Capítulo 33: a derrota da Assíria e uma promessa de livramento e proteção de Deus. Líbano, Sarom, Basã e Carmelo refletem o estado de desolação do povo. Conheça a linguagem da Antiguidade (escrita cuneiforme, Ugarítico e Aramaico); o túnel de Ezequias e o tanque de Siloé e o Vale de Cedrom; a planície de Sarom; a Arabá.


Isaías capítulo 33




Capítulo 33

O destruidor será destruído e a oração do profeta – v. 1-5.
• Is 33: 1-5: “Ai de ti, destruidor que não foste destruído, que procedes perfidamente e não foste tratado com perfídia! [NVI: ‘Ai de você, traidor, que não foi traído!’] Acabando tu de destruir, serás destruído, acabando de tratar perfidamente, serás tratado com perfídia. Senhor, tem misericórdia de nós; em ti temos esperado; sê tu o nosso braço manhã após manhã [NVI: ‘nossa força cada manhã’] e a nossa salvação no tempo da angústia. Ao ruído do tumulto [NVI: ‘Diante do trovão da tua voz’], fogem os povos; quando tu te ergues, as nações são dispersas. Então, ajuntar-se-á o vosso despojo como se ajuntam as lagartas; como os gafanhotos saltam, assim os homens saltarão sobre ele [NVI: ‘Como gafanhotos novos os homens saquearão vocês, ó nações; tomarão posse do despojo como gafanhotos em nuvem’]. O Senhor é sublime, pois habita nas alturas; encheu a Sião de direito e de justiça”.

O versículo 1 se refere ao rei da Assíria, Senaqueribe, que destruiu a terra de Judá. Quando chegar o seu tempo determinado, Deus vai tirar o seu poder que ele usou de maneira injusta. Os caldeus farão o mesmo com os assírios, como fizeram os assírios a Israel; e os medos e persas farão o mesmo com os caldeus. Da mesma forma pérfida que Senaqueribe agiu, seus filhos agiriam para com ele.

‘Senhor, tem misericórdia de nós!’ – O profeta contempla o juízo que agora estava vindo sobre o povo e dirige a sua oração a Deus por eles. O Seu braço é a força e a salvação do Seu povo. A bíblia diz que as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã (Lm 3: 23). E era isso o que o profeta estava sentindo necessidade, e nesse momento pedia a Deus: que Ele se lembrasse deles a cada oração que eles fizessem suplicando alívio para a sua angústia. Ele cria no poder e autoridade de Deus para destruir qualquer força inimiga. Diante do trovão da voz de Deus os assírios sentiriam terror e espanto, assim como os soldados das muitas nações que compunham o seu exército. Deus havia feito isso no passado com todos os inimigos de Israel e o faria novamente. Essa era a fé do profeta ao dirigir esta oração a Ele. Tudo poderia ser revertido, ou seja, os despojos que os assírios haviam tomado dos judeus, estes, com a ajuda de Deus, poderiam retomar dos seus inimigos. Em sua visão, o profeta vê a vitória do povo de Israel e exalta o nome do Senhor, que habita no alto e exerce a Sua justiça sobre todos os povos.

Uma promessa de salvação – v. 6.
• Is 33: 6: “Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor será o teu tesouro [NVI: ‘Ele será o firme fundamento nos tempos a que você pertence, uma grande riqueza de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor é a chave desse tesouro’]”. No original está escrito: ‘o temor do Senhor é um tesouro da parte dele’.

Aqui o profeta parece se dirigir a Ezequias, confirmando a estabilidade do seu reinado ao receber de Deus o perdão e, conseqüentemente, a salvação, a sabedoria e o conhecimento do Senhor. O temor do Senhor seria um grande tesouro que ele ganharia, pois em temendo a Ele e seguindo Seus caminhos e obedecendo à Sua vontade, tanto ele, Ezequias, como toda a nação seriam beneficiados e abençoados. Quando se fala neste versículo, muitas pessoas o transpõem para o tempo do Messias, mas é obvio que todos esses versículos podem se encaixar em todas as situações pelas quais o povo de Deus tiver que passar em todas as eras. Entretanto, o versículo em questão dizia respeito àquele momento em especial, quando Deus estava dando ao Seu povo, não apenas mais um livramento, como também uma nova chance de reatar a comunhão com Ele para que muitos outros julgamentos futuros pudessem ser evitados.

A angústia e a situação de Israel – v. 7-9.
• Is 33: 7-9: “Eis que os heróis pranteiam de fora [NVI: ‘Vejam! Os seus heróis gritam nas ruas’], e os mensageiros de paz estão chorando amargamente [NVI: ‘Vejam! Os seus heróis gritam nas ruas; os embaixadores da paz choram amargamente’]. As estradas estão desoladas, cessam os que passam por elas; rompem-se as alianças, as cidades são desprezadas [No texto Massorético, ‘as cidades’; nos manuscritos do Mar Morto está escrito: ‘suas testemunhas’], já não se faz caso do homem. A terra geme e desfalece; o Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se torna como um deserto, Basã e Carmelo são despidos de suas folhas”.

O profeta descreve até que ponto chegou a angústia e a situação de todo o Israel: os homens valentes choravam nas ruas de todas as cidades, não só de Jerusalém, pois tinham medo do inimigo e sentiam que Deus não os estava apoiando como antes por causa do seu pecado. Eles se sentiam impotentes diante de uma situação perigosa, de uma invasão prestes a acontecer. Até Ezequias se sentia perplexo e angustiado.

