Naum profetizou a queda de Nínive, capital da Assíria, uma cidade sanguinária, mercantilista, gananciosa, insaciável, cheia de mentira, roubo e idolatria. Ela foi invadida em 612 AC pelos Babilônios, Medos e Citas. Deus controla tudo e não permite que o mal prevaleça.


Explicação do livro de Naum




Naum significa ‘consolação, consolo, compassivo’. Período profético: 663-612 AC. Naum faz lembrar que Deus detém o controle da História e que não permitirá que o mal prevaleça para sempre (Na 1: 1-3). Ele nasceu em Elcos (provavelmente em Judá). Naum foi ordenado por Deus para profetizar a queda de Nínive. Tebas caiu em poder dos assírios em 661 AC. Nínive, uma grande cidade comercial (Na 3: 16) da Assíria e sua última capital, seria saqueada. Sua impiedade seria castigada. Era sanguinária e cruel, cheia de mentira e roubo (Na 3: 1), uma cidade guerreira e tinha matado muitas nações por meio de suas prostituições e feitiçarias (Na 3: 4). O termo hebraico para Nínive (nïneweh ou Nīnewē – נינוה), em grego: nineue (Νινευη), em latim: Nineve, em árabe: Naīnuwa, uma ‘cidade excessivamente grande’, é uma tradução do assírio ninua, em babilônico antigo ninuwa, que por sua vez é transliteração do nome sumério mais antigo ainda, Nina, nome da deusa Istar, deusa da fertilidade, do amor e da guerra, a deidade protetora daquela cidade e cujo nome era escrito com um sinal representando um peixe dentro de um ventre. Nina era o nome assírio antigo da ‘Rainha do Céu’ (Jr 44: 17; 18; 19; 25), portanto, local de muita abominação e idolatria, feitiçaria e prostituição. Nínive, a capital da Assíria, caiu em 612 AC (Na 3: 1-19), quando foi conquistada pela Babilônia e pela Média, mais ou menos cem a cento e cinqüenta anos depois de Jonas entregar a mensagem de Deus a ela.


Profeta Naum

Capítulo 1 – A ira e a misericórdia de Deus

• Na 1: 1-2: “Sentença contra Nínive. Livro da visão de Naum, o elcosita [NVI: de Elcos]. O Senhor é Deus zeloso e vingador, o Senhor é vingador e cheio de ira; o Senhor toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos [NVI: e manifesta o seu furor contra os seus inimigos]”.
Elcos parece ter sido uma aldeia pobre na tribo de Judá. Em primeiro lugar, o profeta descreve o zelo de Deus, que consiste em levar avante os Seus propósitos tanto para fazer prevalecer o Seu próprio reino como para castigar os Seus adversários. E isso é descrito em primeiro lugar para confirmar a palavra de repreensão vinda do Senhor e confirmar que Seu decreto não vai ser mudado.

• Na 1: 3-6: “O Senhor é tardio em irar-se [NVI: é muito paciente], mas grande em poder e jamais inocenta o culpado; o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés. Ele repreende o mar, e o faz secar, e míngua todos os rios; desfalecem Basã e o Carmelo, e a flor do Líbano se murcha. Os montes tremem perante ele, e os outeiros [NVI: colinas] se derretem; e a terra se levanta diante dele [NVI: A terra se agita na sua presença], sim, o mundo e todos os que nele habitam. Quem pode suportar a sua indignação? E quem subsistirá diante do furor da sua ira? A sua cólera se derrama como fogo, e as rochas são por ele demolidas [NVI: as rochas se despedaçam diante dele]”.

Como todos os outros profetas e salmistas, Naum mostra o poder, a majestade e a reta justiça de Deus, e descreve poeticamente as manifestações da natureza como um sinal de reverência a Ele, confirmando Seu senhorio sobre toda a criação. Da mesma forma que Isaías, Naum faz menção do Carmelo, do Líbano e de Basã para expressar o prazer ou o desprazer de Deus diante das situações vividas pela humanidade.

‘Desfalecem Basã e o Carmelo’ – Basã é a terra a leste do rio Jordão, que antes da entrada do povo em Canaã pertencia aos amorreus. Quando Moisés venceu seus reis (Seom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã – Js 12: 1-6; Nm 21: 21-35; Dt 2: 26-37; Dt 3: 1-13), a terra foi dada às tribos de Rúben, Gade e meia tribo de Manassés, pois era terra rica em pastagem e bastante favorável ao gado. Quando Naum fala que Basã desfalece, significa que diante da ira de Deus uma terra esverdeada e própria para pastagem perde o viço e se transforma numa terra estéril, até desértica.

O Monte Carmelo (karmel, ‘terra ajardinada’, ‘terra frutífera’) é uma cadeia de colinas com quarenta e oito quilômetros de extensão, na direção Noroeste para Sudeste do Mediterrâneo (praia sul da baía de Acre) para a planície de Dotã. O Monte Carmelo é a serra principal (altura máxima de quinhentos e vinte e três metros), no extremo Noroeste. Apesar de ser uma região densamente coberta de vegetação, era escassamente habitada. A vegetação luxuriante do Carmelo é refletida em Am 1: 2; Am 9: 3; Mq 7: 14; Na 1: 4; Ct 7: 5. A palavra ‘karmel’ em hebraico pode ser usada como substantivo comum com este sentido (2 Rs 19: 23: ‘fértil pomar’). Pode ser usada para indicar grãos frescos de cereais (Lv 23: 14: ‘espigas verdes’). O Carmelo é formado de pedra calcária dura, abundante em cavernas, e atinge a altitude de quinhentos e vinte e três metros. Na base da montanha corre o tortuoso Ribeiro de Quisom. Era uma região muito pouco habitada. Ali a glória do Senhor resplandeceu para o Seu povo, pois foi ali, que na pessoa de Elias, Deus manifestou o Seu poder contra os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, consumindo com fogo o sacrifício que o profeta tinha colocado sobre o altar. Naum fala que o Monte Carmelo também desfalece, isto é, diante da ira de Deus a grande e luxuriante floresta desaparecerá, perderá sua vegetação.


Monte Carmelo Monte Carmelo
Monte Carmelo


‘A flor do Líbano se murcha’ – o Líbano é conhecido também por sua densa floresta. Ele experimenta muita chuva de novembro a março; por isso, suas cadeias de pedra calcária dão origem a muitas fontes e riachos. Ao sul das montanhas há cultivo de jardins, bosques de oliveiras, vinhedos e pomares de frutas (amoras, figos, maçãs, damascos, nozes) e pequenos campos de trigo. A vegetação florestal é de murtas, coníferas e enormes cedros, portanto, é símbolo de fertilidade e de tirar gozo e proveito da vida e de uma plantação, tirar proveito dos frutos. Naum também diz que a flor do Líbano murcha por causa da indignação do Senhor.

‘As rochas são por ele demolidas’ ou as ‘rochas se despedaçam diante dele’ – isso nos lembra de Elias em Horebe, quando se escondeu na caverna e Deus passou diante dele. Primeiro, houve um grande e forte vento que fendia os montes e despedaçava as rochas. Depois do vento, um terremoto; e depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no vento, nem no terremoto, nem no fogo, e sim num cicio tranqüilo e suave que veio após tudo isso; e nessa voz mansa, Ele falou com Seu filho (1 Rs 19: 11-12). As grandes manifestações da natureza mostravam o poder de Deus e Seu domínio sobre todas as coisas que foram criadas por Ele, porém, quando chegou o momento de falar e consolar Elias, Ele falou de maneira suave para acalmá-lo dos seus temores.
Neste trecho de Naum, Deus não falaria de maneira doce com os ímpios, mas mostraria a eles a Sua indignação com tanto pecado.

