Zacarias era sacerdote e nasceu no exílio. Motivou o povo a restaurar o templo. Suas cinco primeiras visões são: os cavalos (1ª); os 4 chifres e os 4 ferreiros (2ª); Jerusalém é medida (3ª); o sumo sacerdote Josué (4ª); o candelabro de ouro entre as duas oliveiras (5ª).


Explicação de Zacarias 1–4




‘Zacarias’ significa ‘O Senhor se lembra’. Ele profetizou no período de 520-480 AC, durante o reinado de Dario I (522-486 AC), e era jovem quando começou a profetizar (Zc 2: 4). Era profeta e sacerdote e nasceu no exílio. Seu pai era Baraquias (Zc 1: 1), provavelmente o mesmo personagem mencionado por Jesus em Mt 23: 35. Seu avô era Ido (Zc 1: 1; Ed 8: 17; Ne 12: 16). Quando jovem, voltou da Babilônia para Jerusalém, junto com Ageu, Zorobabel e Josué, o sumo sacerdote (Ed 5: 2). De 536 a 520 AC a reconstrução do templo foi negligenciada. Então o Senhor o levantou para motivar o povo a restaurar. Esdras veio 62 anos depois (458 AC). O profeta também fez predição sobre o Messias (Zc 3: 8-10; Zc 9: 9 e Zc 10: 4).

Nesta página eu coloco a descrição sobre as cinco primeiras visões de Zacarias: os cavalos (1ª); os quatro chifres e os quatro ferreiros (2ª); Jerusalém é medida (3ª); o sumo sacerdote Josué (4ª); o candelabro de ouro entre as duas oliveiras (5ª).

A segunda parte do livro de Zacarias se refere às suas profecias no período em que já era idoso (Zc 9–14). Em relação aos antigos judeus, temos aqui a impressão que o primeiro entusiasmo cedera lugar à frieza, à formalidade, à liderança fraca e ao temor de ataque da Grécia. Em algumas profecias, também há alusão aos eventos escatológicos.
Há diversas referências a Zacarias no Novo Testamento: Mt 21: 5 cf. Zc 9: 9 – a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; Mt 27: 9-10 cf. Zc 11: 13 – Judas devolve o dinheiro da traição; o campo do oleiro descrito por Zacarias, em At 1: 19 é chamado Aceldama (‘Campo de sangue’); Ap 1: 7 cf. Zc 12: 10 – os judeus verão Aquele a quem traspassaram; o momento do arrependimento.


Profeta Zacarias

Capítulo 1 – Exortação ao arrependimento / A primeira e a segunda visão

No primeiro capítulo do seu livro é feita uma exortação ao arrependimento pelo pecado de rebeldia dos seus antepassados diante das repreensões proféticas, o que acabou por levá-los ao cativeiro. O Senhor os chama de volta aos Seus caminhos e pede conversão sincera. Neste capítulo Zacarias deixa clara a data em que esta profecia foi feita (Zc 1: 1-6): no oitavo mês do segundo ano de Dario I, ou seja, no mês de Bul (Outubro-Novembro) no ano 520 AC, dois meses após a primeira profecia de Ageu (Ag 1: 1) e um mês após a segunda profecia de Ageu (Ag 2: 10). No v. 7 ele relata a primeira visão que recebeu de Deus no 24º dia do undécimo mês do segundo ano de Dario I, ou seja, no mês de Sebate (Janeiro-Fevereiro) de 519 AC. A primeira visão se refere aos cavaleiros angélicos, que são informados que Deus restaurará Jerusalém. As oito visões do profeta ocorreram em seqüência.

Zc 1: 1-6 – Exortação ao arrependimento: “No oitavo mês do segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido, dizendo: O Senhor se irou em extremo contra vossos pais [NVI: antepassados]. Portanto, dize-lhes: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Tornai-vos para mim, diz o Senhor dos Exércitos, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos. Não sejais como vossos pais, a quem clamavam os primeiros profetas, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Convertei-vos, agora, dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, nem me atenderam, diz o Senhor. Vossos pais, onde estão eles? E os profetas, acaso, vivem para sempre? Contudo, as minhas palavras e os meus estatutos, que eu prescrevi aos profetas, meus servos, não alcançaram a vossos pais? Sim, estes se arrependeram e disseram: Como o Senhor dos Exércitos fez tenção de nos tratar, segundo os nossos caminhos e segundo as nossas obras, assim ele nos fez”.

Zc 1: 7-17 – A primeira visão: os cavalos: “No vigésimo quarto dia do mês undécimo, que é o mês de sebate, no segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido. Tive de noite uma visão, e eis um homem montado num cavalo vermelho; estava parado entre as murteiras que havia num vale profundo [NVI: entre as murtas num desfiladeiro]; atrás dele se achavam cavalos vermelhos, baios [ou seja, castanho-amarelados] e brancos. Então, perguntei: meu senhor, quem são estes? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei quem são eles. Então, respondeu o homem que estava entre as murteiras [NVI: murtas] e disse: São os que o Senhor tem enviado para percorrerem a terra [NVI: que o Senhor enviou por toda a terra]. Eles responderam ao anjo do Senhor, que estava entre as murteiras, e disseram: Nós já percorremos a terra, e eis que toda a terra está, agora, repousada e tranqüila. Então, o anjo do Senhor respondeu: Ó Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estás indignado faz já setenta anos? Respondeu o Senhor com palavras boas, palavras consoladoras, ao anjo que falava comigo. E este me disse: Clama: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Com grande empenho, estou zelando por Jerusalém e por Sião [NVI: Eu tenho sido muito zeloso com Jerusalém e Sião]. E, com grande indignação, estou irado contra as nações que vivem confiantes; porque eu estava um pouco indignado [NVI: apenas um pouco irado com meu povo], e elas agravaram o mal [NVI: mas elas aumentaram a dor que ele sofria!]. Portanto, assim diz o Senhor: Voltei-me para Jerusalém com misericórdia; a minha casa nela será edificada, diz o Senhor dos Exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém [NVI: A corda de medir será esticada sobre Jerusalém]. Clama outra vez, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: As minhas cidades ainda transbordarão de bens [NVI: de prosperidade]; o Senhor ainda consolará a Sião e ainda escolherá a Jerusalém”.

