Capítulo 9: o menino (Emanuel) que nascerá em Judá terá as qualidades esperadas para um rei: sabedoria na administração (Conselheiro), capacidade militar (Deus-Forte), zelo pela prosperidade do povo (Pai Eterno) e preocupação com a sua felicidade (Príncipe da Paz).


Isaías capítulo 9




Capítulo 9

O Príncipe da paz

O nascimento e o reino do Messias, o Príncipe da paz – v. 1-7.
• Is 9: 1-7: “Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. Deus, nos primeiros tempos, tornou desprezível a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, tornará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios [NVI: ‘No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão’]. O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste [NVI: ‘Fizeste crescer a nação e aumentaste a sua alegria’]; alegram-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas [NVI: ‘no dia da derrota de Midiã’]; porque toda bota com que anda o guerreiro no tumulto da batalha e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte [NVI: ‘Deus Poderoso’], Pai da Eternidade [NVI: ‘Pai Eterno’], Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino [NVI: ‘Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino’], para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto”.


O nascimento de Emanuel, o Príncipe da paz
O nascimento do Príncipe da paz


Como vimos, Tiglate-Pileser III conquistou três regiões de Israel entre 734-732 AC: Zebulom, Naftali e Galiléia (2 Rs 15: 29: “Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser, rei da Assíria, e tomou a Ijom, a Abel-Bete-Maaca, a Janoa, a Quedes, a Hazor, a Gileade e à Galiléia, a toda a terra de Naftali, e levou os seus habitantes para a Assíria”). Por isso, Isaías menciona todas elas no início da profecia do capítulo 9, renovando-lhes a esperança na restauração. Deus, que tornou desprezíveis as terras de Zebulom, Naftali e a Galiléia por causa da invasão assíria, nos últimos tempos [Nos tempos do Messias, é o que ele quer dizer] voltará a dar glória a essas regiões. Elas serão honradas. E o povo que andava em trevas e tristeza verá uma grande luz, e viverá com alegria. A alegria será motivada pelo fim da guerra (a bota e o uniforme militar foram queimados) e da opressão (o jugo, a canga e o bastão do opressor foram quebrados), e, principalmente, pelo nascimento de um menino em Judá, o Messias. A vitória sobre o opressor é comparada à vitória que Gideão teve sobre os midianitas, matando seus reis, Orebe e Zeebe. Orebe foi morto na rocha de Orebe; e Zeebe, no seu lagar (Jz 7: 25). Isaías também fala que a nação vai crescer [‘Tens multiplicado este povo’, ‘Fizeste crescer a nação e aumentaste a sua alegria’ (NVI)]. Como todos os profetas, ele usa o tempo verbal no pretérito como se a profecia já tivesse sido cumprida. Também, como todos os profetas, ele tem a visão, mas nem sempre sabe quando será cumprida, a não ser que Deus revele. Por isso, todas as vezes que ele fala sobre o Messias, dá a impressão de que ele fala de algo muito próximo; seja porque a sua vontade era que Ele viesse logo ou porque ele não tinha, na verdade, a noção do reino espiritual trazido pelo Messias. Em sua mente humana, como um judeu, ele esperava um Messias em forma humana e trazendo um reino militar, como Davi ou Ciro. Não é verdade que ele estava profetizando sobre Ezequias e nem que ele esperava o Messias personificado nele, mesmo porque nós vimos que Ezequias já tinha nascido (741 AC – Is 7: 10-16). A descrição do ‘menino’ que foi dado a Israel continua a profecia sobre Emanuel, do capítulo 7. Da mesma forma, não é verdade o que pregam sobre Emanuel como um terceiro filho do profeta, e dizendo que ele se casou com outra mulher, uma virgem, além da sua primeira esposa, que lhe deu os dois filhos com nomes simbólicos profetizados na bíblia. Essa confusão foi feita mais tarde com as traduções hebraicas do rolo do profeta para o aramaico, e porque os judeus não acreditavam na possibilidade de outro tipo de Messias, além do qual suas mentes concebiam.

