Estudo sobre Levitas e Sacerdócio Levítico, sua genealogia, sua função, os utensílios do Tabernáculo, as vestes sacerdotais, o Urim e o Tumim, as pedras no peitoral do juízo; os dízimos dos levitas, as primícias e as ofertas; as cidades dos Levitas e as cidades de refúgio.


Levitas e sacerdócio levítico




Levi foi um dos doze filhos do patriarca Jacó, e seus descendentes foram separados dentre todos os seus irmãos para servir a Deus como sacerdotes, em especial os filhos de Arão. Levi gerou Gérson, Coate e Merari. Coate gerou Anrão, Isar, Hebrom e Uziel. Da linhagem de Anrão, através de Eleazar e Itamar, o Senhor separou os sumo sacerdotes.

Descendentes de Levi [1 Cr 6: 16-30; 1 Cr 6: 31-48; 1 Cr 15: 17; 1 Cr 23: 1-32 (músicos de Davi *)]:
1) Gérson:
Libni → gerou descendência
Simei → gerações → Berequias → Asafe *
2) Coate: Anrão, Isar, Hebrom, Uziel → Hemã * (descendente de Isar)
3) Merari:
Mali → gerou descendência
Musi → Mali → gerações → Etã * (Jedutum): 1 Cr 15: 19; 1 Cr 25: 1; 3.


Genealogia de Levi


Assim, podemos entender que os Levitas eram sacerdotes que serviam o Senhor, mas somente os da linhagem de Anrão, mais especificamente de Arão, eram aptos para serem sumo sacerdotes, pois o próprio Deus estabeleceu assim, quando falou a Moisés no Sinai.

Um dos descendentes de Eleazar (filho de Arão) deu seu nome à oitava família (a família de Abias) dentre os vinte e quatro turnos de sacerdotes (1 Cr 24: 10), dos quais Zacarias (Lc 1: 5), pai de João Batista, fazia parte.

