Esta é a página principal do estudo sobre as três principais manifestações do amor: Ágape (o amor de Deus), Philleo (amor fraternal) e Eros (entre homem e mulher). À medida do crescimento espiritual, a carne se submete ao domínio do Espírito e se abre para uma profundidade e para uma amplitude maior de amor. Versículos bíblicos nos esclarecem a respeito.


As três manifestações do amor




Existem certos assuntos difíceis de abordar, principalmente entre o próprio povo de Deus, pois a religiosidade se torna uma barreira ao livre fluir do Espírito Santo e Seus filhos acabam sem esclarecimento de muitas dúvidas que vêm de lá de trás, quando o “velho homem” andava “sem lei”, apenas seguindo os instintos naturais de sua própria carne. A vergonha de abordar certos temas impede a cura verdadeira; só traz uma aparência de melhora e de transformação interior, porém, mais cedo ou mais tarde, a situação se revela como é verdadeiramente: um amontoado de feridas mal-curadas por onde o inimigo encontra uma brecha para tocar nas pessoas. Em contrapartida, as influências distorcidas do mundo acabam se mesclando com a palavra de Deus, tirando, igualmente, do crente a liberdade de agir e até de aconselhar corretamente seus irmãos.

Estamos falando sobre amor nas suas três conhecidas manifestações: Ágape (o amor de Deus), Philleo (o amor fraternal) e Eros (entre homem e mulher). Existe ainda uma quarta forma, o amor de família, entre pais e filhos, chamado de Storge (gr. storgē), mas não falaremos dele aqui.

Em especial, o que causa mais desconforto na Igreja é o Eros, por isso, em muitos lugares, acaba havendo uma pressão por parte da liderança, praticamente “obrigando” seus membros a se casarem para não haver problemas mais difíceis de resolver no meio da comunidade. Entretanto, essa solução paliativa só gera conseqüências ruins, pois muitos casamentos acabam sendo desfeitos mais tarde por falta de compatibilidade. O que ficou faltando foi a participação verdadeira do Espírito Santo na escolha do cônjuge e a coragem do membro de assumir publicamente seu livre-arbítrio e deixar o casamento para depois. Outra coisa que faltou foi o compromisso sério com o Senhor e uma busca espiritual maior, deixando a carne um pouco de lado para se encher com o Espírito. Ainda hoje, o ser humano continua carnal, buscando a realização dos desejos da própria natureza em detrimento da vontade plena de Deus para si. Ele criou o homem e a mulher, instituiu o casamento, por isso, não é contra a união conjugal, mas anseia que Seus filhos sejam mais conscientes nas suas escolhas para não se machucarem tanto como tem ocorrido. Ninguém é obrigado a contrair matrimônio.


casamento


Jesus disse: “Nem todos são aptos para receber este conceito [ele falava sobre não casar], mas apenas aqueles a quem é dado. Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita” (Mt 19: 11-12). O que Ele queria dizer é que o celibato (permanecer solteiro) voluntário como uma consagração pessoal e total para Sua obra não é para todos, assim como uma separação total do trabalho secular; são coisas pessoais, uma parceria entre a escolha divina e a escolha da pessoa em questão. Permanecer solteiro não é uma “aberração bíblica”, como certas pessoas encaram.

Talvez para evitar polêmica em torno disso é que Paulo fala em 1 Co 7: 8-9; 32-34a e 35: “E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bem se permanecessem no estado em também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado... O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar a esposa, e assim está dividido... Digo isto em favor dos vossos próprios interesses; não que eu pretenda enredar-vos, mas somente para o que é decoroso e vos facilite o consagrar-vos, desimpedidamente, ao Senhor”. Aqui ele fala que a instituição do casamento é melhor do que a relação sem compromisso, que abre brecha para Satanás, como prostituição, adultério e fornicação. Dessa forma, o que importa não é casar ou deixar de casar, e sim ser coerente entre o que se prega, se sente e se vive. Constituir família também é uma forma de servir o Senhor, pois é um chamado de Deus que necessita de Sua participação para ter sucesso. Infelizmente, muitas pessoas vêm para Jesus não pelo que Ele é, nem pelo Seu projeto para suas vidas, e sim para buscar um companheiro ou uma companheira, um emprego melhor, para serem milagrosamente curados de suas doenças etc., exatamente como a multidão fazia ao segui-lo; eles queriam apenas a bênção, não o abençoador, por isso poucos foram Seus discípulos.