‘Os mensageiros de paz estão chorando amargamente. As estradas estão desoladas, cessam os que passam por elas; rompem-se as alianças, as cidades são desprezadas, já não se faz caso do homem’: esses dois versículos podem significar coisas diferentes porque as várias versões bíblicas causam confusão.

• Na KJV, em Inglês, é usado o pronome ‘ele’ (‘he’) para frase ‘ele quebrou a aliança... ele não considera homem algum’; ‘he’ (‘ele’) diz respeito a um ser animado, um homem, por exemplo.
Nas outras versões em Inglês (NRSV e NIV) é usado o pronome impessoal ‘its’ (se referindo não a um ser humano e sim algo inanimado) para a frase: ‘O tratado é quebrado, seus juramentos são desprezados, sua obrigação é desconsiderada’ (NRSV) ou ‘Rompeu-se o acordo, suas testemunhas são desprezadas, ninguém é respeitado’ (NIV). Assim, as duas últimas versões em inglês e a NVI em Português (‘Rompeu-se o acordo, suas testemunhas são desprezadas, não se respeita ninguém’) são mais compatíveis com a ARA, que escreve: “os mensageiros de paz estão chorando amargamente. As estradas estão desoladas, cessam os que passam por elas; rompem-se as alianças, as cidades são desprezadas, já não se faz caso do homem”.

Portanto, não foi Senaqueribe que quebrou o pacto ou a aliança de paz com Ezequias, como sugerem alguns estudiosos se baseando no texto de 2 Rs 18: 14-18: “Então, Ezequias, rei de Judá, enviou mensageiros ao rei da Assíria, a Laquis, dizendo: Errei; retira-te de mim; tudo o que me impuseres suportarei. Então, o rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro. Deu-lhe Ezequias toda a prata que se achou na Casa do Senhor e nos tesouros da casa do rei. Foi quando Ezequias arrancou das portas do templo do Senhor e das ombreiras o ouro de que ele, rei de Judá, as cobrira, e o deu ao rei da Assíria. Contudo, o rei da Assíria enviou, de Laquis, a Tartã, a Rabe-Saris e a Rabsaqué, com um grande exército, ao rei Ezequias, a Jerusalém; subiram e vieram a Jerusalém. Tendo eles subido e chegado, pararam na extremidade do aqueduto do açude superior, junto ao caminho do campo do Lavandeiro. Tendo eles chamado o rei, saíram-lhes ao encontro Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o cronista”.

Não foi Senaqueribe que quebrou a aliança com Ezequias (pois, na verdade, Senaqueribe não levou a sério a proposta de Ezequias para não atacar Jerusalém), mas as alianças entre as pessoas se quebravam por causa da situação pela qual elas estavam passando.

‘Os embaixadores da paz’ ou ‘os mensageiros de paz estão chorando amargamente’ pode ser referir a qualquer pessoa que o rei pudesse enviar aos assírios solicitando uma trégua ou, se pensarmos de uma maneira espiritual no que estava acontecendo naquele momento com o povo e também em capítulos anteriores quando o próprio profeta disse que ninguém respeitava mais o velho ou o órfão, nós podemos chegar à conclusão que um povo oprimido, desesperado, pecaminoso e maldoso, como a bíblia descreveu até aqui, e que justamente por isso estava sofrendo a punição de Deus, não era mais sensível à conciliação com ninguém; qualquer pessoa que tentasse acalmar os ânimos naquele momento, ser um mensageiro de paz, ou que ainda pudesse acreditar nas palavras do profeta, choraria amargamente porque seria frustrado nas suas boas intenções; não pôde obter seus desejos.

‘As estradas estão desoladas, cessam os que passam por elas; rompem-se as alianças, as cidades são desprezadas, já não se faz caso do homem’ significa que todos estavam numa expectativa, não tinham vontade nem coragem de sair de casa ou viajar por causa da destruição que os assírios causaram nas outras cidades de Judá; ninguém confiava em ninguém e não se fazia alianças nem tratados de paz ou de qualquer outro gênero, seja Ezequias com os embaixadores de Senaqueribe, seja um cidadão com outro, pois o respeito mútuo já havia desaparecido.

Resumindo em poucas palavras: falta de Deus. A bíblia é muito clara nisso. Deus é amor, e quem ama o conhece. Quem não ama não conhece a Deus. Quem ama a Deus tem condição de amar o seu próximo; quem não ama a Deus e nem o conhece não tem condição de dar amor a ninguém. E a bíblia também fala que o perfeito amor lança fora todo o medo, e quem teme não está aperfeiçoado no amor. Se as condições espirituais e emocionais daquele povo estavam tão deploráveis a ponto de o Senhor ser incapaz de conter Sua ira por mais tempo, é obvio que eles estavam entregues a si mesmos para sua própria destruição, para não falar nas mãos de Satanás.

Quando nós começamos a estudar um pouco a História Geral para podermos entender melhor certas passagens bíblicas, começamos a perceber quanta maldade havia naquelas guerras e quantos atos absolutamente deploráveis daqueles guerreiros, e isso nos dá uma idéia de como ficava a terra, a vegetação, os animais, as colheitas e todo tipo de área que um dia foi fértil. Depois de uma queimada, ou depois da destruição de canais de água ou contaminação de poços de água potável, o que esperar de uma floresta como a do Líbano ou de uma planície fértil de Judá com cultivo de videiras, trigo, figueiras, oliveiras etc.?

