A igreja de Laodicéia era uma das 7 igrejas da Ásia Menor. Sua água quente vinha das fontes termais de Hierápolis, e a fria vinha de Colosso. Laodicéia precisava do Espírito de Sabedoria do Senhor (Is 11: 2), deixando de lado a sua sabedoria humana sem valor.


Igreja de Laodicéia




Nota: Esses estudos sobre as sete igrejas da Ásia Menor foram baseados no significado espiritual da Menorá e do texto de Isaías 11: 2.

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o primeiro da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 3: 14-22).

Laodicéia significa: justiça do povo, povo justo e foi fundada por Antíoco II em 250 AC e recebeu este nome por causa de sua mulher, Laodice. Era um centro comercial próspero, a cidade mais rica da Frigia, e foi destruída por um terremoto em 60 DC, mas por ser rica recusou auxílio imperial para a reconstrução. Ficava numa importante encruzilhada das principais rotas comerciais do mundo; portanto, era um importante centro bancário e de troca de moedas. Estava situada no largo vale do rio Lico e era rodeada por terras férteis. Seus maiores produtos eram vestes de lã negra polida e um pó medicinal (conhecido por pó frígio) que, misturado com óleo, era usado na fabricação de pomada para os ouvidos e colírio. Não havia suprimento de água permanente nas proximidades. Esta era levada por canos até a cidade vinda de fontes termais que ficavam a certa distância, e chegavam a ela já morna; em outras palavras, apesar de toda a sua riqueza, não podia produzir nem o poder curativo da água quente de Hierápolis, uma cidade vizinha, nem o poder refrescante da água fria de Colosso, mas podia produzir apenas água morna, útil apenas como vomitório.

O local foi finalmente abandonado e a moderna cidade, Denizli, cresceu em torno das fontes termais.

Laodicéia recebeu o evangelho provavelmente quando Paulo estava morando em Éfeso (At 19: 10), por intermédio de Epafras (Cl 4: 12-13; 15-16: “Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus. E dele dou testemunho de que muito se preocupa por vós [os Colossenses], pelos de Laodicéia e pelos de Hierápolis... Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à igreja que ela hospeda em sua casa. E, uma vez lida esta epístola perante vós [a que ele escreveu para Éfeso], providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós”). Ao que parece, Paulo não conheceu Laodicéia pessoalmente: “Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós [os Colossenses], pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face” (Cl 2: 1).

É evidente que essa igreja mantinha conexões com as comunidades das cidades vizinhas de Hierápolis e Colossos. Em Cl 4: 16 é mais provável que Paulo tenha mandado uma cópia da sua epístola aos Efésios para ser lida em Laodicéia, não especificamente uma carta dedicada a ela: “E, uma vez lida esta epístola perante vós [a que ele escreveu para Éfeso], providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós”.

A cidade de Colossos estava a mais ou menos dezesseis quilômetros a sudeste de Laodicéia, no vale do Lico; hoje quinze quilômetros a leste da cidade de Denizli. Naquela igreja havia uma mistura de elementos judaicos, gregos e frígios, pelo que podemos inferir pela carta de Paulo aos Colossenses.

A cidade de Hierápolis ficava nove quilômetros ao norte de Laodicéia no lado oposto do largo vale do Lico. Hierápolis significa ‘cidade do santuário’ ou ‘cidade sagrada’, pois ali era um centro de cultos pagãos desde os tempos remotos da Antiguidade. Atualmente existe apenas uma pequena vila, Eçiriköy, nas proximidades. Em 17 DC, durante o governo do imperador Tibério, um grande terremoto destruiu a cidade de Hierápolis. Ela foi completamente destruída por um terremoto em 1354. Filipe, o apóstolo de Jesus (não o evangelista descrito em At 6: 5; At 8: 5; At 21: 8-9), pregou o evangelho na Palestina, Grécia e na Ásia Menor, inclusive na Frígia, onde a mulher de um procônsul romano se converteu. Ali em Hierápolis ele viveu, pregou e morreu, segundo Policrates, bispo de Éfeso em 190 DC. Felipe foi crucificado e a seguir apedrejado no ano 80 DC em Hierápolis, na Frígia, por ordem do procônsul. Pode-se pensar que se trata do procônsul Sextus Julius Frontinus (c. 40–103 DC), um proeminente engenheiro civil romano, autor, soldado e senador do final do século I DC, general de sucesso sob Domiciano (81-96 DC). Uma inscrição em Hierópolis na Frígia, bem como várias moedas de Esmirna, atesta que ele era procônsul da Ásia em 86 DC. É apenas uma cogitação.

