No capítulo 2, Sofonias profetiza contra Moabe, Amom, Etiópia, Assíria e Filístia com suas cidades: Gaza, Asquelom, Asdode e Ecrom; Gate não é mencionada aqui. Também fala sobre os Quereítas ou Queretitas, uma tribo habitante do sul da terra dos filisteus.


Explicação de Sofonias 2




Sofonias (significa: ‘Deus ocultou’) profetizou no período de 640-621 AC, durante o reinado do rei Josias (640-609 AC), em Judá, mas antes da destruição da cidade de Nínive em 612 AC. No capítulo 2 ele profetiza contra a Filístia, Moabe, Amom, Etiópia e Assíria. Aqui, nós estudaremos um pouco sobre a cidade de Nínive. Com o juízo de Deus, Sofonias quis ilustrar que Ele precisava fazer Seu povo atravessar as chamas da aflição, a fim de prepará-lo para ser uma bênção que se estenderia à humanidade inteira.


Profeta Sofonias

Capítulo 2 – Ameaças contra os filisteus

• Sf 2: 1-3: “Concentra-te e examina-te, ó nação que não tens pudor, antes que saia o decreto [NVI: antes que chegue o tempo determinado], pois o dia se vai como a palha; antes que venha sobre ti o furor da ira do Senhor, sim, antes que venha sobre ti o dia da ira do Senhor. Buscai o Senhor, vós todos os mansos da terra, que cumpris o seu juízo [NVI: Busquem o Senhor, todos vocês, os humildes da terra, vocês que fazem o que ele ordena]; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura, lograreis esconder-vos no dia da ira do Senhor [NVI: talvez vocês tenham abrigo no dia da ira do Senhor]”.

Isso parece ser um convite ao arrependimento, antes que o Senhor tome a decisão definitiva de exercer Seu juízo. O profeta diz que os dias passam rapidamente e a nação judaica não tem muito tempo (‘o dia se vai como a palha’). Ele diz para que eles prestem atenção e que se examinem, pois é necessário que eles enxerguem sua falta de pudor; aí, sim, poderá vir o arrependimento. A falta de pudor se refere ao abandono da sua fé (em favor da idolatria) e outros tipos de corrupção moral. Então, ele convoca os humildes a buscar o Senhor, buscar a justiça e a mansidão. Quem sabe, eles sejam protegidos e escapem do castigo no dia da indignação do Senhor. O fato de Sofonias dar a entender que o castigo é bastante rápido, devemos entender que a contagem do tempo para Deus é diferente da nossa. Até agora, nada parece corroborar a idéia de que se trata dos citas, e sim dos babilônios que, em poucos anos, no reinado dos dois filhos de Josias, Joacaz (ou Salum – Jr 22: 11-12; 1 Cr 3: 15; não era o filho mais velho) e Eliaquim (ou Jeoaquim: 2 Rs 23: 31-37 – 2 Rs 24: 1-17), começou a importunar Judá, até que na terceira invasão, conseguiu destruir a cidade.

• Sf 2: 4-7: “Porque Gaza será desamparada, e Asquelom ficará deserta; Asdode, ao meio-dia, será expulsa, e Ecrom, desarraigada. Ai dos que habitam no litoral, do povo dos quereítas! [NVI: queretitas] A palavra do Senhor será contra vós outros, ó Canaã, terra dos filisteus, e eu vos farei destruir, até que não haja um morador sequer. O litoral será de pastagens, com refúgios para os pastores e currais para os rebanhos [NVI: Essa terra junto ao mar, onde habitam os queretitas, será morada de pastores e curral de ovelhas]. O litoral pertencerá aos restantes da casa de Judá; nele, apascentarão os seus rebanhos e, à tarde, se deitarão nas casas de Asquelom [NVI: Ascalom]; porque o Senhor, seu Deus, atentará para eles e lhes mudará a sorte [Nota NVI: trará de volta seus cativos]”.

Quereítas ou queretitas

Quereítas ou queretitas são mencionados igualmente em Ez 25: 16 e se refere a uma tribo habitante do sul da terra dos filisteus (1 Sm 30: 14; 16). A ilha de Creta era uma colônia dos filisteus. A terra dos filisteus era chamada de Filistina (por isso, o termo ‘Palestina’); Kerïtha, pelos árabes; Creth, pelos sírios; e pelos hebreus: terra dos queratitas ou quereítas ou quereteus. Eles eram um povo originário da ilha de Creta (Grego: Κρήτη, Kríti) e espalhado entre os filisteus e que, segundo alguns autores, fizeram parte da guarda pessoal de Davi (O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995). Os quereítas eram mercenários. A palavra quereítas vem do hebraico Cherethites ou Cherethims. O singular é Krethiy (Strong #3774), que se origina de ‘karath’ (Strong #3772) e significa: carrasco; queretita ou membro da guarda real, que por sua vez, deriva de ‘tabbach’ (Strong #2876), que significa: um açougueiro; portanto, um membro da guarda real (porque ele estava agindo como um carrasco), guarda.

