A igreja de Tiatira era uma das 7 igrejas da Ásia Menor às quais o apóstolo João escreveu suas cartas. Ela fazia tinturaria, vestes, cerâmica e trabalhos de bronze. Ali havia falsa profecia. Por isso, ela precisava clamar pelo Espírito de Conhecimento do Senhor (Is 11: 2).


A igreja de Tiatira




Nota: Esses estudos sobre as sete igrejas da Ásia Menor foram baseados no significado espiritual da Menorá e do texto de Isaías 11: 2.

“Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteraram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras. Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; tão somente conservai o que tendes, até que eu venha. Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2: 18-29).

Tiatira significa: sacrifício de trabalho. A cidade abrigava uma guarnição de fronteira e era ponto importante do sistema de estradas dos romanos ligando Pérgamo a Laodicéia. Também era um importante centro manufatureiro; ali se fazia tinturaria, vestes, cerâmica e trabalhos de bronze. Tinha uma longa história militar (por isso o cetro de autoridade v. 26-27). Jezabel poderia ser o nome de uma mulher aceita na comunidade da igreja, cujo ensino continha ideais pagãos ou, mais provavelmente, é uma alegoria de Jezabel, mulher de Acabe, rei idólatra de Israel no tempo do profeta Elias. Ela simboliza: falsa profecia e falso ensino, engano, desequilíbrio emocional (é uma potestade que domina sobre as emoções humanas), prostituição, sedução, sensualidade, idolatria e mentira. Caminha junto como “braço direito” do principado “Rainha do Céu”, trazendo completa cegueira espiritual e confusão à igreja. Jezabel poderia, então, simbolizar o espírito de falsa profecia na igreja de Tiatira.

A igreja de Tiatira era uma igreja trabalhadora e guerreira; via a verdadeira imagem de Deus (O Trono e Cristo glorificado: “Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido”), tinha obras, amor, fé, serviço, perseverança, as obras espirituais sobrepujando as materiais, mas mantinha tolerância com falsas profecias e falsos ensinos, sedução de palavras, levando à idolatria (comerem coisas sacrificadas aos ídolos), portanto, convivia com trevas aparentando verdade. A bíblia diz que não houve arrependimento da mulher (símbolo da igreja que pecou), portanto, sofreria morte e as conseqüências da justiça divina. Os outros (os fiéis) deveriam conservar o que tinham até a vinda do Senhor para receberem a autoridade sobre as nações: cetro de ferro (Ferro simboliza a força divina) despedaçando o barro (as coisas da carne e as coisas perecíveis). Como prêmio, além de poderem reger as nações com cetro de ferro, os remanescentes fiéis receberiam a Estrela da manhã (Ap 22: 16 – neste versículo de Apocalipse, a bíblia diz que Jesus é a Estrela da manhã). Isso pode significar uma luz, um brilho que permanece após um período de escuridão. No fim dos tempos, quando passar o período de escuridão espiritual e o Anticristo, a besta e o diabo forem derrotados, Jesus prevalecerá, permanecerá de pé apesar de toda a oposição que enfrentou. Em Ap 22: 5, está escrito: “Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos”. Em Ap 21: 23 o mesmo texto se repete em outras palavras: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada”. Essa profecia já estava em Is 60: 19: “Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória”. Portanto, a Estrela da manhã (Jesus) será a própria glória de Deus brilhando sobre Seus filhos vencedores.

