Conheça o significado de algumas palavras e expressões hebraicas, que normalmente se encontra na bíblia: Mazzaroth, Tehom (abismo); Tohu VaVohu; Abadom ou Apoliom; Urim e Tumim; o tanque de Silóe; a expressão ‘até que venha Siló’; Nazireu e Nazireado.


Palavras hebraicas bíblicas




1) Mazzaroth

Em Jó 38: 31-32 está escrito: “Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo [se refere à constelação de Plêiades] ou soltar os laços do Órion? Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco* ou guiar a Ursa** com seus filhos?” [NVI: Pode fazer surgir no tempo certo as constelações (ou a estrela da manhã)? Ou fazer sair a Ursa com seus filhotes?].

Zodíaco*, aqui, não tem nenhuma referência à astrologia ou aos “signos”. Em astronomia, o zodíaco é o anel de constelações em linha elíptica, que é o caminho aparente do sol em toda a esfera celeste ao longo do ano. Em sua maioria as constelações têm nomes de animais, daí o nome ‘Zodiacais’, do grego zōdiakos; ‘zoo’, que quer dizer ‘animal’ e ‘diakós’, que quer dizer ‘círculo’, ou ‘círculo dos animais’. A palavra hebraica usada neste texto é Mazzaroth (Mazzâroth), cujo significado é incerto e, nas inúmeras traduções bíblicas, é entendido como: constelações, zodíaco, estrelas, estrelas em sinais do sul, estrela da manhã, estrela do dia, lúcifer, luciferum (vulgata latina). Esta palavra, Mazzaroth (Mazzâroth), só aparece esta vez na bíblia (Jó 38: 32). Os doze nomes das doze constelações do zodíaco são de origem pré-diluviana.

Quanto à palavra Ursa** neste verso, se refere a Arcturus (escrita na KJV: “Canst thou bind the sweet influences of Pleiades or loose the bands of Orion? Canst thou bring forth Mazzaroth in his season? or canst thou guide Arcturus with his sons?” – “Podes tu atar as cadeias das Plêiades ou soltar os laços do Órion? Ou fazer surgir Mazzaroth (as constelações) no tempo certo? ou podes tu guiar Arcturus com seus filhos?”), que é a estrela mais brilhante no hemisfério Norte e a quarta estrela mais brilhante no céu (1º, o nosso sol; 2º Sirius, 3º Pollux). Acima de Arcturus, há quarto estrelas mais brilhantes – Rigel, Aldebaran, Betelgeuse, Antares. Arcturus possui o mesmo nome do antigo grego Arktouros, que significa “guardião do urso”, porque é a estrela mais brilhante próxima às Ursas Maior e Menor. O tamanho de Arcturus é aproximadamente 30 vezes maior que o do Sol. Está cerca de 33 anos-luz de distância do sistema solar e brilha 110 vezes mais do que este. Grande parte da luz que emana é infravermelha e invisível ao olho humano. Maior que Arcturus é Antares, que está distante 600 anos-luz da Terra, é 700 vezes maior que nosso sol e brilha 10 mil vezes mais do que este. Está na Constelação de Escorpião. Nesta proporção, o nosso sol é invisível.


Zodíaco Plêiades
À esquerda, o Zodíaco (Mazzaroth). À direita as Plêiades (Sete-Estrelo) – grupo de 7 estrelas chamadas ‘Estrelas Azuis’

Grandes Estrelas
As grandes estrelas – nosso sol, Sirius, Pollux, Arcturus, Rigel, Aldebaran, Betelgeuse e Antares.

Órion
A constelação de Órion. A estrela branca brilhante no alto à direita é Aldebaran

2) Tohu VaVohu

Em Gn 1: 2 está escrito: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” – cf. Jr 4: 23: “Olhei para a terra, e ei-la sem forma e vazia; para os céus, e não tinham luz”.
Vamos comparar com a bíblia hebraica (Gn 1: 1-2):

1 Bereshit bara Elohim et hashamayim veet haarets (No princípio criou Deus os céus e a terra).
2 Vehaarets haytah tohu vavohu vechosher al pney tehom veruach Elohim merachefet al pney hamayim (E a terra era sem forma e vazia, além de trevas sobre a face da profundeza (abismo); e o Espírito de Deus repousava sobre a face das águas).

