Estudo sobre João Batista: preparou o caminho para Jesus com o batismo de arrependimento. Nasceu em Ein Kerem e morreu decapitado por Herodes Antipas. Veja onde ele batizava.

João Batista era primo de Jesus e foi por Ele considerado o último e maior membro da sucessão profética, além de ser comparado por Jesus com Elias:
• Lc 16: 16: “A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo o homem se esforça por entrar nele”.
• Mt 11: 10-14: “Este é de quem está escrito: Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir”.
Jesus disse que entre os nascidos de mulher não houve ninguém maior do que João, pois ele veio no amanhecer do evangelho e teve um privilégio maior do que todos os profetas do AT, que foi ver a presença do Messias, mas não viu a ressurreição de Jesus nem fez milagres em Seu nome como os apóstolos fizeram.
• Mt 17: 12-13: “Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles. Então os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista”.

Aliás, em Ml 3: 1 e Ml 4: 5-6 já havia sido profetizado sobre João, que viria para preparar o caminho para o Messias de Israel: “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos... Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição”. João mesmo disse: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (Jo 1: 23).
João (Yôhãnãn, significa: YHWH é gracioso) foi anunciado ao seu pai Zacarias, que era sacerdote do turno de Abias (1 Cr 24: 10), no templo de Jerusalém, quando esse estava oferecendo o sacrifício da tarde. O anjo Gabriel lhe apareceu e lhe disse que Deus tinha ouvido suas orações e lhe daria um filho a quem poria o nome de João e ele seria profeta, preparando o povo para receber a redenção do Senhor através do Messias esperado. Zacarias e sua esposa Isabel já eram idosos e tinham esperado por um filho durante toda a vida, mas somente agora seriam pais. O susto e a incredulidade invadiram o coração do sacerdote, pois já não cria que pudesse ser pai com idade avançada, além do que Isabel, sua esposa, era estéril. Pelas palavras do anjo, Zacarias ficou mudo, até que João nasceu e foi circuncidado. Ele entoou um cântico ao Senhor, não somente exaltando o Seu poder, como também profetizando sobre o próprio filho (Lc 1: 5-25; 57-80).
A Bíblia registra que João Batista comia gafanhotos e mel silvestre (Grego: ἀκρίδες καὶ μέλι ἄγριον, romanizado: akrides kai meli agrion) enquanto vivia no deserto (Mt 3: 4; Mc 1: 8). A palavra grega ἀκρίδες (akrides) é o plural de ἀκρίς (akris), gafanhoto (Strong #G200). Algumas tentativas foram feitas no sentido de explicar a palavra grega como ‘alfarroba’, o que, portanto, seria uma comida vegetariana, mas o significado claro da palavra grega ‘akrides’ é ‘gafanhotos’, que corresponde ao hebraico arbeh (אַרְבֶּה, de rabah – Strong #697), locusta, gafanhoto (Êx 10: 4; Jl 1: 4). A alfarrobeira é uma árvore da família das leguminosas, cujo fruto é uma vagem de polpa doce, muito usada para tratar infecções intestinais nos lactentes e cuja madeira vermelha e dura é usada em marcenaria.
Segundo a bíblia, João cresceu no deserto, longe da civilização, seguindo as regras estabelecidas para os Nazireus (consagrados para o Senhor, como Sansão e o profeta Samuel), pois foi dedicado ao Senhor por toda a sua vida. Permaneceu no deserto até que o Espírito Santo começou a usá-lo como profeta, anunciando arrependimento entre o povo e preparando seus corações para receberem a Palavra por meio de Jesus. Seus sermões eram duros e as palavras bastante vigorosas, o que causava choque entre os mais eruditos como os fariseus e escribas. João trazia certa confusão a eles, pois achavam ser ele o próprio Messias anunciado. Ele, porém, testificava que era apenas o seu predecessor (Mt 3: 2-12; Lc 3: 15-17). Através dele, o povo era batizado no batismo de arrependimento e preparado para receber as verdades do reino de Deus através de Jesus. Este mesmo foi batizado por seu primo no rio Jordão (Lc 3: 21-22). João Batista batizava a princípio, provavelmente em Betânia (outra Betânia que não a de Lázaro), na região de Peréia, governada por Herodes (Jo 1: 28; Jo 10: 40) ou em Enom (ainõn, em árabe, ‘ain = fontes) perto de Salim, no lado ocidental do rio Jordão, mais ou menos treze quilômetros ao sul de Citópolis na região de Decápolis – Jo 3: 23. Citópolis é hoje um sítio arqueológico protegido dentro da atual cidade de Bete-Seã (בית שאן, Beit She’an).
Quando lhe perguntaram se ele era o profeta anunciado por Moisés, ele negou: “Então, ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (Jo 1: 23).
João Batista foi preso por Herodes Antipas, ao ser repreendido pelo profeta a respeito do seu relacionamento impuro com a cunhada e, a partir daí, Jesus começou Seu ministério, a princípio se dirigindo para o norte de Israel onde se estabeleceu em Cafarnaum, cidade à margem do mar da Galiléia. No cárcere, o próprio João ouviu sobre os feitos de Jesus e enviou discípulos para confirmarem ser Ele mesmo o Messias profetizado. Eles voltaram com uma resposta que testificava dos Seus milagres entre o povo, o que deixou bem claro a Seu primo de quem se tratava (Mt 11: 2-6).
João Batista foi morto pelas mãos de Herodes. Sua cabeça foi entregue numa bandeja nas mãos do rei por pedido da filha de Herodias, sua cunhada, com quem ele vivia o relacionamento condenado pelo profeta (Mt 14: 1-12; Mc 6: 14-19).
Segundo a tradição cristã, o nascimento de João Batista ocorreu no vilarejo de Ain Karem (Em hebraico, Ein Kerem ou Ain Karem עיןכרם = ‘Fonte da Vinha’; em Árabe: ‘Ein Kārem ou ‘Ayn Karim = ‘fonte generosa’), a sudoeste de Jerusalém. De acordo com a bíblia, Maria foi procurar Isabel e Zacarias numa cidade da região montanhosa de Judá (Lc 1: 39-40). A distância entre Jerusalém e Ein Karem era de cinco milhas (8,05 quilômetros; uma medida calculada pelo imperador Teodósio em 530 DC). Em Neemias (Ne 3: 14) e Jeremias (Jr 6: 1) a cidade é chamada de Bete-Haquerém. O nome Ein Kerem ou Ain Karem parece que só foi registrado após a conquista islâmica de Jerusalém em 637 DC pelo Califado Ortodoxo Rashidah (‘Califado Bem-Guiado’) na pessoa do Califa Omar (r. 634–644), embora alguns relatos anteriores mencionem uma aldeia chamada ‘Enqarim’, como o local da moradia de Isabel, esposa de Zacarias.


