Capítulo 27: Ninguém há de fazer dano a Israel, a vinha de Deus, mas ela será disciplinada. Ele os desterrará e os trará de volta. Os inimigos aqui são representados por animais: serpente veloz (Assíria), serpente sinuosa (Babilônia) e o monstro que está no mar (Egito). ‘Dragão’ (Leviatã) significa ‘monstro, animal enrolado, como uma serpente’. ‘Monstro’ (‘tanniym’) significa: ‘um monstro marinho ou terrestre, chacal, serpente, baleia’, símbolos de Satanás.


Isaías capítulo 27




Capítulo 27

Neste trecho do livro de Isaías, os inimigos de Deus são representados por animais, como serpente veloz, serpente sinuosa, dragão ou monstro que está no mar (Assíria, Babilônia e Egito) – Is 27: 1 cf. Sl 140: 1-3. Deus também fala da destruição de Jerusalém e do templo, pela cegueira espiritual, hipocrisia e falta de entendimento da palavra por parte do Seu povo.

Deus ama Seu povo e o salva das nações inimigas; o cuidado de Deus com a Sua vinha – v. 1-6.
• Is 27: 1: “Naquele dia, o Senhor castigará com a sua espada, grande e forte, o dragão, a serpente veloz [NVI: ‘o Leviatã, serpente veloz’], e o dragão, serpente sinuosa [NVI: ‘o Leviatã, serpente tortuosa’], e matará o monstro que está no mar [NVI: ‘a serpente aquática’]”.

Preste atenção nas palavras em negrito e o seu significado em hebraico: “Naquele dia, o Senhor castigará com a sua espada, grande e forte, o dragão [Strong #3882 – Livyathan, Liwyãtãn], a serpente [Strong #5175 – nachash] veloz [Strong #1281 – bariyach ou bâriach], e [conjunção aditiva colocada nesta versão em Português] o dragão [Strong #3882 – Livyathan, Liwyãtãn], serpente sinuosa [Strong #6129 – `aqallathown: tortuosa, torto], e matará o monstro [Strong #8577 – tanniyn ou tanniym] que está no mar [Strong #3220 – Yam]”.

KJV (tradução em PT): “Naquele dia o Senhor com sua espada dolorida e grande e forte castigará o leviatã, a serpente penetrante, até o [isso significa que são dois significados diferentes: a serpente penetrante, ou veloz, e a serpente tortuosa] leviatã, serpente tortuosa; E ele matará o dragão que está no mar”.

A palavra ‘dragão’ é Livyathan (Liwyãtãn) e vem da palavra ‘lavah’, que significa: ‘monstro, animal enrolado, i.e., uma serpente (especialmente o crocodilo ou algum outro grande monstro marinho)’; ‘um símbolo de Babilônia: leviatã, luto’. Leviatã (em hebraico) é uma palavra que tem a mesma raiz comum do termo ugarítico ‘lotan’, o monstro de sete cabeças, cuja descrição é de uma ‘serpente fugidia... a serpente tortuosa’. Ugarítico era o idioma falado na antiga cidade portuária de Ugarite (Árabe: Ūġārīt) ao norte da Síria, cujas ruínas são chamadas Ras Shamra. Leviatã também é uma palavra de origem babilônica que pode corresponder a ‘qualquer animal aquático grande, às vezes representado como um crocodilo (pelos fenícios), serpente, polvo ou um enorme peixe ou baleia’. O Leviatã talvez esteja associado ao Tiamate, o ‘dragão-caos’ babilônico, uma deusa primitiva do oceano nas mitologias Sumérica e Babilônica associada ao oceano, tendo sua contraparte masculina em Apsu, associado à água doce. Os animais, na bíblia, muitas vezes são usados para descrever reinos ou impérios; e a bíblia freqüentemente se refere ao Eufrates como ‘serpente sinuosa’. No caso da serpente, ela é um animal que se enrola em torno de si mesmo, rasteja pela terra em movimentos ondulantes, ao invés de caminhar de maneira retilínea. Da mesma forma é um rio sinuoso, que tem muitas curvas até desaguar no mar. Os rios Tigre e Eufrates são assim: com muitos meandros por toda a planície da Mesopotâmia até desaguar no golfo Pérsico. Portanto, esse tipo de animal pode se referir à região da Caldéia e da Mesopotâmia.

