Israel é comparada a uma vide frutífera; a uma bezerra sob jugo; a um menino; a animais que precisam ser domesticados; com quem apascenta o vento e com quem está espiritualmente morto. Essas metáforas simbolizam a punição de Deus. Mas haverá restauração. Você já ouviu falar do vento oriental chamado Simoom?


Explicação de Oséias 10–14




Este texto dá sequência ao estudo sobre o livro de Oséias, falando agora dos capítulos 10, 11, 12, 13 e 14. Nessa parte de suas profecias, ele descreve a certeza do julgamento (Os 10: 5), o triunfo do amor e da misericórdia de Deus (Os 11: 1-11; Os 14: 1-9) e a infidelidade e a rebelião de Israel que resultarão em julgamento e destruição (Os 11: 12; Os 13: 16). Nessa parte das profecias (cap.10 a 14), a punição de Deus é ilustrada por metáforas. Ele compara Israel a uma vide que dá fruto (multiplica os altares idólatras); a uma bezerra colocada sob o jugo de Deus para poder trabalhar duro; a um menino que o Pai ensinou a andar, mas se afastou dos Seus ensinamentos e se voltou para a idolatria. Ele também os compara com animais que precisam ser domesticados com freios e cabrestos; depois, com alguém que apascenta o vento. Oséias fala de Jacó como um exemplo do povo israelita. Depois, ele os compara a quem está espiritualmente morto. No fim, haverá restauração.


Profeta Oséias

Capítulo 10 – Israel semeou malícia e segará destruição

Oséias continua a falar sobre a retribuição de Deus pelos atos da nação. A punição de Israel é ilustrada por meio de metáforas.

• Os 10: 1-2: “Israel é vide luxuriante, que dá o fruto; segundo a abundância do seu fruto, assim multiplicou os altares; quanto melhor a terra, tanto mais belas colunas fizeram. O seu coração é falso; por isso, serão culpados; o Senhor quebrará os seus altares e deitará abaixo as colunas”.
Aqui, Israel é comparada a uma frondosa e exuberante vide que dá fruto. Isso simbolizava a bênção de Deus sobre eles. Mas essa comparação passa a ser feita com o lado negativo, ou seja, para a multiplicação dos seus altares idólatras. Quanto mais extensa fosse a terra, mais santuários eram erguidos. O coração de seus habitantes era propício a isso, pois abrigavam a falsidade, e Deus os culpava por isso. Seus altares e colunas seriam completamente despedaçados.

• Os 10: 3-6: “Agora, pois, dirão eles: Não temos rei, porque não tememos ao Senhor. E o rei, que faria por nós? Falam palavras vãs, jurando falsamente, fazendo aliança; por isso, brota o juízo como erva venenosa nos sulcos dos campos [NVI: por isso brotam as demandas como ervas venenosas num campo arado]. Os moradores de Samaria serão atemorizados por causa do bezerro de Bete-Áven [referência a Betel]; o seu povo se lamentará por causa dele, e os sacerdotes idólatras tremerão por causa da sua glória, que já se foi [NVI: porque foi tirado deles e levado para o exílio]. Também o bezerro será levado à Assíria como presente ao rei principal [NVI: como tributo para o grande rei]; Efraim se cobrirá de vexame, e Israel se envergonhará por causa de seu próprio capricho [NVI: por causa do seu ídolo de madeira]”.

Eles veriam que não tinham mais rei e reconheceriam que isso aconteceu por não temerem o Senhor. O juízo de Deus destruiria a estabilidade e a independência política de Israel. Mas ainda que tivessem um rei, a desordem do reino era tão grande que ele teria pouco a fazer por eles. Só falavam futilidades e juravam falsamente, fazendo aliança; o povo com os falsos deuses, e o rei com nações estrangeiras. Por causa disso, o juízo de Deus virá sobre eles como uma erva venenosa num campo que foi arado, e que sufoca a safra.
‘Os moradores de Samaria serão atemorizados por causa do bezerro de Bete-Áven [referência a Betel – 1 Rs 12: 28-29]; o seu povo se lamentará por causa dele, e os sacerdotes idólatras tremerão por causa da sua glória, que já se foi’ – o bezerro, que era a glória de Betel, não existe mais, pois foi levado pelos assírios como presente ao rei. Os assírios tinham o costume de tomar para si os ídolos dos povos que derrotavam. Israel ficará envergonhado por isso.

• Os 10: 7-10: “O rei de Samaria será como lasca de madeira na superfície da água [NVI: Samaria e seu rei serão arrastados como um graveto nas águas]. E os altos de Áven [referente a Bete-Áven; uma forma depreciativa de chamar Betel], pecado de Israel, serão destruídos; espinheiros e abrolhos crescerão sobre os seus altares; e aos montes se dirá: Cobri-nos! E aos outeiros: Caí sobre nós! Desde os dias de Gibeá, pecaste, ó Israel, e nisto permaneceste. A peleja contra os filhos da perversidade não há de alcançar-te em Gibeá? [NVI: Acaso a guerra não os alcançou em Gibeá por causa dos malfeitores?] Castigarei o povo na medida do meu desejo; e congregar-se-ão contra eles os povos, quando eu o punir por causa de sua dupla transgressão”.