Vilarejo de Ein Karem com a Igreja de São João Batista ao fundo e a catedral ortodoxa (cúpula dourada) na frente
Três igrejas ocupam hoje esse lugar:
1) A Igreja de São João Batista, uma igreja católica da ordem franciscana, construída na segunda metade do século XIX sobre os remanescentes das igrejas bizantinas e cruzadas anteriores, no local onde se acredita que João Batista tenha nascido. Na verdade, os cruzados ergueram duas igrejas principais em Ein Karem, precursoras do que hoje são a Igreja de São João Batista e a Igreja da Visitação. Depois da partida dos cruzados (1095-1272), ela foi transformada em estábulo para animais por mais de quatro séculos. Em 1621 (Período Otomano, século XVII), o padre franciscano Tomás de Novara, comprou o local e construiu uma igreja sobre local da antiga igreja dos cruzados, mas os muçulmanos forçaram os católicos a abandonar o local algumas vezes. Foi confirmada a propriedade franciscana sobre ela em 1672 por influência do embaixador francês no Império Otomano. Os franciscanos retornaram definitivamente em 1693. A estrutura atual é um projeto arquitetônico do arquiteto italiano Antonio Barluzzi e foi concluída em 1939, preservando todos os vestígios bizantinos e cruzados já existentes, inclusive o antigo piso de mosaico. Em 1941-1942, os franciscanos escavaram a área a oeste da igreja e do mosteiro e descobriram sepulturas, câmaras escavadas na rocha (do séc. I AC a 70 DC), lagares e pequenas capelas com mosaicos dos períodos romano, bizantino e muçulmano primitivo. Alguns vestígios abaixo da parte sul do pórtico sugerem a presença de um mikvê (banho ritual judaico) datado do Período do Segundo Templo. A maior parte da estrutura atual da igreja remonta ao século X-XI (período Fatímida), com as camadas inferiores do período bizantino (séculos IV a VII). Durante as escavações, também foi encontrada uma estátua de mármore de Afrodite (ou Vênus), quebrada em duas partes, provavelmente da época romana e derrubada pelos bizantinos. Ao lado da igreja se encontra o ‘Mosteiro de São João das Montanhas’.

