Estudo sobre a criação do universo e da Terra do ponto de vista bíblico e científico. Conheça as nebulosas e o verdadeiro significado de: Mazzaroth, Zodíaco, Pangea, Laurasia, Gonduana, Tehom, Abadom ou Apoliom e da expressão: Tohu VaVohu.


A criação do universo e da Terra




Por se tratar do livro da Criação, alguns versículos são interessantes para nos lembrar da Trindade, bem como da eternidade de Deus e da grandiosidade do Seu conhecimento acima do conhecimento do homem.

É clara a participação da Trindade (1 Jo 5: 7) no processo criativo:
• Gn 1: 1: “No princípio criou Deus o céu e a terra” (Deus Pai).
• Gn 1: 2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (o Espírito Santo).
• Gn 1: 26: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra” (Pai, Filho e Espírito Santo).
• Gn 2: 7: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Deus Pai com a participação do Espírito).
• Gn 3: 22: “Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós [a trindade estava implícita neste comentário; cf. 1 Jo 5: 7], conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e toque também na árvore da vida e coma, e viva eternamente”.
• Is 44: 24: “Assim diz o Senhor, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o Senhor, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra” cf. Is 40: 12 (Deus Pai).
• Is 45: 12: “Eu fiz a terra e criei nela o homem; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens” (Deus Pai).
• Jo 1: 1-3: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (o Filho).
• Jo 1: 10: “O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu” (o Filho).
• Cl 1: 16: “pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (o Filho).

A eternidade de Deus e da grandiosidade do Seu conhecimento, para a manifestação da glória do Seu poder:
• Jo 1: 1-5: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez [Jesus]. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela”.
• Is 45: 18: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor, e não há outro”.
• Sl 33: 6; 9: “Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles... Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir”.
• Sl 90: 2-4: “Antes que os montes nascessem e se formassem e a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens. Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite”.
• 2 Pe 3: 8: “Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia”.
• Sl 102: 12; 25-27: “Tu, porém, Senhor, permaneces para sempre, e a memória do teu nome, de geração em geração... Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados. Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim”.
• Mq 5: 2: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel [Jesus], e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”.
• Jó 38: 4-7; 31-32: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? E sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular, quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus [referência aos anjos]?... Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo [se refere à constelação de Plêiades] ou soltar os laços do Órion? Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco * ou guiar a Ursa ** com seus filhos?” [NVI: Pode fazer surgir no tempo certo as constelações (ou a estrela da manhã)? Ou fazer sair a Ursa com seus filhotes?].

* Zodíaco, aqui, não tem nenhuma referência à astrologia ou aos “signos”. Em astronomia, o zodíaco é o anel de constelações em linha elíptica, que é o caminho aparente do sol em toda a esfera celeste ao longo do ano. Em sua maioria as constelações têm nomes de animais, daí o nome ‘Zodiacais’, do grego zōdiakos; ‘zoo’, que quer dizer animal e ‘diakós’, que quer dizer círculo, ou ‘círculo dos animais’. A palavra hebraica usada neste texto é Mazzaroth (Mazzâroth), cujo significado é incerto e, nas inúmeras traduções bíblicas, é entendido como: “constelações, zodíaco, estrelas, estrelas em sinais do sul, estrela da manhã, estrela do dia, lúcifer, luciferum (vulgata latina)”. Esta palavra, Mazzaroth (Mazzâroth), só aparece esta vez na bíblia (Jó 38: 32). Os doze nomes das doze constelações do zodíaco são de origem pré-diluviana.

