Estudo sobre o significado dos números na bíblia. Eles têm relação com algum evento bíblico. Quais os horários de oração do povo judeu? Um comentário sobre o Bar Mitzvah.


O significado dos números na bíblia




Esse é um estudo sobre o significado dos números na bíblia. Alguns deles têm importância para nós, cristãos, e estão relacionados a algum evento bíblico:

Número 1

Transmite o conceito de unidade e o caráter sem paralelo de Deus, unidade entre Cristo e o Pai, a união entre os crentes e Deus, unidade que existe entre os crentes, entre marido e mulher:

• “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17: 20-21).
• “Eu e o Pai somos um” (Jo 10: 30).
• “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2: 24).
• “Mas aquele que se une ao Senhor é um só espírito com ele” (1 Co 6: 17).

Número 2

Significa o número da aliança feita com o povo escolhido, colocada nas duas tábuas da lei dadas a Moisés; algo firmemente estabelecido por Deus; a aliança imutável de Deus com Seu povo; os dois povos com os quais o Senhor fez aliança: judeus e gentios; a concordância e a aliança entre duas pessoas:

• “E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus” (Êx 31: 18).
• “E, voltando-se, desceu Moisés do monte com as duas tábuas do Testemunho nas mãos, tábuas escritas de ambos os lados; de um e de outro lado estavam escritas. As tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas” (Êx 32: 15-16).
• “Por depoimento de duas ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por depoimento de uma só testemunha, não morrerá” (Dt 17: 6 – o castigo de idolatria).
• “Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça” (Mt 18: 16).
• “Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas” (1 Tm 5: 19).
• “As sete vacas boas serão sete anos; as sete espigas boas, também sete anos; o sonho é um só. As sete vacas magras e feias, que subiam após as primeiras, serão sete anos, bem como as sete espigas mirradas e crestadas do vento oriental serão sete anos de fome... O sonho de Faraó foi dúplice [dois, duplo, é o que significa], porque a coisa é estabelecida por Deus, e Deus se apressa a fazê-la” (Gn 41: 26-27, 32).
• “Porque ele é a nossa paz, o qual, de ambos [judeus e gentios] fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois [judeus e gentios] criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos [judeus e gentios com Deus] em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade” (Ef 2: 14-16).
• “Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?” (Am 3: 3).
• “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho” (Ec 4: 9).

Número 3

Simboliza a Trindade, o número perfeito, santidade:

• “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os aguardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt 28: 18-20).
• “Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra]: o espírito [i.e., os milagres na Palavra], a água [i.e., a água do batismo] e o sangue [i.e., o sangue de Jesus], e os três são unânimes num só propósito [i.e., que Jesus é divino, completo e o único salvador do mundo]” (1 Jo 5: 7-8).
• “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus [O Pai], que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3: 16-17).
• “Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei” (Jo 2: 19).
• “Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse [à casa de Jairo], senão Pedro e os irmãos Tiago e João” (Mc 5: 37) – Isso significa que para os Seus santos (me refiro aos três apóstolos), Deus revela Seus milagres, Seus mistérios e Sua santidade.

Na bíblia nós vemos também o número trezentos ou trezentas, como o número da idade de pessoas em Gênesis (Gn 5: 22, 23; Gn 17: 25), o número de censo das tribos de Israel (Nm 1: 23; Nm 2: 13; Nm 26: 25); o número das concubinas de Salomão (1 Rs 11: 3); o número dos que voltaram do cativeiro com Esdras (Livro de Esdras e Neemias), a quantia de tributos (Ezequias, por exemplo – 2 Rs 18: 14), e até os 300 denários mencionados por Judas Iscariotes em Marcos (Mc 14: 5) e João (Jo 12: 5) por causa da unção de Jesus por Maria. Mas há situações mais específicas onde 300 parece ser o número perfeito determinado por Deus para atingir Seu propósito, para santificar Seu povo de alguma influência ou pecado, por exemplo: a medida do comprimento da arca de Noé (Gn 6: 15) para separá-lo e à sua família daquela geração corrupta; os 300 guerreiros de Gideão (Jz 7: 6, 7, 8, 16, 22; Jz 8: 4) para exaltar Seu poder e Sua santidade; e as trezentas raposas que Sansão ateou fogo na cauda e soltou na seara dos filisteus (Jz 15: 4) para exterminar a arrogância deles.

Número 3 ½

Como mencionado no livro de Daniel e de Apocalipse, 3 ½ anos, que equivalem a quarenta e dois meses (Ap 11: 2; Ap 13: 5) ou 1.260 dias (Ap 12: 6) ou ‘um tempo, dois tempos e metade de um tempo’ (Dn 12: 7 – equivalente à metade de uma semana de anos); ‘um tempo, tempos e metade de um tempo’ (Ap 12: 14), não se referem a medidas de tempo literais na bíblia, mas simbolizam um período curto de aflição, um período de tempo que o Senhor abrevia pela Sua misericórdia (Ap 12: 6; 14). Também simboliza o domínio dos incrédulos no mundo, como aconteceu em relação a Jesus e ao tempo do Seu ministério; é o símbolo do poder vitorioso do mundo, ao contrário do número sete, o número da plenitude divina. O mundo se sentiu vitorioso com a morte de Jesus, mas isso era apenas o começo de algo maior. A bíblia diz que Jesus fez uma firme aliança com muitos: “Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares” (Dn 9: 27a – cf. Is 42: 6; Is 53: 11; Jr 31: 31-34; Mt 20: 28; Mt 26: 28; Lc 22: 20; Rm 5: 15; Hb 9: 28), abolindo (fazendo cessar) os sacrifícios judaicos e o culto Levítico no templo para sempre, pois a antiga aliança foi revogada; é o que Antíoco IV Epifânio fez no passado, e o Anticristo escatológico tentará fazer para imitar o feito de Jesus.

Número 4

É o número do evangelho (temos quatro evangelistas), da Palavra, da relação entre o homem e Deus; para os judeus, o símbolo de um número perfeito, do homem unido à Trindade: quatro lados da nova Jerusalém (Ap 11: 16; Ez 48: 30-34), quatro ordens de tribos ao redor do Tabernáculo (Nm 2: 1-34), quatro letras no nome hebraico de Deus – YHWH (יהוה).