‘O Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se torna como um deserto, Basã e Carmelo são despidos de suas folhas’.
O Líbano é famoso por causa de sua coberta de densa floresta. Ampla precipitação de chuva de novembro a março e as cadeias de pedra calcária dão origem a muitas fontes e riachos. Ao sul das montanhas há cultivo de jardins, bosques de oliveiras, vinhedos e pomares de frutas (amoras, figos, maçãs, damascos, nozes) e pequenos campos de trigo. A vegetação florestal é de murtas, coníferas e enormes cedros, portanto, é símbolo de fertilidade e de tirar gozo e proveito da vida e de uma plantação, tirar proveito dos frutos.


Cedros do Líbano
Cedros do Líbano

Sarom é a maior planície costeira da parte norte da Palestina à beira do Mediterrâneo, ao sul do Monte Carmelo. Fica entre os extensos pantanais do baixo curso do Nahr az-Zarqa (ou Nahal Taninim) ao norte (marca o extremo sul do Monte Carmelo), e o vale de Aijalom e Jope no sul, ou seja, até o rio Jarcom (em hebraico: Yarqon), no sul, no limite norte de Tel Aviv. O rio Zarqa (em árabe, Nahr az-Zarqā, ‘o rio azul’, onde nahr significa ‘rio’ e zarqa significa ‘azul’) é comumente identificado com o Rio Jaboque descrito na bíblia (atualmente o rio está altamente poluído). O rio Jarcom é o limite natural entre Sarom e a Filístia. A extensão da planície de Sarom é de oitenta quilômetros de Norte a Sul, e sua largura é de quatorze ou dezesseis quilômetros de leste a oeste. Há milhares de anos, os riachos escavaram parcialmente uma valeta longitudinal no lado leste em direção ao Jordão, e os vales dessa valeta tendiam a ser pantanosos. Por isso, no que tange à ocupação humana, apenas na fronteira sul de Sarom é que a terra era mais apropriada para ser povoada, sendo claro que a maior parte de Sarom jamais foi colonizada pelos israelitas. Por muito tempo permaneceu um deserto (Is 33: 9), sendo usado apenas como pastagem (1 Cr 5: 16; Is 65: 10). Nos tempos bíblicos a área norte era densamente coberta de carvalhos (Quercus infectoria), sendo hoje um dos mais ricos distritos agrícolas de Israel, plantado com bosques de laranjeiras. Não havia fertilidade na região pantanosa.


Planície de Sarom
Planície de Sarom

O Monte Carmelo (karmel, ‘terra ajardinada’, ‘terra frutífera’) fica próximo à planície de Sarom e é revestido de muita vegetação e bosques luxuriantes. A palavra ‘karmel’ em hebraico pode ser usada como substantivo comum com este sentido (2 Rs 19: 23: ‘fértil pomar’). Pode ser usada para indicar grãos frescos de cereais (Lv 23: 14: ‘espigas verdes’). O Carmelo é uma cadeia de colinas com quarenta e oito quilômetros de extensão, na direção Noroeste para Sudeste do Mediterrâneo (praia sul da baía de Acre) para a planície de Dotã. O Monte Carmelo é a serra principal (altura máxima de quinhentos e vinte e três metros), no extremo Noroeste. Apesar de ser uma região densamente coberta de vegetação, era escassamente habitada. A vegetação luxuriante do Carmelo é refletida em Am 1: 2; Am 9: 3; Mq 7: 14; Na 1: 4; Ct 7: 5.

Basã é a terra a leste do rio Jordão, que antes da entrada do povo em Canaã pertencia aos amorreus. Quando Moisés venceu seus reis (Seom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã – Js 12: 1-6; Nm 21: 21-35; Dt 2: 26-37; Dt 3: 1-13), a terra foi dada às tribos de Rúben, Gade e meia tribo de Manassés, pois era terra rica em pastagem e bastante favorável ao gado.


Monte Carmelo Monte Carmelo
Monte Carmelo

Agora, pense no versículo: ‘O Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se torna como um deserto [NVI: ‘é como a Arabá’], Basã e Carmelo são despidos de suas folhas’.

O Líbano perdeu parte de sua vegetação, pois é muito provável que os antepassados de Senaqueribe [seu pai e seu avô, Sargom II (722-705 AC) e Salmaneser V (727-722 AC), respectivamente], ao invadir Tiro (na Fenícia), Asdode na Filístia e Samaria, ao norte de Judá, deixaram seu rastro de destruição, cortando até árvores para levar a cabo seu cerco sobre essas cidades. De forma poética, o profeta Isaías descreve isso dizendo que o Líbano estava murcho e se envergonhava por causa de sua falta de beleza e exuberância.
Sarom havia se tornado um deserto, ou seja, o que antes foi um pântano e, logicamente, um lugar úmido, agora se parecia um deserto. Seja por que causa for: por guerras ou por catástrofe real da natureza ou apenas uma linguagem figurada para descrever sua desolação, isso nos mostra uma situação deplorável de Israel. A NVI usa a palavra Arabá, ao invés de deserto. Arabá (Dt 1: 1) é um vocábulo que provém de uma raiz hebraica que significa ‘seco, terra desolada, planície’ e é usada para descrever as estepes do deserto. Arabá (`arabah – Strong #6160) é um vale cheio de fendas que corre do Mar da Galiléia até o golfo de Aqaba. O Mar Morto é também chamado de Mar de Arabá. É uma região realmente seca e desértica.
Basã e Carmelo são despidos de suas folhas, ou seja, perdem a sua folhagem. Sendo por causa de guerras ou porque Deus trouxe uma grande seca sobre a região, isso era desolador para qualquer um.

