Estudo sobre o casamento estabelecido por Deus; celibato; divórcio e um segundo casamento; o vínculo do casamento; as viúvas e as mulheres na Antiguidade.

Study on marriage as established by God; celibacy; divorce and a second marriage; the bond of marriage; widows and women in Antiquity.


Estudo sobre casamento



Como o casamento foi estabelecido por Deus

A mulher foi criada para ser uma auxiliadora do homem e andar em interdependência com ele. Deus lhe deu uma sensibilidade maior às coisas espirituais, por isso tem maior capacidade de influência que o homem. Também precisa ser ensinada e orientada por ele. Na época da criação do homem e da mulher havia diálogo entre Adão e Eva, por isso o relacionamento era harmonioso.

• Gn 2: 24: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”.
• Mt 19: 4-6: “Então, respondeu ele: não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”.

Jesus deu enfoque ao fato de Deus ter unido, assim como falou claramente sobre a instituição do matrimônio legal aqui na terra, (monogâmico: 1 Co 7: 1-6; Tt 1: 6), abençoado por Ele diante dos homens. Deus criou a mulher para andar em condições de igualdade com o homem, mas com a Queda o projeto inicial de Deus faliu.

Autoridade, submissão e cobertura

Paulo fala em Ef 5: 24-25: “Como, porém, a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela”. E no versículo 31 ele repete o que Jesus disse: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne”.

Os maridos devem tratar a esposa com dignidade, segundo a Palavra (1 Pe 3: 7). Isso fará com que ela lhe seja submissa, espontaneamente, através do amor, além do que essa união amorosa facilitará a oração do casal diante do trono de Deus.

No dicionário de língua portuguesa, ‘autoridade’ significa: direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões, de agir, de fazer respeitar as leis; domínio, jurisdição, competência indiscutível em determinado assunto, sabedoria e experiência nas coisas espirituais.

Voltando um pouco para Gn 1: 26-30, nós podemos ver melhor o que significa autoridade e submissão:
“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele o domínio [Em hebraico = ‘dominem eles’ (nota NVI)] sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isto vos será para mantimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez”.

Deus fez o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança e lhes deu domínio sobre toda a criação, isto é, sobre todos os vegetais e animais da terra, ou seja, ao homem foi dada autoridade para sujeitar todas as coisas a si, entretanto, não falou que isso teria que ser feito com crueldade. Também não lhe deu o domínio sobre outro ser humano, como depois veio a existir pela deturpação da sua carne. Quando dizemos que não temos poder sobre outra pessoa estamos dizendo que não temos o direito de posse sobre a alma dela, oprimindo-a e fazendo dela o que queremos. Se somos líderes temos o dever de respeitar, honrar e ajudar os que estão abaixo de nós. E se estamos em submissão a alguém, devemos respeitar também os que nos lideram.

O Senhor usou os verbos dominar e sujeitar. Domínio significa: senhorio, governo; sujeitar significa: dominar, subjugar, manter a ordem pelo exercício da autoridade. A palavra autoridade foi distorcida na sua essência, transformando-a de direção e proteção em cativeiro; e a submissão, ao invés de ter implícita a força no ato de sustentar uma missão, passou a ser sinônimo de ser capacho e escravidão à carne de alguém.

Submissão implica sustentar uma missão, ou seja, sustentar a direção dada por Deus ao homem em relação a tudo, inclusive a família. Portanto, se o homem não ouvir a Deus e negligenciar sua posição de ‘cabeça’ da família, de ‘teto de sua própria casa’, a família perece, a casa fica sem ‘telhado’ e o alicerce, que é a mulher, fica sem cobertura (fica desprotegida).

Cobertura pode ser entendida como: proteção, apoio, suporte. A cobertura do homem sobre a esposa é no âmbito físico e emocional. Mas no âmbito espiritual, essa cobertura vem de Deus apenas. Só o sangue de Jesus pode nos cobrir, nos justificar dos nossos pecados e nos libertar das ciladas do diabo.

Celibato

O casamento é um chamado de Deus, para o homem ou para a mulher, da mesma forma que permanecer solteiro também o é, dependendo da Sua escolha soberana e do livre-arbítrio humano.

O conceito de celibato foi discutido por Jesus em Mt 19: 11-12 quando diz: “Nem todos estão aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita”.

O que Ele queria dizer é que o celibato (permanecer solteiro) voluntário como uma consagração pessoal e total para Sua obra não é para todos, assim como uma separação total do trabalho secular.