• Na 1: 7: “O Senhor é bom, é fortaleza [NVI: refúgio] no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam [NVI: Ele protege os que nele confiam]”.
Neste versículo, Naum mostra a contraparte de tudo o que escreveu acima, ou seja, para os humildes e tementes a Deus, Ele mostra a Sua misericórdia e o Seu braço forte, onde os que são Dele podem se refugiar nos momentos de angústia.

• Na 1: 8-10: “Mas, com inundação transbordante, acabará de uma vez com o lugar desta cidade [NVI: uma enchente devastadora dará fim a Nínive]; com trevas, perseguirá o Senhor os seus inimigos [NVI: expulsará os seus inimigos para a escuridão]. Que pensais vós contra o Senhor? Ele mesmo vos consumirá de todo; não se levantará por duas vezes a angústia [NVI: O Senhor acabará com tudo o que vocês planejarem contra ele; a tribulação não precisará vir uma segunda vez]. Porque, ainda que eles se entrelaçam como os espinhos e se saturam de vinho como bêbados, serão inteiramente consumidos como palha seca”.
Aqui ele já profetiza a maneira como a cidade será destruída: com uma inundação, pois foi por causa de inundação da sua represa que o muro apresentou brechas, facilitando a entrada do inimigo.

‘Com trevas, perseguirá o Senhor os seus inimigos’ ou ‘expulsará os seus inimigos para a escuridão’ – muito provavelmente se trata do incêndio do palácio, dos edifícios principais da cidade e de outras casas pelos Medos e Babilônios, levantando uma fumaça escura; entretanto, pode também significar as ‘trevas da morte’ para os cidadãos de Nínive.

Depois, Deus usa o profeta Naum para confrontar Seus adversários, pois mostra que os pensamentos deles não estão ocultos aos Seus ouvidos: ‘Que pensais vós contra o Senhor? Ele mesmo vos consumirá de todo; não se levantará por duas vezes a angústia’ [NVI: a tribulação não precisará vir uma segunda vez]. Isso significa que tudo o que os assírios planejaram contra o povo de Deus (portanto, contra Ele) seria desfeito, e a destruição seria tamanha que o Senhor não precisaria repetir o trabalho trazendo outro exército invasor. Por mais unidos que se sentissem em seus planos malignos (‘se entrelaçam como espinhos’) e por mais embriagados que estivessem com sua violência e sede de sangue e conquista (‘se saturam de vinho como bêbados’), ainda assim o Senhor era mais forte para acabar com todo esse mal.

• Na 1: 11: “De ti, Nínive, saiu um que maquina o mal contra o Senhor, um conselheiro vil [NVI: Foi de você, ó Nínive, que saiu aquele que trama perversidades, que planeja o mal contra o Senhor]”.
Muitos comentaristas falam que ‘um que maquina o mal’ ou ‘um conselheiro vil’ se trata de Senaqueribe ou de seu general Rabsaqué, baseados na premissa que Naum (663-612 AC) é contemporâneo de Isaías (740-681 AC), o que não é verdade. Mas, se levarmos em consideração o que está escrito em Na 3: 8 sobre a queda de Tebas ou Nô-Amom, em 661 AC no reinado de Assurbanipal (669-627 AC), como um evento real já ocorrido, então, nós podemos dizer que Naum estava falando, provavelmente, de outro rei assírio, senão o próprio Assurbanipal (669-627 AC), pensando em atacar Judá e Jerusalém na sua volta do Egito, após conquistar Tebas. O que sabemos pelos dados históricos nas inscrições assírias é que durante o reinado de Assurbanipal (669-627 AC) houve muitos conflitos com os árabes, inclusive os de Quedar.

Assim, ‘um que maquina o mal contra o Senhor’ ou ‘um conselheiro vil’ poderia ser o próprio Assurbanipal ou um de seus conselheiros ou generais (ou eventualmente um simples cidadão mal-intencionado de Nínive) que, inclusive, seriam capazes de sugerir ao rei uma invasão de Judá após a conquista do Egito, mas provavelmente se viram frustrados com o acontecimento na Babilônia, debaixo do controle total de Deus para realizar Seus planos e não os dos homens.

• Na 1: 12-13: “Assim diz o Senhor: Por mais seguros que estejam e por mais numerosos que sejam, ainda assim serão exterminados e passarão; eu te afligi, mas não te afligirei mais [NVI: Apesar de serem fortes e numerosos, serão ceifados e destruídos; mas, você, Judá, embora eu a tenha afligido, não a afligirei mais]. Mas de sobre ti, Judá, quebrarei o jugo deles e romperei os teus laços [NVI: arrancar as suas algemas]”.

Aqui o Senhor traz uma palavra de consolo e esperança para o Seu povo, pois confirma a derrota da Assíria e o livramento de Judá das suas mãos. Ele diz que, embora o exército inimigo fosse numeroso, ainda assim seria exterminado. Em Is 10: 18-19 o profeta diz que o exército assírio era tão numeroso como uma floresta, mas seria consumido pelo Senhor.

Houve um período curto de descanso para Israel entre a queda da Assíria (a tomada de Nínive foi em 612 AC) e o domínio Babilônico através de Nabucodonosor (605 AC), pois seu pai, Nabopolassar (626-605 AC), estava envolvido na conquista de outras nações naquele momento e preocupado em estabelecer e firmar o império para ser deixado para seu herdeiro.

• Na 1: 14-15: “Porém contra ti, Assíria [NVI: ó rei de Nínive], o Senhor deu ordem que não haja posteridade [NVI: descendentes] que leve o teu nome; da casa dos teus deuses exterminarei as imagens de escultura e de fundição; farei o teu sepulcro, porque és vil [NVI: desprezível]. Eis sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, do que anuncia a paz! Celebra as tuas festas, ó Judá, cumpre os teus votos, porque o homem vil já não passará por ti; ele é inteiramente exterminado”.

O decreto de Deus está firme contra a Assíria, inclusive com a destruição total dos seus ídolos, uma vez que essa nação corrompia muitas outras, ‘trocando’ deuses entre elas e, dessa forma, corrompendo muitas vidas, inclusive em Israel. O Egito foi uma nação que incentivou muito esse tipo de divulgação da idolatria assíria; a deusa Nina ou Istar foi uma das deusas envolvidas nesse intercâmbio idólatra. A Assíria e Nínive, em especial, se enriqueceram muito através das suas guerras e conquistas, pois todos os despojos eram levados para a grande cidade, e dados, em primeiro lugar, aos sacerdotes. Antes de saírem à guerra, os governantes invocavam esses deuses para que tivessem sucesso em seu propósito de destruição e extermínio das outras nações, e seus gananciosos sacerdotes estimulavam as campanhas de conquista, aguardando rica retribuição dos despojos. Era uma nação cuja principal ocupação era a guerra, e os sacerdotes eram fomentadores incessantes dela. Seus reis também tinham uma maneira bem cruel de tratar os prisioneiros e isso ficou registrado em muitos relevos nas paredes e em tabletes encontrados no palácio de Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal. Os assírios eram conhecidos por decapitar os povos vencidos, fazendo pirâmides com seus crânios; também crucificavam ou empalavam os prisioneiros, arrancavam seus olhos e os esfolavam vivos.

