Estudo sobre o episódio da transfiguração de Jesus. Os discípulos presenciaram ali no monte Hermom uma revelação da verdadeira imagem do Senhor; viram Sua forma glorificada como Ele tem no trono ao lado de Deus Pai. Jesus se revelou como Messias e Filho de Deus.


A transfiguração de Jesus




“Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras (a revelação que Pedro teve sobre ser Jesus o Filho de Deus e o Messias), tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar (provavelmente o monte Hermom, ao norte de Israel, pois em Mt 15: 29 a bíblia diz que Jesus e Seus discípulos foram para a Galiléia; mais adiante, em Mt 16: 13 está escrito que rumaram mais para o Norte, para Cesaréia de Filipe, irmão de Herodes, e que reinava no norte de Israel. Finalmente, em Mt 17: 1 está escrito que Jesus levou Pedro, Tiago e João a um alto monte, e o Hermom é um alto monte). E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura. Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, os quais apareceram em glória e falavam de sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém. Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram sua glória e os dois varões que com ele estavam. Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então, façamos três tendas: uma será tua, outra de Moisés, e outra, de Elias, não sabendo, porém, o que dizia. Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem. E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi. Depois daquela voz, achou-se Jesus sozinho. Eles calaram-se e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto” [em Mc 9: 9 e Mt 17: 9, a bíblia diz que Jesus lhes ordenou a não contarem a ninguém o que tinham visto até que Ele ressuscitasse: “E descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos”] – (Lc 9: 28-36).


A transfiguração de Jesus


A palavra transfiguração, no dicionário de língua portuguesa, tem o significado de: mudança radical na aparência (imagem), no caráter, na forma; transformação, metamorfose. Isso quer dizer que os discípulos presenciaram ali no monte Hermom uma revelação da verdadeira imagem do Senhor, pois viram o Seu Espírito, Sua forma glorificada como Ele tem no trono ao lado de Deus Pai. A principal revelação foi a de Jesus como o Cristo e Filho de Deus. Dessa forma, quando estamos buscando uma revelação do Senhor para a nós, precisamos subir a um patamar espiritual onde ela é possível, ou seja, nos separar das distrações que nos cercam na vida natural e rotineira para estarmos em comunhão maior com o Espírito Santo. Isso pode ser feito através de um jejum, que coloca a nossa carne num grau de força menor que o nosso espírito e, conseqüentemente, nos traz uma sensibilidade maior às coisas espirituais, mais precisamente à voz de Deus. Ao longo da nossa caminhada cristã esse hábito de estar em comunhão maior com Ele vai se aperfeiçoando e nos “afiando” na Palavra e no conhecimento do mundo espiritual em si, nos dando estratégias para vencermos as dificuldades do nosso dia a dia.

Aqui podemos tirar dois ensinamentos. Primeiro: orar reverentemente como Jesus fez muda a nossa imagem, ou seja, nós nos aproximamos Dele em oração e passamos a enxergar quem verdadeiramente somos. Nós compreendemos que, mais do que um corpo carnal, temos um espírito criado pelo próprio Deus; ele foi despertado do seu sono quando recebemos Jesus como Senhor e Salvador e agora se encontra sob Seu domínio, portanto, nós vamos sendo aperfeiçoados para termos o verdadeiro conhecimento de quem é o nosso Criador. Jesus disse: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3: 6).

Em segundo lugar, podemos perceber que Ele chamou Seus discípulos mais chegados: Pedro, Tiago e João. Quando estudamos sobre o chamado dos doze, dissemos que “ser Pedro” é ser uma rocha, estar firmado na Palavra, não desistir de seguir a Jesus. Ser um “Tiago” é permanecer inquebrantável diante das situações adversas que procuram nos envergar tentando “quebrar nossa fé”. E ser como “João” significa ter sempre a certeza de que Deus é abençoador, gracioso para conosco, como filhos. Portanto, quem quer “subir ao monte” com Jesus e ter a revelação de quem Ele é e qual a Sua vontade tem que ser como Pedro, Tiago e João, guerreiros, pois uma das coisas que o inimigo mais luta para tirar de nós é a comunhão com o Senhor, pois sabe que no trono ele não pode estar; aquele lugar é exclusivo para os que são filhos de Deus.

