Capítulo 36: a invasão de 46 cidades fortificadas de Judá por Senaqueribe. Laquis e Azeca ficavam na região agrícola de Sefelá (planície marítima da Filístia na terra de Judá). O Egito era chamado de cana esmagada (cana quebrada) porque já não era mais uma nação forte.


Isaías capítulo 36




Capítulo 36

Senaqueribe invade Judá – v. 1.
• Is 36: 1 – Senaqueribe invade Judá (cf. 2 Rs 18: 13-37; 2 Cr 32: 1-8): “No ano décimo quarto do rei Ezequias, subiu Senaqueribe, rei da Assíria, contra todas as cidades fortificadas de Judá e as tomou”.

Como foi escrito em Is 10, Senaqueribe marchou contra a Síria, cercou Sidom, e marchou para o sul, a fim de atacar Asquelom (cidade da Filístia). Invadiu o Reino de Judá (701 AC), tendo tomado quarenta e seis cidades fortificadas. Sitiou Laquis com sucesso (2 Rs 18: 13-14; 17; Mq 1: 13) e foi para Jerusalém para atacar Ezequias (2 Rs 18: 17-19). Laquis estava situada na área agrícola mais fértil de Judá; por isso, era de vital importância para a economia do reino. Foi completamente destruída. A História fala que a cidade judaica de Azeca, assim como Laquis, também foi tomada de assalto, pilhada e, em seguida, devastada. Além de Laquis, na valiosa terra agrícola de Sefelá (planície marítima da Filístia na terra de Judá), havia outras cidades, que foram entregues nas mãos dos Filisteus. Laquis e Azeca foram reconstruídas. Quando os Babilônios comandados por Nabucodonosor invadiram Judá, elas foram as últimas cidades que caíram antes que Judá fosse tomada (Jeremias 34: 6-7). Is 10: 28-32 descreve a marcha de Senaqueribe até Jerusalém.


Região agrícola de Sefelá
Região agrícola de Sefelá em Israel


As afrontas contra o Deus de Ezequias e o seu desespero – v. 2-22.
• Is 36: 2-4: “O rei da Assíria enviou Rabsaqué [NVI: ‘seu comandante’], de Laquis a Jerusalém, ao rei Ezequias, com grande exército; parou ele na extremidade do aqueduto do açude superior, junto ao caminho do campo do lavadeiro [NVI: ‘na estrada que leva ao campo do Lavandeiro’]. Então, saíram a encontrar-se com ele Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo [NVI: ‘o administrador do palácio’], Sebna, o escrivão [NVI: ‘o secretário’], e Joá, filho de Asafe, o cronista [NVI: ‘o arquivista real’]. Rabsaqué lhes disse [NVI: ‘E o comandante de campo falou’]: Dizei a Ezequias: Assim diz o sumo rei, o rei da Assíria: Que confiança é essa em que te estribas?”

O campo do Lavandeiro (cf. Is 7: 3) era um local do lado de fora do muro oriental, onde as vestes eram espalhadas para secarem ao sol, segundo o costume dos lavandeiros. O lavandeiro ou lavadeiro era chamado de ‘pisador’ (em hebraico, kãbhas; em grego, gnapheus, ‘preparador de panos’ – Mc 9: 3) porque ele lavava as roupas fora da cidade e perto de bastante água, onde os panos pudessem ser limpos ao serem pisados sobre uma pedra submersa. Em alguns lugares, o lavandeiro era também o tintureiro, pois além de lavar, ele tingia os tecidos.