‘Eis sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, do que anuncia a paz! Celebra as tuas festas, ó Judá, cumpre os teus votos, porque o homem vil já não passará por ti; ele é inteiramente exterminado’ – isso expressa a paz que os judeus desfrutariam com a queda do opressor e a alegria que teriam ao receber as boas notícias de que Nínive foi destruída e eles não mais seriam oprimidos pelos assírios. Naum fez uso de uma parte da frase da profecia de Isaías (Is 52: 7) que fala sobre a alegria da terra da Judéia quando se der a notícia do retorno dos exilados da Babilônia, pois isso significa uma reconciliação entre Deus e Seu povo. Ele voltará a estar com eles no templo que será reconstruído, e muito mais ainda com a vinda do Messias. Bem-aventurado aquele que anunciar estas boas novas, pois ele trará a paz aos corações ao saberem da libertação dos exilados.

Capítulo 2 – O cerco e a tomada de Nínive

Nínive, capital da Assíria, é citada pelos profetas como sendo uma cidade arrogante e muito confiante em si mesma, mas que também seria destruída pelos babilônios (cf. Is 10: 5-34; Sf 2: 13-15; Na 1: 1 – 3: 19).
A primeira capital da Assíria foi Assur (séculos XIV-IX AC), uma cidade existente desde o terceiro milênio AC. Assur (Aššur, em Acadiano; Siríaco: 'Āšūr; Persa: Āšūr; Hebraico: Aššûr; Árabe: Āšūr; Curdo: Asûr) é também conhecida como Ashur e Qal’at Sherqat. Assurnasirpal II (884-859 AC) mudou a capital de Assur para Kalhu (Calah / Nimrud). Com o reinado de Sargom II (722-705 AC) a capital passou para Dur-Sharrukin (Fortaleza de Sargom). No entanto, ele morreu na batalha e seu filho e sucessor Senaqueribe (705-682 AC) abandonou a cidade, escolhendo engrandecer Nínive como sua capital real. No entanto, a cidade de Assur permaneceu o centro religioso do império, devido ao seu templo do deus nacional Assur (Ashur).

O termo hebraico para Nínive (nïneweh ou Nīnewē – נינוה), em grego: nineue (Νινευη), em latim: Nineve, em árabe: Naīnuwa, uma ‘cidade excessivamente grande’, é uma tradução do assírio ninua, em babilônico antigo ninuwa, que por sua vez é transliteração do nome sumério mais antigo ainda, Nina, nome da deusa Istar, deusa da fertilidade, do amor e da guerra, a deidade protetora daquela cidade e cujo nome era escrito com um sinal representando um peixe dentro de um ventre. Nina era o nome assírio antigo da ‘Rainha do Céu’ (Jr 44: 17; 18; 19; 25), portanto, local de muita abominação e idolatria, feitiçaria e prostituição.

Nínive, na margem oriental do rio Tigre, era um grande amontoado de vários vilarejos ao longo deste rio. Atualmente é uma grande área de ruínas pelos novos subúrbios da cidade de Mossul, no estado de Ninawa, no norte do Iraque. Os montículos antigos Tell Kuyunjik ou Kouyunjik, Nimrud (nome da antiga Calá), Karamles (Karemlash ou Karemlish) e Khorsabad (nome atual da antiga Dur-Sharrukin) formam os quatro cantos de um paralelogramo. Eles estão localizados na planície perto da confluência do rio Tigre e Khosr. Tell Kuyunjik ou Kouynjik era o montículo da cidadela antiga de Nínive cujo nome significa ‘montículo de muitas ovelhas’, vinte metros de altura acima da planície, e tem outro montículo ao seu lado (Um quilômetro ao sul, o montículo secundário das ruínas de Nínive) que recebeu o nome de Nabī Yūnus (‘Profeta Jonas’, em árabe), e que não foi devidamente explorado porque havia um santuário árabe muçulmano dedicado a esse profeta no local. Ninrude é o nome moderno do sítio arqueológico localizado em torno da cidade assíria de Kalhu, localizada ao sul do rio Tigre, no norte da Mesopotâmia. Os arqueólogos deram o nome de Nimrud (Ninrude) à cidade por causa de Ninrode (Gn 10: 8-11). A cidade foi chamada de Calá (Kalakh) na Bíblia. Estes eram os quatro bairros da antiga Nínive, por isso, Jonas deve ter levado três dias mesmo para percorrê-la toda. Dur-Sharrukin (atual Khorsabad) significa ‘Fortaleza de Sargom’ e foi a capital da Assíria na época de Sargom II, pai de Senaqueribe. Khorsabad é uma aldeia no norte do Iraque, a quinze quilômetros a nordeste de Mossul. A grande cidade foi inteiramente construída na década anterior a 706 AC. Após a morte inesperada de Sargom na batalha, a capital foi deslocada vinte quilômetros ao sul para Nínive.


Localização de Nínive
Localização de Nínive, no Iraque (sítios arqueológicos) – Wikipédia


• Na 2: 1-2: “O destruidor sobe contra ti, ó Nínive! Guarda a fortaleza, vigia o caminho, fortalece os lombos [NVI: Prepare a resistência], reúne todas as tuas forças! (Porque o Senhor restaura a glória de Jacó, como a glória de Israel; porque saqueadores os saquearam e destruíram os seus sarmentos [NVI: as suas videiras])”.
‘O destruidor’ se refere em especial ao rei Medo, Ciáxares (Uvaxštra, em Persa antigo, transliterado como ‘Uvarkhshattra’; 625-584 AC, pai de Astíages, o avô de Ciro II), auxiliado por Nabopolassar (626-605 AC, pai de Nabucodonosor II), rei da Babilônia, e pelos citas (um grupo de tribos nômades provenientes do norte da Sibéria, perto do Mar Negro e Cáspio), que agiam com bastante destruição nas áreas invadidas, e que já estavam assolando as regiões da Assíria, da Ásia Ocidental e o Egito. No fim do século VIII AC locomoveram-se para o norte da Pérsia e para a região ao norte da Assíria (região de Urartu). Seu avanço inicial para o sudoeste foi enfrentado por Sargom II (727-705 AC) e Assurbanipal (669-627 AC).

Nínive foi embelezada em 700 AC por Senaqueribe (705-681 AC), que fez dela uma cidade magnificente. Nessa época a área total de Nínive compreendia sete quilômetros quadrados, um muro interior com cerca de doze e meio quilômetros de comprimento (circunferência) e tinha quinze grandes portões nas suas muralhas. O sistema de muralhas consistia de uma muralha de pedra de cerca de 6 metros de altura, e por cima uma parede de barro com 10 metros de altura e 15 metros de espessura. A parede de retenção de pedra tinha torres de pedra projetadas, a cada 18 metros de distância uma da outra e com grande altura. Da mesma forma que a cidade de Babilônia, as muralhas de Nínive eram espessas e permitiam que carruagens corressem em cima delas.