As cidades de Gaza, Asquelom (Ascalom), Asdode e Ecrom são mencionadas em Zc 9: 5-7: “Asquelom o verá e temerá; também Gaza e terá grande dor; igualmente Ecrom, porque a sua esperança será iludida; o rei de Gaza perecerá, e Asquelom não será habitada. Povo bastardo habitará em Asdode, e exterminarei a soberba dos filisteus. Da boca destes tirarei o sangue dos sacrifícios idólatras e, dentre os seus dentes, tais abominações [NVI: a comida proibida]; então, ficarão eles como um restante para o nosso Deus; e serão como chefes em Judá, e Ecrom, como jebuseu” – cf. Is 14: 20-31; Jr 47: 1-7; Ez 25: 15-17; Jl 3: 4-8; Am 1: 6-8. Zacarias fala aqui sobre o juízo divino sobre os filisteus, e esse juízo seria feito por Alexandre, o Grande, e, mais tarde, terminado pelos descendentes dos Macabeus.

Sofonias cita as mesmas cidades (Gaza, Asquelom, Asdode e Ecrom) e diz que todas serão destruídas. Também menciona o povo dos quereítas ou queretitas, e emite um ‘ai’ sobre eles. Ele profetiza que o litoral da terra dos filisteus será de pastagens para rebanhos de ovelhas, e os remanescentes de Judá herdarão essa terra, quando o Senhor trouxer de volta os seus cativos.

Tiglate-Pileser III (745-727 AC) capturou Gaza em 734 AC, e depois seu filho Sargom II (722-705 AC) repetiu o feito, pois a cidade ficou por um tempo fora do controle da Assíria; talvez, por disputa com o Egito, que caiu nas mãos de Sargom em 716 AC. Em 711 AC Asdode foi saqueada pelo mesmo rei assírio (Is 20: 1; Is 14: 29). Em 604 AC Asdode havia recusado pagar tributo para Nabucodonosor e foi saqueada por ele também. Faraó do Egito um dia viria para ferir os filisteus e entrar em Gaza (Jr 47: 1). Alexandre o Grande conquistou Gaza em 332 AC, depois de um cerco de cinco meses; e foi finalmente tornada desolada – conforme profetizado por Am 1: 6-7; Sf 2: 4 e Zc 9: 5 – por Alexandre Janeu (103-76 AC, que governou a Judéia como sumo sacerdote em Jerusalém). Em 57 AC, Aulo Gabínio (prôconsul romano da província da Síria – 57-54 AC) reedificou a cidade num novo local, ao sul da antiga localização, mais próximo do mar, que continua ocupado até hoje, mas os sítios arqueológicos pouco descobriram. Herodes a restaurou e lhe deu o nome de Azoto (At 8: 40).

Ao que parece, a profecia de Sofonias foi totalmente cumprida em Alexandre Janeu, descendente de Judas Macabeu (‘restantes da casa de Judá’), e que destruiu completamente a cidade de Gaza em 93 AC.

Ameaças contra Moabe e Amom

• Sf 2: 8-11: “Ouvi o escárnio de Moabe (cf. Is 15: 1 – Is 16: 14; Is 25: 10-12; Jr 48: 1-47; Ez 25: 8-11; Am 2: 1-3) e as injuriosas palavras dos filhos de Amom (cf. Jr 49: 1-6; Ez 21: 28-32; Ez 25: 1-7; Am 1: 13-15), com que escarneceram do meu povo e se gabaram [NVI: fizeram ameaças] contra o seu território. Portanto, tão certo como eu vivo, diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, Moabe será como Sodoma, e os filhos de Amom, como Gomorra, campo de urtigas [NVI: ervas daninhas], poços de sal e assolação perpétua; o restante do meu povo os saqueará, e os sobreviventes da minha nação os possuirão. Isso lhes sobrevirá por causa da sua soberba, porque escarneceram e se gabaram contra o povo do Senhor dos Exércitos. O Senhor será terrível contra eles, porque aniquilará todos os deuses da terra; todas as ilhas das nações, cada uma do seu lugar, o adorarão [NVI: As nações de todo o mundo o adorarão, cada uma em sua própria terra]”.

Moabe e Amom escarneceram várias vezes do sofrimento do povo de Deus e depois, por causa da sua soberba, receberam Seu juízo através dos babilônios, da mesma forma que as cidades de Sodoma e Gomorra, símbolos do juízo violento do Senhor. Seus territórios seriam como campo de ervas daninhas e tão desolados como poços de sal.