Igreja de São João Batista em Ein Karem, Israel
2) A Igreja da Visitação (anteriormente a Igreja de São João dos Bosques) é uma igreja católica e está localizada do outro lado da vila, a sudoeste da Igreja de São João Batista. Tem esse nome em honra à visita de Maria, a mãe de Jesus, a Isabel, mãe de João Batista (Lc 1: 39-56) e ali ela fez seu canto de louvor a Deus (o ‘Magnificat’). O antigo santuário bizantino foi construído contra um declive rochoso e a igreja moderna também foi construída em 1955 sobre ruínas de uma antiga igreja dos cruzados, com dois andares. Foi projetada por Antonio Barluzzi, um arquiteto italiano que projetou muitas outras igrejas na Terra Santa durante o século XX. O pátio contém uma estátua de Maria e Isabel, e na parede em frente à entrada da igreja há quarenta e duas tábuas de cerâmica com os versos do Magnificat em muitas línguas. Na fachada superior da igreja existe um mosaico comemorando a Visitação, onde se vê Maria montada num jumento e acompanhada por anjos. Abaixo, existe uma inscrição em latim: EXSVRGENS AVTEM MARIA IN DIEBVS ILLIS ABIIT IN MONTANA CVM DESTINATIONE IN CIVITATEM IUDA, que pode ser traduzida como: “Mas levantando-se Maria naqueles dias, partiu para a montanha com destino à cidade de Judá”. No fundo do mosaico, pode-se ler os nomes das cidades: Nazaré e Ain Karim.

Igreja da Visitação com detalhe do mosaico
3) O Mosteiro de Gorny ou Mosteiro Moscóbia. Ele foi fundado pela missão de Jerusalém da Igreja Ortodoxa Russa em 1871. O nome ‘gorny’ significa ‘montanhoso’ em russo. Os aldeões árabes o chamaram de ‘Muskobiya’ (em árabe, significa ‘moscovita’); em hebraico, ‘Moskovia’. O complexo, cercado por uma muralha, é composto pelo convento, por um albergue para peregrinos e abriga três igrejas: a Igreja de Nossa Senhora de Kazan (‘Kazanskaya’), a mais antiga das três igrejas, é dedicada ao ícone sagrado de Nossa Senhora de Kazan, e foi consagrada em 1873. A segunda igreja é a Catedral de Todos os Santos Russos, com suas cúpulas douradas, e que foi iniciada antes da Revolução Russa de 1917, mas só pôde ser concluída em 2007. A terceira é a igreja de São João Batista, que foi consagrada em 1987, construída sobre a rocha do local.

Mosteiro de Gorny com a Catedral de Todos os Santos Russos
Como homem de Deus, João Batista pregou o arrependimento entre o povo, repetindo o que durante séculos foi realizado pela boca dos seus irmãos, os profetas. Mais do que tudo, sua pregação foi decisiva para que Israel estivesse entregue nas mãos do próprio Filho de Deus que faria com os homens uma nova aliança, de uma vez por todas, para não mais ser quebrada. Sua semeadura não foi em vão. Assim, nós como profetas, devemos ser como João Batista para alguns que andam no erro há muito tempo e precisam tomar uma posição definitiva em suas vidas, deixando vir a redenção através de Jesus. Nossa boca deve proclamar a verdade, quer os homens ouçam ou deixem de ouvir. Assim, os corações que já estiverem quebrantados poderão receber a salvação através da nossa pregação; receberão palavras de consolo e estímulo. Os que ainda estiverem endurecidos e resistentes à Sua verdade e vontade receberão palavras fortes de exortação que colocarão diante de si a decisão de escolherem o próprio caminho: a salvação ou a perdição. Foi Jesus mesmo que disse: “eu conheço aqueles que escolhi” (Jo 13: 18). E Paulo fala: “Cada um dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14: 12).
Na imagem abaixo, nós podemos ver os locais de batismo de João Batista.


Profeta, o mensageiro de Deus (PDF)
Prophet, the messenger of God (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
E-mail: msearaagape@gmail.com