Cinco dos portões foram explorados pelos arqueólogos:
• Portão de Mashki (‘portão dos lugares de irrigação’ ou ‘de rega’) era talvez usado para levar o gado para a água do Tigre, que atualmente flui a um quilômetro e meio para o oeste. Foi reconstruído com tijolos até o topo da passagem abobadada. O original assírio pode ter sido rebocado e ornamentado.
• Portão de Nergal
Recebeu este nome por causa do deus Nergal (‘senhor da grande cidade’ – deus da praga, da guerra, do dilúvio e da confusão), e era talvez usado para algum propósito cerimonial, pois é o único portal conhecido com esculturas de pedra de touros alados (lamassu) em ambos os lados das paredes. A reconstrução feita no século XX é uma suposição do que poderia haver anteriormente, como foi escavado por Layard em meados do século XIX.
• Portão de Adad (ou Hadade)
Recebeu este nome por causa do deus Adad (‘o Trovejador’ – o equivalente amorreu de Baal, o deus das tempestades). Uma reconstrução foi iniciada na década de 1960 pelos iraquianos, mas não foi completada, restando apenas uma mistura de concreto e erosão do barro, que, no entanto, dá alguma idéia da estrutura original da construção assíria.


Portão Adad em Nínive
Entrada exterior do portão Adad (após restauração) – Wikipédia


• Portão de Shamash
Recebeu este nome por causa do deus-Sol. Foi escavado por Layard no século XIX. Parte da estrutura de barro e o muro de retenção de pedra foram reconstruídos na década de 1960. O muro de tijolos de barro reconstruído se deteriorou. A parede de pedra projeta-se cerca de vinte metros para fora da linha da parede principal e tem uma largura de cerca de setenta metros. É o único portão com uma projeção tão significativa. Seu tamanho e projeto (desenho) sugerem que foi o portão mais importante na época neo-assíria.
• Portão de Halzi – não se sabe o que significa este nome.
Estava localizado perto da extremidade sul da muralha leste da cidade. As escavações arqueológicas foram realizadas pela Universidade da Califórnia (1989-1990). Há uma projeção externa do muro da cidade, embora não tão pronunciada como no portão de Shamash. A passagem de entrada tinha sido estreitada com ladrilhos de barro em quase dois metros como no Portão Adad. Restos humanos da batalha final de Nínive foram encontrados na passagem.


A antiga cidade de Nínive
Plano simplificado da Antiga Nínive, mostrando a muralha da cidade e a localização dos portões (wikipedia.org)


A população da cidade na época era de 175.000 pessoas. No relato de Jonas (Jn 1: 2; Jn 3: 2; Jn 4: 11) sobre a existência de 120.000 pessoas está de acordo com a cidade de Ninrude, que tinha menos da metade das dimensões de Nínive, e abrigava 69.574 pessoas em 879 AC, quase 1 século antes da pregação de Jonas (785-750 AC). A ‘viagem de três dias’, exigida para atravessar a cidade de Nínive (Jn 3: 3), provavelmente se refere ao distrito administrativo inteiro com todos os seus bairros. Um dia de viagem (Jn 3: 4), talvez se referisse à distância desde os subúrbios do sul até o norte da cidade.

• Na 2: 3-5: “Os escudos dos seus heróis são vermelhos, os homens valentes vestem escarlata, cintila o aço dos carros no dia do seu aparelhamento, e vibram as lanças [NVI: Os seus carros de guerra reluzem quando se alinham para a batalha; agitam-se as lanças de pinho; ou ‘os cavaleiros correm de um lado para outro’ (Septuaginta e versão Siríaca)]. Os carros passam furiosamente pelas ruas e se cruzam velozes pelas praças; parecem tochas, correm como relâmpago. Os nobres [NVI: suas tropas de elite] são chamados, mas tropeçam em seu caminho; apressam-se para chegar ao muro e já encontram o testudo inimigo armado [NVI: correm para a muralha da cidade para formar a linha de proteção]”.
Naum descreve a cidade de Nínive (Na 2: 1) como uma cidade fortificada, sempre vigiada por soldados com farda vermelha, em carros de aço e armados com lanças. Os carros passavam velozmente, com furor pelas ruas e cruzando as praças, e eram tão rápidos como o relâmpago, principalmente no dia da sua invasão. A descrição acima nos faz perceber a agitação dos seus soldados ao verem o exército inimigo se aproximar das muralhas.

• Na 2: 6-9: “As comportas dos rios se abrem, e o palácio é destruído [NVI: As comportas dos canais são abertas, e o palácio desaba]. Está decretado: a cidade-rainha está despida e levada em cativeiro, as suas servas gemem como pombas e batem no peito [NVI: As jovens tomadas como escravas batem no peito; seu gemer é como o arrulhar das pombas]. Nínive, desde que existe, tem sido como um açude de águas [NVI: Nínive é como um açude antigo cujas águas estão vazando]; mas, agora, fogem. Parai! Parai! Clama-se; mas ninguém se volta [NVI: mas ninguém sequer olha para trás]. Saqueai a prata, saqueai o ouro, porque não se acabam os tesouros; há abastança de todo objeto desejável [NVI: de objetos de valor]”.
Da mesma forma que a Babilônia, a cidade de Nínive tinha um grande suprimento de água e uma riqueza muito grande (Na 2: 7-9). Senaqueribe construiu um magnífico canal (aqueduto) que trazia água de uma represa no rio Gomel (quarenta e oito quilômetros ao norte), e controlou a entrada de água do rio Khosr (Khasr), que atravessava a cidade, construindo outra represa em Ajeila, mais a leste (fonte: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova). A wikipedia.org escreve: “Um elaborado sistema de dezoito canais trazia água das colinas para Nínive, e várias seções de um aqueduto magnificamente construído por Senaqueribe foram descobertas em Jerwan, a 65 quilômetros de distância”.

O palácio de Senaqueribe tinha uma dimensão total de 503 metros, e tinha, pelo menos, oitenta salas, muitas das quais eram preenchidas por esculturas. Inúmeros tabletes com escrita cuneiforme foram encontrados ali. As principais entradas tinham de cada lado das portas figuras gigantescas de pedras com cerca de 30 toneladas de peso, entre elas, os leões alados ou touros alados com cabeça de homem, que não só serviam como adorno nas paredes e portas dos templos, mas eram achados aos pares (de leões ou touros alados), servindo também como guardas postos na entrada dos templos mesopotâmicos. Em alguns escritos, é ele retratado para representar uma deidade feminina. Um nome menos usado é shedu (Sumério: dalad; Acadiano, šēdu) que se refere à contraparte masculina de um lamassu. Grandes figuras de lamassu de até quase seis metros de altura podem ser vistas na escultura assíria. Artisticamente, lamassus foram retratados como híbridos, com corpos de touros alados ou leões e cabeças de machos humanos, como símbolo do poder. Eram inicialmente espíritos protetores domésticos do povo comum da Assíria e Babilônia, tornando-se mais tarde como protetores dos reis; por isso foram colocados como sentinelas nas entradas dos palácios.