Em 2 Rs 18: 14-16 está escrito que, sabendo da invasão de Judá por Senaqueribe, o rei Ezequias enviou a ele uma mensagem de submissão, acompanhada de valiosos presentes para aplacar a fúria do inimigo: 300 talentos de prata e 30 de ouro como tributo, mais a prata que se achou na Casa do Senhor e nos tesouros da casa do rei, e o ouro que foi removido das portas e das ombreiras do templo. Mas o monarca Assírio não se satisfez e enviou a Ezequias seus oficiais: Tartã (general ou comandante chefe), Rabe-Saris (seu oficial principal) e Rabsaqué (comandante de campo), exigindo a rendição de Jerusalém. Eliaquim (o mordomo), Sebna (o escrivão) e Joá (o cronista) foram os intermediários de Ezequias na negociação. Este foi só o começo das afrontas de Rabsaqué.

• Is 36: 5-10: “Bem posso dizer-te que teu conselho e poder para a guerra não passam de vãs palavras; em quem, pois, agora confias, para que te rebeles contra mim? Confias no Egito, esse bordão de cana esmagada, o qual, se alguém nele apoiar-se, lhe entrará pela mão e a traspassará [NVI: ‘que fura a mão de quem nela se apóia!’]; assim é Faraó, rei do Egito, para com todos os que nele confiam. Mas, se me dizes: Confiamos no Senhor, nosso Deus, não é esse aquele cujos altos e altares Ezequias removeu e disse a Judá e a Jerusalém: Perante este altar adorareis? Ora, pois, empenha-te com meu senhor, rei da Assíria [NVI: ‘Faça, agora, um acordo com o meu senhor, o rei da Assíria’], e dar-te-ei dois mil cavalos, se de tua parte achares cavaleiros para os montar [NVI: ‘se você puder pôr cavaleiros neles!’]. Como, pois, se não podes afugentar um só capitão dos menores dos servos do meu senhor, confias no Egito por causa dos carros e cavaleiros? Acaso, subi eu agora sem o Senhor contra esta terra, para a destruir? Pois o Senhor mesmo me disse: Sobe contra a terra e destrói-a [NVI: ‘Além disso, você pensa que vim atacar e destruir esta nação sem o Senhor? O próprio Senhor me mandou marchar contra esta nação e destruí-la’]”.

Rabsaqué afrontava a confiança de Ezequias e do povo de Judá no Senhor, e ainda usava o Seu nome como uma desculpa de ter recebido Dele mesmo a autorização de invadir Judá e Jerusalém, por causa dos seus pecados. Também zombava de Ezequias por confiar no Egito para socorrê-lo. Ele oferecia, em troca de um acordo com o rei da Assíria, dois mil cavalos, porém, não acreditava que eles tivessem homens suficientes ou bons o bastante para montar neles. Ele dizia que a força de Ezequias era muito pequena, comparada com a de Senaqueribe, pois não podiam afugentar um único capitão assírio.

O Egito era chamado por ele, e talvez por muitas nações, de cana esmagada (ou cana quebrada), porque já não era mais uma nação forte (Is 19 – as dinastias egípcias). Naquele momento, era uma nação dividida e enfraquecida. Em Is 30: 1-7 nós vimos a advertência profética de Isaías sobre confiar no Egito. Deus os exortava a não confiar nos egípcios. Desde Uzias, passando por Jotão e Acaz, antepassados de Ezequias, não se pedia ajuda ao Egito. Nesta campanha de Senaqueribe em 701 AC contra as cidades fortificadas de Judá, muitos judeus buscaram refúgio lá. O próprio Ezequias parecia ser muito propenso a confiar nos egípcios, embora a bíblia não deixe muito clara nenhuma situação como a de enviar emissários para o Egito com o propósito de uma aliança. Num tempo posterior, Zedequias, por exemplo, enviou emissários a este império pedindo ajuda para livrá-lo do rei da Babilônia.

• Is 36: 11: “Então, disseram Eliaquim, Sebna e Joá a Rabsaqué: Pedimos-te que fales em aramaico aos teus servos, porque o entendemos, e não nos fales em judaico [NVI: ‘hebraico’], aos ouvidos do povo que está sobre os muros [NVI: ‘pois assim o povo que está sobre os muros entenderá’]”.