Isaías usa qualidades para este menino que eram muito comuns de se esperar em relação a um rei, segundo a mentalidade da época: a sabedoria do rei na administração (Conselheiro), sua capacidade militar (Deus Forte), zelo pela prosperidade do povo (Pai Eterno) e a preocupação com a felicidade do povo (Príncipe da Paz). O versículo 7 deixa claro que o menino pertence à casa real de Davi (‘para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino’) e que governará com juízo e justiça (NVI: ‘juízo e retidão’). Umas versões (como KJV, ou segundo a nota da NVI, separam a expressão: ‘Maravilhoso conselheiro’ em duas: ‘Maravilhoso’, ‘Conselheiro’.

Outro comentário: seria admissível chamar o rei de ‘deus’, em se tratando de egípcios, persas, babilônios ou assírios, mas não em se tratando de Israel, onde o rei não era considerado um ‘deus’. No máximo, era chamado, de ‘ungido de Deus’ ou ‘filho (com letra minúscula) de Deus, mas jamais se insinuou alguma divindade nos reis de Judá (‘Deus Forte’, como está escrito acima).

• Is 9: 6-7: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro (Pele Yo-eytz), Deus Forte (El Gibbor), Pai da Eternidade (Aviyad), Príncipe da Paz (Sar-Shalom); para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto”.

Então, ‘o menino’ (Emanuel) é, sem dúvida, uma referência ao Messias, pelas suas qualidades de homem sábio (Maravilhoso Conselheiro – eu pessoalmente prefiro manter essas duas palavras juntas, para enfatizar que Ele não seria apenas um conselheiro qualquer, mas um Maravilhoso Conselheiro); homem de guerra (Deus Forte). A terceira qualidade, a meu ver, não seria o Seu zelo pela prosperidade do povo, mas a Sua eternidade, o Deus criador de todas as coisas, o princípio e o fim, o dono da eternidade, por isso o nome ‘Pai da Eternidade’. Ele mesmo disse ao Seu povo que gostaria de ser chamado de Pai deles.

A palavra ‘pai’, além da sua significação natural (humana), nas Escrituras é escrita no sentido de avô, bisavô, ou fundador de uma família, mesmo que de maneira remota, como o caso de Abraão, o pai dos hebreus, ou pelo significado do seu nome, ‘o pai de muitas nações’, porque muitos povos tiveram sua origem nele (Ismael e os filhos de Quetura, todos eles, nações árabes). Por isso os judeus no tempo de Jesus Cristo chamavam Abraão, Isaque e Jacó de pais. Jesus Cristo (em Sua encarnação humana) é chamado o Filho de Davi, embora este rei estivesse distante dele muitas gerações. O instituidor, o mestre, o primeiro de uma determinada profissão também recebe o nome de ‘pai’ na bíblia, como ocorreu com Jabal, que foi ‘o pai dos que habitam nas tendas e possuem gado’. E Jubal (seu irmão) ‘foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta’ (Gn 4: 20-21). Pai é o que gera algo ou alguém, num sentido amplo, seja fisicamente ou figuradamente. A palavra é também usada em relação a Deus no sentido de parentesco espiritual; portanto, Deus é o Pai da humanidade, enquanto que o diabo é o pai (com minúscula) da mentira (Jo 8: 44).
No AT, a palavra ‘pai’ aparece 1044 vezes, mas apenas 3 vezes (pelo menos na versão ARA), a palavra está escrita com letras maiúsculas, se referindo a Deus:
• Is 63: 16: “Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó Senhor, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade”.
• Is 64: 8: “Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos”.
• Jr 3: 19: “Mas eu a mim me perguntava: como te porei entre os filhos, e te darei a terra desejável, a mais formosa herança das nações? E respondi: Pai me chamarás e de mim não te desviarás”.
• Em 1 Cr 29: 10 Davi chamou Israel de pai, com visão judaica dele como o iniciador da nação de Israel: “Pelo que Davi louvou ao Senhor perante a congregação toda e disse: Bendito és tu, Senhor, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade (em outras traduções está escrito: ‘Deus de nosso pai Israel’)”.