Continuando no versículo acima, a palavra ‘serpente’ em Hebraico é nachash, ou seja, ‘cobra, serpente (sibilo)’ – Strong #5172. E a palavra ‘monstro’ em Hebraico é tanniyn ou tanniym (como em Ez 29: 3), que significa: ‘um monstro marinho ou terrestre, isto é, serpente marinha ou chacal; dragão, monstro marinho, serpente, baleia’. Nós podemos ver a palavra ‘Livyathan ou Liwyãtãn’ em outros lugares da bíblia como:
• Sl 104: 26, traduzida como ‘monstro marinho’, se referindo a um animal marinho.
• Sl 74: 14, traduzida como ‘crocodilo’, se referindo a faraó e ao Êxodo.
• Jó 3: 8, traduzida como ‘monstro marinho’.
• Jó 41: 1, traduzida como ‘crocodilo’. O crocodilo de Jó 41: 1-34 é o que se encontra no Nilo do Alto Egito. O crocodilo ataca principalmente o peixe, perseguindo-o com a grande velocidade, mas também se alimenta de qualquer animal que pode apanhar. Era um animal sagrado entre os egípcios.
• Ez 29: 3-5: aqui é usada a palavra ‘tanniyn’ ou ‘tanniym’ (‘monstro’), se referindo a faraó e aos egípcios, onde a nossa bíblia traduz como ‘crocodilo’.

Como vimos acima, a bíblia freqüentemente se refere ao Eufrates como ‘serpente sinuosa’, ou seja, à Assíria ou a região da Mesopotâmia. Quando estudamos Is 14: 29 (profecia contra os filisteus), nós vimos que ‘a cobra’ era o símbolo de Tiglate-Pileser III; seu neto Sargom II era a ‘áspide’; e seu bisneto Senaqueribe, a ‘serpente voadora’ [NVI, em Português: ‘serpente veloz’; Em inglês, KJV: ‘a fiery flying serpent’, i.e., ‘uma ardente serpente voadora’; em hebraico: sârâph me`ophêph [serpente ardente = sârâph – Strong #8314], voadora [mouphph ou me`ophêph, de `uwph, Strong #5774]. ‘A serpente voadora’ ou ‘serpente veloz’ referia-se a Senaqueribe pela velocidade do seu exército e pela astúcia e estratégias de guerra, além da sua fúria e violência que trazia destruição por onde passava, assim como uma terra é destruída pelo fogo [‘ardente’, ‘sârâph’].

Na versão em Português (ARA), neste versículo de Isaías (Is 27: 1), é acrescentada a conjunção ‘e’ entre ‘serpente veloz’ e ‘serpente sinuosa’. E na KJV é escrito o advérbio ‘até o’. Isso significa que Deus castigaria não apenas a ‘serpente veloz’ (Assíria), como até a ‘serpente sinuosa’, que era o Império Babilônico, também situado entre o Tigre e o Eufrates.
E o monstro (‘tanniyn’ ou ‘tanniym’) que está no mar diz respeito ao Egito, a quem os reis de Israel e Judá pediram ajuda por várias vezes para se livrarem do jugo Babilônico ou Assírio. A palavra ‘mar’ (em hebraico, ‘yam’) pode significar: uma grande quantidade de água; especificamente (com o artigo ‘o’): o Mar Mediterrâneo; às vezes um rio grande como o Nilo, ou uma bacia artificial.

Para nós, cristãos, tudo isso é o símbolo de Satanás, que será destruído no Último Dia juntamente com todo o seu reino. No AT ele era representado, materialmente falando, na forma de grandes forças ou impérios, sempre tentando oprimir o povo de Deus. Egito, Assíria, Babilônia, Tiro, Pérsia, Grécia e Roma foram exemplos disso. Como uma interpretação espiritual para este versículo, podemos dizer que o Senhor sempre vai desembainhar Sua grande forte espada para livrar Seu povo da força das trevas (do dragão e da serpente).