Para completar a descrição desse estado de anarquia, o profeta diz que o rei não terá domínio sobre a situação e será arrastado por ela como um graveto é carregado pelas águas. Foi o que aconteceu com Oséias nas mãos da Assíria. Tiglate-Pileser III o deixou no poder, no lugar de Peca, que este havia matado (2 Rs 15: 29; 2 Rs 17: 1); Salmaneser V subiu contra Israel e o derrotou porque Oséias pediu auxílio a Faraó Sô do Egito (2 Rs 17: 4; provavelmente uma abreviatura de (O)so(rkon), Osorkon IV, da 22ª dinastia – 730-712 AC, que reinou em Tânis e Bubástis – ou Tefnacte, da 24ª dinastia, e que reinou em Saís, 732-725 AC). Mas Tefnacte (Sô) não pôde ajudá-lo porque estava com problemas internos no país, em guerra contra faraós de Cuxe, que disputavam o trono do Egito. Oséias foi encarcerado. Samaria foi sitiada por três anos. No nono ano (722 AC), Israel foi tomado por Sargom II e exilado. No reinado de Sargom II (722-705 AC) o Egito também caiu em poder dos assírios (716 AC).

Depois, o profeta diz que os altos idólatras de Áven [referente a Bete-Áven; uma forma depreciativa de chamar Betel], serão destruídos, e sobre seus altares crescerão espinheiros e abrolhos. A destruição será tão grande que as pessoas vão desejar que os montes caiam sobre elas. Oséias volta a falar sobre o caso do levita e sua concubina (Jz 19: 1-30), que aconteceu em Gibeá de Benjamim (Jz 19: 14), e a violência que foi feita permaneceu no coração dos israelitas (‘e nisto permaneceste’). A guerra civil desencadeada na nação acabou por dizimar quase por completo os homens de Benjamim. Da mesma forma, o Senhor castigaria o povo da maneira que quisesse. Ele ajuntaria as nações ímpias contra eles, quando Ele os punisse.
‘Por causa de sua dupla transgressão’ – por causa do episódio de crime em Gibeá e do pecado coletivo da geração de Oséias.

• Os 10: 11-13: “Porque Efraim era uma bezerra domada, que gostava de trilhar; coloquei o jugo sobre a formosura do seu pescoço; atrelei Efraim ao carro. Judá lavrará, Jacó lhe desfará os torrões [NVI: Judá terá que arar, e Jacó fará sulcos no solo]. Então, eu disse: semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a misericórdia; arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós [NVI: Semeiem a retidão para si, colham o fruto da lealdade, e façam sulcos no seu solo não arado; pois é hora de buscar o Senhor, até que ele venha e faça chover justiça sobre vocês]. Arastes a malícia, colhestes a perversidade; comestes o fruto da mentira, porque confiastes nos vossos carros e na multidão dos vossos valentes”.

Nestes versículos, Israel (‘Efraim’) é comparado com uma bezerra domada que gostava de trilhar o trigo numa eira só para ela, e comia do capim livremente enquanto trilhava (Dt 25: 4); gostava da sua liberdade. Mas foi colocada sob o jugo de Deus, sob Seu comando, pois era como um gado rebelde que precisa ser atrelado a uma carroça e ser colocado debaixo de uma canga para poder trabalhar duro. ‘Trilhar’, neste contexto, segundo alguns estudiosos, parece estar relacionado ao serviço de Israel ao Senhor, enquanto que ‘lavrar’ se refere à disciplina que Israel teria de desenvolver por meio do juízo divino e do exílio. O povo de Judá também estava incluído nos planos disciplinadores de Deus. Judá teria que lavrar a terra também, ou seja, se libertar igualmente da rebeldia e da idolatria em que tinha caído. Jacó (ou Israel) iria atrás, desfazendo os torrões de terra que eram deixados pelo trilho, ou seja, Israel teria que desfazer o seu malfeito, uma vez que foi ele que induziu Judá à idolatria.

O profeta, então, induz o povo ao arrependimento, enquanto ainda há tempo: ‘semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a misericórdia; arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós’. Pousio é a interrupção do cultivo da terra por um ou mais anos para que se torne fértil – cf. Jr 4: 3: “Porque assim diz o Senhor aos homens de Judá e Jerusalém: Lavrai para vós outros campo novo e não semeeis entre espinhos”. Isso significava semear a retidão, a justiça social e a misericórdia para poder colher o fruto da lealdade, e fazer sulcos no solo dos seus corações, permitindo que o Senhor colocasse as sementes certas ali e pudesse lhes fazer justiça. Primeiro se ara a terra e a planta, para que depois a chuva faça crescer as sementes e haja colheita. Semelhantemente, o arrependimento deles traria a chuva de bênçãos do Senhor.
Entretanto, a realidade era outra: eles haviam plantado a malícia e colheram perversidade. Por confiarem em sua própria força de guerra, eles acabaram por comer o fruto da sua mentira, isto é, suas alianças políticas foram um laço para eles, assim como sua fidelidade a Deus falhara por adorarem outros deuses.

