A igreja de Laodicéia era uma das 7 igrejas da Ásia Menor. Sua água quente vinha das fontes termais de Hierápolis, e a fria vinha de Colosso. Laodicéia precisava do Espírito de Sabedoria do Senhor (Is 11: 2), deixando de lado a sua sabedoria humana sem valor.


Igreja de Laodicéia




Nota: Esses estudos sobre as sete igrejas da Ásia Menor foram baseados no significado espiritual da Menorá e do texto de Isaías 11: 2.

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o primeiro da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 3: 14-22).

Laodicéia significa: justiça do povo, povo justo, e foi fundada por Antíoco II no terceiro século AC e recebeu este nome por causa de sua mulher, Laodice. Seu antigo nome era Dióspolis, que significa ‘a cidade de Zeus’, o deus grego adorado ali. Era um centro comercial próspero e foi destruída por um terremoto em 60 DC, mas por ser rica recusou auxílio imperial para a reconstrução. Ficava numa importante encruzilhada de estradas, portanto, era um importante centro bancário e de troca de moedas. Estava situada no largo vale do rio Lico e era rodeada por terras férteis. Seus maiores produtos eram vestes de lã negra polida e tablóides ou pós medicinais. Não havia suprimento de água permanente nas proximidades. Esta era levada por canos até a cidade vinda de fontes termais que ficavam a certa distância, e chegavam a ela já morna; em outras palavras, apesar de toda a sua riqueza, não podia produzir nem o poder curativo da água quente de Hierápolis, uma cidade vizinha, nem o poder refrescante da água fria de Colosso, mas podia produzir apenas água morna, útil apenas como vomitório. A igreja pensava não ter necessidade de nada, enquanto que, de fato, precisava de ouro, de vestes embranquecidas e colírio, mais eficazes que seus banqueiros, costureiros e médicos podiam suprir. Semelhantes a cidadãos não hospitaleiros a um viajante que lhes oferece bens extremamente preciosos, seus membros haviam fechado suas portas e deixado de lado de fora o seu real provedor.

Laodicéia era simbolicamente uma igreja morna, acomodada, indecisa e orgulhosa, pois achava que pela riqueza que tinha não precisava de mais nada; pelo contrário, o Senhor lhe disse que apesar de tudo, seu habitante era infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Sua atitude morna só servia para fazer Deus vomitar, pois para Ele esse comportamento era repugnante. Espiritualmente falando, por ser miserável e pobre no seu espírito, necessitava do ouro refinado, o precioso de Deus, que era a Sua palavra de Vida, Seus ensinamentos preciosos e que o orgulho não a deixava receber. Seus pecados a deixavam nua e desprotegida, por isso precisava de vestes brancas de pureza e santidade. O orgulho a cegava, apesar de ter muitos médicos e muitos remédios, por isso precisava do colírio de Deus para remover sua cegueira espiritual. Era também uma igreja que estava sendo colocada diante de uma escolha divina: deixar Jesus entrar ou deixá-lo de fora. Estava sendo repreendida, a fim de que pudesse se corrigir. Dela, o Senhor pedia duas coisas básicas: zelo pela Palavra e arrependimento dos seus pecados. Ao deixá-lo entrar para o ego sair, comeria do que Ele pode prover. Como prêmio, poderia sentar no trono com Ele, mas para isso era preciso aprender, lutar e vencer; só depois poderia reinar. A humildade a faria vivenciar a justiça de Deus, Seu perdão e redenção dos seus pecados com o direito a ser herdeira.

Aqui, temos mais um exemplo do que o Senhor pede de nós como um Corpo: jogar fora o orgulho e deixá-lo entrar de verdade no mais íntimo do nosso ser, onde só Ele conhece e arrancar de lá as ervas daninhas e os falsos curativos que já nos ofereceram, as falsas vestes que tentamos produzir para nos cobrir, fingindo estar tudo bem; abandonar a idéia de que a nossa posição de salvos, por si só, já nos garante a entrada na nova Jerusalém e uma oração rápida nos cobrindo com o sangue do Cordeiro já é o bastante para o diabo nos respeitar. O que nossa alma precisa é cura. Os padrões arraigados de comportamento só o Espírito Santo pode mudar. Por isso, Deus nos orienta a nos curarmos realmente diante da cruz, obedecendo à Sua própria palavra que diz: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15: 5b). Sermos convertidos há muitos anos, termos lido a bíblia dez vezes, sermos pregadores ou termos qualquer cargo de liderança não nos torna especiais diante de Deus, muito menos nos isenta do Seu tratamento. Todos os Seus filhos na bíblia foram trabalhados e forjados por Ele até o final de suas vidas e cresceram no ritmo por Ele determinado, não no ritmo humano auto-imposto, rápido, leve, sem dores e de qualquer jeito. Qual é o pai que fica impassível vendo seu filho se desviar por caminhos errados sem repreendê-lo? Se não fizer nada, está mais do que provado que não o ama.

Além de orgulhosa, Laodicéia era uma igreja morna, indecisa e acomodada, o que fortalecia o seu orgulho, ao mesmo tempo em que tudo isso era igualmente um fruto dele. Quem acha que está tudo bem e não precisa de nada, sequer aprender e crescer, se acomoda e se torna morno, porque uma das vantagens das guerras em que o Senhor nos coloca é nos tornar mais quentes para com Ele e mais “esquentados” com o inimigo, não nos deixando cair na fé nem desistir de ser um guerreiro. A tepidez (estado morno) e o comodismo acarretam a indecisão porque as guerras igualmente nos colocam de frente a escolhas e a nossa capacidade de decidir e exercer livre-arbítrio fica mais “afiada”. Quando não há nada a escolher, a indecisão se instala.