Paulo foi um caso de celibato, pelo visto voluntário, por escolha pessoal:
• 1 Co 7: 8-9; 32-34a e 35: “E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bem se permanecessem no estado em que também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado... O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar a esposa, e assim está dividido... Digo isto em favor dos vossos próprios interesses; não que eu pretenda enredar-vos, mas somente para o que é decoroso [honroso, sincero, decente] e vos facilite o consagrar-vos, desimpedidamente, ao Senhor”.

Jeremias foi outro caso de celibato, só que determinado por Deus (Jr 16: 2: “Não tomarás mulher, não terás filhos nem filhas neste lugar”). Para um judeu, que tem a instituição familiar como algo forte e como um sinal da bênção de Deus sobre si, receber a ordem do próprio Criador para não casar deve ter sido um grande fardo sobre Jeremias, quase que uma maldição, mas esta atitude era necessária para poder desempenhar o ministério para o qual foi chamado. Além disso, era uma atitude protetora de Deus em relação ao profeta, pois muitas famílias em Israel seriam destruídas pelo jugo babilônico, inclusive a de Jeremias, e ele também sofreria com isso. Por aí, podemos ver os conflitos existentes na sua personalidade. Por muitos, ele foi chamado “o profeta chorão”. Talvez, sua solidão e suas carências, além de sua grande responsabilidade, o tenham feito sentir a sensação de viver um grande fardo, ao invés de uma vida prazerosa, apesar das dificuldades inerentes a ela. Para ele, o mundo deve ter parecido bem hostil. Apenas a força de Deus sobre ele e sobre o seu chamado deve tê-lo feito superar sua missão.

Tanto para Paulo como para Jeremias, isso nada tinha a ver com a lei do Nazireado descrita por Moisés, pois os três Nazireus (separados para o Senhor) vitalícios descritos na bíblia (Samuel, Sansão e João Batista) tiveram a liberdade de se casar, se quisessem. Samuel se casou e teve dois filhos: Joel e Abias. Sansão teve várias mulheres (embora um casamento legal apenas) e João Batista não se casou.

As viúvas

As viúvas eram desprezadas pelos homens, por isso Deus demonstrava cuidados especiais por elas especialmente se não tivessem filhos: Dt 25: 5 (levirato), Êx 22: 22 (não oprimi-las), Dt 14: 29 (participar dos dízimos), Dt 16: 11 e 14 (participar das festas) e Dt 24: 17 (não extorqui-las). Elas tinham muita necessidade de proteção.

As condições da mulher no AT/NT

Em decorrência da Queda, Deus tentou resgatar com o homem o seu relacionamento com Ele, por isso fez alianças, principalmente através de Moisés, dando ao povo as Suas leis. Pelas leis hebraicas percebemos que a mãe de família deveria ser honrada (Êx 20: 12), respeitada (Lv 19: 3) e obedecida (Dt 21: 18); daria nome aos filhos e seria responsável por sua educação primária (Gn 29: 32b; 33b; 34b; 35b; Gn 30: 6; 8; 11; 13; 20; 21; 23-24; Gn 35: 18; Gn 38: 4). Freqüentava os cultos de adoração (Lc 2: 36-38) e levava suas ofertas para sacrifícios. O voto de Nazireado também podia ser assumido pela mulher, ao procurar dedicar-se especialmente à adoração a Deus (Nm 6: 2). Estava isenta do trabalho no sábado (Êx 20: 10) e, se fosse vendida como escrava, tinha de ser alforriada com o homem no 7º ano (Dt 15: 12). Se não houvesse herdeiros masculinos em sua casa, a mulher poderia herdar e tornar-se proprietária de terras com todos os direitos legais (Nm 27: 8; Nm 36: 1-13). Mulheres como Miriã (Êx 15: 20), Débora (Jz 4: 4) e Hulda (2 Cr 34: 21-22) tiveram uma relação pessoal direta com Deus. Não só no AT isso era verdade, mas também no NT, como é o caso da profetisa Ana (Lc 2: 36-38), quando Jesus foi apresentado no templo, passados os dias da purificação de Maria segundo a lei de Moisés (Lv 12: 1-8): 40 dias para o caso de filho homem e 80, no caso do bebê ser uma menina.

Com a passagem dos séculos foi crescendo a tendência, sob ensinamento rabínico, de tornar o homem mais proeminente que a mulher, eliminando pouco a pouco, a idéia ensinada por Gn 2: 18 (“far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”).