• Os 10: 14-15: “Portanto, entre o teu povo se levantará tumulto de guerra, e todas as tuas fortalezas serão destruídas, como Salmã destruiu a Bete-Arbel no dia da guerra; as mães ali foram despedaçadas com seus filhos. Assim vos fará Betel, por causa da vossa grande malícia; como passa a alva, assim será o rei de Israel totalmente destruído”.
Por causa da falta de arrependimento, virá a guerra e as cidades fortificadas serão destruídas. A identificação parece incerta, tanto do nome Salmã, quanto do nome Bete-Arbel. Alguns sugerem Salamanu, rei de Moabe, mencionado nos anais de Tiglate-Pileser III; mas de qualquer forma deve ter sido uma guerra muito violenta, a ponto de ser mencionada por Oséias. A destruição seria tão repentina que o rei da nação seria totalmente destruído antes mesmo que a guerra começasse. Por causa da malícia de Betel e sua idolatria, será grande a assolação ali.

Capítulo 11 – O amor de Deus Pai. A ingratidão de Israel

Oséias continua a falar sobre a retribuição de Deus pelos atos da nação, e faz mais uma comparação de Israel; agora com um menino. E mostra o amor sofrido de Deus por Seu povo. Ele é o Pai que ensina Seus filhos a andar e o faz com todo carinho; Ele jamais desiste deles.

• Os 11: 1-4: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho. Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor [NVI: Eu os conduzi com laços de bondade humana e de amor]; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer [NVI: tirei do seu pescoço o jugo e me inclinei para alimentá-los]”.


Pai e filho


Primeiro Deus diz que do Egito chamou Seu filho. Ele o libertou do Egito, de um jugo muito pesado, como faz conosco, nos libertando do jugo do mundo. Essa profecia foi usada por Mateus ao descrever a volta de Jesus à Galiléia após ter ficado no Egito com Maria e José para fugir de Herodes (cf. Mt 2: 15).
Deus fala de Israel agora como um menino pequeno a quem Ele muito amou e a quem Ele chamou muitas vezes para estar com Ele. Quanto mais chamava, mais Israel se afastava dos Seus ensinamentos e se voltava para a idolatria. Mas o Senhor diz que foi Ele que ensinou este menino a andar, que o segurou nos braços quando ele se machucava, e o curou. Ele fez de tudo para chamá-los através do amor. Uma vez que a nação se mostrou rebelde, a profecia muda de ‘tom’ passando a compará-los com animais que são usados numa fazenda e que precisam ser domesticados com freios e cabrestos para servir para o trabalho (Sl 32: 9). Tirou todo jugo do seu pescoço, como um fazendeiro tira a canga de seus animais para que descansem e possam se alimentar.

• Os 11: 5-7: “Não voltarão para a terra do Egito, mas o assírio será seu rei, porque recusam converter-se [NVI: a arrepender-se]. A espada cairá sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, e as devorará, por causa dos seus caprichos [NVI: dará fim aos seus planos]. Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz [NVI: Embora sejam conclamados a servir ao Altíssimo, de modo algum o exaltam]”.
Como Deus mesmo havia prometido a Moisés (Dt 17: 16), o povo não mais voltaria ao Egito. Mas agora, o assírio seria seu governante porque não quiseram se converter, se voltar para Ele. A guerra (‘a espada’) virá sobre as cidades de Israel, quebrará suas defesas, por causa dos seus planos contrários aos do Senhor. Ele sabe que eles têm uma tendência a se desviar Dele, e se são chamados a buscá-lo e reverenciá-lo, nenhum deles Lhe dá louvor e glória.

• Os 11: 8-9: “Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? [NVI: Como posso desistir de você, Efraim? Como posso entregá-lo nas mãos de outros, Israel?] Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? [NVI: o que fiz com Zeboim] Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem [NVI: O meu coração está enternecido, despertou-se toda a minha compaixão]. Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira”.

Deus se lamenta aqui por não querer deixá-los nas mãos do inimigo; parece um pai que enfrenta um dilema: usar de autoridade e firmeza para disciplinar um filho, ou ser mais manso e indulgente, mantendo seu amor e sua doçura, dando mais um tempo para que o filho por si mesmo perceba seu erro (‘Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem’ ou ‘O meu coração está enternecido, despertou-se toda a minha compaixão’). Assim, Sua compaixão por eles se manifesta, e Ele retira Sua ira, pois é Deus e não homem, o Santo no meio deles. Talvez, isso tenha ocorrido no tempo de Menaém, que por oferecer 1.000 talentos de prata a Tiglate-Pileser III, fez o inimigo deixar a terra (2 Rs 15: 19-20). Ou, talvez, a medida da iniqüidade de Efraim ainda não estivesse cheia o bastante para o Senhor entrar com destruição. Podemos imaginar que Deus ainda pensava em preservá-los de um julgamento mais severo. A paciência de Deus é muito grande e Ele sempre busca meios para trazer Seus filhos de volta aos Seus caminhos (“Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” – Ml 3: 6).