Lamassu – um touro alado
Um lamassu (um touro alado)

A cabeça de um Lamassu

Cabeça de um Lamassu encontrado por arqueólogos iranianos no montículo Nabī Yūnus (‘Profeta Jonas’) nas ruínas de Nínive, na entrada de um antigo edifício assírio (Foto 1990) – Wikipédia

Esses leões, esculpidos nas pedreiras, eram transportados para os palácios reais de Nínive e elevados a uma altura de vinte metros, através de uma rampa. As paredes e muros do novo palácio de Senaqueribe eram decorados com relevos que descreviam suas vitórias, incluindo o cerco de Laquis (2 Rs 18: 13-14; 17; Mq 1: 13; Is 10: 28-32 – descreve a marcha de Senaqueribe até Jerusalém). Laquis estava situada na área agrícola mais fértil de Judá (Sefelá); por isso, era de vital importância para a economia do reino. Foi completamente destruída. O cerco contra Ezequias, em Jerusalém, está registrado num prisma de argila (Prisma de Taylor), encontrado em 1830. O tributo recebido de Ezequias foi enviado a Nínive: 300 talentos de prata e 30 de ouro, mais a prata que se achou na Casa do Senhor e nos tesouros da casa do rei, e o ouro que foi removido das portas e das ombreiras do templo (2 Rs 18: 14-16).

O Prisma de Taylor que está no Museu Britânico foi descoberto pelo coronel Robert Taylor (1790-1852), um arqueólogo, em 1830 em Nínive, mas há mais dois prismas com inscrições cuneiformes em Acadiano dos anais de Senaqueribe: um no Instituto Oriental de Chicago e outro no Museu de Israel em Jerusalém. São prismas de argila inscritos com o mesmo texto, de formato hexagonal e feitos de argila vermelha cozida, medindo 38 cm de altura e 14 cm de largura. Foram criados no reinado de Senaqueribe em 689 (o de Chicago) e 691 AC (os de Londres e Jerusalém). São os relatos de Senaqueribe sobre sua campanha contra o Reino de Israel e o Reino de Judá, e algumas passagens estão em concordância com o texto bíblico de 2 Reis 18–19: o ataque a Samaria e a deportação dos habitantes, o ataque a Laquis (dentre as 46 cidades fortificadas de Judá) e o tributo pago por Ezequias. Também relata o cerco de Jerusalém, onde o rei assírio descreve Ezequias como um ‘pássaro engaiolado’, mas não fala sobre nenhuma captura de Jerusalém. O cilindro fala algo que não está na bíblia: que Ezequias ainda deu para Senaqueribe como um presente: antimônio, jóias, móveis incrustados de marfim, suas próprias filhas, harém e músicos e que se tornou seu tributário. O rei assírio menciona 200.150 pessoas cativas.


Prisma de Taylor
Prisma de Taylor – em Londres (Wikipédia)

Sefelá
Sefelá, região agrícola de Israel na planície costeira

Sefelá
Sefelá, região agrícola de Israel na planície costeira (vista de outro ângulo)

Laquis
Laquis – portão principal do sítio arqueológico em Israel (Wikipédia)


Assurbanipal (669-627 AC), o neto de Senaqueribe, fez de Nínive sua residência principal. Nas escavações feitas por Layard e Rassem (1845-1854), foram encontradas as bibliotecas de Assurbanipal e do templo de Nabu, com 25.000 tabletes inscritos, um deles com o relato babilônico sobre o Dilúvio, em 1872. No reinado de Assurbanipal, a Assíria adquiriu a maior extensão territorial, embora em 663 AC tenha começado a mostrar sinais de fraqueza, e tenha sido atacada pelos Medos nesta época. Nínive foi atacada novamente em 625 AC pelos Medos, que se aliaram aos Caldeus.


Tablete com escrita cuneiforme
Fragmento de uma tábua de argila da biblioteca de Assurbanipal
em Nínive com um relato assírio do Dilúvio (crystalinks.com)


Voltando a Naum (Na 2: 6-9): “As comportas dos rios se abrem, e o palácio é destruído [NVI: As comportas dos canais são abertas, e o palácio desaba]. Está decretado: a cidade-rainha está despida e levada em cativeiro, as suas servas gemem como pombas e batem no peito [NVI: As jovens tomadas como escravas batem no peito; seu gemer é como o arrulhar das pombas]. Nínive, desde que existe, tem sido como um açude de águas [NVI: Nínive é como um açude antigo cujas águas estão vazando]; mas, agora, fogem. Parai! Parai! Clama-se; mas ninguém se volta [NVI: mas ninguém sequer olha para trás]. Saqueai a prata, saqueai o ouro, porque não se acabam os tesouros; há abastança de todo objeto desejável [NVI: de objetos de valor]”.

Como eu falei anteriormente, a cidade de Nínive (da mesma forma que a Babilônia) tinha um grande suprimento de água e uma riqueza muito grande. Senaqueribe construiu um magnífico aqueduto que trazia água de uma represa a quarenta e oito quilômetros ao norte da cidade, e controlou a entrada de água do rio Khosr (Khasr), que atravessava a cidade, construindo outra represa em Ajeila, mais a leste.

‘As comportas dos rios se abrem, e o palácio é destruído [NVI: As comportas dos canais são abertas, e o palácio desaba]’ – ao atacarem a cidade, os Medos, os Babilônios e os Citas (um grupo de tribos nômades provenientes do norte da Sibéria, perto do Mar Negro e Cáspio, que agiam com bastante destruição nas áreas invadidas) romperam as comportas a fim de que as águas do rio transbordassem, e a seguir entraram na cidade para destruir o palácio. Assim, a cidade caiu como resultado de brechas de quatro quilômetros e meio feitas nos muros pelas águas do rio que inundou (Na 2: 6-8). Houve guerra séria, incêndios em quase todas as cidades do império assírio, e os habitantes de Nínive que não puderam escapar para as últimas fortalezas assírias no oeste foram massacrados ou deportados. Muitos esqueletos não enterrados foram encontrados por arqueólogos naquele sítio durante as escavações feitas no século dezenove. Nínive foi arrasada até o chão. Naum dá uma descrição do momento da guerra e de sua destruição (Na 2: 10; 13; Na 3: 2-3; 7; 12-13; 18-19).

‘Parai! Parai! Clama-se; mas ninguém se volta’ – isso estava sendo falado para os que tentavam fugir da destruição.
‘Saqueai a prata, saqueai o ouro, porque não se acabam os tesouros; há abastança de todo objeto desejável’ – essa era a ordem dada pelos comandantes aos seus soldados.

• Na 2: 10: “Ah! Vacuidade, desolação, ruína! [NVI: Devastação! Destruição! Desolação!] O coração se derrete, os joelhos tremem, em todos os lombos há angústia [NVI: os joelhos vacilam, todos os corpos tremem], e o rosto de todos eles empalidece”.
Naum dá um resumo da guerra. Tudo o que sobrou de Nínive foi devastação e destruição. Todos os sobreviventes estão desolados, angustiados e com medo.

• Na 2: 11-12: “Onde está, agora, o covil dos leões e o lugar do pasto dos leõezinhos, onde passeavam o leão, a leoa e o filhote do leão, sem que ninguém os espantasse? O leão arrebatava [NVI: caçava] o bastante para os seus filhotes, estrangulava a presa para as suas leoas, e enchia de vítimas as suas cavernas, e os seus covis, de rapina [NVI: enchia as suas covas de presa se as suas tocas de vítimas]”.

