Tisha B’Av (9º dia do mês de Av, Jul-Ago). O que se faz no Tisha B’Av? Assuntos: a destruição do Primeiro e do Segundo Templo, a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, Nazismo, Fascismo, os Templários, as Cruzadas etc.

Tisha B’Av (9th day of the month of Av, corresponding to Jul-Aug). What happens on Tisha B’Av? Subjects: the destruction of the First and Second Temples, the First and Second World Wars, Nazism, Fascism, the Templars, the Crusades, etc.


Tisha B’Av – o que é e o que aconteceu?




Neste estudo nós vamos comentar sobre uma data importante no calendário judaico, cuja origem não é bíblica, mas foi criada por rabinos para lamentarem alguns desastres que aconteceram na história de Israel, praticamente depois da destruição do primeiro templo por Nabucodonosor em 586 AC (embora os livros judaicos a mencionem desde épocas remotas do AT, mas não estão registradas na bíblia). Trata-se do Tisha B’Av (9º dia do mês de ’Abh), ou seja, do 5º mês do calendário hebraico correspondente a Jul-Ago no calendário gregoriano. Os rabinos instituíram essa data para o jejum judaico de lamentação sobre esses fatos.

Na bíblia há menção desse mês em alguns eventos ocorridos antes do exílio babilônico e até depois, mas não estão relacionados a catástrofes para os judeus. Por exemplo: a morte de Arão no monte Hor, no primeiro dia do quinto mês do quadragésimo ano da saída dos filhos de Israel do Egito (Nm 33: 38) e a chegada de Esdras a Jerusalém em 458 AC no primeiro dia do quinto mês no sétimo ano do rei Artaxerxes I (465–424 AC), depois de 4 meses de viagem (Ed 7: 8-9).

O livro de ‘Lamentações’ de Jeremias é um cântico de lamento pela destruição do Primeiro Templo por Nabucodonosor em 586 AC, como que refletindo o abandono da própria presença divina e o desprazer de Deus com eles pela sua conduta, além do sentimento de tristeza e saudade da pátria. Mais tarde, esse cântico de lamento pela destruição do Primeiro Templo, também se tornou um livro para lamento da destruição do Segundo Templo por Tito e pelos subseqüentes desastres que aconteceram na história de Israel no mês de ’Abh ou Av até os dias de hoje.

Seja por que causa for, coincidência ou não, a única certeza que temos é que Deus permitiu esses incidentes praticamente na mesma data. Talvez o povo judeu tenha guardado a longínqua imagem do Deus terrível do Sinai, inclusive deixando de pronunciar Seu nome posteriormente; e isso, na memória de um povo por gerações, tenha criado uma distorção da Sua imagem e dos Seus verdadeiros motivos para tantas tragédias, ao invés de evocar e fazer sentir no mais profundo de cada alma a presença de um Deus de amor, real e vivo até hoje, cujo único objetivo é trazer Seus filhos de volta à Sua presença para consolá-los em suas dores e perdoar seus pecados. Em suma, fazê-los conhecê-lo como Ele verdadeiramente é, através de uma experiência palpável e pessoal com cada um de Seus filhos.

Quando nós estudamos História Geral e observamos cada evento, especialmente os que terminaram em guerra e genocídio, podemos notar que os desastres de Israel refletem os desastres da humanidade. Em outras palavras, ninguém é ‘santo’, nenhum lado tem razão; crueldade não tem religião, sexo, cor, raça, idade ou nação. É apenas o resultado da maldade da serpente, implantada na raça humana no Éden. Por isso, este é um texto para meditar sobre muitas coisas.

O que se faz no Tisha B’Av?

Os judeus fazem um jejum completo, como em Yom Kippur; eles se sentam em cadeiras baixas ou deitam no chão, como em Shivá (primeiros 7 dias de luto por um familiar). Não usam peças de roupas de couro, não tomam banho nem fazem a barba. Isso é para que 9 de Av seja lembrado com grande tristeza. Eles saúdam as pessoas apenas inclinando a cabeça. No muro das Lamentações em Jerusalém as pessoas dormem no chão, passando a noite lendo o Livro de Lamentações, o livro de Jó e o Kinnot (poemas de lamento). Este é o único dia no qual colocam uma cortina preta (parokhet) sobre o Aron Kodesh (a arca sagrada) e a Torá não é estudada, como sinal de um dia de grande luto para eles. Aron Kodesh (‘arca sagrada’) é um receptáculo guardado no Hekhál (‘palácio’ ou ‘santuário’), o nome dado no AT para o Santo dos Santos do templo, um pequeno recinto ornamentado que contém os Sifrei Torá (os cinco livros da Torá) de uma sinagoga. Geralmente é posicionado na parede voltada para Jerusalém. Os judeus olham nessa direção e oram.


Tisha B'Av – mulher no Muro das Lamentações

Tisha B'Av – homens no Muro das Lamentações

Aron Kodesh na sinagoga
Aron Kodesh em Tisha B’Av, coberta na sinagoga


Vamos descrever os eventos:

A Destruição do 1º Templo em Jerusalém (586 AC)

A bíblia escreve sobre esse assunto em algumas passagens:
• No 10º dia do 10º mês (Tebete = Dez-Jan) do nono ano de Zedequias (entre 589 e 588 AC), os babilônios iniciaram o cerco de Jerusalém (1 Rs 25: 1) e ela ficou sitiada até seu 11º ano de reinado (1 Rs 25: 2), ou seja, 1 ½ ano de sítio (596 AC).
• No 9º dia 4º mês (Tamuz = Jun-Jul), a cidade foi arrombada (2 Rs 25: 3; Jr 39: 2 e Jr 52: 6-7).
• No 10º dia do 5º mês (’Abh = Jul-Ago) queimaram a Casa do Senhor, a casa do rei, todas as casas de Jerusalém e todos os edifícios importantes e derrubaram os muros de Jerusalém (Jr 52: 12-14, ou seja, 1 mês depois de Jr 52: 6-7), destruíram e saquearam os utensílios do templo (Jr 52: 17-23).
• A passagem de 2 Rs 25: 8-9 diz que no 7º dia do 5º mês, Nebuzaradã veio e queimou a cidade. Essa diferença entre Jr 52: 12-14 (10º dia do 5º mês) e 2 Rs 25: 8-9 (7º dia do 5º mês) pode se referir, talvez, ao fato de esses três dias corresponderem ao tempo de livrar Jeremias da prisão e preparar a destruição da cidade com seu exército ou, então, o tempo para a destruição total.

Por isso, Zacarias escreve sobre os quatro jejuns pós-exílio (Zc 7: 3 e 5; Zc 8: 19), quando os judeus se lembravam da destruição do primeiro templo:
• Quarto mês (Tamuz = Jun-Jul; 2 Rs 25: 3) – a cidade de Jerusalém foi tomada pelos babilônios.
• Quinto mês (’Abh = Jul-Ago; 2 Rs 25: 8) –  o templo foi queimado.
• Sétimo mês (’Ethãnïm ou Tisri = Set-Out; Jr 41: 1; 2 Rs 25: 25) – Gedalias foi morto. Gedalias (Jr 40: 5), filho de Aicão, filho de Safã, foi a quem o rei da Babilônia nomeou governador das cidades de Judá. Este jejum não deve ser confundido com o jejum da Expiação, o ‘Yom Kippur’ (Êx 30: 10; Lv 16: 29-34; Lv 23: 26-32).
• Décimo mês (Tebete = Dez-Jan; 2 Rs 25: 1; Ez 24: 1) – quando o exército babilônico sitiou a cidade, 1 ½ ano antes de arrombá-la. É o 1º dos quatro, no nono ano de reinado de Zedequias.


Os caldeus destroem o templo

Pintura de James Tissot retratando os babilônios destruindo Jerusalém – wikipedia.org


As pesquisas arqueológicas provêem informações sobre o armamento e as técnicas usadas pelos babilônios durante o cerco e a destruição da cidade:
• Aríetes: objetos de madeira com pontas de ferro para bater nas paredes até derrubá-las. Variavam desde os pequenos portáteis até os grandes, montados em torres móveis.
• Torres de cerco: torres altas montadas em rodas para elevar os soldados acima das muralhas da cidade e permitir-lhes lutar corpo a corpo com os defensores.
• Fundíbulas: eram dispositivos de arremesso de projéteis, semelhantes a uma catapulta, para lançar pedras e outros objetos em longas distâncias, com o fim de atacar os defensores da cidade das muralhas.
• Cerco e bloqueio: eles construíram fortificações ao redor da cidade para impedir a entrada de suprimentos e usavam patrulhas para interceptar as caravanas que tentavam entrar ou sair dela.
• Espionagem: era para obter informações sobre as defesas e as condições dos cidadãos. Isso os ajudava a planejar as suas táticas de ataque.