• Cordel (v. 16) é uma linha de medir a cidade e construir por ela o muro, as ruas e as casas de Jerusalém, com precisão e simetria. A linha de medir (régua) e o fio de prumo, muito usados em outros escritos proféticos, simbolizam o juízo de Deus e, algumas vezes, a Sua disposição de reconstruir (Zc 1:16). Em Is 34: 11-15, muito provavelmente, o cordel seria para marcar a destruição de Edom; para marcar o que seria derrubado: “Mas o pelicano e o ouriço (um mamífero com o corpo coberto de espinhos) a possuirão; o bufo e o corvo habitarão nela. Estender-se-á sobre ela o cordel de destruição e o prumo de ruína”.
• Murta (v. 8; 10; 11) – Zacarias, numa visão que simbolizava a paz, viu um bosque de murtas, enquanto que em Ne 8: 15 os judeus levavam ramos de murtas do monte das Oliveiras a fim de construírem suas tendas na Festa dos Tabernáculos (445 AC). Isaías previu a murta substituindo o espinheiro no deserto (Is 41: 19; Is 55: 13). A murta é um arbusto (Myrtus communis L.) de origem mediterrânea, cultivado para compor cercas vivas e que se caracteriza pelas folhas pequeninas, compactas e fragrantes. As flores são brancas e eram usadas como perfume. Seu nome em hebraico é hadas, e Hadassa (nome hebraico de Ester) se deriva dele. O arbusto chega a dez metros de altura. A murta é uma planta sempre verde. A bíblia descreve a murta como símbolo da generosidade divina.


Murta
Murta (Myrtus communis L.)


• É interessante perceber que os cavalos que são descritos no capítulo 1 de Zacarias têm as mesmas cores dos cavalos do capítulo 6, mas o seu comportamento nos dois capítulos é diferente. Aqui não é descrito o cavalo preto. Vamos nos lembrar do que está escrito em Zc 1: 8-11: “Tive de noite uma visão, e eis um homem [provavelmente, Jesus antes de Sua encarnação humana, o Senhor dos Exércitos, o Anjo do Senhor – cf. v.11, embora ‘anjo’ esteja escrito com letra minúscula] montado num cavalo vermelho; estava parado entre as murteiras que havia num vale profundo [NVI: entre as murtas num desfiladeiro]; atrás dele se achavam cavalos vermelhos, baios [ou seja, castanho-amarelados] e brancos. Então, perguntei: meu senhor, quem são estes? Respondeu-me o anjo que falava comigo [um servo angélico do Senhor, não o primeiro anjo que estava entre as murteiras]: Eu te mostrarei quem são eles. Então, respondeu o homem [Jesus] que estava entre as murteiras [NVI: murtas] e disse: São os que o Senhor tem enviado para percorrerem a terra [NVI: que o Senhor enviou por toda a terra]. 11 Eles responderam ao anjo do Senhor, que estava entre as murteiras, e disseram: Nós já percorremos a terra, e eis que toda a terra está, agora, repousada e tranqüila”.

Aqui no capítulo 1 eles estão numa missão de paz para dar ao profeta o consolo de uma restauração de sua cidade; simbolicamente, eles voltaram de uma guerra sangrenta (vermelhos), mas vitoriosa (brancos), e derrotaram as doenças, a peste e outros tipos de calamidades (baios ou castanho-amarelados) enviadas por Deus como uma forma de executar Seu juízo contra o pecado e todos os inimigos do Seu povo. A terra de Israel estava, agora, repousada e tranqüila. O cavalo preto não está aqui, pois, além de significar a escassez de alimento e a fome, ele significa luto, pesar. E a 1ª visão de Zacarias é uma visão de esperança na reconstrução, portanto, uma visão de alegria.

Zc 1: 18-21 – A segunda visão: os quatro chifres e os quatro ferreiros: “Levantei os olhos e vi, e eis quatro chifres. Perguntei ao anjo que falava comigo: que é isto? Ele me respondeu: São os chifres que dispersaram a Judá, a Israel e a Jerusalém. O Senhor me mostrou quatro ferreiros [NVI: artesãos]. Então, perguntei: que vêm fazer estes? Ele respondeu: Aqueles são os chifres que dispersaram a Judá, de maneira que ninguém pode levantar a cabeça; estes ferreiros [NVI: artesãos], pois, vieram para os amedrontar, para derribar os chifres das nações que levantaram o seu poder contra a terra de Judá, para a espalhar”.

• Chifres (v. 19; 21) – Refere-se às nações e reinos poderosos dos quatro cantos da terra, que vieram contra Israel e Judá. Chifre simboliza poder, força.
• Ferreiros [NVI: artesãos] (v. 21) – fortes instrumentos de Deus para fazer em pedaços os inimigos do Seu povo, as nações que dispersaram Israel e Judá.

