O AMOR EROS – ESTUDO BÍBLICO


Estudo bíblico sobre o amor Eros. O que Deus planejou para nossa vida amorosa? O que a bíblia diz sobre sexo e adolescência, separação e adultério, o crente e a sexualidade?

A Bible study about Eros love. What has God planned for our love life? What does the Bible say about: sex and adolescence, separation and adultery, the believer and sexuality?


O amor Eros




O que Deus planejou para nossa vida amorosa?

Vamos começar nosso raciocínio voltando ao Éden: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gn 2: 7)... “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2: 18)... “Em seguida, Ele fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher” (Gn 2: 21-22).

O fato de Deus ter tirado uma costela do homem para formar a mulher, significa que Ele planejou uma interdependência, ou seja, assim como a primeira mulher dependeu do homem para existir, o homem depende da mulher para nascer na terra (1 Co 11: 12: “Porém, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus”). No texto original, no lugar da expressão “uma das costelas”, está escrito: “parte de um dos lados do homem”. Com tudo isso, podemos aprender que Deus fez tudo da maneira perfeita, mas o ser humano, por sua rebeldia e egoísmo trouxe dor e sofrimento à sua própria vida, saindo do projeto divino. Deus continuou Sua criação planejando uma união perfeita para os dois.

Em Gn 2: 24 está escrito: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. Em Mt 19: 4-6 Jesus volta ao mesmo assunto quando diz: “Então, respondeu ele: não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Jesus deu enfoque ao fato de Deus ter unido, assim como falou claramente sobre a instituição do matrimônio legal aqui na terra (monogâmico: 1 Co 7: 1-6; Tt 1: 6), abençoado por Ele diante dos homens.

O relacionamento amoroso e sexual de Adão e Eva era bem diferente do que vemos hoje, pois foram feitos à imagem e semelhança de Deus e a pureza e a inocência estavam entre eles. A bíblia fala que estavam nus e só descobriram isso depois do engano da serpente. Podemos pensar que Deus fazia parte de todas as áreas da vida deles e, sendo assim, viam tudo com olhos bons, sem malícia; eram transparentes um ao outro no corpo, na alma e no espírito, da mesma forma que o eram para o Criador. Seus olhos eram bons, como disse Jesus: “São os teus olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão” (Mt 6: 22-23). Por isso não havia pecado. Com a presença de Deus ali, havia não só a pureza, mas o respeito em relação ao corpo um do outro, o que tornava o relacionamento não apenas mais sincero e profundo como mais prazeroso.

O que o diabo planejou?

Em 1 Tm 2: 14 está escrito: “E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. Em Gn 3: 1-7 podemos ler: “Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem em do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si”.

O que a serpente introduziu no ser humano?

Através da sedução, a serpente introduziu a distorção na mente e no espírito do ser humano, fazendo com que Adão e Eva passassem a ver tudo o que tinha sido criado com outros olhos que não os de Deus; em outras palavras, com olhos maus. Isso não quer dizer que o sexo era pecado, mas o diabo o fez pecaminoso a partir do momento em que abriu o entendimento do homem para outras práticas impuras, mesclando a pureza, a inocência e a alegria de Deus ao sentimento de culpa pelo prazer da carne, à curiosidade de saber mais sobre o assunto, ao peso causado pela desobediência à ordem dada pelo Criador sobre não tocar na árvore do conhecimento do bem e do mal, logicamente, trazendo acusação e punição e, por fim, a uma carga emocional desnecessária, deformando tudo e causando confusão; mais do que isso, transformando Sua imagem em algo punitivo, opressor e vingativo. Foi o que a Lei acabou trazendo para impedir as deformidades: a restrição e a proibição. Isso age até hoje, inconscientemente, na vida das pessoas que não sabem lidar muito bem com as emoções e sensações da alma e do corpo: negam-nas, anulam-nas, ignoram-nas, tentam administrá-las através do intelecto, projetam-nas sobre outros ou as proíbem de se manifestar. Isso não traz paz de forma alguma à alma, pelo contrário, aumenta o conflito e a pressão interior, ainda mais se foi calcado no inconsciente mais profundo. Até as emoções reprimidas virem à tona para ser tratadas, o Espírito de Deus vai ter que trabalhar muito na pessoa para ela mesma ver do que se trata e dar àquilo a dimensão correta.