• Is 27: 2-6: “Naquele dia, dirá o Senhor: Cantai a vinha deliciosa! [NVI: ‘Cantem sobre a vinha frutífera’] Eu, o Senhor, a vigio e a cada momento a regarei; para que ninguém lhe faça dano, de noite e de dia eu cuidarei dela. Não há indignação em mim. Quem me dera espinheiros e abrolhos diante de mim! Em guerra, eu iria contra eles e juntamente os queimaria [NVI: ‘Se espinheiros e roseiras bravas me enfrentarem, eu marcharei contra eles e os destruirei a fogo’]. Ou que homens se apoderem da minha força e façam paz comigo; sim, que façam paz comigo [NVI: ‘A menos que venham buscar refúgio em mim; que façam as pazes comigo. Sim, que façam as pazes comigo’]. Dias virão em que Jacó lançará raízes, florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto o mundo”.

O profeta fala do cuidado de Deus com Israel, que é Sua vinha. Quando Ele destruir os que os levaram em cativeiro e os maltrataram, Sua vinha poderá cantar de alegria novamente. O Senhor providenciará para que ninguém lhe faça dano algum. Nele já não há mais indignação, mas o desejo de que os homens façam a paz com Ele. Vai chegar o dia em que o Seu povo lançará raízes, florescerá e brotará; eles encherão o mundo com bons frutos, como os de uma boa vinha. Seus inimigos ímpios são representados por espinheiros e abrolhos (NVI: roseiras bravas). Lançar raízes quer dizer: ser estabelecido de uma maneira firme em suas possessões. Frutos: isso significa seus descendentes se espalhando pelo mundo, e levando Sua palavra e Seus ensinamentos verdadeiros. Isso pode ser entendido melhor como a semente espiritual de Jacó, ou seja, o Israel espiritual de Deus, nos tempos do evangelho.

Os castigos que Ele trouxe sobre eles – v. 7-9.
• Is 27: 7-9: “Porventura, feriu o Senhor a Israel como àqueles que o feriram? Ou o matou, assim como àqueles que o mataram? Com xô!, xô! e exílio o trataste [NVI: ‘Pelo desterro e pelo exílio o julga’]; com forte sopro o expulsaste no dia do vento oriental. Portanto, com isto será expiada a culpa de Jacó, e este é todo o fruto do perdão do seu pecado: quando o Senhor fizer a todas as pedras do altar como pedras de cal feitas em pedaços [NVI: ‘sejam esmigalhadas e fiquem como pó de giz’], não ficarão em pé os postes-ídolos e os altares do incenso”.

Ele profetiza aqui o que há de vir, mas fala como se já fosse passado. Isaías diz que o Senhor não tratou tão severamente com Seu povo como tratou com seus inimigos, a quem Ele totalmente destruiu. Deus o tratou pelo desterro e pelo exílio, sem se esquecer da Sua misericórdia. A bíblia fala sobre o vento oriental. O vento oriental vindo do deserto é muito seco e faz enrugar e murchar as ervas. Jó 1: 19; Jr 4: 11-12 e Oséias 12: 1 (‘vento leste’) descrevem a violência do vento oriental. Isso significa que Ele lidou asperamente com Seu povo no dia da sua punição. O pecado de Jacó deve ser purgado, quando ele verdadeiramente se arrepender de todos os seus pecados, e especialmente de sua idolatria. O Senhor destruirá os altares idólatras, e isso será um sinal de que Seu povo foi perdoado. Ele fará as pedras dos altares em pedaços como se fossem pó de giz. Os altares de incenso e os postes-ídolos não ficariam mais de pé. A palavra poste-ídolo em Português se refere à idolatria a Aserá (Astarte ou Astarote, dos cananeus ou fenícios). Aserá, consorte de Baal, era a deusa da fertilidade, do amor e da guerra. Era geralmente feita sua imagem e adorada como ‘Poste-ídolo’, tendo também uma forma de cunha, como a cabeça de uma serpente. Ali, lhe queimavam incenso. Ele mostra que não haverá arrependimento verdadeiro nem plena reconciliação com Deus até que o coração seja purificado de toda idolatria e os monumentos aos falsos deuses sejam destruídos.

Seus julgamentos severos contra eles; o abandono de Jerusalém – v. 10-11.
• Is 27: 10-11: “Porque a cidade fortificada está solitária, habitação desamparada e abandonada como um deserto; ali pastam os bezerros, deitam-se e devoram os seus ramos. Quando os seus ramos se secam, são quebrados. Então, vêm as mulheres e lhes deitam fogo [NVI: ‘Quando os seus ramos estão secos e se quebram, as mulheres fazem fogo com eles’], porque este povo não é povo de entendimento; por isso, aquele que o fez não se compadecerá dele, e aquele que o formou não lhe perdoará [NVI: ‘não lhe mostra misericórdia’]”.

