Estudo sobre o templo de Salomão: utensílios do pátio externo, do Lugar Santo e do Santo dos Santos, medidas, portas, materiais, duração e o tempo de construção. Arco de Tito.


Estudo evangélico sobre o tempo de Salomão




Introdução

O templo de Salomão foi planejado segundo o modelo do Tabernáculo dado a Moisés (Êx 25; 26; 27), entretanto, com algumas alterações, em especial com relação aos utensílios e materiais empregados na sua construção: não mais cortinas, reposteiros ou estacas de tenda, mas com pedras lavradas, madeira de cedro, oliveira e cipreste, ouro e pedras preciosas, entre outros. Também a bacia de bronze onde os sacerdotes lavavam as mãos e pés antes de entrar na tenda da Congregação (Êx 30: 17-21; Êx 38: 8) foi substituída pelo mar de fundição, também chamado tanque de metal fundido (2 Cr 4: 1-6). O templo de Salomão foi construído em sete anos (1 Rs 6: 1; 37; 38) e durou de 966 AC a 586 AC, portanto, 380 anos.

O segundo templo iniciado por Zorobabel demorou quatro anos para ser construído [520-516 AC – 2º ao 6º ano de Dario I (r. 522-486 AC): Ag 2: 10; 18; Ed 6: 15]. Esse templo foi quase que demolido por Herodes, o Grande, para uma reconstrução que iniciou em 19 AC e terminou em 64 DC, no reinado de Agripa, num total de 83 anos. Perdurou até 70 DC, quando Tito o destruiu.


Vista externa do Templo de Salomão

A vista exterior do Templo de Salomão

Esquema do templo

Esquema do templo de Salomão

A construção do templo de Salomão

Vamos começar o estudo pelo texto bíblico de 2 Cr 3: 1-14 (ARA); cf. 1 Rs 6: 1-10; 1 Rs 6: 23-28; 1 Rs 7: 15-22:

“Começou Salomão a edificar a Casa do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá [Gn 22: 2, onde Abraão ofereceu Isaque em sacrifício. Moriá significa: ‘Visto por Deus’ ou ‘Escolhido por Deus’ – anotação minha], onde o Senhor aparecera a Davi, seu pai, lugar que Davi tinha designado na eira de Ornã, o jebuseu [cf. 1 Cr 21: 22; 1 Cr 22: 1]. Começou a edificar no segundo mês, no dia segundo, no ano quarto do seu reinado [O reinado de Salomão foi de 970-931 AC, portanto, iniciou a construção do templo em 966 AC; 1 Rs 6: 1 acrescenta: “no ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito”, o que corrobora a hipótese da data do Êxodo ser 1446 AC]. Foram estas as medidas dos alicerces que Salomão lançou para edificar a Casa de Deus: o comprimento em côvados, segundo o primitivo padrão [51,8 cm, usado para fins sacros], sessenta côvados [31 metros de comprimento], e a largura, vinte [10,36 metros de largura. Em 1 Rs 6: 2 é acrescentado também 30 côvados de altura = 15,54 metros de altura]. O pórtico [’ülâm] diante da casa media vinte côvados no sentido da largura do Lugar Santo [10,36 metros de largura], e a altura, cento e vinte [em Hebraico e em Massorético. Em Siríaco e na Septuaginta, a versão grega do AT, diz 20 côvados = 10,36 metros de altura], o que, dentro cobriu de ouro puro [1 Rs 6: 3: ... Lugar Santo, contra dez de fundo = 5,18 metros de profundidade]. Também fez forrar de madeira de cipreste a sala grande [o Lugar Santo = hékâl ou hekhal, que deriva do Sumério: É GAL = Casa Grande], e a cobriu de ouro puro, e gravou nela palmas e cadeias [NVI: desenhos de tamareiras e correntes]. Também adornou a sala de pedras preciosas; e o ouro era de Parvaim [localização obscura – cogita-se Iêmen. É, geralmente, um nome genérico para as regiões orientais de onde vinha ouro, como Ofir, por exemplo]. Cobriu também de ouro a sala, as traves, os umbrais, as paredes e as portas; e lavrou querubins nas paredes. Fez mais o Santo dos Santos [Debir], cujo comprimento, segundo a largura de sala grande, era de vinte côvados, e também a largura, de vinte [10,36 metros cúbicos – um cubo perfeito]; cobriu-a de ouro puro do peso de seiscentos talentos [1 talento corresponde a 34 kg, portanto, 20.400 kg]. O peso dos pregos era de cinqüenta siclos de ouro (600 g.). Cobriu de ouro os cenáculos (NVI, as salas superiores). No Santo dos Santos, fez dois querubins de madeira e os cobriu de ouro. As asas estendidas, juntas, dos querubins mediam o comprimento de vinte côvados [10,36 metros]; a asa de um deles, de cinco côvados [2,59 metros], tocava na asa do outro querubim. Também a asa do outro querubim era de cinco côvados [2,59 metros] e tocava na outra parede; era também a outra asa igualmente de cinco côvados [2,59 metros] e estava unida à asa do outro querubim. As asas destes querubins se estendiam por vinte côvados [10,36 metros]; eles estavam postos em pé, e seu rosto, virado para o Santo Lugar. Também fez o véu de estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino; e fez bordar nele querubins. Fez também diante da sala duas colunas de trinta e cinco côvados de altura [18,13 metros, as duas juntas]; e o capitel, sobre cada uma, de cinco côvados [2,59 metros]. Também fez cadeias, como no Santo dos Santos, e as pôs sobre as cabeças das colunas; fez também cem romãs, as quais pôs nas cadeias. Levantou as colunas diante do templo, uma à direita, e outra à esquerda; a da direita [NVI, sul], chamou Jaquim, e a da esquerda [NVI, norte], Boaz”.