Sumo sacerdotes

Sumo sacerdotes (1 Cr 6: 1-15; 49-53): Arão → Eleazar → Finéias → Abisua → Buqui → Uzi → Zeraías → Meraiote → Amarias → Aitube → Zadoque (na época de Davi) → Aimaás → Azarias → Joanã → Azarias (na época de Salomão) → Amarias → Aitube → Zadoque → Salum → Hilquias → Azarias (2 Cr 31: 10 – sumo sacerdote no tempo de Ezequias) → Seraías (Jr 52: 24 – levado cativo para a Babilônia juntamente com Sofonias, o segundo sacerdote) → Jeozadaque (levado cativo para a Babilônia) → Período pós-exílico: Jesua ou Josué (520 AC, durante o período dos profetas Zacarias (520-480 AC) e Ageu (520 AC): Ed 2: 2; Ed 3: 2; Ed 10: 18; Ne 12: 1; 10-11; Ag 1: 12; Ag 2: 2; Zc 3: 1) → Joiaquim (Ne 12: 10 – 480 AC) → Eliasibe (Ne 3: 1; Ne 12: 10; 22; Ne 13: 4; 7; Ne 13: 28 – 458-443 AC) → Joiada (Ne 12: 10; 22; Ne 13: 28 – 420 ou 415 AC). Provavelmente Eliasibe e Joiada foram contemporâneos do profeta Malaquias (450-400 AC), o período que, segundo alguns estudiosos, coincide com o retorno de Neemias à Pérsia após seus 12 anos como governador em Jerusalém (Ne 5: 14; Ne 13: 6), voltando novamente à cidade (Ne 13: 6); por isso, Malaquias reprovou os sacerdotes, que estavam negligenciando seu ofício → Jônatas (ou Joanã, Ne 12: 10; 22 – 408-336 AC) → Jadua (Ne 12: 10; 22 – 340 ou 336 AC, um pouco antes de Alexandre o Grande (333-323 AC) subir ao poder e derrotar o império persa, cujo último governante foi Dario III; Jadua se encontrou com Alexandre em 332 AC) → Período Intertestamentário (com início em 397 AC, sob a ótica espiritual, i.e., profética, após o período de Malaquias) → listagem histórica, não bíblica (fonte: wikipedia.org) → Período Ptolomaico sobre a Palestina (323-198 AC): Onias I → Simão I → Simeão, o Justo → Eleazar → Manassés → Onias II (por volta de 234 AC) → Período dos Selêucidas sobre a Palestina (198-167 AC; sacerdotes escolhidos pelos Selêucidas): Simão II → Onias III (185-175 AC) → Jason (175-172 AC) → Menelau (172-162 AC) → Alcimus (162-153 AC) → Revolta dos Macabeus, sob o comando de Matatias Hasmon no vilarejo chamado Modiín. Matatias era sacerdote, mas não há prova alguma sobre pertencer à linhagem de Arão. Ele era pai de cinco filhos: Simão, Judas (o macabeu), Eleazar, João e Jônatas. Matatias faleceu na revolta, e seu filho Judas Macabeu (160-153 AC) foi nomeado general. Finalmente, os Macabeus expulsaram as tropas de Antíoco IV (Rei Selêucida) de Jerusalém. A Revolta dos Macabeus durou de 167-160 AC. Judas Macabeu faleceu e foi sucedido por seu irmão Jônatas, que se tornou sumo sacerdote em Jerusalém por indicação do rei Selêucida Antíoco VI Dionísio (144-142 AC) → Dinastia Hasmoneana sobre Israel (167-63 AC): Jônatas Macabeu (153-143 AC) → Simão Macabeu (143-135 AC) → João Hircano I (o filho mais novo de Simão Macabeu – 135-104 AC) → Aristóbulo I (nascido com nome Judas, o filho mais velho de João Hircano I – 104-103 AC) → Alexandre Janeu (103-76 AC. Alexandre, filho de João Hircano I, herdou o trono de seu irmão Aristóbulo I, casando-se com a viúva deste, Salomé Alexandra, de acordo com a lei do levirato) → Rainha Salomé Alexandra e João Hircano II (76-67 AC), filho mais velho dela com Alexandre Janeu → Aristóbulo II (67-63 AC – outro filho de Salomé e Alexandre Janeu) → João Hircano II (restaurado – 63-40 AC. A neta de João Hircano II, Mariamne I, foi a 2ª esposa de Herodes o Grande) → Antígono (40-37 AC), o filho de Aristóbulo II. Antígono foi o último rei da dinastia Hasmoneana → Em 65-64 AC, o Império Selêucida foi anexado à República Romana. Assim, terminou também o Período Hasmoneano, e teve início o Período Romano, quando Pompeu invadiu Jerusalém (63 AC) e Herodes, o Grande, subiu ao poder como rei → Dinastia Herodiana: Herodes era filho de Antípatro, um Idumeu (ou Edomita), colocado pelo general romano Pompeu como procurador da Palestina em 67 AC. Antípatro prosperou na corte dos últimos soberanos Hasmoneus e passou a governar a Judéia após a ocupação romana → Herodes, o Grande, nomeou como sumo sacerdote a Ananelus (37-36 AC), sucedido por Aristóbulo III da Judéia (36 AC). Aristóbulo III era cunhado de Herodes, o Grande, e irmão de Mariamne I; foi assassinado por Herodes, que já havia assassinado João Hircano II da Judéia 36 AC → Ananelus (restaurado – 36-30 AC), Joshua ben Fabus (30-23 AC) → Simon ben Boethus (pai de Mariamne II, que se casou com Herodes, o Grande) → Joazar ben Boethus (4 AC) → Eleazar ben Boethus (4-3 AC) → Anás (6-15 DC – Ananus ben Seth ou Anás ben Sete, o pai, o Anás dos Evangelhos) → Caifás (18-36 DC – genro de Anás: Lc 3: 2; Jo 18: 13. Escolhido pelos romanos para o cargo).
Os cinco filhos de Anás também serviram como sumo sacerdotes:
• Eleazar ben Anás (16-17 DC)
• Jônatas ben Anás (36-37 DC, após a morte de Caifás)
• Teófilo ben Anás (37-41 DC)
• Matias ben Anás (43 DC)
• Anás ben Anás (63 DC)

