocesa como o credo do Reino Escocês e o primeiro ‘Livro de Disciplina’ foi publicado. Nele estavam escritas importantes questões doutrinárias e os regulamentos para o governo da igreja, incluindo a criação de dez distritos eclesiásticos com superintendentes nomeados que mais tarde ficaram conhecidos como presbitérios. Como você pode se lembrar quando falamos sobre Calvino, ele estudou Direito e sua visão religiosa englobou também a vida secular, por isso a sua estruturação da Igreja dá muito valor à hierarquia e nós podemos notar uma estrutura muito parecida com o sistema jurídico, com muitas regras e leis estabelecidas. Oficialmente, o presbiterianismo chegou à América Colonial em 1644, estabelecendo-se em Hempstead, Nova York, e foi organizada pelo Rev. Richard Denton.


Catedral de São Giles


Foto acima: a Catedral de São Giles, Edimburgo, Escócia. Foto: Andrew Gray – wikipedia.org. Em 1559, a igreja tornou-se protestante com John Knox, a figura mais importante da Reforma Escocesa, como seu ministro. O edifício atual foi iniciado no século XIV e estendido até o início do século XVI; alterações significativas foram realizadas nos séculos XIX e XX.

Os presbiterianos se distinguem de outras denominações pela doutrina, organização institucional (ou ‘ordem da igreja’) e adoração, usando um ‘Livro da Ordem’ para regular as práticas religiosas comuns e a ordem. Não havia apenas diferenças doutrinárias na igreja presbiteriana, mas também um desacordo sobre a padronização da tradução bíblica nas igrejas e o grau em que os ordenados a cargos religiosos deveriam concordar com a ‘Confissão de Fé de Westminster’. Os presbiterianos dão grande importância à educação e ao aprendizado. O estudo contínuo das Escrituras, escritos teológicos e compreensão e interpretação da doutrina da igreja estão incorporados em várias declarações de fé e catecismos formalmente adotados por vários ramos da igreja, freqüentemente referidos como ‘padrões subordinados’.

A Confissão de Westminster é ‘O principal padrão subordinado da Igreja da Escócia’. A Igreja Presbiteriana (EUA) adotou o ‘Livro das Confissões’, que consta da confissão de Westminster, de outras confissões reformadas do século XVI e do século XX e das antigas declarações de credo (o Credo Niceno de 325 DC, o Credo dos Apóstolos). As igrejas presbiterianas são oriundas da Reforma Protestante do século XVI e mantêm o caráter de Igreja Católica [o termo ‘católico’, deriva da palavra grega: καθολικός (katholikos), que significa ‘universal’ ou ‘geral’], como declarado no Credo dos Apóstolos. É uma denominação cristã comprometida com valores éticos e morais.

O Catecismo Maior de Pio X (1905) dá a seguinte tradução do Credo dos Apóstolos. Em sua argumentação do credo, o Catecismo mantém a divisão tradicional dos doze artigos:

1. Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;
2. E em Jesus Cristo, seu Único Filho, Nosso Senhor,
3. Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem;
4. Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
5. Desceu ao reino dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia;
6. Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
7. De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
8. Creio no Espírito Santo,
9. Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos,
10. Na remissão dos pecados,
11. Na ressurreição da carne,
12. Na vida eterna. Amém.

A Versão Luterana: o Catecismo Menor de Lutero, publicado pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, apresenta a seguinte tradução do Credo dos Apóstolos dividido em três artigos:

• 1º artigo (da criação)
Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra.

• 2º artigo (da salvação)
E em Jesus Cristo, seu Filho unigênito, nosso Senhor,
O qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria,
Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado,
Desceu ao mundo dos mortos, ressuscitou no terceiro dia,
Subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, Todo-Poderoso,
De onde virá para julgar os vivos e os mortos.

• 3º artigo (da santificação)
Creio no Espírito Santo,
Na santa Igreja cristã, a comunhão dos santos,
Na remissão dos pecados,
Na ressurreição do corpo
E na vida eterna. Amém.