** Quanto à palavra Ursa neste verso, se refere a Arcturus (escrita na KJV: “Canst thou bind the sweet influences of Pleiades, or loose the bands of Orion? Canst thou bring forth Mazzaroth in his season? or canst thou guide Arcturus with his sons?”), que é a estrela mais brilhante no hemisfério Norte e a quarta estrela mais brilhante no céu noturno (1º o nosso sol, 2º Sirius, 3º Pollux, 4º Arcturus). Acima de Arcturus, há quarto estrelas mais brilhantes – Rigel, Aldebaran, Betelgeuse, Antares. Arcturus possui o mesmo nome do antigo grego Arktouros, que significa “guardião do urso”, porque é a estrela mais brilhante próxima às Ursas Maior e Menor. O tamanho de Arcturus é aproximadamente 30 vezes maior que o do Sol. Está cerca de 33 anos-luz de distância do sistema solar e brilha 110 vezes mais do que este. Grande parte da luz que emana é infravermelha e invisível ao olho humano. Maior que Arcturus é Antares, que está distante 600 anos-luz da Terra, é 700 vezes maior que nosso sol e brilha 10 mil vezes mais do que este. Está na Constelação de Escorpião. Nesta proporção, o nosso sol é invisível.


As grandes estrelas
As grandes estrelas


• Cl 1: 11-17: “sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste”.
• Ap 10: 6: “... e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá demora [ele continua falando da segunda vinda de Jesus]”...
• Lc 10: 21: “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”.
• Rm 1: 20a: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas”.

Deus criou o mundo através da Sua vontade e a partir do nada:
• Hb 11: 3: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”.
• Ap 4: 11: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas”.

Assim, de tudo o que foi escrito, concluímos que Deus é eterno, que do nada pode fazer qualquer coisa por Sua vontade e que, sendo eterno, o tempo como o concebemos passa a ter outra dimensão para Ele. A bíblia não foi escrita por cientistas e sim por homens de fé inspirados pelo Espírito Santo e com o propósito de trazer ao homem o entendimento do lado espiritual. Desse modo, a vida na terra existe porque houve um propósito e uma vontade da parte de Deus. E porque Ele é eterno, até hoje ninguém conseguiu descobrir, na verdade, o “start” do universo, isto é, o momento exato em que tudo começou. Todavia, temos que concordar que houve uma matéria inicial que foi criada do nada e ainda existe um “arquiteto” experiente que mantém tudo em funcionamento perfeito há bilhões de anos: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb 11: 3). O que sabemos é que de Adão a Abraão são dois mil anos; de Abraão a Jesus, dois mil anos, e de Jesus até nós, mais dois mil anos, o que nos faz pensar que o homem está sobre a terra há mais ou menos seis mil anos, não o que a ciência considera, referindo-se a outras espécies, segundo ela, antepassados do ser humano.

Em Gênesis 1: 1-31 e 2: 1-3, a bíblia começa a falar da criação do universo e dos seres vivos:

Gn 1:
1 No princípio, criou Deus os céus e a terra.
2 A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.
3 Disse Deus: Haja luz; e houve luz.
4 E viu Deus que a luz era boa. E fez separação entre a luz e as trevas.
5 Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia.
6 E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas.
7 Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez.
8 E chamou Deus ao firmamento Céus. Houve tarde e manhã, o segundo dia.
9 Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça porção seca. E assim se fez.
10 À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das águas, Mares. E viu Deus que isso era bom.
11 E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez.
12 A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espécie e árvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.
13 Houve tarde e manhã, o terceiro dia.
14 Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos.
15 E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez.
16 Fez Deus os dois grandes luzeiros; o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas.
17 E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra,
18 para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom.
19 Houve tarde e manhã, o quarto dia.
20 Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus.
21 Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoavam as águas, segundo as suas espécies; e todas as aves, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom.
22 E Deus os abençoou, dizendo: sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e, na terra, se multipliquem as aves.
23 Houve tarde e manhã, o quinto dia.
24 Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez.
25 E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.
26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele o domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.
27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.
29 E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isto vos será para mantimento.
30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.
31 Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.

Nota: O começo de cada ato da criação é chamado manhã, e a conclusão desse específico ato divino é chamado tarde.

Gn 2:
1 Assim, pois foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército [referência aos astros e todos os seres vivos] – [NVI: ... e tudo o que neles há].
2 E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito.
3 E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.

