A igreja de Esmirna era uma das 7 igrejas da Ásia Menor às quais o apóstolo João escreveu suas cartas. Ela seria provada de maneira amarga para depurá-la das confusões e das blasfêmias existentes ali. Esmirna precisava do Espírito de entendimento (Is 11: 2).


Igreja de Esmirna




Nota: Esses estudos sobre as sete igrejas da Ásia Menor foram baseados no significado espiritual da Menorá e do texto de Isaías 11: 2.

“Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás. Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá o dano da segunda morte” (Ap 2: 8-11).

Esmirna significa: mirra ou amargura, o que nos lembra o sacrifício de Jesus na cruz, talvez por isso esteja escrito no versículo 8: “Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”. Esmirna era uma cidade da província romana da Ásia, na praia do mar Egeu, dentro da atual Turquia Asiática, como as demais igrejas descritas nessas cartas de João. Era uma das cidades mais prósperas e fiel aliada de Roma, com muito esplendor e magnificência dos seus edifícios públicos. O templo de Tibério César estava em Esmirna. A igreja de Esmirna encontrou oposição por parte dos judeus, assim como a de Filadélfia (Ap 2: 9; Ap 3: 9). Eram provavelmente judeus convertidos [pelo fato do Senhor mencionar a Sua ressurreição no primeiro versículo deste texto (v.8)], mas que, depois de algum tempo debaixo de influências enganosas do paganismo, começaram a questionar a ressurreição de Cristo, minando a fé dos irmãos. Quando pedi discernimento ao Espírito Santo sobre que tipo de judeus a bíblia estava falando, se judeus tradicionais ou novos convertidos, Ele me deu o texto de 1 Co 15: 12-19, confirmando a oposição entre os próprios membros da Igreja. Portanto, não tinham se convertido de fato; não conheciam a verdade profundamente nos seus corações, por isso eram alvos fáceis de Satanás, que os reivindicava diante de Deus para colocá-los à prova. Dessa forma, podemos ler que o Senhor conhecia a tribulação da Sua igreja, sua pobreza espiritual em confronto com a riqueza material, e a oposição dos judeus que blasfemavam contra o ensino verdadeiro. Estes seriam postos à prova para ver se realmente tinham se convertido ao evangelho e se exerceriam seu livre-arbítrio da maneira mais correta. Teriam simbolicamente que carregar sua cruz, ou seja, experimentar a morte gerada pelo seu pecado e a ressurreição pelo perdão de Cristo. A prova seria amarga como a mirra, mas os depuraria das confusões e das blasfêmias existentes ali. Os que resistissem até o fim seriam salvos; eles receberiam a coroa da vida, símbolo da vitória para os que corriam (como diz Paulo) para alcançar a coroa incorruptível. Espiritualmente falando, não veriam o dano da segunda morte, ou seja, alcançariam a salvação. A primeira morte foi o pecado de Adão (Rm 5: 12; 14; 17); a segunda morte, simbolizada pelo lago de fogo (Ap 20: 14), significa: a morte definitiva daqueles que abandonarem a Cristo em prol de Satanás (morte eterna). A bíblia fala de uma tribulação de dez dias que, não precisa ser necessariamente este tempo cronológico, mas um símbolo de fidelidade, de algo completo, o primeiro número de um começo maior, que é o significado bíblico do número dez. O número dez poderia ser também o número 1 acrescido do zero. 1 transmite o conceito de unidade e o caráter sem paralelo de Deus, assim como a unidade entre Cristo e o Pai, a união entre os crentes e Deus e a unidade que existe entre os crentes. Dessa forma, a igreja de Esmirna seria provada na sua aliança e na sua fidelidade a Cristo.

O que isso significa para nós?

Alguns que estão dentro da igreja não se converteram de verdade, pois não foram chamados no tempo certo pelo Espírito de Deus. Podem estar lá porque foram levados por algum membro da família, porque ouviram falar que Deus é bom e abençoa ou porque estão interessados em Jesus por qualquer motivo que não seja, necessariamente, buscar a salvação ou obedecer à Sua vontade. Aí, mantêm dentro de si uma visão distorcida do evangelho, levando os irmãozinhos menos avisados, mais cedo ou mais tarde, a uma queda na fé. Para que a igreja não pereça, então o Senhor a põe à prova para saber quais são os que realmente crêem e os que não estão prontos para “pagar o preço” pela Obra. Por isso, muitas vezes, Jesus coloca a comunidade num patamar de separação, num mover de santificação, a fim de que o avivamento não se perca. Alguns pastores acabam não entendendo por que, de repente, a igreja se esvazia e parece que Deus “virou a mesa”. É para que haja uma renovação e outros membros mais sinceros possam encontrar um lugar limpo para congregar, sem a distorção e os enganos que minam sua fé.

Se olharmos a vida do crente fiel, sempre vai existir um período de prova, mais cedo ou mais tarde, para ver de que lado ele vai continuar, pois essa é uma maneira de Deus aprimorar a salvação no Seu povo. Os que conseguem superá-la provam ser verdadeiros filhos de Deus e confirmam ser dignos de receber a coroa da vida, ou seja, a vida eterna. Provaram a mirra, a cruz, deixando nela as suas vontades e os seus desejos particulares para ressurgirem espiritualmente cheios da unção e do poder de Deus. Agora, estão prontos a ser instrumentos afinados em Suas mãos. Através deles, o Senhor pode completar Sua obra na terra.

