Aprendizados com Rute, uma moça Moabita, que por amor à sua sogra e ao Deus de Israel deixou suas raízes e veio para Belém de Judá, onde se casou com Boaz, o resgatador da família. Rute foi redimida e restituída e seu filho (Obede) foi o avô de Davi.


Personagens bíblicos – Rute




Textos de referência: Rt 1 – 4

Resumo:

O tempo dos juízes foi uma época bastante conturbada para o povo judeu. Josué já havia morrido e as gerações posteriores não conheceram o Senhor nem as obras que Ele fizera a favor de Israel (Jz 2: 10; 16-19). Nessa época em que a fome material e espiritual reinava é que Noemi (‘meu deleite, deleitosa, ditosa, amável, formosa’) e Elimeleque (‘Meu Deus é rei’) se mudaram para Moabe com seus filhos, Quiliom e Malom.

Moabe era o nome da terra do descendente de Ló (Gn 19: 37), de seu relacionamento incestuoso com a filha mais velha. Moabe significa: desejo, família de um pai. Era irmão de Ben-Ami ou Amom, descendente do incesto de Ló com a filha mais nova e significa: ‘filho de meu povo’ (Ben-Ami) e ‘artesão’ (Amom). Eram, portanto, povos aparentados com Israel. O casamento entre moabitas e judeus não era proibido pelo Senhor; apenas, os moabitas e amonitas eram proibidos de entrar no tabernáculo (Dt 23: 3-4), não propriamente pelo pecado de incesto dos seus ancestrais, mas porque alugaram Balaão para amaldiçoar os israelitas (Nm 22: 1-6).

Quiliom (‘definhamento; ansiedade; consumpção – como numa doença debilitante; ruína acabada’) se casou com Orfa, moabita, cujo nome significa: ‘vigor juvenil’, entre outros (‘pescoço, juba, gazela’); aparentemente alguém que compensaria seu espírito definhado e arruinado. Malom (‘adoentado, franzino, doença’) se casou com Rute (‘amiga, companheira, fiel, vistosa’). Após a morte de Elimeleque, Quiliom e Malom, Noemi resolveu voltar para Belém de Judá. Orfa era fiel, mas sua fidelidade era apenas humana, portanto, no meio do caminho cedeu às insistências de Noemi e voltou a Moabe, àquilo que ela conhecia. Rute, ao contrário, seguiu Noemi. Chegando a Belém, porém, Noemi trouxe uma marca de amargura em seu coração (Rt 1: 20-22): “Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. Ditosa eu parti, porém o Senhor me fez voltar pobre; por que, pois, me chamareis Noemi, visto que o Senhor se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso me tem afligido? Assim, voltou Noemi da terra de Moabe, com Rute, sua nora, a moabita; e chegaram a Belém no princípio da sega de cevada”. Ela trouxe essa amargura pelas circunstâncias extremamente contrárias e cheias de roubo, perda, desolação e opressão espiritual que a envolveram em terra estranha impedindo-a de manter sua característica original de feliz, ditosa e venturosa.

Em Rt 2: 2 está escrito: “Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele que mo favorecer. Ela lhe disse: Vai, minha filha!” Rute sabia que, se não trabalhasse, não haveria sustento para ela nem para sua sogra. Ela não se importava com o tipo de trabalho, nem se para os outros parecia humilhante ou não.


Respigar


Respigar era o ato de ajuntar os grãos esquecidos pelos ceifeiros e era algo permitido na lei de Moisés como um sistema de previdência social (Dt 24: 19-22). Respigar era uma maneira zombeteira de expressar dependência da provisão divina. Rute estava, literalmente, vivendo pela fé. Rebuscava as espigas e as ajuntava entre as gavelas, nome dado ao feixe de espigas. Ela era uma simples “catadora de canto”, mas a providência divina já a tinha colocado no campo de Boaz, o resgatador de Noemi. Boaz significa: “força, firmeza” e é a figura de Jesus. O Resgatador era um parente não tão distante, influente, a quem a família podia em geral recorrer quando a sua linhagem ou os seus bens corressem o risco de ser perdidos. Ele deveria, entre outras coisas, comprar de volta a terra da família vendida em tempos de crise.