No primeiro século, a cultura judaica da época via a viúva e a mulher solteira de uma maneira um tanto problemática para a sociedade por não terem quem cuidasse delas. O casamento fornecia à mulher o necessário sustento econômico. Portanto, era quase que imperativo que a mulher se casasse.

Jesus veio resgatar a dignidade da mulher. Ele as perdoava, curava, ensinava; e elas, por sua vez, serviam-no com provisões para Suas viagens (Lc 8: 1-3), demonstrando-Lhe hospitalidade, mediante atos de afeição como no caso do Seu sepultamento. Ele incluiu as mulheres nas ilustrações de Seus ensinamentos, deixando claro que Sua mensagem envolvia as mesmas. Honrando-as, Ele situou a mulher em posição de igualdade com o homem, e portanto, ofereceu a elas o mesmo meio de salvação que para os homens.

Adultério e separação

• Êx 20: 14: “Não adulterarás”. O adultério é a violação do voto de fidelidade conjugal. Portanto não é aprovado diante de Deus. Quando isso ocorre, o pecado deve ser limpo através do arrependimento e do perdão e, quando não é mais possível a reconciliação, está liberado da parte de Deus o divórcio (Mt 5: 27-32; Mt 19: 7-9 e Dt 24: 1-4). Entretanto, isso traz complicações para as duas partes envolvidas, pois foi deixada uma marca. A separação que decorre desse ato de adultério traz feridas emocionais e espirituais que demoram a ser cicatrizadas e, muitas vezes, não são saradas. Portanto, a carne deve se submeter ao domínio do Espírito de Deus. Dessa forma, há sempre chance de uma reconstrução. Nenhum de nós sobre a terra é isento de pecado; somos passíveis de erro, por isso o Senhor nos orientou a orar sempre para que o Pai nos livre das tentações e de todo o mal.

• Mt 5: 27-32 diz: “Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura no coração, já adulterou com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o diante de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno. Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério”.

• Em Mt 19: 7-9 está escrito: “Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério]”.

Nessa passagem, Jesus não estava se referindo ao divórcio permitido por causa de adultério do cônjuge (Dt 24: 1-4), e sim o divórcio por antipatia ou incompatibilidade. No primeiro século, o casamento fornecia à mulher o necessário sustento econômico. E se o marido a repudiasse injustamente, ele a estava obrigando a viver com outro homem porque ela precisaria do seu meio de subsistência. E como não era um divórcio aprovado por Deus, o que se casasse com tal mulher cometeria adultério, porque o primeiro relacionamento não estaria ainda acertado, nem diante de Deus nem diante dos homens. Por que razão Jesus teria defendido a mulher adúltera de ser apedrejada? Ele estaria contra a Lei de Moisés ou contra o legalismo humano?

• 1 Co 7: 10-15: 10 “Ora, aos casados ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido 11 (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com o seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher. 12 Aos mais digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone; 13 e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido. 14 Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos. 15 Mas se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeita à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz”.

Em primeiro lugar ele explica que, se houver a separação do casal [nos versículos 10 e 11 Paulo estava falando com casais de crentes], não deve haver casamento com outra pessoa. Nos dois primeiros versículos, a palavra grega usada para “separar-se” é “chorizo” ou “chorizetai” (Strong #g5563), que significa: partir, separar, ir embora (“que a mulher não se separe do marido... se, porém, ela vier a separar-se”). Já na segunda parte do versículo 11 (“que o marido não se aparte de sua mulher”), a palavra grega é “aphiemi” ou “aphienai” (Strong #g863), que significa: repudiar, mandar embora, abandonar, deixar sozinho, deixar de lado. Podemos dizer que aqui se trata de uma separação não formalizada, como um desquite, por exemplo. Entre os judeus o divórcio era permitido apenas quando havia adultério, e a palavra grega para “divórcio” é “apostasion” – Strong #g647.

Isso quer dizer que, se houver separação entre o casal, a bíblia orienta a não haver outro casamento, ou então, que se reconciliem. Nestes versículos, a palavra grega usada para “separar-se” é “chorizo” ou “chorizetai” (Strong #g5563), que significa: partir, separar, ir embora (“que a mulher não se separe do marido... se, porém, ela vier a separar-se”). Já na segunda parte do versículo 11 (“que o marido não se aparte de sua mulher”), a palavra grega é “aphiemi” ou “aphienai” (Strong #g863), que significa: repudiar, mandar embora, abandonar, deixar sozinho, deixar de lado. Podemos dizer que aqui se trata de uma separação não formalizada, como um desquite, por exemplo. Entre os judeus o divórcio era permitido apenas quando havia adultério, e a palavra grega para “divórcio” é “apostasion” – Strong #g647.