Quanto à identidade correta das quatro nações ou impérios (‘chifres’) que vieram contra Israel e Judá para dispersá-los, qualquer afirmação se torna incerta. Muitas nações levantaram o seu poder contra a terra de Judá, para espalhar seu povo, ou seja, para levá-los ao cativeiro: Síria, Assíria, Babilônia, Grécia e Roma, pois todas elas causaram uma destruição e uma dispersão no povo do Senhor. Isso aconteceu até com a Pérsia sob Cambises II, que foi um inimigo da nação judaica, dificultando a construção do templo – Ed 4: 1-24, onde no v. 6, ‘Assuero’ é o nome caldeu de Cambises II; e no v. 7 é usado seu nome persa: ‘Artaxerxes’. Não é o mesmo Assuero ou Xerxes I de Et 1:1, filho de Dario I e que reinou em 486-465 AC; nem se trata de Artaxerxes I, filho de Xerxes I (Ne 2: 1), que reinou em 465-424 AC e que autorizou o retorno de Esdras (Ed 7: 1) e a reconstrução dos muros de Jerusalém. Mas como escrevi no comentário sobre Jl 3: 13 onde o profeta relata os juízos divinos contra as nações inimigas, o próprio Deus usou uma contra a outra para realizar Sua vingança por terem destruído o Seu povo: Tiglate-Pileser III destruiu a Síria, que havia oprimido Israel. A Assíria, por sua vez, foi derrotada pelos Medos e Babilônios; estes, pelos Persas. Nabucodonosor foi instrumento da vingança de Deus sobre as nações inimigas de Israel: Amom, Moabe, Filístia, Egito, Edom, Sidom e Tiro, entre outras. Alexandre Magno derrotou os Medos e Persas, e os romanos causaram divisão dentro do seu próprio império, levando-o à sua derrota. Assim, Deus usará os poderosos para aniquilar Seus inimigos até o Dia do Julgamento final quando todos eles serão para sempre destruídos. Talvez possamos dizer que os ferreiros, como instrumentos da punição do Senhor, sejam os próximos ‘chifres’ a serem destruídos por outros ‘ferreiros’.

É difícil dizer com certeza se o profeta estava se referindo às nações que já haviam surgido no cenário mundial ou às que ainda surgiriam, uma vez que todos os profetas usam o verbo no passado para uma situação futura como se ela já tivesse ocorrido. Depois de Roma, as coisas não melhoraram para Israel, nem do ponto de vista físico nem do espiritual, pois outros impérios se ergueram para roubar sua paz e seus bens materiais, bem como a semente do Cristianismo inicial.

Capítulo 2 –A terceira visão: Jerusalém é medida / Israel exortado a voltar para Sião

• Zc 2: 1-5: “Tornei a levantar os olhos e vi, e eis um homem que tinha na mão um cordel de medir [NVI: uma corda de medir]. Então, perguntei: para onde vais tu? Ele me respondeu: Medir Jerusalém, para ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento. Eis que saiu o anjo que falava comigo, e outro anjo lhe saiu ao encontro. E lhe disse: Corre, fala a este jovem: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros [NVI: como uma cidade sem muros], por causa da multidão de homens e animais que haverá nela [NVI: por causa dos seus muitos habitantes e rebanhos]. Pois eu lhe serei, diz o Senhor, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela [NVI: dentro dela], a sua glória” (cf. Is 60: 19; Ap 21: 23).

O profeta vê novamente o anjo com o cordel para medir a cidade de Jerusalém, dando-lhe a certeza de que Deus vai reconstruí-la. Não apenas será reconstruída, como também habitada por muitas pessoas (judeus e gentios) e rebanhos, por isso ela será como aldeias sem muros, para que haja espaço para todos; e ela não mais temerá, pois o Senhor será um muro de fogo ao Seu redor. Ele se colocará no meio dela e será a sua glória, seu resplendor, sua honra, sua dignidade, ou seja, Deus restaurará a honra, a dignidade e o respeito de Sião diante dos povos. Essa é uma alusão ao repovoamento da cidade pós-exílio (Ne 7: 4; 66-69) e, mais do que isso, a promessa da 1ª vinda de Jesus, onde Deus mesmo a protegerá como uma muralha de fogo, da mesma forma que Sua coluna de fogo os guiou no deserto e separou Seu povo dos carros de faraó no tempo do Êxodo (Êx 14: 19-20). O fogo aqui é o símbolo da Sua proteção e da Sua presença (Sua glória) iluminando-os nos seus caminhos, e também do Seu Espírito de santidade, separando Seu povo dos ‘impuros’, e permitindo que dentro dela eles tenham paz para ouvir a Sua Palavra e ver a luz do Messias.

Zc 2: 6-13 – Israel exortado a voltar para Sião: “Eh! Eh! [NVI: Atenção! Atenção!] Fugi, agora, da terra do Norte, diz o Senhor, porque vos espalhei como os quatro ventos do céu, diz o Senhor. Eh! Salva-te, ó Sião, tu que habitas com a filha da Babilônia [NVI: Escapem, vocês que vivem na cidade da Babilônia!]. Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Para obter ele (Deus Pai) a glória, enviou-me (me, a mim = o Filho) às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho [NVI: ‘Ele me enviou (Jesus falando) para buscar a sua glória entre as nações que saquearam vocês, porque todo o que tocar em vocês, toca na menina dos olhos dele’. Na versão em inglês (NRSV) a frase é: ‘Porque assim disse o Senhor dos Exércitos (depois que a sua glória me enviou) em relação às nações que te saquearam: verdadeiramente, aquele que toca em ti toca na menina do meu olho’]. Porque eis aí agitarei a mão contra eles, e eles virão a ser a presa daqueles que os serviram; assim, sabereis vós que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou [NVI: Certamente levantarei a minha mão contra as nações de forma que serão um espólio para os seus servos. Então vocês saberão que foi o Senhor dos Exércitos que me enviou]. Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o Senhor. Naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao Senhor e serão o meu povo; habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a ti. Então, o Senhor herdará a Judá como sua porção na terra santa e, de novo, escolherá a Jerusalém. Cale-se toda carne diante do Senhor, porque ele se levantou da sua santa morada”.