O Credo dos Apóstolos, às vezes intitulado o Credo Apostólico ou o Símbolo dos Apóstolos, é um credo cristão ou ‘símbolo da fé’. Provavelmente se originou na Gália do século V, como um desenvolvimento do antigo credo latino do século IV. Desde o século VIII é usado nos rituais litúrgicos latinos e nas várias ramificações modernas do Cristianismo Ocidental, incluindo a liturgia moderna e catequese da Igreja Católica, Luteranismo, Anglicanismo, Presbiterianismo, Igreja Morávia, Metodismo, e igrejas congregacionais. O Credo dos Apóstolos é mais curto do que o Credo Niceno-Constantinopolitano completo adotado em 381 (1º Concílio de Constantinopla), mas ainda é explicitamente trinitariano na estrutura, afirmando a fé em Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Ele nada diz explicitamente sobre a divindade de Jesus ou do Espírito Santo. Por esta razão, foi considerado anterior ao Credo Niceno na tradição latina medieval. A expressão ‘Credo dos Apóstolos’ é mencionada pela primeira vez em uma carta do Sínodo de Milão datada de 390 DC, referindo-se a uma crença na época de que cada um dos Doze Apóstolos contribuiu com um artigo para os doze artigos do credo.

A organização eclesiástica presbiteriana é feita por conselhos (conhecidos como tribunais) de anciãos, responsáveis pela ordenação de ministros e pela legislação. Esse conselho inferior é conhecido como sessão ou consistório (como foi criado por Calvino), responsável pela disciplina, nutrição e missão da congregação local. Desta forma, o papel governamental dos presbíteros é ligado à tomada de decisões quando há uma reunião.

O ministério da palavra de Deus, a adoração, a oração e a administração dos sacramentos é função do pastor (presbíteros docentes ou ministros) em cada igreja local.

Especialmente em congregações maiores, os anciãos delegam os aspectos práticos de edifícios, finanças e ministério aos necessitados na congregação a um grupo distinto de oficiais chamados diáconos, que são ordenados em algumas denominações. Às vezes, eles são conhecidos como ‘presbíteros’ pela congregação.

Os conselhos ou concílios presbiterianos seguem uma hierarquia. Cada Igreja local tem o seu conselho, chamado de sessão ou consistório. Este é composto por anciãos professores e anciãos governantes de cada uma das congregações constituintes. As igrejas de uma determinada região compõem um concílio maior chamado presbitério. Os presbitérios, por sua vez, compõem um sínodo. Um sínodo é um conselho de uma igreja, geralmente convocado para decidir uma questão de doutrina, administração ou aplicação. Então, se for necessário discutir outros assuntos de maior importância, os presbitérios convocam a Assembléia Geral ou Supremo Concílio.

Ao longo dos séculos subseqüentes, muitas igrejas presbiterianas modificaram as antigas prescrições, introduzindo hinos, acompanhamento instrumental e vestimentas cerimoniais na adoração. No entanto, não existe um estilo de adoração fixo. A maioria das igrejas presbiterianas segue o ano litúrgico tradicional e observa os feriados tradicionais, épocas sagradas, como Advento, Natal, quarta-feira de Cinzas, Semana Santa, Páscoa, Pentecostes, etc.

A teologia presbiteriana enfatiza a soberania de Deus, a autoridade das Escrituras e a necessidade da graça através da fé em Cristo. Também acredita na predestinação, segundo a interpretação de João Calvino.

Os presbiterianos defendem apenas dois sacramentos: o Batismo, no qual eles batizam crianças e adultos convertidos, e isso é feito pelo método de aspersão ou afusão (derramamento de água) em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ao invés do método de imersão. Quanto à Ceia do Senhor, os presbiterianos acreditam na presença real de Cristo no sentido espiritual, no pão e no vinho pelo Espírito Santo, mas não presente nesses elementos, como acontece na transubstanciação ou na consubstanciação.

Alguns edifícios de igrejas presbiterianas são freqüentemente decorados com uma cruz, que tem um círculo ao redor do centro, a cruz Celta, reconhecendo suas origens. Geralmente, não há estátuas de santos, mas algumas igrejas presbiterianas são ornamentadas com estátuas de Cristo, vitrais decorativos com cenas da bíblia ou cenas de escultura da Última Ceia.


Cruz celta

Cruz celta drapeada para a Páscoa em uma igreja presbiteriana – foto: CHBarrett – wikipedia.org

Anabatismo

Anabatismo [anabatista que dizer: ‘aquele que batiza novamente’ ou ‘re-batizadores’, do grego ἁναβαπτισμός: ἁνά– (re–; novamente) + βαπτισμός (batismo)] é um movimento chamado ‘ala radical’ da Reforma Protestante. Foram assim chamados pelo fato de rejeitar o batismo infantil e de rebatizar convertidos que já haviam sido batizados quando crianças. Os candidatos ao batismo podiam fazer suas próprias confissões de fé. Os Anabatistas desconsideravam tanto o batismo católico quanto o batismo dos protestantes luteranos, reformados e anglicanos, mas não formavam um único grupo ou igreja, pois havia diversos grupos chamados genericamente de ‘anabatistas’ com crenças e práticas diferentes e divergentes. Muitos preferiam se chamar de Reformadores Radicais.