Resumindo: o templo tinha 31 metros de comprimento x 10,6 metros de largura x 15,54 metros de altura. O Pórtico media 10,36 metros largura x 10,36 altura x 5,18 metros de profundidade. O Santo dos Santos era um cubo perfeito de aproximadamente 10,36 metros cúbicos (segundo o côvado primitivo de 51,8 cm para fins sacros, também chamado de côvado mosaico). O Lugar Santo (Hekhal) no Templo de Salomão, segundo a Bíblia (1 Rs 6: 16-17), media 40 côvados de comprimento (20,72 m) e 20 côvados de largura (10,36 m).

Para edificar o templo, Salomão recrutou muitos trabalhadores, inclusive israelitas, que lavravam as pedras para fundá-lo; preparavam a madeira e as pedras para se edificar a casa. Em 1 Rs 6: 7 está escrito: “Edificava-se a casa com pedras já preparadas nas pedreiras (em 1 Rs 5: 15 está escrito: “talhavam pedras nas montanhas”), de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu na casa quando a edificavam”. A bíblia não deixa claro o tamanho das pedras usadas para o templo, mas menciona o tamanho das pedras usadas na construção dos palácios reais:

Em 1 Rs 7: 9-11 está escrito sobre as pedras usadas na construção da casa do bosque do Líbano, a casa do rei, o palácio para a filha de Faraó com quem Salomão havia casado, e todos os palácios reais: “Todas estas construções eram de pedras de valor, cortadas à medida, serradas para o lado de dentro e para o de fora; e isto desde o fundamento até às beiras do teto, e por fora até ao átrio maior. O fundamento era de pedras de valor, pedras grandes; pedras de dez côvados e pedras de oito côvados [umas de 4 ½ metros e outras 3,60 m]; por cima delas, pedras de valor, cortadas segundo as medidas, e cedros” [aqui, imagina-se que foi usado o côvado comum de 45 cm, pois essa é a medida descrita na NVI].