Explicando:
• Zc 2: 6-7: “Eh! Eh! Fugi, agora, da terra do Norte, diz o Senhor, porque vos espalhei como os quatro ventos do céu, diz o Senhor. Eh! Salva-te, ó Sião, tu que habitas com a filha (cidade) da Babilônia” – o Senhor exorta Seu povo a sair da Babilônia. A razão é que muitos dos filhos de Israel permaneceram na terra da Babilônia (agora parte do império persa), mesmo após a destruição da cidade de Babilônia por Ciro em 539 AC. Ele ordenou a volta dos judeus em 538 AC (1º retorno dos exilados). O templo começou a ser reconstruído em 536 AC, mas sua construção ficou interrompida até 520 AC, no governo de Dario I, pois no governo de seu antecessor Cambises II houve muitos impedimentos por parte dos outros povos, tanto dos que habitavam em Samaria desde a época dos assírios como dos povos assalariados dos persas (Ed 4: 1-5; 8-10). Assim, depois de uma interrupção de dezesseis anos, o templo recomeçou a ser construído, e foi terminado em 516 AC, após quatro anos. Durante esse período é que Zacarias e Ageu atuaram como profetas incentivando essa restauração. Os dois vieram junto com Zorobabel e Josué na 1ª etapa do retorno dos exilados (Ed 5: 2). Houve um 2º retorno dos judeus a Jerusalém no tempo de Esdras (458 AC), que foi chamado para ministrar no templo que havia sido construído. Houve ainda um 3º retorno dos exilados, junto com Neemias (445 AC), quando começou a reconstrução das muralhas de Jerusalém. Podemos notar que desde a liberação de Ciro até a vinda de Neemias se passaram 93 anos (aqui, já era o período profético de Malaquias – 450-400 AC).
Então, a profecia de Zacarias era endereçada aos judeus que tinham permanecido na Caldéia e na Pérsia, pois a promessa de Deus para eles estava na sua terra natal, em Judá. Lá Ele derramaria Suas bênçãos sobre eles. Outra razão para retornarem à Judéia era que haveria turbulência onde eles estavam, e Deus os estava avisando.

A queda da Babilônia não se deu de uma só vez com Ciro. Ciro iniciou o processo, tirando sua supremacia. Por isso, Jeremias (Jr 50: 39; 46) diz que a extinção total da Babilônia não se cumpriria imediatamente, mas gradualmente (‘de geração em geração’ – ARA). Antigos governantes babilônicos levantaram insurreições, tentando reaver o trono:
• Nabucodonosor III (Nidintu-Bel) contra Dario I (522-486 AC) – no ano de 522 AC. Dario I demorou um pouco mais de 1 ½ ano para conseguir tomar a cidade.
• Nabucodonosor IV contra Dario I – 521 AC. Dario I a privou de suas fortificações; as muralhas foram parcialmente destruídas.
• Bel-shimani e Shamash-eriba, no reinado de Xerxes I (486-465 AC), o filho de Dario I – 482 AC.
Por causa dessas insurreições foi que Xerxes destruiu a cidade quase que totalmente em 478 AC. Os reis citados acima eram reis babilônicos nativos que recuperaram brevemente independência, mas quando essas rebeliões foram reprimidas a Babilônia permaneceu sob o domínio persa por dois séculos, até a entrada de Alexandre, o Grande, em 331 AC.

Por isso, o profeta os exortava a voltar, porque Deus continuaria a fazer o seu juízo contra os ímpios naquele lugar: “Porque eis aí agitarei a mão contra eles, e eles virão a ser a presa daqueles que os serviram; assim, sabereis vós que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou” (v. 9).
Os judeus que demoravam a retornar tinham muitas razões para permanecerem na Caldéia e na Pérsia, pois ainda viam a indulgência persa com desconfiança, além do que tinham medo dos inimigos que atrasavam a reconstrução do templo e da cidade; seus muros permaneceram em ruínas ainda por 71 anos após o término do templo e a vinda de Neemias (445 AC). Muitos nasceram em terra estrangeira e nunca conheceram Jerusalém, por isso eles não tinham lembrança da terra dos seus ancestrais nem conheciam seus costumes e tradições originais (Ne 8: 8-9; 12; 17). Outra razão para permanecerem lá é que os babilônios permitiram que os exilados judeus formassem famílias, construíssem suas casas, cultivassem pomares (Jr 29: 5-7) e pudessem consultar os seus próprios chefes e anciãos (Ez 20: 1-44); dessa forma, eles constituíram uma comunidade naquela nação. Além da agricultura, alguns judeus se dedicaram ao comércio, a fim de terem sua sobrevivência. Assim, sua qualidade de vida era muito melhor ali do que na Judéia, onde teriam que começar tudo de novo. Devido às condições de tolerância persa e até bem-estar em que os exilados passaram a viver, muitos se acostumaram naquela terra e não quiseram retornar a Jerusalém, mesmo com a permissão de Ciro.

• Zc 2: 8: “Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Para obter ele (Deus Pai) a glória, enviou-me (me, a mim = o Filho) às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho [NVI: ‘Ele me enviou (Jesus falando) para buscar a sua glória entre as nações que saquearam vocês, porque todo o que tocar em vocês, toca na menina dos olhos dele’. Na versão em inglês (NRSV) a frase é: ‘Porque assim disse o Senhor dos Exércitos (depois que a sua glória me enviou) em relação às nações que te saquearam: verdadeiramente, aquele que toca em ti toca na menina do meu olho’]” – isso quer dizer que depois que Deus Pai havia se tornado a glória de Jerusalém (Zc 2: 5) e restaurado sua honra diante dos povos, o Filho, o Anjo do Senhor, estava sendo enviado para julgar as nações que haviam se levantado contra o Seu povo. O Pai enviou Jesus, o Filho, o Messias: Jo 4: 34; Jo 5: 37; Jo 6: 29; Jo 6: 44; Jo 6: 57; Jo 7: 16; Jo 7: 18; Jo 8: 29; Jo 9: 4. Jesus foi enviado como luz para revelação aos gentios, e para glória do povo de Deus, do povo de Israel (Lc 2: 32); ‘para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição’ (Lc 2: 34 b). Então, é o Senhor que glorifica Sua igreja e pune Seus inimigos, os inimigos do evangelho, como acontecerá definitivamente na segunda vinda de Jesus (2 Ts 1: 7-10; Pv 16: 4).