Como resultado de suas opiniões sobre a natureza do batismo e outras questões, os Anabatistas foram fortemente perseguidos durante o século XVI e no século XVII por protestantes magisteriais (Luteranos e Calvinistas) e católicos romanos, e continuou depois disso. Havia uma pequena diferença entre os Anabatistas e outros grupos que praticavam o batismo de adultos: os Anabatistas tomaram literalmente as palavras de Jesus no Sermão da Montanha, que impedia de fazer juramentos, participar de ações militares e participar do governo civil. O Anabatismo nunca foi estabelecido por nenhum estado e, portanto, nunca desfrutou de quaisquer privilégios civis, pois seus membros se consideram como cidadãos do reino de Deus, não de governos terrenos.

Os Amish, os Irmãos Suíços, os Huteritas conservadores e os Menonitas são descendentes diretos do primeiro movimento Anabatista. Dunkers, Bruderhof e a Igreja Cristã Apostólica são desenvolvimentos posteriores entre os Anabatistas. Os Anabatistas da Reforma Radical são divididos em radicais e a chamada ‘segunda frente’.

Alguns de seus ensinamentos são:
• A teologia bíblica, especialmente o NT, não deve ser sistematizada, e sim obedecida como a vontade de Deus e aplicada no dia a dia. Dessa forma, a essência do Cristianismo consiste em uma adesão prática aos ensinamentos de Cristo.
• Não requeriam a adesão formal a credos e confissões; eles eram simplesmente documentos para demonstrar aquilo que se crê em comum. Aceitavam os credos históricos do Cristianismo, mas não o professavam.
• A Igreja não é subordinada a nenhuma autoridade humana, seja ela o Estado, ou hierarquia religiosa. Assim evitam participar das atividades governamentais, jurar lealdade à nação, participar de guerras.
• A Igreja não é uma instituição espiritual e invisível composta apenas por pessoas renascidas, mas uma comunidade voluntária, uma coletividade humana e real, que se separava do mundo e do pecado para seguir os mandamentos de Cristo. Por isso, o Anabatismo enfatizava a vida comunitária.
• O Batismo adulto era por imersão como símbolo de reconhecimento e obediência a Cristo, e a Santa Ceia era celebrada em memória ao sacrifício de Jesus Cristo.
• A salvação depende do livre-arbítrio. O ser humano tem a capacidade de se arrepender de seus pecados e Deus o regenera e o ajuda a andar em uma vida de regeneração.
• Um dos teólogos importantes da Reforma Radical foi Menno Simons (criou o Menonismo), entre outros, e que acreditava na doutrina ‘semi-nestoriana’ da natureza de Cristo, ou seja, Jesus Cristo foi concebido pelo Espírito Santo no ventre de Maria, mas não herdou nenhuma parte física dela. Maria seria, então, apenas um instrumento de Deus, mas não a mãe de Deus. Em resumo, eles acreditavam parcialmente na doutrina de Nestório. Nestório (428–431), patriarca de Constantinopla, defendia que Cristo não seria uma pessoa única, mas que Nele haveria uma natureza humana e outra divina, distintas uma da outra e, por conseqüência, negava o ensinamento tradicional que a Virgem Maria pudesse ser a ‘Mãe de Deus’ (em grego, Theotókos), portanto ela seria somente a ‘Mãe do homem’ (em grego, ‘anthropotokos’) ou a ‘Mãe de Cristo’ (em grego, ‘Christotokos ’), para restringir o seu papel como mãe apenas da natureza humana de Cristo e não da sua natureza divina. Teótoco (em grego: Θεοτόκος; transliteração: Theotókos; tradução literal em Português: ‘portadora de Deus’ ou ‘doadora do nascimento de Deus’) é o título grego de Maria, usado especialmente na Igreja Ortodoxa ou Igrejas patriarcais do Oriente (Alexandria, Jerusalém, Antioquia e Constantinopla) e Igrejas Orientais Católicas. Traduções menos literais incluem ‘Mãe de Deus’. Católicos, Anglicanos, e algumas denominações protestantes usam com mais freqüência o título de ‘Mãe de Deus’ do que ‘Teótoco’.
• A ética do amor rege todas as relações humanas.
• Pacifismo: Cristianismo e violência são incompatíveis.