As cidades dos levitas e as cidades de refúgio

• Nm 35: 2-3; 6-7: “Dá ordem aos filhos de Israel que, da herança da sua possessão, dêem cidades aos levitas, em que habitem; e também, em torno delas, dareis aos levitas arredores para o seu gado. Terão eles estas cidades para habitá-las; porém os seus arredores serão para o gado, para os rebanhos e para todos os seus animais... Das cidades, pois, que dareis aos levitas, seis haverá de refúgio, as quais dareis para que, nelas, se acolha o homicida; além destas, lhes dareis quarenta e duas cidades. Todas as cidades que dareis aos levitas serão quarenta e oito cidades, juntamente com os seus arredores”.

Eles receberam cidades para habitar, no meio das demais tribos:

As cidades dos Levitas estão descritas em Js 21: 1-45, e são ao todo 48 cidades (Js. 21: 4-7): Quiriate-Arba (ou Hebrom, e também cidade de refúgio para o homicida), Libna, Jatir, Estemoa, Holom, Debir, Aim, Jutá, Bete-Semes, Gibeão, Gaba, Ananote, Almom, Siquém (na tribo de Efraim e também cidade de refúgio para o homicida), Gezer, Quibzaim, Bete-Horom, Elteque, Gibetom, Aijalom, Gate-Rimom (na tribo de Dã), Taanaque, Gate-Rimom (na tribo de Manassés), Golã (na tribo de Manassés e também cidade de refúgio para o homicida), Beesterá, Quisião, Daberate, Jarmute, En-Ganim, Misal, Abdom, Helcate, Reobe, Quedes (em Naftali e também cidade de refúgio para o homicida), Hamote-Dor, Cartã, Jocneão, Cartá, Dimna, Naalal, Bezer (na tribo de Rúben e também cidade de refúgio para o homicida), Jaza, Quedemote, Mefaate, Ramote (em Gileade e também cidade de refúgio para o homicida), Maanaim, Hesbom e Jazer. A bíblia diz no v. 41: “As cidades, pois, dos levitas, no meio da herança dos filhos de Israel, foram, ao todo, quarenta e oito cidades com seus arredores”.

Assim, as cidades de refúgio para o homicida eram: Hebrom, Siquém, Golã, Quedes, Bezer, Ramote-Gileade (6 ao todo).

Os encargos dos levitas na tenda da congregação

• Nm 4: 15-16; Nm 4: 24-28; Nm 4: 29-33 – encargos dos levitas na tenda da congregação. Os Levitas serviam dentro do santuário, no Lugar Santo e no Santo dos Santos. No Antigo Testamento muitos eram os encargos dos levitas, não só cantar, como pensam alguns. Em 1 Cr 23; 24; 25 e 26, um pouco antes de construído o templo por Salomão e a arca da Aliança não mais precisar ser carregada sobre seus ombros para nenhuma parte de Israel, a bíblia nos informa as funções dos sacerdotes e dos levitas (determinadas por Davi): conservavam os utensílios do templo, deslocavam os móveis, assavam os pães da proposição, guardavam suprimentos para sacrifício, eram músicos, administradores (guarda dos tesouros do templo), assistentes dos sacerdotes nos rituais, porteiros oficiais, juízes (1 Cr 23: 4).

Seu serviço era feito em 24 turnos, em revezamento (1 Cr 24: 1-31). Eles eram separados a cada semana duas vezes por ano para realizar seu sacerdócio. Mas devemos nos lembrar também das orientações anteriores dadas por Deus a eles, quando o templo ainda não havia sido construído: eles conservavam os utensílios do templo, por exemplo, eles deveriam manter o candelabro aceso todos os dias, queimavam incenso no altar de ouro duas vezes por dia, removiam as cinzas do altar, deslocavam os móveis (levavam a Arca da Aliança sobre os ombros, a mesa com os pães da proposição, o altar do incenso e o altar de bronze pelos seus varais – Êx 25: 26; Êx 27: 7; Êx 30: 27-4); preparavam o óleo da santa unção, assavam os pães da proposição, guardavam suprimentos para sacrifício, mantinham o fogo ardendo perpetuamente sobre o altar do holocausto etc.