Por isso, Paulo escreveu sobre algumas situações da vida que precisam ser direcionadas pelo Senhor para receberem a verdadeira cura. E a cura real é decorrente do entendimento do que é certo e do que é errado.

Jesus disse em Mt 19: 4-6: “Então, respondeu ele: não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”.

Ele deu enfoque ao fato de Deus ter unido, assim como disse claramente sobre a instituição do matrimônio legal aqui na terra, abençoada por Ele diante dos homens. As outras práticas humanas ilegais em relação a isso são: poligamia, fornicação (relações sexuais fora do casamento; o famoso e conhecido “namorar” ou “ficar”, para certas pessoas), prostituição, homossexualismo, transexualismo, lesbianismo, adultério, incesto (sexo entre pais e filhos ou entre irmãos), narcisismo (estado em que a libido é dirigida ao próprio ego; amor excessivo a si mesmo) e outras deturpações sexuais e compulsões que só abrem brecha para a assolação do inimigo.

Muitas doenças sexualmente transmissíveis são causas de problemas, assim como outras doenças emocionais e espirituais podem ser contraídas com esses atos ilícitos. Essa estratégia suja ocorre, principalmente, no caso de estupro e violência. Portanto, as forças contrárias se manifestam com destruição na vida de alguém através de contatos sexuais não aprovados pelo Senhor. Quando uma pessoa pratica de maneira inconseqüente esses atos, ela se esquece que a Palavra de Deus não muda (“Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” – Gn 2: 24). Assim, mesmo não permanecendo com o antigo parceiro, ela criou vínculos carnais e espirituais de união matrimonial e que permanecem como um laço ao seu caminhar. É uma coisa forte, a ponto de Deus comparar a nossa união espiritual com Ele a um contrato de casamento. Por isso a necessidade de se conscientizar desses fatos, pois só o arrependimento sincero diante dEle pode liberar a pessoa, e o Seu sangue vertido na cruz é a única maneira de desfazer os antigos pactos.

Outro comentário é que o ser humano, se rebelando contra Deus, não só começou a idolatrar animais e seres inanimados, como também a si próprio e suas paixões, entre elas o sexo (Rm 1: 18-27). Por isso, muita mística, hoje em dia, em torno de algo tão simples. Quando o Espírito está presente e o amor é pleno na doação, tanto no âmbito físico como no emocional e no espiritual, não há necessidade de artes de sedução ou qualquer outra prática que possa estimular o parceiro. Vestes, objetos ou medicamentos não substituem o amor verdadeiro. Através dessas coisas, o diabo tenta usar a mesma arma que usou no Éden: a sedução que, espiritualmente falando, não é aprovada por Deus.

• Rm 1: 26-27: “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição pelo seu erro”.

• Gl 5: 18-21: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição (em inglês: fornicação – NRSV; imoralidade sexual – NIV), impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, ira, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonaria e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”.

1) A prostituição diz respeito à promiscuidade sexual, onde vários parceiros se entrelaçam no relacionamento. Isso traz inúmeras complicações, entre elas as doenças venéreas já comentadas.
2) A impureza é mais do que óbvia: pensar da maneira contrária à inocência que Deus colocou através do Seu Espírito em nós, pensar nas coisas sujas e mundanas ao invés das coisas do alto.
3) Lascívia é luxúria, sensualidade, libidinagem [dar largas à vontade sexual], voluptuosidade, satisfação sexual sem pudor.
4) Idolatria é colocar no altar outras coisas e outras entidades que não sejam Jesus, o Filho de Deus. A avareza é considerada por Deus como idolatria (Ef 5: 5 e Cl 3: 5), assim como o prazer (inclusive o sexo), o dinheiro, a fama, o conhecimento e o poder podem ser considerados deuses também.
5) Feitiçarias incluem todos os atos de rebeldia à vontade de Deus (1 Sm 15: 23 e Lv 20: 27) como todos os atos de ocultismo, simpatias, superstições, artes ocultas de adivinhação e predição do futuro, necromancia etc., que não nos levam a acreditar unicamente na força da Palavra para conseguirmos algo.

