A igreja de Tiatira era uma das 7 igrejas da Ásia Menor às quais o apóstolo João escreveu suas cartas. Ela fazia tinturaria, vestes, cerâmica e trabalhos de bronze. Ali havia falsa profecia. Por isso, ela precisava clamar pelo Espírito de Conhecimento do Senhor (Is 11: 2).


A igreja de Tiatira




Nota: Esses estudos sobre as sete igrejas da Ásia Menor foram baseados no significado espiritual da Menorá e do texto de Isaías 11: 2.

“Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteraram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras. Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; tão somente conservai o que tendes, até que eu venha. Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2: 18-29).

Tiatira, em grego antigo era chamada Pelopia (Πελόπεια) e Semiramis (Σεμίραμις), antes de ser renomeada para Tiateira (Θυάτειρα) em 290 AC por Seleuco I Nicator (323-281 AC). Foi destruída por um grande terremoto durante o reino de Augusto (29 AC-14 DC), mas foi reconstruída com a ajuda do Império Romano. Atualmente, uma cidade turca bastante grande (Akhisar ou Aquisar = ‘castelo branco’) continua existindo no mesmo local sobre a antiga cidade da Lídia.

Tiatira significa sacrifício de trabalho. No 1º século da Era Cristã a cidade abrigava uma guarnição de fronteira e era ponto importante do sistema de estradas dos romanos, numa delas que vinha da capital da província, que era Pérgamo, até Laodicéia e continuando até as províncias orientais, para Bizâncio (Constantinopla; hoje Istambul).

Era um importante centro manufatureiro; ali se fazia tinturaria, vestes de lã tingida, cerâmica e trabalhos de bronze. Tinha uma longa história militar (por isso o ‘cetro de ferro’, simbolizando autoridade e mencionado por Jesus a João – v. 26-27). Entre as antigas ruínas da cidade, foram encontradas inscrições relacionadas à guilda (uma palavra muito usada na Idade Média para um sindicato, suntechuia, συντεχνία) de tintureiros da cidade. As inscrições mencionam: trabalhadores de lã, trabalhadores de linho, fabricantes de roupas externas, tintureiros, trabalhadores de couro, curtidores, oleiros, padeiros, mercadores de escravos e ferreiros.

Lídia, a mulher que Paulo encontrou em Filipos (At 16: 14) provavelmente estava comerciando a lã tingida de púrpura nessa cidade, pois ela era de Tiatira.

A cidade abrigava uma comunidade cristã do período apostólico, e que continuou até 1922, quando a população cristã ortodoxa foi deportada.

O texto de Apocalipse menciona o nome de uma mulher profetisa, aceita na comunidade da igreja, e que ensinou e seduziu os cristãos de Tiatira a cometer imoralidade sexual e comer alimentos sacrificados a ídolos. Esse nome fictício da mulher poderia estar relacionado com Jezabel, mulher de Acabe, rei idólatra de Israel no tempo do profeta Elias. Alguns comentaristas como Benson e Doddridge concluíram que o que era praticado em Tiatira era a mesma apostasia promovida em Israel por Jezabel conforme mencionada nos Livros dos Reis (1 Rs 16: 31-33; 1 Rs 18: 18-19). Jezabel, mulher de Acabe, tinha sacerdotes que se encarregavam da adoração a Baal Melcarte, a divindade protetora de Tiro, e sua consorte Aserá (Astarote ou Astarte, deusa da fertilidade dos cananeus, mais tarde chamada de Rainha do Céu pelo profeta Jeremias). Essa Jezabel, aceita na comunidade da igreja, era uma profetiza sedutora que encorajava imoralidade e idolatria usando como subterfúgio a religião. Seu ensino provavelmente coadunava com atividades que eram pagãs, associadas com os clubes sociais ou grêmios ou corporações (as guildas conhecidas na Idade Média) que organizavam os diversos negócios na cidade (comércio de lã, couro, linho, cerâmica e trabalhos de bronze etc.). Eram associações comerciais com o fim de proteção, benefício e recreação.

Era praticamente impossível seguir uma atividade comercial sem pertencer a uma dessas corporações; porém, suas reuniões estavam associadas com atos de adoração e imoralidade pagãs, pois cada um deles tinha sua divindade principal. Após essas reuniões religiosas pagãs havia festas e se dedicavam as comidas aos deuses, aos ídolos, e elas terminavam em imoralidade.

Mas há um detalhe interessante de se comentar se colocarmos nossa visão no lado espiritual do simbolismo desse nome. Jezabel é um nome usado para designar uma potestade que é como o ‘braço direito’ do principado ‘Rainha do Céu’ (usado no livro de Jeremias, adorado e chamado por outros nomes na Antiguidade e na nossa era inclusive). Essa potestade age na área das emoções humanas, portanto, trazendo falsa profecia e falso ensino, engano, desequilíbrio emocional, prostituição, sedução, sensualidade, idolatria e mentira.