A partir do v. 12 (“Aos mais digo eu, não o Senhor”) ele se refere à união entre um crente e um incrédulo. Paulo também fala que o cônjuge crente santifica o incrédulo e que não convém separar. Entretanto, se o cônjuge incrédulo quiser se apartar (ou seja, se divorciar do cônjuge convertido a Cristo por não querer converter-se também, ou então, porque o cônjuge crente não quer se sentir obrigado a deixar a fé em Jesus) o irmão ou a irmã não estão mais presos à escravidão. Ele enfoca na segunda parte do versículo 15: “Deus vos tem chamado à paz”. O mais importante de tudo é estar em paz dentro de um relacionamento e em paz com o Senhor.

Cada caso é um caso, e que se não é possível a reconciliação, é melhor a separação legal através do divórcio. Assim, ou se permanece casado ou se faça o divórcio, mas não o desquite, onde se fica no meio do caminho, e que acaba levando a uniões ilegais como o adultério ou a fornicação. Está escrito: “Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?” (Am 3: 3). Mas há um comentário sobre divórcio e a possibilidade de um segundo casamento no final da página.

Aqui eu deixo uma grande dica para casais: quando os dois são crentes, antes de começar a brigar eles devem pegar a mão um do outro e começar a orar. Deus tem sempre uma terceira solução. Dessa forma, nenhum dos dois prevalece nas suas razões, e sim Jesus.

O que acontece é que as profecias de Jesus estão se cumprindo

• Mt 24: 12-13: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”.

Assim, por falta do amor, gerado pelo egoísmo do coração do homem, muitas separações desnecessárias hoje estão ocorrendo, pois o ser humano não quer mais fazer esforço para amar, compartilhar, ceder e se unir. Assim perde a força, abre brecha para o diabo e gera maldições hereditárias para as futuras gerações. Por isso, a participação do Espírito Santo no casamento, como o cordão de três dobras, é super importante. Ele fortalece o relacionamento em todos os sentidos. O “cordão de três dobras” é uma expressão usada em Ec 4: 12 para enfatizar o valor das alianças. Em outras palavras, o Espírito Santo nos faz enxergar o valor da fidelidade, da aliança e do compromisso verdadeiro com outras pessoas, seja no casamento ou nas amizades.

• Para completar, Dt 24: 1-4 diz: “Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela; saindo da sua casa, for e se casar com outro homem; e se este a aborrecer, e lhe lavrar termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer, então, o seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a desposá-la para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o Senhor; assim, não farás pecar a terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança”.

Quando pedi discernimento ao Senhor sobre esse último trecho, me veio à mente um episódio onde o rei Acabe anexou ao palácio a vinha do seu súdito Nabote (1 Rs 21: 19), mandando matá-lo para ficar com ela. Segundo o pensamento israelita, a terra possuída por uma família ou clã era entendida como um dom vindo de Deus e todos deveriam respeitar esse direito. Esse incidente foi considerado uma violação de direito, movendo Elias, o profeta, mais uma vez até Samaria, por ordem do Senhor para profetizar a sorte de Acabe, de Jezabel (sua mulher) e de sua descendência (1 Rs 21: 17-29). Por isso, também havia o direito de resgate de terra pelo resgatador da família, caso o dono morresse e deixasse sua mulher viúva, como aconteceu com Noemi e Rute. Trazendo isso para o nosso texto, Deus quis dizer que o corpo da esposa era a terra que Ele tinha dado ao primeiro homem por direito e, depois de ser “invadida” por outros, ele não teria mais direito sobre ela. Dessa forma, não poderia mais tomar posse de algo que ele mesmo havia abandonado e permitido ser roubado, pois a havia negligenciado, como Esaú não deu valor ao direito de primogenitura.

Em palavras mais claras: se a separação ocorreu por causa de problemas banais, Paulo confirma que é melhor que o casal se reconcilie. Entretanto, se a separação ocorreu por causa de adultério, é aconselhável que a mulher não volte a se casar com seu primeiro marido e o marido não volte a se casar com sua antiga mulher, pois seus corpos foram “invadidos” por estranhos. Fazendo o paralelo espiritual com o “Resgatador” (no livro de Rute, no Antigo Testamento), Jesus é o Resgatador da nossa alma e do nosso corpo. Ele veio para tomar posse de nós, antes propriedade do diabo. Agora, Jesus é nosso dono.