Para nós, isso tem um significado bastante interessante: nós podemos ser uma igreja guerreira, uma igreja que mostra obras espirituais até maiores que as materiais, podemos ver o trono de Deus, ter amor, fé, serviço e perseverança, mas se tivermos tolerância com falsas profecias e falso ensino, daremos lugar às trevas, dificultando o entendimento da Palavra, minando a força e a autoridade espiritual diante de Satanás. Jesus diz que nós somos a luz do mundo, porém, como um povo emocionalmente doente e influenciado por principados e potestades pode ter autoridade sobre o mundo espiritual e ainda desejar a Estrela da manhã? Nós podemos achar que isso é mentira e que nós temos domínio sobre os demônios que nos perturbam, porém, qual é o nosso verdadeiro testemunho se olharmos sinceramente para o nosso interior, vendo nele inúmeras coisas do “velho homem” que ainda estão presentes, basta sermos provocados por alguma situação ou por alguém? O que dizer de tanta contenda, divisão e disputa de poder dentro da própria Casa de Deus? O que dizer de tantos mexericos e tanta obra da carne ainda completamente vivos e atuantes em crentes de anos de “convertidos?” O que dizer de tantas pessoas que se desgarram do evangelho pela tamanha dor da decepção vivida dentro da igreja? O que dizer das nossas próprias famílias, ainda não convertidas após anos de oração, ou de muitos membros da igreja ou familiares deles, que se dizem convertidos, mas que não mostram um sinal sequer dessa conversão verdadeira que é o amor a Deus e ao próximo? O que dizer de tanta “unção” que na verdade não é usada para nada, porque são poucos os que se dispõem a pagar o preço para ser um instrumento poderoso de cura e libertação nas mãos do Senhor? Onde derramamos a unção que acabamos de receber depois de um culto? O que dizer de crentes que depois de anos sentados no banco são incapazes de falar de cor um versículo da bíblia (quando muito: “Jesus chorou”)? Pior do que isso: incapazes de aplicá-lo no seu dia a dia!

Não adianta fazer do altar um lugar de manifestação de demônios para dizer que o poder de Deus existe, mas deixar nossa mente em completa submissão e domínio do Espírito Santo de Deus para julgarmos todas as coisas e retermos apenas o que é bom; precisamos deixar que Ele nos dê diariamente as estratégias para a nossa própria vida, a fim de vencermos individualmente as nossas batalhas pessoais, conquistando o que nos foi roubado ou assolado: nossos relacionamentos, a honra profissional, a vida financeira, o respeito das pessoas pela nossa paciência e mansidão diante de situações aparentemente sem solução, a saúde etc. É preciso ler muito a Palavra para saber o real conteúdo dela e não deixar as “Jezabéis” entrarem e fazerem morada. Hoje em dia, todo mundo quer ser profeta, conselheiro e pastor. São os cargos mais disputados, entretanto, a bíblia diz que “o homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” – Jo 3: 27. Sem vigilância da nossa parte, sem consagração a Deus e sem certeza do nosso chamado, não adianta querermos tirar o argueiro do olho do irmão, sendo que uma trave está colocada no nosso. Essas são as brechas dadas pelo orgulho e pela soberba da carne que Deus quer que extirpemos do nosso meio, caso contrário, tudo de bom que um dia fizemos vai por “água abaixo”. Precisamos nos lavar completamente; aí sim, teremos autoridade verdadeira no mundo espiritual e permaneceremos de pé após o período de trevas da nossa jornada cristã. Como vencedores, o sacrifício do nosso trabalho não terá sido em vão.

Que relação isso tem com os sete candeeiros de ouro descritos em Ap 1: 12-16; 20? Vamos ler o texto:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força ... Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”.

É interessante perceber que a bíblia fala que o Senhor está com as sete estrelas na Sua mão direita, entretanto, se acha entre os sete candeeiros de ouro. Quando falamos das sete estrelas, ou seja, dos sete “anjos” das igrejas, podemos pensar que, mais do que o símbolo de um líder, elas têm o significado de “o espírito” predominante nelas, em outras palavras: a idéia, a força predominante, a índole, a tendência, o pensamento de cada uma delas. Devemos prestar atenção também ao que está escrito: “Tinha na mão direita sete estrelas”, ou seja, a mão direita é símbolo de honra, poder, autoridade, bênção, força e privilégio e isso quer dizer que é o Senhor que segura debaixo da Sua autoridade a liderança da Igreja. Ele detém o poder. Podemos ir mais longe no nosso raciocínio dizendo, então, que as sete estrelas correspondem à parte humana na igreja, detidas pelo poder de Deus e debaixo do Seu governo, ao passo que os sete Espíritos de Deus (Ap 4: 5) correspondem à parte divina, ou seja, às sete unções por Ele derramadas sobre a parte humana para completá-la, para supri-la naquilo que lhe falta. Em outras palavras: cada igreja tem seu componente humano que a faz agir e reagir de uma determinada forma, entretanto, Deus dispôs um dos Seus sete Espíritos (a plenitude das sete características do Espírito Santo) para cada uma delas a fim de que recebam a força espiritual necessária para se levantarem novamente e atingirem a perfeição, desempenhando na terra a sua parcela como membro do Corpo.