Deus vai agir e será exaltado – v. 10-13.
• Is 33: 10-13: “Agora, me levantarei, diz o Senhor; levantar-me-ei a mim mesmo; agora, serei exaltado. Concebestes palha, dareis à luz restolho; o vosso bufo enfurecido é fogo que vos há de devorar. Os povos serão queimados como se queima a cal; como espinhos cortados, arderão no fogo. Ouvi vós, os que estais longe, o que tenho feito; e vós, os que estais perto, reconhecei o meu poder”.

Naquele momento, Deus estaria se levantando do Seu trono, da Sua posição de observador da situação, para uma ação real, a fim de libertar Seu povo e mostrar Sua glória às nações, as de perto e as de longe, que ouvissem a notícia do que Ele havia feito em Israel. Quando ele diz: ‘Concebestes palha, dareis à luz restolho; o vosso bufo enfurecido é fogo que vos há de devorar’, Ele estava falando com os assírios. A ira com que eles investiram contra Judá e Jerusalém se viraria contra eles mesmos. Suas expectativas seriam frustradas. Eles seriam queimados pelo fogo da ira de Deus como espinhos. Todos os outros povos, os perto e os de longe, os daquele tempo e os que viriam depois (para os quais estes escritos seriam deixados) veriam o que o Senhor era capaz de realizar, e reconheceriam o Seu poder: ‘Ouvi vós, os que estais longe, o que tenho feito; e vós, os que estais perto, reconhecei o meu poder’. Em Tg 1: 20 há uma palavra escrita, mais ou menos parecida com essa: “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus”.

Os pecadores em Sião terão muito a responder, acima de outros pecadores – v. 14.
• Is 33: 14: “Os pecadores em Sião se assombram, o tremor se apodera dos ímpios; e eles perguntam: Quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com chamas eternas?”

Os pecadores em Sião, os que não acreditavam nas palavras do profeta e se comportavam como ímpios, agora estavam sentindo o terror, pois viram o que Deus foi capaz de fazer com os assírios no fogo do Seu zelo. E este mesmo fogo poderia consumi-los também pelos seus pecados, que eram como gravetos colocados na fogueira da ira de Deus, ou seja, seu comportamento incrédulo e maldoso alimentava o sentimento de ira divina para poder julgá-los dessa maneira. Ao sentir dentro de si o tremor do juízo de Deus, eles perguntavam uns aos outros: “Quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com chamas eternas?” Essa é uma palavra mais ou menos parecida com a de Jr 30: 21b: “pois quem de si mesmo ousaria se aproximar de mim? – diz o Senhor”. A vontade deles era fugir para outro lugar, para o Egito, por exemplo, para se livrar de permanecer ali e ver e sentir a ação de Deus numa situação daquelas. Em Hb 12: 29 está escrito: “porque o nosso Deus é fogo consumidor” (cf. Dt 4: 24: “Porque o Senhor, teu Deus, é fogo que consome, é Deus zeloso”). Parece que a primeira manifestação de Deus ao Seu povo no Monte Sinai ainda continuava vívida em sua memória, mesmo tendo acontecido há muitos séculos, e que fora transmitida de geração e geração como uma forma de fazê-los respeitá-lo e honrá-lo como o único Deus, um Deus vivo. Justamente por ter seus olhos e ouvidos fechados pelo próprio Deus às palavras proféticas (lembre-se do chamado de Isaías – Is 6: 9-10), eles não assimilavam a maneira de andar em retidão, e que era o único caminho para aproximá-los Dele, sem o temor de serem destruídos.

Quem pode estar na presença de Deus e não ser consumido por Suas chamas – v. 15-16.
• Is 33: 15-16: “O que anda em justiça e fala o que é reto; o que despreza o ganho de opressão [NVI: ‘lucro injusto’]; o que, com um gesto de mãos, recusa aceitar suborno; o que tapa os ouvidos, para não ouvir falar de homicídios, e fecha os olhos, para não ver o mal, este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas [NVI: ‘água não lhe faltará’]”.

Aqui o Senhor mostrava a eles um caminho certo e simples de serem aceitos por Ele, sentirem a Sua presença e serem protegidos e supridos; era a mesma coisa que já tinha sido dita desde Moisés, mas que o povo parecia se esquecer sempre: andar em retidão no falar e no agir; ganhar o seu dinheiro com justiça, sem lucro injusto; recusar suborno para não julgar erradamente uma causa; tapar os ouvidos para não falar em homicídios ou qualquer coisa que tende à crueldade ou à vingança própria; fechar seus olhos para o mal, da mesma forma que o Senhor tem aversão ao pecado e suas conseqüências (Hc 1: 3). O profeta Miquéias, contemporâneo de Isaías, disse a mesma coisa, mas em outras palavras: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6: 8). Isso significa que aquele que souber resistir às tentações e conseguir conservar a pureza de sua alma, este conseguirá habitar com ‘as chamas eternas’, pois descobrirá outro tipo de chama; não a chama da ira de Deus, mas a chama do avivamento do Seu Espírito, que protege este filho ou filha de Deus em todos os momentos, mesmo em tempos de tribulação, quando o mundo ao redor sente o Seu julgamento. O Senhor o (a) manterá em lugar alto, seguro e protegido, onde o mal não pode tocá-lo (a), e onde haverá provisão sempre: o pão do céu, a palavra de Deus, para manter seu espírito fortalecido e no caminho certo; e as águas do Seu Espírito, que trazem o consolo à sua alma e não a deixa desfalecer ou perder a fé e a esperança na promessa dada.

