A igreja de Pérgamo, à qual o apóstolo João escreveu suas cartas, era o centro dos maiores cultos pagãos e ali o imperador romano era adorado como um deus. Pérgamo tinha perdido o temor a Deus, por isso precisava do Espírito de Temor do Senhor (Is 11: 2).


Igreja de Pérgamo




Nota: Esses estudos sobre as sete igrejas da Ásia Menor foram baseados no significado espiritual da Menorá e do texto de Isaías 11: 2.

“Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel [abreviação de Antipater – um mártir da igreja de Pérgamo, o qual, segundo a tradição, foi assado num receptáculo de bronze durante o reinado de Domiciano (81-96 DC)], o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe” (Ap 2: 12-17).

Pérgamo (em grego: Πέργαμος) significa: cidadela, burgo,e era a capital administrativa, o centro da religião oficial e sede da autoridade e da justiça imperial romana na província. A cidade foi construída em um promontório a vinte e seis quilômetros da costa do mar Egeu, na borda norte da planície do rio Caicos (atual Bakırçay) e a noroeste da moderna cidade de Bergama (hoje território da Turquia) desde tempos antigos. Durante o período helenístico, sob a dinastia atálida (281−133 AC), ela foi capital do Reino de Pérgamo, e um dos principais centros culturais do mundo grego. O maciço de Pérgamo, composto principalmente de rocha vulcânica, está a trezentos e trinta e cinco metros acima do nível do mar. Por isso, ela era considerada uma fortaleza (‘cidadela’, ‘burgo’). A dinastia atálida foi uma linhagem grega que governou na cidade de Pérgamo após a morte de Filipe Lisímaco da Trácia (360-281 AC), um dos generais e sucessores de Alexandre o Grande. Filetero foi um dos oficiais de Lisímaco, e tomou o poder da cidade em 282 AC, reinando até 263 AC. Sua descendência continuou a governá-la: Eumenes I (263-241 AC), Atalo I Sóter (241-197 AC), Eumenes II (197-160 AC), Atalo II Filadelfo (160-138 AC), Atalo III (138-133 AC) e Eumenes III Aristônico (133-128 AC – pretendente ao trono, pois era filho ilegítimo de Atalo II, mas sua revolta fracassou). Em 133 AC Atalo III legou o Reino de Pérgamo à República Romana.

Pérgamo sobrepujava Éfeso e Esmirma, pois ali ficava a maior biblioteca do mundo no século I, depois de Alexandria. Pérgamo tinha 200 mil pergaminhos e foi construída por Eumenes II entre 220 e 159 AC no extremo norte da Acrópole.

Os manuscritos eram escritos em pergaminho, enrolados e depois armazenados nas prateleiras. É verdade que a palavra ‘pergaminho’ é derivada de Pérgamo (do latim, pergamenum, e do francês parchemin). Durante o período helenístico, Pérgamo era um grande centro de produção de pergaminhos, mas o pergaminho não foi inventado em Pérgamo, como diz a lenda. O pergaminho já era usado na Anatólia e em outros lugares muito antes da ascensão de Pérgamo. O que acontece é que o pergaminho ajudou o Império Romano a não depender tanto do papiro egípcio, como era usado na biblioteca de Alexandria, e permitiu a disseminação do conhecimento na Europa e na Ásia.

Pérgamo também era o centro dos maiores cultos pagãos: Zeus (em grego) ou Júpiter (para os romanos), o maioral dos deuses, o deus do céu que se exibia nos fenômenos atmosféricos, ligado mais intimamente a Mercúrio (para os romanos) ou Hermes (para os gregos), o deus da palavra (os mesmos Júpiter e Mercúrio encontrados em Listra e Icônio por Paulo e Barnabé: At 14: 12); Atena ou Palas Atena (para os gregos), ou Minerva (para os romanos), a deusa da civilização, da sabedoria, da estratégia, das artes, da justiça e da habilidade; Dionísio (para os gregos) ou Baco (para os romanos), o deus do vinho; Afrodite (em grego) ou Vênus (para os romanos), a deusa do amor, da beleza e da sexualidade; Deméter ou Demetra (em grego) e chamada de Ceres pelos romanos, a deusa da colheita, da agricultura, da terra cultivada e das estações do ano, propiciadora do trigo, planta símbolo da civilização. Havia também um grande templo dos deuses egípcios Ísis-Serápis. Serápis, em egípcio, era inicialmente chamado de Aser-hapi (ou seja, Osíris-Ápis), que se tornou Serápis. Seu símbolo era uma cruz. Ele era tido como sendo o deus Osíris em sua totalidade. Osíris governava o reino dos mortos e estava ligado a Rá. Ísis era sua consorte. Ápis (Hapi-anku), o touro de Mênfis, era a personificação da terra e a reencarnação de Osíris; simbolizava a força do rei (Faraó).