Como comentei em Is 33: 19 a linguagem cuneiforme (o Sumério antigo) foi criada, por assim dizer, para atender às necessidades de administração dos palácios e dos templos, como, por exemplo, cobrança de impostos, registros de cabeças de gado, medidas de cereal etc. Foi gradualmente substituída pelo alfabeto fenício já durante o Império Neo-Assírio (911-612 AC) e inspirou também o Persa antigo e o alfabeto ugarítico (o idioma falado na antiga cidade de Ugarite na Síria). Os assírios tinham como língua oficial, o Acadiano, o Sumério e o Aramaico (língua formal do império babilônico) e que foi a língua administrativa e religiosa de diversos impérios da Antiguidade. A língua assíria era uma espécie de ‘adaptação’ da linguagem cuneiforme, ou o Acadiano, uma vez que o Aramaico era entendido e falado já naquela época por muitos povos, inclusive os judeus, principalmente pelas pessoas ligadas à corte, que necessitavam dessa língua comercial e administrativa para fazer seus acordos políticos e comercializar seus produtos com outras nações. Por isso, quando Senaqueribe enviou seus oficiais para afrontar Ezequias, os embaixadores de Judá (Eliaquim, Sebna e Joá) lhe disseram para falar com eles em Aramaico, porque eles entendiam, mas não Judaico ou Hebraico, ou seja, a língua de Canaã, porque esta o povo mais humilde falava, e eles não queriam que os judeus da cidade entendessem o que eles estavam conversando e se desanimassem com as afrontas, perdendo a fé em Deus e nas palavras do rei Ezequias (2 Reis 18: 26).

• Is 36: 12-20: “Mas Rabsaqué lhes respondeu: Mandou-me, acaso, o meu senhor para dizer-te estas palavras a ti somente e a teu senhor? E não, antes, aos homens que estão assentados sobre os muros, para que comam convosco o seu próprio excremento e bebam a sua própria urina? Então, Rabsaqué se pôs em pé, e clamou em alta voz em judaico, e disse: Ouvi as palavras do sumo rei, do rei da Assíria. Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar. Nem tampouco Ezequias vos faça confiar no Senhor, dizendo: O Senhor certamente nos livrará, e esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assíria. Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assíria: Fazei as pazes comigo e vinde para mim; e comei, cada um da sua própria vide e da sua própria figueira, e bebei, cada um da água da sua própria cisterna; até que eu venha e vos leve para uma terra como a vossa; terra de cereal e de vinho, terra de pão e de vinhas. Não vos engane Ezequias, dizendo: O Senhor nos livrará. Acaso, os deuses das nações livraram cada um a sua terra das mãos do rei da Assíria? Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim? Acaso, livraram eles a Samaria das minhas mãos? Quais são, dentre todos os deuses destes países, os que livraram a sua terra das minhas mãos, para que o Senhor livre a Jerusalém das minhas mãos?”

Rabsaqué continuou a gritar em língua hebraica para que todos entendessem; assim, Ezequias ficaria desmoralizado diante do povo, e este se renderia a Senaqueribe, perdendo a fé no Senhor. Primeiro, ele os ameaçou de morrerem de fome por causa do cerco. Depois, para se gabar, no versículo 19 ele fala sobre os deuses de outras cidades da Síria, as quais o exército assírio tinha invadido, e lhes disse que nenhum desses deuses as livrara de suas mãos. Como, pois, o Deus de Israel poderia livrar Judá e Jerusalém dessa invasão?

• Is 36: 21-22: “Eles, porém, se calaram e não lhe responderam palavra; porque assim lhes havia ordenado o rei, dizendo: Não lhe respondereis. Então, Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o cronista, rasgaram suas vestes, vieram ter com Ezequias e lhe referiram as palavras de Rabsaqué”.

O povo confiou em Ezequias e se calou diante das afrontas, mas os emissários rasgaram suas vestes em sinal de grande tristeza e voltaram ao rei de Judá para lhe contar o que ouviram.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

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