A segurança de Deus e um futuro de esperança, a felicidade do Seu povo – v. 17-24.
• Is 33: 17-18: “Os teus olhos verão o rei na sua formosura, verão a terra que se estende até longe [NVI: ‘Seus olhos verão o rei em seu esplendor e vislumbrarão o território em toda a sua extensão’]. O teu coração se recordará dos terrores, dizendo: Onde está aquele que registrou, onde, o que pesou o tributo, onde, o que contou as torres? [NVI: ‘Em seus pensamentos você lembrará terrores passados: Onde está o oficial maior? Onde está o que recebia tributos? Onde o encarregado das torres?’]”.

Em primeira instância, trata-se de Ezequias, depois de ter recebido de Deus o livramento da ameaça de jugo assírio. O povo poderia vê-lo com suas vestes reais, e com seu rosto desanuviado de problemas, retomando sua forma justa de governo. E eles também veriam novamente seu território em toda a sua extensão, sem ocupantes de outras terras ímpias nela. Eles só se lembrariam dos assírios como águas passadas; eles se lembrariam dos seus oficiais que haviam sido colocados em Judá para supervisionar a terra: os escribas que ficavam registrando todos os acontecimentos para, depois, enviar o relatório ao rei inimigo, junto com os oficiais destacados para recolher os impostos; e os secretários de guerra para se encarregar dos soldados nas torres de vigia, ou para decidir quais as torres ou fortificações deveriam ser feitas ou reparadas. Os judeus não estariam mais trancados dentro das cidades por causa do cerco, mas teriam a liberdade de ir e vir como era antes. Poderiam ver outros países em redor quando se aproximassem de suas fronteiras. A lembrança do susto não mais traria medo aos seus corações.

Numa segunda interpretação, trata-se de uma visão messiânica para os descendentes dos que viviam naquele tempo do AT, que um dia veriam naquela mesma cidade e com seus próprios olhos, o Messias, Jesus, em suas vestes gloriosas, com Sua presença preenchendo toda terra de Israel e mostrando ao povo judeu que aquela nação estava escolhida para ser luz para outras nações, pois era a primeira a ouvir a palavra da verdade da boca do próprio Filho de Deus. Talvez fosse uma maneira também de começar a incutir neles uma visão espiritual dos acontecimentos futuros, ensinando-os a visualizar pela fé algo que naquele momento era invisível e longínquo no tempo, mas uma semente de esperança para o seu espírito.

Para nós, essa profecia se cumpriu em Jesus e nos estimula a ver e crer pela fé na futura derrota dos nossos inimigos quando Ele vier a terra pela segunda vez, e nossos olhos puderem vê-lo de verdade, da mesma forma como somos vistos por Ele, como escreveu o apóstolo Paulo (1 Co 13: 12). E mais do que isso, crer que não vamos nos lembrar mais das experiências ruins que vivemos, pois tudo se fará novo, porque as primeiras coisas passaram (Ap 21: 4).

• Is 33: 19-22: “Já não verás aquele povo atrevido [NVI: ‘arrogante’], povo de fala obscura, que não se pode entender, e de língua bárbara, ininteligível [NVI: ‘com sua língua estranha, incompreensível’]. Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades; os teus olhos verão a Jerusalém, habitação tranqüila, tenda que não será removida, cujas estacas nunca serão arrancadas, nem rebentada nenhuma de suas cordas. Mas o Senhor ali nos será grandioso, fará as vezes de rios e correntes largas; barco nenhum de remo passará por eles, navio grande por eles não navegará [NVI: ‘Será como uma região de rios e canais largos, mas nenhum navio a remo os percorrerá, e nenhuma nau poderosa velejará neles’]. Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso Rei; ele nos salvará”.

O profeta continua falando em nome de Deus para eles, fortalecendo neles a esperança de que eles não mais voltarão a ver aquele povo de rosto feroz e furioso, de temperamento cruel e sanguinário, e falando uma língua estranha e incompreensível para eles.