Vale do Jordão
Vale do Jordão


Admá e Zeboim (Gn 14: 8) eram cidades localizadas na planície ao longo do vale do Jordão inferior e da planície do Mar Morto, juntamente com Zoar, onde Ló escolheu para morar (Gn 13: 10-12; Gn 19: 30), mais especificamente numa caverna perto de Zoar, antes chamada Bela (Gn 14: 8; Gn 19: 20; 22). Ali estavam as outras cidades descritas em Gênesis 14: 8, que Deus destruiu: Sodoma e Gomorra. Bela (Zoar) foi poupada da destruição (Gn 19: 23-25; 29; 30; Dt 29: 23). Porém, Deus destruiu Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim.

• Os 11: 10-12: “Andarão após o Senhor; este bramará como leão, e, bramando, os filhos, tremendo, virão do Ocidente; tremendo, virão, como passarinhos, os do Egito, e, como pombas, os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas próprias casas, diz o Senhor. Efraim me cercou por meio de mentiras, e a casa de Israel, com engano; mas Judá ainda domina com Deus e é fiel com o Santo”.

Apesar do Seu desejo de poupá-los, Ele sabia que teria de fazer Seu juízo para que aprendessem o que é viver sem Ele. Ele os deixaria ir para o exílio, assim como faria em breve com Judá; no futuro, Ele os chamaria com voz forte, como o bramido de um leão, que domina sobre todos os animais da floresta. Chamaria Seu povo de volta do exílio na Assíria, e os que se refugiaram no Egito para fugir do cativeiro. Virão rapidamente (voando) como passarinhos e pombas para habitar em sua própria terra. ‘Virão tremendo’ – significa com temor e reverência a Ele, pois agora conheciam Sua força e reconheciam Seu senhorio. A disciplina foi conseguida.
No versículo 12 Ele diz: “Efraim me cercou por meio de mentiras, e a casa de Israel, com engano; mas Judá ainda domina com Deus e é fiel com o Santo”. Embora tivesse cometido pecados de idolatria desde a época de Salomão, Judá começou realmente a andar nos pecados de Israel no reinado de Acaz (732-716 AC), já nos últimos dias do reino do norte, no reinado de Peca e Oséias. Quando Deus diz ‘Efraim me cercou’ pode significar que Efraim o havia ‘cercado’ com mentira como se Ele fosse uma cidade sitiada, sem deixá-lo enxergar uma gota de verdade neles para que pudesse poupá-los da destruição.

‘Judá ainda domina com Deus’ – significa reinar junto com Deus, servindo-o e mantendo a adoração a Ele. Efraim desejava governar sem Deus; nem mesmo o deixava escolher seus reis. Em Judá a sucessão de reis e sacerdotes foi legítima.
‘E é fiel com o Santo’ – em Isaías é comum a expressão ‘O Santo de Israel’ ao se referir a Deus. Jeremias também usa a mesma expressão: Is 1: 4; Is 5: 19; Is 5: 24; Is 10: 20; Is 12: 6; Is 17: 7; Is 29: 19; Is 30: 11; 12; 15; Is 31: 1; Is 37: 23; Is 41: 14; 16; 20; Is 43: 3; 14; Is 45: 11; Is 47: 4; Is 48: 17; Is 54: 5; Is 55: 5; Is 60: 9; 14; Jr 50: 29; Jr 51: 5.
Isso nos confirma que era do Senhor (‘O Santo de Israel’) que o profeta Oséias estava falando.

Capítulo 12 – Jacó, modelo para o povo de Israel

Oséias continua a falar sobre a retribuição de Deus pelos atos da nação. A punição de Israel é ilustrada por meio de metáforas, sendo que aqui, Israel é como alguém que apascenta o vento (Os 12: 1-14).

• Os 12: 1: “Efraim apascenta o vento e persegue o vento leste todo o dia; multiplica mentiras e destruição [NVI: mentiras e violência] e faz aliança com a Assíria, e o azeite se leva ao Egito”.

Quando o profeta diz que Efraim apascenta o vento significa que a nação está querendo controlar o que não tem controle, nem depende de sua vontade; ou, então, algo fútil, sem frutos nem compensações. Ele faz uma comparação entre o vento oriental (vento leste) e a Assíria, com quem eles estavam tentando uma aliança política. Isso só multiplicaria mentiras e violência, e quando ele menciona ‘mentiras’, muito provavelmente, se refere não apenas aos enganos políticos que poderiam ocorrer nesse intercâmbio, mas à idolatria, pois a Assíria, em especial, Nínive, influenciava também muitas nações com seus falsos deuses. O vento oriental vindo do deserto (Jó 1: 19; Jó 15: 2) é muito seco e faz enrugar, murchar as ervas. Muitas vezes, sopra com violência, o que é uma ótima metáfora para a Assíria. Foi pelo vento oriental enviado por Deus que as águas do Mar Vermelho se abriram, permitindo a travessia pelos israelitas (Êx 14: 21). Alguns estudiosos judeus explicam que esse vento oriental se refere ao Simoom. Simoom (em árabe, ‘envenenar’ ou ‘vento venenoso’) é um vento forte, seco e carregado de poeira, e que se move em forma circular como um ciclone, que produz um efeito sufocante sobre seres humanos e animais. Sua alta temperatura traz muito calor aos seres vivos, mais do que eles conseguem eliminá-lo do corpo através da transpiração. Chega a queimar a pele, da mesma forma como queima plantas, por isso, é nocivo, muito prejudicial mesmo. Sua temperatura pode exceder 54°C (129°F) e a umidade pode cair abaixo de 10%. É um vento local que sopra no deserto do Saara, no leste da Palestina, na Jordânia, na Síria e nos desertos da Península Arábica. Também chamado de Samoon, Samun, Simoun, Samūm (Árabe), Samiel (Em Persa) ou em Turco, Samyeli, da raiz Árabe sāmm, que significa ‘envenenar’ e do Turco, yel, que significa ‘vento’. É de curta duração (vinte minutos, mais ou menos), mas dura o suficiente para destruir.