O Senhor também mostra o Seu amor para conosco dizendo que quem toca em nós, toca na menina do Seu olho (Dt 32: 10; Sl 17: 8), e isso significa que Ele é sensível às nossas dores e sofrimentos, e responde àqueles que nos afrontam. Da mesma maneira que Ele destruiu os inimigos do Seu povo no passado, Ele continua a fazer hoje e o fará sempre. Por isso, Ele diz que a vingança Lhe pertence e não se deve tocar nos Seus ungidos nem maltratar Seus profetas (Sl 105: 15; 1 Cr 16: 22).

• Zc 2: 9: “Porque eis aí agitarei a mão contra eles, e eles virão a ser a presa daqueles que os serviram; assim, sabereis vós que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou [NVI: Certamente levantarei a minha mão contra as nações de forma que serão um espólio para os seus servos. Então vocês saberão que foi o Senhor dos Exércitos que me enviou]” – esse versículo vem a confirmar a proteção do Senhor sobre Seu povo e o Seu juízo contra as nações ímpias, como estava falando para o profeta Zacarias em relação à Babilônia.

• Zc 2: 10-13: “Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o Senhor. Naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao Senhor e serão o meu povo; habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a ti. Então, o Senhor herdará a Judá como sua porção na terra santa e, de novo, escolherá a Jerusalém. Cale-se toda carne diante do Senhor, porque ele se levantou da sua santa morada” – aqui se confirma a restauração de Israel pós-exílio e principalmente com a 1ª vinda do Messias (‘Naquele dia’), onde judeus e gentios (‘muitas nações’) terão o direito de serem chamados ‘povo de Deus’.
‘Saberás que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a ti’ – aqui Jesus repete novamente que foi enviado pelo Pai.

Capítulo 3 – A quarta visão: o sumo sacerdote Josué

• Zc 3: 1-10: “Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do Senhor, e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor [NVI: para acusá-lo]. Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreende, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu a Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo? [NVI: Este homem não parece um tição tirado do fogo? – tição = pedaço de lenha acesa ou meio queimada] Ora, Josué, trajado de vestes sujas, estava diante do Anjo. Tomou este a palavra e disse aos que estavam diante dele: Tirai-lhe as vestes sujas. A Josué disse: Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniqüidade e te vestirei de finos trajes [NVI: Veja, eu tirei de você o seu pecado, e coloquei vestes nobres sobre você]. E disse eu [NVI: Disse também]: ponham-lhe um turbante limpo sobre a cabeça. Puseram-lhe, pois, sobre a cabeça um turbante limpo e o vestiram com trajes próprios; e o Anjo do Senhor estava ali, protestou a Josué [NVI: exortou Josué] e disse: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Se andares nos meus caminhos e observares os meus preceitos, também tu julgarás a minha casa e guardarás os meus átrios, e te darei livre acesso entre estes que aqui se encontram [NVI: e eu lhe darei um lugar entre estes que estão aqui]. Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens de presságio [NVI: seus companheiros sentados diante de você, homens que simbolizam coisas que virão]; eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo. Porque eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos; eis que eu lavrarei a sua escultura [NVI: e eu gravarei nela uma inscrição], diz o Senhor dos Exércitos, e tirarei a iniqüidade desta terra, num só dia. Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, cada um de vós convidará ao seu próximo para debaixo da vide e para debaixo da figueira”.


O sumo sacerdote
O sumo sacerdote


Nesta visão de Zacarias, o sumo sacerdote Josué é acusado por Satanás, mas é vindicado por Deus (Jesus, o Anjo do Senhor) recebendo o perdão dos seus pecados e o acesso à Sua presença, e aparece como símbolo do Messias-Renovo (Zc 3: 1-10). No v. 7-8 o Senhor se dirige também aos sacerdotes que estavam junto com Josué, confirmando a eles o sacerdócio e os exortando a permanecer nos Seus caminhos, observando Seus preceitos.

• ‘Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens de presságio [NVI: homens que simbolizam coisas que virão]; eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo’ (v. 8) – Ele lhes anuncia a vinda do Messias, aqui chamado Renovo, e que realizaria a obra sacerdotal de remover a iniqüidade da terra num só dia (v. 9).

• ‘Homens de presságio’ ou ‘homens que simbolizam coisas que virão’ (v. 8) significa: da mesma forma que Josué era o símbolo do ofício sacerdotal de Jesus, eles eram uma ‘sombra’, um símbolo dos seguidores de Cristo, que seriam também separados para um novo tipo de sacerdócio, sob uma nova dispensação. Isso ensinava a eles que o verdadeiro sacerdócio deveria ser preservado.

• ‘Porque eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos; eis que eu lavrarei a sua escultura [NVI: e eu gravarei nela uma inscrição], diz o Senhor dos Exércitos, e tirarei a iniqüidade desta terra, num só dia’ (v. 9) – a pedra é Jesus. Os sete olhos significam Seu perfeito conhecimento e sabedoria na presença do Seu Espírito (Ap 5: 6).

• ‘Eu lavrarei a sua escultura [NVI: e eu gravarei nela uma inscrição]’ (v. 9) – pode ser uma referência às pedras no peitoral do sumo sacerdote (Êx 28: 21; 29; Êx 39: 8; 10-14), uma vez que estamos falando sobre sacerdócio, e Josué era o sumo sacerdote. Em cada pedra eram gravados os nomes das doze tribos, como um memorial diante de Deus, quando Arão oferecesse sacrifício por eles, pois a bíblia diz que ele deveria levar sobre o seu peito a iniqüidade dos filhos de Israel, ou seja, apresentar diante de Deus as suas petições e fazer propiciação pelos seus pecados, pedindo perdão pelas suas faltas. Como um ser humano, ele só poderia levar a iniqüidade deles, mas não poderia removê-la. Talvez por isso, ao ver removido o seu pecado e receber o avivamento do seu chamado pelo próprio Deus, Josué estivesse recebendo mais esta revelação: que Ele estava gravando nesta Pedra (Jesus) o nome de todos os Seus redimidos, pois Ele não só carregaria os pecados deles como os removeria totalmente. Isso era uma forma de mostrar a Josué a superioridade do Seu sacerdócio (Hb 8: 6), acima do sacerdócio da antiga aliança. Jesus disse: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17: 24); “... Não perdi nenhum dos que me deste” (Jo 18: 9 b). Como sacerdote, Ele nos carrega junto a si. Por isso, o Senhor diz em seguida: ‘e tirarei a iniqüidade desta terra, num só dia’ – isso se refere à cruz, onde a expiação pelo pecado da humanidade foi completada, consumada. Jesus estava levando o pecado de todos nós, pois nossos nomes estavam gravados ali.