A linguagem falada por aqueles povos da Antiguidade

Uma das primeiras formas de escrita surgiu há mais ou menos 3.500 anos e foi chamada escrita cuneiforme, pois era escrita com auxílio de objetos em formato de cunha. Os documentos cuneiformes eram escritos em tábuas de argila. Ela foi desenvolvida pelos sumérios, e juntamente com os hieróglifos egípcios, é o tipo de escrita mais antigo de que se tem conhecimento. Suméria era uma das designações dadas à metade sul do Iraque, mais ou menos de Bagdá para o sul, em contraste com o norte, que era conhecido como Acade. Na Suméria estava localizada a cidade de Ur dos caldeus, de onde Abrão saiu para habitar em Harã, muitos quilômetros ao norte. Mais tarde, a parte sul da Mesopotâmia foi diminuindo de importância em relação à parte Norte, Acade (ou Acádia), mas a linguagem cuneiforme foi adotada pelos acadianos, babilônios, elamitas (na baixa Mesopotâmia, no atual Irã), hititas (ao norte da Assíria) e pelos assírios, e ela foi adaptada para ser escrita no próprio idioma desses povos (dialetos, pode-se dizer). Por 3.000 anos, ela foi extensamente usada na Mesopotâmia, embora as sílabas (do jeito que foram estabelecidas pelos Sumérios) não serem intuitivas aos de idiomas semíticos. A linguagem cuneiforme foi criada, por assim dizer, para atender às necessidades de administração dos palácios e dos templos, como, por exemplo, cobrança de impostos, registros de cabeças de gado, medidas de cereal etc.

A escrita cuneiforme foi gradualmente substituída pelo alfabeto fenício já durante o Império Neo-Assírio (911-612 AC), e foi extinta no século II DC. A linguagem cuneiforme inspirou também o Persa antigo e o alfabeto Ugarítico, o idioma falado na antiga cidade de Ugarite na Síria (Em árabe, Ūġārīt, cujas ruínas são chamadas de Ras Shamra).

Aramaico é a designação que recebem os diferentes dialetos de um idioma utilizado por povos que habitavam o Oriente Médio (estes todos descendentes dos filhos de Noé, na verdade). Foi a língua administrativa e religiosa de diversos impérios da Antiguidade. Pertencendo à família de línguas afro-asiáticas, é classificada no subgrupo das línguas Semíticas, à qual também pertencem o Árabe e o Hebraico. A língua formal do Império Babilônico era o Aramaico (cujo nome deriva de Aram Naharayim, ‘Mesopotâmia’, ou de Aram, ‘terras altas’ em Cananeu, e o antigo nome da Síria). O Império Persa, que conquistou o Império Babilônico poucas décadas depois do início do exílio dos judeus, adotou o Aramaico como língua oficial. O Aramaico é também uma língua semítica Norte–Ocidental bastante semelhante ao Hebraico. O Aramaico emprestou muitas palavras e expressões ao Hebraico, principalmente devido a ser a língua utilizada no Talmude e em outros escritos religiosos. O Aramaico foi, possivelmente, a língua falada por Jesus. A partir do séc. VII DC o Aramaico que era utilizado como língua oficial no Oriente Médio foi substituído pelo Árabe. Entretanto, o Aramaico continua sendo usado, literária e liturgicamente, entre os judeus e alguns cristãos.

Os assírios tinham como língua oficial, o Acadiano, o Sumério (ou a linguagem antiga cuneiforme) e o Aramaico.

Assim, nós podemos entender que o profeta Isaías estava se referindo à língua assíria, uma espécie de ‘adaptação’ da linguagem cuneiforme, ou ao Acadiano, uma vez que o Aramaico era entendido e falado já naquela época por muitos povos, inclusive os judeus, principalmente pelas pessoas ligadas à corte, que necessitavam dessa língua comercial e administrativa para fazer seus acordos políticos e comercializar seus produtos com outras nações. Por isso, quando Senaqueribe enviou seus oficiais para afrontar Ezequias, os embaixadores de Judá (Eliaquim, Sebna e Joá) lhe disseram para falar com eles em Aramaico, porque eles entendiam, mas não Judaico ou Hebraico, ou seja, a língua de Canaã, porque esta o povo mais humilde falava, e eles não queriam que os judeus da cidade entendessem o que eles estavam conversando e se desanimassem com as afrontas, perdendo a fé em Deus e nas palavras do rei Ezequias (2 Reis 18: 26).


Cuneiforme Sumério Tábua da biblioteca de Assurbanipal
À esquerda: documento Cuneiforme Sumério;
À direita: Fragmento de uma tábua de argila da biblioteca de Assurbanipal em Nínive com um relato assírio do Dilúvio


Alfabeto Ugarítico
Alfabeto Ugarítico – fonte: crystalinks.com


Nos versículos 20-21, o profeta continua dando incentivo àquele povo, dizendo: “Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades; os teus olhos verão a Jerusalém, habitação tranqüila, tenda que não será removida, cujas estacas nunca serão arrancadas, nem rebentada nenhuma de suas cordas. Mas o Senhor ali nos será grandioso, fará as vezes de rios e correntes largas; barco nenhum de remo passará por eles, navio grande [NVI: ‘nau poderosa’] por eles não navegará”. Isso quer dizer que Ele estava pedindo ao povo para não ficar olhando para as ameaças e os boatos e o pessimismo de toda aquela situação, mas para a libertação que o Senhor lhes daria, para fazerem um esforço com a própria mente, se necessário, e olhar para uma cidade reconstruída, para o monte Sião e ver o templo do Senhor, onde sempre houve muita alegria em suas festividades. A cidade ficará tranqüila depois que Deus expulsar o inimigo dali; ela se sentirá mais fortalecida com essa vitória e, como sempre aconteceu após um período de prova dura, o povo sempre emergia com mais força e o poder nacional se estabelecia de maneira mais firme.