‘O azeite se leva ao Egito’ – provavelmente como um presente de Israel para conquistar a amizade e assegurar a aliança com o Egito (Isaías 30: 6). A Palestina era famosa pelo azeite, e o comercializava com outras nações (Ezequiel 27: 17); aqui neste texto, muito provavelmente, não se tratava do azeite comum para o comércio, mas de óleos ricos e preciosos. Em Gênesis há uma referência a este tipo de produto, que era trazido ao Egito: Gn 37: 25; Gn 43: 11.
A verdade é que Israel estava oscilando entre Egito e Assíria como um valoroso aliado.

• Os 12: 2-4: “O Senhor também com Judá tem contenda e castigará Jacó segundo o seu proceder; segundo as suas obras, o recompensará. No ventre, pegou do calcanhar de seu irmão; no vigor da sua idade, lutou com Deus [NVI: como homem lutou com Deus]; lutou com o anjo e prevaleceu; chorou e lhe pediu mercê; em Betel, achou a Deus, e ali falou Deus conosco”.
Não apenas com Israel o Senhor tem uma controvérsia, mas também com Judá, muito provavelmente por sua idolatria também ou por seus atos reprováveis em relação ao governo e à área social. ‘Tem contenda’ – contenda se refere a uma reclamação formal que acusa Seu povo de infringir o concerto com Deus.

‘Segundo as suas obras, o recompensará’ – de acordo com os nossos feitos, somos recompensados ou julgados.
Jacó, nesta primeira frase (v. 2), é usado para a nação de Israel. Agora, Oséias passa a falar do patriarca Jacó como um exemplo do povo israelita. Desde o ventre de sua mãe já lutava com seu irmão, Esaú (Gn 25: 22). Nasceu segurando o calcanhar do irmão (Gn 25: 26). Seu caráter competitivo, enganador e ávido por bênçãos foi transformado na sua caminhada com Deus até que reconheceu sua necessidade Dele. Já um adulto, antes de se encontrar com Esaú, lutou com um homem durante toda a noite, e que na verdade era o próprio Deus, e conseguiu a bênção que desejava (Gn 32: 24-30). Àquele lugar deu o nome de Peniel (Gn 32: 30). Ali, Jacó se rendeu à vontade do Senhor.

‘No vigor da sua idade, lutou com Deus; lutou com o anjo e prevaleceu’ – o Anjo do Senhor, muitas vezes no AT é usado como uma manifestação de Jesus, antes de Sua encarnação humana: Gn 16: 9-13; Jz 6.11-24; Jz 13: 3; 9; 13; 15; 17-22.

‘Em Betel, achou a Deus, e ali falou Deus conosco’ – em Betel (antes chamada Luz) foi que Jacó se encontrou com o Senhor pela primeira vez quando fugia de Esaú (Gn 28: 17; 19; 22), e ali Ele lhe deu a promessa para a Sua descendência (Gn 28: 13: “Perto dele estava o Senhor e lhe disse: Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência”).
Oséias usa Jacó com um modelo de fidelidade e perseverança, ao mesmo tempo de rendição à vontade de Deus.

• Os 12: 5-6: “O Senhor, o Deus dos Exércitos, o Senhor é o seu nome; converte-te a teu Deus, guarda o amor e o juízo e no teu Deus espera sempre [NVI: Portanto, volte para o seu Deus, e pratique a lealdade e a justiça; confie sempre no seu Deus]”.
Ele reafirma que o Senhor é Deus. Ele é o Senhor dos Exércitos, o Deus que luta pelo Seu povo e o defende. Também completa a frase afirmando o nome do Senhor, YHWH, o nome dado a Moisés no Sinai, o nome que os israelitas bem conheciam e que era o nome próprio de Deus, pelo qual Ele seria chamado apenas por aqueles que tivessem uma verdadeira aliança de fidelidade a Ele.
Era Nele que eles deviam esperar sempre, ou seja, crer e confiar, praticando a justiça e o amor. Da mesma forma que Jacó creu em Deus e reconheceu sua dependência Dele, a nação também deveria se firmar novamente na justiça e no amor do Deus verdadeiro, e confiar Nele.

• Os 12: 7-8: “Efraim, mercador, tem nas mãos balança enganosa e ama a opressão [NVI: Como os descendentes de Canaã, comerciantes que usam balança desonesta e gostam muito de extorquir...]; mas diz [NVI:... Efraim orgulha-se e exclama]: Contudo, me tenho enriquecido e adquirido grandes bens; em todos esses meus esforços, não acharão em mim iniqüidade alguma, nada que seja pecado”.
O profeta volta a falar dos roubos, da ganância e da extorsão que eram praticados em Israel, e seus comerciantes tinham orgulho do que possuíam, ainda que de maneira desonesta; alteravam suas balanças, para que seus clientes saíssem no prejuízo quando compravam a peso. E fingiam inocência, negavam seu pecado e se orgulhavam na sua própria força. Sua arrogante auto-suficiência de hoje parecia com a de Jacó, antes de se converter ao Senhor e lhe pedir mercê. Por se colocar na dependência de Deus é que Jacó foi abençoado de verdade.