A palavra usada para ‘criou’ é ‘bara’ (pronuncia-se ‘bará’), que indica uma criação de algo a partir do nada.
A expressão Tohu VaVohu seria explicado como: ‘um substrato amorfo e maleável a partir do qual todos os outros elementos se formaram’. O Rabino Rashi, no século XI, se referiu àquela expressão como um ‘vazio incrível’. Já o Rabino Samson Raphael Hirsch descreve Tohu VaVohu como: ‘surpreendentemente caótica’. Mas o significado da expressão Tohu VaVohu é ‘um substrato amorfo e maleável’ a partir do qual todos os outros elementos se formaram. Mesmo porque a tradução diz: “E a terra era sem forma e vazia”. Ela não diz: “E se tornou sem forma e vazia”. Portanto, não poderia haver caos. Satanás, ao cair, não deixou caos na Terra porque ela ainda não havia sido formada. Ele deixou o caos no mundo espiritual. Em Isaías está escrito:
• Is 45: 18: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor, e não há outro”.

Isso quer dizer que o Senhor fez a Terra, provavelmente, a partir de gases e nuvens de poeira cósmica, que não têm forma de nada, como podemos ver nas chamadas ‘nebulosas’, ou seja, regiões de formação estelar, o ‘berçário’ de um grande número de planetas e de sistemas planetários do Universo.

3) Tehom

Quanto à palavra ‘abismo’, em hebraico ‘tehom’, nós podemos dizer:
Os escritores bíblicos concebiam o céu físico como uma taça invertida, o firmamento, onde o sol fazia a sua peregrinação diária através dele e onde havia janelas através das quais a chuva podia cair: “No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram” (Gn 7: 11). A palavra hebraica tehôm (lugar profundo), foi traduzida como abismo: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gn 1: 2), com referência à idéia primitiva de uma vasta massa de água sobre a qual o mundo flutuaria ou com referência ao mundo inferior (habitação de demônios, o lugar dos mortos, o lugar de tormento). Por isso, está escrito que Lúcifer foi lançado para o lugar dos mortos, “para o mais profundo abismo” – Is 14: 15 (abismo – em hebraico neste texto: bowr, Strong #953, que significa: um poço, especialmente usado como cisterna ou prisão; masmorra, fonte, poço, buraco) – cf. Mt 11: 23; Lc 10: 15, onde a ARA usa a palavra ‘inferno’ (em grego, Hades, o equivalente da palavra hebraica Seol).

4) Abadom ou Apoliom

Na bíblia, apenas três anjos têm seus nomes revelados: Miguel, Gabriel e Apoliom (Abadom) o anjo descrito no Apocalipse (Ap 9: 11: “e tinham sobre eles [os gafanhotos, personificação de demônios], como seu rei, o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom”).

Abadom é o anjo satânico do abismo, cujo nome em grego significa: Destruidor; em hebraico, ’abhaddôn significa: lugar de destruição e é regularmente traduzido como tal em certas versões no Antigo Testamento para denominar a região dos mortos. Esta região era considerada pelos antigos judeus como “inferno”, Seol em hebraico, Hades e Geenna em grego, este último nome proveniente de ge (vale de) hinnõm (Hinom), onde eram feitos sacrifícios idólatras ao sul de Jerusalém (principalmente a Milcom, também chamado de Malcom ou Moloque, deus amonita). O significado de ‘Hinom’ é desconhecido; alguns sugerem: ‘ben Hinom’, filho de Hinom (2 Cr 28: 3; 2 Rs 23: 10 – ‘vale dos filhos de Hinom’), dando a entender que é um nome próprio. Em Jr 7: 32 e Jr 19: 6 o nome é alterado pelo profeta para ‘vale da matança’. É também chamado de ‘Vale de Tofete’ (‘local de fogo’, ‘local de queima’ ou ‘local de torrefação’) pelos Cananeus (Jr 7: 31-32). Também tem o significado de ‘fornalha’, ‘fogueira’ (Is 30: 33), ‘lugar de chama ou aborrecimento’.