Dessa forma, o nome usado por João para essa mulher parece ser pertinente. Ela seria um símbolo de apostasia e falsa profecia na igreja de Tiatira. O Senhor se dirige a ela usando uma figura de linguagem que pode ser comparada com a atividade profissional da cidade: “Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido”. Isso significava que Ele estava investigando o que se fazia na Sua igreja naquela cidade e que pisaria sobre todas essas obras más e sobre as pessoas que as praticavam como uma forma de fazer Seu juízo.

Essa falsa profetisa trazia uma ‘solução’ para os crentes. Ela ensinava “as coisas profundas de Satanás” (Ap 2: 24), ou seja, ela ensinava aos crentes que eles deveriam fazer parte dessas associações, participar do pecado e aí, sim, eles teriam condições de vencê-lo, pois o tinham experimentado.

Em seguida, Jesus diz: “Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos”. Isso quer dizer que a igreja de Tiatira era uma igreja trabalhadora e guerreira, tinha obras, amor, fé, serviço, perseverança, as últimas obras mais numerosas do que as primeiras (o que indicava amadurecimento, crescimento), mas mantinha tolerância com falsas profecias e falsos ensinos e sedução de palavras, levando à prostituição e à idolatria (comer coisas sacrificadas aos ídolos), portanto, convivia com trevas aparentando verdade. Naquelas festas estavam acontecendo coisas incompatíveis com o evangelho. A igreja tolerava a falsa profetisa Jezabel, mesmo sob a repreensão de Jesus. Esse comportamento minava igreja de dentro para fora. Essa falsa profetisa induzia as pessoas a buscar o conhecimento profundo de Satanás, ou seja, participando dos grêmios os crentes não arriscavam a vida financeira; porém, era uma forma de fazê-los ‘trocar’ de deus, do Deus verdadeiro por Mamom e todos os outros existentes em cada uma dessas reuniões pagãs. Ela também incentivava experimentar o pecado para vencê-lo, mas não é bíblico (“Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” – 1 Co 6: 18). Era um cristianismo liberal sem leis nem normas, para se adequar ao paganismo do 1º século.

Isso nos ensina que devemos ser tolerantes uns com os outros, mas não com a heresia, com o engano religioso, o falso ensino, a perversão da verdade, porque tudo isso perverte o caráter.

“Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteraram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras”. Tanto ela como os crentes pecadores foram convidados a se arrepender, mas a bíblia diz que não houve arrependimento da mulher, portanto, Deus a poria na cama e lhe traria sofrimento; seus filhos passariam pela morte e haveria tribulação para os que a seguiram. Isso era conseqüência da justiça divina, pois Deus não teve mais tolerância.

“Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; tão somente conservai o que tendes, até que eu venha”. O Senhor conhecia os que permaneceram firmes. Portanto, é possível ser fiel à doutrina de Cristo, mesmo quando outros se desviam. É difícil, mas é possível. Outro comentário: “não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás” não deve ser confundido aqui com ignorância das coisas espirituais, pois é necessário que um crente tenha o estudo e saiba como Satanás age na área do conhecimento humano, não apenas para evitar seus laços malignos como também poder ajudar quem está enganado por falsos ensinos, misticismo etc. O que Jesus está dizendo é para não participar das coisas do mal, para nos fortalecermos na Sua palavra, porém, não fugir das informações que são necessárias para termos vitórias espirituais verdadeiras. Afinal, “O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento (Pv 11: 9).

“Conservai o que tendes, até que eu venha” – a santidade, as experiências e a intimidade que eles tinham com Deus, o conhecimento da Sua palavra e a paz interior por tê-lo obedecido eram o bastante. Eles não precisavam buscar as novidades do pecado para conhecer a Sua graça. O que os outros fizeram foi distorcer a palavra de Deus: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5: 20b).

“Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Isso significa: os fiéis deveriam conservar o que tinham até a vinda do Senhor para receberem a autoridade sobre as nações: cetro de ferro (Ferro simboliza a força divina) despedaçando o barro (as coisas da carne e as coisas perecíveis). Em outras palavras: o Senhor lhes dará a autoridade de julgar os ímpios.

Como prêmio, além de poderem reger as nações com cetro de ferro, os remanescentes fiéis receberiam a Estrela da manhã. Ele estava propondo aos Seus filhos que, ao invés de conhecer as coisas profundas de Satanás, eles conhecessem mais Dele, a Estrela da manhã; experimentar a glória de Cristo, permanecer brilhando com Ele.

Em Ap 22: 16 a bíblia diz que Jesus é a Estrela da manhã. Isso pode significar uma luz, um brilho que permanece após um período de escuridão. No fim dos tempos, quando passar o período de escuridão espiritual e o Anticristo, a besta e o diabo forem derrotados, Jesus prevalecerá, permanecerá de pé apesar de toda a oposição que enfrentou.