No princípio, é o que diz a bíblia, a terra estava sem forma e vazia e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus falou Sua palavra e tudo veio a existir. Podemos ver certa ordem na Criação: Primeiro, a luz, pois todas as formas de vida necessitam da luz para existir. Depois, Deus criou o firmamento. Em terceiro lugar, os mares, a terra e a vegetação. Até aqui, já podemos ver que o cuidado de Deus providenciou o ambiente, ou seja, essas três primeiras criações são preparatórias para estabelecimento de habitantes. Três palavras são usadas no hebraico para a vida vegetal: Grama (deshe’ = vegetação nova), erva (eçebh = plantas) para produzir semente conforme a sua espécie, e árvores (‘eç) que produzem fruto cuja semente está no mesmo (Gn 1: 11-13). Em quarto lugar, Deus criou o sol, a lua e as estrelas; em quinto, as aves (Gn 1: 20-22, sendo que a palavra usada aqui é ‘ôph, que serve para designar todas as variedades de aves). Em sexto lugar, Deus criou os peixes, os animais terrestres e o homem. Em último lugar, abençoou o dia do descanso.

O Universo foi criado debaixo da bênção de Deus
Em vários versículos podemos ver que Deus, após criar algo, via que era bom e abençoava o que tinha criado: Gn 1: 22: “E Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e, na terra, se multipliquem as aves” (em relação aos animais marinhos e às aves); Gn 1: 28: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (em relação ao homem e à mulher); Gn 2: 3: “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como criador, fizera”. Podemos notar também que a bênção de Deus sobre algo gerava prosperidade, multiplicação.

A bíblia usa duas palavras em hebraico para designar a criação de Deus: Em primeiro lugar, ‘ãmar (disse), que é produto da vontade de Deus. Assim, em Gn 1: 3, por exemplo, está escrito: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”. A palavra ‘disse’ aqui pode ser traduzida literalmente por: “Deus falou ao cerne da situação, Deus falou ao coração”. A segunda palavra usada é bãrã’ (criar) que expressa atividade divina. Outra palavra que está relacionada com a atividade criadora é ‘ãçâ, usada também nos versículos que falam da criação dos animais, luminares, plantas etc. Embora a bíblia use tantas palavras para expressar a atividade divina, a atividade essencial tem origem na palavra de Deus (“disse Deus”) que é um produto da Sua vontade.

Comentários interessantes sobre a Criação

Em primeiro lugar, podemos notar que a bíblia começa relatando que, no princípio, Deus criou o céu e a terra. Embora nos versículos posteriores (quando fala das estrelas), subentendamos que Ele estava criando o universo (Hb 11: 3), a bíblia não fala sobre outros planetas onde Deus colocou o homem, mas sobre a Terra. Isso já nos faz reavaliar as inúmeras e infrutíferas pesquisas sobre outros planetas onde há vida, principalmente, com uma forma humanóide como a nossa. Até hoje, não foi achado nenhum outro planeta semelhante à Terra onde haja vida. Na verdade, nada disso nos interessa, uma vez que o Pai enviou Seu Filho para salvar seres como nós, aparentemente insignificantes diante de planetas e galáxias muito maiores do que a Terra ou a Via Láctea.

Em segundo lugar, quem conhece de verdade a palavra de Deus jamais cogitaria em outros lugares “mais evoluídos”, uma vez que a evolução real de um ser não é material, intelectual ou tecnológica e sim espiritual, o que depende da presença de Jesus Cristo em alguém através do Seu Espírito, gerando e desenvolvendo o dom do amor. Assim, vamos ter como premissa que a bíblia é a verdade e que Deus criou materialmente o universo, nossa galáxia, nosso planeta e os seres viventes com um objetivo mais elevado que só Ele conhece. Tiago diz: “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como as primícias das suas criaturas” (Tg 1: 18).

Em terceiro lugar, a Palavra de Deus dá ênfase à preparação do ambiente para que houvesse vida e à criação do homem, como nós o entendemos, com corpo físico, emoções, raciocínio e um espírito gerado de Deus. Ela não menciona criaturas ditas como pré-históricas e ancestrais do homem, isso porque a bíblia tem início com a criação do homem e com os seres que comumente conhecemos. De outra forma, como explicar os nomes de animais que foram dados ao zodíaco, como nós dissemos acima, com data pré-diluviana?