A quarta qualidade mencionada por Isaías é a preocupação com a felicidade do povo, por isso, o título de ‘Príncipe da Paz’, como Jesus se preocupa com a nossa felicidade e estabilidade emocional e espiritual diante Dele. A palavra hebraica para ‘príncipe’ é: sar (Strong #8269), que significa: uma pessoa principal de qualquer categoria, posto ou classe; capitão (que tem o governo), chefe (capitão), general, governador, detentor, senhor, feitor ou capataz, mestre, amo, príncipe ou principal, governante, administrador ou mordomo (como Sebna é chamado na bíblia como o mordomo de Ezequias, mas na verdade, era um alto oficial da corte). A palavra ‘sar’ vem do verbo ‘sarar’ (Strong #8323), que significa: exercer ou obter completo domínio, tornar-se um príncipe, (deter) o governo; governar, reinar, ser príncipe, controlar, dominar.

Profecia contra o reino de Israel. Os Arameus e os Filisteus também destruirão Samaria – v. 8-12.
• Is 9: 8-12: “O Senhor enviou uma palavra contra Jacó, e ela caiu em Israel. Todo o povo o saberá, Efraim e os moradores de Samaria, que em soberba e altivez de coração dizem: Os tijolos ruíram por terra, mas tornaremos a edificar com pedras lavradas; cortaram-se os sicômoros [NVI: ‘as figueiras bravas’], mas por cedros os substituiremos. Portanto, o Senhor suscita contra ele os adversários de Rezim e instiga os inimigos. Do Oriente vêm os siros [NVI: ‘Os arameus’], do Ocidente, os filisteus e devoram a Israel à boca escancarada. Com tudo isto, não se aparta a sua ira, e a mão dele continua ainda estendida”.

A palavra profética de Deus contra as dez tribos (Jacó) realmente chegou a Israel pela revelação (‘caiu [do céu] em Israel’). Samaria era a capital do reino do Norte, que ainda estava se estribando na Síria como seu aliado contra a Assíria. Entretanto, o Senhor diz que, pela soberba e altivez de coração dos israelitas, eles se decepcionarão. Ainda que o profeta Isaías falasse sobre a ruína de Samaria, eles diziam para si mesmos que se os tijolos de suas casas ruíssem, eles construiriam outras de pedras lavradas, muito mais bonitas e mais fortes. Os israelitas estavam falando das cidades sitiadas pelos assírios e que cujas casas seriam destruídas.

Sicômoro (hebraico, shiqmâ; em grego, sykomõraia) ou figo-sicômoro (Ficus sycomorus L.), uma espécie de figueira brava, é uma árvore grande e vigorosa, abundante no Egito e nas terras baixas da Palestina (1 Rs 10: 27; 2 Cr 1: 15; 2 Cr 9: 27). Os frutos eram comestíveis (um sabor de figo misturado com amora) e de grande valor para Israel, como as oliveiras, pois fazia parte da produção agrária da nação e tinham propriedades anti-sépticas. Em Am 7: 14, a tradução ‘colhedor de sicômoros’ é incorreta, uma vez que o vocábulo hebraico (‘balac’ – Strong #1103) significa cultivador dessa árvore, podando o topo de cada fruto para assegurar que ficaria maduro; ou, segundo alguns estudiosos, fazendo incisões na sua casca com um instrumento especial para soltar o excesso de suco antes de amadurecer; depois de quatro dias é que se colhia a fruta. Na Judéia eles eram empregados em construção, mas não eram árvores tão valiosas como os cedros, cuja madeira não tinha nós, tinha um cheiro agradável e era muito mais forte e durável, inclusive na construção dos palácios. Assim, os sicômoros que os assírios usaram para fazer as obras de cerco seriam substituídos por cedros, árvores altas e grandes, muito bonitas de se olhar, de grande valor e utilidade em construção, e muito duráveis.