Arão também levava sobre a testa, na mitra, a placa de ouro onde estava gravada a frase: ‘Santidade ao Senhor’ (Êx 28: 36; 38; Êx 39: 30), simbolizando que também levava a culpa de qualquer pecado que os filhos de Israel cometessem em relação às coisas sagradas, ao fazerem suas ofertas, para que elas fossem aceitas diante de Deus. A placa de ouro era chamada de ‘tsits’, que significa: ‘fitar’ porque era usado na testa um lugar visível a todos. Isso significa que ainda que eles não fizessem as ofertas da maneira correta, seja na matéria ou na intenção, ou seja, ofertas com defeito aparente ou sem cumprirem completamente todos os preceitos, ou ainda, ofertas dadas sem a inteireza de coração ou sem devoção, elas eram santificadas por Arão quando ele comparecesse diante da presença do Senhor usando a mitra e a placa de ouro sobre ela. Para nós, isso pode ser resumido numa palavra: serviço, a saber, o que consagramos a Deus, o que ofertamos a Ele, a maneira como o servimos. Não há perfeição em nós, pois somos humanos, por isso, Jesus e o Espírito Santo são os nossos intercessores e os nossos intermediários nessa conexão com o Pai. Da mesma forma, Jesus carregou a nossa culpa em relação às coisas santas através da coroa de espinhos. Se o que ofertamos materialmente ao Senhor é deficiente ou se nos doamos a Ele de maneira incompleta na nossa maneira de pensar (sem tanta devoção ou vontade de fazê-lo), ou ainda que não tenhamos a idéia correta sobre a Sua palavra e sobre o Seu caráter, Ele derrama Seu sangue sobre aquilo e aceita a nossa oferta, mas podemos ter a certeza de que Ele continuará a trabalhar conosco para nos aperfeiçoar até alcançarmos a ‘estatura do varão perfeito’ ou ‘perfeita varonilidade’ (Ef 4: 13), como diz a bíblia, nos doando a Ele integralmente. Está escrito: “Completai, agora, a obra começada [Paulo estava se referindo à obra que os Macedônicos começaram a fazer pelos pobres da Judéia], para que, assim como revelastes prontidão no querer, assim leveis a bom termo, segundo as vossas posses. Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem” (2 Co 8: 11-12); “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Ec 9: 10a).

• ‘Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, cada um de vós convidará ao seu próximo para debaixo da vide e para debaixo da figueira’ (v. 10) – ‘Naquele dia’ é o dia da primeira vinda de Cristo, mais exatamente o dia de Sua morte, quando tirou a iniqüidade da terra num só dia. A videira é um símbolo de prosperidade e paz, símbolo do favor divino. O figo é associado com as promessas de Deus sobre prosperidade e advertências proféticas (Jr 5: 17; Os 2: 12; Hc 3: 17). Plantada juntamente com a vide (Lc 13: 6), simboliza bem-estar e prosperidade perpétuos. Sua produtividade era sinal de paz e favor divino sobre a nação. As figueiras saudáveis produziam figo dez meses por ano. Resumindo: essas plantas representavam bem-estar, paz, prosperidade e favor da parte de Deus. Isso quer dizer que após o perdão dos nossos pecados, podemos descansar no Senhor e colher os frutos da Sua justiça, pois sabemos que Suas bênçãos são o sinal visível do Seu favor e da Sua graça.

Capítulo 4 – A quinta visão: o candelabro de ouro entre as duas oliveiras

A quarta e a quinta visões de Zacarias estão relacionadas. Na quarta visão, Deus fala com o profeta sobre Josué, o sumo sacerdote. Nesta quinta, ele fala com o profeta sobre o governador de Judá (Zorobabel). As duas visões de Zacarias dizem respeito ao trabalho do Espírito Santo através de dois indivíduos: o rei e o sacerdote, que estão ao lado do candelabro, ou seja, a serviço de Deus. Josué e Zorobabel prefiguraram o ofício de Cristo como Rei e sacerdote a serviço do Pai.


Zc 4:1-6


• Zc 4: 1-6: “Tornou o anjo que falava comigo e me despertou, como a um homem que é despertado do seu sono, e me perguntou: Que vês? Respondi: olho, e eis um candelabro todo de ouro (a) e um vaso de azeite em cima (b) com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas (c) que estão em cima do candelabro (d). Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda (e). Então, perguntei ao anjo que falava comigo: meu senhor, que é isto? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Não sabes tu que é isto? Respondi: não, meu senhor. Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder [NVI: violência], mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”.

• O v. 2 na NVI está descrito de maneira mais clara: “e me perguntou: O que você está vendo? Respondi: Vejo um candelabro de ouro maciço, com um recipiente para azeite na parte superior e sete lâmpadas e sete canos para as lâmpadas”.
O anjo explicou ao profeta o significado da sua visão: o candelabro de ouro com sete lâmpadas (nesta profecia de Zacarias) é símbolo do povo de Israel. O candelabro de ouro com sete lâmpadas (Êx 25: 31-32; Êx 37: 17-18) colocado no Tabernáculo de Moisés e no Templo de Salomão era o símbolo do Espírito Santo, da presença de Deus com o Seu povo. As sete lâmpadas são também chamadas de ‘os sete Espíritos de Deus’ (Ap 1: 4; Ap 4: 5), com o mesmo significado de Zc 4: 10 (‘sete olhos’ – ARA / ‘sete lâmpadas’: ‘Estas sete lâmpadas são os olhos do Senhor, que sondam toda a terra’– NVI) cf. Ap 5: 6: “Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra”.