Número 5 / 50

Segundo a visão judaica, o número 5 tem o significado espiritual do cumprimento fiel das promessas de Deus referentes aos cinco livros do Pentateuco (Torá), ou seja, os fatos ocorridos como predestinação divina. Assim, temos os números 5 ou 50 na bíblia confirmando a fidelidade de Deus em cumprir Suas promessas, como, por exemplo: o ano do Jubileu (a cada 50 anos, Lv 25: 8-13) e o Pentecostes (50 dias após a Páscoa, Lv 23: 15-21; Dt 16: 9-12). Podemos ver o número 50 freqüentemente usado nas medidas de laçadas e colchetes do Tabernáculo (Livro de Êxodo) e no número de homens das tribos (Livro de Números) ou o 50 como o limite de idade para o serviço do sacerdócio (Nm 4: 3, 23, 30, 35, 39, 43, 47).

O 5 é freqüentemente usado como o número de cortinas e tábuas do Tabernáculo (em Êxodo); o número de animais para o sacrifício pacífico pelos príncipes das tribos (em Números); as 5 pedras que Davi pegou no ribeiro antes de se encontrar com Golias (1 Sm 17: 40). É também um número muito freqüente em 1 Reis nas medidas do Templo de Salomão e de certos utensílios, inclusive o comprimento da asa dos querubins do Santo dos Santos (2 Cr 3: 11, 12, 15); nas medidas do Templo de Ezequiel 40, 41 e 45 (muitas vezes, os números 5, 25 ou 50), ou seja, ele representa algo santo e predeterminado por Deus.

No NT, temos também o relato da multiplicação de cinco pães e dois peixes por Jesus para alimentar uma multidão (Mc 6: 30-44). Ao trazerem ao Senhor os cinco pães, os discípulos estavam mostrando que as promessas dadas a eles eram ainda insuficientes para fartá-los nas suas necessidades. Ao multiplicar os cinco pães, o Senhor quis mostrar que Suas promessas são infinitas e serão todas cumpridas a ponto de satisfazer multidões.

153 grandes peixes

Em Jo 21: 10-11, quando Jesus apareceu para os discípulos na Galiléia após Sua ressurreição, a bíblia escreve: “Disse-lhes Jesus: Trazei alguns dos peixes que acabastes de apanhar. Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e, não obstante serem tantos, a rede não se rompeu”. Cento e cinqüenta e três seria o símbolo do projeto de Deus para Seus filhos, para os Seus escolhidos, isto é:
• 100: a grande unidade entre os crentes e Deus, assim como a unidade entre os irmãos, da mesma maneira que é a unidade entre Cristo e o Pai. Ele estava alertando para que Sua Igreja vigiasse, não dormisse e continuasse sempre fiel, a fim de ser completa.
• 50: o cumprimento fiel das promessas de Deus na vida de Seus filhos, mais do que eles possam pedir ou pensar, como Ele mesmo diz na Sua palavra; o derramar pleno do Seu Espírito, como foi no Pentecostes.
• 3: A participação da trindade, como número perfeito, mostrando a santidade de Deus.

Juntando tudo isso: Jesus estava mostrando aos Seus discípulos e a nós, que Ele tinha vindo para nos dar o exemplo da união com o Pai e com os homens, para nos estimular a crer nas Suas promessas e para nos lembrar de viver uma vida de santidade. Essa seria a regra para todos os filhos de Deus.

Número 6

É o número do homem (Gn 1: 26-31). Para alguns, 6 é o número imperfeito, símbolo de fracasso; 666 é o número da trindade da maldade (Ap 13: 18: o número 3, que é o número da Trindade, está repetido três vezes aqui = 666) ou, então, a maldade em grau superlativo, apesar de Satanás ter limitações (não pode tocar em Deus e nos que estão no céu; não pode gerar a apostasia nos verdadeiros crentes).

• “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou... Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia” (Gn 1: 27; 31).
• “Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta (cf. Ap 15: 2), pois é número de homem [número 6]. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis” (Ap 13: 18).
• “De seis angústias te livrará, e na sétima o mal te não tocará” (Jó 5: 19). Neste versículo, 6 é um número que foi fixado para chamar atenção para algo importante. O 7 é o número perfeito, portanto, dando a idéia de livramento de todos os problemas possíveis.

Número 7

Sete é o número perfeito de Deus, algo completo, algo em que se pode descansar por estar totalmente cumprido. Deus fez o mundo em sete dias. Moisés recebeu os Dez Mandamentos no sétimo dia após subir ao Sinai. Duas das principais festas fixas eram comemoradas por sete dias (Páscoa e Festa dos Tabernáculos).

• “Assim, pois foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera” (Gn 2: 1-3).
• “E a glória do Senhor pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; ao sétimo dia, do meio da nuvem chamou o Senhor a Moisés” (Êx 24: 16).
• “Sete dias comerás pães asmos; e, ao sétimo dia, haverá solenidade ao Senhor” (Êx 13: 6 – Páscoa).
• “Desde o dia catorze do primeiro mês, à tarde, comereis pães asmos até à tarde do dia vinte e um do mesmo mês” (sete dias de festa; Êx 12: 18 – Páscoa).
• “Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao Senhor, por sete dias” (Lv 23: 34).