Outras orientações

• 1 Pe 3: 7: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações”. Tratar a esposa com dignidade faz com que ela seja submissa espontaneamente ao marido através do amor, além do que essa união amorosa facilitará a oração do casal diante do trono de Deus.

• Ec 4: 9-12: “Melhor é serem dois do que um, porque tem melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se arrebenta com facilidade”.

A expressão ‘cordão de três dobras’ enfatiza o valor das alianças em qualquer nível de relacionamento humano. Em outras palavras, o Espírito Santo nos faz enxergar o valor da fidelidade, da aliança e do compromisso verdadeiro com outras pessoas, seja no casamento ou nas amizades.

Sobre o vínculo do casamento

• Mc 12: 18-27 (Mt 22: 23-33; Lc 20: 27-40): “Então, os saduceus, que dizem não haver ressurreição, aproximaram-se dele e lhe perguntaram, dizendo: Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar mulher sem filhos, seu irmão a tome como esposa e suscite descendência a seu irmão. Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência; o segundo desposou a viúva e morreu, também sem deixar descendência; e o terceiro, da mesma forma. E, assim, os sete não deixaram descendência. Por fim, depois de todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa? Porque os sete a desposaram. Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? Pois, quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento; porém, serão como os anjos nos céus [Lc 20: 36: “Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição”]. Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro”.

Os saduceus estavam provando Jesus quanto à ressurreição e à vida eterna, por isso Ele lhes disse que Deus continua sendo (o verbo está no presente: “EU SOU”) o Deus dos antepassados porque quem O tem como Senhor e Salvador tem igualmente a vida eterna. Entretanto, para nós, o que podemos tirar como lição aqui é que, mesmo tendo o casamento um vínculo forte, ele não é permanente; quando um morre, o outro está desobrigado do compromisso e mais do que isso: ninguém é dono da alma nem do espírito de ninguém; todos somos “emprestados” por Deus um ao outro para cumprirmos o Seu projeto soberano na terra. Isso serve para casais emocional e espiritualmente doentes em que um quer ser dono do outro, principalmente exercendo domínio e posse através do sexo. “Como os anjos no céu” significa que, na ressurreição, as pessoas não se casam, mas são eternas como os anjos, serão imortais como eles.

• 1 Co 7: 39: “A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor”.

• Rm 7: 2-3: “Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera, se vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias”.


marido e mulher

Divórcio e um segundo casamento

Quanto à questão sobre divórcio e um segundo casamento, é preciso levar em consideração o que já mencionamos sobre as causas da separação, o limite emocional e espiritual de cada ser humano, se a escolha do cônjuge foi voluntária (não imposta por outros), e nos lembrar que Deus nos tem chamado à paz. Em Pv 25: 24 está escrito: “Melhor é morar no canto do eirado do que junto com a mulher rixosa numa mesma casa” (repetido em Pv 21: 9). No lugar de ‘mulher rixosa’ pode ser colocada também a expressão ‘homem rixoso’, pois ninguém consegue viver bem com quem não quer dialogar, ceder, conversar, ou que está sempre disposto a brigar e discutir por qualquer coisa. O amor acaba sendo bloqueado; então, é melhor se divorciar e viver com quem se ama. Também, se a separação ocorreu por motivo de adultério, já se provou que não era bom o relacionamento. Qual o (a) crente fiel que conseguiria viver a vida inteira ao lado de uma pessoa idólatra que o (a) forçasse a adorar um Deus estranho ou pela sua rebeldia afastasse o (a) filho (a) de Deus da Sua presença por tanta interferência espiritual estranha? A fidelidade de uma pessoa é primeiramente a Deus, depois ao cônjuge ou a quem quer que seja. Nosso Deus é amor, e, com certeza, Ele não fica feliz com um casamento desestruturado que poderia comprometer a geração atual (filhos) e as futuras gerações com maldições hereditárias por causa de tanta briga e discussão. Também acho que Ele não ficaria zangado nem deixaria de dar uma segunda chance de ser feliz a um filho sincero que O serve, contanto que haja a disposição correta no coração desse filho ou filha para andar debaixo dos Seus caminhos e não repetir o mesmo erro do passado. Além disso, é necessário o desejo sincero de querer construir uma família, se deixando ser moldado por Deus, largando o egoísmo da carne para que o Espírito Santo prevaleça.


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Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
Atualização: 07/09/26

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