• Os 12: 9-11: “Mas eu sou o Senhor, teu Deus, desde a terra do Egito; eu ainda te farei habitar em tendas, como nos dias da festa. Falei aos profetas e multipliquei as visões; e, pelo ministério dos profetas, propus símiles [NVI: falava em parábolas]. Se há em Gileade transgressão, pura vaidade são eles; se em Gilgal sacrificam bois, os seus altares são como montões de pedra nos sulcos dos campos”.
O Senhor era o mesmo que os tirou da terra do Egito; Ele os conhecia desde aquela época. Por intermédio dos profetas, Israel recebeu a direção de Deus; infelizmente, rejeitou a mensagem.
‘Eu ainda te farei habitar em tendas, como nos dias da festa’ – ele se referia à Festa dos Tabernáculos, que celebrava a peregrinação no deserto (Lv 23: 33-43). O povo seria exilado e moraria em tendas, como foi no princípio, para ensiná-los a depender de Deus.
Gileade (Ramote-Gileade), citada em Os 6: 8, e Gilgal, citada em Os 4: 15; Os 9: 15, foram cidades onde se praticou a idolatria; elas se tornariam ruínas. Seus altares se tornariam montões de pedras.

• Os 12: 12-14: “Jacó fugiu para a terra da Síria [NVI: para a terra de Arã], e Israel serviu por uma mulher e por ela guardou o gado [NVI: Israel trabalhou para obter uma mulher; por ela cuidou de ovelhas]. Mas o Senhor, por meio de um profeta, fez subir a Israel do Egito e, por um profeta, foi ele guardado. Efraim mui amargamente provocou à ira; portanto, o Senhor deixará ficar sobre ele o sangue por ele derramado; e fará cair sobre ele o seu opróbrio [NVI: a culpa do sangue que derramou e lhe devolverá o seu desprezo]”.
Deus sempre guardou Seu povo, desde os tempos dos patriarcas, quando Jacó fugiu para Harã (depois, Síria), e lá trabalhou como pastor de ovelhas por amor de Raquel. O Senhor também usou Moisés para livrar Seu povo do Egito e introduzi-lo na Terra Prometida. Mas eles foram ingratos e o provocaram à ira com a idolatria e outros pecados, inclusive derramando sangue inocente. Por causa disso, o Senhor os julgará e os desprezará.

Capítulo 13 – Castigo definitivo

Oséias continua a falar sobre a retribuição de Deus pelos atos da nação. A punição de Israel continua sendo ilustrada por meio de metáforas. Nestes versículos, Israel (‘Efraim’) é comparado com alguém que está morto espiritualmente.

• Os 13: 1: “Quando falava Efraim, havia tremor; foi exaltado em Israel, mas ele se fez culpado no tocante a Baal e morreu [NVI: tornou-se culpado da adoração a Baal e começou a morrer]”.
Quando Efraim servia a Deus, a tribo falava e havia tremor no coração de todo Israel, pois ela tinha uma posição de proeminência entre as outras tribos; e ela tinha vida e honra. Mas depois que começou a servir Baal se tornou culpada diante de Deus, e morreu espiritualmente.

• Os 13: 2: “Agora, pecam mais e mais, e da sua prata fazem imagens de fundição, ídolos segundo o seu conceito, todos obra de artífices, e dizem: Sacrificai a eles. Homens até beijam bezerros! [NVI: Eles oferecem sacrifício humano e beijam os ídolos feitos em forma de bezerro]”.
Agora, o que se via em Efraim eram ídolos feitos de prata, aos quais os israelitas oferecem sacrifícios. Os bezerros de ouro de Jeroboão I eram ainda reverenciados, e até os homens o beijavam para demonstrar sua honra (1 Rs 19: 18).

• Os 13: 3: “Por isso, serão como nuvem de manhã [NVI: a neblina da manhã], como orvalho que cedo passa, como palha que se lança da eira e como fumaça que sai por uma janela”.
O juízo de Deus destruiria Efraim subitamente, assim como o sol dissolve a neblina e seca o orvalho da madrugada, ou como o vento dissipa a fumaça e leva a palha.

• Os 13: 4-5: “Todavia, eu sou o Senhor, teu Deus, desde a terra do Egito; portanto, não conhecerás outro deus além de mim, porque não há salvador, senão eu. Eu te conheci no deserto, em terra muito seca”.

Deus repete para Israel que Ele é o seu Deus desde o momento em que eles saíram do Egito. Não admite mais que eles venham a adorar outro deus, pois Ele é o único que pode salvá-los. Foi numa terra muito seca e sem vida que Ele conheceu esse povo, cuidou dele, lhes deu água e esperança, e uma terra para viver. Por tudo o que fizera por eles, Ele esperava lealdade exclusiva.