Vale de Hinom
Vale de Hinom


A região dos mortos era considerada pelos antigos judeus como ‘inferno’: Seol (em hebraico: sheol – Strong #7585: sepultura, inferno, poço, mundo inferior, submundo), Hades e Geenna em grego. Os judeus achavam que o Seol era semelhante a uma concha onde os mortos permaneciam e eram submetidos a julgamento. Ali poderia haver um lugar separado para os justos e para os perversos. Tendo ou não essa interpretação, o que sabemos é que no AT os que morreram não tiveram a chance de ter a salvação vinda por Jesus, o Messias, da maneira como conhecemos hoje. Talvez por isso, Pedro escreveu que Cristo, quando morreu e ressuscitou do hades, do inferno, pregou para os antigos escolhidos (1 Pe 3: 18-19), dando-lhes a chance de conhecer a Sua salvação. A palavra Hades (em grego: hadés, άδης – Strong #g86) provém de ‘a’ (como uma partícula negativa) e ‘eido’, mais propriamente: invisível, ou seja, ‘Hades’, ou o local (estado) das almas que partiram; inferno, sepultura. A outra palavra grega, Geenna (em grego: Gehenna, γεεννης – Strong #g1067), como foi explicado antes, provém de ‘ge’ (vale de) ‘hinnõm’ (Hinom), onde eram feitos sacrifícios idólatras ao sul de Jerusalém ou um lugar de punição para criminosos; também usado como sinônimo de castigo eterno ou inferno. A palavra Geena pode ser encontrada no NT em: Mt 5: 22; 29; 30; Mt 10: 28; Mt 11: 23; Mc 9: 43; 45; 47; Lc 12: 5; Tg 3: 6. A palavra Hades está escrita em: Lc 10: 15; Lc 16: 23; Ap 1: 18; Ap 6: 8; Ap 20: 14. Em 2 Pe 2: 4, na nossa tradução, ‘inferno’, está escrita a palavra grega ‘tártaro’ (em grego: tartaroó, ταρταρωσας – Strong #g5020, ser lançado no inferno; o mais profundo abismo do Hades; ser encarcerado em eterno tormento). Mas quanto ao texto de 1 Pe 3: 18-19, não está explicitamente a palavra Hades (inferno), ele apenas sugere: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual, também foi e pregou aos espíritos em prisão”. Parece haver uma diferença entre as palavras Hades e Geenna, pois Hades transmite a idéia de ‘local (estado) das almas que partiram; inferno, sepultura’, ao passo que Geenna parece se referir a algo mais forte que a simples sepultura ou morte física; ela sugere a morte espiritual, o verdadeiro inferno ou castigo eterno, como vemos na definição.

O ‘Devorador’ (de Ml 3: 11) ou Abadom (o ‘Destruidor’, de Ap 9: 11) é o demônio que foi liberado para matar todos os primogênitos do Egito. Ali, o Destruidor (o “anjo do abismo” ou “o anjo de morte”) passou por cima das casas marcadas com o sangue do cordeiro e não as tocou:
• Êx 12: 12-13: “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor. O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito”.
• Êx 12: 23: “Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e em ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir”.
• Êx 12: 27: “Respondereis: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou”.

5) O Tanque de Siloé

A palavra Siloé (Shilôah, em hebraico שלח) – traduzido como “Enviado” – é escrita em grego no NT (Grego Textus Receptus) como Siloam (silôam, σιλωαμ), e pode ser encontrada três vezes na bíblia: 1) Ne 3: 15 (“Açude de Selá” – ARA; “Tanque de Siloé” – NVI; em hebraico, neste texto de Neemias: Selá – שלון – shelach); 2) Is 8: 6 (“as águas de Siloé”); 3) Jo 9: 7 (“tanque de Silóe”).
O tanque de Siloé foi construído pelo rei Ezequias para trazer água a Jerusalém.

Ezequias foi rei de Judá (2 Rs 18–20; 2 Cr 29–32; Is 22 e Is 36–39), e seu período de reinado foi de 729 a 687 AC:
1) 729 AC (como co-regente de Acaz, seu pai), sendo que no 6º ano (722 AC) ocorreu a queda de Samaria (reino do Norte de Israel).
2) 716 (como único ocupante do trono) a 687 AC (no 14º ano do seu reinado – 701 AC – houve a invasão de Judá por Senaqueribe. O reinado de Senaqueribe, rei da Assíria vai de 705 a 681 AC).

