A igreja de Éfeso era uma das 7 igrejas da Ásia Menor às quais o apóstolo João escreveu suas cartas. Ela sofria a influência de muitos falsos ensinos e falsos mestres, mas apesar de resistir ela foi perdendo o “primeiro amor”. Para voltar ao avivamento, precisava do Espírito do Senhor (Is 11: 2).


Igreja de Éfeso




Nota: Esses estudos sobre as sete igrejas da Ásia Menor foram baseados no significado espiritual da Menorá e do texto de Isaías 11: 2.

“Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas. Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus” (Ap 2: 1-7).

Éfeso significa: desejável. Era um grande centro comercial, cultural e religioso da Ásia e que, atualmente, corresponde à Turquia. A cidade tinha um ótimo porto, que servia como centro exportador e como uma escala natural para quem viajava para a capital do Império, Roma. Ela hoje se encontra em desabitada e em ruínas; continua sendo escavada e é provavelmente a maior e mais impressionante ruína da Ásia Menor. A parte principal da cidade tinha teatro, banhos públicos, bibliotecas, mercado e ruas calçadas de mármore. O povoado inicial da Anatólia (atual Turquia), onde se localizava Éfeso no século I, se iniciou há muitos séculos, mas foi aumentado no século XII AC por colonos jônicos (gregos). A antiga deusa de Éfeso adquiriu o nome de Ártemis, mas manteve suas características primitivas da fertilidade (por isso, sempre representada como uma figura dotada de muitos seios). A deusa Ártemis (Artemísia, em Grego) também era a deusa da lua e da caça.

Em 560 AC, Éfeso foi conquistada por Creso (rei da Lídia); mas em 547 AC passou para as mãos dos persas. Em 365 AC o templo de Diana sofreu um grande incêndio, mas foi reedificado. Foi destruído pelos Godos em 260 DC. A cidade não teve uma grande história até 133 AC, quando passou a fazer parte do reino de Pérgamo, que Atalo III acabou entregando para Roma. Pérgamo continuou a ser a capital titular da Província Romana da Ásia, porém Éfeso também continuou a ser a cidade mais importante com uma população de mais ou menos 333.000 habitantes.

Ali, a prática religiosa mais comum era o culto a Ártemis, também conhecida como Diana pelos romanos, o nome latino da Rainha do Céu (Jr 7: 18; Jr 44: 17; 18; 19; 25) ou Ísis (também chamada pelos fenícios de Astarte ou Aserá).

Havia uma numerosa colônia judaica em Éfeso, e os judeus desfrutavam de uma posição privilegiada durante o início do Império. O cristianismo provavelmente chegou a Éfeso através de Áquila e Priscila em 52 DC, quando Paulo fez uma breve visita ali na sua segunda viagem missionária (At 18: 18-19), deixando-os ali. Em At 19: 10, na sua 3ª viagem missionária, Paulo passou dois anos ensinando na escola de Tirano (um habitante de Éfeso, provavelmente um retórico), e foi ali que houve o tumulto entre Paulo, Demétrio e o povo grego da cidade (At 19: 23-40). Os milagres que Deus fazia por seu intermédio causaram impacto nas pessoas idólatras, fazendo com que confessassem seus pecados e denunciassem publicamente suas obras; e os que praticavam artes mágicas reuniram seus livros e os queimaram em praça pública, a palavra do Senhor se divulgou e cresceu na Ásia (At 19: 18-20). Paulo enviou Timóteo para lá como pastor (1 Tm 1: 3) e escreveu para eles durante a sua prisão em Roma, falando-lhes sobre fé e amor. Logo depois, o apóstolo João exerceu jurisdição naquele local sobre as sete igrejas principais da Ásia Menor.

Mas depois de 40 anos a geração inicial já não estava mais na liderança da igreja. A igreja sofria agora a influência de muitos falsos ensinos e era perturbada por muitos falsos mestres; sem falar em Domiciano, que era o imperador naquela época e perseguia duramente os cristãos. Dessa forma, a igreja primitiva de Éfeso, debaixo de tantas influências pagãs e já quase sem a força espiritual para romper com os velhos costumes gregos, foi aos poucos perdendo o primeiro amor, ou seja, a chama inicial do avivamento foi se esfriando.