• 1 Co 6: 9-12 (ARA): “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros (sexualmente imorais), nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”.

• 1 Co 6: 9-12 (NVI): “Vocês não sabem que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não se deixem enganar: nem os sexualmente imorais, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem homens que têm relações sexuais com outros homens [na NVI ™ © 1993, 2000 – 3ª impressão, Editora Vida, 2003, está escrito: “Nem homossexuais passivos ou ativos”; e a nota de rodapé escreve: “nem efeminados” – “o termo grego refere-se a homens que se submetem a todo tipo de depravação sexual com outros homens”], nem os ladrões, nem os avarentos, nem os alcoólatras, nem os caluniadores, nem os trapaceiros herdarão o reino de Deus. Alguns de vocês foram assim. Contudo, foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus. Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine”.

• 1 Co 6: 15-20: “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente não. Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne. Mas aquele que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois glorificai a Deus no vosso corpo”.

• Rm 6: 12-14: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um dos membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas, oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça”.

• Lv 18: 6-30: “Nenhum homem se chegará a qualquer parenta da sua carne, para lhe descobrir a nudez. Eu sou o Senhor... Não descobrirás a nudez de teu pai e de tua mãe... Não descobrirás a nudez da mulher de teu pai... A nudez da tua irmã... não descobrirás... A nudez da filha do teu filho ou da filha de tua filha, a sua nudez não descobrirás... Não descobrirás a nudez da filha da mulher de teu pai, pois foi gerada de teu pai; ela é tua irmã. A nudez da irmã de teu pai não descobrirás; ela é parenta de teu pai. A nudez da irmã de tua mãe não descobrirás; pois ela é parenta de tua mãe. A nudez do irmão de teu pai não descobrirás; não te chegarás à sua mulher; ela é tua tia. A nudez da tua nora não descobrirás; ela é mulher de teu filho... A nudez da mulher de teu irmão não descobrirás... E não tomarás com tua mulher outra, de sorte que lhe seja rival, descobrindo a sua nudez com ela durante sua vida [a monogamia sempre foi o projeto de Deus para o homem, embora tivesse permitido até certo ponto a poligamia para a multiplicação da espécie humana ou no caso de “Levirato”, casando-se com a cunhada para não deixar perecer a descendência do irmão falecido]... Nem te deitarás com a mulher de teu próximo, para te contaminares com ela... Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação. Nem te deitarás com animal, para te contaminares com ele, nem a mulher se porá perante um animal para ajuntar-se com ele; é confusão... Todo que fizer alguma destas abominações, sim aqueles que as cometerem serão eliminados do seu povo... Eu sou o Senhor, vosso Deus”.

Ele está falando sobre os casamentos ilícitos e uniões abomináveis: relações sexuais com pai e mãe, madrasta, irmã ou meia-irmã, neta, tios, nora, cunhada, sobrinha, poligamia, adultério, assim como homossexualismo e bestialidade.

• Mc 7: 15; 20-23: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina... E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem”.

• Mt 15: 11; 18-20: “não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem... Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina”.

• 2 Co 6: 14-18 e 2 Co 7: 1: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei com eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.

Outro fator que a bíblia menciona como importante nessa “prevenção” de doenças físicas, emocionais e espirituais é não mantermos jugo desigual com incrédulos, pois isso mina nossa força e, assim, corremos o risco de nos afastarmos dEle, pela disputa espiritual com outros deuses.

— O que podemos fazer para melhorar?

— Voltar à inocência.