A família de Coate cuidava dos utensílios do tabernáculo, após Arão e seus filhos os cobrirem; aí eles os carregavam, inclusive a arca da Aliança. Arão e seus filhos cuidavam do sacerdócio propriamente dito, de servir no Santo dos Santos e no Lugar Santo, portanto, cuidavam dos objetos sagrados, do Lugar Santo e do Santo dos Santos (A liderança era de Eleazar, filho de Arão: Nm 3: 31; Nm 4: 3 e Nm 4: 16-20). A família de Gérson cuidava de carregar as cortinas e os reposteiros, assim como os demais utensílios da tenda da congregação, que não os objetos sagrados; e a família de Merari era responsável pelos objetos, pelas estacas e por tudo o mais que estava no pátio externo da tenda da congregação, além das tábuas do Tabernáculo. Essas duas últimas famílias estavam debaixo do comando de Itamar, 2º filho de Arão: Nm 3: 25-26; Nm 3: 36-37; Nm 4: 21-28; Nm 4: 29-33. Portanto, cada um desempenhava sua própria função. Isso para nós é muito importante, porque é o trabalho conjunto de cada membro da Igreja que ajuda a mantê-la em ordem e ajuda o sacerdote na sua função que é a oração e o ministério da palavra. Da idade de trinta anos até os cinqüenta os levitas eram separados para servir ao Senhor (Nm 4: 3; 23; 30; 43). Davam o dízimo dos dízimos que recebiam do povo ao sacerdote (Nm 18: 26; Nm 18: 28-29; Ne 10: 37-38). A eles foram dadas cidades para habitarem (“as cidades dos levitas”) no meio das tribos de Israel, ao todo quarenta e oito cidades. Por colocarem as coisas de Deus acima das coisas pessoais, inclusive da própria família, é que Moisés os abençoou, pedindo a Deus que os guardasse de todo o mal e os livrasse de todos os seus inimigos (Dt 33: 8-11).

Hoje, após a vinda de Jesus, a bíblia diz que nós somos os sacerdotes do Senhor na terra e devemos exercer nosso ofício com toda a santidade (1 Pe 2: 9: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”). Através das nossas atitudes de adoração, fidelidade e louvor sincero a Jesus, muitos serão resgatados das trevas e largarão os falsos deuses para conhecer a verdadeira luz, que é o Filho de Deus.

O Tabernáculo do Senhor, seus utensílios e significado

Vamos falar um pouco sobre o Tabernáculo do Senhor, construído após a saída do Seu povo do Egito:

Depois da saída dos filhos de Israel do Egito, quando estavam no deserto, Deus ordenou que fosse construído um santuário para que o povo pudesse distinguir entre as coisas sagradas e as coisas mundanas. Ele precisava de um lugar consagrado, separado das demais coisas, para poder ser adorado integralmente. Hoje, como filhos de Deus, esta é a ordenança que temos: construir dentro de nós um lugar santo onde Ele possa estar em privacidade conosco e poder nos falar, nos tratar e nos dirigir, da mesma forma que fez com Moisés. Está escrito:

• 1 Co 3: 16-17: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”.
• 1 Co 6: 15-20: “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente não. Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne. Mas aquele que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois glorificai a Deus no vosso corpo”.

O que podemos entender é que nós somos o verdadeiro santuário de Deus, não feito por mãos humanas, mas pelo Espírito Santo vivendo no nosso corpo, na nossa alma e no nosso espírito e querendo ocupar todo o espaço que Lhe pertence, uma vez que não somos mais de nós mesmos. Se fizermos uma comparação com o tabernáculo ordenado pelo Senhor a Moisés (Êx 25; Êx 26; Êx 27; Lv 24: 1-9), vamos notar coisas interessantes:

O Tabernáculo era dividido em três partes: O Santo dos Santos, onde ficava a arca da Aliança, e era separado do Santo Lugar por um véu espesso. Lá entrava apenas o sumo sacerdote uma vez por ano para oferecer sacrifício pelo pecado (no dia da Expiação). O Lugar Santo (Santo Lugar) era onde ficava a mesa com os pães da presença ou pães da proposição (ao norte) e o candelabro (ao sul). Defronte do véu, no Lugar Santo, mas na frente da arca da Aliança, havia também o altar do incenso ou altar de ouro, onde Arão e seus filhos queimavam incenso duas vezes por dia como ofertas contínuas ao Senhor, e uma vez por ano fazia expiação sobre ele passando o sangue da oferta pelo pecado em nome da congregação de Israel (Êx 30: 10). Embora colocado no Lugar Santo, o altar de ouro era considerado uma peça do Santo dos Santos. Para fora do Santo Lugar ficava o Átrio Exterior com a bacia de bronze para os sacerdotes lavarem as mãos e os pés e o altar do holocausto, onde se faziam os sacrifícios pelo povo. Além do Átrio Exterior, estava o Pátio dos Gentios (quando foi construído o templo de Herodes) onde os estrangeiros só poderiam ter um vislumbre do interior do templo através de uma balaustrada que eles não poderiam ultrapassar. Separando o Lugar Santo do Santo dos Santos havia um véu espesso, como já dissemos, que simbolizava a separação entre o santo e o profano, entre Deus e os homens. Como também dissemos, no Santo dos Santos havia a arca da Aliança e ali só podia entrar o sumo sacerdote uma vez por ano para adorar ao Senhor e fazer expiação pelos seus pecados e pelos do povo (Lv 16: 14-16; 18-19; 30; 33; 34; Hb 9: 25). Foi o véu que se rasgou quando Jesus morreu na cruz, simbolizando que Sua morte estava rompendo a separação entre nós e Deus. A partir daquele momento, Ele, como sumo sacerdote, estava fazendo o sacrifício definitivo para nos dar livre acesso ao coração do Pai. O templo assim construído tem uma semelhança com o nosso ser e com a nossa vida. O Átrio Exterior representa nossos relacionamentos sociais em que muitas pessoas nos vêem, nos cumprimentam, mas conhecem pouco de nós. O Lugar Santo é a nossa alma, da qual participam pessoas mais próximas como a família e os amigos que nos conhecem melhor e sabem do que se passa no nosso coração. No Santo dos Santos, que corresponde ao nosso espírito, onde estão os mais íntimos dos nossos desejos e nosso verdadeiro eu, aí só o Espírito de Deus tem acesso.

O candelabro significa a luz, o Espírito Santo com os israelitas (a glória do Senhor). A mesa significa comunhão e intimidade com Deus e os pães, a comida e a provisão divina. A arca com o povo simbolizava que YHWH estava com eles. Hoje, somos nós que carregamos Sua presença para onde formos. Dentro do nosso coração deve haver o fogo do Espírito queimando constantemente (a chama acesa no candelabro), o amor pela Sua obra (o fogo aceso no altar) e o louvor, pois é ele que nos aproxima do trono. Quanto ao outro encargo dos levitas (queimar incenso no altar de ouro duas vezes por dia) nós podemos nos lembrar do que está escrito em:
• Ap 5: 8: “E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos”.
• Ap 8: 3-4: “Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos”.

Assim, fica claro que nós como sacerdotes de Cristo queimamos diante Dele todos os dias o incenso da nossa oração. E, como sacerdotes, nós removemos as cinzas que ficaram, ou seja, aquilo que não tinha mais motivo de estar dentro do nosso ser e foi entregue ao Senhor em oração. O fogo do Seu Espírito queimou o mal e nos avivou.

Os dízimos dos Levitas

Antes de falarmos sobre as vestes sacerdotais, ainda existe algo a ser dito sobre os Levitas:

Desde o princípio, Deus separou os filhos da tribo de Levi para a Sua obra e não lhes deu possessão entre os seus irmãos. Seus irmãos lhes trariam os dízimos e as ofertas para suprir suas necessidades materiais, enquanto eles se preocupariam em lhes dar o suprimento espiritual. Fazendo assim, o povo era abençoado e não faltaria alimento na Casa do Senhor: Nm 3: 6-12; Nm 3: 41; Nm 4: 1-3; Nm 18: 6; 8; 14; 20-21; 23-24; Dt 10: 8-9; Dt 12: 11-12; 19; Dt 14: 27; Dt 18: 1-8; Js 13: 33; Js 14: 4b-5; Js 18: 7a.
• Ez 44: 28-30: “Os sacerdotes terão uma herança; eu sou a sua herança. Não lhes dareis possessão em Israel; eu sou a sua possessão. A oferta de manjares, e a oferta pelo pecado, e a oferta pela culpa eles comerão; e toda coisa consagrada em Israel será deles. O melhor de todos os primeiros frutos de toda espécie e de toda oferta serão dos sacerdotes; também as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote, para que faça repousar a bênção sobre a vossa casa”.