Quando João escreveu sua carta a Éfeso por ordem de Deus, ele dizia que o Senhor reconhecia neles o labor, a perseverança, sua oposição aos nicolaítas, sua justiça em relação à liderança na igreja (pondo à prova os que a si mesmos se declaravam apóstolos e não eram; não deixava ali as heresias dos que vinham de fora), sua resistência diante das perseguições e provas, entretanto, pedia do Seu povo o arrependimento sincero e o retorno ao avivamento, senão Ele removeria o candeeiro dali, isto é, unção do Espírito Santo; em outras palavras, Sua própria presença entre eles.

O termo ‘nicolaítas’ tem origem controversa. Presume-se que Nicolau de Antioquia (At 6: 5 – escolhido no início da formação da Igreja como diácono), supostamente, teria dado o seu nome a um grupo dentro dela que procurava entrar em compromisso com o paganismo, a fim de permitir que os cristãos participassem sem embaraço em algumas atividades sociais e religiosas da sociedade pagã na qual se encontrava. A orientação da seita seria semelhante à de Balaão, o corruptor de Israel no Antigo Testamento (Números – capítulos 22, 23 e 24): comerem coisas sacrificadas a ídolos e praticarem a prostituição ou a frouxidão sexual no seio da Igreja. Por isso, Deus menciona não apenas a Sua desaprovação a este tipo de prática, como elogia a igreja de Éfeso por ter se oposto à seita também.

Resumindo: Éfeso dava valor à verdadeira doutrina, não compactuava com o pecado dos seus membros, suportava as adversidades, tinha trabalho e perseverança, mas não havia mais amor a Jesus naquilo que ela fazia; ela perdeu o amor ao seu Redentor. E Deus falava para ela se arrepender e voltar à prática das primeiras obras, caso contrário, Ele removeria dali o candeeiro. A igreja defendia a verdade intelectual da doutrina, mas sem associação com a vida prática; não havia mais piedade no que fazia. Estava árida. Jesus pedia apenas que ela associasse a doutrina ao amor, por isso Ele disse: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras”, ou seja, ‘lembra-te do passado, onde vocês tiveram mais intimidade comigo e onde começaram a esfriar’. Voltar à prática das primeiras obras significava: não desestimular, não desencorajar, e voltar na direção da restauração.

Além da exortação divina ao retorno das práticas cristãs do início, Ele fala que o prêmio para os que conseguissem superar esse tipo de situação que estava ocorrendo na comunidade seria se alimentar da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus, simbolizando não apenas a vida eterna, mas também no presente, a verdade de Jesus em contraposição com os falsos ensinos e com a idolatria, até com o legalismo, com o perfeccionismo e com a religiosidade. Agindo corretamente, Éfeso seria novamente desejável para Ele.Éfeso, porém, não mudou de atitude, não conseguiu reavivar o fervor do começo e deixou de existir; foi banida da História.

Nossa motivação para o trabalho deve ser o amor a Jesus, senão, de nada vale a ortodoxia doutrinária. A racionalidade excessiva e o desejo de servir a Deus com rigidez e perfeccionismo bloqueiam as emoções, e logicamente o amor, esfriam a chama do Espírito, trazem morte espiritual.

Como podemos trazer isso para os nossos dias?