A igreja de Laodicéia pensava não ter necessidade de nada, porém precisava de ouro, de vestes embranquecidas e colírio, mais eficazes que seus banqueiros, costureiros e médicos podiam suprir. Semelhantes a cidadãos não hospitaleiros a um viajante que lhes oferece bens extremamente preciosos, seus membros haviam fechado suas portas e deixado de lado de fora o seu real provedor.

De todas as cartas essa é a mais severa. Não teve elogio da parte de Jesus, só repreensão. Era uma cidade rica, opulenta e a igreja cristã assimilou as diversas culturas e valores dela, pois era o centro de muitas estradas e acolhia visitantes de todas as partes do mundo. Em outras palavras, a cidade moldou a igreja. Ela acabou sendo tolerante com a cultura dos deuses pagãos da cidade e dos deuses das nações que a visitavam; não apenas os deuses, mas muitas filosofias gregas, frígias e de outras regiões da Anatólia, a Turquia oriental.

Laodicéia exercia influência de quatro maneiras:
1) Financeira – ela era o centro bancário e financeiro da Ásia.
2) Comercial – como centro da indústria têxtil da Ásia; sua lã era exportada para o mundo inteiro.
3) Científica – Laodicéia era um centro médico importante, especialmente, na área da oftalmologia. Havia uma famosa escola de medicina em Laodicéia. O conhecido ‘pó frígio’ que ela produzia era um ingrediente importante para colírios e isso era um verdadeiro milagre na cura dos problemas dos olhos.
4) Turística – por causa das águas termais das cidades vizinhas: Colossos e Hierápolis. A cidade de Colossos produzia águas frias; Hierápolis águas quentes, também medicinais. Mas as águas chegavam mornas a Laodicéia. Por isso, aproveitando essa característica, Jesus diz que o comportamento da igreja é como a temperatura das águas, morno, que só serve como vomitório.

Andando no meio dos candeeiros, Jesus conhece a saúde espiritual da Sua igreja. Ele viu que ela havia perdido o avivamento espiritual, seus valores e sua visão espiritual, e as vestes não estavam brancas, a temperatura do seu coração era morna; bem diferente dos discípulos a caminho de Emaús, quando Jesus os encontrou após Sua ressurreição e cujo coração era ardente (Lc 24: 32: “E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?”); bem diferente de um coração frio, onde não há amor nem fé, e, portanto, falta de Deus e impiedade (Mt 24: 12: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos”; Ez 36: 26: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” cf. Ez 11: 19).

Laodicéia era simbolicamente uma igreja morna, apática, acomodada e orgulhosa, pois achava que pela riqueza que tinha não precisava de mais nada; pelo contrário, o Senhor lhe disse que apesar de tudo, seu habitante era infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Sua atitude morna só servia para fazer Deus vomitar, pois para Ele esse comportamento era repugnante. Por isso Ele diz: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.”

“Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas” – Laodicéia estava morna, apática às coisas de Deus e não reconhecia isso. Por ser miserável e pobre no seu espírito, ela necessitava do ouro refinado, o precioso de Deus, que era a Sua palavra de Vida, Seus ensinamentos preciosos, e que o orgulho não a deixava receber. Seus pecados a deixavam nua e desprotegida, por isso precisava de vestes brancas de pureza e santidade. O orgulho a cegava, apesar de ter muitos médicos e muitos remédios, por isso precisava do colírio de Deus para remover sua cegueira espiritual.

Ele era o Criador de todas as coisas, por isso tinha condições de fazer promessas e cumpri-las: “Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o primeiro da criação de Deus”. Laodicéia pensava que produzia muitas maravilhas, mas o Senhor poderia fazer muito mais do que ela podia imaginar, em especial, fazê-la abrir os olhos para enxergar a sua situação.

“Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” – Laodicéia estava sendo colocada diante de uma escolha divina: deixar Jesus entrar ou deixá-lo de fora. Estava sendo repreendida, a fim de que pudesse se corrigir. Dela, o Senhor pedia duas coisas básicas: zelo pela Palavra e arrependimento dos seus pecados. Ao deixá-lo entrar para o ego sair, comeria do que Ele pode prover. Arrependimento é atitude, não emoção; significa mudar de mente, valores e princípios. “Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta” significa que o convite é pessoal. Ele bate através das circunstâncias pelas quais as pessoas passam, e as chama através das Escrituras. Mas como poderá chamá-las e como elas poderão ouvir sem sequer ter vontade de ler a bíblia e buscar nela as respostas para os seus problemas?

“Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” – Como prêmio, poderia sentar no trono com Ele, mas para isso era preciso aprender, lutar e vencer; só depois poderia reinar. A humildade a faria vivenciar a justiça de Deus, Seu perdão e redenção dos seus pecados com o direito a ser herdeiro. Quando temos comunhão com Ele temos lugar no trono, Ele nos honra publicamente.

O que isso significa para nós?

Aqui, temos mais um exemplo do que o Senhor pede de nós como um Corpo: jogar fora o orgulho e deixá-lo entrar de verdade no mais íntimo do nosso ser, onde só Ele conhece e arrancar de lá as ervas daninhas e os falsos curativos que já nos ofereceram e as falsas vestes que tentamos produzir para nos cobrir, fingindo estar tudo bem; abandonar a idéia de que a nossa condição de salvos, por si só, já nos garante a entrada na nova Jerusalém e uma oração rápida nos cobrindo com o sangue do Cordeiro já é o bastante para o diabo nos respeitar. O que nossa alma precisa é cura profunda. Só o Espírito Santo pode mudar os padrões arraigados de comportamento, incluindo as doutrinas de uma igreja que foi fundada há séculos, mas que já não servem para os crentes hoje, porque as guerras e os desafios são diferentes. Isso não significa aceitar modismos e novidades, mas ‘atualizar’ os ensinamentos e a revelação que o Senhor transmite hoje, dia a dia, através do Seu Espírito para todo aquele que separa um tempo para estar na Sua presença sem as distrações do que está em volta e sem as atividades desnecessárias que atraem Seus filhos hoje. Por isso, Deus nos orienta a receber a verdadeira cura diante da cruz, obedecendo à Sua própria palavra que diz: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15: 5b). Sermos convertidos há muitos anos, termos lido a bíblia dez vezes, sermos pregadores ou termos qualquer cargo de liderança não nos torna especiais diante de Deus, muito menos nos isenta do Seu tratamento. Todos os Seus filhos na bíblia foram trabalhados e forjados por Ele até o final de suas vidas e cresceram no ritmo por Ele determinado, não no ritmo humano auto-imposto, rápido, leve, sem dores e de qualquer jeito. Qual é o pai que fica impassível vendo seu filho se desviar por caminhos errados sem repreendê-lo? Se não fizer nada, está mais do que provado que não o ama.

Ter boas condições financeiras e boa reputação no meio evangélico e até na sociedade não significa que estamos agradando a Deus. Quais são os frutos do trabalho para Ele? O aplauso de pessoas pode cegar os olhos para a realidade do interior do coração, para a real cor das vestes espirituais tirando a sensibilidade do nosso espírito à voz silenciosa e sutil do Espírito Santo, que fala muitas vezes através de um sentimento no nosso coração, de algo que não nos deixa perceber o sorriso de aprovação de Jesus pelo que fazemos.

Estarmos abertos à comunicação com todas as igrejas do Corpo de Cristo não significa necessariamente edificação e fortalecimento. Muitas igrejas não vigiam e passam ‘revelações’, doutrinas novas e aprendizados modernizados que inadvertidamente elas deixaram entrar do mundo ou de outras linhas religiosas. E aí esse ‘ecumenismo evangélico’ passa a contaminar a mente dos crentes que não têm costume de orar nem de ler a bíblia, que só gostam de ouvir pregações online em qualquer lugar que estejam, até no meio da condução para casa ou para ou trabalho, sem ter um tempo reservado para meditar em silêncio junto com o Espírito Santo e fazer uma auto-análise; sem privacidade sequer para chorar. Não se ouve a voz de Deus no meio de barulho e agitação, mas no silêncio da mente e do coração.