Zc 4:1-6


• Nos v. 3 e 12, Zacarias fala que o candelabro é alimentado dois tubos de ouro com azeite saído de duas oliveiras que derramam óleo sobre um recipiente que está acima do candelabro: ‘Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda... Tornando a falar-lhe, perguntei: que são aqueles dois raminhos de oliveira que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado?’ Aqui a referência é feita a Zorobabel e Josué, os dois ungidos (as ‘duas oliveiras’) que foram separados por Deus para liderar Seu povo, ou seja, na posição de rei e sacerdote, conforme o regime teocrático de governo judaico. Deus separou o representante civil e o eclesiástico para governar conjuntamente (o ‘recipiente acima do candelabro’, significando igualdade de poder e autoridade para governar), como foi com Moisés (o legislador) e Arão (o sumo sacerdote). Zorobabel e Josué eram as ‘duas oliveiras’ por meio de quem o Espírito Santo (o azeite) supria o povo com a luz e coragem necessária para reconstrução do templo.

• v. 6: ‘Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder [NVI: violência], mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos’ – O anjo estava falando para Zacarias que havia uma palavra do Senhor para Zorobabel, filho de Sealtiel, o governador de Judá (Ag 1: 1; 14; Ag 2: 2). Zorobabel e o sacerdote Josué (Jesua), filho de Jozadaque, vieram junto com Ageu e Zacarias para reconstruir o templo (Ed 5: 1-2). Mas diante das oposições (Ed 5: 3-5) de Tatenai (Ed 5: 6; Ed 6: 6; 13), o governador persa do distrito de Samaria, e de Setar-Bozenai (não se sabe qual o seu posto como oficial persa) e seus companheiros (Ed 4: 7-10), eles se sentiam enfraquecidos e sem condições de prosseguir com a reconstrução da Casa de Deus. Ainda que dispusessem de um exército de israelitas para fazer frente às oposições, o Senhor lhes garantia que a obra não seria feita por força ou violência, mas pelo Espírito de Deus.

• Zc 4: 7-10: “Quem és tu, ó grande monte? [NVI: Quem você pensa que é, ó montanha majestosa?] Diante de Zorobabel serás uma campina [NVI: você se tornará uma planície]; porque ele colocará a pedra de remate [NVI: a pedra principal], em meio a aclamações: Haja graça e graça para ela! [NVI: Deus abençoe! Deus abençoe!] Novamente, me veio a palavra do Senhor, dizendo: As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa [NVI: deste templo], elas mesmas a acabarão, para que saibais que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a vós outros. Pois quem despreza o dia dos humildes começos [NVI: o dia das pequenas coisas], esse alegrar-se-á vendo o prumo [NVI: a pedra principal] na mão de Zorobabel. Aqueles sete olhos são os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra [NVI: Estas sete lâmpadas são os olhos do Senhor, que sondam toda a terra]”.

• v. 7: ‘Quem és tu, ó grande monte? [NVI: Quem você pensa que é, ó montanha majestosa?] Diante de Zorobabel serás uma campina [NVI: você se tornará uma planície]; porque ele colocará a pedra de remate [NVI: a pedra principal], em meio a aclamações: Haja graça e graça para ela! [NVI: Deus abençoe! Deus abençoe!]’ – o ‘grande monte’ ou ‘montanha majestosa’ pode ser uma referência a Tatenai (Ed 5: 6; Ed 6: 6; 13), o governador persa do distrito de Samaria, em especial, ou ser aplicado de maneira geral para toda a oposição (Ed 5: 3-5) que Zorobabel enfrentava, ou seja, de Tatenai (Ed 5: 6; Ed 6: 6; 13), de Setar-Bozenai (Ed 4: 7-10; Ed 6: 6) e de todos os seus companheiros: “Bislão, Mitredate, Tabeel, Reum, Sinsai, os dinaítas, afarsaquitas (Ed 6: 6), tarpelitas, afarsitas, arquevitas, babilônios, susanquitas, deavitas, elamitas e outros povos que Osnapar (palavra aramaica para ‘Assurbanipal’) transportou e que fez habitar na cidade de Samaria, e os outros aquém do Eufrates (a oeste do Eufrates)” (Ed 4: 7-10). Assurbanipal, em 641 AC, saqueou Susã, a capital do Elão, e trouxe homens de Susã e de Elão para habitar em Samaria.

• v. 7: ‘ele [Zorobabel] colocará a pedra de remate’ – colocar a pedra de remate ou pedra de acabamento significa que ele terminaria a obra que ele mesmo começou. É interessante perceber que no livro de Esdras está escrito que Ciro nomeou Sesbazar (Ed 1: 8; Ed 5: 14; 16) como o governador de Judá e que ele lançou os fundamentos do templo em 536 AC (Ed 5: 16). Mas também está escrito que Zorobabel e Josué começaram a obra da Casa do Senhor (Ed 3: 2; 8; Ed 5: 2), se referindo respectivamente à 1ª (536 AC) e à 2ª etapa (520 AC) da sua reconstrução. Isso nos faz pensar que Sesbazar era o líder oficial nomeado por Ciro; porém Zorobabel era o líder ativo, tanto em 536 AC como em 520 AC. Sabe-se que Dario I nomeou Zorobabel como governador de Judá, que fazia parte de uma satrapia persa no seu reinado (Iniciado em 522 AC). Provavelmente Sesbazar já estava morto em 520 AC (Ed 5: 14; 16), e Zorobabel ocupou o cargo de governador de Judá (Ag 1: 1; 14; Ag 2: 2).

• v. 9: ‘As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa [NVI: deste templo], elas mesmas a acabarão, para que saibais que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a vós outros’ – o pronome ‘me’ se refere ao Anjo de Deus que estava falando com o profeta. Isso significa que o cumprimento dessa palavra profética seria a prova daquilo que Ele tinha falado para que eles soubessem que Ele havia sido enviado por Deus Pai. O Senhor confirmava que apesar de toda a oposição que Zorobabel e Josué estavam enfrentando, Ele lhes daria força para completar a obra.