Número 8

Quanto ao número 8, nós fomos ensinados que é o número de Cristo, mas, na verdade, nada há escrito na bíblia em relação a isto. Vamos explicar melhor:

Os primeiros cristãos usavam o peixe como um sinal de sua fé em Cristo, o que simbolizava o fato de terem nascido nas águas. A palavra “peixe”, em grego: Ίχθύς (ichthýs), é o acrônimo de Ίησούς Χριστός Θεός Ύιός Σωτήρ (Iēsoùs Christòs Theoù Yiòs Sōtèr), “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador”. Acrônimo é uma sigla formada pelas letras iniciais de uma expressão com mais de uma palavra. Eles usavam o símbolo de uma maneira a serem identificados uns pelos outros, pois precisavam ter cautela naquela época devido às perseguições. Entretanto, a numerologia proveniente da Cabala (a vertente mística do Judaísmo), ou seja, o método esotérico chamado guematria ou gematriya, erroneamente explicou que o número de Jesus é o número 8. Alguns pensam que a soma das letras da palavra Ίχθύς (ichthýs, peixe) é 888. Mas o valor 888 não vem da palavra grega Ίχθύς e sim do nome próprio de Jesus em grego (Iesous – Ιησούς):

Ι (Iota) = 10
η (Eta) = 8
σ (Sigma) = 200
ο (Omicron) = 70
υ (Upsilon) = 400
ς (Sigma final) = 200
Somando esses valores: 10 + 8 + 200 + 70 + 400 + 200 = 888

Para nós, cristãos, as poucas explicações bíblicas que podemos nos lembrar para o número 8 é a instituição da circuncisão dada por Deus a Abraão (Gn 17: 11-12; Lv 12: 3; Lc 1: 59; At 7: 8; Fp 3: 5; Gl 2: 3), a reunião solene do 8º dia da festa dos Tabernáculos (Lv 23: 36; 1 Rs 8: 66) e Ez 43: 26-27 em relação à consagração do altar:

• “Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe (NVI: ‘que não for da descendência de vocês’)” (Gn 17: 11-12).
• “Sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao dia oitavo [8º dia da festa dos Tabernáculos], tereis santa convocação e oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; é reunião solene, nenhuma obra servil fareis” (Lv 23: 36).
• “No oitavo dia desta festa [dos Tabernáculos], despediu [Salomão] o povo, e eles abençoaram o rei; então, se foram às suas tendas, alegres e de coração contente por causa de todo o bem que o Senhor fizera a Davi, seu servo, e a Israel, seu povo” (1 Rs 8: 66).
• “Por sete dias, expiarão o altar e o purificarão; e, assim, o consagrarão. Tendo eles cumprido estes dias, será que, ao oitavo dia, dali em diante, prepararão os sacerdotes sobre o altar os vossos holocaustos e as vossas ofertas pacíficas; e eu vos serei propício, diz o Senhor Deus” (Ez 43: 26-27).

Dessa forma, se pudéssemos encontrar uma explicação bíblica simples e pura para o número 8, poderíamos dizer que 8 simboliza: 1) o número que completa ou que encerra o que foi determinado por Deus (as reuniões solenes das festas após sete dias, quando Ele passa a ser benigno para com eles e, por isso, eles O louvam); 2) o número mais que perfeito, o profundo pacto de fidelidade de Deus para com homens (a circuncisão da carne e do coração: Gn 17: 9-14; Dt 10: 16; Rm 2: 28-29; Cl 2: 13). Em outras palavras: a aliança entre os homens e o Deus verdadeiro.

Número 9

Falaremos dele por último, pois traz um comentário extra.

Número 10

O número zero, quando acrescentado a outro poderia indicar “multiplicação” de certa forma. Como vimos, o número 1 transmite o conceito de unidade e o caráter sem paralelo de Deus, assim como a unidade entre Cristo e o Pai, a união entre os crentes e Deus e a unidade que existe entre os crentes. Colocando o número zero ao seu lado, pode significar “bastante vezes”, da mesma forma que cem equivale a um número grande, e mil ou dez mil, a um número infinitamente grande. O número 10 também pode significar o primeiro número de um começo maior (Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana, iniciando uma nova era para os homens), algo completo ou fidelidade (Jesus completou a obra de redenção da humanidade planejada pelo Pai, cumpriu Sua promessa de morrer por nós e ressuscitar, simbolizando Sua vitória sobre a morte), além de ser considerado por alguns como o número da Igreja (a noiva de Cristo, unida a Ele através da santidade e da fidelidade). Em Ap 20: 2, quando a bíblia se refere aos mil anos da prisão de Satanás, nós vemos que 1000 significa 10³ (dez ao cubo), ou seja, um tempo completo da 1ª à 2ª vinda, o número simbólico da era da igreja, de plenitude, inteireza, de uma condição espiritual dos redimidos (as almas dos mortos no céu com Jesus, e os vivos fazendo Sua obra na terra, pregando Sua palavra de salvação e arrependimento).

Número 11

Sob o ponto de vista bíblico, o número 11 significa: 1) imperfeição, algo incompleto ou transição; 2) desordem ou desorganização; 3) uma perda, uma desintegração de sistemas ou uma quebra de harmonia; 4) pode também significar julgamento ou o fim de um período. Onze fica no meio dos números dez e doze, que simbolizam algo completo, algo que Deus criou como estabilidade para Seus filhos, mostrando Sua soberania. Assim, eu separei os versículos bíblicos de acordo com as características acima. Por exemplo:

1) Imperfeição, algo incompleto ou transição:
• “Levantou-se [Jacó] naquela mesma noite, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos [porque Benjamim ainda não tinha nascido] e transpôs o vau de Jaboque” (Gn 32: 22). Assim como Jacó transpôs o vau de Jaboque com seus onze filhos, o número onze aqui significa uma fase de transição ou de algo incompleto, pois se o número dos patriarcas determinado por Deus era 12, ainda seria necessário que Benjamim nascesse para completar Seu projeto.

Quando olhamos os versículos sobre a construção do Tabernáculo, por exemplo, nós podemos notar eles falam sobre onze cortinas de pêlos de cabras (Êx 26: 7; Êx 26: 8; Êx 36: 14-15), a segunda coberta do tabernáculo. A 1ª coberta, a mais interna, era constituída de dez cortinas de linho com fios de cor púrpura, carmesim e azul e desenhos de querubins. E a 3ª e 4ª cobertas não têm medidas descritas ali. O significado disso é bastante interessante e você pode ler no tema sobre o Tabernáculo. Mas, sendo as cortinas de cabra em número de onze nós podemos dizer que, em se tratando das qualidades referentes à nossa alma e à nossa personalidade e ao sacrifício da entrega a Deus dos nossos valores interiores (a cabra – ver a explicação no respectivo tema), esse número 11 poderia refletir algo incompleto e imperfeito, pois o tabernáculo no deserto foi uma fase de transição da posição de escravidão para a liberdade de uma nação, onde a promessa de Deus (a Terra Prometida) seria cumprida de verdade (Js 21: 45). Podemos dizer também que foi um tempo de amadurecimento espiritual, aprendendo a amar a Deus, a servi-lO e a obedecer-Lhe (Js 22: 5).