A igreja de Laodicéia estava acostumada a receber todo tipo de informação e doutrina que entrava pelas portas da cidade, seus membros ricos e importantes ajudavam a atualizar seus conhecimentos com o que provavelmente ouviam nos centros comerciais da cidade, com as filosofias mais recentes da cultura grega que passava pelas suas portas; ajudavam a igreja com dinheiro e até poderiam dar conselhos de como usá-lo de forma ‘correta’, pois eles estavam em contato com os bancos e com os conhecimentos seculares sobre como aplicar o dinheiro da maneira mais conveniente. A influência da ciência trazia uma sensação de segurança e bem-estar, talvez até fazendo-os desacreditar dos milagres divinos que eles um dia viram quando os apóstolos de Jesus saíram para divulgar o evangelho.

E isso acontece ainda hoje, quando a igreja de Cristo se transformou numa empresa, onde membros dentro dela têm profissões importantes e influenciam demais com conhecimentos seculares, ao invés de deixar o Espírito de Deus livre ali dentro para fazer as coisas do Seu jeito, para manter a fé, a esperança e a crença dos membros de que Deus é o Criador, Ele está acima das finanças, da ciência, das artes e do conhecimento e ainda é capaz de fazer milagres, e fazê-lo da maneira simples que Ele sempre fez por causa da inocência do coração de Seus filhos. Médicos tratam; só Deus cura. Psicólogos ajudam a localizar os problemas, mas não dão solução profunda nem efetiva para eles. Banqueiros e administradores de empresa dão palpites de como administrar recursos e gerar produtividade, mas uma dona de casa fiel a Deus tem mais capacidade de saber como alimentar uma família com a pouca quantidade de alimento que eles têm em casa. A sabedoria de Deus sempre será maior do que a sabedoria humana. Não estamos desprezando o estudo e a capacidade intelectual, mas chamando a atenção para o fato de Jesus está batendo à porta para poder entrar e participar da nossa vida.

Laodicéia, Colossos e Hierápolis eram um complexo turístico por causa de suas termas, e grandes celebridades da época acabavam morando e morrendo lá mesmo. Até senadores romanos faziam sua morada ali. A igreja de Cristo não pode ser um balneário, que aquece corações com uma palavra bonita, conveniente, mas infelizmente descompromissada com a salvação, conversão correção de vidas. Shows, na maioria das vezes (tirando algumas exceções), não convertem pessoas a Cristo, apenas atraem multidões. Por outro lado, um sério curso de ensino tem poucos freqüentadores.

Além de orgulhosa, Laodicéia era uma igreja morna, indecisa e acomodada, o que fortalecia o seu orgulho, ao mesmo tempo em que tudo isso era igualmente um fruto dele. Quem acha que está tudo bem e não precisa de nada, sequer aprender e crescer, se acomoda e se torna morno porque uma das vantagens das guerras em que o Senhor nos coloca é nos tornar mais quentes para com Ele e mais ‘esquentados’ com o inimigo, não nos deixando cair na fé nem desistir de ser um guerreiro. A tepidez (estado morno) e o comodismo acarretam a indecisão porque as guerras igualmente nos colocam de frente a escolhas e a nossa capacidade de decidir e exercer livre-arbítrio fica mais ‘afiada’. Quando não há nada a escolher, a indecisão se instala.

Repetindo o que foi escrito acima: como prêmio pela sua mudança de atitude, Laodicéia poderia sentar no trono com Deus, mas para isso era preciso aprender, lutar e vencer; só depois poderia reinar. A humildade a faria vivenciar a justiça de Deus, Seu perdão e redenção dos seus pecados, com o direito a ser herdeiro. Lembre-se: Laodicéia significa: justiça de Deus, povo justo. A mesma coisa é para a Igreja de hoje.

Que relação isso tem com os sete candeeiros de ouro descritos em Ap 1: 12-16 e 20? Vamos ler o texto:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força ... Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”.

Embora os sete candeeiros representem as sete igrejas da Ásia Menor para as quais João escreveu as cartas, neste tema em especial, eu vou escrever uma revelação que recebi do Senhor há muitos anos, no início da minha conversão, fazendo uma relação com a Menorá (o candelabro de sete lâmpadas e sete hastes), símbolo do Espírito de Deus para o povo Judeu.