No 14º ano do seu reinado subiu Senaqueribe, rei da Assíria, contra todas as cidades de Judá e as tomou. Para tentar escapar do invasor, Ezequias preferiu fazer um acordo de paz e pagar-lhe tributo. Assim, deu-lhe trezentos talentos de prata (10.200 kg) e trinta talentos de ouro (1.020 kg), além de toda a prata que se achou na Casa do Senhor e nos tesouros da sua casa. Arrancou o ouro que cobria as ombreiras e as portas do templo e o deu ao inimigo (2 Rs 18: 16). Este, entretanto, enviou mensageiros, que foram também recebidos pelos enviados de Ezequias. Através de palavras mentirosas, os mensageiros de Senaqueribe procuraram tirar a confiança de Ezequias no Senhor e ameaçaram destruir a cidade, colocando medo no povo e diminuindo sua confiança no rei. Os mensageiros reais vieram até Ezequias e lhes contaram as palavras do inimigo. O rei os enviou ao profeta Isaías que lhes deu palavras de consolo e força, exortando-os a confiar no livramento do Senhor e profetizando-lhes uma palavra que falou aos seus corações (2 Rs 19: 6-7).

Ezequias se perturbava pelo jugo assírio. Ao preparar-se para a invasão, ele edificou as defesas de Jerusalém (2 Cr 32: 3-5) e salvaguardou o suprimento de água da cidade construindo o túnel de Siloé (2 Rs 20: 20 e Is 22: 9). Siloé (Shilôah, em hebraico: enviado) era uma das principais fontes de suprimento de água de Jerusalém, ligada à fonte de Giom (גיחון ‘Gichon’ – Strong #1521, derivada de ‘giyach’, que significa ‘corrente’ [de água], ‘córrego’, ‘esguicho’, ‘irromper’, ‘jorrar’), localizada no lado ocidental do vale do Cedrom, numa caverna natural do vale, a sudeste de Jerusalém e que, por sua vez, despejava água na cidade por meio de um canal aberto. Da fonte de Siloé, o canal desaguava no poço antigo ou de baixo (Birket el-Hamra). Quando Ezequias se viu diante da ameaça de Senaqueribe, tapou todas as fontes, todos os riachos e canais subsidiários que conduziam ao ribeiro que corria pelo meio da terra (2 Cr 32: 3-4). O rei em seguida enviou as águas do Giom superior por meio de um conduto ou túnel de dois metros de altura até uma cisterna ou poço superior (Birket Silwãn) no lado oeste da cidade de Davi (2 Cr 32: 30). Defendeu a nova fonte de suprimento com uma rampa (2 Cr 32: 30).


Siloé-mapa Siloé-mapa
Túnel de Ezequias

1. Fonte de Giom;
2. Túnel de Ezequias;
3. Poço Superior de Siloé (Birket Silwan);
4. Poço Inferior ou Antigo (Birk el-Hamra);
5. Túmulo de Sebna, o Mordomo (mordomo do rei Ezequias) no vale de Cedrom, no local onde os reis da Casa de Davi eram enterrados.


Túnel de Ezequias
Túnel de Ezequias

Tanque de Siloé
Tanque de Silóe


A construção do túnel de Ezequias foi supreendente em matéria de engenharia, pois era algo bastante avançado para aquela época, e podemos dizer que a mão de Deus em todo o projeto é inegável. Embora o profeta não tenha deixado os detalhes dados pelo Senhor a Ezequias, nós podemos ver pelas evidências arqueológicas encontradas hoje que os trabalhadores cavaram um túnel estreito (só da para um homem passar) de dois metros de altura em rocha sólida por uma distância de 540 metros (1.200 côvados), que é seu comprimento, e ainda deixando uma parede de rocha de aproximadamente 45 metros (100 côvados) acima deles. Duas equipes cavaram em direção uma à outra, tendo por base o som das picaretas até se encontrarem no centro. ‘Quando faltavam apenas 3 côvados (1,35 metro) a voz de um homem foi ouvida chamando sua contraparte’, como consta dos registros do tunelamento encontrados em uma pedra com uma inscrição onde se pode ler o nome de Ezequias, e que hoje está de posse de muçulmanos.


Túnel de Ezequias – inscrição
Túnel de Ezequias – inscrição

Túnel de Ezequias
Túnel de Ezequias – águas

6) O que significa a expressão ‘até que venha Siló?’