2) Desordem ou desorganização, que de certa forma está ligada ao item 4), ou seja, julgamento ou o fim de um período, e que pode ser exemplificado pelos reinados de Jeoaquim e Zedequias, que fizeram o que era mau perante o Senhor, tiveram um governo de desordem e desorganização social e sofreram as conseqüências do Seu julgamento, terminando nas mãos dos babilônios:

• “Tinha Jeoaquim a idade de vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Zebida e era filha de Pedaías, de Ruma” (2 Rs 23: 36).
• “Tinha Jeoaquim a idade de vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Fez ele o que era mau perante o Senhor, seu Deus” (2 Cr 36: 5).
• “Tinha Zedequias a idade de vinte e um anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hamutal e era filha de Jeremias, de Libna” (2 Rs 24: 18).
• “Tinha Zedequias a idade de vinte e um anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém” (2 Cr 36: 11).
• “Tinha Zedequias a idade de vinte e um anos, quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hamutal e era filha de Jeremias, de Libna” (Jr 52: 1).

3) Uma perda, uma desintegração de sistemas ou uma quebra de harmonia: podemos ver isso no AT, na história de José, e no NT, no suicídio de Judas e na escolha de Matias.

No AT diminuição dos 12 filhos de Jacó para 11 (tanto na suposta morte de José – Gn 37: 33-36; Gn 42: 13, quanto nos seus sonhos com as onze estrelas – Gn 37: 9), trouxe perda e desintegração temporária da família patriarcal; na suposta morte, porque um filho morto deixava a família incompleta fisicamente, era uma grande perda; e no caso dos sonhos, porque José mesmo se excluía do patamar de igualdade com seus irmãos para se tornar superior a eles, gerando ciúmes, e porque eles não acreditaram que isso era um determinar profético de Deus. O Senhor teve que mexer nesse sistema familiar “doente”, gerar uma separação e uma quebra de harmonia, para depois reestruturá-la num patamar espiritual mais elevado, digno de um verdadeiro clã patriarcal.

• “Teve ainda outro sonho e o referiu a seus irmãos, dizendo: Sonhei também que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim” (Gn 37: 9).
• “Ele a reconheceu e disse: É a túnica de meu filho; um animal selvagem o terá comido, certamente José foi despedaçado. Então, Jacó rasgou as suas vestes, e se cingiu de pano de saco, e lamentou o filho por muitos dias. Levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; ele, porém, recusou ser consolado e disse: Chorando, descerei a meu filho até à sepultura. E de fato o chorou seu pai. Entrementes, os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda” (Gn 37: 33-36).
• “Eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem na terra de Canaã; o mais novo está hoje com nosso pai, outro já não existe” (Gn 42: 13).

No NT, a morte de Judas Iscariotes aparentemente desfez uma estrutura criada pelo próprio Jesus, sobre a qual construir Sua igreja. Para repor esta perda, os apóstolos escolheram Matias (Atos 1: 13-26). O número de 11 era incompleto e insuficiente para realizar o projeto de Deus, da Sua nova aliança:

• “Seguiram os onze discípulos para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes designara” (Mt 28: 16).
• “Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado” (Mc 16: 14).
• “E, voltando [as mulheres] do túmulo, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os mais que com eles estavam” (Lc 24: 9).
• “E, na mesma hora, levantando-se [os discípulos de Emaús], voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles” (Lc 24: 33).
• “E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos” (At 1: 26).
• “Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras” (At 2: 14).

5) Podemos encontrar ainda alguns versículos com o número onze, mas aparentemente, sem relação com as explicações acima:

• “Na região montanhosa [de Judá]: Samir, Jatir, Socó, Daná, Quiriate-Sana, que é Debir, Anabe, Estemoa, Anim, Gósen, Holom e Gilo; ao todo, onze cidades com suas aldeias [herança dada a essa tribo]” (Js 15: 48-51).
• “Jornada de onze dias há desde Horebe, pelo caminho da montanha de Seir, até Cades-Barnéia” (Dt 1: 2).
• “No terceiro dia [da Festa dos Tabernáculos], oferecereis onze novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano, sem defeito” (Nm 29: 20).

É interessante notar que no 1º dia da festa, se oferecia para o holocausto treze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano. E o número dos novilhos ia diminuindo até o sétimo dia: sete novilhos, mantendo-se sempre dois carneiros e catorze cordeiros de um ano sem defeito. No oitavo dia, o da reunião solene, o número dos animais reduzia para a metade: um carneiro, sete cordeiros de um ano, mas apenas um novilho (No 7º dia eram sete bois, dois carneiros, e quatorze cordeiros machos de um ano, sem defeito).

Número 12

Significa o número da eleição divina, do chamado de Deus, dos projetos eletivos de Deus (quem ou o que Ele escolhe para mostrar Sua glória), da plenitude do povo de Deus. Deus fez o dia e a noite com doze horas de duração, escolheu doze patriarcas e doze apóstolos. Ismael foi o pai das doze tribos árabes. Ester foi preparada por doze meses com mirra e ungüentos para ser trazida ao Rei Assuero. As pedras no peitoral das vestes de Arão tinham doze pedras, relativas às doze tribos de Israel. O mar de bronze [NVI: tanque de metal fundido] do Templo de Salomão repousava sobre doze bois e seu trono tinha doze leões, dois de cada lado dos seis degraus.

Alguns personagens no NT estão relacionados ao número doze para mostrar o poder de Deus nos milagres de Jesus, como por exemplo, a filha de Jairo (que tinha doze anos) e a mulher do fluxo de sangue (que estava doente há doze anos). Doze cestos sobraram após a primeira multiplicação de pães e peixes, a muralha da Nova Jerusalém tem doze portas e doze fundamentos. Jesus mencionou doze legiões de anjos que Ele poderia convocar para livrá-lO da Sua prisão e do Seu sofrimento na cruz.