Quem sobe ao monte recebe o direito de ver a glória de Deus. A palavra bíblica para glória do Senhor é kãbhôdh (hebr.; pronuncia-se: kavôd) ou doxa (Septuaginta, a versão grega do AT) = peso ou dignidade, e que pode ser entendida como a manifestação do poder de Deus onde é preciso, vitória, proteção, abundância, riqueza, dignidade, reputação (Êx 40: 35; 1 Sm 4: 22; 1 Sm 6: 5; 1 Rs 3: 13; 1 Rs 8: 11; 1 Cr 16: 28; 1 Cr 29: 12; Is 11: 10; Is 24: 23; Is 42: 12 etc.). É o equivalente judaico do Espírito Santo. A presença de Deus entre nós traz, portanto, vitória, abundância, proteção, dignidade, riqueza, reputação, manifestação do poder de Deus onde precisamos. Dessa forma, mesmo que não o vejamos como Moisés o viu, nosso espírito, em oração, pode perceber todas essas manifestações divinas e direcionar esse poder para qualquer área da nossa vida que esteja precisando de um avivamento e de uma mudança. A nossa oração trará uma “transfiguração” naquele problema.

A bíblia fala que ao lado de Jesus apareceram Moisés e Elias. Eles representam a Lei e os Profetas a testificarem sobre o Messias, como coisas cumpridas e superadas por Ele. Em outras palavras, Deus permitiu que os discípulos vissem o espírito de Moisés e Elias para que entendessem que a Lei e as profecias anteriores estavam sendo cumpridas, agora, na pessoa de Jesus. A bíblia também diz que eles conversavam sobre a partida de Jesus, que estava para se cumprir em Jerusalém. Deus estava revelando que, da mesma maneira que fez milagres no passado através dos Seus servos, estava fazendo milagres nesses dias através do Seu Filho, em especial a salvação da humanidade. A voz que disse: “Este é o meu Filho amado, a ele ouvi” confirmou Jesus, não apenas como o Messias, mas igualmente como o Profeta mencionado por Moisés em Dt 18: 15: “O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de seus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás”. O apóstolo João escreveu:
• Jo 5: 46: “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele também escreveu a meu respeito”.
• Jo 1: 45: “Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José”.
• Jo 1: 21: “Então lhe perguntaram [a João Batista]: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não”.
• Jo 6: 14: “Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera [a multiplicação de pães e peixes], disseram: este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo”.

Portanto, os discípulos tiveram mais uma vez a revelação de Jesus como Filho de Deus, o Messias esperado, e como o profeta anunciado séculos antes. Como profeta, Jesus profetizou sobre a humanidade e o que aconteceria nos últimos tempos com os escolhidos e com aqueles que o rejeitassem. Suas revelações apocalípticas estão se cumprindo, como se cumpriu Sua profecia acerca da destruição de Jerusalém e do templo pelos romanos. Como um aprendizado para nós, este texto bíblico não só nos revela Jesus como Messias, Filho de Deus e profeta, mas nos mostra que muitas revelações de Deus para nós devem ser guardadas por um tempo até o momento certo de proclamá-las, pois nem todos estão prontos para recebê-las; por isso Jesus pediu aos discípulos para que nada contassem a respeito disso por causa do povo, que ainda não estava apto a compreender os mistérios ali revelados pessoalmente a eles. Esse intervalo também beneficiaria os discípulos, dando tempo à suas almas de assimilarem a revelação que já tinha sido ministrada nos seus espíritos.

Conosco ocorre a mesma coisa. O Senhor nos dá uma revelação, seja ela como for: em sonhos, em visões, em percepções interiores, mas nossa alma precisa ser trabalhada mais um pouco ainda para que estejamos prontos a ver o cumprimento da experiência que nos foi dada. Por isso, precisamos guardar com muito cuidado aquilo que Ele nos dá em particular, porque pode vir a se manifestar muito tempo depois e, se não dermos crédito a isso, perderemos nossa bênção, pois já teremos esquecido a revelação anterior que nos manteria firme na fé. Crendo, não seríamos roubados das nossas vitórias e teríamos a oportunidade de descobrir os dons espirituais que Deus deseja derramar sobre nós. Com certeza, desceram do monte refletindo bastante sobre o que viram.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Ensinos, curas e milagres

Ensinos, curas e milagres

Teachings, healings and miracles

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