No século 21, existem grandes diferenças culturais entre Anabatistas assimilados, que não diferem muito dos Evangélicos, e grupos tradicionais como os Amish, os Menonitas da velha colônia, os Menonitas da Velha Ordem, os irmãos da Velha Ordem (os Irmãos Suíços), os Huteritas e os Antigos Irmãos Batistas Alemães.

O Anabatismo na Suíça começou como um desdobramento das reformas da igreja instigadas por Zuínglio. Já em 1519, em suas pregações ele começou a criticar as indulgências, a comentar a bíblia segundo ‘o evangelho puro’ e se posicionou contra o celibato eclesiástico. A partir de 1522 começou a criticar cada vez mais radicalmente a devoção a Virgem Maria e aos santos, a autoridade dos dogmas e disciplinas dos concílios e dos papas, o culto das imagens e a missa como sacrifício. Para ele, Cristo é a única autoridade da igreja e que a salvação se opera pela fé. Ele defendeu a prática do batismo infantil, uma vez que nenhuma lei proíbe a prática, e o via como um sinal de aliança com Deus, substituindo assim a circuncisão no Antigo Testamento. Ele negou a salvação pelas obras, a intercessão dos santos, a obrigatoriedade dos votos monásticos e a existência do purgatório, o que Lutero já tinha feito. A Eucaristia para ele tinha um caráter memorial, não literal (‘este é o meu corpo’), como pensava Lutero. O magistrado e a população de Zurique o apoiaram, levando a mudanças significantes na vida civil e assuntos de estado na cidade. Ele só errou num ponto de sua doutrina, ao minimizar a natureza corrompida do homem e considerando o pecado original a um simples vício hereditário não merecedor de condenação eterna, deixando entendido que a ‘bondade’ essencial do homem o habilitaria, por si mesmo, a se chegar a Deus.

A partir daí, ele reuniu ao seu redor um grupo de homens reformistas, com quem estudou literatura clássica e as escrituras. Os jovens foram considerados ‘reformadores da segunda frente’, e achavam que Zuínglio não estava agindo rápido o suficiente em sua reforma. Assim, a divisão entre ele e seus discípulos se tornou mais evidente em outubro de 1523 em Zurique. Eles começaram a se reunir para estudar a Bíblia por conta própria, pois conselho da cidade demorava em dar sua posição ao batismo de adultos, e um deles (William Reublin) começou a pregar contra o batismo infantil nos vilarejos próximos a Zurique, incentivando os pais a não batizarem seus filhos. Entre eles, estava Felix Manz, que chegou a fazer uma petição ao conselho para encontrar uma solução, pois discordava de Zuínglio. Em janeiro de 1525 o conselho ameaçou de expulsão os que se recusassem a batizar seus filhos dentro de uma semana, mas o movimento cresceu e muitos novos convertidos adultos foram batizados. Católicos romanos e protestantes perseguiram os Anabatistas e muitos foram torturados e mortos em várias partes da Europa entre 1525 e 1660. Mesmo os monarcas protestantes da Casa Tudor (Eduardo VI da Inglaterra e Elizabeth I da Inglaterra) os perseguiram por considerá-los radicais demais e, portanto, pondo em risco a estabilidade religiosa.

Por causa da perseguição na Europa, um grande contingente de Anabatistas emigrou para a América do Norte, inclusive os Amish, os Huteritas (em alemão: Hutterer), os Menonitas e os Irmãos Suíços. Apenas os Amish e os Huteritas hoje são um grupo étnico composto principalmente de descendentes de Anabatistas europeus. Entre os Menonitas há Menonitas étnicos e outros que são não. Os grupos dos ‘Irmãos’ perderam principalmente sua distinção étnica, pois esse nome se refere a várias ramificações dos Anabatistas ou Pietistas ao redor do mundo.

Quanto ao relacionamento entre os Anabatistas e os Batistas (descendentes dos Puritanos), ele foi originalmente tenso, embora tendo estes informações sobre a teologia Anabatista. Em 1624, as cinco igrejas batistas existentes em Londres emitiram uma condenação aos Anabatistas. Os Batistas fazem a ‘Confissão de fé Batista de Londres’ de 1644 DC. Os Batistas dizem que os Anabatistas não refletem o ensino histórico dos Batistas. Os Batistas alemães não são relacionados ao movimento Batista inglês e foram inspirados pelos Anabatistas da Europa Central. Ao se mudar para os Estados Unidos, eles se associaram aos Menonitas e Quakers.