O Pátio externo – utensílios

O mar de fundição

A bacia de bronze do Tabernáculo de Moisés onde os sacerdotes lavavam as mãos e pés antes de entrar na tenda da Congregação (Êx 30: 17-21; Êx 38: 8) foi substituída pelo mar de fundição, também chamado tanque de metal fundido (2 Cr 4: 1-6). O tanque de metal fundido era uma estrutura redonda que media 4,5 metros de diâmetro e 2,25 metros de altura. Sua circunferência era de 13,5 metros e sua espessura de quatro dedos (8 cm). Sua borda se assemelhava à de um cálice e sua capacidade era de 60.000 litros. Abaixo da borda e ao seu redor havia doze touros, quatro grupos de três, cada grupo voltado para os quatro pontos cardeais, simbolizando as doze tribos de Israel, como estavam dispostas ao redor no Tabernáculo no deserto. O mar de fundição estava colocado no lado sudeste do templo (2 Cr 4: 10), em oposição ao altar de bronze que era colocado no lado nordeste.


Bacia de bronze Mar de fundição

A bacia de bronze de Moisés e o mar de fundição de Salomão

As pias de bronze

O mar de fundição tinha um propósito diferente das 10 pias de bronze ao redor do templo. As pias, cinco à direita e cinco à esquerda, serviam para se lavar nelas o que pertencia ao holocausto, mas o mar de fundição era para os sacerdotes se lavarem nele (2 Cr 4: 6). As pias estavam apoiadas sobre suportes com rodas. Os suportes (NVI, carrinhos) tinham 1,80 metros de comprimento e largura e 1,35 metros de altura. Nas placas de bronze ao seu redor havia esculturas de leões, bois e querubins, assim como nas bases dos carros. O diâmetro das rodas era de 60 cm.


Pias de bronze – templo de Salomão

Templo de Salomão – modelo

O altar de bronze (Altar do holocausto)

Quanto ao altar de bronze, ele está descrito em 2 Cr 4: 1 e tinha 9 metros de comprimento, 9 metros de largura e 4,5 metros de altura. Era para os holocaustos. Era diferente do altar do holocausto do Tabernáculo de Moisés, que era de madeira de acácia coberta de bronze (Êx 27: 1-2), medindo cinco côvados de comprimento, cinco côvados de largura e três de altura (aproximadamente 2,5 m x 2,5 m x 1,5 m).


Altar do holocausto – templo de Salomão

O Lugar Santo

Seguindo a leitura bíblica (1 Rs 6: 31-35; 2 Cr 4: 22), podemos ver que havia portas duplas de madeira de cipreste separando o Lugar Santo do Pórtico, cada qual composta de duas folhas. As janelas de gelosia (gelosia é uma grade de fasquias – ripas – de madeira cruzadas de intervalo a intervalo, que ocupa o vão de uma janela), que a bíblia chama de janelas de fasquias fixas ou janelas com grades estreitas – NIV – 1 Rs 6: 4) eram abertas e estavam próximas do teto e iluminavam o Santo Lugar com o altar do incenso, a mesa e os cinco pares de lâmpadas, ou seja, os castiçais ou candelabros (como a Menorá do Tabernáculo de Moisés).

Para a entrada no Lugar Santo também fez uma porta colocada entre dois pilares de quatro lados, cujas ombreiras eram de madeira de oliveira e as folhas de madeira de cipreste, esculpidas com querubins, flores e palmeiras e cobertas de ouro: 1 Rs 6: 33-35: “Fez, para entrada do Santo Lugar, ombreiras de madeira de oliveira; entrada quadrilateral, cujas duas folhas eram de madeira de cipreste; e as duas tábuas de cada folha eram dobradiças. E as lavrou de querubins, de palmeiras e de flores abertas e as cobriu de ouro acomodado ao lavor” (ARA); “Também fez pilares de quatro lados, de madeira de oliveira para a entrada do templo. Fez também duas portas de pinho, cada uma com duas folhas que se articulavam por meio de dobradiças. Entalhou figuras de querubins, de tamareiras e de flores abertas nas portas e as revestiu de ouro batido” (NVI).