Quanto à ressurreição da filha de Jairo nós podemos dizer que o fato de ter doze anos significava que ela fora escolhida e eleita pelo próprio Deus para um propósito, por isso ela não pereceu. Portanto, quando nossos sonhos (“filhos”) são os sonhos de Deus colocados dentro de nós para um propósito especial, jamais morrerão porque através deles o Senhor vai mostrar Sua soberania e Seu poder entre os homens.

Podemos dizer a mesma coisa da mulher com fluxo de sangue (Mc 5: 24b-34 cf. Mt 9: 20-22; Lc 8: 43-48). Ela se comportou como uma discípula, se arriscando para tocar em Jesus, mesmo no estado em que ela estava, e portanto, foi curada, pois já era uma escolhida por Deus para dar testemunho dos Seus milagres e para seguir o Mestre.

Em Ap 7: 4, João menciona os cento e quarenta e quatro mil selados de Israel. Cento e quarenta e quatro significa: doze vezes doze. Cento e quarenta e quatro mil significam um número infinitamente grande de salvos para o Senhor; símbolo de totalidade (12x12x1000), referindo-se a todos que serão salvos (no AT e no NT) e dos que serão selados no período da Grande Tribulação (Ap 7: 3; Ap 9: 4 cf. Ez 9: 4-6; Ap 7: 13-14) com o selo do Pai e do Filho, ao invés de terem a marca da besta (Ap 13: 17); portanto, para serem preservados das calamidades que virão.

Vamos ler os textos:

• “Quanto a Ismael, eu te ouvi: abençoá-lo-ei, fá-lo-ei fecundo e o multiplicarei extraordinariamente; gerará doze príncipes, e dele farei uma grande nação” (Gn 17: 20).
• “E aconteceu que, habitando Israel naquela terra, foi Rúben e se deitou com Bila, concubina de seu pai; e Israel o soube. Eram doze os filhos de Israel” (Gn 35: 22).
• “São estas as doze tribos de Israel; e isto é o que lhes falou seu pai quando os abençoou; a cada um deles abençoou segundo a bênção que lhe cabia” (Gn 49: 28 – a bênção de Jacó sobre os filhos).
• “As pedras eram conforme os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes; eram esculpidas como sinete, cada uma com o seu nome para as doze tribos” (Êx 39: 14).
• “Assentava-se o mar [o mar de bronze do Templo] sobre doze bois; três olhavam para o norte, três, para o ocidente, três, para o sul, e três, para o oriente; o mar apoiava-se sobre eles, cujas partes posteriores convergiam para dentro” (1 Rs 7: 25).
• “Também doze leões estavam ali sobre os seis degraus [do trono de Salomão], um em cada extremo destes. Nunca se fizera obra semelhante em nenhum dos reinos” (1 Rs 10: 20).
• “Em chegando o prazo de cada moça [Ester e as moças do harém] vir ao rei Assuero, depois de tratada segundo as prescrições para as mulheres, por doze meses (porque assim se cumpriam os dias de seu embelezamento, seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias e com os perfumes e ungüentos em uso entre as mulheres)” (Et 2: 12).

• “E eis que uma mulher, que durante doze anos vinha padecendo de uma hemorragia, veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste” (Mt 9: 20).
• “Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios” (Mt 14: 20 – a 1ª multiplicação de pães e peixes).
• “Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel” (Mt 19: 28).
• “Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?” (Mt 26: 53).
• “Imediatamente, a menina [a filha de Jairo] se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados” (Mc 5: 42).
• “E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos” (Lc 6: 13).
• “Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 10: 1).
• “Respondeu Jesus: Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo” (Jo 11: 9).
• “Tinha [a Nova Jerusalém] grande e alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel” (Ap 21: 12).
• “A muralha da cidade [a Nova Jerusalém] tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21: 14).

• “Quando ele [Jesus] atingiu os doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa [da Páscoa]” (Lc 2: 42).

Um comentário sobre o Bar Mitzvah

Quanto a esse último versículo (Lc 2: 42), eu gostaria de fazer um comentário e uma pergunta:
— Se o ritual do Bar Mitzvah para meninos judeus mostra que ele é responsável perante a lei judaica, e é feito com treze anos, por que Jesus subiu a Jerusalém com doze anos naquela Páscoa e discutiu com os doutores judeus (os Mestres da Lei) de igual para igual?

A cerimônia pública do Bar Mitzvah (Bar Mitzvah para os meninos e Bat Mitzvah para as meninas) como a conhecemos hoje é uma tradição que surgiu, inclusive com este nome, no século XV e foi se desenvolvendo nos séculos seguintes, com rituais mais complexos no século XVII-XVIII, principalmente entre os judeus ‘Asquenazes’ ou ‘Asquenazim’ (provenientes da Europa Central e Oriental; a palavra hebraica ‘Ashkenaz’ é de origem medieval para a Alemanha. O singular é ‘ashkenazi’ e o plural, ‘ashkenazim’). Bar Mitzvah significa ‘filho do mandamento’ (Bat Mitzvah = ‘filha do mandamento’). Mitzvot (מצוות) é o plural hebraico de ‘mitzvá ou mitzvah’ (מִצוָה), que significa ‘mandamento’ ou ‘preceito’. A visão tradicional das Mizvot (os 613 os mandamentos contidos na Torá ou Pentateuco) é baseada na enumeração do rabino Moshe ben Maimon, também conhecido como Maimônides ou Rambam, o erudito judeu mais influente da Idade Média. Assim, a Mishné Torá (Repetição da Torá) de Maimônides foi compilada entre 1170 e 1180 enquanto ele vivia no Egito. Os meninos judeus com 13 anos de idade, e as meninas com 12 anos (isso se iniciou nos EUA em 1922 com Judith Kaplan), mostram que estão aptos para assumir sua maioridade religiosa com os conhecimentos das ordenanças. Eles são responsáveis pelas suas ações perante Deus, não mais seus pais. A partir desse momento eles assumem seu lugar como membro pleno e ativo da comunidade judaica.

A preparação é de 2 anos, onde eles estudam as leis hebraicas da Torá e as leis comunitárias, aprendem sobre o que devem fazer na cerimônia e também o hebraico tradicional sem vogais, pois a Torá está escrita dessa forma, não na forma atual com vogais. A menina também é obrigada a fazer seu Bat Mitzvah, mas a cerimônia varia entre os diversos ramos de judaísmo, do ortodoxo ao progressista. Em algumas denominações a leitura da Torá para a menina é inexistente.