Como foi dito em Na 1: 14-15 a Assíria e Nínive, em especial, se enriqueceram muito através das suas guerras, pois todos os despojos eram levados para a grande cidade, e dados, em primeiro lugar, aos seus gananciosos sacerdotes, que estimulavam as campanhas de conquista. Era uma nação cuja principal ocupação era a guerra. Seus reis também tinham uma maneira bem cruel de tratarem os prisioneiros e isso ficou registrado em muitos relevos nas paredes e em tabletes encontrados no palácio de Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal. Os assírios eram conhecidos por decapitar os povos vencidos, fazendo pirâmides com seus crânios; também crucificavam ou empalavam os prisioneiros, arrancavam seus olhos e os esfolavam vivos.

Por isso, Naum diz: “O leão arrebatava [caçava] o bastante para os seus filhotes, estrangulava a presa para as suas leoas, e enchia de vítimas as suas cavernas, e os seus covis, de rapina”. A avidez de conquista dos reis os levava à guerra, e esta trazia os despojos para eles (‘os leões’), para as rainhas, concubinas e senhoras da corte assíria (‘as leoas’), para o príncipe herdeiro (o filhote do leão) e para os demais príncipes (‘leõezinhos’). Eles realizavam suas atrocidades e ninguém os repreendia; todos saíam impunes (‘sem que ninguém os espantasse’). A corrupção do clero e da corte, com seus nobres, era um verdadeiro covil de leões, onde os pobres e indefesos eram despedaçados. Os habitantes cruéis de Nínive não ficavam atrás; seguiam o exemplo dos líderes.
O profeta pergunta agora, depois da destruição: “Onde está, agora, o covil dos leões e o lugar do pasto dos leõezinhos, onde passeavam o leão, a leoa e o filhote do leão, sem que ninguém os espantasse?” Onde está a confiança deles agora que o Senhor destruiu tudo?

• Na 2: 13: “Eis que eu estou contra ti, diz o Senhor dos Exércitos; queimarei na fumaça os teus carros, a espada devorará os teus leõezinhos, arrancarei da terra a tua presa, e já não se ouvirá a voz dos teus embaixadores [NVI: seus mensageiros]”.
O profeta termina com uma palavra de afirmação de Deus de que tudo o que foi dito vai se cumprir à risca: incêndio, morte de príncipes, embaixadores e nobres da corte, e libertação de prisioneiros que ali estavam (‘arrancarei da terra a tua presa’), uma vez que Isaías fala sobre retorno dos exilados judeus que haviam ficado na Assíria; ou nenhuma outra nação seria invadida por eles para servir como seus escravos. ‘Já não se ouvirá a voz dos teus embaixadores [NVI: seus mensageiros]’ significa que não mais seriam ouvidas as vozes dos embaixadores assírios nas províncias, transmitindo as ordens do seu rei e exigindo impostos dos seus súditos.

O descendente de Assurbanipal foi Sinsariscum (ou Sin-shar-ishkun; Sîn-šarru-iškun – 628-612 AC), um dos seus filhos, e nesta época se deu a queda da cidade. Isso aconteceu graças à aliança entre o rei dos Medos, Ciáxares (Uvaxštra – em Persa antigo; transliterado como ‘Uvarkhshattra’ ou ‘Hovakhshatra’; 625-584 AC, pai de Astíages, o avô de Ciro II), e Nabopolassar (626-605 AC, pai de Nabucodonosor II), rei da Babilônia, com a ajuda dos citas. Ela caiu como resultado de brechas de 4,5 km feitas nos muros pelas águas do rio que inundou (Na 2: 6-8), provavelmente provocada por ocasião do cerco. Houve guerra séria, incêndios em quase todas as cidades do império assírio, e os habitantes de Nínive que não puderam escapar para as últimas fortalezas assírias no oeste foram massacrados ou deportados. Muitos esqueletos não enterrados foram encontrados por arqueólogos naquele sítio durante as escavações feitas no século dezenove. Nínive foi arrasada até o chão. O Império Assírio então acabou; e os Medos e os Babilônios dividiram suas províncias entre si. Naum dá uma descrição de sua destruição (Na 2: 10; 13; Na 3: 2-3; 7; 12-13; 18-19). Sinsariscum morreu no incêndio, durante a invasão pelos Medos. Mas sua família escapou. O último rei da Assíria (Assurubalite II, 612-608 ou 605 AC, que não se sabe se ele é filho ou irmão de Sinsariscum) foi praticamente um fantoche nas mãos dos Babilônios. Em 401 AC, Nínive já era uma ruína.
Sofonias também faz uma referência a isso (Sf 2: 13-15), quando escreve: “No meio desta cidade, repousarão os rebanhos e todos os animais em bandos [NVI: todo tipo de animais selvagens]... Como se tornou em desolação, em pousada de animais!” Esta profecia foi literalmente cumprida, pois atualmente só se encontram ovelhas no local.

Capítulo 3 – A ruína completa de Nínive

• Na 3: 1-3: “Ai da cidade sanguinária, toda cheia de mentiras [NVI: fraudes] e de roubo e que não solta a sua presa! [NVI: sempre fazendo as suas vítimas]. Eis o estalo de açoites e o estrondo das rodas; o galope de cavalos e carros que vão saltando [NVI: o sacudir dos carros de guerra]; os cavaleiros que esporeiam, a espada flamejante, o relampejar da lança [NVI: Cavaleiros atacando, espadas reluzentes e lanças cintilantes] e multidão de traspassados, massa de cadáveres, mortos sem fim; tropeça gente sobre os mortos”.

Como comentei no início do estudo, Nínive era uma cidade sanguinária (pois vivia da guerra e de seus despojos), cheia de mentiras e de roubo e de prostituição espiritual pela infinidade de deuses com os quais ela corrompia as outras nações; ‘mestra de feitiçarias’, que desencaminhava muitos povos (Na 3: 4); cidade mercantilista (Na 3: 16), gananciosa e insaciável, que devorava o que via pela frente (Na 3: 17). O Egito foi uma nação que incentivou muito esse tipo de divulgação da idolatria assíria; a deusa Nina ou Istar foi uma das deusas envolvidas nesse intercâmbio idólatra.

Talvez, por isso, Naum diz ‘que não solta a sua presa’ ou ‘sempre fazendo as suas vítimas’ (NVI); vítimas da sua violência física e da sua idolatria. Os deuses assírios eram praticamente os mesmos do panteão babilônico: Istar (deusa da fertilidade, do amor e da guerra), Nebo (Nabu; deus da ciência e da erudição ou escrita), Anu (deus do céu), Adade (ou Hadade, ‘o Trovejador’ – o equivalente amorreu de Baal, o deus das tempestades), Sin (Sîn – o deus lua), Shamash (nome posterior de Utu, o deus sol, o deus da justiça, moralidade e verdade), Enki (‘Senhor das águas profundas’, o deus da sabedoria), Nergal (deus do submundo, portanto, senhor das pragas, das febres e das enfermidades; deus da guerra, do dilúvio e da confusão); Assur era o deus nacional (o equivalente assírio de Enlil, o deus babilônico do vento, do ar, da terra e das tempestades). Havia outros: Ninurta (deus da guerra e da caça; da lei, dos escribas; da lavoura); Gula (ou Nintinugga, deusa babilônica da cura); Damkina [‘verdadeira esposa’, também chamada de Dam-gal ou Damgalnuna, ‘a grande esposa do príncipe’; ou Ninmah, ‘a grande esposa da terra e do céu’ ou ‘Grande rainha’. Ela era esposa de Enki]; Tamuz (ou Dumuzid, equivalente do deus grego Adônis; ele era o deus mesopotâmico dos pastores, e estava associado com o crescimento das plantas); Nisroque (possivelmente, o deus da agricultura).