É interessante perceber que a bíblia fala que o Senhor está com as sete estrelas na Sua mão direita, entretanto, se acha entre os sete candeeiros de ouro. Quando falamos das sete estrelas, ou seja, dos sete “anjos” das igrejas, podemos pensar que, mais do que o símbolo de um líder, elas têm o significado de “o espírito” predominante nelas, em outras palavras: a idéia, a força predominante, a índole, a tendência, o pensamento de cada uma delas. Devemos prestar atenção também ao que está escrito: “Tinha na mão direita sete estrelas”, ou seja, a mão direita é símbolo de honra, poder, autoridade, bênção, força e privilégio e isso quer dizer que é o Senhor que segura debaixo da Sua autoridade a liderança da Igreja. Ele detém o poder. Podemos ir mais longe no nosso raciocínio dizendo, então, que as sete estrelas correspondem à parte humana na igreja, detidas pelo poder de Deus e debaixo do Seu governo, ao passo que os sete Espíritos de Deus (Ap 4: 5) correspondem à parte divina, ou seja, às sete unções por Ele derramadas sobre a parte humana para completá-la, para supri-la naquilo que lhe falta. Em outras palavras: cada igreja tem seu componente humano que a faz agir e reagir de uma determinada forma, entretanto, Deus dispôs um dos Seus sete Espíritos (a plenitude das sete características do Espírito Santo) para cada uma delas a fim de que recebam a força espiritual necessária para se levantarem novamente e atingirem a perfeição, desempenhando na terra a sua parcela como membro do Corpo.

O candeeiro do qual a bíblia fala aqui eram candeeiros separados, representando as sete igrejas gentias da Ásia Menor (simbolizando o Espírito Santo distribuído entre os Gentios), ao passo que o candelabro de uma só haste com sete lâmpadas dado a Moisés em Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24; Nm 8: 1-4, e mencionado em Hb 9: 1-10, representava o Espírito de Deus no meio do povo de Israel. Para fins práticos, é a mesma coisa: a presença do Espírito Santo com poder, unção e avivamento entre os que são Seus escolhidos (Judeus e Gentios).

Para nós que nascemos do Espírito, tudo isso tem um significado. Em primeiro lugar, vamos até Pv 20: 27 onde está escrito: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo”. Isso significa que o nosso espírito iluminado pela presença de Deus é capaz de sondar nosso interior e transformá-lo à imagem do Senhor. Em Is 11: 2 o significado dessas sete luzes torna-se bem claro para nós. Isaías profetiza sobre as qualidades do Messias, como se esperaria de um rei, também chamado ‘ungido de Deus’. Por isso, ele começa falando que o Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Jesus), o Messias, trazendo também os dons da sabedoria, do entendimento, de conselho, de fortaleza [em algumas versões, está escrito ‘poder’], de conhecimento e de temor do Senhor. O texto diz: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito de conselho e fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Neste versículo, a palavra ‘conselho’, em Hebraico, `etsah, significa: conselho; por implicação: plano, prudência, deliberação, consideração, ponderação, conselho, conselheiro, propósito.


Candeeiro
Candelabro ou candeeiro
Menorâh ou Menorath (hebraico) Êx 25: 31-39
Nebhrashtâ’ ou Nebrsha’ (aramaico) Dn 5: 5
Luchnos (candeia) ou Lychnia ou Luchnia (velador; candelabro) Mt 5: 15


A Igreja de Laodicéia era a igreja orgulhosa que achava que não precisava de nada, que tinha sabedoria suficiente para caminhar sem o tratamento de Deus. Por isso, precisava muito do Espírito de Sabedoria do Senhor (Is 11: 2), deixando de lado a sua sabedoria humana sem valor.

A sabedoria é a arte de ser bem sucedido, de formar um plano correto para alcançar os resultados desejados, ter habilidade, prudência, graça; saber aplicar o conhecimento e o entendimento da palavra; está envolvida no ato de interpretar sonhos. No NT, possui a mesma natureza intensamente prática que encontramos na sabedoria do AT. A sabedoria, no seu sentido mais amplo, pertence exclusivamente a Deus e consiste não apenas em conhecimento completo acerca de todos os aspectos da vida, mas também no conhecimento daquilo que Ele tem em mente para ser cumprido. A sabedoria está mais relacionada ao ensino, ao passo que o conhecimento está mais relacionado ao ministério profético. Sua sede é o coração, o centro da decisão moral e intelectual. A sabedoria nos coloca em contato direto com a mente de Deus nos fazendo pensar como Ele pensa.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


As Igrejas na Ásia Menor
As igrejas na Ásia Menor

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

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