Ela foi proferida por Jacó em Gn 49: 1-28, quando abençoou seus filhos.
Vamos ler a passagem toda.
• Gn 49: 1-28 (as bênçãos de Jacó sobre seus filhos): “Depois, chamou Jacó a seus filhos e disse: Ajuntai-vos, e eu vos farei saber o que vos há de acontecer nos dias vindouros: Ajuntai-vos e ouvi, filhos de Jacó; ouvi a Israel, vosso pai. Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, o mais excelente em altivez e o mais excelente em poder. Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porque subiste ao leito do teu pai e o profanaste; subiste à minha cama [ele se referia ao fato de Rúben coabitar com sua concubina]. Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência. No seu conselho, não entre a minha alma; com o seu agrupamento, minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram homens, e na sua vontade perversa jarretaram touros [ele se referia à traição de Simeão e Levi, matando os homens de Hamor, pai de Siquém, com quem a filha de Jacó, Diná, tinha casado. O povo de Hamor tinha feito um pacto de se unir com Jacó e por isso, circuncidaram todos os do sexo masculino; entretanto, enquanto estavam sarando das feridas no acampamento, Simeão e Levi foram até lá e mataram todos eles – Gn 34: 1-31]. Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel. Judá, teus irmãos te louvarão; a tua mão estará sobre a cerviz dos teus inimigos; os filhos de teu pai se inclinarão a ti. Judá é leãozinho; da presa subsiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como leão e como leoa; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de em entre seus pés, até que venha Siló (*); e a ele obedecerão os povos. Ele amarrará o seu jumentinho à vide e o filho da sua jumenta, à videira mais excelente; lavará as suas vestes no vinho e a sua capa, em sangue de uvas. Os seus olhos serão cintilantes de vinho, e os dentes, brancos de leite. Zebulom habitará na praia dos mares e servirá de porto aos navios, e o seu limite se estenderá até Sidom. Issacar é jumento de fortes ossos, de repouso entre os rebanhos de ovelhas. Viu que o repouso era bom e que a terra era deliciosa; baixou os ombros à carga e sujeitou-se ao trabalho servil. Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os talões do cavalo e faz cair o seu cavaleiro por detrás. A tua salvação espero, ó Senhor! Gade, uma guerrilha o acometerá; mas ele a acometerá por sua retaguarda. Aser, o seu pão será abundante e ele motivará delícias reais. Naftali é uma gazela solta; ele profere palavras formosas. José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro. Os flecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem. O seu arco, porém, permanece firme, e seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel, pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com as bênçãos dos altos céus [espirituais], com bênçãos das profundezas [emocionais], com bênçãos dos seios e da madre [materiais]. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais até ao cimo dos montes eternos; estejam elas sobre a cabeça de José e sobre o alto da cabeça do que foi distinguido entre seus irmãos. Benjamim é lobo que despedaça; pela manhã devora a presa e à tarde reparte o despojo. São estas as doze tribos de Israel; e isto lhes falou seu pai quando os abençoou; a cada um deles abençoou segundo a bênção que lhe cabia”.

(*) “Até que venha Siló”. Foi em Siló que a tenda da congregação foi armada nos primeiros dias depois da conquista da Terra Prometida (Js 18: 1), e foi esse o principal santuário dos israelitas durante o tempo dos juízes (Jz 18: 31). Pelo tempo de Eli (o sacerdote) e seus filhos, o santuário já se tornara uma estrutura bem estabelecida de adoração centralizada. Depois de Siló, a arca da Aliança mudou várias vezes de lugar, pois foi roubada pelos inimigos (filisteus), até ser transferida para Baalim de Judá, também chamada de Quiriate-Jearim ou Quiriate-Baal (Js 18: 14; 1 Sm 7: 1-2; 1 Cr 13: 5) para a casa de Abinadabe e seus filhos, Uzá e Aiô (2 Sm 6: 2-3); dali foi para casa de Obede-Edom (provavelmente um filisteu de Gate e que morava perto de Jerusalém), de onde Davi (como rei) a tomou e a levou até o monte Sião, a cidade de Davi, até conquistar seu lugar definitivo no templo de Jerusalém construído por Salomão (o povo sacrificava no altar do holocausto colocado no alto em Gibeão – 1 Cr 16: 39; 1 Cr 21: 29; 2 Cr 1: 3-5 – mas a arca ficou em Jerusalém, numa tenda que Davi construiu para ela: 1 Cr 15:1; 1 Cr 16: 1; 37-39; 2 Cr 1: 3-5; 1 Rs 3: 4; 15). A expressão usada por Jacó: “até que venha Siló”, em referência a Judá, em hebraico: ‘adh kï-yãbhô’ shïlõh, pode ser traduzida de várias maneiras. As duas mais cabíveis a meu ver são: 1) “Até que ele [em referência a Judá] venha a Siló”, cumprindo o que está escrito em Js 18: 1, quando, numa reunião, a tribo nobremente rejeitou a proeminência que havia desfrutado anteriormente (na peregrinação pelo deserto). 2) Emendando-se shïlõh para shellõh e traduzindo a frase como faz a Septuaginta (a versão grega do AT), “até que aquilo que é dele venha”, isto é, “as coisas reservadas para ele”, talvez aqui seja uma referência a Davi ou uma referência messiânica [ele = Jesus].