• v. 10: ‘Pois quem despreza o dia dos humildes começos, esse alegrar-se-á vendo o prumo [NVI: a pedra principal] na mão de Zorobabel. Aqueles sete olhos são os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra [NVI: Estas sete lâmpadas são os olhos do Senhor, que sondam toda a terra]’ – novamente, é confirmado que as sete lâmpadas (sete olhos) são os sete Espíritos de Deus (Ap 5: 6), simbolizando Seu perfeito conhecimento e sabedoria.


Zc 4: 10 – reconstrução do templo


• Zc 4: 11-14: “Prossegui e lhe perguntei: que são as duas oliveiras à direita e à esquerda do candelabro? Tornando a falar-lhe, perguntei: que são aqueles dois raminhos de oliveira que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado? Ele me respondeu: Não sabes que é isto? Eu disse: não, meu senhor. Então, ele disse: São os dois ungidos [tradução literal: ‘os filhos do óleo’], que assistem junto ao Senhor de toda a terra [NVI: São os dois homens que foram ungidos para servir ao Soberano de toda a terra! – No original: ‘os dois que trazem óleo e servem’]”.

Aqui, Zacarias volta a falar que o candelabro é alimentado por duas hastes com azeite saído de duas oliveiras (ou ‘dois raminhos de oliveira’ – v. 12) que derramam óleo sobre um recipiente que está acima do candelabro (v. 3). Isso era um encorajamento para Zorobabel e Josué, pois através deles Deus traria avivamento, força e coragem para o Seu povo. Em Ap 11: 4, ao falar das duas testemunhas mártires que trarão avivamento espiritual a Israel, João escreve sobre ‘as duas oliveiras’, uma alusão a esta profecia de Zacarias.

Portanto, o candelabro de Zacarias significa o povo de Israel debaixo da unção do Espírito Santo através dos dois ungidos que Ele escolheu para governá-los. Quando se fala da Menorá no AT (o candelabro de ouro do Tabernáculo e do Templo), ela sempre simbolizou a presença de Deus com Seu povo, a luz do Espírito do Senhor com eles.

Quando lemos sobre os candeeiros em Apocalipse, podemos ver que eles estavam separados, não numa única haste, o que significa os dons do Espírito Santo distribuído entre a Igreja gentia (as igrejas da Ásia Menor, por exemplo) em todas as nações da terra. Após a ascensão de Jesus, Seu Espírito foi dividido entre todos os Seus filhos (Jo 16: 7; 13-14; Jo 14: 26; Jo 7: 38-39). O Espírito Santo não precisava mais ser um símbolo (Menorá), uma ‘sombra’ do que haveria de vir, porque estava livre agora, vivo, presente em cada filho de Deus que aceitou Jesus como seu Senhor e Redentor e creu na Sua divindade.

O evangelho de Cristo foi pregado exclusivamente aos judeus até 33 DC, completando as setenta semanas de Daniel 9: 24-26, quando surgiram os primeiros mártires como Tiago e Estevão. Depois que Jerusalém foi destruída pelos romanos em 70 DC (Tito), o tempo de aliança de Deus com os Judeus foi consumado e o teve início o tempo do reino de Deus para os gentios:

• Mt 21: 43: “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os devidos frutos”.
• Lc 21: 24: “Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles”.
• Rm 11: 25: “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios [Em inglês, ‘o número completo dos gentios’]”.

Assim, a aliança com Israel só será restaurada na segunda vinda de Cristo, quando através do arrependimento eles começarem a clamar o nome de Jesus (Mt 23: 39; At 1: 6-7; Rm 11: 25-32).

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. E em verdade vos digo que não mais me vereis até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Lc 13: 34-35).

Por isso, o apóstolo João, no livro de Apocalipse, se refere às igrejas como candeeiros, entre os quais o Senhor está. Mas fala que sete tochas ardem diante do trono, ou seja, os sete Espíritos de Deus (O Espírito Santo), em Sua plenitude, em glória, como sempre esteve desde a eternidade.

E fala dos dois candeeiros (Menorá) em relação às duas testemunhas mártires que trarão avivamento ao povo da antiga aliança no papel de rei e sacerdote (prefiguradas nos ‘dois raminhos de oliveira’ de Zc 4:11-14), fazendo frente ao Anticristo, o qual reivindicará o papel de governante civil, e ao falso profeta, que além de enganar o povo com falsa profecia, também desejará o papel de sacerdote no meio dos judeus. A palavra grega é a mesma para os dois (candeeiros separados ou unidos numa só haste – Menorá): ‘Luchnos’ (candeia) ou ‘Lychnia’ ou ‘Luchnia’ (velador; candeeiro ou candelabro – Mt 5: 15).

Ap 11: 3-4: “Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco. São estas as duas oliveiras e os dois candeeiros que se acham em pé diante do Senhor da terra”.
Ap 1: 4: “João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono”.
Ap 1: 12-13: “Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro”.
Ap 1: 20: “Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”.
Ap 4: 5: “Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus”.
Ap 5: 6: “Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra”.

Para nós, esta profecia de Zacarias capítulo 4 foi cumprida na pessoa de Jesus em Seu ofício de Rei e sacerdote, derramando a unção do Seu Espírito sobre a Igreja para que ela possa levar à frente a sua missão de restaurar os templos destruídos pelo pecado, e apagados por falta do conhecimento da palavra de Deus.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


Zc 4:11-14
Zc 4: 11-14 – As duas testemunhas mártires de Ap 11: 3-4

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 3º volume do livro:


livro evangélico: Os profetas menores

Os profetas menores vol. 1

Os profetas menores vol. 2

Os profetas menores vol. 3

The minor prophets vol. 1

The minor prophets vol. 2

The minor prophets vol. 3

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