Outro comentário: Deus é eterno, por isso, até hoje, ninguém conseguiu descobrir, na verdade, o ‘start’ do universo, isto é, o momento exato em que tudo começou. Todavia, houve uma matéria inicial que foi criada do nada e ainda existe um arquiteto experiente que mantém tudo em funcionamento perfeito há bilhões de anos: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb 11: 3).

Segundo os cientistas, o universo teria sido gerado como o resultado da explosão de um átomo primordial, ou melhor, da compressão de energia sob a forma de radiação, não de matéria, e que foi chamada de “grande explosão” (Big Bang). Isso ocorreu há pelo menos 13,7 bilhões de anos; se expandiu e esfriou, mas ainda continua a se expandir atualmente.

Uma galáxia é um grande aglomerado de bilhões de estrelas e outros objetos astronômicos (nebulosas de vários tipos, aglomerados estelares – as constelações – sistemas solares, gás e poeira inter-estelar etc.) unidos por forças gravitacionais e girando em torno de um centro de massa comum. Há muitas galáxias, como Andrômeda, por exemplo; a nossa galáxia é a Via Láctea. Dentro de uma galáxia, como dissemos, nós podemos encontrar as constelações, que estão ligadas aos “sinais” que a bíblia menciona no 4º dia da Criação (*). Constelações são agrupamentos de estrelas que aparecem próximas umas das outras no céu e quando são ligadas formam imagem de pessoas, animais ou objetos. As constelações surgiram na Antiguidade para ajudar a identificar as estações do ano. As constelações mudam com o tempo, e em 1929 a União Astronômica Internacional adotou 88 constelações oficiais, de modo que cada estrela do céu faz parte de uma constelação. Das 88 catalogadas, as zodiacais são as que nos dizem respeito, pois o zodíaco é o anel de constelações em linha elíptica pelo qual o sol caminha em toda a esfera celeste ao longo do ano, formado pela órbita da Terra. Chama-se zodíaco porque a grande maioria tem nomes de animais: Zõdiakos, de “zoo” (animal) e “diakós” que quer dizer ‘círculo, ou círculo dos animais’. Os doze nomes das doze constelações do zodíaco são de origem pré-diluviana. São elas (por ordem alfabética): Aquário, Áries (Carneiro), Câncer (Caranguejo), Capricórnio (Cabra), Escorpião, Gêmeos, Leão, Libra (Balança), Peixes, Sagitário, Touro, Virgem.


Zodíaco
O zodíaco

(*) Gênesis 1: 14-17 (sobre o 4º dia da Criação):
14 Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos.
15 E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez.
16 Fez Deus os dois grandes luzeiros; o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas.
17 E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra,
18 para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom.
19 Houve tarde e manhã, o quarto dia.

Deus criou o sol, a lua e as estrelas para determinarem o tempo: dias, meses e anos; para governarem as estações e a agricultura e para servirem de sinais. Que tipos de sinais?

No versículo 14 Ele mesmo dá a resposta: para que, através da posição do sol, o homem pudesse saber a direção em que estava caminhando, segundo os pontos cardeais; para que ao olhar para as constelações durante a noite, também pudesse ter uma direção na sua jornada; para governar o ciclo menstrual nas mulheres e, portanto, o tempo de gestação (meses lunares); para avisar Seus filhos se haveria sol ou chuva no dia seguinte; para controlar as marés (e orientar a pesca. A atração gravitacional entre a Terra e a Lua causa as marés na Terra) e para marcar as festas religiosas que viriam posteriormente segundo as estações [solstício de inverno e solstício de verão; o equinócio de primavera e equinócio de outono]. Bruxos, feiticeiros e agoureiros, sob influência do diabo, distorceram os sinais trazendo apenas transtorno à vida das pessoas com falsas profecias e mentiras. Por isso, Ele diz: “Assim diz o Senhor, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o Senhor, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra; que desfaço os sinais dos profetizadores de mentiras e enlouqueço os adivinhos; que faço tornar atrás os sábios, cujo saber converto em loucuras” (Is 44: 24-25) e “Eu fiz a terra e criei nela o homem; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens” (Is 45: 12).