Estamos falando sobre o livro de Cânticos de Salomão ou Cântico dos cânticos, no Antigo Testamento. O título “Cântico dos cânticos” (hebraico, shïr hashshïrïm, Ct 1: 1) é um superlativo que significa “O melhor dos cânticos”. Era o primeiro dos cinco rolos a ser lido nas festividades judaicas e usado durante a Páscoa. A atribuição tradicional do livro a Salomão (séc. X AC) se baseia nas referências feitas a ele (Ct 1: 1; 3: 7; 3: 9; 3: 11; 8: 11), especialmente no versículo do título (Ct 1: 1). Alguns acham que Salomão escreveu este cântico na sua juventude, antes de adquirir seu enorme harém. Outros acham que o livro de Cânticos reflete o amor de um jovem pastor israelita e sua noiva, criando a fantasia de serem “rei e rainha” por um dia. São inúmeras as interpretações, havendo pouco acordo entre os eruditos quanto à sua origem, significado e propósito. As interpretações alegóricas rabínicas e cristãs elevaram os poemas do livro acima do nível sensual. Dois personagens principais são: Salomão e a jovem sulamita. Tendo-a tirado de seu lar no interior do Norte de Israel, e tendo-a levado para Jerusalém, Salomão acabou por amá-la como sua esposa, com uma afeição que se elevava bem acima da atração física. A palavra sulamita (shülammïth = completo, tendo paz perfeita) pode ser variante de sunamita, natural de Suném (shünem = lugar de repouso ou paiol), cidade no território de Issacar, perto de Jezreel (Js 19: 18). Foi de Suném que trouxeram a Davi a linda Abisague para confortá-lo na sua idade avançada. Seja ou não Salomão o autor da obra, ela mostra, com certeza, a história de um casal apaixonado e, não somente fala da pureza do amor humano, mas sua própria inclusão no Cânon (na bíblia) relembra-nos um amor que é mais puro do que o nosso, o amor de Deus (Ágape), o amor de entrega total. Dessa forma, o livro de Cânticos expressa o desejo do coração do homem de se unir a Deus de maneira plena e completa. Debaixo dessa visão espiritual podemos ter revelações importantes do Senhor para Sua Igreja, para Sua noiva, que Ele espera encontrar pura e sem mácula no dia de Sua vinda (Ef 5: 27). Esse paralelo espiritual foi feito no tema de estudo: “Cânticos de Salomão”.

Crente e sexualidade; sexo e adolescência

Aqui, nós vamos pegar alguns textos e estudá-los do ponto de vista físico, sexual mesmo, pois trazem algumas orientações interessantes para nós:

• Ct 2: 7 – A esposa diz: “Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira”. A noiva fala às outras mulheres, provavelmente as do harém do rei Salomão, ou às damas da corte, sobre o amor verdadeiro e lhes diz que a intimidade sexual não pode ser forçada e que o amor e a sensualidade não são a mesma coisa (“Não acordeis, nem desperteis o amor até que este o queira”).

No nível espiritual, isso significa que a intimidade com Deus não é forçada; é o coração da própria pessoa que se desperta para um relacionamento mais profundo com Ele. No nível físico, este texto nos alerta quanto aos adolescentes que sofrem bastante no mundo de hoje pelas influências externas que o diabo usa, despertando precocemente sua vida sexual, causando grandes transtornos. Na puberdade, que é o período durante a adolescência onde as transformações hormonais começam a gerar mudanças físicas e psíquicas, é normal que as pessoas comecem a sentir certas sensações corporais e desejos psíquicos de “descoberta” de si mesmo. Nessa fase, os pais mais rígidos, tradicionais e medrosos descobrem que não sabem lidar muito bem a com a situação, terminando por reprimir certas manifestações nos filhos. Aquilo que eles pensam dominar acaba se voltando contra eles mesmos porque os filhos vão buscar as respostas em outras fontes não tão confiáveis e que estão abertamente disponíveis no mundo, trazendo problemas familiares mais tarde. Infelizmente “acordam precocemente o amor” e são feridos.