Antes de falarmos sobre os Batistas, vamos dar uma olhada nas ramificações principais do Anabatismo.

Os Irmãos

O maior movimento dos ‘Irmãos’ surgiu do Anabatismo da Reforma Protestante (século XVI).
• Os Huteritas eram originários dos Anabatistas alemães, suíços e tiroleses liderados por Jacob Hutter na década de 1520.
• Os Irmãos Suíços foi o nome que os Anabatistas suíços usaram de 1525 até sua divisão em grupos Amish e Menonita em 1693.
• Os Irmãos Menonitas, originados entre os Menonitas russos em 1860.
• Os Irmãos Schwarzenau se originaram em 1708 em Schwarzenau, in Bad Berleburg, Alemanha, com Alexander Mack. Suas raízes estão no movimento do Pietismo Radical, mas foram fortemente influenciados pela teologia Anabatista. Eles também foram chamados de Dunkers ou Irmãos Batistas Alemães. O grupo se dividiu em três alas em 1881-1883.

Os Irmãos Suíços são um ramo do Anabatismo que começou em Zurique, se espalhou para cidades vizinhas e depois emigrou para países vizinhos. Eles rejeitavam o batismo infantil. Isso resultou em sua perseguição por todos os outros reformadores, bem como pela Igreja Católica. Por causa da perseguição, muitos Irmãos Suíços se mudaram da Suíça para os países vizinhos. Eles ficaram conhecidos como Menonitas após a divisão de 1693, um desacordo entre grupos liderados por Jacob Amman e Hans Reist. Muitos dos Menonitas na França, sul da Alemanha, Holanda e América do Norte, bem como a maioria dos Amish, descendem dos Irmãos Suíços. Michael Sattler foi o autor da a Primeira Confissão de Fé Anabatista em 1527, chamada Schleitheim. Ela continha sete artigos com os seguintes tópicos:
• Batismo do crente
• Disciplina da igreja
• Ceia do Senhor
• Separação do mundo e do mal
• Seleção e papel dos pastores
• Não violência (não resistência)
• Proibição de juramento
A maioria dos Irmãos Suíços aceitou esses sete artigos.

Huteritas

Os Huteritas (Irmãos Huterianos) são um ramo dos Anabatistas, assim como os Amish e os Menonitas, que vieram da Reforma Radical do início do século XVI e formaram comunidades de bens e não-resistência. O fundador dos Huteritas, Jacob Hutter, estabeleceu as colônias Huteritas em 1528 com base na Confissão de Schleitheim, uma declaração de fé Anabatista clássica, seguida pelos Irmãos Suíços. Depois da morte de Jacob Hutter, os Huteristas se espalharam por vários países por centenas de anos através da Europa Central e Oriental. Embora quase extintos, eles migraram para a Rússia em 1770 e cerca de cem anos depois para a América do Norte e cresceram em número de quase 400 para em torno de 50.000 atualmente. Hoje, quase todos os Huteritas vivem no oeste do Canadá e na parte superior das Grandes Planícies dos Estados Unidos.


Bon Homme Limestone House

‘Bon Homme Limestone House’, uma casa de pedra calcária da Colônia Huterita perto de Tabor, Dakota do Sul – Foto: Iankl – wikipedia.org


Imagem acima: A colônia Huterita de Bon Homme, localizada no condado de Bon Homme, Dakota do Sul, é a colônia-mãe de todas as colônias Huteritas na América do Norte e também a mais antiga colônia Huterita do mundo ainda existente. Foi fundada em 1874 por imigrantes Huteritas da Ucrânia. Foi a única colônia que não se mudou para Canadá depois da Primeira Guerra Mundial.

De acordo com a Confissão de Schleitheim, eles crêem no batismo de crentes (adultos), no pacifismo cristão e na rejeição de juramentos. As igrejas Huteritas também acreditam em um conjunto de regras comunitárias para a vida cristã e o princípio da separação mundana. Praticam a excomunhão. Eles vivem em comunidades rurais chamadas ‘colônias’, auto-sustentáveis na maior parte delas, e com líderes para função específicas, desde os cargos jurídicos até os agrícolas e como o de professor de Alemão para as crianças em idade escolar. As colônias Huteritas são em sua maioria patriarcais. Eles vivem em um sistema de propriedade comum quase total: todas as propriedades pertencem à colônia e as provisões para membros individuais e suas famílias vêm dos recursos comuns. Isso é baseado na sua interpretação das passagens dos capítulos 2, 4 e 5 de Atos dos Apóstolos. Na América do Norte, os Huteritas se dividiram em seis ramificações.