Aquário Áries
Constelações de Aquário e Áries

Câncer Capricórnio
Constelações de Câncer e Capricórnio

Escorpião Gêmeos
Constelações de Escorpião e Gêmeos

Leão Libra
Constelações de Leão e Libra

peixes Sagitário
Constelações de Peixes e Sagitário

Touro Virgem
Constelações de Touro e Virgem

Você conseguiria ver tudo isso no céu? Será que Deus também via assim?

Enquanto fazia a pesquisa, baseada nas citações bíblicas, eu me deparei também com o que a ciência chama de Nebulosas (Nebula, Latim, nuvem). As nebulosas são nuvens de poeira, hidrogênio e plasma [gases ionizados (átomos com excesso de carga energética negativa)]. São regiões de constante formação estelar. Como o processo de formação das estrelas é muito violento, os restos de materiais lançados ao espaço por ocasião da grande explosão formaram e ainda formam um grande número de planetas e de sistemas planetários. Fazendo uma analogia com um útero, onde o embrião não tem forma no início (só mais tarde vai adquirindo a forma de um ser humano), os planetas neste “berçário” são apenas gases, não têm forma de nada. Talvez, por isso, a Terra estivesse no início “sem forma e vazia”, como diz a bíblia: porque Deus a moldaria mais tarde. Algumas fotos de Nebulosas estão abaixo:


nebulosa-Águia nebulosa-Bumerangue
Nebulosas: Águia (Pilares da Criação) e Bumerangue

nebulosa-Cabeça de Cavalo nebulosa-NGC604
Nebulosas: Cabeça de Cavalo e NGC 604

nebulosa-Caranguejo nebulosa-Olho de gato
Nebulosas: Caranguejo e Olho de gato

nebulosa-Hélix nebulosa-Órion
Nebulosas: Hélix e Órion

nebulosa-Formiga nebulosa-Esquimó
Nebulosas: Formiga e Esquimó

nebulosa-Lagoa nebulosa-Ômega
Nebulosas: Lagoa e Ômega

nebulosa-Retângulo Vermelho nebulosa-Ampulheta
Nebulosas: Retângulo Vermelho e Ampulheta

nebulosa-Anel nebulosa-Pelicano
Nebulosas: Anel e Pelicano

nebulosa-Roseta nebulosa-Tarântula
Nebulosas: Roseta e Tarântula


Outra coisa me chamou a atenção nessas Nebulosas, em especial a do Caranguejo, que são os “filamentos” encontrados nela; não nos lembra uma célula do nosso cérebro, o neurônio, que também têm “filamentos”?


Filamentos do Caranguejo Neurônio Neurônio


A NGC 604 não se parece com um feto flutuando no líquido amniótico?


NGC604 Feto


Isso não nos faz pensar em um único artista, ao invés algo aleatório e sem assinatura ou direitos autorais? Um Deus capaz de fazer algo tão grandioso não é capaz de resolver nossos problemas? Não será Ele capaz de curar nossas doenças ou cuidar do nosso dinheiro? Um Deus que fez tudo isso não é maior que os nossos inimigos? Um ser tão majestoso ainda tem tempo para cuidar de nós e nos chamar pelo nome? Ele tem coragem de entregar Sua Criação aos nossos cuidados? Somos nós que temos que dar nome às constelações e catalogá-las? Somos capazes de fazer algo parecido? Damos conta de cuidar de todo o universo? Talvez a única coisa que nos resta seja tirar fotos.

• Is 40: 25-26: “A quem, pois me comparareis para que eu lhe seja igual? – diz o Santo. Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar”.
• Sl 147: 4: “Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo se nome”.
• Sl 8: 3-9: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!”
• Sl 144: 3: “Senhor, que é o homem para que dele tomes conhecimento? E o filho do homem, para que o estimes?”
• Jó 7: 17-18: “Que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas nele o teu cuidado, e cada manhã o visites, e cada momento o ponhas à prova?”