7) O Tumim e o Urim

O sacerdote do AT tinha duas pedrinhas no peitoral das suas vestes: o Tumim e o Urim – Êx 28: 30 (Arão); 1 Sm 23: 6; 9-14 (Davi e Abiatar). Eram dois objetos achatados por meio dos quais a vontade de Deus era consultada. Os dois tinham de um lado escrita a palavra Urim, derivada de ’ãrar (amaldiçoar); de outro estava escrita a palavra Tumim de tãmam (ser perfeito). Se ao lançar as sortes, as duas faces do Urim ficassem para cima, significava um ‘não’ de Deus. Se fossem os dois Tumim, significava ‘sim’, e se fosse um Urim e outro Tumim, significava ‘sem resposta’. Como no AT não havia a distribuição do Espírito Santo sobre todas as pessoas, somente sobre o líder com o qual Deus falava pessoalmente (no caso, Moisés, irmão de Arão), as consultas a Ele eram feitas pelo sacerdote através desses dois objetos. Mas somente aos sacerdotes isso era delegado. Depois da vinda de Jesus, o Espírito Santo começou a falar com todos os Seus filhos (At 1: 23-26 é a única vez no NT que se menciona a sorte (sorteio) como meio de escolha divina; At 13: 1-3 – aqui já havia profetas, por meio dos quais o Espírito Santo falava). O mais importante para nós, hoje, é que devemos consultar o Senhor sempre, em todas as circunstâncias das nossas vidas, e ouvir com clareza a voz do Seu Espírito em nosso coração para podermos tomar a direção correta.


Tumim e Urim
Tumim e Urim

8) Nazireu, Nazireado

Nazireu vem do hebraico nãzïr (vinha), derivado de nãzar: separar, consagrar, abster-se, comparada com a palavra nezer: diadema ou coroa de Deus, algumas vezes identificada com os cabelos compridos dos nazireus. Embora na lei de Moisés se fale sobre o nazireado (Nm 6: 1-21), a origem da prática é pré-mosaica e obscura (semitas e outros povos primitivos). Existiam três regras a serem respeitadas pelo nazireu:

1) Renunciar ao vinho e bebidas tóxicas, vinagre, uvas, passas e tudo o que provém da vinha, desde as sementes até as cascas (Nm 6: 3-4), para manter sua integridade e santidade e não ser possuído por qualquer espírito que não o de Deus (Pv 20: 1 e Lv 10: 9-11). Assim, se aproximava Dele de modo mais digno. O significado espiritual para nós dessa abstinência é renunciar às paixões carnais e aos descontroles emocionais, se submetendo ao controle do Espírito Santo.

2) Não cortar os cabelos (Nm 6: 5). Os cabelos, para os judeus daquela época, simbolizavam a sede da vida, assim como a vinha (nãzïr = vinha não podada – Lv 25: 5; 11; no final do período do voto os cabelos eram queimados sobre o altar – Nm 6: 18- 19). Para nós o significado espiritual desta prática é não sair da cobertura espiritual de Deus, mas ter consciência da Sua proteção e da presença do Seu Espírito.

3) Não se aproximar de qualquer cadáver (Nm 6: 6), até mesmo no caso de parentes e isso se aplicava também ao sumo sacerdote (Arão não pôde chorar a morte dos seus filhos Nadabe e Abiú que foram mortos pelo Senhor por queimar incenso no altar sem Sua ordem, nem ir ao enterro, pois era o sumo sacerdote: Lv 10: 6-7). Outras referências: Lv 21: 1-4 e 10-12. Para nós, o significado disso é não voltar a tocar no que é velho, nas coisas passadas.


Nazireu
O longo cabelo do Nazireu, como o de Sansão


O nazireado era normalmente praticado para se conseguir certos favores da parte de Deus. Alguns faziam o voto temporário (no mínimo por trinta dias, como no caso de Paulo – At 18: 18; At 21: 23-24); outros o fizeram como voto vitalício: Samuel, Sansão, João Batista.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: O Senhor quer falar com Seu povo

O Senhor quer falar com Seu povo

The Lord wants to talk to His people

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