Amish

Os Amish são descendentes dos grupos suíços resultantes da Reforma Radical chamados de Anabatistas. Menno Simons (1496-1561) era um padre católico holandês que se converteu ao Anabatismo em 1536 e fundou a denominação chamada Menonita. Dos Menonitas veio o movimento Amish em 1693 através de Jakob Ammann (1656-1730), um líder Menonita morando na Alsácia (região leste da França fazendo fronteira com a Suíça e com a Alemanha) que acreditava que os Menonitas de Suíça e Alsácia estavam se afastando dos ensinos de Simons.

Os Amish são conhecidos por seus costumes ultraconservadores, como o uso restrito de luz elétrica, telefones, automóveis e outros equipamentos eletrônicos. Os primeiros Amish começaram a migrar para os Estados Unidos no século XVIII, se estabelecendo principalmente na Pensilvânia. Na segunda metade do século XIX, os Amish se dividiram em vários subgrupos, sendo que dois terços mais progressistas assimilaram a cultura norte-americana e se tornaram conhecidos como Amish Menonitas (uniram-se à igreja Menonita e a outras denominações Menonitas), principalmente no início do século XX.


Charrete Amish

Uma charrete Amish típica, utilizada no Condado de Lancaster (Pensilvânia) – wikipedia.org


Os grupos mais tradicionais se tornaram conhecidos como os Amish da Antiga Ordem, que se mantêm nas suas comunidades, o máximo possível isolados do mundo ‘exterior’. Homens usam ternos e chapéus pretos. Deixam crescer a barba para simbolizar a masculinidade e o estado civil, bem como para promover a humildade, mas não usam bigodes, pois eles os relacionam aos militares, aos quais eles se opõem, devido às suas crenças pacifistas.

As mulheres devem usar vestidos longos na altura das panturrilhas, cores suaves, juntamente com gorros e aventais. Elas cobrem a cabeça por um capuz branco (as casadas) ou preto (as solteiras). Elas não podem usar jóias, como alianças. Todas as roupas são costuradas à mão. Os Amish valorizam a vida rural, o trabalho manual e a humildade. Os Amish não gostam de ser fotografados. Interpretam que, de acordo com a bíblia, um cristão não deve manter sua própria imagem gravada. Eles acreditam também que ser fotografado mostra falta de humildade. A base da alimentação Amish é carne, massas e tubérculos, em muitos casos cultivados e criados por eles mesmos. Dentre as compras que normalmente fazem no mundo ‘exterior’, estão farinha, sal e açúcar.

Os princípios enfatizados pelos Amish são:

• A bíblia, principalmente o Novo Testamento, deve ser obedecida como a vontade de Deus, embora não sistematizando sua teologia, mas aplicando-as no dia a dia. A interpretação da bíblia é realizada nos cultos e reuniões da igreja.
• Credos e confissões são somente documentos para demonstrar aquilo em que se crê, mas requerem a adesão ou crença a eles. Aceitam, portanto, em essência os Credos históricos do Cristianismo, mas não o professam.
• A Igreja é uma comunidade voluntária formada de adultos que escolhem livremente o batismo na Igreja Amish. Ela não é subordinada a nenhuma autoridade humana, seja ela o Estado, ou hierarquia religiosa. Assim evitam participar das atividades governamentais, jurar lealdade à nação, participar de guerras.
• A Igreja não é uma instituição espiritual e invisível, mas uma coletividade humana e real, marcada pela separação do mundo e do pecado e uma posição afirmativa em seguir os mandamentos de Cristo.
• A Igreja celebra o batismo adulto por imersão como símbolo de reconhecimento e obediência a Cristo, e a Santa Ceia em memória da missão de Jesus Cristo.
• A Igreja tem autoridade de disciplinar seus membros e até mesmo sua expulsão, de acordo com Mt 18: 15-17, a fim de manter a pureza do indivíduo e da igreja.
• Quanto à salvação, os Amish crêem no livre-arbítrio, o ser humano tem a capacidade de se arrepender de seus pecados e Deus o regenera e o ajuda a andar em uma vida de regeneração.
• Os Amish não crêem que a conversão para Cristo seja uma experiência emocional de um momento, mas um processo que leva a vida inteira.
• A essência do Cristianismo consiste em uma adesão prática aos ensinamentos de Cristo.
• A ética do amor rege todas as relações humanas.
• Pacifismo: Cristianismo e violência são incompatíveis.