Boaz foi benigno com Rute, dando-lhe proteção, ordenando aos servos que não tocassem nela, orientando-a que seguisse o que as servas dele fizessem e dando-lhe porção de água e alimento como se ela trabalhasse para ele. Deu ordem também aos seus servos que a deixassem colher um pouco mais para que sobrasse para ela e para a sua sogra. Boaz foi receptivo e bondoso com ela, pois ela fora buscar auxílio no lugar certo (Rt 2: 12: “O Senhor retribua o teu feito, e seja cumprida a tua recompensa do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas vieste buscar refúgio”) e porque viu nela fidelidade e uma mudança real de atitude (Rt 2: 11: “Respondeu Boaz e lhe disse: Bem me contaram tudo quanto fizeste a tua sogra, depois da morte de teu marido, e como deixaste a teu pai, e a tua mãe, e a terra onde nasceste e vieste para um povo que dantes não conhecias”). Rute trabalhou no campo de Boaz até que a cega do trigo e da cevada se acabou. Geralmente a colheita de cevada precede a do trigo e começa por volta do dia 14 do mês de Zive ou ‘Iyyar, que corresponde a abril-maio. A páscoa começa no dia 14 do mês anterior, o primeiro mês do calendário judaico religioso, o mês de Abibe ou Nisã, que corresponde a março-abril. Por volta do dia 6 do mês de maio-junho (mês de Siwãn) ocorre o Pentecostes ou Festa das Semanas (sete semanas após o início da colheita), comemorando o fim da colheita de trigo (Dt 16: 9-12). A bíblia não conta os detalhes emocionais que aconteceram na vida de Rute nesse tempo de adaptação, mas podemos imaginar, pelo nosso próprio crescimento com Deus, que não foi fácil esquecer e mudar os hábitos de origem, lidar com suas heranças familiares e espirituais e deixar para trás as lembranças ruins da velha vida. Com certeza, o que facilitou o processo foi o amor e o cuidado de Noemi e Boaz e sua própria vontade de ter uma nova vida e uma nova chance. Noemi também esperou por sinais de autoconfiança e maturidade em Rute para sugerir a idéia de casamento com Boaz e, portanto, um resgate mais profundo para as duas. Noemi sabia que havia um resgatador mais próximo que poderia ocupar o lugar de Boaz nas negociações (Rt 4: 1-10), mas resolveu confiar nele e em Deus.

Em Rt 3: 7-8; 13-14, a bíblia fala que Rute se deitou aos pés de Boaz, o que significava um pedido cerimonial de casamento e lhe pediu que estendesse a capa (kanaph) sobre ela. No hebraico, a palavra kanaph tem vários significados como: capa, manto (como em 1 Sm 24: 5 – quando Davi corta a borda do manto de Saul), asas, alado (pássaro), extremidade, borda, canto da veste, camisa. Neste caso de Rute, refere-se a um costume associado aos pedidos de casamento (no caso da mulher) e um sentido de posse, de aquisição (para o homem), pois kanaph também tem a conotação de ‘cobertura, domínio, posse, proteção’, dando a entender que, mais do que casamento, aquele era um pedido de proteção. Em Rt 3: 9, está escrito: “Disse ele: Quem és tu? Ela respondeu: Sou Rute, tua serva; estende a tua capa sobre a tua serva, pois tu és resgatador”. A transliteração hebraica é: “vayyo'mer miy-'âttvatto'mer 'ânokhiy Ruth 'amâthekha uphârastâ khenâphekha `al-'amâthkhakiy gho’êl 'âttâh”. Goel (go’el ou gho’êl) é um termo hebraico que vem do verbo ga’al (“redimir”), portanto, gho’êl significa resgatador, redentor, o que na bíblia e na tradição rabínica denota uma pessoa que, como parente mais próximo de outra, está encarregado do dever de restaurar seus direitos e vingá-la dos danos causados a ela. Outros nomes usados para o resgatador são: ‘parente redentor’ e ‘vingador’. Assim, quando ela diz: “Estende a tua capa sobre a tua serva, pois tu és resgatador” (Rt 3: 9 b), ela quer dizer: “Estende as tuas asas” ou “Toma-me sob tua asa de proteção”, mostrando-nos também a força que tem um compromisso de casamento para um judeu. A mulher recebe a proteção do homem e ele a recebe como um bem precioso, não no sentido pejorativo de posse de um objeto material, como se interpreta hoje. Um se torna um complemento para o outro. Boaz declara que ele está disposto a redimi-la através do casamento, mas informa a ela que há outro parente do sexo masculino que tem o primeiro direito de resgate. Ele também usou o mesmo termo anteriormente, quando disse que Rute confiava em Deus ao buscar refúgio sob suas asas (Rt 2: 12) ou manto. Espiritualmente, manto significa: unção, proteção, cobertura do sangue da aliança sobre nossa vida. É aquele momento de decisão em que vamos ocupar lugares espiritualmente mais altos, em que precisamos de uma maior proteção, uma unção maior e capacitação do Espírito Santo. Talvez esse “casamento” esteja se referindo ao batismo no Espírito Santo ou a um derramar maior Dele.