A cerimônia dura mais ou menos uma hora e meia. Eles colocam pela primeira vez o Talit (xale de orações) e os meninos põem os Tefilin (pequenas caixas com escrituras) durante o serviço, simbolizando sua nova responsabilidade religiosa. O jovem canta as bênçãos e as orações em partes do serviço. O ponto principal da cerimônia é a ‘Aliá’, a leitura pública de um trecho da Torá (Aliá = ‘Chamado à Torá’). A Parashá é o trecho da Torá que é lido, assim como a Haftorá ou Haftará [em hebraico, הַפטָרָה, ‘separação’ (partida, despedida), ‘dar licença’ (dispensar, libertar), plural haftarot ou haftorás, que é uma série de seleções dos livros dos Nevi’im, נביאים (‘Profetas’), da Bíblia Hebraica (Tanakh)]. Depois da leitura, ele (ela) faz uma pequena pregação (sermão, reflexão), o D’var Torá, sobre o trecho lido, aplicando-o à sua vida. Por último, o pai recita uma bênção agradecendo a Deus e declarando a responsabilidade do filho por seus próprios atos. E depois, o rabino ou líder da sinagoga oferece uma bênção especial ao jovem. Após o serviço religioso, eles fazem uma a pequena recepção com vinho e lanches leves na sinagoga. A bênção recitada sobre o vinho ou suco de uva é chamada de Kiddush (em hebraico: קידוש, literalmente, ‘santificação’ ou ‘separação’), a mesma para santificar o Shabat ou os feriados judaicos. O vinho ou a cerveja que são servidos, algumas vezes são acompanhados de bolos, biscoitos e peixe [fonte: wikipedia.org]. Por fim, há uma grande celebração (Se’udat Mitzvah) com familiares e amigos, com comidas, músicas e presentes, para comemorar a nova fase do jovem.


Menino em Bar Mitzvah em Jerusalém Menina em Bat Mitzvah em Jerusalém

Imagens acima: Um menino Judeu lendo a bíblia no seu Bar Mitzvah no Muro Oeste do Templo, na Cidade Velha de Jerusalém – Foto Peter van der Sluijs – wikipedia.org
Um Bat Mitzvah conservador em Israel – Yiddish Wikipedia

Entretanto, a idéia de responsabilidade religiosa existe há mais de 2000 anos. Na época de Jesus, a transição para essa maturidade consistia num processo de aprendizado e discussão sobre as leis judaicas e as Escrituras. Segundo Lucas (Lc 2: 41-52), aos 12 anos de idade Jesus já demonstrava estar pronto para assumir seus deveres religiosos na sinagoga da Sua comunidade, mesmo porque foi o momento em que adquiriu consciência de Sua missão divina. A bíblia escreve que Ele estava “assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os” (Lc 2: 46) e a resposta que Ele deu a Maria e José confirmava que já tinha consciência de Sua missão: “Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” (Lc 2: 49). Mas não podemos dizer que aquela experiência foi exatamente uma cerimônia de Bar Mitzvah. Deve ter havido uma cerimônia simples na sinagoga de Nazaré antes de Ele estar preparado para ir ao templo de Jerusalém para a Páscoa. Mesmo porque se fosse uma cerimônia oficial, Maria e José estariam presentes e conscientes dela, não procurando um filho desaparecido há três dias sem que tenham dado conta do fato [apenas um pensamento meu].


Jesus com doze anos no Templo

Jesus com doze anos no templo ouvindo e interrogando os Mestres da Lei.

Número 13

Aproveitando o comentário do Bar Mitzvah, nós podemos encontrar alguns versículos bíblicos onde o número 13 é mencionado, como por exemplo: o número de novilhos ou ovelhas para holocaustos (Nm 29: 13); o número de cidades conquistadas por Josué (Js 19: 6; Js 21: 4, 6, 19, 33); o tempo que Salomão demorou para construir seus palácios foi de treze anos (1 Rs 7: 1); o número 13 presente várias vezes no livro de Ester, em relação ao dia em que decretos foram escritos, selados e cumpridos para a morte dos judeus como um dia em que os judeus reverteram seu destino, destruindo seus inimigos:

• “Chamaram, pois, os secretários do rei, no dia treze do primeiro mês, e, segundo ordenou Hamã, tudo se escreveu aos sátrapas do rei, aos governadores de todas as províncias e aos príncipes de cada povo; a cada província no seu próprio modo de escrever e a cada povo na sua própria língua. Em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se selou. Enviaram-se as cartas, por intermédio dos correios, a todas as províncias do rei, para que se destruíssem, matassem e aniquilassem de vez a todos os judeus, moços e velhos, crianças e mulheres, em um só dia, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar, e que lhes saqueassem os bens” (Et 3: 12-13).
• “Num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar [o decreto dado por Assuero e escrito por Mordecai para que os judeus se defendessem]” (Et 8: 12).
• “No dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar, quando chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus contavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, pois os judeus é que se assenhorearam dos que os odiavam” (Et 9: 1).
• “Sucedeu isto no dia treze do mês de adar; no dia catorze, descansaram e o fizeram dia de banquetes e de alegria. Os judeus, porém, que se achavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo; e descansaram no dia quinze e o fizeram dia de banquetes e de alegria” (Et 9: 17-18).

No judaísmo, o número 13 simboliza os 13 atributos de misericórdia de Deus (Êx 34: 6-7); em palavras cristãs, eu diria, a descrição das qualidades divinas dadas por Moisés para obter Seu perdão após o incidente com o bezerro de ouro, e quando Moisés vê Sua glória. Também simboliza a maioridade religiosa no Bar Mitzvah (talvez, isso possa ser explicado pela transição da fase de infância para a adolescência, dos 12 para os 13 anos) e ainda tem relação com a guematria, onde o valor numérico das palavras amor (Ahavá) e unidade (Echad) somam 13. Resumindo: o número 13 é símbolo de poder, conexão espiritual e proteção divina e está associado a mudanças positivas.