Os demais versículos contam os detalhes da batalha: ‘o estalo de açoites, o estrondo das rodas, o galope de cavalos e carros, os cavaleiros que esporeiam, a espada flamejante, o relampejar da lança [NVI: Cavaleiros atacando, espadas reluzentes e lanças cintilantes] e multidão de traspassados, massa de cadáveres, mortos sem fim; tropeça gente sobre os mortos’.

• Na 3: 4-7: “Tudo isso por causa da grande prostituição da bela e encantadora meretriz, da mestra de feitiçarias, que vendia [NVI: que escravizou] os povos com a sua prostituição e as gentes, com as suas feitiçarias. Eis que eu estou contra ti, diz o Senhor dos Exércitos; levantarei as abas de tua saia sobre o teu rosto, e mostrarei às nações a tua nudez, e aos reinos, as tuas vergonhas. Lançarei sobre ti imundícias, tratar-te-ei com desprezo e te porei por espetáculo [NVI: farei de você um exemplo]. Há de ser que todos os que te virem fugirão de ti e dirão: Nínive está destruída; quem terá compaixão dela? De onde buscarei os que te consolem?”
O Senhor explica o porquê da Sua ira e da severidade do Seu julgamento: a idolatria que corrompia as mentes das pessoas e matava aos poucos os prisioneiros do engano.

• ‘levantarei as abas de tua saia sobre o teu rosto, e mostrarei às nações a tua nudez, e aos reinos, as tuas vergonhas’ – tudo viria à luz para que todo mundo visse o que se praticava ali e como Deus poderia punir todo aquele que os imitasse em suas obras malignas.
• ‘Lançarei sobre ti imundícias, tratar-te-ei com desprezo e te porei por espetáculo [NVI: farei de você um exemplo]’ – seus ídolos seriam quebrados e suas corrupções e imoralidades cessariam, e essa destruição seria um exemplo para outras nações.
• ‘Há de ser que todos os que te virem fugirão de ti e dirão: Nínive está destruída; quem terá compaixão dela? De onde buscarei os que te consolem?’ – mostra a extensão da destruição. A ruína de Nínive foi tão completa que até mesmo a sua localização ficou esquecida por muitos séculos.

• Na 3: 8: “És tu melhor do que Nô-Amom [NVI: Tebas], que estava situada entre o Nilo e seus canais, cercada de águas, tendo por baluarte o mar e ainda o mar, por muralha? [NVI: O rio era a sua defesa; as águas, o seu muro]”.

Tebas ou Nô-Amom (a cidade do deus Amom – em egípcio, n’iw(t)-’Imn) era uma cidade do Alto Egito, ao oriente do Nilo, mencionada junto com outras cidades importantes do Egito, como nos escritos de Ezequiel (Ez 30: 14: Zoã, Tebas e Patros – como era conhecido o Alto Egito e Cuxe ou Etiópia). Nô corresponde ao termo egípcio n’iw(t), ‘a cidade’. Amom (em egípcio, Amun) significa ‘o oculto’, muitas vezes associado ao vento, mas na maioria das vezes, sua natureza é desconhecida. Muitas vezes é chamado de Amom-Re‘ por sua união com o deus cósmico Rá (Re‘ ou Atom, o deus-sol). Durante as dinastias XVIII-XX (1570-1085 AC), Amom foi o deus oficial, o ‘rei dos deuses’. Neste período os tesouros da Ásia e da África se derramaram nos cofres de Tebas. Ela caiu em poder dos assírios em 661 AC, sob Assurbanipal, após três anos de cerco, em meio ao incêndio e à matança; portanto, ao predizer a queda de Nínive, a comparação com a queda de Tebas não poderia ser melhor. No século VII DC, Tebas foi reconstruída pelos árabes e recebeu o nome de Luxor (também conhecida como Carnaque).
Em Zoã (Tânis), no Baixo Egito (no delta egípcio), estavam os maiores conselheiros e príncipes de Faraó (Is 19: 11; 13; Is 30: 14).

Outras cidades importantes do Baixo Egito eram:
• Aváris, que foi destruída quando os hicsos foram derrotados por Kamósis (17ª dinastia), e reconstruída mais tarde por Ramessés II, que a rebatizou de Pi-Ramessés ou Per-Ramessés (Casa de Ramessés), e fez da cidade a nova capital de seu reinado.
• Mênfis (em egípcio, Mn-nrf; em hebraico, Nõph ou Mõph; Os 9: 6; Jr 2: 16; Jr 46: 14; 19; Ez 30: 13; 16). Os deuses principais de Mênfis eram Ptá, Sekmet, Sokar e Nefertem. O nome de seu grande templo, Hwt-k’-Pth ou Hut-ka-Ptah, ‘mansão do Ka de Ptá’ (Ka = alma), é a origem do nome ‘Egito’, em grego, Aί-γυ-πτoς (Ai-gy-ptos). Ptá é o deus dos artesãos e arquitetos. Os escritores antigos descrevem o templo naquele lugar onde era conservado vivo o boi Ápis (o touro de Mênfis). Durante o novo império (1070-657 AC), por causa da imigração de asiáticos, outros deuses estrangeiros passaram a ser adorados como Cades (ou Qetesh, deusa Egípcia e Cananita da fertilidade), Astarte e Baal na cidade de Mênfis.
• Om (ou ‘Heliópolis’, em grego, a ‘Cidade do Sol’) – Jeremias (Jr 43: 13) se refere a ela com o nome de Bete-Semes; e Ezequiel (Ez 30: 17) faz um jogo de palavras entre Om e Áven. Om (em egípcio, Twnw; em grego, Heliópolis) foi o grande centro da adoração ao sol no Egito, onde o deus-sol Rá (ou Re‘ ou Atom) recebia honra especial.
• Pi-Besete (em hebraico; Ez 30: 17) ou Bubástis ou Per-Bast (em egípcio, Pr-B’stt), significa ‘habitação da Deusa Bastet’. Bastet ou Ailurus (palavra grega para ‘gato’) era a deusa da fertilidade, protetora das mulheres, e que também representava o sol (Rá). Também ficava no Baixo Egito, próxima ao delta.

Todas elas eram cidades de muita idolatria.
Naum continua dizendo: ‘Nô-Amom estava situada entre o Nilo e seus canais, cercada de águas, tendo por baluarte o mar e ainda o mar, por muralha [NVI: O rio era a sua defesa; as águas, o seu muro]’.
Os faraós das dinastias XXI-XXV (1070-657 AC) construíram fortalezas à beira mar, isto é, a 1ª linha de defesa do Egito, usando os canais de irrigação e drenagem do leste do delta nos estuários do Nilo, além de defesas através da estrada vinda da Palestina, por isso, Naum escreveu que a cidade tinha o mar por muralha: o mar (se referindo ao próprio Nilo) e o Mar Mediterrâneo, onde na região a leste do delta havia as fortalezas na costa. Na época, o Nilo desembocava no mar por sete canais. Essa proteção estava adicionada à grande distância de Tebas rio acima, que os invasores tinham que percorrer até chegarem a ela.
‘Entre o Nilo e seus canais’ se refere à distância entre o delta e o Nilo rio acima até chegar a Tebas, no Alto Egito.
Outros profetas proferiram julgamento contra Tebas e outras cidades egípcias (Jr 46: 25; Ez 30: 14-16).