Quantos meninos são traumatizados e quantas meninas são abusadas e engravidadas sem maturidade nenhuma para serem mães! O caso fica delicado quando os pais são líderes dentro da igreja, até pastores e, por causa da comunidade, passam a rejeitar a filha, o filho ou o (a) futuro (a) neto (a), causando problemas ainda maiores para todos. Em certos lugares, muitos deixam a posição de liderança por causa da vergonha e da discriminação pelos próprios irmãos. Outros, que conseguem contornar a situação familiar, acabam por decepcionar algumas ovelhas, que vão para outro ministério. Quando os pais não são convertidos, a coisa pode ficar ainda pior, dependendo do grau de maturidade emocional e de amor que têm. Resultado: abandonos, abortos, rejeições, prostituição, separação etc. que poderiam ser evitados se pais conversassem abertamente com filhos antes ou os levassem ao médico, caso não tenham condições de lhes explicar certas coisas.

Os fatores que dificultam muito o processo nessa fase de puberdade e adolescência são: a inexperiência de pais e pastores em relação à área em questão, a religiosidade, o tradicionalismo (tabu), o medo de gerar confusão na cabeça do adolescente e até a malícia dos adultos, que prende as “vítimas” em amarras e impede a todos de tocar no tema com franqueza. Na maior parte das vezes, o caminho melhor nessa fase é orar, pedir sabedoria ao Senhor e deixar a natureza seguir seu curso, sem “fazer uma tempestade num copo d’água”, mas dar suporte às necessidades do filho ou da filha à medida que sua curiosidade for despertada. Um pouco de psicologia ao tratar do assunto não faz mal; melhor ainda se a bíblia estiver ao lado. Outra dica importante é direcionar essa energia para outras atividades que o edifiquem (música, artesanato, esportes etc.), pois é a mesma força que existe no nosso interior e que vai ser direcionada para uma área ou para a outra. Não estou querendo dizer que o adolescente deve sublimar tudo, negar ou fugir para o mundo espiritual; o que quero dizer é que se faz necessário o bom-senso.

Outros textos de Cânticos que podem servir para nossa edificação são aqueles em que a esposa ou o esposo falam poeticamente sobre seus próprios corpos:

• Ct 4: 6-15 – o esposo diz: “Tu és toda formosa, querida minha, e em ti não há defeito. Vem comigo do Líbano, noiva minha, vem comigo do Líbano; olha do cimo do Amana, do cimo do Senir e do Hermom, dos covis dos leões, dos montes dos leopardos. Arrebataste-me o coração, minha irmã, noiva minha; arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares, com uma só pérola do teu colar. Que belo é o teu amor, ó minha irmã, noiva minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho, e o aroma dos teus ungüentos do que toda sorte de especiarias! Os teus lábios, noiva minha, destilam mel. Mel e leite se acham debaixo da tua língua, e a fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano. Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva minha, manancial recluso, fonte selada. Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes: a hena e o nardo; o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e o aloés, com todas as principais especiarias. És fonte dos jardins, poço das águas vivas, torrentes que correm do Líbano!”

• Ct 5: 10-16 – a esposa diz: “O meu amado é alvo e rosado, o mais distinguido entre dez mil. A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos, cachos de palmeiras, são pretos como o corvo. Os seus olhos são como os das pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, postos em engaste. As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como colinas de ervas aromáticas; os seus lábios são lírios que gotejam mirra preciosa; as suas mãos, cilindros de ouro, embutidos de jacintos; o seu ventre, como alvo marfim, coberto de safiras. As suas pernas, colunas de mármore, assentadas em bases de ouro puro; o seu aspecto, como o Líbano, esbelto como os cedros. O seu falar é muitíssimo suave; sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, tal, o meu esposo, ó filhas de Jerusalém”.

• Ct 6: 4 – esposo: “Formosa és, querida minha, como Tirza, aprazível como Jerusalém, formidável como um exército com bandeiras”.