Os levitas davam o dízimo dos dízimos de todas as dádivas que recebiam, e tinham de ser dados ao sumo sacerdote:

• Nm 18: 26: “Também falarás aos levitas e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por herança, deles apresentareis uma oferta ao Senhor: o dízimo dos dízimos”.
• Nm 18: 28-29: “Assim, também apresentareis ao Senhor uma oferta de todos os vossos dízimos que receberdes dos filhos de Israel e deles dareis a oferta do Senhor a Arão, o sacerdote. De todas as vossas dádivas apresentareis toda oferta do Senhor: do melhor delas, a parte que lhe é sagrada”.
• Ne 10: 37-38: “As primícias da nossa massa, as nossas ofertas, o fruto de toda árvore, o vinho e o azeite traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do nosso Deus; os dízimos da nossa terra, aos levitas, pois a eles cumpre receber os dízimos em todas as cidades onde há lavoura. O sacerdote, filho de Arão, estaria com os levitas quando estes recebessem os dízimos, e os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro”.

Hoje, a lavoura simboliza o seu emprego, a sua profissão, de onde você tira os frutos do seu trabalho para a sua sobrevivência.

Os levitas também eram isentos de impostos:
• Ed 7: 24: “Também vos fazemos saber, acerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, de todos os que servem nesta Casa de Deus, que não será lícito impor-lhes nem direitos, nem impostos, nem pedágios”.

Hoje, figurativamente para nós, o Sacerdote Levita é todo aquele que exerce o cargo de liderança como sacerdote, por exemplo, o pastor da igreja, e os que o auxiliam na instrução do povo, e que foram separados para esse ofício e muitas vezes não têm trabalho secular. Foram separados por Deus apenas para o ministério. A bíblia diz que o Sacerdote Levita, ou seja, o pastor recebe o dízimo do povo e dá o seu dízimo a Deus, ou seja, o dízimo dos dízimos que ele recebe, sendo usado na obra da Casa de Deus.

Outras referências bíblicas sobre Levitas:

• Lv 10: 8-11; Lv 21: 1-24 – leis para os sacerdotes
• Nm 1: 47-54 – os levitas não foram contados no censo do povo de Israel
• Dt 33: 8-11– a tribo de Levi é mencionada na bênção de Moisés

As vestes do sumo sacerdote e dos sacerdotes

As vestes dos sacerdotes são descritas em Êx 39: 1-31 e Êx 28: 1-43. O Senhor orienta Moisés a fazer para eles calções de linho, túnicas, cintos e tiaras (Êx 28: 40-43). O linho representa os atos de justiça dos filhos de Deus (Ap 19: 8), portanto, santidade, que não pode se misturar com as vestes do pecado do mundo. Por isso, Ele falou aos sacerdotes sobre trocar as vestes ao se aproximar dos outros que não eram sacerdotes (Ez 44: 19; Lv 16: 23-24), ou seja, não podemos conversar ou discutir a palavra de Deus no mesmo nível com aqueles que não a compreendem ainda, que não conseguem entendê-la na sua essência, pois escarneceriam dela e a desprezariam. Seria como dar pérolas finíssimas a porcos. Na Antiguidade, o suor era sinal de impureza, por isso, a orientação para os sacerdotes era para não usarem lã, para que não suassem (Ez 44: 17-18). Para nós, isso significa que um sacerdote não precisa usar “roupas pesadas”, ou seja, conhecimentos que não têm a sabedoria de Deus, tampouco, sentimentos e pensamentos impuros do mundo, pois trazem um fardo desnecessário à sua vida, além de não agradar ao Senhor. As vestes de linho dos sacerdotes foram tecidas com o linho trazido do Egito. Samuel usava uma estola de linho (1 Sm 2: 18); Davi dançou diante da arca usando uma estola de linho (2 Sm 6: 14). Parece que o uso do linho estava associado com pessoas especiais, santas. O linho e o linho fino eram reputados como presentes preciosos a uma mulher amada por algum homem (Ez 16: 10 e 13, quando Deus compara Jerusalém à sua noiva). Por isso, a bíblia diz que o Senhor separou para a Sua Igreja, para a Sua noiva, vestes de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos (Ap 19: 8).