Nesse contexto se encaixa Antipas, mencionado nessa carta. Antipas é a abreviação de Antipater. Ele era presbítero, discípulo de João e um mártir da igreja de Pérgamo, o qual, segundo a tradição, em 92 DC foi assado num receptáculo de bronze (um touro de bronze, semelhante a um incensário) pelos adoradores de Serápis, durante o reinado de Domiciano (81-96 DC). O touro de bronze representava o deus touro Ápis. O martírio de Antipas é um dos primeiros registrados na história cristã, destacado pela Escritura Cristã através da mensagem enviada à Igreja de Pérgamo no Livro do Apocalipse.

Outro importante deus adorado ali era Asclépio (Asklepios, grego) ou Esculápio, em latim, o deus da cura, cujo símbolo era uma serpente. O santuário dedicado a ele foi considerado um dos mais famosos centros terapêuticos e de cura do mundo romano. Galeno, o médico mais famoso da Antiguidade, depois de Hipócrates, nasceu em Pérgamo e recebeu seu treinamento inicial no Asclepeion (o templo de Esculápio). Pessoas de toda parte vinham para ser curadas.

Pérgamo aparece no Apocalipse como o lugar onde está o trono de Satanás (Ap 2: 13); era considerada como a sede do poder do mal porque no culto imperial o poder dado por Deus pertencente ao Estado havia sido empregado na adoração blasfema de um homem (adoração ao imperador). Portanto, o que ocorria era a perversão da autoridade divina dada ao Estado, sendo o imperador romano transformado numa divindade [como no caso de Domiciano, que se proclamou deus, ainda em vida], ao invés de ocupar apenas sua posição de autoridade secular. Cristo é o real e final possuidor dessa autoridade, o que é simbolizado pela espada afiada de dois gumes, a espada do Seu juízo para os que se conservam no erro.

Era costume dos imperadores romanos se considerarem deuses, por isso Deus condenava tanto o culto imperial nas Epístolas e no Apocalipse. Caio Júlio César (49-44 AC), em vida, no ano de 44 AC, consentiu na construção de uma estátua sua, onde se podia ler a inscrição: Deo invicto (“Ao Deus Invencível”). No mesmo ano se nomeou ditador vitalício. Houve um período de guerra civil durante a transição de República para Império Romano (31-29 AC), o qual teve início em 29 AC com Otaviano, sobrinho e herdeiro de Júlio César. Caio Júlio César Otaviano Augusto (29AC–14DC) ou César Augusto, como é conhecido, fez construir um templo em Roma dedicado ao ‘Divino Júlio’. O filho adotivo de Augusto foi Tibério (Tibério Cláudio Nero César – 14-37 DC). Ambos permitiram erigir um único templo em sua honra durante as suas vidas. Estes templos continham não somente as estátuas do imperador governante, que podia ser venerado à maneira de um deus, mas também eram dedicados à cidade de Roma (no caso de Augusto) e ao senado (no caso de Tibério). Ambos os templos estavam situados na parte asiática do Império Romano. O templo de Augusto (construído em 29 AC) estava situado em Pérgamo, enquanto o de Tibério estava em Esmirna e ele não consentiu outro templo ou estátua em sua honra em nenhum outro lugar. Assegurou frente ao senado que preferia ser recordado mais pelos seus atos que pelas pedras. Mas permitiu a construção de um templo em honra do seu antecessor e pai adotivo, o ‘Divino Augusto’, em Tarragona (atual Catalunha, Espanha), em 15 DC. Calígula tornou-se o primeiro imperador a apresentar-se como um deus diante do povo; não através de estátuas, mas abertamente em seu próprio corpo.