Boaz não decepcionou Rute; pelo contrário, tomou o seu manto e o encheu com suprimentos e a mandou de volta à cidade. Ao voltar para casa e contar para Noemi, sua incentivadora no projeto, ela recebeu a confirmação da determinação e do caráter perseverante de Boaz (Rt 3: 18: “Então, lhe disse Noemi: Espera, minha filha, até que saibas em que darão as coisas, porque aquele homem não descansará, enquanto não se resolver este caso ainda hoje”).

Na verdade, o casamento deveria ser com Noemi, não com Rute, pois ela era a viúva de Elimeleque e a terra era dela (Rt 4: 3: “Disse ao resgatador: Aquela parte da terra que foi de Elimeleque, nosso irmão, Noemi, que tornou da terra dos moabitas, a tem para venda”), mas Noemi já não tinha possibilidade de ter filhos para suscitar descendência; portanto, coube a Rute ocupar o lugar de matriarca da família. Deus a abençoou e ela gerou um filho que daria continuidade à linhagem dos resgatadores na família, além do que foi um meio de restaurar a alegria a Noemi e tirar a amargura do seu coração, pois ela se viu restituída e justificada. O nome do bebê foi Obede que tem vários significados: ‘servo de Deus’, ‘adorador’ e ‘Ele restaurou’. Através do crescimento e do testemunho de Rute, Noemi foi novamente restaurada e curada.

Aprendizados importantes com Rute

1) Efeitos da escassez espiritual: parece contraditório que alguém que se chama Elimeleque (cujo significado é: meu Deus é rei) e Noemi (que significa: meu deleite, deleitosa, ditosa, amável, formosa) tenham filhos que se chamam Quiliom (definhamento; ansiedade; consumpção – como numa doença debilitante; ruína acabada) e Malom (franzino, adoentado, doença). Provavelmente, era o retrato da fome e da escassez que acontecia em Israel e que causou uma conformação física e emocional doente, com ansiedade e baixa resistência física. Podemos extrapolar essa deformidade para o espiritual também, onde o conhecimento da palavra parecia escasso e detido por alguns sacerdotes apenas, mas o povo não tinha acesso a ele e vivia na idolatria. Quando o suprimento físico e material faltam, principalmente na área da alimentação, é óbvio o quadro de desnutrição protéico-calórica que se instala, inclusive afetando o aprendizado e a inteligência. Mas quando o suprimento de fé, paz, amor e compreensão faltam pela escassez e pelo desconhecimento da palavra de Deus, as conseqüências emocionais e espirituais podem ser trágicas, deformando o caráter, matando os sonhos, dificultando os relacionamentos sadios, destruindo a família e gerando todo o tipo de deformação da personalidade que abre brechas espirituais para a assolação e a destruição. Só o amor verdadeiro poderá trazer cura, libertação e resgate.

2) A maldição impede o relacionamento com Deus: aqui eu me refiro aos moabitas. Note bem que o Senhor não os proibiu de entrar no Seu santuário, ou seja, em Sua presença, pelo pecado da carne deles, mas por terem amaldiçoado o povo que Ele tinha abençoado. Isto significa que todas as vezes que amaldiçoamos os ungidos e os escolhidos de Deus somos impedidos por esse nosso pecado de entrar em Sua presença. Então, nos sentimos afastados e tristes, pois não podemos gozar de Sua bênção sobre nós. Essa comunhão só pode ser restaurada quando reconhecemos nosso pecado e pedimos perdão ao Senhor; a partir daí, nossa responsabilidade passa a ser a de quebrar com a nossa própria boca as maldições por nós proferidas.

3) Quando falta o suprimento espiritual verdadeiro e os relacionamentos são insatisfatórios, doentes ou pecaminosos, os resultados são: morte, esterilidade, assolação, privação e perda de sonhos; o crescimento é impedido pelas prisões e cadeias do diabo. Quiliom se casou com Orfa, moabita, cujo nome significa: vigor juvenil, entre outros (pescoço, juba, gazela); aparentemente, alguém que compensaria seu espírito “definhado e arruinado”. Malom (adoentado) se casou com Rute que, nos dez anos em que viveu com Malom, não teve filhos, o que nos leva a pensar que era estéril (Rt 1: 4; Rt 4: 10), embora não se possa descartar a possibilidade da esterilidade ser de Malom, pois o “adoentado” era ele. Com certeza, o contato constante com uma pessoa adoentada, estéril e pessimista deve tê-la afetado também ou, na melhor das hipóteses, deve tê-la feito meditar na sua própria vida e nas suas circunstâncias para levá-la, mais tarde, a tomar a decisão de conhecer o verdadeiro Deus, o Deus de Noemi, se ver livre dessa contaminação e ter uma nova chance de ser feliz.