A segunda manifestação do amor que também é muito distorcida é o amor fraternal, o Philleo, por hábitos adquiridos, na maioria das vezes, na infância e que precisam ser conscientizados e mudados, pois a nova criatura que somos não pode continuar a agir como antes, no egoísmo da carne. Por esse motivo, em vários lugares, ao invés de irmãos e amigos, a pessoa acaba fazendo inimigos. É porque os antigos comportamentos e traumas ainda não foram profundamente trabalhados. E quando nós falamos em cura interior, não estamos necessariamente nos referindo a cursos ou cultos planejados especificamente para isso onde os ministrantes desejam atingir essa ou aquela área, mas ao trabalhar livre e personalizado do Espírito Santo para cada filho que deseja verdadeiramente ser transformado. Isso Ele faz sem traumas ou destruições desnecessárias que, muitas vezes, os homens, na ânsia de ajudar, acabam fazendo aos irmãos. A nossa função é apenas pregar a palavra e dar o exemplo. Nunca se ouviu tantas reclamações sobre falta de amor fraterno como hoje em dia. Todos querem ser amados e aceitos, porém, poucos se dispõem a amar e aceitar os semelhantes. Se não houver plantação, não haverá colheita.


amigos


A terceira manifestação do amor e que é fruto de maturidade espiritual é o Ágape, o amor de Deus, puro, incondicional, sem segundas intenções e voltado a todos igualmente, sem preferências, pois a Palavra diz que Ele não faz acepção de pessoas (Rm 2: 11). Para manifestar esse tipo de amor é preciso estar sarado em relação aos outros dois, além de ser necessário o exercício constante da entrega, da doação, da autonegação e da disponibilidade ao Senhor. Muitas pessoas pregam que o Ágape é o exercício da própria Palavra em ação, o que de fato é, mas negam o envolvimento das emoções em todo o processo. Isso não é totalmente válido, uma vez que somos corpo, alma e espírito e Deus nos usa por inteiro, como usou Seu próprio Filho, várias vezes, ao se condoer por quem não estava diretamente ligado a Ele como um discípulo ou parente próximo (o homem da mão ressequida, a viúva de Naim, o cego de Jericó etc., quando a bíblia usou a expressão: condoeu-se. Também fala que Ele chorou ao ver Marta e Maria no túmulo de Lázaro). É pouco provável que Jesus tenha ido para a cruz isento de emoções, pois estava em carne e Seu sofrimento não foi apenas espiritual, todavia, igualmente emocional e físico. Em Mc 14: 32-34 está escrito: “Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou orar. E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e angústia. E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai”. Quem teve uma encarnação humana e sentiu o que o ser humano sente e se diz UM com o Pai (Jo 17: 21), então sabe o que é o amor e quais os sentimentos que estão envolvidos com ele. A própria bíblia descreve sentimentos em Deus como ciúmes por nós, ira ou tristeza diante do pecado, da injustiça ou da afronta, júbilo pelos filhos que Lhe agradam e andam nos Seus caminhos, entre muitos outros. Jesus também nos deu o exemplo de “Chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram” (ver Rm 12: 15). Ele usa as nossas emoções tanto para sentirmos o Seu amor pelos nossos irmãos em Cristo quanto para sentirmos o Seu amor por nós. Quem é um verdadeiro intercessor já deve ter sentido o mesmo que Davi: o choro do Espírito por alguns de Seus filhos. Essa é uma prova de que o Ágape envolve, sim, a emoção, tanto a nossa quanto a Dele; entretanto, extrapola a nossa compreensão, por abranger outros atributos invisíveis de Deus que ainda estão ocultos para nós. Na verdade, o amor de Deus está associado à obediência, à entrega e à doação, não anulando, entretanto, os sentimentos inerentes a tudo isso. Sua plenitude se transfere a nós.


Jesus bate à porta


Baseados nisso, podemos compreender que Ele se importa em participar da nossa comunhão fraternal, da mesma forma que se importa em melhorar uma relação conjugal. O que acontece é que o ser humano, inclusive os próprios filhos de Deus, está perdendo o contato com suas emoções, por isso, o Espírito não pode manifestar o amor que sente por alguém, porque outra pessoa não quer “emprestar” suas emoções e seu corpo a Ele. É verdade que quando estamos em espírito numa oração, sentimos a presença do Senhor, seu carinho por nós, e choramos; entretanto, na maioria das vezes, é através de um corpo carnal que Ele se manifesta: num olhar, num abraço, num beijo carinhoso, numa palavra amiga ou num ato de benfeitoria que vem suprir a necessidade de alguém. A bíblia diz: “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente, como a consciência deles estão corrompidas” (Tt 1: 15). Se a nossa entrega ao Espírito Santo foi verdadeira e total, por que temer o que Ele nos faz sentir? Se crermos, de verdade, que Ele é o nosso único Senhor, todo o nosso ser lhe pertence; nem nós mesmos temos mais direito sobre nós, somente Jesus (1 Co 6: 19: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”). Assim, a atitude de amor que temos para com Deus (nossa forma de demonstrar amor a Ele) é obedecer-Lhe em tudo o que Ele nos pede e nos ordena a fazer, seja o que for. Para com nossos irmãos, o amor se resume em atitudes práticas e palpáveis decorrentes da vivência da própria Palavra (JESUS) em nós. Aí sim, o sentimento se une a uma ação.