Escavações arqueológicas também confirmam que Jerusalém e a área circundante foram destruídas e despovoadas, provavelmente por queimadas, inclusive com o objetivo de impedir o Egito de se firmar lá. O pouco que sobrou foi dado aos mais pobres para plantar vinhas para sua sobrevivência (Jr 39: 10). Segundo informações dos historiadores e os achados arqueológicos na Babilônia e no Egito, Nabucodonosor até entrou lá, mas o Egito não ficou sob seu domínio.

Os rabinos, depois decidiram pela data de 9 de ’Abh (Av) para o dia da lamentação sobre a destruição do templo.

A Destruição do 2º Templo em Jerusalém (70 DC)

A destruição do templo por Tito em 70 DC, ocorreu na primeira guerra judaico-romana (66-73 DC), às vezes chamada de grande revolta judaica, que foi a primeira de três grandes rebeliões dos judeus da Judéia contra o Império Romano. Começou no ano 66 DC, inicialmente devido a tensões religiosas entre gregos e judeus com protestos anti-taxações e ataques a cidadãos romanos. Depois, as legiões romanas sob o comando de Tito (Tito Flávio Vespasiano Augusto, filho de Tito Flávio Sabino Vespasiano) sitiaram (de 14 de Abril a 8 de Setembro de 70 DC – 4 meses, 3 semanas e 4 dias) e destruíram o centro da resistência rebelde em Jerusalém em 01 de agosto de 67 DC, culminando com a destruição do templo em algum momento de agosto de 70 DC, derrotando as restantes forças judaicas [3 ½ anos]. Existe uma referência a 30 de agosto de 70 DC [Bunson, Matthew (1995). A Dictionary of the Roman Empire. Oxford University Press. p. 212. ISBN 978-0-19-510233-8], mas talvez esteja um pouco desconectada do Tisha B’Av (9º dia do mês de ’Abh). Em três semanas, o exército romano quebrou as duas primeiras muralhas da cidade, mas a resistência judaica os impediu de penetrar na terceira muralha mais espessa. Era o décimo sétimo de Tamuz (Tamuz = Jun-Jul), quando a primeira brecha foi feita na muralha pelos romanos, e três semanas depois, no dia 9 de Av, seu exército conseguiu penetrar no Templo, saqueá-lo e destruí-lo [Flávio Josefo – A Guerra dos Judeus livro IV, capítulos 1 a 4].


Mapa do cerco de Jerusalém em 70 DC
Progresso do exército romano durante o cerco de Jerusalém por Tito – 70 DC (3 muralhas)


Os romanos incendiaram o Templo. A resistência continuou até setembro, mas finalmente as partes superior e inferior da cidade também foram tomadas e a cidade foi totalmente queimada. O Palácio de Herodes caiu em 7 de setembro e a cidade ficou completamente sob controle romano em 8 de setembro. Tito poupou apenas as três torres da cidadela Herodiana (Phasaelus, Hippicus e Mariamne) como testemunho do antigo poder da cidade, bem como grande parte do muro que cercava a cidade no lado oeste. De acordo com os historiadores, esta muralha foi poupada para proporcionar um acampamento para aqueles que estavam na guarnição [na Cidade Alta]; as torres [os três fortes] também foram poupadas, a fim de demonstrar às gerações futuras o tipo de cidade que Jerusalém era, quão bem fortificada, e que os valorosos romanos haviam subjugado; mas as demais partes das muralhas e da cidade foram destruídas até o chão.

Houve uma diferença entre a atitude de Pompeu quando entrou em Jerusalém em 63 AC, anexando a província da Judéia à República Romana, e a atitude de Tito, em 70 DC. Pompeu entrou no Santo dos Santos com seus oficiais, o que era um grave insulto para os judeus. Entretanto, por respeito à santidade do templo, ordenou que nada fosse removido ou danificado. Pompeu considerou necessário, talvez, demonstrar seu poder ao entrar no templo, mas mostrou sua disposição de respeitar a fé judaica e deixar seu lugar sagrado inviolado, a não ser que os judeus o forçassem a destruí-lo.

Tito, ao contrário, cercou a cidade com três legiões (V Macedonica, XII Fulminata, XV Apollinaris) sobre o lado oeste e uma legião (X Fretensis) sobre o Monte das Oliveiras, a leste. Ele cortou os alimentos e a água à cidade; permitiu a entrada de alguns judeus para celebrar a Páscoa negando depois sua saída. Após tentativas frustradas de negociação entre judeus e romanos, Tito entrou com as legiões, destruindo a parte exterior das muralhas e crucificando os desertores judeus em torno das muralhas. Os judeus já estavam se rendendo por causa da fome. Os romanos tiraram vantagem desta fragilidade, rompendo as partes internas das muralhas e penetrando na cidade. Eles tomaram a Fortaleza Antônia, que era não somente uma torre forte de vigia, mas também a residência do procurador romano quando estava em Jerusalém. Mais de um milhão de cidadãos (segundo Flávio Josefo), ou noventa e sete mil (segundo outros historiadores), foram assassinados durante o sítio, a maioria deles judeus. Milhares de pessoas foram capturadas e escravizadas. Muitos escaparam para locais próximos do Mediterrâneo. Sob o comando de Tito, os soldados também invadiram o templo, após ser incendiado por uma tocha de fogo lançada contra ele. A cidade foi saqueada e os objetos sagrados levados para Roma. Na muralha sul do templo, os romanos sacrificaram águias aos seus deuses.


Destruição de Jerusalém por Tito

A derrota da revolta de Bar Kochba (135 DC)

A derrota da revolta de Bar Kochba (Simão ben Kosiba) e a destruição de Jerusalém (135 DC) são eventos da 3ª Guerra Judaico-Romana (132-135 DC). A terceira guerra judaico-romana ocorreu após a viagem do Imperador Adriano ao oriente entre 130 e 131 DC, deixando clara a sua intenção de reavivar o helenismo naquela região. Tinha a intenção de reconstruir Jerusalém como uma cidade helenística, colocando no monte do templo (monte Sião), um santuário dedicado a Júpiter. Adriano mandou reconstruir Jerusalém (em 131 DC), destruída por Tito em 70, como uma cidade grega, com estátuas, banhos públicos e centros ruidosos de vida profana. Assim, no final do seu reinado surgiu no interior da Judéia a terceira revolta judaica contra o Império Romano (132-135 DC).

Essa terceira guerra judaico-romana (132-135 DC), também é conhecida como a ‘guerra do extermínio’. Foi comandada por Simão ben Kosiba, que viria a ser conhecido pelo nome de Bar Kokhba (‘o Filho da Estrela’), na verdade uma pessoa que acreditava que poderia se tornar o Messias de Israel. Ninguém sabe seu verdadeiro nome, uma vez que os judeus o rejeitaram como o Messias, chamando-o de ‘ben Kosiba’, que quer dizer ‘filho da mentira’. O pior de tudo (quando lemos todo o relato) é que o chamam de mentiroso de uma forma a compará-lo com Jesus de Nazaré (o Filho de Deus que foi por eles rejeitado como o Messias). Ele foi morto pelos romanos em seu reduto em Betar, 6 milhas (9,66 Km) a sudoeste de Jerusalém; eles também mataram em torno de 580.000 civis judeus no dia 4 de agosto de 135 DC, o 9º dia de Av. Foi uma guerra longa e terrível com mais de 2 anos de combates, milhares de mortos e vitória de Roma. A cidade foi ocupada por legionários romanos e guardada pela X Legião Fretensis, criada pelo imperador Otaviano (César Augusto) em 41-40 AC para lutar as guerras civis da República Romana e essa legião perdurou até, pelo menos, a 1ª década do século V (410 DC). Essa ‘Décima Legião do Estreito’, como era chamada (‘Estreito’ no sentido geográfico), tinha o emblema de um touro.