Analisando os versículos bíblicos acima sob o ponto de vista cristão, nós podemos dizer que o número 13 está ligado não apenas à maturidade espiritual, mas também a uma entrega, por exemplo: um “sacrifício” de adoração ou a uma entrega pessoal para que a vontade de Deus seja feita, ao invés da nossa (como eram os holocaustos, Nm 29: 13, por exemplo); também, um esforço de conquista de algo importante e que já foi prometido por Deus para nós, como foi no caso das cidades conquistadas por Josué (Js 19: 6; Js 21: 4, 6, 19, 33) ou na construção dos palácios reais de Salomão, onde tempo, dinheiro, trabalhadores e habilidades foram gastos para sua realização. Se analisarmos o livro de Ester, podemos perceber que o 13, embora estivesse ligado inicialmente a um mau intento do inimigo, foi revertido em vitória pela misericórdia, soberania e ação protetora de Deus sobre Seu povo. Portanto, ele significa a reversão positiva de uma situação, e não há porque ligá-lo a algo torto, incompleto ou ao azar.

Número 40

O número 40 se refere a um tempo de aprendizado, tempo de deserto ou ao tempo de uma geração. Moisés passou quarenta anos sendo treinado como príncipe do Egito, quarenta anos em Midiã como pastor de ovelhas e quarenta anos no deserto conduzindo o povo até a Terra Prometida. Moisés ficou na presença de Deus no Sinai, em jejum por 40 dias. Lembremo-nos do número 40 no livro de Juízes onde, muitas vezes, está escrito que houve um descanso da opressão do inimigo (“E a terra ficou em paz por quarenta anos” – Jz 5: 31 b). Jesus passou 40 dias em jejum no deserto, assim como Elias, desde o deserto até o monte Horebe. O coxo que foi curado na porta Formosa do templo por Pedro e João também tinha mais de quarenta anos quando recebeu a cura (At 4: 22). O reinado de Davi e Salomão foi de 40 anos. O Dilúvio durou 40 dias. Todos eles aprenderam neste período de tempo.

Número 50

Já explicado no número 5.

Número 70

O número 70 corresponde ao número de nações (povos) que repovoaram a terra após o Dilúvio (Gn 10: 1-32; 1 Cr 1: 5-23), assim como os descendentes de Jacó foram uma maneira de repovoar o Egito; um grande momento para a humanidade, cumprindo-se parte da promessa de fazer de Abraão uma grande nação. Portanto, o número setenta pode simbolizar um tempo de reconstrução, de encher de novo a nossa terra que foi assolada.

Número 9

No NT, nós podemos ver o número nove escrito como a hora nona (que corresponde às três horas da tarde para nós), e ligado ao maior evento bíblico, a crucificação, portanto, simbolizando redenção e graça de Deus sobre a humanidade:

• Mc 15: 33-39 (com enfoque nos vs. 33-34): “33 Chegada a hora sexta [meio-dia], houve trevas sobre toda a terra até a hora nona [três horas da tarde]. 34 À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Vede, clama por Elias! E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de um caniço, deu-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo! Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus”.

O mesmo episódio é descrito em:
• Mt 27: 45-46; 50: “Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas sobre toda a terra. Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?... E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.”
• Lc 23: 44-47: “Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona. E rasgou-se pelo meio o véu do santuário. Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou. Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo”.

Ainda no NT, nós podemos ver o número nove escrito na parábola da ovelha perdida e na cura de dez leprosos, confirmando seu simbolismo como o número da redenção e graça de Deus sobre a humanidade. Nos dois primeiros episódios (Mt 18 e Lc 15) está escrito o número noventa e nove, como que reforçando a idéia da remissão, o números dos justos, dos que foram remidos:

• Mt 18: 12-13 (A parábola da ovelha perdida): “Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram”.
• Lc 15: 4 e 7 (A parábola da ovelha perdida): “Qual, dentre vós é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?... Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento”.
• Lc 17: 17-19 (A cura de dez leprosos): “Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”.

Na cura de dez leprosos, isso significa que os que já são povo de Deus (os nove que eram judeus, não samaritanos com o 10º leproso curado) também precisam agradecer, não somente os que ainda não são salvos e recebem bênçãos dEle, pois o que voltou era Samaritano, e não judeu. O interessante é que, justamente um samaritano, depois de glorificar a Deus pela cura pôde ouvir de Jesus a palavra que lhe trouxe uma cura ainda maior: a salvação, a redenção: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”. Ele era apenas um homem, o número 1 simbolizando sua unidade com Deus, ou seja, a fé que ele tinha no seu coração já lhe trazia a união com o Senhor; por isso, só bastava uma palavra de Jesus confirmando a sua salvação e a redenção de sua alma. “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”, Jesus disse. O verbo grego usado aqui para “salvar; salvou” é sózó, σῴζω, Strong #4982, que significa: salvar, curar, preservar, resgatar. Vem de um verbo primário ‘sos’ (contração do obsoleto ‘saos’, ‘seguro’): salvar, isto é, libertar ou proteger (literal ou figurativamente); curar, preservar, salvar-se, fazer bem, ter saúde, ser curado, ser completo.

No AT, nós podemos ver outros versículos bíblicos onde o número nove é escrito como nove, noventa, noventa e nove, novecentos ou nono.

No judaísmo, o número 9 está ligado à 1) completude, maturidade; 2) encerramento de um ciclo e o começo de outro, ou seja, a renovação espiritual após um período de espera (como os 9 meses de gestação) ou provação, visto nos nove dias de luto que precedem Tisha B’Av (destruições sofridas por Israel). 3) Às vezes, é visto como símbolo do juízo divino.

1) Completude, maturidade:

• Gn 17: 1, 17, 24: “Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito... Então, se prostrou Abraão, rosto em terra, e se riu, e disse consigo: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara com seus noventa anos?... Tinha Abraão noventa e nove anos de idade, quando foi circuncidado na carne do seu prepúcio”.

2) Renovação espiritual após um período de provação:

• Lv 23: 32 (Dia da Expiação ou Yom Kippur, Lv 23: 27): “Sábado de descanso solene vos será; então, afligireis a vossa alma; aos nove do mês, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado”.