• Ct 7: 1-9 – esposo: “Que formosos são os teus passos dados de sandálias, ó filha de príncipe! Os meneios dos teus quadris são como colares trabalhados por mãos de artista. O teu umbigo é taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre é monte de trigo, cercado de lírios. Os teus dois seios, como duas crias, gêmeas de uma gazela. O teu pescoço, como torre de marfim, os teus olhos são as piscinas de Hesbom, junto à porta de Bate-Rabim; o teu nariz, como a torre do Líbano, que olha para Damasco. A tua cabeça é como o monte Carmelo, a tua cabeleira, como a púrpura; um rei está preso nas tuas tranças. Quão formosa e quão aprazível és, ó amor em delícias! Esse teu porte é semelhante à palmeira, e os teus seios, a seus cachos. Dizia eu: subirei à palmeira, pegarei em seus ramos. Sejam os teus seios como os cachos da vide, e o aroma da tua respiração, como o das maçãs. Os teus beijos são como o bom vinho,”...

• Ct 7: 10 – esposa:... “vinho que escoa suavemente para o meu amado, deslizando entre seus lábios e dentes. Eu sou do meu amado, e ele tem saudades de mim”.

Até aqui, é interessante perceber a poesia com que a relação é descrita; bem diferente da pornografia nojenta que se lê, ouve e vê por aí! Nem todo mundo nasceu poeta, entretanto, o aprendizado é sobre a diferença entre um ato feito na presença de Deus, com amor, e um ato mecânico, sem envolvimento emocional ou entre parceiros que mal se conhecem. Aqui eles comparam seus corpos a coisas bonitas e boas, ao invés de certos nomes que as pessoas mais mundanas costumam dar para partes dos seus; mais parecem que os estão amaldiçoando. Não existe nada tão ruim e tão grosseiro do que um ato desses debaixo de palavras torpes; não há ganho algum, só trauma e ódio! Existe coisa mais constrangedora que receber olhares ou ouvir palavras sedutoras de pessoas mundanas que nem nos conhecem? É invadir a nossa privacidade e afrontar a santidade de Deus em nós. Eles encontram uma intimidade que não têm direito de ter, simplesmente porque distorcem e confundem o carisma que existe em nós, que é a presença do próprio Espírito de Deus, com outro tipo de comportamento baixo existente no mundo. Não é nossa a culpa, mas de quem se comporta dessa maneira maliciosa, impura e pecaminosa. É isso que o diabo faz com os desavisados.

Por isso o Senhor nos alerta a termos mais consciência sobre a nossa maneira de ser e sobre as nossas feridas do passado, para que não sejam mais brechas por onde o inimigo possa penetrar. Devem estar verdadeiramente curadas, e a autoridade que Ele nos delegou, pronta para ser exercida quando for necessário. Então, poderemos dizer sobre nós mesmos o que está escrito em Is 26: 1-4: “Naquele dia, se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte; Deus lhe põe a salvação por muros e baluartes. Abri vós as portas, para que entre a nação justa, que guarda a fidelidade. Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti. Confiai no Senhor perpetuamente, porque o Senhor Deus é uma rocha eterna”. Nós somos santuário do Deus vivo, portanto, devemos respeitar nossos corpos e não permitir que ninguém os desonre. A palavra acima quer dizer que apenas os que são santos e guiados pelo Espírito podem “passar pelas nossas portas”, tanto no nível físico como no emocional. No espiritual, só Jesus tem direito.

• Ct 4: 16 – esposa: “Levanta-te, vento norte, e vem, tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Ah! Venha o meu amado para o seu jardim e coma os seus frutos excelentes!”

Este texto nos fala sobre convidar o Senhor a participar do amor. Quando a bíblia menciona “vento”, ela se refere ao Espírito Santo, comparando-o à ação dos ventos na Palestina: o vento norte limpa o ar, é fresco e úmido e traz a chuva (Pv 25: 23); o vento sul aquece e amadurece as colheitas. Por isso, Salomão se refere a essas qualidades benéficas do vento. O vento do ocidente traz fortes chuvas. O vento oriental vindo do deserto é muito seco e faz enrugar, murchar as ervas. Deus trouxe um forte vento oriental para abrir o Mar Vermelho (Êx 14: 21).