Jerusalém foi reconstruída como cidade grega e passou a chamar-se Élia Capitolina (em Latim: Colonia Aelia Capitolina). A palavra latina Élia é derivada do termo Árabe, Iliya, que os muçulmanos, em certa época, costumavam usar para Jerusalém (outros dizem que era por causa do nome de nascimento do imperador: César Públio Élio Trajano Adriano – Caesar Publius Aelius Traianus Hadrianus); ‘Capitolina’, porque a nova cidade foi dedicada a Júpiter Capitolino, a quem foi construído um templo no lugar do templo Judaico de Jerusalém. Nela, os judeus ficaram proibidos de entrar, sob pena de morte (exceto na páscoa). No lugar do antigo templo judaico ergueu-se a estátua de Zeus (Júpiter para os romanos), e junto ao Gólgota (onde Jesus foi crucificado) ergueu-se um templo à deusa grega Afrodite (Vênus para os romanos). A antiga província da Judéia passou a chamar-se Síria Palestina – uma forma de tentar apagar a memória da presença judaica na região, fazendo com que os judeus se lembrassem dos filisteus (Philistines), os antigos habitantes da região nos tempos bíblicos. No Édito de Adriano foi proibida a circuncisão (considerada pelos romanos como uma mutilação) e, por causa da resistência dos judeus, também foi proibido o ensinamento da Torá e a ordenação de novos rabinos. Os Romanos escravizaram e massacraram muitos judeus da Judéia e muitos deles foram banidos. Os escravos foram levados para Roma; eram vendidos nos mercados de escravos, e os mais inaptos para o trabalho eram levados às arenas, sendo mortos por gladiadores ou por animais selvagens. Apesar de ‘A Diáspora’ ter começado no séc. VI AC, depois do exílio na Babilônia e, especialmente após 70 DC, com a destruição de Jerusalém por Tito, essa guerra eliminou definitivamente qualquer possibilidade de renascimento de um judaísmo centrado no Templo de Jerusalém e na sua linhagem de sacerdotes Levíticos. O judaísmo se tornou uma expressão meramente religiosa e cultural, e não mais política, situação esta que se perpetuaria até o surgimento do sionismo no século XIX.

Cruzadas – A Primeira Cruzada

As Cruzadas na Terra Santa (1095–1272) são tradicionalmente contadas como nove; a 1ª de 1096-1099 e a 9º de 1271-1272. O termo ‘Cruzada’ não era conhecido naquela época. Outras expressões eram usadas, entre elas, ‘peregrinação’ e ‘guerra santa’. O termo Cruzada surgiu porque seus participantes se consideravam soldados de Cristo; por isso a cruz em suas roupas. Além de ‘guerras santas’, as Cruzadas eram também uma peregrinação, uma forma de pagamento a alguma promessa, ou uma forma de pedir alguma graça, e era considerada uma penitência para muitos cavaleiros e até cidadãos comuns que se engajavam nesse movimento.


Os Cruzados


As Cruzadas

• Primeira Cruzada (1096-1099) – A tomada de Jerusalém durante a Primeira Cruzada foi em 1099.
• Segunda Cruzada (1147-1149)
• Terceira Cruzada (1189-1192)
• Quarta Cruzada (1202-1204)
• Quinta Cruzada (1217-1221) – Decidiu-se que para se conquistar Jerusalém era necessário conquistar o Egito primeiro, uma vez que este controlava esse território. São Francisco de Assis, em 1219, durante a Quinta Cruzada, foi ao Egito, encontrou-se com o sultão aiúbida Camil (Almaleque Alcamil Naceradim Abu Almali Maomé), do sultanato Aiúbida, que durou de 1171 a 1250 e foi a dinastia fundadora do sultanato medieval do Egito; esse sultanato foi sucedido pelo Sultanato Mameluco do Cairo. Camil o ouviu e permitiu que Francisco pregasse para o povo muçulmano. A tentativa de Francisco foi assegurar, sem guerra, as áreas de Jerusalém de interesse para os cristãos, como o Santo Sepulcro, por exemplo. Não conseguiu impedir a guerra, mas fez um amigo e mostrou que com Cristo a paz é possível.
• Sexta Cruzada (1228-1229)
• Sétima Cruzada (1248-1254)
• Oitava Cruzada (1270)
• Nona Cruzada (1271-1272)

A maioria dos cruzados vinha dos territórios do antigo do Sacro Império Romano-Germânico (888-1806), que chegou a abranger várias nações, hoje conhecidas como Alemanha, França, Itália, Hungria, Suíça, Áustria, parte da Holanda e Dinamarca e territórios adjacentes menores. Jerusalém havia sido capturada em 637 pelos muçulmanos (o Califado Rashidun) e o Império Bizantino ainda persistia em tomar posse de Israel e dos territórios não cristãos no Levante.

Por volta do século X o relacionamento entre Bizantinos e países Islâmicos não era tão conflituoso, como o que ficou com os países cristãos ocidentais após o Cisma da Igreja Católica em 1054. No século X os turcos otomanos já haviam tomado grande parte do Oriente Médio. Eles conquistaram o Irã, o Iraque e o Oriente Próximo, inclusive derrotando parte do Império Bizantino e tomando Síria e Palestina em todo o Oriente Médio, e lógico, Jerusalém.

A Primeira Cruzada (1096-1099) começou oficialmente em 15 de agosto de 1096 (24º dia de Av). Essa cruzada dos cavaleiros fez um acordo com o imperador bizantino de lhe devolver os territórios conquistados pelos turcos. Conseguiram cumprir parte do acordo, até que Godofredo de Bulhão, um militar franco e proeminente líder da 1ª Cruzada, conquistou Jerusalém em 1099. Godofredo de Bulhão foi o primeiro soberano latino de Jerusalém (1099-1100), mas logo morreu, e seu irmão, Balduíno I, também conhecido como Balduíno de Bolonha, foi Conde de Edessa (1098-1100) e Rei de Jerusalém (1100-1118). Godofredo de Bulhão evitou o título de rei, preferindo o de príncipe (princeps) e Advocatus Sancti Sepulchri, ou Advogado do Santo Sepulcro. Só que o resultado foi um massacre dos habitantes locais, matando 10.000 judeus em seu primeiro mês e destruindo comunidades judaicas na França e na Renânia (região do Reno, na parte ocidental da Alemanha). Os territórios foram divididos e os cruzados, cujos desentendimentos com os bizantinos começaram ainda durante a campanha, não mais quiseram devolver as terras aos seus irmãos cristãos do Império Bizantino. O sistema feudal foi implantado no Oriente e a cada cruzada, os interesses dos grandes e a sede de conquista os levaram cada vez mais a uma maior corrupção e à morte de inocentes judeus, islâmicos e cristãos.

Resultado: fracasso total em relação à pregação do evangelho e um grande morticínio, da 1ª (1096-1099) à 9ª Cruzada (1271-1272), sem contar as demais não oficiais que surgiram. Não houve nada de santo nessas guerras.

A expulsão dos judeus da Inglaterra

A expulsão dos judeus da Inglaterra em 18 de julho de 1290 (Tisha B’Av, 9º dia do mês de ’Abh) por Eduardo I (r. 1272 a 1307). O Édito de Expulsão permaneceu em efeito pelo restante da Idade Média, sendo formalmente anulado em 1656. Uma das fontes de renda para a coroa eram os judeus ingleses, além dos mercadores de lã, pois o rei entregava os lucros dos impostos aos banqueiros italianos. Os judeus eram propriedade pessoal do rei e ele podia cobrar impostos deles como desejasse. Mas por volta de 1280, após muita exploração, eles já não davam tanto lucro para o reino da Inglaterra. Devido aos seus negócios com empréstimos, proibidos para cristãos, eles ainda podiam ser usados como barganhas políticas. O fato de deixarem pessoas endividadas com eles gerou um ressentimento geral. Em 1275, Eduardo I já havia emitido o Estatuto do Judaísmo, classificando a usura como crime e encorajando os judeus a procurarem novas profissões. Em 1279, ele chegou a prender os chefes de várias famílias judaicas, e aproximadamente trezentos foram executados. Em 1280, ele exigiu a presença de judeus em sermões de frades dominicanos na tentativa de convertê-los, o que não aconteceu. Por isso os expulsou da Inglaterra, através do Édito de Expulsão de 1290 (assinado no Tisha B’Av, 9º dia do mês de ’Abh). Com esse ato ele se apropriou dos empréstimos e das propriedades judaicas, conseguindo seu ganho e adquirindo capital político para negociar com o parlamento. Outros monarcas europeus já haviam coisa parecida: Filipe II de França expulsou todos os judeus em 1182; João I, Duque da Bretanha, em seu ducado em 1239; e Luís IX de França, no final da década de 1240.

Os judeus foram expulsos da França em 22 de julho de 1306 (10º de Av).

Filipe IV da França (1285-1314), também conhecido como Filipe o belo ou Filipe I de Navarra (1284-1305) em virtude do seu casamento com Joana I, do reino de Navarra (reino medieval entre Espanha e França atual) era chamado ironicamente ‘o belo’, não por sua beleza, mas pela sua personalidade rígida e severa; por isso os seus inimigos e admiradores o chamavam de ‘o rei de Mármore’ ou ‘o rei de Ferro’. Para custear suas campanhas de guerra contra a Inglaterra, os países islâmicos e outras nações ao seu redor, como Flandres (hoje, parte da Bélgica, Holanda e França), Filipe IV viu-se obrigado a recorrer a várias desvalorizações da moeda entre 1290 e 1309, perseguiu os judeus de modo a tomar os seus bens e prendendo-os. Em 21 de junho de 1306 (Tisha B’av), o rei expulsou os judeus da França.