4) Fidelidade, lealdade e aliança na carne: Orfa era fiel, mas sua fidelidade era apenas humana, portanto, voltou a Moabe, àquilo que ela conhecia. Quem é fiel apenas à carne, mas não tem aliança no espírito, em outras palavras, quem só ama com o amor humano tem ponte com o passado e fica com a alma comprometida com aquilo de onde foi tirada.

5) Aliança espiritual: Rute, ao contrário de Orfa, fez com Noemi e com o Deus de Noemi uma aliança espiritual e sua declaração em Rt 1: 16-17 foi uma verdadeira conversão, pois deixou a velha vida, sua família e arriscou uma nova história e uma nova família: “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti”. Portanto, tomou a decisão e não voltou atrás. Ficou firme e destruiu a ponte com o passado. É assim que acontece com quem tem verdadeira aliança espiritual com Jesus.

6) Deus tem um objetivo para nós e um prêmio pela nossa fidelidade: respigar era uma maneira zombeteira de expressar dependência da provisão divina. Rute estava, literalmente, vivendo pela fé. Rebuscava as espigas e as ajuntava entre as gavelas, nome dado ao feixe de espigas. Ela era uma simples “catadora de canto”, mas a providência divina já a tinha colocado no campo de Boaz, o resgatador de Noemi. Boaz, como vimos, significa: “força, firmeza” e é a figura de Jesus. Ele não a queria como uma “catadora de canto”, mas como “a dona do campo”. Assim, quando obedecemos às Suas orientações, Ele tem um prêmio pela nossa fidelidade e nos coloca em posição de “cabeça”.

7) Temos um resgatador: o resgatador era um parente não tão distante, influente, a quem a família podia em geral recorrer quando a sua linhagem ou os seus bens corressem o risco de ser perdidos. Cristo é o nosso parente próximo que nos veio comprar de volta para a família de Deus. No NT, este conceito se revela nos vários sinônimos de resgatar, que transmite a idéia de pagar um resgate, fazer uma aquisição ou reaver o que se perdeu. Nós, os gentios, ao sermos enxertados na árvore genealógica de Jesus através da nossa conversão, passamos a tê-lo como nosso resgatador.

8) Há um tempo para a cura: após sua conversão, Rute estava passando por uma cura através do Espírito, fortalecendo-a para ocupar o lugar que Deus já tinha determinado para ela e preparando-a para assumir uma aliança com o resgatador. Vejo também que, todo o tempo em que rebuscou espigas, Rute foi trabalhada e liberta do espírito de pobreza e miséria, da idolatria e das distorções da sua auto-imagem, que poderiam impedi-la de assumir sua posição de honra naquela sociedade. A bíblia não conta os detalhes emocionais que aconteceram na vida de Rute nesse tempo de adaptação, mas podemos imaginar pelo nosso próprio crescimento com Deus, que não foi fácil esquecer e mudar os hábitos de origem, lidar com suas heranças familiares e espirituais e deixar para trás as lembranças ruins da velha vida. Da mesma forma, quando nos entregamos a Jesus, Ele começa um processo de cura, restauração e resgate em nossas vidas, nos fazendo pensar, sentir, agir e falar de uma maneira diferente daquela que tínhamos no mundo. Somos agora novas criaturas.