Os painéis das paredes eram de cedro e o soalho de cipreste (a palavra hebraica usada para cipreste é berôsh = pinho), também coberto com ouro. Todas as paredes e portas tinham escultura de flores, palmeiras e querubins (cf. Ez 41: 18-19) e eram recobertas com ouro, e nenhuma pedra se via (1 Rs 6: 15; 18).


As portas do exterior do templo

As portas do exterior do templo

Os desenhos da porta exterior do templo

Os desenhos da porta exterior do templo

Palmeiras decorando as paredes do templo

A decoração das paredes – palmeiras

Querubins decorando as paredes do templo

A decoração das paredes – querubins

Menorá

A Menorá – o candelabro de sete lâmpadas – em número de dez

A menorá

Aqui nós vamos voltar ao que eu disse no início sobre algumas diferenças entre o tabernáculo de Moisés e o templo de Salomão. A Menorá é uma delas (Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24). Em Êx 37: 17 está escrito: “Fez também o candelabro de ouro puro; de ouro batido o fez; o seu pedestal, a sua hástea, os seus cálices, as suas maçanetas e as suas flores formavam com ele uma só peça”. Em hebraico é: “Vayya’as ‘eth-hammenorâh zâhâbh thâhor miqshâh ‘âsâh ‘eth-hammenorâhyerêkhâh veqânâh gebhiy’eyhâ kaphtoreyhâ upherâcheyhâ mimmennâhhâyu”. Menorá (מְנֹרָה – Strong #4501 – um substantivo feminino) significa lâmpada, candelabro, candeeiro com sete braços usado no Tabernáculo. Em 2 Cr 4: 7 (cf. 1 Rs 7: 49) está escrito: “Fez também dez candeeiros de ouro, segundo fora ordenado, e os pôs no templo, cinco à direita e cinco à esquerda [NVI – dez candelabros de ouro, de acordo com as especificações]”. Em hebraico é: “vayya’as ‘eth-menoroth hazzâhâbh ‘eser kemishpâthâm vayyittênbahêykhâl châmêsh miyyâmiyn vechâmêsh misemo’vls”. Menoroth é o plural de Menorah, e isso significa que Salomão fez 10 candelabros para colocar no Lugar Santo do templo. Na Menorá, há sete braços ao todo: uma haste central e três braços que saem de cada lado. Os candeeiros de ouro foram colocados em grupos de cinco, uns em frente aos outros no Santo Lugar, como pode ser visto no texto de 2 Cr 3: 1-14.

Estes candeeiros foram levados para Babilônia no momento da invasão de Jerusalém por Nabucodonosor (Jr 52: 17-23), que também levou a arca da Aliança do Senhor e todos os utensílios do templo. No segundo templo, construído por Zorobabel, a arca da Aliança não mais existia (Jr 3: 16), e outro candelabro de ouro teve que ser feito, outra Menorá, para ser colocada no segundo templo, junto com a mesa e os pães da proposição. Também há menção aos vasos e utensílios do templo que foram devolvidos por Ciro, quando permitiu o retorno dos judeus a Jerusalém: Ed 5: 1-2; Ed 1: 7-11. A ausência da arca no segundo templo foi um fator para torná-lo inferior ao de Salomão (Ed 3: 12; Ag 2: 3).

O Arco de Tito

No templo restaurado por Herodes, a Menorá também estava presente, mas com a destruição do templo por Tito em 70 DC, não só a Menorá, mas os demais objetos presentes no templo foram levados para Roma. Isso ocorreu na Primeira Guerra Judaico-romana (66-73 DC), às vezes chamada de grande revolta judaica, que foi a primeira de três grandes rebeliões dos judeus da Judéia contra o Império Romano.