Entretanto, é importante ressaltar que esse rei não cometeu más ações apenas em relação aos judeus, mas coisas bem piores, até contra o Papa Bonifácio VIII da igreja Católica e cavaleiros que combatiam nas Cruzadas, como a Ordem dos Templários, inclusive acusando-os de heresia e queimando-os na fogueira. Em 1292 Filipe IV confiscou os bens dos banqueiros lombardos e de abades mais abastados. Com essa atitude e as que se seguiram, ele gerou uma polêmica com a igreja Católica, sendo ameaçado de excomunhão e de interdição sobre o reino da França, mas no final, seus partidários inescrupulosos agrediram o Papa Bonifácio VIII em seu refúgio em Anagni, na Itália, e ele morreu no mês seguinte com insanidade mental. O novo papa Clemente V foi mais tolerante com o rei e cooperou com ele na supressão da Ordem dos Templários.

Uma palavrinha sobre a Ordem dos Templários

Essa ordem de cavaleiros foi fundada em 1118, logo após a 1ª Cruzada (1096-1099), pelo fidalgo francês Hugues de Payens (1070-1136) e existiu até 1312, quando o Papa Clemente dissolveu a Ordem, e tinha o propósito de proteger os peregrinos que se dirigiam a Jerusalém, tanto dos ladrões quanto de ataques dos muçulmanos contra os cristãos. Era ao mesmo tempo uma ordem militar e monástica. Uma ordem militar (latim: militaris ordo) é uma sociedade religiosa cristã de cavaleiros. Os Cavaleiros Templários, eram uma ordem militar católica e uma das ordens militares mais ricas e populares do Cristianismo Ocidental. As ordens militares originais foram os Cavaleiros Templários, os Cavaleiros Hospitalários, a Ordem de São Tiago, a Ordem de Calatrava e os Cavaleiros Teutônicos. Surgiram na Idade Média em associação com as Cruzadas, e seus membros dedicam-se à proteção dos peregrinos e cristãos, bem como à defesa dos estados cruzados. Eles são os antecessores das ordens de cavalaria.

Ela se estabeleceu no monte do templo em Jerusalém, onde existira o Templo de Salomão e onde hoje se encontra a Mesquita de Al-Aqsa. Seus cavaleiros faziam votos de pobreza, castidade, devoção e obediência, usavam mantos brancos com a cruz vermelha no peito. Por essas características, eles ficaram também conhecidos como ‘Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão’ ou ‘Os pobres companheiros soldados de Cristo e do Templo de Salomão’, conhecidos principalmente como Cavaleiros Templários. Somente os cavaleiros, os irmãos da nobreza, tinham o direito de usar o manto branco. Os irmãos servos ou sargentos usavam a roupa marrom ou preta. Isso por causa das três principais categorias da ordem, que eu vou descrever mais adiante.

As três principais categorias eram: os nobres cavaleiros, os sargentos não-nobres e os capelães. Os Templários não realizavam cerimônias de cavalaria, então qualquer cavaleiro que desejasse se tornar um Cavaleiro Templário já deveria ser um cavaleiro. Eles eram o ramo mais visível da ordem e usavam os famosos mantos brancos para simbolizar a sua pureza e castidade. Estavam eram equipados com três ou quatro cavalos e um ou dois escudeiros. Os escudeiros geralmente não eram membros da ordem, mas leigos contratados por um determinado período de tempo. Os sargentos eram oriundos de famílias não nobres e ficavam abaixo dos cavaleiros. Eles eram ferreiros e construtores e se encarregavam da administração de muitas das propriedades da ordem. Nos Estados Cruzados, eles lutavam ao lado dos cavaleiros como cavalaria leve com um único cavalo. Vários dos cargos mais superiores da ordem estavam reservados para sargentos, incluindo o posto de Almirante da frota Templária. Os sargentos usavam preto ou marrom. A partir de 1139, os capelães constituíram uma terceira classe templária. Eles foram ordenados sacerdotes que cuidavam das necessidades espirituais dos Templários. Todas as três classes de irmãos usavam a cruz vermelha da ordem.

‘Mestre do Templo’ era o nome dado ao maior superior na hierarquia da Ordem, e que mais tarde foi chamado de ‘grão-mestre’, criando uma confusão entre eles e a maçonaria, cuja primeira loja foi aberta na Inglaterra em 1717, quatro séculos após o fim dos Templários. O termo ‘grão-mestre’ para o chefe supremo não existia na hierarquia da Ordem e os próprios Templários usavam o termo ‘Mestre da Cavalaria’. No entanto, em textos tardios aparecem os adjetivos de ‘Mestre da Ordem’ ou ‘Mestre soberano’ ou ‘Mestre Geral’ da Ordem. A Ordem era conduzida por apenas um mestre de cada vez, e que permanecia em Jerusalém. Seu cargo era vitalício, mas devido à posição militar deles, seu mandato poderia ser muito curto. Quase todos os Grão-Mestres morreram no cargo e vários morreram durante campanhas militares. Ele supervisionava todas as operações da ordem, incluindo as operações militares na Terra Santa e na Europa Oriental e as negociações financeiras e comerciais dos Templários na Europa Ocidental. Alguns deles também serviram como comandantes de campo de batalha. O último Grão-Mestre foi Jacques de Molay, queimado na fogueira em Paris em 1314 por ordem do rei Filipe IV.

Na imagem abaixo, um cavaleiro e seu escudeiro, de roupa preta. À direita, Jacques de Molay.


Cavaleiros templários Cavaleiros Templários


O objetivo da Ordem do Templo era a proteção dos peregrinos cristãos para a Terra Santa. Esta peregrinação foi um dos três mais importantes atos do cristianismo da Idade Média. Durou vários anos, pois os peregrinos tinham que viajar quase doze mil quilômetros de ida e volta, assim como num barco para a travessia do Mar Mediterrâneo. Os navios partiram duas vezes por ano, na primavera e no outono. Normalmente, os peregrinos desembarcavam em Acre, conhecida localmente como Akko ou Akka, também chamada de Ptolomaida (no tempo dos Selêucidas e Romanos) e durante o tempo das Cruzadas, era oficialmente conhecido como Sainct-Jehan-d’Acre (francês moderno: Saint-Jean-d’Acre), em homenagem aos Cavaleiros Hospitalários que ali tinham sua sede e cujo santo padroeiro era São João Batista. Na época dos cruzados esta cidade foi uma antiga fortaleza e fez parte do Reino de Jerusalém. Depois, os peregrinos caminhavam até os lugares sagrados. Como povo de armas, os Templários asseguraram as estradas, especialmente a de Jaffa para Jerusalém e a de Jerusalém para o rio Jordão. Eles também guardaram certos lugares santos: Belém, Nazaré, o Monte das Oliveiras, o vale de Josafá, o rio Jordão, o Monte Calvário e o Santo Sepulcro em Jerusalém.

Bernard de Clairvaux e o fundador Hugues de Payens elaboraram um código de conduta para a Ordem,hoje conhecida como Regra Latina e ela era composta de 72 cláusulas, que guiavam o modo de vida dos cavaleiros, incluindo os tipos de vestimentas que deveriam usar e quantos cavalos poderiam ter. Os cavaleiros deveriam fazer as refeições em silêncio, comer carne no máximo três vezes por semana e não ter qualquer tipo de contato físico com mulheres. À medida que a ordem crescia, mais diretrizes foram adicionadas.

Havia muitos tipos de cruzes para os Templários. Qualquer que seja a sua forma, indicava que os Templários eram cristãos e a cor vermelha recordava o sangue derramado por Cristo e, portanto, um símbolo de martírio, e morrer em combate era considerado uma grande honra que assegurava um lugar no céu. Nem todos os Templários participaram de uma cruzada. Parece que a cruz vermelha pátea (com as extremidades mais alargadas, em francês: Croix pattée ou Croix rouge) só foi concedida tardiamente aos Templários pelo Papa Eugênio III, em 1147. Outros documentos dizem que os Templários já usavam a cruz vermelha em 1139. Foi, portanto, sob o controle de Robert de Craon, o segundo Mestre da Ordem, que a “Croix rouge” (a cruz vermelha) se tornou oficialmente um distintivo dos Templários. A regra fundamental era que os guerreiros da ordem nunca deveriam se render a menos que a bandeira dos Templários tivesse caído. Somente depois que todas as bandeiras caíssem é que eles estavam autorizados a deixar o campo de batalha. Esta regra, juntamente com a sua reputação de coragem, excelente treinamento e armamento pesado, fizeram dos Templários uma das forças de combate mais temidas da época medieval.