Voltando à Criação do universo do ponto de vista científico:

Os cientistas também formularam hipóteses de eras geológicas que calcularia a idade do planeta e as mudanças geológicas pelas quais passou. Há um grande número de fatos que indicam que no final do Período Paleozóico (630-300 milhões de anos atrás) existiu uma massa continental única denominada Pangea, a qual englobava todos os continentes hoje existentes. A ruptura subseqüente desta massa efetuou-se em duas etapas, a primeira das quais levou à separação duma massa de continentes setentrionais, a Laurasia (compreendendo a Europa, Ásia e América do Norte), e de outra massa de continentes meridionais (incluindo a Antártida), conhecida por Gonduana. A separação da Laurasia da Gonduana deu-se no Período Mesozóico (250-150 milhões de anos atrás).


Pangea
Pangea


Neste ponto vamos deixar a ciência e voltar para a bíblia. Em primeiro lugar, já vimos que houve um iniciador da criação do universo; não foi por acaso e sim por Sua vontade, e, provavelmente, ocorreu há bilhões de anos, sim. Lembrando-nos da Palavra:
• Sl 90: 2-4: “Antes que os montes nascessem e se formassem e a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens. Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite”.
• 2 Pe 3: 8: “Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia”.

Assim, podemos apoiar a ciência no que se refere à Criação do Universo num tempo remoto, já que a bíblia diz que para Deus um dia é como mil anos. Isso pode corresponder a um tempo que não necessariamente 24 horas (1 dia) ou 12.000 meses (1.000 anos), mas milhões de anos. Isso explicaria, talvez, a massa continental única denominada Pangea, se considerarmos que Deus foi aperfeiçoando a Terra a cada “dia” da Sua criação, movendo e deslocando de lugar o que Ele criou até estar perfeito para colocar o homem. Isso explicaria também as tabelas sobre o que a ciência chama de eras geológicas. A meu ver, o que não pode ser considerado exatamente como a ciência coloca são os tempos determinados para cada acontecimento, mesmo porque por mais tecnologia que o homem tenha à sua disposição, é muito difícil afirmar com exatidão acontecimentos de milhões de anos.

Achei interessantes dois versículos de Gênesis que talvez possam corroborar a teoria da Pangea. Eles dizem: “Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça porção seca. E assim se fez. À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das águas, Mares. E viu Deus que isso era bom” (Gn 1: 9-10). De acordo com isso, as águas estavam todas juntas naquele momento e depois Ele as separou de maneira conveniente até dar à terra e ao mar a “configuração” que desejou. Só depois colocaria neles os seres viventes.

É interessante colocar aqui algumas datas escritas na bíblia que confirmam a presença do homem sobre a Terra há mais ou menos seis mil anos. A própria palavra de Deus (“segundo a sua espécie” – Gn 1: 1-25) escrita nos versículos da Criação já elimina a teoria da evolução e seleção natural das espécies, de Charles Darwin. As eras geológicas podem ser aceitas quanto à transformação da crosta terrestre por efeito da própria natureza criada (ventos e mares, até asteróides, se for o caso), mas não explica a existência tão remota de certos seres vivos.

Segundo o relato de Gn 5: 1-32 e Gn 7: 6; 11, desde a criação de Adão até o início do Dilúvio decorreram 1.656 anos:
Desde a criação de Adão até o nascimento de Sete: 130 anos (Gn 5: 3)
De Sete até o nascimento de Enos: 105 anos (Gn 5: 6)
Até o nascimento de Cainã: 90 anos (Gn 5: 9)
Até o nascimento de Malalel: 70 anos (Gn 5: 12)
Até o nascimento de Jarede: 65 anos (Gn 5:15)
Até o nascimento de Enoque: 162 anos (Gn 5: 18)
Até o nascimento de Metusalém: 65 anos (Gn 5: 21)
Até o nascimento de Lameque: 187 anos (Gn 5: 25)
Até o nascimento de Noé: 182 anos (Gn 5: 28)
Até o dilúvio bíblico: 600 anos (Gn 7: 6; 11)