Uma vez por ano os súditos romanos iam a esses templos para queimar incenso a César. Os que se recusavam eram perseguidos. Aqui começou a perseguição à igreja porque os cristãos se recusavam a adorar outro deus como Senhor. Nessa mesma época ocorreu a perseguição à igreja de Éfeso por Domiciano.

“Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita” – isso quer dizer que Deus sabia que os crentes de Pérgamo conservavam o Seu nome e não negaram a fé, apesar das opressões de Roma e da cultura grega da cidade. Deus conhecia o lugar maléfico onde essa igreja estava, mas queria que eles entendessem uma coisa: o trono de Satanás não estava num prédio, num templo idólatra daqueles, e sim no sistema pagão que levava as pessoas a adorar muitos falsos deuses. Isso era uma conspiração à Trindade verdadeira. Eles teriam que resistir ao engano e à heresia daquele lugar, ao mundo sedutor que havia ali. A igreja corria o risco de se misturar com o mundo, de se conformar com o engano doutrinário e compactuar com o pecado moral. Por isso, Jesus segue dizendo:

“Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas” – Alguns crentes da igreja de Pérgamo sustentavam a doutrina de Balaão ou a doutrina dos nicolaítas. O termo ‘nicolaítas’ tem origem controversa. Presume-se que Nicolau de Antioquia (At 6: 5 – escolhido no início da formação da Igreja como diácono), supostamente, teria dado o seu nome a um grupo dentro dela que procurava entrar em compromisso com o paganismo, a fim de permitir que os cristãos participassem sem embaraço em algumas atividades sociais e religiosas da sociedade pagã na qual se encontrava. A orientação da seita seria semelhante à de Balaão, o corruptor de Israel no Antigo Testamento (Números – capítulos 22, 23 e 24): comer comida sacrificada a ídolos, convivência simultânea com o paganismo, com a prostituição e com os falsos ensinos, que eram laços nos caminho da igreja. Não era toda a igreja que praticava isso. Alguns deles apenas se encantaram com a doutrina dos nicolaítas e de Balaão (filho de Beor, que foi comprado por Balaque, rei dos moabitas, filho de Zipor, para amaldiçoar Israel quando entrava na Terra Prometida). Entretanto, isso era perigoso para a comunidade como um todo. Eram ataques sutis de heresia e de pecado, misturando o evangelho com o paganismo (ecumenismo). O nível moral estava baixando.

Então, o Senhor vem e diz: “Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca”. Mais uma vez Ele conclama Seu povo ao arrependimento, caso contrário, experimentariam a morte pela espada, ou seja, o juízo divino viria para punir a desobediência e a blasfêmia. Por isso, ele se apresentou a essa igreja como aquele que tem a espada afiada de dois gumes, aquele que tem autoridade para julgar ímpios e crentes: “Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes”. Toda a igreja tinha que se arrepender; não porque todos tinham se desviado, mas porque todos se conformaram, tiveram tolerância com o erro. A fonte do pecado era o trono de Satanás, o governo dele naquela cidade, criando confusão mental, falta de luz, engano, cegueira e pecado. Mas a parte dos crentes era resistir e manter a chama do Espírito acesa. Não era uma tarefa fácil, mas necessária.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe” – O prêmio pela fidelidade a Cristo seria o maná escondido (o sustento espiritual de Deus aos que buscassem Sua revelação) e a pedrinha branca. O maná era o pão do céu, conhecido pelos israelitas, e que os sustentou no deserto por quarenta anos. Jesus veio e disse que Ele era esse pão da vida (Jo 6: 31-35; 48-51; 54-55). Aqueles que não se contaminassem com os banquetes do mundo comeriam do banquete de Deus, do maná verdadeiro.