Contudo, antes que esta promessa gloriosa seja cumprida, um julgamento terrível e desolador virá. A cidade de Jerusalém e o resto das cidades fortificadas de Judá ficarão destruídos e abandonados. Isso porque Seu povo não tem entendimento do que é paz em Deus, pois voluntariamente se entregou ao pecado. Pouquíssimos homens ficarão na terra; por isso, os animais, como o bezerro, pastarão livres ali, e crescerá grama para alimentá-los. O Senhor deixará em estado de humilhação as mulheres e os poucos habitantes que ficaram. A descrição de ramos de erva que se quebram pela seca e são queimados pelas mulheres como a única fonte de combustível para se cozinhar algum alimento refletem o estado de desolação daquela terra.

Deus providenciará o retorno do Seu povo – v. 12-13.
• Is 27: 12-13: “Naquele dia, em que o Senhor debulhará o seu cereal [NVI: ‘suas espigas’] desde o Eufrates até ao ribeiro do Egito; e vós, ó filhos de Israel, sereis colhidos um a um [NVI: ‘serão ajuntados um a um’]. Naquele dia, se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria e os que forem desterrados para a terra do Egito tornarão a vir e adorarão ao Senhor no monte santo em Jerusalém”.

No dia em que o Senhor determinar o fim do cativeiro do Seu povo, eles serão ajuntados como se ceifa um feixe de cereais, todos juntos. Isso vai acontecer desde o Eufrates até o ribeiro do Egito, ou seja, de todas as terras para onde eles foram espalhados. A comunidade judaica se instalou no Egito depois da tomada de Jerusalém por Nabucodonosor em 586 AC. Alguns judeus já tinham fugido para o Egito quando a Judéia foi invadida e Jerusalém cercada por Senaqueribe bem antes do domínio Babilônico (Jr 24: 8b: ‘Como aos que habitam na terra do Egito’ – a visão do cesto de figos). Embora o povo judeu não tenha sido deportado para o Egito por Nabucodonosor ou pelos assírios, muitos fugiram e se mudaram para lá, como é o caso dos judeus no tempo de Jeremias, que forçaram o profeta a ir com eles para Tafnes (Jr 42: 10-12; 17; Jr 43: 6-7), onde já havia uma colônia judaica. É um pouco difícil dizer com precisão a localização de Tafnes. Provavelmente estava situada a nordeste do delta do Nilo, próximo ao deserto de Sur. A Septuaginta grega traduz Tafnes por Táf·nas (Ταφνας), e acredita-se que esse nome seja o mesmo que o de uma importante cidade fortificada na fronteira oriental do Egito, chamada Dafnae ou Daphnae pelos escritores gregos do período clássico, atual Tell Defenneh. A Grécia clássica (Período Clássico da Grécia) foi um período de cerca de 200 anos (séculos V e IV AC) na cultura grega. Ela está localizada no Lago Manzala sobre o ramo Tanitic do Nilo (um dos antigos sete canais de desembocadura do Nilo no Delta), aproximadamente 26 quilômetros de Pelúsio.

Na Antiguidade o Nilo desembocava no Mar Mediterrâneo na região do Delta por sete canais: Canópico; Bolbitino (atual Rosetta); Sebenítico; Fatnítico (atual Damietta); Mendesiano; Tanítico; Pelúsico. Agora existem apenas dois ramos principais, devido ao controle de cheias, assoreamento e troca de relevo: o Damietta (correspondendo ao Fatnítico) ao leste, e o Rosetta (correspondente ao Bolbitino) na parte ocidental do Delta (fonte: wikipedia.org).


Sete canais do Nilo na Antiguidade


As trombetas são símbolo de convocação. Deus os convocará, como se tocasse uma trombeta, e os trará de volta para a terra de Israel. ‘Naquele dia’ não se refere apenas ao tempo de Ciro, mas também ao tempo de Cristo.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

▲ Início  

relacionamentosearaagape@gmail.com