Infelizmente, muitas igrejas começam debaixo do avivamento espiritual, mas ao longo da sua caminhada deixam minar a chama do ‘primeiro amor’. Tanto membros quanto líderes transformam o culto e as orações numa triste rotina, cessando a verdadeira comunhão com o Espírito Santo. Embora se opondo às práticas impuras mescladas com o evangelho, suportando as provas e oposições, fazendo obras sociais e colocando à prova os falsos ensinos e os falsos profetas, embora fazendo força para permanecer na doutrina original, buscando a santidade e não se envolvendo com os modismos do mundo, não conseguem mais reatar a pureza original, pois o amor que movia seus corações a fazerem a obra foi conspurcado pelas influências externas, pelo medo de se desenvolver espiritualmente e experimentar algo novo da parte de Deus; ou pelo perfeccionismo da carne, querendo agradar a Deus pelas próprias forças; ou ainda pela religiosidade e pela vontade própria de andar em retidão e aplicar a palavra de Deus ao pé da letra; talvez por medo das manifestações espirituais do Espírito Santo se deixaram tomar pela razão, sem permitir que Ele toque profundamente nos corações; ou porque o excesso de luta e resistência ao mal acabou tirando a motivação e levou à acomodação. Com medo de mudar, de se reciclar e renovar a unção; com medo de cair no pólo pecaminoso e licencioso se opta pela estagnação e pela ortodoxia. Seja qual for o argumento, Deus não se agrada da triste rotina religiosa que impede o Seu Espírito de agir. Na verdade, o radicalismo é um empecilho às novidades de Deus e também não leva a comunidade a lugar algum. Entretanto, o que Deus quer dizer é que não adianta vagarmos pelos extremismos da moral, quando o coração já não vê mais graça em estar, de verdade, na presença do Senhor.

O ativismo da carne dá uma falsa impressão de movimento, de produtividade, de exercício correto da espiritualidade, pensando que isso agrada a Deus.

Qualquer coisa que ocupe o lugar prioritário de Jesus na nossa vida é um motivo para se apagar a chama do ‘primeiro amor’ nos corações, por isso Ele orienta o Seu povo a se arrepender do que os fez esfriar espiritualmente, caso contrário, a unção pode ser retirada do meio daquela comunidade.

Em Éfeso, o prêmio para os que resistissem a esse tipo de comportamento era se alimentar da árvore da vida que estava no paraíso de Deus. No Éden, Adão e Eva tinham permissão para comer da árvore da vida, em contraposição à árvore do conhecimento do bem e do mal, que era proibida a eles. Isso quer dizer que os que se voltam para as práticas sadias do evangelho como buscar o Senhor de coração íntegro, abandonar completamente o pecado e as antigas obras da carne e amar seu semelhante, mas deixar que Ele conduza as coisas e não seu próprio ego, esses passam a ter uma intimidade renovada com a ‘árvore da vida’ que é Jesus; assim, retomam o aprendizado da Palavra baseado na verdade divina de maneira prática, motivada e cheia de vida.

Isso nos faz pensar em muitas coisas que estamos praticando e que precisam ser mudadas para que a chama do ‘primeiro amor’ volte a estar acesa. Tudo tem um ingrediente básico que é a simplicidade do evangelho que havia no início da Igreja Primitiva, aceitando as coisas de Deus como as crianças aceitam.

Que relação isso tem com os sete candeeiros de ouro descritos em Ap 1: 12-16; 20? Vamos ler o texto:

“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força ... Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”.

Embora os sete candeeiros representem as sete igrejas da Ásia Menor para as quais João escreveu as cartas, neste tema em especial, eu vou escrever uma revelação que recebi do Senhor há muitos anos, no início da minha conversão, fazendo uma relação com a Menorá (o candelabro de sete lâmpadas e sete hastes), símbolo do Espírito de Deus para o povo Judeu.