9) Quando buscamos a Deus com sinceridade, Ele não nos decepciona: Em Rt 3: 7-8; 13-14, a bíblia fala que Rute se deitou aos pés de Boaz, o que significava um pedido cerimonial de casamento e lhe pediu que estendesse a capa sobre ela. Espiritualmente, manto significa: unção, proteção, cobertura do sangue da aliança sobre nossa vida. É aquele momento de decisão em que vamos ocupar lugares espiritualmente mais altos, quando precisamos de uma proteção, de uma unção e de uma capacitação maior do Espírito Santo. Talvez, esse casamento esteja se referindo ao batismo no Espírito Santo ou a um derramar maior Dele. Boaz não decepcionou Rute; pelo contrário, tomou o seu manto e o encheu com suprimentos e a mandou de volta à cidade. É o que Jesus faz por nós, quando, pela fé, assumimos o compromisso com Ele e Lhe pedimos ajuda. Ele não só nos confirma Sua promessa como aumenta nossa a unção, pois vencemos mais um desafio para chegar até Ele e até a nossa bênção. Vejo algo além de um pedido de casamento ou proteção no fato de Rute se deitar aos pés de Boaz; vejo submissão e entrega à sua vontade, pois ela e Noemi sabiam que havia um resgatador mais próximo que poderia ocupar o lugar de Boaz nas negociações (Rt 4: 1-10), mas resolveram confiar nele e em Deus. Esse resgatador, figuradamente é o pecado que tenta nos prender de volta nas suas tramas, nossas heranças familiares que tentam nos trazer de volta à origem, em resumo, tudo o que tenta nos manter presos a Satanás e à lei ao invés da graça.

10) Deus não descansa até terminar Sua obra em nós: quando fazemos nossos pedidos a Jesus e Lhe confiamos nossa causa, Ele não descansa até que Seu trabalho em nós se complete para recebermos o que nos pertence (Rt 3: 18: “Então, lhe disse Noemi: Espera, minha filha, até que saibas em que darão as coisas, porque aquele homem não descansará, enquanto não se resolver este caso ainda hoje”). Também trabalha nas circunstâncias ao nosso redor para que o mais breve possível tudo possa estar clareado, pois viu em nós fé e determinação.

11) Ele a tudo restaura e transforma: o nome do bebê foi Obede, que tem vários significados: servo de Deus, adorador e Ele restaurou. Em outras palavras, quando entregamos nossa vida para Jesus e buscamos uma mudança real de vida, aquilo que era estéril se torna fértil, o que é amargo se torna doce, o que era assolação e fracasso se transforma em realização e o que era escasso e insuficiente se transforma em abundância. Rute, de “catadora de canto” se transformou na “dona do campo”, porque se casou com seu proprietário. Ao casarmos emocional e espiritualmente com Jesus, toda a Sua seara, todo o Seu reino, passam a ser nossos por herança. Muito provavelmente o sonho de Rute era ser feliz, ter uma nova família e ser mãe, ser restituída, honrada e amada, ser acolhida na sociedade, mesmo sendo estrangeira; em resumo, fazer parte do grupo. O sonho do nosso coração pode ser ter filhos, biológicos ou espirituais, ter a realização profissional ou ministerial, ser alguém útil a Deus e à sociedade, ser aceito e amado, ter de volta o que perdemos ou ter aquilo que nunca tivemos. Quando isso é conquistado com a ajuda de Jesus, acontece o que aconteceu com Rute: geramos um Obede, ou seja, nós e nosso sonho passamos a ser servos de Deus, instrumentos de Deus aqui na terra, por isso podemos ser verdadeiros adoradores porque Ele nos restaurou.

12) Em nós existe uma Rute e uma Noemi: não há lugar para a amargura (Mara – Rt 1: 20) e para a frustração quando a bênção de Deus chega plena e completa sobre nossas vidas. Também o inverso é verdadeiro; não podemos ter uma bênção grande de Deus com amargura e frustração no coração. Por isso, o enfoque da história foi sobre Rute, pois através do seu crescimento e do seu testemunho Noemi foi restaurada e curada. É interessante perceber que dentro de nós podemos ter uma Rute e uma Noemi; Noemi, uma velha criatura (nossa carne) que foi privada de amor, alimento, compreensão, luz de Deus, de uma vida mais leve e que foi assolada, destituída, enviuvada, frustrada e que acabou por se amargurar. E podemos, também, ter uma nova criatura dentro de nós, uma Rute, o nosso espírito, que decidiu nascer de novo, fazer a vontade de Deus e ter força para recuperar o que foi perdido. É com o nosso espírito que Jesus faz aliança, e através dele, nossa carne, nossa Noemi, passa ser mudada e curada das feridas do passado.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


A terra das doze tribos, mostrando Judá e a terra de Moabe

A TERRA DAS DOZE TRIBOS, MOSTRANDO JUDÁ E A TERRA DE MOABE

Este texto se encontra nos livros:


livro evangélico: Curso para ensino bíblico – nível 1

Curso para Ensino Bíblico – nível 1

Biblical Teaching Course – first level


livro evangélico: Rute, o começo de uma nova vida

Rute, o começo de uma nova vida

Ruth, the beginning of a new life

▲ Início  

relacionamentosearaagape@gmail.com