A destruição do templo de Jerusalém não só foi um marco do cumprimento das profecias de Jesus (Mt 24: 1-2; Mc 13: 1-2), como também foi retratado em forma de relevo no Arco de Tito, em Roma. O Arco de Tito, todo feito de mármore, foi erigido como um triunfo comemorando a conquista de Jerusalém, e construído em 81 DC, após a morte do imperador por causa de uma febre. No Arco pode-se ver esculpidos a mesa com os pães da proposição, as trombetas de prata e a Menorá. Ele mede 15,4 metros de altura, 13,5 metros de largura e 4,75 de espessura. Nele, pode-se ler a seguinte inscrição:
“SENATVS·POPVLVSQVE·ROMANVS· DIVO·TITO·DIVI·VESPASIANI· (FILIO)VESPASIANO·AVGVSTO”, que significa: “O senado e o povo romano [dedicam] ao divino Tito Vespasiano Augusto, filho do divino Vespasiano”. Nunca, nenhum judeu de Roma ou de qualquer outro país da Diáspora passou debaixo do Arco de Tito; somente em 1948, quando foi fundado o Estado de Israel, pois eles passaram embaixo do arco comemorando a reconquista de sua terra e por ter sobrevivido ao Império Romano.


Arco de Tito

Escultura do arco

Detalhes da escultura do arco

No desenho acima pode-se ver com detalhes a Menorá e a mesa dos Pães da Proposição

As mesas com os Pães da Proposição

Na bíblia, em relação às mesas feitas por Salomão, elas estão relatadas em 2 Cr 4: 8; 19-20 e 1 Reis 7: 48-50. No primeiro texto está escrito: “Também fez dez mesas e as pôs no templo, cinco à direita e cinco à esquerda; também fez cem bacias de ouro... Também fez Salomão todos os utensílios do Santo Lugar de Deus: o altar de ouro e as mesas, sobre as quais estavam os pães da proposição; e os candeeiros com suas lâmpadas de ouro puro, para as acenderem, segundo o costume, perante o Santo dos Santos”. Em 1 Reis 7: 48-50 está escrito: “Também fez Salomão todos os utensílios do Santo Lugar do Senhor: o altar de ouro e a mesa de ouro, sobre a qual estavam os pães da proposição; os castiçais de ouro finíssimo, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do Santo dos Santos; as flores, as lâmpadas e as espevitadeiras [em Inglês: pinças, tenazes; NVI: as tenazes de ouro], também de ouro; também as taças, as espevitadeiras [instrumentos que cortavam o excesso de vela derretida que escorria; NVI: os cortadores de pavio], as bacias [NVI: as bacias para aspersão], os recipientes para incenso e os braseiros [NVI: as tigelas e os incensários], de ouro finíssimo; as dobradiças para as portas da casa interior para o Santo dos Santos e as das portas do Santo Lugar do templo, também de ouro”. O texto que tira a dúvida sobre o número de mesas com os pães da proposição, se havia dez ou apenas uma mesa, está em 1 Cr 28: 15-16: ...“o peso para os candeeiros de ouro e suas lâmpadas de ouro, para cada candeeiro e suas lâmpadas, segundo o uso de cada um; também o peso de ouro [estava falando sobre o ouro acumulado por Davi para construir o templo e especificado na planta que foi dada a Salomão] para as mesas da proposição, para cada uma de per si; como também a prata para as mesas de prata;...”. Assim, havia dez mesas para os pães da proposição.

A mesa significava comunhão e intimidade com Deus, e os pães, a comida e a provisão divina.


Utensílios do templo – a mesa com os pães

O altar do incenso ou altar de ouro

O altar do incenso, embora colocado defronte da arca para fora do véu, no Lugar Santo, era considerada uma peça do Santo dos Santos (Hb 9: 1-10). 1 Rs 7: 48 diz: “Também fez Salomão todos os utensílios do Santo Lugar do Senhor: o altar de ouro e a mesa de ouro [2 Cr 4: 8: mesas], sobre a qual estavam os pães da proposição”.

Não sabemos as medidas corretas do altar do incenso no templo de Salomão, mas no Tabernáculo de Moisés, ele era de madeira de acácia, coberta com ouro, e suas medidas eram: 1 côvado de comprimento, 1 de largura e 2 de altura (aproximadamente 50 cm x 50 cm x 1 m – Êx 30: 1-10; Êx 37: 25-28). Ele também tinha quatro chifres (pontas erguidas) nas suas bordas e quatro argolas dos lados por onde se passavam dois varais para poder ser carregado.