Aqui, a noiva não apenas convida o noivo como também a presença de Deus que há nele. É neste ponto que encontramos mais barreiras: as barreiras do pudor e da vergonha deixadas pelas marcas de Adão e Eva, que inconscientemente afastam tudo e todos desse momento, inclusive Deus, considerando-o um “intruso”. As barreiras são invisíveis, mas precisam ser derrubadas, não apenas para que haja mais sinceridade entre os cônjuges, e sim para que o diabo não se intrometa, tentando participar. Muitas influências espirituais e emocionais podem agir no momento da concepção; isso porque não se convidou verdadeiramente o Senhor para ser “o cordão de três dobras”. Então, “o penetra” pode resolver “se convidar” para a coisa; aí... Já era! Sejamos sinceros: quantos casais em Cristo o convidam para “participar da festa?”

• Ct 8: 6-7 – esposo: “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme, as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas. As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, seria de todo desprezado”.

• Ct 8: 10 – esposa: “Eu sou um muro, e os meus seios, como as suas torres; sendo eu assim, fui tida por digna da confiança do meu amado”.

Esses dois últimos textos falam sobre fidelidade. O amor, como diz o esposo, é forte como a morte, porém, o ciúme é duro como uma sepultura, pois fecha o coração para o verdadeiro amor e para o perdão. Portanto, num relacionamento onde existe desconfiança, não há como prosseguir. Onde existe insegurança em relação a si mesmo e ao outro, não há chance de crescimento. Quando alguém está se relacionando com outrem, fantasiando que se está com uma terceira pessoa, é sinal de que não está contente com o que tem diante de si ou de que não consegue enfrentar a realidade e trabalhá-la para que se torne melhor. O mundo, hoje em dia, além da mística que criou em torno do assunto, procura não só afrodisíacos para substituir o amor e a presença de Deus, como exige a perfeição dos padrões físicos levando as pessoas aos limites da moral e da saúde tentando adquirir uma imagem exterior que não têm, apenas para se sentirem amadas de verdade e não sofrerem com a rejeição.

Nosso corpo, embora santuário do Espírito Santo, devendo ser cuidado em todas as áreas (saúde e estética), é apenas uma “concha”, um “invólucro” para o nosso verdadeiro eu. Por outro lado, muitas vezes se torna ridículo, para não dizer hipócrita, falarmos de beleza interior quando estamos frente a frente com aparências fora dos padrões convencionais, pois, queiramos ou não, o preconceito e a vaidade ainda existem bem embutidos dentro do ser humano. Todavia, o que eu estou tentando dizer é que o que cabe a nós fazer por nós mesmos, devemos fazer, sem culpa alguma, como se estivéssemos cuidando da aparência do próprio Jesus em nós; não para aparecer, para competir ou por vaidade, pois isso seria endeusar a carne.

O crente deve cuidar da sua aparência externa sem exageros, mas debaixo da orientação do Espírito (Paulo diz: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” – Rm 12: 3a). Essa é uma maneira de amar o parceiro: dando o nosso melhor de nós a ele como damos o melhor de nós ao Senhor. Ainda mais a Ele! Se podemos nos enfeitar e nos embelezar para alguém, podemos fazer o mesmo com Jesus, no físico, no emocional e no espiritual. Ninguém contesta a bíblia quando diz que Ele não vê a aparência, e sim o coração. Mas isso não é desculpa para negligenciarmos o cuidado com a higiene, com o sono, nem com a dieta, pois um corpo sadio é necessário para se fazer a obra de Deus, e uma alma pura e sem pecado embeleza o exterior para os que precisam ver Jesus na nossa vida. O pecado nos torna feios.

Dançar é pecado?

Isso eu escrevi em outro tema: “diferença entre música gospel, louvor e adoração”.


Livro evangélico Baixe o livro – PDF

Baixar livro evangélico As três faces do amor

Download Christian Book The three faces of love


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
Atualização: 03/10/26

SOBRE A AUTORA E O MINISTÉRIO

▲ Início  

PIX: msearaagape@gmail.com

Contato: msearaagape@gmail.com