A pedrinha mencionada no texto era um pequeno cubo (‘tessara hospitalis’) usado como ingresso em algum lugar, e também como uma senha de entrada para as grandes festas da cidade. Para os vencedores, os que rejeitassem os banquetes do mundo, ela representaria a senha de entrada no reino de Deus e nas bodas do Cordeiro. Há uma segunda hipótese para a ‘pedrinha branca’: nos tribunais do mundo antigo os jurados votavam com uma pedrinha branca ou preta. Se a maioria fosse branca, o réu era absolvido. Se fosse preta, seria condenado. Portanto, ela poderia indicar que, mesmo que os crentes fossem condenados pelos tribunais da terra, seriam absolvidos pelo tribunal de Deus.

“Sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe” – o novo nome pode se referir a Jesus, o dono e Senhor daqueles que acreditam nele e entregam sua vida para Ele; ou, então, ao ‘Seu novo nome’, escrito em Ap 19: 12: “um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo” e Ap 3: 12: “Ao vencedor, fá-lo-ei uma coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome” pode ser um nome novo que somente nos será revelado na Sua segunda vinda, e somente aqueles que estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro conhecerão.

A espada de dois gumes de Cristo, a Palavra Viva, traria Seu juízo e separaria o santo do profano para Pérgamo voltar a ser uma cidade forte, um burgo, uma cidadela, símbolo da nova Jerusalém que é a promessa dada aos que conseguirem vencer a tribulação da vida cristã.

Como podemos trazer isso para os nossos dias?

Para nós, a carta a Pérgamo nos diz: muitas igrejas do Senhor se encontram em lugares onde a autoridade do Estado foi totalmente deturpada e corrompida, oprimindo o povo de Deus a servir a um homem que, em suma, é o símbolo da idolatria humana. Isso desagrada totalmente a Ele, pois um ser humano corrompido é um instrumento maligno nas mãos de Satanás. Alguns, por medo, se submetem à ‘prostituição espiritual’, servindo concomitantemente a vários deuses e negando o Deus verdadeiro. Mesmo nos casos em que uma autoridade do governo não seja idolatrada nem exija tal grau de reverência e obediência, espiritualmente falando muitos deuses podem se erguer na vida das pessoas como se via em Pérgamo: Zeus (Júpiter), o deus do céu que se exibe nos fenômenos atmosféricos, pode ser ainda adorado na forma de superstições que vêem presságios no sol, na lua e nas estrelas por pessoas que só cortam o cabelo na lua cheia ou nova, ou mantém esse tipo de superstição arraigada dentro de si quando necessitam neuroticamente ler horóscopo antes de sair de casa para terem certeza de que vai dar tudo certo naquele dia. Há também aqueles que ligam o dia do seu aniversário a certos corpos celestes e acham que se comportam ‘assim ou assado’ por causa disso (signos e mapas astrais, por exemplo). Assim, a pessoa não quer se corrigir e acaba fazendo de Deus um ser mais eclético e mais complacente com certas ‘manias’ humanas, que não são simples manias, mas francas idolatrias. Como eu já disse o outro deus mais intimamente ligado a Júpiter era Mercúrio (Hermes), o deus da palavra, o que se pode ver camuflado na sedução que pode ter a palavra na boca de alguém mais influente, seja ele um personagem do mundo ou da igreja. Falar bonito engana muita gente. Atena (Minerva) era a deusa da sabedoria; isso quer dizer que falsa sabedoria, mesmo dentro da igreja pode corromper os filhos de Deus, que não lêem a bíblia direito e ficam repetindo o que ouvem feito papagaios sem julgar ou raciocinar em cima do que estão ouvindo e sem checar com a Palavra. Dionísio (Baco), o deus do vinho, é outro tipo de deus que seduz; não necessariamente que a igreja pregue o alcoolismo, mas significa tudo o que embriaga um crente desavisado, fazendo dele como uma pessoa alheia à verdade bíblica: sensações, emoções, ‘arrepios’, opulência, aparências bonitas e vícios de pregação que se tornam ‘marca registrada’ da igreja, removendo o raciocínio das pessoas, colocando-as debaixo de um manto de influência restrito como uma cartilha a ser obedecida à risca. Asclépio (Asklepios, grego; ou Esculápio, latim; Eshmun ou Esmum, para os fenícios), o deus da cura, é o outro deus muito reverenciado pelas pessoas, personificado num médico ou num homem de Deus que detém o dom de cura e, às vezes sem saber, se torna um ídolo para muita gente. A Medicina e a odontologia adotaram a serpente enrolada a um bastão, o chamado bordão ou bastão de Esculápio. Netuno era adorado pelos marinheiros como o deus dos mares (para nós, simbolizando o mundo espiritual e o inconsciente humano) e segurava um tridente em sua mão (A Psicologia tomou o tridente para seu símbolo – ψ). Quantos se orgulham de poder trabalhar com o lado psicológico das pessoas!