É interessante perceber que a bíblia fala que o Senhor está com as sete estrelas na Sua mão direita, entretanto, se acha entre os sete candeeiros de ouro. Quando falamos das sete estrelas, ou seja, dos sete “anjos” das igrejas, podemos pensar que, mais do que o símbolo de um líder, elas têm o significado de “o espírito” predominante nelas, em outras palavras: a idéia, a força predominante, a índole, a tendência, o pensamento de cada uma delas. Devemos prestar atenção também ao que está escrito: “Tinha na mão direita sete estrelas”, ou seja, a mão direita é símbolo de honra, poder, autoridade, bênção, força e privilégio e isso quer dizer que é o Senhor que segura debaixo da Sua autoridade a liderança da Igreja. Ele detém o poder. Podemos ir mais longe no nosso raciocínio dizendo, então, que as sete estrelas correspondem à parte humana na igreja, detidas pelo poder de Deus e debaixo do Seu governo, ao passo que os sete Espíritos de Deus (Ap 4: 5) correspondem à parte divina, ou seja, às sete unções por Ele derramadas sobre a parte humana para completá-la, para supri-la naquilo que lhe falta. Em outras palavras: cada igreja tem seu componente humano que a faz agir e reagir de uma determinada forma, entretanto, Deus dispôs um dos Seus sete Espíritos (a plenitude das sete características do Espírito Santo) para cada uma delas a fim de que recebam a força espiritual necessária para se levantarem novamente e atingirem a perfeição, desempenhando na terra a sua parcela como membro do Corpo.

O candeeiro do qual a bíblia fala aqui eram candeeiros separados, representando as sete igrejas gentias da Ásia Menor (simbolizando o Espírito Santo distribuído entre os Gentios), ao passo que o candelabro de uma só haste com sete lâmpadas dado a Moisés em Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24; Nm 8: 1-4, e mencionado em Hb 9: 1-10, representava o Espírito de Deus no meio do povo de Israel. Para fins práticos, é a mesma coisa: a presença do Espírito Santo com poder, unção e avivamento entre os que são Seus escolhidos (Judeus e Gentios).

Para nós que nascemos do Espírito, tudo isso tem um significado. Em primeiro lugar, vamos até Pv 20: 27 onde está escrito: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo”. Isso significa que o nosso espírito iluminado pela presença de Deus é capaz de sondar nosso interior e transformá-lo à imagem do Senhor. Em Is 11: 2 o significado dessas sete luzes torna-se bem claro para nós. Isaías profetiza sobre as qualidades do Messias, como se esperaria de um rei, também chamado ‘ungido de Deus’. Por isso, ele começa falando que o Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Jesus), o Messias, trazendo também os dons da sabedoria, do entendimento, de conselho, de fortaleza [em algumas versões, está escrito ‘poder’], de conhecimento e de temor do Senhor. O texto diz: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito de conselho e fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Neste versículo, a palavra ‘conselho’, em Hebraico, `etsah, significa: conselho; por implicação: plano, prudência, deliberação, consideração, ponderação, conselho, conselheiro, propósito.


Candeeiro
Candelabro ou candeeiro
Menorâh ou Menorath (hebraico) Êx 25: 31-39
Nebhrashtâ’ ou Nebrsha’ (aramaico) Dn 5: 5
Luchnos (candeia) ou Lychnia ou Luchnia (velador; candelabro) Mt 5: 15


Para a igreja de Éfeso, que tinha perdido o primeiro amor, a chama que foi apagada e que precisava ser acesa novamente era a que chamamos O Espírito do Senhor (Is 11: 2). O Espírito do Senhor é o próprio Espírito de Deus em nós, mantendo Sua chama de vida no nosso espírito, fazendo-nos existir e realizar Sua obra na terra. Com o Espírito Santo podemos realizar o que Jesus realizava: pregar boas novas, curar os enfermos da alma e do corpo, libertar os cativos do diabo e levar alegria. Nós o recebemos no momento da nossa conversão. Is 61: 1-3 diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados, a apregoar o ano aceitável do Senhor [NVI – o ano da bondade do Senhor] e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória”. O Espírito do Senhor nos faz sentir coragem, assim como a força e o poder de Deus em ação de milagres, libertação e cura.

Assim, Éfeso necessitava recordar de tudo o que sentiu ao iniciar a obra de Deus, quando seus membros experimentaram o verdadeiro avivamento; precisavam retomar novamente esta postura.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


As Igrejas na Ásia Menor
As igrejas na Ásia Menor

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

Mensagem às Sete Igrejas do Apocalipse

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