Embora o Yom Kippur seja chamado de ‘Shabat HaShabatot’ (o Sábado dos Sábados) por ser um dia sagrado de descanso absoluto e jejum, sem nenhum tipo de trabalho, não é sempre comemorado no dia de sábado da semana. A festividade começa no pôr do sol do nono dia do mês judaico de Tishrei ou Tisri (setembro-outubro) e termina no anoitecer do dia seguinte, o décimo dia de Tisri.

3) Como um símbolo do juízo divino por pecado do Seu povo, permitindo opressão e até destruição por povos inimigos:

• Jz 4: 3, 13: “Clamaram os filhos ao Senhor, porquanto Jabim tinha novecentos carros de ferro e, por vinte anos, oprimia duramente os filhos de Israel... Sísera convocou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele, de Harosete-Hagoim para o Ribeiro de Quisom”.
• 2 Rs 25: 1-3: “Sucedeu que, no nono ano do reinado de Zedequias, aos dez dias do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio contra Jerusalém, ele e todo o seu exército, e se acamparam contra ela, e levantaram contra ela tranqueiras em redor. A cidade ficou sitiada até ao undécimo ano do rei Zedequias. Aos nove dias do quarto mês, quando a cidade se via apertada da fome, e não havia pão para o povo da terra...”.
• Jr 39: 2 (Refere-se à tomada de Jerusalém no reinado do rei Zedequias – 2 Rs 25: 1-3): “... era o undécimo ano de Zedequias, no quarto mês, aos nove do mês, quando se fez uma brecha na cidade [NVI: o muro da cidade foi rompido]”.
• Jr 52: 6 (repetição da narrativa anterior): “Aos nove dias do quarto mês, quando a cidade se via apertada da fome, e não havia pão para o povo da terra...”.

Resumindo: no NT, o 9 simboliza a redenção e o perdão dos pecados pela graça de Deus, pois em Jesus Seu plano de salvação para o homem foi completado. Os versículos vistos no AT expressam a mesma idéia, ou seja: renovação espiritual após um período de provação, lamentação ou opressão (como conseqüência de pecado); completude, maturidade.

Os horários de oração do povo judeu

Fazendo uma ponte para os horários de oração do povo judeu, nós podemos ver que a hora terceira, a sexta e a nona de oração foram mencionadas no NT, principalmente no livro de Atos dos Apóstolos. Vamos aos versículos:

• At 2: 1, 15 (Pentecostes): “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar [no Cenáculo, orando]... Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia [9 horas da manhã]”.
• At 3: 1: “Pedro e João subiam ao templo para a oração da hora nona[3 horas da tarde].
• At 10: 3: “Esse homem [centurião Cornélio] observou claramente durante uma visão, cerca da hora nona do dia [3 horas da tarde], um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse:...”.
• At 10: 9: No dia seguinte, indo eles [o soldado e os dois servos enviados pelo centurião Cornélio a Jope em busca de Pedro] de caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado [da casa de Simão, o curtidor, onde estava hospedado], por volta da hora sexta [meio-dia], a fim de orar”.
• At 10: 30 (Pedro chega à casa do centurião Cornélio): “Respondeu-lhe Cornélio: Faz, hoje, quatro dias que, por volta desta hora, estava eu observando em minha casa a hora nona de oração [3 horas da tarde], e eis que se apresentou diante de mim um varão de vestes resplandecentes...”.
• Mt 20: 3, 5 (A parábola dos trabalhadores na vinha): “Saindo pela terceira hora [9 horas da manhã], viu, na praça, outros estavam desocupados... Tendo saído outra vez, perto da hora sexta e da hora nona [meio-dia e 3 horas da tarde], procedeu da mesma forma [chamando trabalhadores para a vinha]”.

Resumindo:
Hora terceira: 9 horas.
Hora sexta: 12 horas.
Hora nona: 15 horas.

• Davi escreveu: “À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz. Livra-me a alma, em paz, dos que me perseguem; pois são muitos contra mim” (Sl 55: 17-18) .
• E em Dn 6: 10 está escrito: “Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada [o decreto do rei Dario para jogar na cova dos leões quem não o adorasse], entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer”.

Isso não significa que era uma ordem de Deus para orar três vezes por dia.

Se lermos o AT, principalmente os mandamentos dados pelo Senhor a Moisés, poderemos notar que o sacrifício era feito duas vezes por dia (pela manhã e à tarde, com holocausto e oferta de manjares; Êx 29: 38-39; e queimar incenso no altar de ouro: Êx 30: 7-8). Considerando aqui a oração como uma metáfora de ‘queimar incenso’ e o sacrifício de louvor como uma metáfora para ‘holocausto’ (Hb 13: 15), isso significa a separação de uma parte do dia para estar na presença de Deus e se lembrar dEle.

Então, podemos deduzir que homens como Davi e Daniel, homens tementes a Deus e guiados pelo Espírito Santo, tinham o hábito de orar três vezes por dia por amor ao Senhor, mas não porque isso fosse imposto por alguém. O hábito passou a ser incorporado pelos judeus depois do exílio de Israel na Babilônia. A doutrina dos fariseus, saduceus e escribas influenciou o povo judeu de tal forma que até os apóstolos acabaram por seguir o horário rígido das orações no templo, pois a regra já havia sido incorporada por toda a nação e até pelos seguidores de Cristo, como o centurião Cornélio.

O apóstolo Paulo foi mais além quando escreveu: “... com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo” (Ef 6: 18-20). Ele estava defendendo a sua doutrina de que a salvação trazida por Jesus Cristo era alcançada pela fé e não pelas obras da Lei, ou seja, agora, sob a direção do Espírito Santo, não havia mais hora certa para orar; pelo contrário, a oração era feita todo o tempo, pois ele havia se tornado um verdadeiro instrumento de poder nas mãos de Deus, como Davi e Daniel haviam sido no passado, obedecendo a Deus por amor e, por isso, livres das regras de homens.

Este texto se encontra no tema em anexo:


o significado os números na bíblia – Estudo bíblico (PDF)

O significado dos números na bíblia (PDF)

The meaning of numbers in the bible (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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