Quando João escreveu sua carta a Pérgamo por ordem de Deus, ele dizia que o Senhor reconhecia que eles conservavam o Seu nome e não negaram a fé, ainda que sob perseguição, como no caso de Antipas. Entretanto, alguns membros naquela igreja seguiam a doutrina dos nicolaítas, participando sem embaraço em algumas atividades sociais e religiosas daquela sociedade pagã, como comer comida sacrificada a ídolos, prostituição e frouxidão sexual no seio da Igreja e compactuando com os falsos ensinos. Por isso, Deus menciona a Sua desaprovação a este tipo de prática. E sabia que, mesmo sabendo disso, o resto da igreja não se opôs.

Infelizmente, muitas igrejas começam debaixo do avivamento espiritual, mas ao longo da sua caminhada deixam de lado a vigilância, abrindo espaço para as obras da carne e para os falsos ensinos que começam a minar a chama do Espírito. Deus não se agrada da nossa falta de compromisso com a Sua verdade, do comodismo nem da triste rotina religiosa que impede o Seu Espírito de agir, muito menos da nossa complacência com certas atitudes carnais que abrem brecha para os modismos e para o ‘moldar adúltero’ da Palavra às conveniências humanas, com a desculpa de que não podemos ser radicais.

As diversas solicitações da vida moderna nos levam, muitas vezes, a cair em certos laços do diabo, desviando a nossa atenção do que é realmente importante, por exemplo: ‘doenças’ inesperadas, justamente na hora em que o Espírito nos move a semear e investir na Obra, fazendo com que o dinheiro de Deus seja desviado para a farmácia desnecessariamente, assim como a vontade de orar e buscar Sua direção no trono fica em segundo plano. Outro exemplo: aqueles telefonemas completamente sem sentido e sem motivo justamente no momento de oração ou louvor em que Deus vai começar a dar uma revelação espiritual importante. Saímos da ‘conexão’ com Ele para atendermos rapidamente à conexão com o mundo. Se não estivermos ligados ao Espírito, não conseguiremos perceber as estratégias usadas pelo inimigo.

Além dessas solicitações já citadas, ocorre o que aconteceu com o caso dos ‘nicolaítas’, em que não apenas os ensinamentos humanos são introduzidos assumindo ares de verdade, mas o sexo dentro da Igreja passa a ser tratado com certa negligência. Explicando melhor: deixando de lado o moralismo que apenas serve para julgar e condenar os erros do passado, os líderes não conseguem abordar esse assunto de maneira mais aberta, deixando os membros na ignorância; estes, por sua vez, omitem do líder, durante um aconselhamento, por exemplo, a real situação do casal e vai-se levando a vida de qualquer jeito, achando que Deus vai aprovar a situação e abençoar o que por si só já está amaldiçoado. Qualquer coisa que ocupe o lugar prioritário de Jesus na nossa vida é um motivo para se apagar a chama do Espírito Santo nos corações, por isso Ele orienta o Seu povo a se arrepender, caso contrário, Ele viria e traria Seu juízo: “Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca”.