Segundo o relato de Gn 8: 13; Gn 11: 10–12: 4, desde o início do Dilúvio até a entrada de Abraão em Canaã decorreram 367 anos:
Sem gerou Arfaxade com 100 anos, 2 anos depois do Dilúvio: (Gn 11: 10)
Até o nascimento de Salá: 35 anos (Gn 11: 12)
Até o nascimento de Héber: 30 anos (Gn 11: 14)
Até o nascimento de Pelegue: 34 anos (Gn 11: 16)
Até o nascimento de Reú: 30 anos (Gn 11: 18)
Até o nascimento de Serugue: 32 anos (Gn 11: 20)
Até o nascimento de Naor: 30 anos (Gn 11: 22)
Até o nascimento de Terá: 29 anos (Gn 11: 24)
Até o nascimento de Abrão: 70 anos (Gn 11: 26)
Partida de Abrão de Harã para Canaã: com 75 anos (Gn 12: 4-6)

Total de tempo decorrido de Adão ao nascimento de Abrão: 1948 anos.
Total de tempo decorrido de Adão à entrada em Canaã: 2030 anos.
Segundo pesquisadores, o Dilúvio, do ponto de vista bíblico, ocorreu por volta de 4.344 AC.


Pré-História A Criação
Adão e Eva no jardim do Éden
Caim e Abel
Noé e o dilúvio
A torre de Babel
2200 AC Abraão – 2166-1991 AC
Isaque – 2066-1886 AC
Jacó e Esaú – 2006-1859 AC
José – 1915-1805 AC
1900 AC Migração dos filhos de Jacó com suas famílias para o Egito: 1876 AC
Os israelitas são escravizados no Egito: 1580 AC
Nascimento de Moisés: 1526 AC
Saída dos israelitas do Egito: 1446 AC
Peregrinação no deserto: 1446-1406 AC
1400 AC Entrada em Canaã: 1406 AC
Conquista de Canaã: 1406-1375 AC
Morte de Josué: 1375 AC, aos 110 anos
Início do período dos juízes: 1375 AC
1100 AC Reinado de Saul – 1050-1010 AC
Reinado de Davi – 1010-970 AC
Reinado de Salomão – 970-931 AC


As últimas perguntas:

1) Gn 1: 2-3: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. Disse Deus: Haja luz; e houve luz”.

— Que tipo de luz era essa e por que Ele diria: “Haja luz” (no primeiro dia), e só depois, no quarto dia, é que menciona os “luzeiros”: o sol, a lua e as estrelas?

— A Terra era uma massa disforme e escura, pois ali não havia a mão de Deus ainda. Portanto, o Senhor ordenou a existência de luz. Apesar de saber que a bíblia hebraica põe os eventos importantes em primeiro lugar como um resumo para depois repeti-los em detalhes, juntamente com os menos importantes, essa luz (no meu ponto de vista) era diferente da luz física gerada pelo sol e pela lua. Era, na verdade, a palavra profética de poder divino que daria início à criação dos céus, da terra, dos seres viventes e do homem. Com sua queda, Satanás tinha deixado o Filho sem a adoração. Portanto, para o Pai Lhe dar o ser humano como um novo adorador no lugar do antigo, era preciso deixar bem clara a distinção que haveria a partir daquele momento entre luz e trevas espirituais, ou seja, entre o domínio de Deus sobre aquela massa disforme e o de Satanás. Portanto, nesta fase inicial, a luz à qual a bíblia se refere é a própria glória de Deus entrando em cena na pessoa de Jesus. Vamos aos textos:

• Jo 1: 1-5: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela”.
• Is 60: 19-20: “Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória. Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua minguará, porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão”.
• Ap 21: 23: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada”.
• Ap 22: 5: “Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos”.