Outro ponto importante antes de finalizar nosso raciocínio é que podemos imaginar essas três formas de amar como degraus a serem galgados, desde a parte mais “rude” do nosso ser que é o nosso corpo carnal, constituído de matéria orgânica sólida e líquida, até o nosso espírito, mais sutil e imaterial, à semelhança de Deus.

A carne sente falta do Eros, como uma sensação que, para ela, é a manifestação primordial do amor. Entretanto, outros animais também têm esse tipo de comportamento, visando à procriação da espécie. Somente ao homem o sexo foi dado como um privilégio, para que ele se alegrasse, não simplesmente procriasse. Em Pv 5: 15-20, quando Deus adverte contra a lascívia, está escrito: “Bebe a água da tua própria cisterna e das correntes do teu poço. Derramar-se-iam por fora as tuas fontes, e, pelas praças, os ribeiros de águas? Sejam para ti somente e não para os estranhos contigo. Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias. Por que, filho meu, andarias cego pela estranha e abraçarias o peito de outra?” O sexo promove apenas uma sensação de prazer momentâneo, envolvendo endorfinas e outros neurotransmissores cerebrais. Nossos órgãos sexuais não são essenciais como o coração, os rins e os pulmões em se tratando da manutenção da vida. O maior exemplo disso são os casos de doenças graves, em que um dos primeiros sintomas que aparecem é a amenorréia (parada da menstruação, na mulher) ou a perda da libido (no homem ou na mulher). Embora algumas correntes da ciência tentem provar que o ser humano não pode passar tantos dias ou meses sem ter relações sexuais, correndo o risco de perder sua estabilidade emocional e mental, a bíblia nos dá vários exemplos de pessoas solteiras que foram poderosamente usadas por Deus e não demonstraram desequilíbrio, pelo contrário, mostraram o domínio próprio gerado pela convivência com o Espírito Santo.

O que nos torna diferentes dos animais em relação a essa área é o envolvimento emocional, o segundo degrau, portanto, o que a alma sente como uma manifestação essencial do amor. Esse segundo “estágio de crescimento” (o amor de família, Storge, e o amor de amigo, o Philleo) pode ser subdividido, por assim dizer, em outros degraus dependendo do entendimento psicológico e emocional da pessoa, tornando a relação mais superficial ou mais profunda com o cônjuge ou com qualquer outro ser humano, desde familiares, amigos mais íntimos ou simples conhecidos. É aí que Deus deseja ampliar o amor na vida de Seus filhos, a fim de que possam atingir um grau maior de maturidade, que é o terceiro degrau, o Ágape.

Nesta fase, os sentimentos particulares da alma e do corpo ficam em segundo plano, dando lugar aos sentimentos maiores de amor do Espírito por mais pessoas que, não necessariamente, são do nosso relacionamento pessoal. Para nós é impossível chegar a amar o mundo como Jesus, considerando cada ser humano como seu amigo ou como alguém da própria família, mas podemos deixar que o Espírito Santo, ao longo da nossa vida, vá retirando de nós o egoísmo inato da carne, dando mais espaço para o verdadeiro amor espiritual fluir, pois só com esse tipo de amor é que o nosso espírito sente realmente a presença de Deus e atinge Seu coração.

Sendo assim, vamos colocar alguns versículos bíblicos que possam nos esclarecer a respeito das manifestações do amor que nos foi dado por Deus como uma grande força geradora de vida e saúde. Ele quer nos dar a plenitude, física, emocional e espiritual, portanto, a nossa parte é nos entregarmos incondicionalmente a esse mover. Só assim teremos o real aprendizado. Dependendo do nosso chamado, uma das áreas deverá sobressair, entretanto, nenhuma delas poderá ficar mal-resolvida, caso contrário traria desequilíbrio em outra e impediria o trabalhar de Deus.

Vamos procurar entender o que é certo e o que é errado, baseados na Palavra e, assim, andar de conformidade com ela, livres de confusões. Embora eu tenha descrito “degraus” a serem galgados, não quero menosprezar nenhuma manifestação amorosa, pois todas são sublimes quando há participação do Espírito Santo. O que eu quis dizer é que à medida que o crescimento espiritual se faz presente, as necessidades passam a ser diferentes, colocando a carne debaixo do domínio do Espírito e abrindo-a para uma profundidade e para uma amplitude maior de amor. É como se o Espírito de Deus dentro do nosso ser precisasse de mais espaço para poder se mover, e umas poucas pessoas para amar o deixasse limitado. Deus precisa de muitas pessoas para amar. Em outras palavras, trata-se da mesma “energia” ou “força”, apenas direcionada para uma área ou para outra conforme a necessidade do momento e o desejo do Espírito Santo. Depende muito do Seu chamado para cada filho e da personalidade de cada ser humano aliada ao seu livre-arbítrio.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


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