Em Ap 21: 23 está escrito: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada”.

Em Ap 22: 5 o mesmo texto se repete em outras palavras: “Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos”.

Essa profecia já estava em Is 60: 19: “Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória”. Portanto, a Estrela da manhã (Jesus) será a própria glória de Deus brilhando sobre Seus filhos vencedores.

Como podemos trazer isso para os nossos dias?

Nós podemos ser uma igreja guerreira, uma igreja que mostra obras espirituais até maiores que materiais, nós podemos ter amor, fé, serviço e perseverança, mas se tivermos tolerância com falsas profecias e falso ensino, nós daremos lugar às trevas, dificultando o entendimento da Palavra, minando a força e a autoridade espiritual diante de Satanás. Jesus diz que nós somos a luz do mundo, porém, como um povo emocionalmente doente e influenciado por principados e potestades pode ter autoridade sobre o mundo espiritual e ainda desejar a Estrela da manhã? Nós podemos achar que isso é mentira e que nós temos domínio sobre os demônios que nos perturbam, porém, qual é o nosso verdadeiro testemunho se olharmos sinceramente para o nosso interior, vendo nele inúmeras coisas do ‘velho homem’ que ainda estão presentes, basta sermos provocados por alguma situação ou por alguém? O que dizer de tanta contenda, divisão e disputa de poder dentro da própria Casa de Deus? O que dizer de tantos mexericos e tanta obra da carne ainda completamente vivos e atuantes em crentes de anos de ‘convertidos?’ O que dizer de tantas pessoas que se desgarram do evangelho pela tamanha dor da decepção vivida dentro da igreja? O que dizer de muitos membros da igreja ou familiares deles, que se dizem convertidos, mas que não mostram um sinal sequer dessa conversão verdadeira que é o amor a Deus e ao próximo? O que dizer de tanta ‘unção’ que na verdade não é usada para nada, porque são poucos os que se dispõem a pagar o preço para ser um instrumento poderoso de cura e libertação nas mãos do Senhor? O que dizer de crentes que depois de anos sentados no banco são incapazes de falar de cor um versículo da bíblia (quando muito: “Jesus chorou”)? Pior do que isso: incapazes de aplicá-lo no seu dia a dia! E quanto aos problemas sexuais mal-resolvidos? E quanto ao apego financeiro que ainda prevalece sobre as necessidades da Obra de Deus? E quanto à mistura do evangelho com as influências do empresariado? E quanto aos adultérios atrás dos bastidores?

Não adianta fazer do altar um lugar de manifestação de demônios para dizer que o poder de Deus existe, mas deixar nossa mente em completa submissão e domínio do Espírito Santo de Deus para julgarmos todas as coisas e retermos apenas o que é bom; precisamos deixar que Ele nos dê diariamente as estratégias para a nossa própria vida, a fim de vencermos individualmente as nossas batalhas pessoais, conquistando o que nos foi roubado ou assolado: nossos relacionamentos, a honra profissional, a vida financeira, o respeito das pessoas pela nossa paciência e mansidão diante de situações aparentemente sem solução, a saúde etc. É preciso ler muito a Palavra para saber o real conteúdo dela e não deixar as ‘Jezabéis’ entrarem e fazerem morada em nós. Hoje em dia, todo mundo quer ser profeta, pastor e apóstolo. São os cargos mais disputados, entretanto, a bíblia diz que “o homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” – Jo 3: 27. Sem vigilância da nossa parte, sem consagração a Deus e sem certeza do nosso chamado, não adianta querermos tirar o argueiro do olho do irmão, sendo que uma trave está colocada no nosso. Essas são as brechas dadas pelo orgulho e pela soberba da carne que Deus quer que extirpemos do nosso meio, caso contrário, tudo de bom que um dia fizemos vai por água abaixo. Precisamos nos lavar completamente; aí sim, teremos autoridade verdadeira no mundo espiritual e permaneceremos de pé após o período de trevas da nossa jornada cristã. Como vencedores, o sacrifício do nosso trabalho não terá sido em vão.

Que relação isso tem com os sete candeeiros de ouro descritos em Ap 1: 12-16; 20? Vamos ler o texto:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força ... Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”.

Embora os sete candeeiros representem as sete igrejas da Ásia Menor para as quais João escreveu as cartas, neste tema em especial, eu vou escrever uma revelação que recebi do Senhor há muitos anos, no início da minha conversão, fazendo uma relação com a Menorá (o candelabro de sete lâmpadas e sete hastes), símbolo do Espírito de Deus para o povo Judeu.