Estou escrevendo palavras proféticas sobre a nova Jerusalém após a segunda vinda de Cristo para mostrar que estamos, na verdade, voltando para o ponto de onde saímos. A luz que um dia veremos (Jesus) é a mesma luz que iniciou todas as coisas. Por isso, em Ec 3: 15 está escrito: “O que é já foi, e o que há de ser também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou”.

2) Gn 1: 2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” – cf. Jr 4: 23: “Olhei para a terra, e ei-la sem forma e vazia; para os céus, e não tinham luz”.

— Por que a Terra estava sem forma e vazia? Foi Satanás que a deixou assim quando houve a queda dos anjos, bem antes de o homem e o mundo material ser criado?

— Vamos comparar com a bíblia hebraica (Gn 1: 1-2):

1 Bereshit bara Elohim et hashamayim veet haarets (No princípio criou Deus os céus e a terra).
2 Vehaarets haytah tohu vavohu vechosher al pney tehom veruach Elohim merachefet al pney hamayim (E a terra era sem forma e vazia, além de trevas sobre a face da profundeza (abismo); e o Espírito de Deus repousava sobre a face das águas).

A palavra usada para criou é bara, que indica uma criação de algo a partir do nada.
A expressão Tohu VaVohu seria explicado como: um substrato amorfo e maleável a partir do qual todos os outros elementos se formaram. O Rabino Rashi, no século XI, se referiu àquela expressão como “um vazio incrível”. Já o Rabino Samson Raphael Hirsch descreve Tohu VaVohu como: “surpreendentemente caótico”. Mas o significado da expressão Tohu VaVohu é “um substrato amorfo e maleável” a partir do qual todos os outros elementos se formaram. Mesmo porque a tradução diz: “E a terra era sem forma e vazia”. Ela não diz: “E se tornou sem forma e vazia”. Portanto, não poderia haver caos. Satanás, ao cair, não deixou caos na Terra porque ela ainda não havia sido formada. Ele deixou o caos no mundo espiritual. Em Isaías está escrito:

• Is 45: 18: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor, e não há outro”.

Quanto à palavra abismo, em hebraico tehom, nós podemos dizer:

Os escritores bíblicos concebiam o céu físico como uma taça invertida, o firmamento, onde o sol fazia a sua peregrinação diária através dele e onde havia janelas através das quais a chuva podia cair: “No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram” (Gn 7: 11). A palavra hebraica tehôm (lugar profundo), foi traduzida como abismo: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gn 1: 2), com referência à idéia primitiva de uma vasta massa de água sobre a qual flutuaria o mundo ou com referência ao mundo inferior (habitação de demônios, o lugar dos mortos, o lugar de tormento). Por isso, está escrito que Lúcifer foi lançado para o lugar dos mortos, “para o mais profundo abismo” – Is 14: 15: “Contudo serás precipitado para o reino dos mortos [Sheol = inferno], no mais profundo abismo [em hebraico: bowr, Strong #953, que significa: uma cova, um buraco (especialmente usado como cisterna ou prisão), cisterna, masmorra, fonte, poço, buraco, cova]” cf. Mt 11: 23; Lc 10: 15 (ARA) – ‘abismo’ é substituído nestas duas passagens por ‘inferno’ (em grego, Hades, o equivalente da palavra hebraica Seol).

Portanto, a conclusão que tiramos é: a bíblia tem início com a criação do universo material e do homem, como está escrito em Hb 11: 3: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”. Tudo foi feito pela vontade do Criador, modelando o Universo e a Terra, no Seu tempo paciente e eterno que teve que ser enquadrado em datas e eras padronizadas pelo próprio homem para sua compreensão.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra separadamente nos livros:


livro evangélico: Curso para ensino bíblico – nível 1

Curso para Ensino Bíblico – nível 1 (1ª aula – A Criação)

Biblical Teaching Course – first level (1st lesson – The Creation)


livro evangélico: Curiosidades e Revelações – Gênesis

Curiosidades e Revelações – Gênesis

Curiosities and Revelations – Genesis

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