O culto Amish é praticado da mesma maneira desde a concepção do Anabatismo na época da Reforma. Não tem atos rituais, apenas o sermão e os cânticos. O culto é voltado a Deus e não tem o caráter evangelizador, portanto práticas como ‘chamada ao altar’ ou ‘aceitar Jesus’ não existem.

Não constroem igreja, assim reúnem-se em casas privadas ou celeiros. As mulheres sentam-se separadas dos homens e cobrem a cabeça com um véu. O culto inicia com uma invocação de algum dos anciãos, seguida de hinos do hinário Ausbund (escrito entre 1535 e 1540 por Anabatistas que foram presos no calabouço do ‘Veste Oberhaus’, uma fortaleza à margem do Danúbio, frente à cidade de Passau, na Alemanha), que é o mesmo texto desde o século XVI. Há dois sermões, um mais curto e um mais longo. Entre os sermões há uma oração, onde todos se ajoelham silenciosamente até que algum membro masculino ore pela igreja. A leitura e pregação da Bíblia são feitas espontaneamente, sem sermões preparados, e muitos anciãos abrem as Escrituras aleatoriamente. Seguem uma oração do ministro e uma bênção final. A congregação se despede com um beijo.

A Ceia do Senhor é realizada somente se todos os membros derem seu consentimento.
A excomunhão é aplicada aos membros que não aceitam as regras da comunidade e não se arrependem.
Além da excomunhão, os membros podem ser evitados (rejeitados), uma prática que limita os contatos sociais para envergonhar o membro rebelde e fazê-lo retornar à igreja.

Os Amish, como os Anabatistas, acreditam em uma interpretação literal da Bíblia. Ordnung é a palavra alemã para ‘ordem’, ‘disciplina’, ‘regra’, ‘arranjo’, ‘organização’ ou ‘sistema’. O Ordnung é um conjunto de regras de comportamento para proteger o caráter de uma pessoa, e os membros de cada igreja concordam em ter suas vidas ordenadas por ele. Menonitas conservadores chamam o Ordnung pelos termos ingleses ‘disciplina’ ou ‘padrão’. Algumas das regras do Ordnung mais comuns são: separação do mundo, trabalho duro, submissão da mulher ao marido, modo de vestir e outras. O Ordnung tenta prevenir o orgulho, a inveja, a vaidade, a preguiça, a desonestidade, etc. Portanto, os fundamentos da vida Amish são: um caráter despretensioso, o amor pelos amigos e familiares e o respeito pela comunidade.


Crianças Amish

Crianças Amish a caminho da escola – Gadjoboy – wikipedia.org


Rumspringa (também escrito Rumschpringe ou Rumshpringa) é um rito de passagem durante a adolescência (ou simplesmente se refere à adolescência), traduzido em inglês como ‘pular’, usado em algumas comunidades Amish. Os Amish, intencionalmente, segregam-se de outras comunidades como parte de sua fé. Para os jovens Amish, o Rumspringa normalmente começa por volta dos 14-16 anos e termina quando um jovem escolhe ser batizado na igreja Amish ou deixar a comunidade. Para alguns Menonitas, Rumspringa ocorre entre as idades de 17 e 21 anos. Rumspringa é um substantivo alemão da Pensilvânia que significa ‘correr por aí’.

Durante esse tempo, algum tipo de mau comportamento é esperado e não é severamente condenado (como a rejeição pela comunidade, por exemplo). Os adolescentes Amish podem se envolver em comportamento rebelde, resistindo ou desafiando as normas dos pais. Em um sentido restrito, os jovens não são limitados pela Ordnung porque não se tornaram membros adultos da igreja. Os adolescentes Amish permanecem, entretanto, sob a estrita autoridade dos pais que estão vinculados a Ordnung, e não há período em que os adolescentes sejam formalmente liberados dessas regras.

Portanto, o período de Rumspringa é quando o jovem é considerado como tendo atingido a maturidade e tem permissão para assistir aos ‘cantos’ do domingo à noite, que são o foco do namoro entre os Amish. Os membros do distrito da igreja local freqüentemente assistem aos cantos e geralmente trazem crianças menores junto. Uma minoria de jovens Amish diverge dos costumes estabelecidos. Alguns podem ser encontrados:
• Usar roupas e estilos de cabelo não tradicionais (conhecido como ‘vestir-se como inglês’).
• Dirigir veículos que não sejam veículos puxados por cavalos (os ‘buggies’, as charretes, pois comunidades que evitam veículos motorizados).
• Não comparecer à oração em casa.
• Beber e fumar, por exemplo.