• Na 3: 9-10: “Etiópia e Egito eram a sua força, e esta, sem limite; Pute e Líbia, o seu socorro [NVI: estavam entre os seus aliados]. Todavia, ela foi levada ao exílio, foi para o cativeiro; também os seus filhos foram despedaçados nas esquinas de todas as ruas; sobre os seus nobres lançaram sortes [NVI: ‘Lançaram sortes para decidir o destino dos seus nobres’; no original: ‘homens honrados’], e todos os seus grandes foram presos com grilhões”.
A destruição de Tebas (Na 3: 8-10) causou um reflexo na Etiópia, que também veio a cair, cumprindo a profecia de Isaías 20: 2-6. Mais tarde, foi absorvida pelo império persa: Et 1: 1; Et 8: 9.
Os habitantes de Tebas também foram levados ao exílio pelos assírios, e depois foi feita prisioneira por Nabucodonosor (Jr 43: 8-13; Jr 46: 25).
‘Seus nobres lançaram sortes’ (cf. Jl 3: 3) – diz respeito ao costume de lançar sortes para dividir os prisioneiros de guerra entre os conquistadores.
‘Também os seus filhos foram despedaçados nas esquinas de todas as ruas’ – o profeta diz a Nínive o que os assírios haviam feito com os habitantes de Tebas.
Etiópia, Pute e Líbia – Jr 46: 9; Ez 30: 4-5 (Essas nações cairiam diante de Nabucodonosor).

• Na 3: 11-13: “Também tu, Nínive, serás embriagada e te esconderás; também procurarás refúgio contra o inimigo. Todas as tuas fortalezas são como figueiras com figos temporãos [NVI: figos maduros]; se os sacodem, caem na boca do que os há de comer [NVI: caem em bocas vorazes]. Eis que as tuas tropas, no meio de ti, são como mulheres; as portas do teu país estão abertas de par em par aos teus inimigos; o fogo consome os teus ferrolhos”.
Nínive também ficará embriagada pelo cálice da ira de Deus. Tentará fugir do inimigo, mas não conseguirá. As suas fortalezas estão frágeis como figos maduros, as suas tropas estão se sentindo impotentes e fracas, e os limites do império (‘as portas do teu país’) estão á mercê dos Medos, Babilônios e Citas. O profeta diz que tudo está queimado.

• Na 3: 14: “Tira água para o tempo do cerco, fortifica as tuas fortalezas, entra no barro e pisa a massa, toma a forma para os ladrilhos [NVI: a argamassa, prepare a forma para os tijolos]” – ou seja, um aviso para se preparar para o combate, para a invasão, fortificando as muralhas. Entretanto, nada do que eles fizeram vai poder livrá-los.

• Na 3: 15-16: “No entanto, o fogo ali te consumirá, a espada te exterminará, consumir-te-á como o gafanhoto [NVI: como gafanhotos devastadores]. Ainda que te multiplicas como o gafanhoto e te multiplicas como a locusta [NVI: gafanhotos peregrinos]; ainda que fizeste os teus negociantes mais numerosos do que as estrelas do céu, o gafanhoto devorador invade e sai voando [NVI: Você multiplicou os seus comerciantes, tornando-os mais numerosos que as estrelas do céu; mas como gafanhotos devastadores, eles devoram o país e depois voam para longe]”.
O fogo trará destruição e a espada, a morte. Mesmo que os comerciantes se multiplicassem para continuar dando lucro a ela, os inimigos ficarão com suas riquezas e ‘voarão’ para longe, levando tudo.

• Na 3: 17-18: “Os teus príncipes são como os gafanhotos [NVI: são como gafanhotos peregrinos], e os teus chefes [NVI: oficiais], como os gafanhotos grandes [NVI: enxames de gafanhotos], que se acampam nas sebes nos dias de frio; em subindo o sol, voam embora, e não se conhece o lugar onde estão [NVI: ninguém sabe para onde]. Os teus pastores [ou ‘seus governantes’] dormem, ó rei da Assíria; os teus nobres dormitam; o teu povo se derrama pelos montes, e não há quem o ajunte”.
Seus generais e oficiais do exército (chefes de tropas) fugiram, os príncipes e conselheiros, ministros de estado e magistrados (pastores) estão desorientados, alheios à suas obrigações, e o povo está disperso, sem ninguém para ajuntá-los.

• Na 3: 19: “Não há remédio para a tua ferida; a tua chaga é incurável [NVI: é mortal]; todos os que ouvirem a tua fama baterão palmas sobre ti [NVI: pela sua queda]; porque sobre quem não passou continuamente a tua maldade? [NVI: pois, quem não sofreu por sua crueldade sem limites?]”.
O profeta termina dizendo que a destruição é tão completa e definitiva que não tem mais jeito, nem cura, nem solução. Quem souber da sua queda se alegrará, pois todos os povos sofreram com sua maldade (cf. Sf 2: 13-15).

Conclusão:

Ao falar de Naum, nós estamos falando do zelo do Senhor pelo Seu povo, apesar do seu pecado, punindo também aqueles que zombam do seu sofrimento e do Seu zelo pela Sua própria santidade, pois quando Seus escolhidos cometem iniqüidades e atrocidades, Seu nome santo é envergonhado. O que Ele pede de nós é a humildade e a verdadeira adoração. Dessa forma, o profeta deve ser um instrumento de zelo do Senhor onde há pecado, irreverência, abominação, falta de temor e desconhecimento do Deus verdadeiro. Não deve permitir que o mundo o influencie ou que as coisas do maligno e da carne o seduzam e o desviem da verdade, pois tudo isso deixa uma mácula no nosso espírito e fere o Espírito Santo que está em nós. Devemos saber que o amor e a misericórdia do Senhor estarão sempre disponíveis para todos aqueles que se arrependem sinceramente do seu erro e que a Sua restauração é completa, removendo de nós toda a acusação do inimigo. É Ele que nos justifica perante os que nos humilharam e nos eleva perante os que desejaram nos ver cair. Quando estamos no centro da Sua vontade, Sua proteção e a Sua justiça estão sobre nós. Devemos interceder como Habacuque por aqueles que estão no erro, mas não carregar o fardo pelos seus pecados e pela sua rebeldia e idolatria. Quando o pecador rejeita a correção através da boca do intercessor e do profeta, é hora de parar de orar e deixar a vontade soberana de Deus entrar em ação para disciplinar, convencer do erro, do pecado, da justiça, do juízo e, assim, vindicar Sua própria santidade.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 2º volume do livro:


livro evangélico: Os profetas menores

Os profetas menores vol. 1

Os profetas menores vol. 2

Os profetas menores vol. 3

The minor prophets vol. 1

The minor prophets vol. 2

The minor prophets vol. 3

▲ Início  

relacionamentosearaagape@gmail.com