• Em Êx 30: 1-10, está escrito: “Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o farás. Terá um côvado de comprimento, e um de largura (será quadrado), e dois de altura; os chifres formarão uma só peça com ele. De ouro puro o cobrirás, a parte superior, as paredes ao redor e os chifres; e lhe farás uma bordadura de ouro ao redor. Também lhe farás duas argolas de ouro debaixo da bordadura; de ambos os lados as farás; nelas, se meterão os varais para se levar o altar. De madeira de acácia farás os varais e os cobrirás de ouro. Porás o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará. Quando, ao crepúsculo da tarde, acender as lâmpadas, o queimará; será incenso contínuo perante o Senhor, pelas vossas gerações. Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto, nem ofertas de manjares; tampouco derramareis libações sobre ele. Uma vez no ano, Arão fará expiação sobre os chifres do altar com o sangue da oferta pelo pecado; uma vez no ano, fará expiação sobre ele, pelas vossas gerações; santíssimo é ao Senhor”.

O altar do incenso é um estilo de vida de oração e o brilho do Senhor (ouro) na nossa vida, como um bom hábito que deve ser cultivado para que a nossa alma e o nosso espírito estejam em sintonia com a palavra de Deus, ou seja, com os pensamentos do Senhor para nós, e assim, possamos refletir Seu brilho e Sua verdade.


Utensílios do templo – o altar de ouro

O Santo dos Santos

Em 1 Reis 6: 31-32 está escrito: “Para a entrada do Santo dos Santos, fez folhas de madeira de oliveira; a verga com as ombreiras formavam uma porta pentagonal. Assim, fabricou de madeira de oliveira duas folhas e lavrou nelas entalhes de querubins, de palmeiras e de flores abertas; a estas, como as palmeiras e os querubins, cobriu de ouro”. E em 1 Rs 7: 50b está escrito: “... as dobradiças para as portas da casa interior para o Santo dos Santos e as das portas do Santo Lugar do templo, também de ouro”.

Isso nos mostra que entre o Santo dos Santos e o Lugar Santo não havia apenas um véu ou cortina, como descrito em 2 Cr 3: 14 (“Também fez o véu de estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino; e fez bordar nele querubins”), mas também uma porta, o que torna o templo bem mais suntuoso do que o tabernáculo no deserto, mesmo porque não seria possível carregar todas essas coisas (Êx 26: 31-37). Na bíblia não há evidência de o Santo dos Santos estar em um nível mais alto que o Lugar Santo, pois não se fala em escadas para se chegar a ele.

Onde na nossa tradução está escrito “formavam uma porta pentagonal” a tradução hebraica interpreta como 1/5 da parede divisória, portanto, 4 côvados. Alguns dizem que era porque havia cinco molduras ao redor desta porta, ao passo que a porta de entrada do templo tinha apenas quatro molduras (diferentemente do Tabernáculo de Moisés, que tinha cinco colunas do lado de fora e quatro do lado de dentro, entre o Santo dos Santos e o Lugar Santo – Êx 36: 35-38).


Portas do Santo dos Santos

As portas do Santo dos Santos. A cortina fica atrás da porta, diante da arca da Aliança

Os desenhos da porta interior do templo

Os desenhos da porta interior do templo

Os querubins no Santo dos Santos eram de madeira de oliveira e cobertos com ouro e tinham mais ou menos 5,18 metros de altura (1 Rs 6: 23). Duas asas se encontravam no centro, por cima da arca da Aliança. As outras duas asas tocavam nas paredes do norte e do sul (1 Rs 6: 23-28; 2 Cr 3: 10-13).