Cruz Templária
A cruz templária (cruz pátea – com as extremidades mais alargadas)


A Ordem, iniciada com cerca de nove cavaleiros, tinha poucos recursos financeiros e dependia de doações para sobreviver. Mas essa pobreza não durou muito. Em 1129 a Ordem foi oficialmente endossada pela Igreja, os Templários tornaram-se uma caridade favorecida em toda a cristandade, recebendo dinheiro, terra, negócios e filhos nobres de famílias que estavam ansiosos para ajudar na luta na Terra Santa. Em 1139 o Papa Inocêncio II isentou a Ordem de obediência às leis locais, não eram obrigados a pagar quaisquer impostos e estavam isentos de toda autoridade, exceto a do Papa.

A Ordem dos Templários, embora seus membros jurassem à pobreza individual, recebeu o controle da riqueza além das doações diretas dos fiéis da Cristandade. Um nobre que estava interessado em participar das Cruzadas poderia colocar todos os seus bens sob a gestão templária enquanto ele estava fora.

Assim, eles viviam das doações das pessoas do povo, da igreja e das propriedades de reis cristãos que eram dadas a eles (Portugal, por exemplo), e nelas os templários plantavam trigo, cevada e criavam animais, e vendiam trigo, cevada, lã de carneiro, carne de bovinos e queijo feito com leite dos animais criados nessas propriedades. Os sargentos da ordem chegaram a desenvolver um sistema de empréstimos, crédito e depósitos de riquezas, como os bancos de hoje. Portanto, nos séculos que se seguiram à sua fundação eles acumularam grandes riquezas e respondiam apenas perante o Papa.

Aos poucos, porém, o fervor cristão da Ordem dos Templários foi se esfriando devido à admissão de pessoas que não atendiam aos critérios puros que eles seguiram no início (pobreza, castidade, devoção e obediência). O uso indevido do dinheiro era um problema entre alguns. Também porque eles freqüentemente se desentendiam com as outras duas ordens militares cristãs, os Cavaleiros Hospitalários e os Cavaleiros Teutônicos, e décadas de disputas internas os enfraqueceram na sua posição cristã, política e militar.

Em 1244, os turcos corásmicos [uma dinastia muçulmana sunita (islamismo ortodoxo) de influência persa formada por turcomanos de origem mameluca. Dominaram o Grande Irã durante a Idade Média, no período de 1077 a 1231] recapturaram Jerusalém e a cidade não retornou ao controle ocidental até 1917, quando os britânicos a capturaram dos turcos otomanos. Após a tomada de Acre (a capital do Reino de Jerusalém), no noroeste da Terra Santa, pelos muçulmanos em 1291, os Templários estabeleceram-se no Reino de Chipre, um reino cristão formado pelos Cruzados desde a 3ª Cruzada (1189-1192), mas em 1306 eles apoiaram um golpe na ilha, que forçou o rei Henrique II de Chipre a abdicar de seu trono em favor de seu irmão, Amalrico de Tiro. Retomado o seu trono, em 1310 acabaram sendo expulsos pelo rei Henrique II, que queimou o convento no qual os cavaleiros haviam se estabelecido. Então, os cruzados perderam sua última posição na Terra Santa; o apoio à organização começou a diminuir. Os Templários, entretanto, nunca deixaram de ser uma parte da vida cotidiana da cristandade.

Um legado deles são elementos arquitetônicos de edifícios templários, que incluem o uso da imagem de ‘dois cavaleiros em um único cavalo’ e edifícios redondos projetados para se assemelhar à Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém.

A palavra ‘selo’ vem do latim ‘sigillum’ que significa ‘marca’. É um selo pessoal que autentica um ato e atesta uma assinatura. Existem cerca de vinte selos templários conhecidos. Pertenciam a mestres, altos dignitários, comandantes ou cavaleiros da ordem do século XIII. Seus diâmetros variam entre 1,5-5 cm. O selo templário mais conhecido é o dos mestres da ordem ‘sigilum militum xristi’ (ou ‘sigillum militvm Χρisti’, selo da milícia de Cristo), que retrata dois cavaleiros armados montando o mesmo cavalo. Não há consenso estabelecido sobre o simbolismo dos dois cavaleiros em um cavalo. A idéia mais divulgada era a de promover o ideal de pobreza, mas isso deixa dúvidas, uma vez que a ordem fornecia pelo menos dois ou três cavalos a cada um dos seus cavaleiros. O historiador Georges Bordonove exprime uma hipótese que pode basear-se numa dualidade, usando como base o documento de Bernardo de Claraval (1090-1153 – abade francês responsável pela reforma da Ordem de Cister. Cisterciense se refere a uma clausura monástica beneditina restaurada). Ele escreveu: “monge, mas soldado; o espiritual e o temporal montando a mesma montaria, lutando a mesma luta, mas com meios diferentes”. O historiador francês Alain Demurger disse que o selo simbolizaria vida comum, união e dedicação. Alain Demurger é um dos principais especialistas da história dos Cavaleiros Templários e das Cruzadas.

Tem havido especulações sobre quais relíquias os Templários podem ter encontrado lá. Os Templários foram acusados de idolatria e de adorar uma figura conhecida como Baphomet ou uma cabeça decepada mumificada que recuperaram, entre outros artefatos, em sua sede original no Monte do Templo. Alguns levantam a hipótese de que esta cabeça fosse a de João Batista, entre outras coisas. Mas não há provas convincentes. Quanto à acusação de adorar Baphomet, é uma acusação totalmente falsa, uma vez que sua imagem foi criada bem mais tarde pelo francês Éliphas Lévi (1810-1875), considerado um dos maiores ocultistas do século XIX.

Um objeto lendário que pode ter alguma conexão com os Templários é o Sudário de Turim (uma vez que as relíquias do tempo de Cristo estavam tão em voga na época). Em 1988, uma análise de datação por carbono concluiu que o sudário foi feito entre 1260 e 1390, um período que inclui o último meio século da existência dos Templários. Entretanto, as discussões permanecem sobre sua datação.


selo dos templários Anel com o selo dos templários


Na imagem acima: O emblema da Ordem dos Templários e um anel com seu selo. Seu emblema era de dois cavaleiros montados em um único cavalo.

A iniciação, conhecida como Recepção na Ordem, era um compromisso profundo e envolvia uma cerimônia solene. Pessoas de fora eram proibidas de comparecer à cerimônia, o que despertou suspeitas dos inquisidores medievais durante os julgamentos posteriores. Os novos membros se despojavam voluntariamente de todas as suas riquezas e bens, dando-os à ordem, e faziam votos de pobreza, castidade, piedade e obediência. A maioria dos membros das ordens militares eram leigos que faziam esses votos religiosos e eram votos vitalícios; alguns tenham sido autorizados a ingressar por um determinado período. Às vezes, um homem casado era autorizado a aderir se tivesse permissão da esposa, mas não era autorizado a usar o manto branco. Como eu disse antes, os Templários não realizavam cerimônias de cavalaria, então qualquer cavaleiro que desejasse se tornar um Cavaleiro Templário já deveria ser um cavaleiro. A cerimônia, provavelmente, se tratava da confirmação dos votos religiosos feitos com a Ordem, como os frades e freiras faziam, ao renunciarem ao mundo para ingressar na vida monástica. Quanto a essa cerimônia religiosa, não se sabe ao certo do que se trata devido à destruição do arquivo central dos Templários em 1571 pelos otomanos e que estava na Ilha de Chipre. Por isso, muitas lendas se fizeram em torno deles. Os templários foram associados a sociedades secretas ou práticas alquímicas ou de bruxaria devido à lenda de que eram quase uma ordem secreta, à qual ninguém de fora tinha acesso, mas a verdade é outra; abriam suas igrejas e locais de oração aos moradores locais onde eles se estabeleciam e acolhiam peregrinos em suas casas e conventos. O pergaminho de Chinon (falarei mais adiante dele) não é uma prova convincente em relação a essas práticas heréticas e obscenas.