Além dos deuses já mencionados no início do texto (como são adorados hoje em nosso meio), mesmo dentro das igrejas evangélicas, está ocorrendo o que acontecia em outra igreja da Ásia, a de Éfeso, por exemplo: a influência da Rainha do Céu (Aserá, Diana e todos os outros nomes que ela usou durante os séculos, inclusive Ísis, como está escrito no início do texto, a consorte de Osíris), trazendo rebeldia, idolatria humana, falta de domínio da carne, costumes mundanos ‘maquiados’ de santidade, permissividade com muitas atitudes que não agradam a Deus, irreverência, falta de temor, desestruturação familiar etc. Essas coisas vão se infiltrando aos poucos, inclusive na liderança por excesso de pressão emocional e espiritual ou por falta de preparo suficiente para ocupar determinadas posições, até por desconhecimento da própria Palavra; não, necessariamente, o desconhecimento do que está escrito, e sim da falta de experiência espiritual real com ela, o que apenas o Espírito Santo pode dar.

O Senhor tem visto todas essas atitudes em alguns dos Seus filhos, o que entristece profundamente o Seu coração, por isso Ele fala que, mais cedo ou mais tarde, experimentarão o poder da Sua espada de dois gumes devido à perversão da Sua autoridade. A bíblia diz que, para os crentes de Pérgamo, o prêmio pela fidelidade a Cristo seria o maná escondido e a pedrinha branca. O Senhor deseja que busquemos o nosso sustento espiritual e a revelação que necessitamos Nele e em mais ninguém, por isso alguns crentes se sentem completamente desamparados quando um líder deixa de tratá-los como bebês de colo e os incentiva a buscarem soluções para os seus problemas sozinhos no Senhor. Isso não é falta de pastoreio, e sim um pastoreio consciente, removendo as muletas das ovelhas para que possam ser carregadas pelo verdadeiro Pastor. O líder é apenas um canal para a manifestação do poder de Deus, mas não é Deus, e isso jamais pode ser confundido para que ele não fique carregando jugos completamente desnecessários. O ser humano tem uma tendência enorme à idolatria e, por isso, o Espírito Santo trata alguns filhos debaixo de certa solidão, para que possam encontrar o rumo certo na vida. Quando nosso espírito e nossa alma se encontram nesta disposição interior de saber com exatidão quem é o nosso verdadeiro Deus, aí sim, podemos dizer que somos uma cidade forte, com o direito a receber Dele a nossa ‘pedrinha de ingresso’ na nova Jerusalém.

Que relação isso tem com os sete candeeiros de ouro descritos em Ap 1: 12-16 e 20? Vamos ler o texto:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força ... Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”.

Embora os sete candeeiros representem as sete igrejas da Ásia Menor para as quais João escreveu as cartas, neste tema em especial, eu vou escrever uma revelação que recebi do Senhor há muitos anos, no início da minha conversão, fazendo uma relação com a Menorá (o candelabro de sete lâmpadas e sete hastes), símbolo do Espírito de Deus para o povo Judeu.

É interessante perceber que a bíblia fala que o Senhor está com as sete estrelas na Sua mão direita, entretanto, se acha entre os sete candeeiros de ouro. Quando falamos das sete estrelas, ou seja, dos sete “anjos” das igrejas, podemos pensar que, mais do que o símbolo de um líder, elas têm o significado de “o espírito” predominante nelas, em outras palavras: a idéia, a força predominante, a índole, a tendência, o pensamento de cada uma delas. Devemos prestar atenção também ao que está escrito: “Tinha na mão direita sete estrelas”, ou seja, a mão direita é símbolo de honra, poder, autoridade, bênção, força e privilégio e isso quer dizer que é o Senhor que segura debaixo da Sua autoridade a liderança da Igreja. Ele detém o poder. Podemos ir mais longe no nosso raciocínio dizendo, então, que as sete estrelas correspondem à parte humana na igreja, detidas pelo poder de Deus e debaixo do Seu governo, ao passo que os sete Espíritos de Deus (Ap 4: 5) correspondem à parte divina, ou seja, às sete unções por Ele derramadas sobre a parte humana para completá-la, para supri-la naquilo que lhe falta. Em outras palavras: cada igreja tem seu componente humano que a faz agir e reagir de uma determinada forma, entretanto, Deus dispôs um dos Seus sete Espíritos (a plenitude das sete características do Espírito Santo) para cada uma delas a fim de que recebam a força espiritual necessária para se levantarem novamente e atingirem a perfeição, desempenhando na terra a sua parcela como membro do Corpo.