Os querubins no Santo dos Santos

Os querubins no Santo dos Santos estão de frente para o Lugar Santo

Os querubins no Santo dos Santos

Os querubins no Santo dos Santos

A Arca da Aliança

Quanto à Arca da Aliança há um detalhe interessante sobre a colocação dos varais, pois muitas imagens que vemos por aí não são fiéis ao relato bíblico. A bíblia diz:

• 1 Rs 8: 6-8: “Puseram os sacerdotes a arca da Aliança do Senhor no seu lugar, no santuário mais interior do templo, no Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins. Pois os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca e, do alto, cobriam a arca e os varais. Os varais sobressaíam tanto, que suas pontas eram vistas do Santo Lugar, defronte do Santo dos Santos, porém de fora não se viam. Ali, estão até ao dia de hoje.”

• 2 Cr 5: 7-10a: “Puseram os sacerdotes a arca da Aliança do Senhor no seu lugar, no santuário mais interior do templo, no Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins. (Pois os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca e, do alto, cobriam a arca e os seus varais. Os varais sobressaíam tanto, que suas pontas eram vistas do Santo Lugar, defronte do Santo dos Santos, porém de fora não se viam. Aí estão os varais até ao dia de hoje). Nada havia na arca senão as duas tábuas que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez aliança com os filhos de Israel, ao saírem do Egito.”

Isso quer dizer que os varais eram colocados no sentido da largura da arca, não no sentido do comprimento, de forma que, quando carregada, os querubins eram vistos lado a lado e não um atrás do outro. A figura abaixo mostra a colocação correta dos varais. Por isso, a bíblia diz que eles podiam ser vistos do Santo Lugar, na frente da cortina (véu) que o separava do Santo dos Santos.


A Arca da Aliança

O exterior do Templo

As paredes externas do santuário tinham a projeção de 1 côvado (no Santo dos Santos e no Lugar Santo) para suportarem as vigas de cedro de três andares das pequenas câmaras ao redor. A câmara do andar térreo tinha tamanho menor que a do andar do meio e, esta, era menor do que a do andar superior (5 côvados ou 2,59 metros de largura a 1ª câmara; 6 côvados ou 3,11 metros a 2ª, e 7 côvados ou 3,62 metros a 3ª – 1 Rs 6: 6). Uma porta ao lado sul dava acesso a uma escada em espiral para conduzir aos andares superiores (1 Rs 6: 8). Os andares da casa tinham 2,59 metros de altura e eram ligados à casa com madeira de cedro. Esses aposentos serviam de depósitos e vestiários, acomodações para os sacerdotes e armazéns para ofertas em dinheiro e mercadorias dadas pelos adoradores. Os tesouros do templo estavam ali. As câmaras serviam de tesouraria do Estado e lugar para se guardar despojos de guerra. Esses depósitos foram pilhados durante o reinado de Roboão (931-914 AC), filho de Salomão, por Sisaque do Egito (1 Rs 14: 26). Reis posteriores como Ezequias (716-687 AC; 2 Rs 18: 13-15) e Asa (911-870 AC; 1 Rs 15: 18), que haviam adornado o templo usaram do mesmo para comprar aliados ou para pagar tributo e desviar o invasor. Joás (835-796 AC) deu o ouro do templo para o rei da Síria, Hazael (2 Rs 12: 18). O rei Acaz (732- 716 AC) introduziu um altar de modelo assírio e retirou o altar do holocausto, o lavatório de bronze e as pias de bronze como sinal de sua submissão a Tiglate-Pileser III (2 Rs 16: 10-18). Josias, séculos depois (640-609 AC), necessitou reparar o templo, financiado pelas contribuições dos adoradores (2 Rs 22: 4). Finalmente, em 586 AC Nabucodonosor destruiu e pilhou o templo (586 AC; 2 Rs 24: 13-17).


Os armazéns do templo de Salomão

As colunas de bronze

• 2 Cr 3: 15-17: “Fez também diante da sala duas colunas de trinta e cinco côvados de altura [18,13 metros, as duas juntas]; e o capitel, sobre cada uma, de cinco côvados [2,59 metros]. Também fez cadeias, como no Santo dos Santos, e as pôs sobre as cabeças das colunas; fez também cem romãs, as quais pôs nas cadeias. Levantou as colunas diante do templo, uma à direita, e outra à esquerda; a da direita [NVI, sul], chamou Jaquim, e a da esquerda [NVI, norte], Boaz”.