Filipe IV da França também recorreu aos empréstimos dos templários para custear seus projetos e terminou influenciando o Papa Clemente V a destruí-los e confiscar seus bens. Então, ele os acusou de apostasia, idolatria, heresia, imoralidade, sodomia, corrupção financeira, fraude e diversos outros crimes. Na sexta-feira, dia 13 de outubro de 1307, centenas de cavaleiros templários por toda a França foram presos e torturados para confessarem sua heresia, pois havia rumores acerca da cerimônia de iniciação secreta dos templários como adoradores de ídolos pagãos. Muitos dos acusados confessaram essas práticas heréticas sob tortura, inclusive que tinham cuspido na cruz. Os líderes templários foram queimados na fogueira. Entre 19 de outubro e 24 de novembro de 1307, 138 prisioneiros templários foram interrogados em Paris, mas o Papa se opunha aos métodos usados pelo rei para fazê-los confessar sua heresia e instituiu sua própria investigação entre 573 cavaleiros, contudo, sem provar se eram realmente culpados. Era uma forma de não contrariar os princípios da Igreja e não se opor ao rei. Assim, a Ordem dos Templários foi extinta em 22 de março de 1312 por Clemente V. Em 1314, o último líder templário, Jacques de Molay, foi queimado na fogueira em Paris, segundo os relatos lendários históricos pedindo justiça a Deus e amaldiçoando o Papa e o rei. Verdade ou não, o Papa Clemente V morreu apenas um mês depois de Jacques, e o rei Filipe morreu em um acidente de caça antes do final do ano de 1314.

A Igreja Católica Romana hoje admite que a perseguição dos Cavaleiros Templários era injusta; que não havia heresia com a Ordem ou sua Regra. O Papa Clemente foi pressionado pelo rei Filipe IV, mas os absolveu de todas as heresias em 1308 antes de dissolver formalmente a Ordem em 1312.

O original do pergaminho de Chinon foi encontrado em 2001 pela historiadora e paleógrafa italiana Barbara Frale nos Arquivos Apostólicos do Vaticano e publicado em 2007 com todos os documentos relativos ao julgamento dos templários pelo Papa. O pergaminho de Chinon é um documento histórico que tenderia a provar que o Papa Clemente V absolveu secretamente o último Grão-Mestre dos Templários, Jacques de Molay, e os outros oficiais da Ordem do Templo, dos pecados que a Inquisição os havia recriminado. Chinon é a cidade francesa onde Jacques de Molay e os outros Cavaleiros Templários foram interrogados. Essas ‘provas’ foram obtidas através de confissões induzidas pela tortura, ao contrário do que parece ter sido escrito ali. Com base na análise do texto do pergaminho e outros materiais dos julgamentos Templários, Barbara Frale sugeriu que esses atos foram destinados a simular o tipo de humilhação e tortura que um cruzado poderia ser submetido se capturado pelos sarracenos. De acordo com essa linha de raciocínio, eles foram ensinados a cometer apostasia apenas com a mente e não com o coração. Ela também propôs algumas teorias sobre as práticas secretas de iniciação dos Templários; na verdade absurdas, sob o meu ponto de vista (nem vou mencionar aqui) e totalmente incompatíveis com o propósito para que a Ordem foi criada. Umas delas sugere que o candidato teria que renunciar a Cristo e à cruz, mas Gordon Napier acha que a prática da negação da cruz foi o treinamento para o que os novos cavaleiros poderiam enfrentar mais tarde, se eles fossem feitos prisioneiros por sarracenos. Quanto às acusações de desprezo pela Santa Missa e negação dos sacramentos, não há controvérsia alguma. Os sacerdotes templários não mutilaram as palavras de consagração na missa, e essa evidência é fornecida no processo cipriota por eclesiásticos que há muito tempo habitavam com eles no Oriente.

Como a Ordem tinha muitos membros, apenas uma parte dos cavaleiros foram aprisionados (os franceses), pois os de outras nacionalidades fugiram e se refugiaram em outros países. Segundo alguns historiadores, alguns deles foram para Escócia, Suíça, Portugal e até a nações mais distantes em navios, inclusive mudando seus nomes nos países para onde foram, assim evitando a perseguição do rei e da Igreja. O fato de irem para a Escócia (excomungada, na época) faz com que alguns estudiosos sugiram que a maçonaria se originou desses que ali se refugiaram e, por isso, uma das ordens maçônicas hoje em dia se chama Ordem dos Cavaleiros Templários, uma organização internacional filantrópica restrita apenas a maçons cristãos. Mas, na verdade, não há ligação histórica clara entre os Cavaleiros Templários, que foram desmantelados no século XIV, e qualquer uma dessas outras organizações, das quais as maçons surgiram publicamente no século XVIII. Os maçons simplesmente se apropriaram desses símbolos, como fazem com muitos outros. Quatro séculos fazem muita diferença.

Em resumo: o que era e foi criado no passado, muito provavelmente, difere do que é hoje em seus objetivos e princípios.

Os judeus foram expulsos da Espanha em 31 de julho de 1492 (7 de Av).

O Decreto de Alhambra, também conhecido como Édito de Granada e Édito de Expulsão, promulgado em 31 de março de 1492 pelos reis Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão, da Espanha, ordenava que todo judeu deixasse o território espanhol até 31 de julho de 1492, no terrível período da inquisição espanhola. O principal objetivo era evitar a conversão dos judeus da Espanha ao catolicismo e garantir que não voltassem ao judaísmo. Embora o Judaísmo não fosse considerado uma heresia, professar o Cristianismo enquanto se envolvia em práticas judaicas era herético. Mais da metade dos judeus da Espanha haviam se convertido ao catolicismo por causa da perseguição religiosa e das perseguições em massa a eles em 1391. Devido aos contínuos ataques, cerca de 50.000 outros se converteram em 1415. Mais um número dos que restavam escolheu se converter para evitar a expulsão. Agora, por volta de 200.000 judeus se converteram ao catolicismo e entre 40.000 e 100.000 foram expulsos e dispersos por muitas nações: Portugal, Itália, norte da África, Grécia e os países sob domínio Otomano (outras partes dos Bálcãs, onde hoje é a Bulgária, a Sérvia e a Bósnia). Tendo que vender suas terras, suas casas e suas bibliotecas, mesmo com os preços muito reduzidos, eles tiveram que partir com o dinheiro que conseguiram, sob pena de execução se não partissem do país até o prazo estipulado. O resultado é que grande parte da riqueza da comunidade judaica permaneceu na Espanha. O rei de Portugal, Manuel I, deu uma trégua na inquisição de 40 anos, e logo depois, os judeus que ali estavam se dirigiram para a Holanda.

Na verdade, eles tinham muitas restrições legais em quase todos os países para onde emigraram. Alguns judeus se estabeleceram na França, onde tiveram sua emancipação em setembro de 1791. Esta foi conquistada mais tarde em outras nações: na Grécia em 1830, na Grã-Bretanha em 1858, na Itália em 1870, na Alemanha em 1871 e na Noruega em 1891. O termo ‘emancipação’ significa a concessão de direitos legais iguais aos dos demais cidadãos de um país, ou seja, os mesmos direitos de cidadania, onde viver e na profissão que escolher. Mas, apesar dessa igualdade civil, os judeus europeus continuaram a sofrer com o anti-semitismo e a discriminação social. Na Espanha, os judeus Sefarditas da Diáspora voltaram a ter direito à cidadania espanhola em 1924. Em 2014, a lei espanhola aprovou a dupla cidadania aos descendentes de judeus que foram expulsos da Espanha por causa do Decreto de Alhambra, podendo conservar a cidadania atual e a espanhola igualmente.

Uma palavrinha sobre Inquisição

O termo Inquisição Medieval cobre os tribunais do século XII (com início na França em 1184, a Inquisição Episcopal; depois, a Inquisição Romana em 1230, sob controle Papal) até meados do século XV (final da Idade Média e início do Renascimento). Mas foi ampliado em resposta à Reforma Protestante (iniciada com as 95 teses de Lutero em 1517) e à Contra-Reforma Católica (a partir de 1545), alargando-se a outros países europeus além da Itália (Roma), resultando na Inquisição Espanhola (1478 – por Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, para manter a ortodoxia católica nos seus reinos) e Portuguesa (conhecida como Tribunal do Santo Ofício, de 23/05/1536 a 31/03/1821, que julgava em especial os judeus convertidos ao cristianismo, que traziam muito de suas antigas práticas judaizantes para a nova religião). Resumindo: aproximadamente 637 anos, quase sete séculos de Inquisição.

A Alemanha entrou na Primeira Guerra Mundial de 1914 em 9 a 10 de Av.