Por isso, o Senhor levanta contra Israel (Efraim) os adversários de Rezim, ou seja, os arameus ou assírios, e os filisteus. Os assírios atacariam Damasco primeiro, e depois avançariam para o sul até Efraim. Tiglate-Pileser III mataria Rezim, rei de Damasco, e a cidade seria reduzida a uma cidade vassala da província Assíria de Hamate, perdendo sua influência política e, portanto, não mais podendo continuar como aliada de Efraim, mesmo que quisesse; infelizmente, ela seria a partir daquele momento uma serviçal da Assíria. Damasco caiu diante da Assíria em 732 AC, e seu povo foi deportado para Quir, na Assíria (2 Rs 16: 9), sendo que alguns habitantes de Samaria foram junto como os Damascenos para Gozã e Nínive. Entretanto, a maior deportação de Israel ocorreria dez anos mais tarde no governo de Sargom II (2 Rs 17: 6; 2 Rs 18: 11; 1 Cr 5: 26). Arameus é um nome comum para sírios e assírios, pois se refere à região de Aram, na bíblia.


Reinos de Israel e Judá
OS REINOS DE ISRAEL E JUDÁ


Israel sofrerá por sua impenitência e hipocrisia (do povo e dos líderes) – v. 13-21.
• Is 9: 13-21: “Todavia, este povo não se voltou para quem o fere, nem busca ao Senhor dos Exércitos. Pelo que o Senhor corta de Israel a cabeça e a cauda, a palma e o junco, num mesmo dia. O ancião, o homem de respeito, é a cabeça [NVI: ‘as autoridades e os homens de destaque são a cabeça’]; o profeta que ensina a mentira é a cauda [NVI: ‘os profetas que ensinam mentiras são a cauda’]. Porque os guias deste povo são enganadores [NVI: ‘Aqueles que guiam este povo o desorientam’], e os que por eles são dirigidos são devorados [NVI: ‘e aqueles que são guiados deixam-se induzir ao erro’]. Pelo que o Senhor não se regozija com os jovens dele e não se compadece dos seus órfãos e das suas viúvas, porque todos eles são ímpios e malfazejos [NVI: ‘hipócritas e perversos’], e toda boca profere doidices. Com tudo isto, não se aparta a sua ira, e a mão dele continua ainda estendida. Porque a maldade lavra como um fogo [NVI: ‘Porque a impiedade queima como fogo’], ela devora os espinheiros e os abrolhos; acende as brenhas do bosque [NVI: ‘põe em chamas os matagais da floresta’], e estas sobem em espessas nuvens de fumaça. Por causa da ira do Senhor dos Exércitos, a terra está abrasada [NVI: ‘a terra será ressecada’], e o povo é pasto do fogo [NVI: ‘o povo será como lenha no fogo’]; ninguém poupa a seu irmão. Abocanha à direita e ainda tem fome, devora à esquerda e não se farta; cada um come a carne do seu próximo: Manassés ataca a Efraim, e Efraim ataca a Manassés, e ambos, juntos, atacam a Judá. Com tudo isto, não se aparta a sua ira, e a mão dele continua ainda estendida”.

O profeta descreve um povo desunido, que vive em contendas, cheio de violência uns contra os outros; um povo de índole maldosa, com líderes que ensinam mentiras; e o povo recebe suas mentiras sem questionar. Até os que parecem mais humildes e indefesos como órfãos e viúvas desagradam a Deus, pois não o temem. As tribos do norte brigam entre si e também atacam Judá.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

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