Repetindo o que foi escrito acima: como prêmio pela sua mudança de atitude, Laodicéia poderia sentar no trono com Deus, mas para isso era preciso aprender, lutar e vencer; só depois poderia reinar. A humildade a faria vivenciar a justiça de Deus, Seu perdão e redenção dos seus pecados, com o direito a ser herdeira. Lembre-se: Laodicéia significa: justiça de Deus, povo justo. A mesma coisa é para a Igreja de hoje.

Que relação isso tem com os sete candeeiros de ouro descritos em Ap 1: 12-16 e 20? Vamos ler o texto:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força ... Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”.

É interessante perceber que a bíblia fala que o Senhor está com as sete estrelas na Sua mão direita, entretanto, se acha entre os sete candeeiros de ouro. Quando falamos das sete estrelas, ou seja, dos sete “anjos” das igrejas, podemos pensar que, mais do que o símbolo de um líder, elas têm o significado de “o espírito” predominante nelas, em outras palavras: a idéia, a força predominante, a índole, a tendência, o pensamento de cada uma delas. Devemos prestar atenção também ao que está escrito: “Tinha na mão direita sete estrelas”, ou seja, a mão direita é símbolo de honra, poder, autoridade, bênção, força e privilégio e isso quer dizer que é o Senhor que segura debaixo da Sua autoridade a liderança da Igreja. Ele detém o poder. Podemos ir mais longe no nosso raciocínio dizendo, então, que as sete estrelas correspondem à parte humana na igreja, detidas pelo poder de Deus e debaixo do Seu governo, ao passo que os sete Espíritos de Deus (Ap 4: 5) correspondem à parte divina, ou seja, às sete unções por Ele derramadas sobre a parte humana para completá-la, para supri-la naquilo que lhe falta. Em outras palavras: cada igreja tem seu componente humano que a faz agir e reagir de uma determinada forma, entretanto, Deus dispôs um dos Seus sete Espíritos (a plenitude das sete características do Espírito Santo) para cada uma delas a fim de que recebam a força espiritual necessária para se levantarem novamente e atingirem a perfeição, desempenhando na terra a sua parcela como membro do Corpo.

O candeeiro do qual a bíblia fala aqui eram candeeiros separados, representando as sete igrejas gentias da Ásia Menor (O Espírito Santo distribuído entre os Gentios), ao passo que o candelabro de uma só haste com sete lâmpadas dado a Moisés em Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24; Nm 8: 1-4, e mencionado em Hb 9: 1-10, representava o Espírito de Deus no meio do povo de Israel. Para fins práticos, é a mesma coisa: a presença do Espírito Santo com poder, unção e avivamento entre os que são Seus escolhidos (Judeus e Gentios).

Para nós que nascemos do Espírito, tudo isso tem um significado. Em primeiro lugar, vamos até Pv 20: 27 onde está escrito: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo”. Isso significa que o nosso espírito iluminado pela presença de Deus é capaz de sondar nosso interior e transformá-lo à imagem do Senhor. Em Is 11: 2 o significado dessas sete luzes torna-se bem claro para nós. Isaías profetiza sobre as qualidades do Messias, como se esperaria de um rei, também chamado ‘ungido de Deus’. Por isso, ele começa falando que o Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Jesus), o Messias, trazendo também os dons da sabedoria, do entendimento, de conselho, de fortaleza [em algumas versões, está escrito ‘poder’], de conhecimento e de temor do Senhor. O texto diz: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito de conselho e fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Neste versículo, a palavra ‘conselho’, em Hebraico, `etsah, significa: conselho; por implicação: plano, prudência, deliberação, consideração, ponderação, conselho, conselheiro, propósito.


Candeeiro
Candelabro ou candeeiro
Menorâh ou Menorath (hebraico) Êx 25: 31-39
Nebhrashtâ’ ou Nebrsha’ (aramaico) Dn 5: 5
Luchnos (candeia) ou Lychnia ou Luchnia (velador; candelabro) Mt 5: 15


A Igreja de Laodicéia era a igreja orgulhosa que achava que não precisava de nada, que tinha sabedoria suficiente para caminhar sem o tratamento de Deus. Por isso, precisava muito do Espírito de Sabedoria do Senhor (Is 11: 2), deixando de lado a sua sabedoria humana sem valor. A sabedoria é a arte de ser bem sucedido, de formar um plano correto para alcançar os resultados desejados, ter habilidade, prudência, graça; saber aplicar o conhecimento e o entendimento da palavra; está envolvida no ato de interpretar sonhos. No NT, possui a mesma natureza intensamente prática que encontramos na sabedoria do AT. A sabedoria, no seu sentido mais amplo, pertence exclusivamente a Deus e consiste não apenas em conhecimento completo acerca de todos os aspectos da vida, mas também no conhecimento daquilo que Ele tem em mente para ser cumprido. A sabedoria está mais relacionada ao ensino, ao passo que o conhecimento está mais relacionado ao ministério profético. Sua sede é o coração, o centro da decisão moral e intelectual. A sabedoria nos coloca em contato direto com a mente de Deus nos fazendo pensar como Ele pensa.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


As Igrejas na Ásia Menor
As igrejas na Ásia Menor

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livro evangélico: Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

Message to the seven churches of Revelation

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