O candeeiro do qual a bíblia fala aqui eram candeeiros separados, representando as sete igrejas gentias da Ásia Menor (O Espírito Santo distribuído entre os Gentios), ao passo que o candelabro de uma só haste com sete lâmpadas dado a Moisés em Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24; Nm 8: 1-4, e mencionado em Hb 9: 1-10, representava o Espírito de Deus no meio do povo de Israel. Para fins práticos, é a mesma coisa: a presença do Espírito Santo com poder, unção e avivamento entre os que são Seus escolhidos (Judeus e Gentios).

Para nós que nascemos do Espírito, tudo isso tem um significado. Em primeiro lugar, vamos até Pv 20: 27 onde está escrito: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo”. Isso significa que o nosso espírito iluminado pela presença de Deus é capaz de sondar nosso interior e transformá-lo à imagem do Senhor. Em Is 11: 2 o significado dessas sete luzes torna-se bem claro para nós. Isaías profetiza sobre as qualidades do Messias, como se esperaria de um rei, também chamado ‘ungido de Deus’. Por isso, ele começa falando que o Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Jesus), o Messias, trazendo também os dons da sabedoria, do entendimento, de conselho, de fortaleza [em algumas versões, está escrito ‘poder’], de conhecimento e de temor do Senhor. O texto diz: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito de conselho e fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Neste versículo, a palavra ‘conselho’, em Hebraico, `etsah, significa: conselho; por implicação: plano, prudência, deliberação, consideração, ponderação, conselho, conselheiro, propósito.


Candeeiro
Candelabro ou candeeiro
Menorâh ou Menorath (hebraico) Êx 25: 31-39
Nebhrashtâ’ ou Nebrsha’ (aramaico) Dn 5: 5
Luchnos (candeia) ou Lychnia ou Luchnia (velador; candelabro) Mt 5: 15


A igreja de Tiatira teria todo o trabalho frustrado se não derrubasse do seu meio as falsas profecias, pois isso minaria suas forças e impediria o Espírito Santo de agir através das revelações e do conhecimento da verdade. Assim, Tiatira precisava clamar pelo Espírito de Conhecimento do Senhor (Is 11: 2), ou seja, o que traz a revelação da Palavra e destrona todo o tipo de mentira e falsa profecia. Em Os 4: 6 está escrito: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”. No texto de Apocalipse o Senhor escreve: “Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteraram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras”. Isso quer dizer que, mais do que os membros que estavam pecando, os líderes eram os principais responsáveis por deixar os falsos ensinos corroerem a igreja que tinha sido erguida. Por isso, Deus os repreendia e lhes falava sobre voltarem ao arrependimento, pois essa atitude pecaminosa contaminava os mais novinhos na fé.

O Espírito de Conhecimento dá a compreensão correta das coisas, a informação revelada da palavra de Deus e saber o que temos à nossa disposição através dela. Está relacionado à revelação e à experiência, aos sonhos e às visões. A palavra ‘conhecimento’ tem a idéia de desvendar alguma coisa oculta para que possa ser vista e conhecida conforme é, ou seja, ela expressa a idéia de revelação. O conhecimento traz luz, clareza, revelação e manifestação do que está em oculto, seja bom ou mau. Ele nos faz conhecer os segredos do coração de Deus e os mistérios do mundo espiritual. Enche-nos com a verdade para que possamos vencer as falsas profecias.

Expulsando do seu meio as falsas profecias que cegavam Seu povo, a igreja poderia novamente receber visões, sonhos e ter novamente as experiências espirituais que necessitava para o seu crescimento. Tanto no AT como no NT as palavras usadas para ‘conhecimento’ trazem a idéia de: revelação, desvendar alguma coisa oculta, para que possa ser vista e conhecida conforme é; manifestar, deixar claro, exibir, desdobrar, admoestar, advertir, instruir e ter resposta de Deus. Como dissemos, o conhecimento está mais relacionado ao ministério profético, por isso a igreja de Tiatira precisava dessa característica do Espírito.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


As Igrejas na Ásia Menor
As igrejas na Ásia Menor

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

Message to the seven churches of Revelation

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