É interessante perceber que a bíblia fala que o Senhor está com as sete estrelas na Sua mão direita, entretanto, se acha entre os sete candeeiros de ouro. Quando falamos das sete estrelas, ou seja, dos sete “anjos” das igrejas, podemos pensar que, mais do que o símbolo de um líder, elas têm o significado de “o espírito” predominante nelas, em outras palavras: a idéia, a força predominante, a índole, a tendência, o pensamento de cada uma delas. Devemos prestar atenção também ao que está escrito: “Tinha na mão direita sete estrelas”, ou seja, a mão direita é símbolo de honra, poder, autoridade, bênção, força e privilégio e isso quer dizer que é o Senhor que segura debaixo da Sua autoridade a liderança da Igreja. Ele detém o poder. Podemos ir mais longe no nosso raciocínio dizendo, então, que as sete estrelas correspondem à parte humana na igreja, detidas pelo poder de Deus e debaixo do Seu governo, ao passo que os sete Espíritos de Deus (Ap 4: 5) correspondem à parte divina, ou seja, às sete unções por Ele derramadas sobre a parte humana para completá-la, para supri-la naquilo que lhe falta. Em outras palavras: cada igreja tem seu componente humano que a faz agir e reagir de uma determinada forma, entretanto, Deus dispôs um dos Seus sete Espíritos (a plenitude das sete características do Espírito Santo) para cada uma delas a fim de que recebam a força espiritual necessária para se levantarem novamente e atingirem a perfeição, desempenhando na terra a sua parcela como membro do Corpo.

O candeeiro do qual a bíblia fala aqui eram candeeiros separados, representando as sete igrejas gentias da Ásia Menor (simbolizando o Espírito Santo distribuído entre os Gentios), ao passo que o candelabro de uma só haste com sete lâmpadas dado a Moisés em Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24; Nm 8: 1-4, e mencionado em Hb 9: 1-10, representava o Espírito de Deus no meio do povo de Israel. Para fins práticos, é a mesma coisa: a presença do Espírito Santo com poder, unção e avivamento entre os que são Seus escolhidos (Judeus e Gentios).

Para nós que nascemos do Espírito, tudo isso tem um significado. Em primeiro lugar, vamos até Pv 20: 27 onde está escrito: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo”. Isso significa que o nosso espírito iluminado pela presença de Deus é capaz de sondar nosso interior e transformá-lo à imagem do Senhor. Em Is 11: 2 o significado dessas sete luzes torna-se bem claro para nós. Isaías profetiza sobre as qualidades do Messias, como se esperaria de um rei, também chamado ‘ungido de Deus’. Por isso, ele começa falando que o Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Jesus), o Messias, trazendo também os dons da sabedoria, do entendimento, de conselho, de fortaleza [em algumas versões, está escrito ‘poder’], de conhecimento e de temor do Senhor. O texto diz: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito de conselho e fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Neste versículo, a palavra ‘conselho’, em Hebraico, `etsah, significa: conselho; por implicação: plano, prudência, deliberação, consideração, ponderação, conselho, conselheiro, propósito.


Candeeiro
Candelabro ou candeeiro
Menorâh ou Menorath (hebraico) Êx 25: 31-39
Nebhrashtâ’ ou Nebrsha’ (aramaico) Dn 5: 5
Luchnos (candeia) ou Lychnia ou Luchnia (velador; candelabro) Mt 5: 15


A igreja de Tiatira teria todo o trabalho frustrado se ela não derrubasse do seu meio as falsas profecias e a sedução que levava à carnalidade e à idolatria, pois isso minaria suas forças e impediria o Espírito Santo de agir através das revelações e do conhecimento da verdade. Assim, Tiatira precisava clamar pelo Espírito do Conhecimento do Senhor, ou seja, o que traz a revelação da Palavra e destrona todo o tipo de mentira e falsa profecia. Em Os 4: 6 está escrito: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”. No texto de Apocalipse o Senhor escreve: “Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteraram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras”. Isso quer dizer que, mais do que os membros que estavam pecando, os líderes eram os principais responsáveis por deixar os falsos ensinos corroerem a igreja que tinha sido erguida. Por isso, Deus os repreendia e lhes falava sobre voltarem ao arrependimento, pois essa atitude pecaminosa contaminava os mais novinhos na fé.

Expulsando do seu meio as falsas profecias que cegavam Seu povo, a igreja poderia novamente receber visões, sonhos e ter novamente as experiências espirituais que necessitava para o seu crescimento. Tanto no AT como no NT as palavras usadas para ‘conhecimento’ trazem a idéia de: revelação, desvendar alguma coisa oculta, para que possa ser vista e conhecida conforme é; manifestar, deixar claro, exibir, desdobrar, admoestar, advertir, instruir e ter resposta de Deus. A palavra de conhecimento está mais relacionada ao ministério profético, por isso a igreja de Tiatira precisava dessa característica do Espírito.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


As Igrejas na Ásia Menor
As igrejas na Ásia Menor

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