Outro evento ocorrido no Tisha B’Av foi a 1ª Guerra Mundial – de 28 de julho de 1914 (equivale a 9 de Av) a 11 de novembro de 1918. Ela ocorreu entre os Aliados (Reino Unido, França e Rússia) e os Impérios Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria) da Europa. A Itália lutou pelos Aliados. Inúmeros fatores causaram da 1ª guerra: a rivalidade econômica, ressentimentos por acontecimentos passados e questões nacionalistas. A guerra foi desencadeada quando a Alemanha declarou guerra contra a Rússia devido ao assassinato do arquiduque da Áustria (Francisco Ferdinando Carlos Luís José Maria), o herdeiro do trono da Áustria-Hungria, e sua esposa Sofia Maria Josefina Albina de Chotek, Duquesa de Hohenberg, pelo nacionalista iugoslavo Gavrilo Princip, em Sarajevo, na Bósnia, Reino da Sérvia. O Império da Alemanha é, às vezes, referido como Alemanha Imperial ou Segundo Reich, e por ele lutaram aproximadamente 100 mil judeus alemães, sendo que 12 mil deles perderam suas vidas na guerra. Alguns alemães acusaram os judeus de covardia, e inclusive de serem os culpados pela derrota da Alemanha, o que eles chamaram de “punhalada pelas costas”. Assim, os judeus passaram a ser discriminados e perseguidos, mesmo após o término do conflito. Muitos historiadores afirmam que a 2ª Guerra Mundial foi a conclusão prolongada da 1ª Guerra, com o surgimento do Nazismo e o Holocausto.

A Primeira Guerra Mundial foi uma das guerras mais mortíferas da história e o resultado foi 9 milhões de soldados mortos, 23 milhões de soldados feridos e 5 milhões de civis mortos devido a ações militares, fome e doenças. O genocídio gerou outros milhões de mortes. A guerra também contribuiu para a pandemia de gripe espanhola de 1918. Os Impérios russo, alemão, austro-húngaro e otomano foram dissolvidos, o que levou à criação de novos estados independentes, incluindo a Polônia, a Finlândia, a Tchecoslováquia e a Iugoslávia. As grandes potências não souberam administrar a instabilidade do pós-guerra, e isso contribuiu para a eclosão da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939.

A Segunda Guerra Mundial

Os judeus na Segunda Guerra Mundial

Na Segunda Guerra Mundial (1 de setembro de 1939 – 15 de agosto de 1945), em 2 de agosto de 1941 (Tisha B’Av, 9º de Av), o comandante da SS, Heinrich Himmler, recebeu formalmente a aprovação do Partido Nazista para o início do Holocausto, o que se conhece por ‘A Solução Final’. A SS era considerada a unidade de elite do Partido Nazista. É a abreviação de Schutzstaffel (em português ‘Tropa de Proteção’), uma organização paramilitar ligada ao Partido Nazista e a Adolf Hitler. Em 23 de Julho de 1942 (o Tish B’Av, 9 de Av) teve início a expulsão em massa dos habitantes do Gueto de Varsóvia para o campo de trânsito de Treblinka e para os campos de concentração em Minsk, Majdanek ou Auschwitz (também na Polônia). Até 21 de Setembro de 1942, cerca de 300.000 pessoas foram mobilizadas. Já em 23 de Julho de 1942 as câmaras de gás de Treblinka começaram a operar, dando início ao Holocausto. Ficaram em operação entre julho de 1942 e outubro de 1943, e cerca de 700 mil a 1 milhão de pessoas foram exterminadas em Treblinka. Não apenas judeus (na teoria racial nazista, os que não eram de etnia alemã, e sim um povo semita de origem no Levante), mas muitas pessoas em toda a Europa foram mortos, os considerados por Hitler como ‘indignos de viver’: os eslavos (principalmente poloneses étnicos, sérvios, ucranianos, russos, bielorrussos, etc.), prisioneiros de guerra soviéticos, os deficientes físicos e doentes mentais, homossexuais, maçons, Testemunhas de Jeová e ciganos (como se chamava depreciativamente os povos indianos). Vale dizer que Heinrich Himmler cometeu suicídio com uma cápsula de cianeto a 23 de Maio de 1945 em Luxemburgo, na Alemanha, após ter sido capturado pelas forças britânicas.

A Segunda Guerra Mundial foi o conflito mais letal da história da humanidade (mais do que a Primeira Guerra Mundial), resultando entre 50 e 70 milhões de mortes ou mais, e marcado por incontáveis ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate.

Ela está relacionada com o totalitarismo na Europa (Nazismo e Fascismo) e teve como causa direta o expansionismo da Alemanha nazista ao longo da década de 1930. Por ter perdido a 1ª guerra, a Alemanha sofreu uma grave crise econômica na década de 1920 e se sentiu humilhada. O Tratado de Versalhes de 1919 foi um tratado de paz assinado pelas potências européias que encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial, mas os nazistas (partidários do radicalismo da extrema-direita) não aceitaram seus termos; eles eram a favor da militarização da Alemanha e tinham opiniões abertamente anti-semitas. Em 1933 os nazistas assumiram o poder na Alemanha iniciando a construção de um governo totalitário. Com as forças militares alemãs reorganizadas e fortes, os nazistas buscaram sua expansão territorial.

Em 1 de setembro de 1939 Hitler ordenou o ataque contra a Polônia, sendo este o ponto inicial da guerra. Dias depois, Reino Unido e França declararam guerra à Alemanha. Foi a guerra mais abrangente da História, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. A duas alianças militares opostas foram: os Aliados (no início, França, Polônia e Reino Unido e seus estados dependentes, como a Índia britânica) e o Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Aos poucos, outros países se envolveram no conflito tomando o lado dos Aliados. E em 17 de setembro de 1939, a União Soviética invadiu a Polônia pelo leste. Em 22 de junho de 1941, a guerra piorou com um ataque violento dos nazistas à Rússia, antiga URSS. Nesse ano mesmo, a China se juntou oficialmente aos Aliados. De um país neutro na época, os EUA entraram na guerra após o ataque militar surpresa do Serviço Aéreo Imperial da Marinha Japonesa (na manhã de 7 de dezembro de 1941) a Pearl Harbor, uma base naval americana em Honolulu, no Território do Havaí. Os japoneses também atacaram a Grã-Bretanha em dezembro de 1941. O Brasil foi o único país sul-americano a enviar tropas para lutar na frente européia na Segunda Guerra Mundial. Anschluss é uma palavra do idioma alemão que significa ‘conexão’, ‘anexação’, ‘afiliação’ ou ‘adesão’. É utilizada em História para referir-se à anexação político-militar da Áustria por parte da Alemanha em 1938. A Áustria se tornou um estado neutro, não alinhado com qualquer bloco político.

Algumas ideologias governamentais influenciaram a Segunda Guerra, em especial o Nazismo e o Fascismo.

Nazismo

Nazismo, chamado oficialmente nacional-socialismo, é uma forma de totalitarismo de extrema-direita, que despreza a democracia liberal, o sistema parlamentar, o comunismo e o marxismo. Este regime totalitário e unipartidário estabelecido por Hitler ficou conhecido como o Terceiro Reich. Ele buscava a suposta pureza e força de uma raça superior, a ‘raça ariana’, onde pessoas ‘superiores’ têm o direito de dominar outros indivíduos e que a sociedade devia expurgar elementos supostamente ‘inferiores’, ‘degenerados’, e grupos ‘anti-sociais’, que incluía: Judeus (que não eram de etnia alemã, e sim um povo semita de origem no Levante), homossexuais, ciganos (como se chamava depreciativamente os povos indianos), negros, deficientes físicos e mentais, as Testemunhas de Jeová, maçons e os adversários políticos.

Como eu disse, o nazismo desprezava o marxismo, que é um método de estudo das sociedades que abrange as organizações sociais, econômicas e políticas de cada época e foi inspirado pelo filósofo social alemão Karl Marx e o revolucionário alemão Friedrich Engels entre 1840 e 1850. Sua ideologia critica radicalmente o capitalismo e proclama a emancipação da humanidade numa sociedade equalitária e sem classes. Como resultado do socialismo, surgiria uma fase comunista de desenvolvimento social, uma sociedade apátrida e sem classes, erigida na propriedade comum e no princípio cada um trabalharia e produziria de acordo com sua capacidade e se supriria segundo suas necessidades.

No seu auge, o Estado alemão controlado pelo partido Nazista ou Nazi assassinou de forma sistemática cerca de seis milhões de judeus (a maioria asquenazes, ou seja, que viviam na Europa Central), dois milhões de poloneses e quatro milhões de pessoas dos outros grupos-alvo, considerados por Hitler como ‘indignos de viver’: os eslavos (principalmente poloneses étnicos, sérvios, ucranianos, russos, bielorrussos, etc.), prisioneiros de guerra soviéticos, os deficientes físicos e doentes mentais, homossexuais, maçons, Testemunhas de Jeová e ciganos (como se chamava depreciativamente os povos indianos), o que se tornou conhecido como o Holocausto. Cerca de 12 milhões, a maioria dos quais eram do Leste Europeu, foram empregados na economia de guerra alemã como trabalhadores forçados.