Ele prossegue dizendo que ali, naquele lugar, o Senhor será poderoso para eles e será como rios e correntes largas; barco nenhum de remo passará por eles, navio grande por eles não navegará. Se olharmos para o Nilo e para o Eufrates, podemos entender que os grandes rios do Egito e da Assíria (depois, Babilônia) eram não apenas uma forma de demonstrar importância na área do comércio como também o poderio militar de tais nações, uma vez que grandes navios as protegiam de invasores, patrulhando-as diariamente. Jerusalém não era Nínive ou Babilônia, que se dizia assentar sobre as muitas águas por causa da abundância das águas do Eufrates que passavam por aquelas cidades.

Em Jerusalém, a mais conhecida corrente de água que abastecia a cidade era o ribeiro de Cedrom, a leste (2 Sm 15: 23; 1 Rs 2: 37; 2 Rs 23: 12; 2 Cr 29: 16). A fonte de Giom (גיחון ‘Gichon’ – Strong #1521, derivada de ‘giyach’, Strong #1518, que significa ‘corrente’ [de água], ‘córrego’, ‘esguicho’, ‘irromper’, ‘jorrar’) estava localizada no lado ocidental do vale do Cedrom, numa caverna natural do vale. Na época de Ezequias, a fonte de Giom despejava água na cidade por meio de um canal aberto. Quando Ezequias se viu diante da ameaça de Senaqueribe, tapou todas as fontes, todos os riachos e canais subsidiários que conduziam ao ribeiro que corria pelo meio da terra (2 Cr 32: 3-4). Ele construiu um túnel e o tanque de Siloé (2 Rs 20: 20; Is 22: 9: ‘Açude inferior’). Da fonte de Siloé (Shilôah, ‘enviado’), o canal desaguava no poço antigo ou de baixo (Birket el-Hamra). Em seguida, ele enviou as águas do Giom superior por meio de um conduto ou túnel de dois metros de altura até uma cisterna ou poço superior (Birket Silwãn) no lado oeste da cidade de Davi (2 Cr 32: 30). Defendeu a nova fonte de suprimento com uma rampa (2 Cr 32: 30).

O riacho ou ribeiro de Cedrom, modernamente chamado de Wadi en-Nar (Uádi en-Nar), começa ao norte de Jerusalém, passa entre o monte do templo e o monte das Oliveiras em direção ao Mar Morto, que ele atinge depois de atravessar o deserto da Judéia. Seu nome moderno significa ‘Wadi de fogo’, e isso porque fica seco e crestado pelo sol durante a maior parte do ano, pois não flui permanentemente. Somente durante breves períodos, no inverno durante a estação chuvosa, é que está cheio de água. O vale do Cedrom também era chamado de vale de Josafá.


Vale de Cedrom
Vale de Cedrom visto da Cidade Velha de Jerusalém

Tanque de Siloé Tanque de Siloé
Tanque de Silóe (visto de ângulos diferentes)

Tanque de Siloé – desenho artístico
Reconstrução artística do tanque de Siloé, de como deveria ser naquela época

Bairro de Silwan – século XIX

Imagem acima: Siloé (Hebraico: Shiloah; Árabe: Silwan) no final do século XIX – é um antigo bairro a sudeste de Jerusalém, ao sul da Cidade Velha. Neste local, havia o tanque de Siloé e a torre de Siloé, mencionada em Lucas 13: 4.

Apesar de não ter grandes rios e, conseqüentemente, grandes navios transitando pela cidade, ela não estava em desvantagem; pelo contrário, esse fato passava a ser algo vantajoso, uma vez que a falta de um grande rio também dificultava o acesso pelo inimigo. Portanto, o profeta fala que a presença do Senhor com eles substituiria a falta de um rio, porque Ele seria um rio melhor, com águas diferentes, que os supriria e os protegeria de outra maneira, ou seja, um rio natural com navios e soldados para defender uma cidade ou nação jamais poderia ser maior do que a presença espiritual protetora de Deus com Seu povo. ‘Rios e correntes largas’ é símbolo da abundância da Sua graça e da Sua liberdade, da força do Seu Espírito. Com Ele haveria paz e não seriam necessários navios, soldados ou exércitos para defendê-los.

No versículo 22 está escrito: “Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso Rei; ele nos salvará”. Em outras palavras, é Ele que vai nos salvar, com as Suas leis e Sua reta maneira de julgar todas as coisas.

Houve um período curto de descanso para Israel entre a queda da Assíria (a tomada de Nínive foi em 612 AC) e o domínio Babilônico através de Nabucodonosor (605 AC), pois seu pai Nabopolassar estava envolvido na conquista de outras nações naquele momento e preocupado em estabelecer e firmar seu império para ser deixado para seu herdeiro.

Essa referência (v. 22) também se trata de uma visão messiânica, quando Jesus mostraria a paz espiritual que Jerusalém poderia experimentar, apesar das tribulações mundanas que existiam na Sua época, numa terra ocupada por romanos, que fizeram o mesmo e até pior do que os outros invasores do passado. Sua graça abundante com eles lhes traria o conforto de que Deus tinha uma libertação maior do que eles pensavam e muito mais eficaz do que os seus zelotes se insurgindo contra o domínio de Roma constantemente. Jesus lhes mostrava a porta para o reino de Deus e para a completa liberdade através da força do Seu Espírito, que Ele daria como uma água viva de refrigério, paz e esperança para todos os que entendessem Sua missão na terra e Sua verdadeira identidade. O Pai manifestava o amor pelo Seu povo através de Jesus.