Nem todos os jovens divergem dos costumes durante este período. A maioria deles permanece dentro das normas de vestimenta ou comportamento Amish durante a adolescência. Quase 90 por cento dos adolescentes Amish optam por ser batizados e se filiam à Igreja Amish. Alguns jovens Amish realmente se separam da comunidade, indo até mesmo viver entre os ‘ingleses’ (americanos não Amish), experimentando a tecnologia moderna. Seu comportamento durante esse período não os impede necessariamente de voltar para o batismo de adultos na igreja Amish.

Menonitas

Os Menonitas são um grupo de denominações cristãs que descende diretamente do movimento Anabatista que surgiu na Europa no século XVI, na mesma época da Reforma Protestante. Tem o seu nome derivado de Menno Simons (1496-1561), um padre católico holandês que se converteu ao Anabatismo em 1536 e através dos seus escritos articulou e formalizou os ensinos dos Anabatistas suíços.

Menonitas moderados incluem as maiores denominações, os Irmãos Menonitas e a Igreja Menonita. Na maioria das formas de adoração e prática, eles diferem muito pouco de outras congregações protestantes. Não existe uma forma especial de vestimenta e nenhuma restrição ao uso da tecnologia. Os serviços geralmente consistem em canto, leitura das escrituras, oração e um sermão. Algumas igrejas preferem hinos e coros; outros fazem uso da música cristã contemporânea com instrumentos eletrônicos. Uma pequena quantia, baseada nos números dos membros, é paga à denominação, que é usada para apoiar funções centrais, como publicação de boletins informativos e interações com outras denominações e outros países.

A Igreja Menonita Reformada foi formada no início do século XIX.
Os Menonitas da Velha Ordem abrangem vários grupos distintos. Alguns grupos usam cavalos e charretes como transporte e falam o Alemão, enquanto outros dirigem carros e falam o Inglês.
Menonitas conservadores são geralmente considerados aqueles Menonitas que mantêm trajes um tanto conservadores, embora aceitem cuidadosamente outras tecnologias. Eles não são um grupo unificado e estão divididos em várias conferências e associações independentes.

A igreja Menonita reconhece a legitimidade e honra tanto o estado de solteiro quanto a santidade do casamento de seus membros. Espera-se que as pessoas solteiras sejam castas, e o casamento é considerado um pacto vitalício, monogâmico e fiel entre um homem e uma mulher. Em grupos conservadores, o divórcio é desencorajado.


Igreja Menonita Criança Menonita

Imagens acima: Igreja Menonita em Hamburg-Altona, Alemanha – Carl Auer – wikipedia.org
Criança da Comunidade Menonita da Velha Ordem – autor desconhecido – wikipedia.org


A teologia Menonita enfatiza a primazia dos ensinamentos de Jesus como escritos no Novo Testamento. Eles acreditam no ideal de uma comunidade religiosa baseada nos modelos do Novo Testamento no espírito do Sermão da Montanha. As crenças básicas derivadas das tradições Anabatistas são:
• Salvação pela fé em Jesus Cristo;
• A autoridade das Escrituras e do Espírito Santo;
• Batismo dos crentes entendido como: Batismo pelo Espírito (mudança interna do coração), batismo pela água (demonstração pública de testemunho) e batismo pelo sangue (martírio e ascetismo ou a prática de autonegação como medida de disciplina pessoal e especialmente espiritual);
• Discipulado entendido como um sinal exterior de uma mudança interior;
• Disciplina na igreja (Mt 18: 15-17). Algumas igrejas Menonitas praticam a excomunhão;
• A Ceia do Senhor entendida como um memorial ao invés de um sacramento ou ritual, de preferência comungado por crentes batizados dentro da unidade e disciplina da igreja;
• Os discípulos de Jesus Cristo não participam em guerras nem usam armas para atacar, ferir ou matar a seus inimigos.


Charrete dos Menonitas da Velha Ordem

Uma charrete dos Menonitas da Velha Ordem, no Condado de Oxford, Ontário, Canadá – Alan Walker – wikipedia.org

Casa de encontro Menonita

Casa de encontro Menonita numa cidade da Alemanha construída em 1770 – Foto: Smallbones – wikipedia.org


Fonte de pesquisa: Wikipedia.org

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no anexo:

Reforma Protestante–Denominações Protestantes

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