A estola sacerdotal, o éfode (אפוד – Strong #646, substantivo masculino) era uma antiga vestimenta, uma túnica feita de linho fino trançado (a bíblia fala: ‘retorcido’) e fios de ouro, e fios de tecido carmesim (vermelho), azul e púrpura (roxo) – Êx 39: 2, feita em duas partes. A parte da frente era separada da parte de trás, e as duas eram unidas junto aos ombros com argolas douradas fixados por uma pedra de ônix, como ombreiras, e onde foram escritos os nomes das doze tribos de Israel. Foram colocados seis nomes em ordem de nascimento em um ombro, e seis no outro (Êx 28: 10). A estola sacerdotal era utilizada pelo sumo sacerdote ao apresentar-se a Deus no Lugar Santo do templo. O cinto sobre a estola sacerdotal era do mesmo tecido (Êx 39: 5).

O peitoral (Êx 39: 8-21) era feito do mesmo material da estola, de forma quadrada e dupla. Tinha o comprimento de um palmo, e a largura de um palmo (Êx 39: 9 cf. Êx 28: 16), ou seja, 22 centímetros quadrados, onde foram colocadas quatro ordens de pedras preciosas (quatro filas de três pedras), num número de doze, correspondendo ao número das doze tribos de Israel. Isso simbolizava para os Judeus a unidade do povo de Deus, enquanto a posição das pedras no peito de Arão fala do afeto de Deus para com o Seu povo. No peitoral do juízo foram colocados o Urim e o Tumim (Êx 28: 30). Eram dois objetos achatados por meio dos quais a vontade de Deus era consultada. Os dois tinham de um lado escrita a palavra Urim, derivada de ’ãrar (amaldiçoar); de outro estava escrita a palavra Tumim de tãmam (ser perfeito). Se ao lançar a sorte, as duas faces do Urim ficassem para cima, significava um ‘não’ de Deus. Se fossem os dois Tumim, significava ‘sim’, e se fosse um Urim e outro Tumim, significava ‘sem resposta’. Como no AT não havia a distribuição do Espírito Santo sobre todas as pessoas, somente sobre o líder, com o qual Deus falava pessoalmente (no caso, Moisés, irmão de Arão), as consultas a Ele eram feitas pelo sacerdote através desses dois objetos. Mas somente aos sacerdotes isso era delegado. Depois da vinda de Jesus, o Espírito Santo começou a falar com todos os Seus filhos (At 1: 23-26 – aqui é a única vez no NT que se menciona a sorte como meio de escolha divina; At 13: 1-3 – aqui já havia profetas, por meio dos quais o Espírito Santo falava). O mais importante para nós, hoje, é que devemos consultar o Senhor sempre, em todas as circunstâncias das nossas vidas, e ouvir com clareza a voz do Seu Espírito em nosso coração para podermos tomar a direção correta.

Por baixo da estola havia uma túnica ou manto de cor azul (a bíblia chama de sobrepeliz), em uma única peça, com uma abertura por onde se passava a cabeça, e não tinha mangas. Era mais comprido que a estola sacerdotal. Na sua borda havia campainhas (sinos) de ouro puro entre romãs de tecido azul, carmesim e linho retorcido (Êx 39: 22-26). Os sinos e as romãs se alternavam por toda a borda do manto. Os sinos soavam quando o sacerdote se movia, e isso transmite a idéia de escutar a Deus enquanto o servimos, e traz também a idéia de um serviço com alegria. O som dos sinos poderia ser ouvido quando Arão entrava no Santo Lugar diante do Senhor, e o seu povo, ao escutar, saberia que ele não tinha sido morto na presença de Deus, mas que a sua oferta por eles havia sido aceita. A romã é uma fruta muito conhecida e popular no oriente e dela se faz xarope, suco e remédio adstringente. Isso significa que as romãs simbolizam a frutificação (ela tem sementes abundantes) e a Palavra de Deus como alimento espiritual e remédio para nós.