• Os 13: 6-9: “Quando tinham pasto, eles se fartaram, e, uma vez fartos, ensoberbeceu-se-lhes o coração; por isso, se esqueceram de mim. Sou, pois, para eles como leão; como leopardo, espreito no caminho. Como ursa, roubada de seus filhos, eu os atacarei e lhes romperei a envoltura do coração [NVI: Como uma ursa de quem roubaram os filhotes, eu os atacarei e os rasgarei]; e, como leão, ali os devorarei, as feras do campo os despedaçarão. A tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim, o teu socorro [NVI: Você foi destruído, ó Israel, porque está contra mim, contra o seu ajudador]”.
Depois que o Senhor lhes havia dado comida e tudo o que necessitavam, como um bom pastor que cuida bem do seu rebanho, eles se exaltaram, se tornaram orgulhosos e cheios de si, e se esqueceram Dele. Ao se afastarem do seu Deus, seu relacionamento com Ele piorou e Ele passou a ser visto como um inimigo, um predador que despedaça as ovelhas. Por causa da revolta e da rebeldia deles contra seu verdadeiro pastor, a partir de agora Ele vai ser realmente um predador; como uma ursa enraivecida Ele os destruirá. A ruína de Israel vinha deles mesmos por causa do que fizeram, mas a salvação só poderia vir do Senhor.

• Os 13: 10-11: “Onde está, agora, o teu rei, para que te salve em todas as tuas cidades? E os teus juízes [NVI: oficiais], dos quais disseste: Dá-me rei e príncipes? [NVI: Dá-me um rei e líderes] Dei-te um rei na minha ira e to tirei no meu furor”.
Quando a nação estava sendo governada por juízes e profetas, ela pediu um rei, e o profeta Samuel levou o caso a Deus, que lhes deu Saul. Ele não gostou da opção dos Seus filhos, mas lhes deu o rei que pediram (1 Sm 8: 1-22). Alguns anos depois, Saul morreu porque desagradou a Deus profundamente (1 Sm 15: 28; 1 Sm 16: 1; 1 Sm 28: 18-19; 1 Sm 31: 6).
Agora, nem mesmo o rei poderia proteger a nação, nem seus oficiais e comandantes. Nenhum deles poderia proteger o povo do juízo de Deus. Até eles seriam destruídos.

• Os 13: 12-14: “As iniqüidades de Efraim estão atadas juntas, o seu pecado está armazenado [NVI: A culpa de Efraim foi anotada; seus pecados são mantidos em registro]. Dores de parturiente lhe virão; ele é filho insensato, porque é tempo, e não sai à luz, ao abrir-se da madre [NVI: mas é uma criança insensata; quando chega a hora, não sai do ventre que a abrigou]. Eu os remirei do poder do inferno e os resgatarei da morte; onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição? Meus olhos não vêem em mim arrependimento algum [NVI: Não terei compaixão alguma]”.
A culpa de Efraim foi anotada por Deus, e seus pecados foram registrados minuciosamente, como um juiz junta as provas para julgar um caso.

‘Ele é filho insensato, porque é tempo, e não sai à luz, ao abrir-se da madre’ – isso mostra a indiferença espiritual deles. Quando Deus os chamou para uma nova vida e um novo relacionamento com Ele, eles preferiram rejeitar o convite e permanecer mortos nos seus delitos. Não se arrependeram; pelo contrário, eles se recusaram a nascer.

‘Eu os remirei do poder do inferno e os resgatarei da morte; onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição?’ – mesmo assim, Deus anuncia a salvação a Efraim, pois Ele é o único que tem poder para livrar da morte e do inferno (cf. 1 Co 15: 55).

‘Meus olhos não vêem em mim arrependimento algum’ – a NVI traduz como: ‘Não terei compaixão alguma’ – é bem diferente das palavras pronunciadas no capítulo 11 (Os 11: 8), quando o Senhor menciona a compaixão por eles e a relutância em deixá-los nas mãos do inimigo. Agora, depois que todas as chances foram dadas, Ele agiria de outra forma, não os pouparia mais da destruição.

• Os 13: 15-16: “Ainda que ele viceja entre os irmãos, virá o vento leste, vento do Senhor, subindo do deserto, e secará a sua nascente, e estancará a sua fonte; ele saqueará o tesouro de todas as coisas preciosas. Samaria levará sobre si a sua culpa, porque se rebelou contra o seu Deus; cairá à espada, seus filhos serão despedaçados, e as suas mulheres grávidas serão abertas pelo meio [NVI: suas mulheres grávidas terão rasgados os seus ventres]”.
Efraim, nome usado para descrever Israel, era como uma planta frutífera e bem regada, mas o juízo de Deus viria. Efraim significa ‘frutífero’. Então, Deus começa a falar claramente da destruição deste povo, mencionando o vento leste, o vento destruidor que simboliza o exército assírio. Ninguém será poupado por ele, nem os inocentes.

Capítulo 14 – Promessas de perdão

A partir daqui (Os 14: 1-8), começam as profecias de restauração da nação para um povo arrependido.