Para nós, essa profecia mostra que em Jesus há paz, força e descanso dos inimigos que tentam nos atingir de todas as maneiras. Maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo. É a nossa fé na Sua proteção, suprimento e cuidado que nos faz superar as experiências ruins e nos leva a ver a nossa morada celestial, onde todas as vitórias serão definitivas, e nossa alegria será completa ao vermos o total cumprimento da Sua justiça.

• Is 33: 23-24: “Agora, as tuas enxárcias estão frouxas; não podem ter firme o mastro, nem estender a vela [NVI: ‘Suas cordas se afrouxam: o mastro não está firme, as velas não estão estendidas’]. Então, se repartirá a presa de abundantes despojos; até os coxos participarão dela [NVI: ‘Então será dividida grande quantidade de despojos, e até o aleijado levará sua presa’]. Nenhum morador de Jerusalém dirá: Estou doente; porque ao povo que habita nela, perdoar-se-lhe-á a sua iniqüidade”.

O profeta dirige seu discurso para os assírios, aos quais ele compara com um grande navio que não mais está em boas condições, mas com as velas desfeitas, com o mastro sem firmeza e com cordas um tanto frouxas, como se estivesse enfrentando uma grande tempestade no mar. Em tal estado ele está quase a ponto de naufragar e ser engolido pelas águas. Ao serem expulsos de Israel, eles deixarão para trás seus despojos, e até os coxos terão sua parte. Quando chegar o perdão de Deus para o Seu povo, ninguém poderá dizer que está doente; nem do corpo, nem da alma, nem do espírito. Essa profecia se cumpriu totalmente com a primeira vinda de Jesus, dando Seu sangue como propiciação pelos nossos pecados. Mas você pode perguntar:
— Como, então, o povo do AT que não conheceu Jesus poderia ver essa promessa totalmente cumprida na vida deles?
— Isso pode ser um pouco difícil de responder, se olharmos com os nossos olhos e com o entendimento humano tão limitado, pois o povo daquela época não o viu pessoalmente, mas seus descendentes, na época de Jesus. Mas a bíblia diz em 1 Pe 3: 18-20a: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual, também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo, foram desobedientes”.

Ao morrer na cruz, Jesus realizou uma grande vitória sobre as trevas. Mas a vitória foi mais além, quando após Sua morte, Ele ficou no túmulo por três dias, como Jonas na barriga do peixe, para livrar a nossa alma da morte eterna. Todavia, ao ressuscitar e voltar à terra, Ele trouxe consigo as chaves da morte e do inferno, tirando, portanto, de Satanás seu domínio sobre as almas dos homens (Ap 1: 18: “e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno”). Ele não foi diretamente para o Pai, para o céu (Jo 20: 17: “Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e nosso Pai, para meu Deus e nosso Deus”), mas voltou para a terra onde fora envergonhado e expôs o inferno ao desprezo e à vergonha mostrando-se vivo (Cl 2: 15: “e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”). Só depois disso subiu para o Pai e retomou Seu poder e Seu manto de glória. Depois voltou novamente para se mostrar aos Seus discípulos (Jo 20: 19-20: “Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz esteja convosco! E, dizendo isso, lhes mostrou as mãos e o lado. Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor”).

A bíblia também fala que Ele pregou aos espíritos em prisão (1 Pe 3: 18-20a), a prisão de Satanás por causa dos pecados deles. Aqui não está escrita explicitamente a palavra Hades (inferno), ele apenas sugere. Na verdade, Pedro estava falando dentro de um contexto, onde a expressão ‘espíritos em prisão’ se refere às pessoas da época pré-diluviana que não se arrependeram pela pregação de Noé, pois Jesus ali, antes da Sua encarnação, derramou Seu Espírito em Noé para pregar o arrependimento àquelas pessoas.

Mas há uma segunda interpretação possível para este texto (se pensarmos no sinal de Jonas), pois a palavra grega usada para o verbo ‘pregou’ é ekëryxen, derivado de kërysso (ou kerusso – Strong #g2784), que significa: proclamar uma mensagem (parte de um rei, por exemplo); anunciar (como um pregoeiro público; um arauto de um rei), especialmente a verdade divina (o evangelho): pregador, pregar, proclamar, publicar. Esta proclamação feita por Jesus às almas dos mortos no Hades pode ter sido a de que o preço pela sua salvação já havia sido pago, seu pecado já fora expiado, e todos os que haviam morrido na fé estavam libertos daquele lugar de sofrimento eterno, livres da condenação de Deus. Ao ressuscitar [1 Pe 3: 19: ‘vivificado no espírito’ ou ‘pelo Espírito’], proclamou naquele lugar a Sua vitória sobre a morte e disse o nome de todos os justos que, por haver morrido na fé, obtiveram a salvação, estavam livres do juízo de Deus. É como se Ele dissesse ao inferno: ‘fulano, sicrano e beltrano têm a alma salva porque eu já paguei o preço’. Assim, a dispensação do AT estaria definitivamente terminada e a nova dispensação começaria, onde os homens, durante a sua vida terrena, conhecendo a palavra de Jesus, exerceriam o seu livre-arbítrio e escolheriam a salvação, agora com consciência. Ele não voltou ao inferno após Sua ressurreição; a vitória e a proclamação ocorreram no momento que o Espírito Santo entrou Nele.

Com o Seu perdão, nós podemos dizer que não somos mais doentes, mas que a Sua vida habita em nós.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

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