Quanto às colunas do templo de Salomão, elas eram soltas e não suportavam o teto do Pórtico, mas estavam diante dele como parte dos móveis, não do edifício do templo. Seus nomes podem ser as primeiras palavras dos oráculos que davam poder à dinastia davídica [oráculo = profecia ou a palavra de Deus; conselho, respostas ou declarações divinas; em Hebraico, dabar, דָּבָר, ‘coisa’, ‘palavra’, Strong #1697; em Grego: λόγιον, logion, ‘respostas ou declarações divinas’, Strong #3051]: “YHWH estabelecerá teu trono para sempre” (Jaquim – Yakhin – יָכִין – Strong #3199, a da direita – sul) e “na força de YHWH o rei se regozijará” (Boaz – בעז – Strong #1162, be’õz = força – a da esquerda – norte) – 1 Rs 7: 21 e 2 Cr 3: 15-17 cf. Jr 52: 21. A altura de cada uma delas era de 18 côvados (9,32 metros – 1 Rs 7: 15), afora os capitéis sobre elas, de 5 côvados (2,59 metros) e a sua circunferência de 12 côvados (6,21 metros). 1 ‘côvado primitivo’ (também chamado côvado mosaico), aqui, usado para fins sacros, correspondia a 51,8 cm. Ela era oca, feita de bronze e com uma espessura de 4 dedos (8 cm) – Jr 52: 21. Quanto às medidas diferentes do tamanho das colunas que podemos ver em 1 Rs 7: 15 (18 côvados de altura) e 2 Cr 3: 15 (35 côvados de altura, além do capitel de 5 côvados sobre elas), podemos tirar a dúvida lendo Jr 52: 21: “Quanto às colunas, a altura de uma era de dezoito côvados, um cordão de doze côvados a cercava, e a grossura era de quatro dedos; era oca”. A altura delas era de dezoito côvados. Segundo alguns teólogos, a explicação para este fato pode ser que se trata de um erro de tradução, uma vez que os dois números (trinta e cinco e dezoito) são facilmente confundíveis em hebraico, ou o número trinta e cinco representa o comprimento original da peça fundida (as duas colunas juntas). As colunas ornamentadas ou obeliscos eram muito freqüentes nos tempos antigos.


Colunas de bronze do templo de Salomão

Colunas de bronze do templo de Salomão – detalhes

Detalhes das colunas


Todos os utensílios do templo e as colunas feitas de bronze foram fundidos na planície do Jordão, em terra barrenta, entre Sucote e Zereda (Zaretã):

• 2 Cr 4: 16-18: “Também as panelas, as pás, os garfos e todos os utensílios fez Hirão-Abi para o rei Salomão, para a Casa do Senhor, de bronze purificado. Na planície do Jordão, o rei os fez fundir em terra barrenta, entre Sucote e Zereda. Fez Salomão todos estes objetos em grande abundância, não se verificando o peso do seu bronze”.

• 1 Rs 7: 45-47: “... os caldeirões, as pás, as bacias e todos estes utensílios que fez Hirão para o rei Salomão, para a Casa do Senhor, todos eram de bronze polido. Na planície do Jordão, o rei os fez fundir em terra barrenta, entre Sucote e Zaretã. Deixou Salomão de pesar todos os utensílios pelo seu excessivo número, não se verificando, pois, o peso do seu bronze”.

O templo de Salomão foi construído em 966 AC e caiu nas mãos dos Babilônios em 586 AC, portanto, durou 380 anos.

Fontes:
• J. D. Douglas – ‘O Novo Dicionário da Bíblia’ – edições vida nova, 2ª edição 1995.
• Wikipedia.org

Este tema de encontra no anexo:

Estudo Evangélico sobre o Templo de Salomão

Estudo Evangélico sobre o Templo de Salomão (PDF)

Evangelical study about the temple of Solomon (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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