• Os 14: 1-3: “Volta, ó Israel, para o Senhor, teu Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído. Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao Senhor; dizei-lhe: Perdoa toda iniqüidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos nossos lábios [NVI: Perdoa todos os nossos pecados e, por misericórdia, recebe-nos, para que te ofereçamos o fruto dos nossos lábios]. A Assíria já não nos salvará, não iremos montados em cavalos e não mais diremos à obra das nossas mãos: tu és o nosso Deus; por ti o órfão alcançará misericórdia”.
Oséias, pela última vez, os exorta ao arrependimento, e diz que eles estão caídos por causa de seus próprios pecados. Ele os chama à conversão ao Senhor, e até ensina o que eles devem dizer: pedir perdão pela sua maldade e, em vez de sacrifícios, que Deus aceite o louvor de seus lábios. Eles devem dizer que reconhecem o Seu poder de salvá-los, ao invés da Assíria, e devem renunciar aos falsos deuses. Não mais buscarão a guerra (‘não iremos montados em cavalos’), e clamarão pela misericórdia de Deus sobre o órfão. Na verdade, todo Israel é um órfão que precisa de um Pai.

• Os 14: 4-8: “Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles [NVI: Eu curarei a infidelidade deles e os amarei de todo o meu coração, pois a minha ira desviou-se deles]. Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano. Estender-se-ão os seus ramos, o seu esplendor será como o da oliveira, e sua fragrância, como a do Líbano. Os que se assentam de novo à sua sombra voltarão; serão vivificados como o cereal e florescerão como a vide; a sua fama será como a do vinho do Líbano. Ó Efraim, que tenho eu com os ídolos? [NVI: O que Efraim ainda tem com ídolos] Eu te ouvirei e cuidarei de ti; sou como o cipreste verde; de mim procede o teu fruto”.

O Senhor ouve a oração e responde que removerá Sua ira e os amará. Ele lhes trará a prosperidade e derramará bênçãos sobre eles como o orvalho cai do céu. Eles florescerão como o lírio e se estabelecerão na sua terra como o cedro lança profundamente suas raízes no chão. Eles se espalharão e se multiplicarão como ramos de árvores e serão tão belos e vistosos como uma oliveira. Sua fragrância será como a das coníferas e pomares do Líbano. Seus filhos voltarão para sua terra e serão vivificados como o trigo ou a cevada que crescem em seus campos, e darão flores como uma videira. Sua fama crescerá por toda a terra como o vinho do Líbano é conhecido pelo seu buquê e pelo seu sabor especial. Efraim não terá mais comprometimento com a idolatria. Quando orar, Deus o ouvirá e cuidará dele. Deus se compara a um cipreste verde e que provê sombra e abrigo. Os frutos da nação (sua fecundidade e produtividade) procedem do Senhor.

Essa é a promessa divina feita ao Israel arrependido que recebeu o Messias como seu Senhor em Sua primeira vinda e, como Igreja, espalhou seus ramos entre as nações, tendo sempre um Deus e Pai para protegê-la em sua missão e nos momentos difíceis. Só será cumprida plenamente em Sua segunda vinda até que o Israel rebelde se arrependa e volte para Aquele que o chamou.


lírio


• Os 14: 9: “Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente [NVI: Quem tem discernimento], que as saiba, porque os caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão”.
Oséias termina seu livro dizendo aos leitores para serem sábios e prudentes, pois só assim entenderão o que Deus falou ali. Os caminhos de Deus são sempre retos; em Sua boca não há nenhuma palavra torta, perversa ou mentirosa (Pv 8: 8). Todas as Suas promessas se cumprirão. Os justos andarão sempre por um caminho iluminado por essas palavras, mas os rebeldes à lei de Deus acharão nelas uma pedra de tropeço para sua vida.

Conclusão

Observando o perfil profético de Oséias, podemos tirar a conclusão de que ele proclamou a impiedade do seu povo e o conclamou mais uma vez à aliança e ao compromisso com o Senhor, reforçando neles a idéia do inevitável juízo divino sobre todo o tipo de pecado. Mesmo tendo vivido muito tempo depois de outros irmãos que trouxeram a Israel a mesma mensagem de YHWH, e que foi rejeitada e desobedecida, esse profeta obedeceu à voz do Altíssimo para exortar novamente o Seu povo; ele não desistiu de clamar, continuou a profetizar a Palavra de justiça, juízo, misericórdia e restauração, como uma forma de dizer que o Criador sempre nos dá uma nova chance de reavaliar a nossa vida, de repensar sobre as nossas atitudes e de exercer nosso livre-arbítrio, escolhendo entre a salvação e a punição. Por isso, o profeta de Deus não deve desistir de exortar, mesmo já tendo proclamado a mesma mensagem anteriormente, até que Ele execute aquilo que prometeu. Deve também chamar seus irmãos à aliança e à comunhão com seu Criador, assumindo o perfeito compromisso de ser Seu instrumento na terra. Muitas vezes, é o exemplo de vida do profeta a melhor maneira de testemunhar que o que prega é real e verdadeiro e de poder revelar ao mundo o seu Deus.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: Os profetas menores

Os profetas menores vol. 1

Os profetas menores vol. 2

Os profetas menores vol. 3

The minor prophets vol. 1

The minor prophets vol. 2

The minor prophets vol. 3

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