Sobre o corpo, embaixo da estola sacerdotal e da sobrepeliz, havia uma túnica de linho fino e o calção de linho. As túnicas de linho eram longas e soltas, do cinto para baixo. Por isso, o Senhor falou para Moisés que os Levitas deveriam usar os calções de linho, que se estendiam da cintura até os joelhos (Êx 39: 28; Êx 28: 42-43; Lv 16: 4). Os calções ficavam escondidos pela túnica, e não permitiam que a nudez do sacerdote ficasse exposta (Êx 20: 24-26). Quanto a essa precaução sobre a nudez do sacerdote, era por causa do seu ofício sagrado, para não despertar em ninguém nenhum tipo de sentimento contrário à reverência ao Senhor, caso suas vestes balançassem com o vento ou, se ele tivesse que subir os degraus para o altar do holocausto, que ficava a uma altura de 4,5 metros no templo de Salomão. No tabernáculo de Moisés, altura do altar do holocausto era de 1,5 m; portanto, a escada não era necessária. É interessante que os calções de linho (roupa de baixo) eram permitidos naquela época apenas aos sacerdotes, não aos homens do povo.

Na cabeça, o sumo sacerdote usava a mitra de linho fino. A lâmina ao redor da mitra era de ouro e nela estava gravada a frase: “Santidade ao Senhor”. A lâmina era presa à parte superior da mitra por um fio azul (Êx 39: 30-31). Ela era uma lembrança constante da aliança de santidade para o povo de Israel e para o sumo sacerdote em seu chamado.

Para os demais sacerdotes havia a mesma túnica longa de linho com mangas compridas e sem costura, tudo tecido numa só peça; também as tiaras (como um turbante, mas de forma cônica), os calções de linho da cintura até as coxas, e o cinto de linho, de estofo azul, púrpura e carmesim bordado (Êx 39: 27-29).


As vestes do sumo sacerdote As vestes dos sacerdotes levitas O urim e o tumim
As vestes do sumo sacerdote e dos sacerdotes levitas / O urim e o tumim

Calção de linho dos levitas Pedras no peitoral do juízo Mitra do sumo sacerdote
Calção de linho dos levitas / As pedras no peitoral do juízo usado pelo sumo sacerdote /
A mitra com a placa escrita: “Santidade ao Senhor”

Tabernáculo
A vista exterior do Tabernáculo...

Bacia de bronze Altar do holocausto
... com a bacia de bronze para a purificação dos sacerdotes e o altar do holocausto

Mobília do Tabernáculo
A vista interior do tabernáculo e sua mobília no Lugar Santo e no Santo dos Santos:

Altar do incenso Mesa com os pães da proposição
O altar de ouro (altar do incenso) e a mesa com os pães da proposição (ao Norte)

Candelabro Arca da Aliança
O candelabro de ouro (ao Sul) e a Arca da Aliança no Santo dos Santos

O véu do santuário se rasgou Jesus, o sumo sacerdote


Quando Jesus morreu na cruz, o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo (Mt 27: 51a), mostrando com isso que Sua morte havia acabado com a separação entre Deus e o homem por causa do seu pecado. Hoje, nosso sumo sacerdote é Jesus (Hb 2: 17; Hb 4: 14-15; Hb 7: 26; Hb 8: 1-3; Hb 9: 11).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no anexo:


Levitas e sacerdócio Levítico (PDF)

Levitas e sacerdócio Levítico (PDF)

Levites and Levitical priesthood (PDF)


Tabela de Genealogias bíblicas (PDF)

Tabela de Genealogias bíblicas (PDF)

Table of Biblical genealogies (PDF)

Tabela e sugestão de livro:


livro evangélico: De volta ao altar

De volta ao altar (alegoria)

Back to the altar (Allegory)

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