O candeeiro do qual a bíblia fala aqui eram candeeiros separados, representando as sete igrejas gentias da Ásia Menor (simbolizando o Espírito Santo distribuído entre os Gentios), ao passo que o candelabro de uma só haste com sete lâmpadas dado a Moisés em Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24; Nm 8: 1-4, e mencionado em Hb 9: 1-10, representava o Espírito de Deus no meio do povo de Israel. Para fins práticos, é a mesma coisa: a presença do Espírito Santo com poder, unção e avivamento entre os que são Seus escolhidos (Judeus e Gentios).

Para nós que nascemos do Espírito, tudo isso tem um significado. Em primeiro lugar, vamos até Pv 20: 27 onde está escrito: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo”. Isso significa que o nosso espírito iluminado pela presença de Deus é capaz de sondar nosso interior e transformá-lo à imagem do Senhor. Em Is 11: 2 o significado dessas sete luzes torna-se bem claro para nós. Isaías profetiza sobre as qualidades do Messias, como se esperaria de um rei, também chamado ‘ungido de Deus’. Por isso, ele começa falando que o Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Jesus), o Messias, trazendo também os dons da sabedoria, do entendimento, de conselho, de fortaleza [em algumas versões, está escrito ‘poder’], de conhecimento e de temor do Senhor. O texto diz: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito de conselho e fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Neste versículo, a palavra ‘conselho’, em Hebraico, `etsah, significa: conselho; por implicação: plano, prudência, deliberação, consideração, ponderação, conselho, conselheiro, propósito.


Candeeiro
Candelabro ou candeeiro
Menorâh ou Menorath (hebraico) Êx 25: 31-39
Nebhrashtâ’ ou Nebrsha’ (aramaico) Dn 5: 5
Luchnos (candeia) ou Lychnia ou Luchnia (velador; candelabro) Mt 5: 15


Pérgamo tinha perdido o temor a Deus, passando a idolatrar o imperador romano, transformando-o num deus, além dos já existentes na cidade. Dessa forma, tinham tirado Cristo do Seu lugar de honra colocando Satanás no trono. Isso era catastrófico para a igreja e a levaria à morte espiritual. Caso ela não se arrependesse, viria sobre ela a morte espiritual, ou seja, não receberia a vida eterna nem a entrada na nova Jerusalém. Em Is 42: 8 está escrito: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura”. Seja imagem de escultura, sejam pessoas, profissões ou qualquer outro deus que teime em ocupar o coração do homem. O Senhor não vai aprovar; muito menos dar a Sua glória a isso. Pérgamo precisava do Espírito de Temor do Senhor (Is 11: 2).

O Espírito de Temor do Senhor (Is 11: 2) significa reverência, prioridade, respeito, devoção a Deus, reconhecer quem Ele é e não usar Seu nome em vão. O temor do Senhor nos eleva até o trono e nos faz entrar em contato com a santidade do Senhor. Coloca-nos numa posição de afastamento das coisas mundanas para dar reverência e prioridade à pessoa de Deus. Através do temor do Senhor nós conhecemos Seu amor e a força do louvor e da adoração dos anjos ao redor do trono. Diante dele cai toda a irreverência, idolatria e perturbação da paz. É interessante notar que na bíblia a palavra medo ou temor vem de várias raízes gregas e hebraicas, como por exemplo: a) Phobos (gr.) = arroubo, medo, terror. b) Deilia (gr.) = temor, covardia, timidez, como está em 2 Tm 1: 7. c) Eulabeia (gr.) = prudência, reverência. d) Pachad (hebr. AT) = temer, estar ansioso ou em terror; ajudador ou um companheiro para a vida (se referindo à morte), até que veio Jesus para nos libertar do medo dela (Hb 2: 15).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


As Igrejas na Ásia Menor
As igrejas na Ásia Menor

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Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

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