Que relação isso tem com os sete candeeiros de ouro descritos em Ap 1: 12-16; 20? Vamos ler o texto:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força ... Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”.

É interessante perceber que a bíblia fala que o Senhor está com as sete estrelas na Sua mão direita, entretanto, se acha entre os sete candeeiros de ouro. Quando falamos das sete estrelas, ou seja, dos sete “anjos” das igrejas, podemos pensar que, mais do que o símbolo de um líder, elas têm o significado de “o espírito” predominante nelas, em outras palavras: a idéia, a força predominante, a índole, a tendência, o pensamento de cada uma delas. Devemos prestar atenção também ao que está escrito: “Tinha na mão direita sete estrelas”, ou seja, a mão direita é símbolo de honra, poder, autoridade, bênção, força e privilégio e isso quer dizer que é o Senhor que segura debaixo da Sua autoridade a liderança da Igreja. Ele detém o poder. Podemos ir mais longe no nosso raciocínio dizendo, então, que as sete estrelas correspondem à parte humana na igreja, detidas pelo poder de Deus e debaixo do Seu governo, ao passo que os sete Espíritos de Deus (Ap 4: 5) correspondem à parte divina, ou seja, às sete unções por Ele derramadas sobre a parte humana para completá-la, para supri-la naquilo que lhe falta. Em outras palavras: cada igreja tem seu componente humano que a faz agir e reagir de uma determinada forma, entretanto, Deus dispôs um dos Seus sete Espíritos (a plenitude das sete características do Espírito Santo) para cada uma delas a fim de que recebam a força espiritual necessária para se levantarem novamente e atingirem a perfeição, desempenhando na terra a sua parcela como membro do Corpo.

O candeeiro do qual a bíblia fala aqui eram candeeiros separados, representando as sete igrejas gentias da Ásia Menor (O Espírito Santo distribuído entre os Gentios), ao passo que o candelabro de uma só haste com sete lâmpadas dado a Moisés em Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24; Nm 8: 1-4, e mencionado em Hb 9: 1-10, representava o Espírito de Deus no meio do povo de Israel. Para fins práticos, é a mesma coisa: a presença do Espírito Santo com poder, unção e avivamento entre os que são Seus escolhidos (Judeus e Gentios).

Para nós que nascemos do Espírito, tudo isso tem um significado. Em primeiro lugar, vamos até Pv 20: 27 onde está escrito: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo”. Isso significa que o nosso espírito iluminado pela presença de Deus é capaz de sondar nosso interior e transformá-lo à imagem do Senhor. Em Is 11: 2 o significado dessas sete luzes torna-se bem claro para nós. Isaías profetiza sobre as qualidades do Messias, como se esperaria de um rei, também chamado ‘ungido de Deus’. Por isso, ele começa falando que o Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Jesus), o Messias, trazendo também os dons da sabedoria, do entendimento, de conselho, de fortaleza [em algumas versões, está escrito ‘poder’], de conhecimento e de temor do Senhor. O texto diz: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito de conselho e fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Neste versículo, a palavra ‘conselho’, em Hebraico, `etsah, significa: conselho; por implicação: plano, prudência, deliberação, consideração, ponderação, conselho, conselheiro, propósito.


Candeeiro
Candelabro ou candeeiro
Menorâh ou Menorath (hebraico) Êx 25: 31-39
Nebhrashtâ’ ou Nebrsha’ (aramaico) Dn 5: 5
Luchnos (candeia) ou Lychnia ou Luchnia (velador; candelabro) Mt 5: 15


Esmirna estava precisando clamar ao Senhor pelo Espírito de entendimento (Is 11: 2) para saber não só o porquê de estar passando por tantas provas, mas para não repetir seus erros e blasfêmias. O entendimento correto das revelações de Deus a levaria a vivenciar a verdadeira conversão e deixar as fidelidades antigas da carne, como ela fora fiel aliada de Roma, para ser fiel a Cristo. O entendimento da revelação de Jesus como Filho de Deus e Salvador do mundo e como o único Deus verdadeiro levaria Esmirna a compreender melhor o que Ele deseja para aqueles que têm um encontro consigo: que deixem o passado para viver uma nova vida (a conversão verdadeira). Esmirna, sendo leal a Jesus, ao invés de a Roma, derrubaria a idolatria dentro da igreja e atingiria o pensamento correto do Senhor para ela.

O Espírito de Entendimento significa: inteligência, discernimento. É a compreensão que adquirimos após termos o conhecimento (a revelação) da palavra de Deus. Ele nos coloca em contato com a verdade divina contida na Palavra, nos trazendo a segurança sobre o que cremos e nos dando a capacidade de resistir ao mal e a tudo o que tenta impedir Sua vontade para nossa vida, como os falsos ensinos.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


As Igrejas na Ásia Menor
As igrejas na Ásia Menor

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

Message to the seven churches of Revelation

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