‘Aniquilará todos os deuses da terra’ – a destruição dos deuses da terra de Moabe e Amom seria como a destruição da idolatria da terra dos filisteus, que Zacarias profetizou (Zc 9: 5-7), e como a destruição do culto a Baal e outros deuses em Jerusalém, profetizada por Jeremias, depois da destruição da cidade pelos babilônios. Durante o exílio, o culto aos deuses cananeus foram interrompidos pelos israelitas.

‘Todas as ilhas das nações, cada uma do seu lugar, o adorarão’ ou ‘As nações de todo o mundo o adorarão, cada uma em sua própria terra’ significa que, de uma forma ou de outra, Deus estava trabalhando para remover também a idolatria das nações gentias, preparando um povo que passaria a conhecê-lo através do Messias.

Ameaças contra a Etiópia e a Assíria

• Sf 2: 12: “Também vós, ó etíopes, sereis mortos pela espada do Senhor” cf. Is 18: 1-7; Jr 46: 2; 9; Ez 30: 4; 5; 9. Nabucodonosor, também causaria destruição na Etiópia.

• Sf 2: 13-15: “Ele [Deus] estenderá também a mão contra o Norte e destruirá a Assíria; e fará de Nínive uma desolação e terra seca como o deserto. No meio desta cidade, repousarão os rebanhos e todos os animais em bandos [NVI: todo tipo de animais selvagens]; alojar-se-ão nos seus capitéis tanto o pelicano como o ouriço (um mamífero com pêlos espinhosos nas costas e nas laterais do corpo) [NVI: Até a coruja do deserto e o mochos e empoleirarão no topo de suas colunas]; a voz das aves retinirá nas janelas, o monturo estará nos limiares, porque já lhe arrancaram o madeiramento de cedro [NVI: Haverá entulho nas entradas, e as vigas de cedro ficarão expostas]. Esta é a cidade alegre e confiante, que dizia consigo mesma: Eu sou a única, e não há outra além de mim. Como se tornou em desolação, em pousada de animais! Qualquer que passar por ela assobiará com desprezo e agitará a mão [NVI: Todos os que passam por ela zombam e sacodem os punhos]”.

Esta profecia foi literalmente cumprida, pois atualmente só se encontram ovelhas no local. As escavações arqueológicas encontraram as imensas figuras bois alados com cabeças humanas (‘lamassu’) que ficavam de ambos os lados do portão principal simbolizando o seu poder.
Nínive, capital da Assíria, é novamente citada pelos profetas como sendo uma cidade arrogante e muito confiante em si mesma, mas que também seria destruída pelos babilônios (cf. Is 10: 5-34; Na 1: 1 – 3: 19).

Naum descreve a cidade de Nínive (Na 2: 1) como uma cidade fortificada, sempre vigiada por soldados com farda vermelha, em carros de aço e armados com lanças. Os carros passavam velozmente, com furor pelas ruas e cruzando as praças, e eram tão rápidos como o relâmpago, principalmente no dia da sua invasão (Na 2: 3-5). Da mesma forma que a Babilônia, a cidade de Nínive tinha um grande suprimento de água e uma riqueza muito grande (Na 2: 2-4; 7-9). Era uma cidade sanguinária, cheia de mentiras e de roubo (Na 3: 1) e de prostituição espiritual pela infinidade de deuses com os quais ela corrompia as outras nações; ‘mestra de feitiçarias’, que desencaminhava muitos povos (Na 3: 4); cidade mercantilista (Na 3: 16), gananciosa e insaciável, que devorava o que via pela frente (Na 3: 17).

O termo hebraico para Nínive (nïneweh ou Nīnewē – נינוה), em grego: nineue (Νινευη), em latim: Nineve, em árabe: Naīnuwa, uma ‘cidade excessivamente grande’, é uma tradução do assírio ninua, em babilônico antigo ninuwa, que por sua vez é transliteração do nome sumério mais antigo ainda, Nina, nome da deusa Istar, deusa da fertilidade, do amor e da guerra, a deidade protetora daquela cidade e cujo nome era escrito com um sinal representando um peixe dentro de um ventre. Nina era o nome assírio antigo da ‘Rainha do Céu’ (Jr 44: 17; 18; 19; 25), portanto, local de muita abominação e idolatria, feitiçaria e prostituição.

Naum dá uma descrição de sua destruição (Na 2: 10; 13; Na 3: 2-3; 7; 12-13; 18-19). Em 401 AC, Nínive já era uma ruína.

Por isso, Sofonias escreveu (Sf 2: 13-15): “No meio desta cidade, repousarão os rebanhos e todos os animais em bandos [NVI: todo tipo de animais selvagens]... Como se tornou em desolação, em pousada de animais!” Essa profecia foi literalmente cumprida, pois hoje há apenas ovelhas naquele lugar.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 3º volume do livro:


livro evangélico: Os profetas menores

Os profetas menores vol. 1

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The minor prophets vol. 1

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