No dia 30 de abril de 1945, Adolf Hitler e sua amante Eva Braun, com quem tinha se casado há 40 horas, cometeram suicídio para evitar de serem capturados pelo exército vermelho (Exército e força aérea da URSS). Seus corpos foram queimados e enterrados. Uma semana mais tarde a Alemanha se rendeu formalmente.

Fascismo

O Fascismo, adotado por Benito Mussolini na Itália tem características um tanto parecidas. No Fascismo existe o poder ditatorial do Estado, cuja ideologia política é ultranacionalista e autoritária, reprimindo toda oposição por meio da força e atrelando a ela a sociedade e a economia de maneira forte, onde os interesses individuais são subordinados aos interesses da nação, em submissão ao ditador. Também despreza a democracia e a liberdade política e econômica, assim como sustém a crença numa hierarquia social natural e no domínio das elites. Já em 1 de novembro de 1936, Benito Mussolini havia declarado que todos os outros países europeus passariam a rodar no eixo Roma-Berlim, criando assim o termo ‘Eixo’, o que significava uma conexão ou aliança política entre Itália e Alemanha. Muitos acreditam que o termo ‘Eixo’ foi criado um pouco antes pelo primeiro-ministro húngaro Gyula Gömbös, que desejava formar uma aliança entre a Hungria, Alemanha e Itália. Mas sua morte inesperada em 1936 acabou com a participação da Hungria num eixo com italianos e alemães, pois o seu sucessor, Kálmán Darányi, não tinha ideais fascistas. Benito Mussolini foi morto em 28 de abril de 1945 por guerrilheiros da Resistência Italiana, contrários ao Nazismo e ao Fascismo.

Voltando à Segunda Guerra:

As forças do Eixo fizeram uso de armas biológicas e químicas. Os italianos usaram gás mostarda durante a conquista da Abissínia, enquanto o Exército Imperial Japonês usou vários tipos de armas biológicas durante a invasão e ocupação da China e nos conflitos iniciais contra os soviéticos. Alemães e japoneses testaram essas armas em civis e prisioneiros de guerra. Seres humanos eram utilizados como cobaias nessas experiências.

Nos momentos finais da campanha do Pacífico, os pilotos de aviões da Marinha Imperial Japonesa, carregados de explosivos, faziam ataques suicidas contra os navios dos aliados. Eles eram conhecidos como Shinpū Tokubetsu Kōgekitai (Unidade de Ataque Especial Vento Divino), e chamados pelos americanos pelo termo “Kamikaze” ou “camicase” (em português), de “kami” = deus, divindade ou espírito; e “kaze” = vento, portanto: “vento divino”, aludindo às tempestades que salvaram o Japão do ataque da Mongólia em 1247 e 1281; ou seja, os pilotos suicidas salvariam novamente o Japão de “novos mongóis”: os estadunidenses.

Reino Unido, EUA e União Soviética se reuniram em agosto de 1945 e redigiram os acordos ou os termos de Potsdam, exigindo a rendição japonesa. Como o Japão decidiu ignorar esses termos, os Estados Unidos lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945. Em 15 de agosto de 1945 o Japão se rendeu, sendo os documentos de rendição finalmente assinados a bordo do convés do navio de guerra americano USS Missouri em 2 de setembro de 1945, o que pôs fim à guerra.

Ela terminou com a vitória dos Aliados, alterando significativamente o alinhamento político e a estrutura social mundial. No pós-guerra, um conselho foi formado pelo presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, e os líderes Chiang Kai-shek (China), Winston Churchill (Inglaterra) e Joseph Stalin (Rússia; do Partido Comunista da União Soviética ou Gensek), como uma garantia para a paz mundial. Esse conselho era chamado os ‘Quatro Policiais’ ou ‘Quatro Grandes’.

A Organização das Nações Unidas (ONU) foi estabelecida para estimular a cooperação global e evitar futuros conflitos. Entretanto, a União Soviética e os Estados Unidos emergiam como superpotências separadas, o que foi chamado de ‘Guerra Fria’ entre os bloco Ocidental e Oriental por quarenta e seis anos (1945–1991). Durante esse período, ocorreu a descolonização na Ásia e na África, enquanto a Europa ocidental dava início a um movimento de recuperação econômica e integração política. Os Estados Unidos emergiram muito mais ricos do que qualquer outra nação. Outras, demoraram para se recuperar.

A Guerra Fria deu início a uma corrida armamentista e uma corrida pela conquista do espaço. O primeiro satélite espacial lançado pela Rússia foi o Sputnik 1, que ficou em órbita da Terra por 3 meses. A primeira espaçonave ao espaço foi o Vostok 1, o primeiro vôo tripulado pelo astronauta Yuri Gagarin.

Quanto a Israel e a Palestina, com a derrota dos turcos otomanos na Primeira Guerra Mundial, a Palestina foi colocada sob controle britânico em 1922. Quando foi criada a ONU, em 1945, a Palestina ainda era território administrado pela Grã-Bretanha. Após o final da Segunda Guerra, o Ocidente se viu no dever moral de atender à antiga reivindicação sionista de criação de um Estado Judeu para compensá-los pelas atrocidades cometidas pelo regime nazista de Hitler. Um comitê liderado pelos Estados Unidos e União Soviética enviou às Nações Unidas um projeto de divisão da Palestina, sendo 55% (5.500 acres) da área dada a Israel (o Estado Judeu) e 45% (4.500 acres) para o Estado Palestino. A Liga Árabe (Egito, Síria, Líbano, Jordânia) rejeitou a proposta. Por causa da violência entre judeus e palestinos, em fevereiro de 1947 a Inglaterra levou a questão à ONU. Naquele ano, a Palestina já tinha uma população de 1 milhão e 300 mil palestinos e 600 mil judeus.

O longo conflito árabe-israelense começou no fim do século XIX a partir do colapso do Império Otomano em 1917. A guerra árabe-israelense de 1948, que ficou conhecida como a ‘Guerra de Independência’ ou ‘Guerra da Liberação’ (para os israelenses) ou ‘a catástrofe’ (para os árabes), começou após a retirada britânica e com a declaração do Estado de Israel a 14 de Maio de 1948. A Declaração de Independência do Estado de Israel foi assinada às 16 horas do dia 14 de maio de 1948 (correspondente a 5 de Iyar de 5708 no calendário judeu), na cidade de Tel-Aviv, na véspera do Shabat. A ‘Guerra de Independência’ terminou após os vários acordos de cessar-fogo entre israelenses e árabes, firmados entre fevereiro e julho de 1949. A guerra foi declarada pelos Estados árabes, que haviam rejeitado o Plano da ONU de Partição da Palestina. O território restante foi ocupado pela Jordânia, que anexou a Cisjordânia, e pelo Egito, que ocupou a Faixa de Gaza.

Em 1967 ocorreu a Guerra dos Seis dias, uma guerra árabe-israelense envolvendo Síria, Egito, Jordânia e Iraque, onde Israel ocupou Jerusalém Oriental e afirmou soberania sobre toda a cidade. Restabeleceu-se o acesso aos lugares sagrados dos judeus e o bairro marroquino (Bairro Mughrabi) a oeste do Monte do Templo foi desocupado para dar lugar a uma praça (Western Wall Plaza – a Praça do Muro Oeste), onde está o Muro das Lamentações. O Monte do Templo permaneceu sob a jurisdição islâmica.

Após a guerra de 1973 (Guerra do Yom Kippur), quando o cessar-fogo entrou em vigor, Israel havia perdido território na parte oriental do Canal de Suez para o Egito, mas ganhou território a oeste do canal e nos montes Golan. E ainda hoje continua o conflito naquela área.


Países participantes na 2ª Guerra Mundial


Bombas atômicas em Hiroshiam e Nagasaki


Nas imagens acima nós vemos nuvens de cogumelo sobre Hiroshima (esquerda) e Nagasaki (direita), após o lançamento das bombas atômicas, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente.

Outros eventos mais recentes ocorreram no Tish B’Av com os judeus

• O atentado bombista da AMIA no centro comunitário judaico em Buenos Aires matou 85 pessoas e feriu 300 em 18 de julho de 1994 (10º dia de Av, ano 5754 para os judeus). AMIA = Asociación Mutual Israelita Argentina (Associação Mútua Israelita Argentina).

• A retirada israelense de Gaza em 2005.

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Is 57: 15).

Fonte de pesquisa para textos e imagens:
• Wikipedia.org (Pt/En/Fr)
• Crystalinks.com

Este texto se encontra no anexo:


Estudos Judaicos – Tisha B’Av

Estudos Judaicos – Tisha B’Av (PDF)

Jewish Studies – Tisha B’Av (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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