Estudo sobre as maldições quebradas por Jesus na cruz. O que significa crucificar a carne? Crucificar é tomar a decisão de não satisfazer nossos desejos e gostos que induzam ao pecado. Como crucificamos nossos pecados?


As maldições quebradas na cruz




Maldição é a palavra que sai da boca de Deus como Seu julgamento contra o pecado, em especial a condenação eterna sobre os desobedientes e impenitentes. No AT isso foi bastante visível nas maldições relatadas em Dt 28: 15-68. A pessoa sofria as conseqüências do pecado por motivo do julgamento de Deus (Davi, por exemplo, foi perdoado no caso de Urias, mas teve a sentença de Deus como maldição sobre a sua descendência: “A espada não se apartará da tua casa” – 2 Sm 12: 10). Jesus quebrou na cruz a maldição de Deus sobre o pecado dos homens (as maldições escritas no Livro da Lei), abrindo a porta para o Seu trono e para a vida eterna. Portanto, nós não estamos mais debaixo da maldição da Lei, ou seja, não é pelos nossos bons atos que seremos salvos, mas pelo sangue de Jesus. A maldição de Deus não está mais sobre nós, pois Jesus a sofreu em nosso lugar (Gl 3: 13). Quem o recebe em sua vida, é justificado e liberto. Quem o rejeita, permanece debaixo da ira de Deus (Gl 3: 10).

Porém, quando pecamos e Ele nos perdoa, ainda assim o nosso ato pecaminoso e o que saiu da nossa boca (‘uma maldição de sentença’) acarretaram uma conseqüência ruim para nós e para outros, que só será quebrada de fato com o nosso novo posicionamento em Cristo: quebrando com a nossa boca as maldições que proferimos, aprendendo a abençoar vidas, pedindo perdão a quem ferimos e liberando perdão para quem nos feriu, restituindo o que foi roubado, agindo como um verdadeiro discípulo de Cristo e lutando pela justiça de Deus na terra. Esta parte é da nossa incumbência.

Em Cristo, somos novas criaturas (2 Co 5: 17), fomos perdoados e agora temos direito à Sua bênção, se andarmos de acordo com a Sua vontade para nossa vida. Entretanto, o fato de aceitarmos Jesus como Senhor e Salvador por si só não nos transforma em seres perfeitos e santos. O nosso espírito é completamente novo e recriado, mas a nossa alma e o nosso corpo não acompanham essa transformação imediata. Por isso, o apóstolo Paulo fala em desenvolvermos a nossa salvação com temor e tremor e confirma que nem ele conseguiu chegar à perfeição (Fp 2: 12b; Fp 3: 12-16). Em outras palavras, nós conquistamos na vida material a bênção que Jesus já nos deixou nas regiões celestiais (Ef 1: 3; 20-23; Ef 2: 6; Ef. 3: 10; Ef 6: 12).

Só uma palavrinha sobre guerra espiritual e as regiões celestiais mencionadas acima:
Deus Pai está diretamente relacionado ao nosso espírito, pois o espírito de qualquer ser na terra Lhe pertence (Ec 12: 7: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”) e, na bíblia, encontra-se a palavra ‘céu’ como o símbolo dos lugares espirituais onde está a morada de Deus, o Seu trono, onde as coisas não são visíveis. Nas chamadas ‘regiões celestiais’ (ou no ‘mundo espiritual’ como as pessoas dizem; na bíblia, também chamadas de: ‘regiões celestes’ ou ‘lugares celestiais’), como foi referido acima em Efésios (Ef 1: 3; 20-23; Ef 2: 6; Ef 3: 10; Ef 6: 12), estão anjos e demônios, e correspondem à nossa alma, lugar das nossas emoções, pensamentos e vontade e que Satanás verdadeiramente disputa. Por isso, Jesus veio para resgatá-la, dando-nos o exemplo através de uma vida santa como homem na terra, sujeito às mesmas fraquezas que nós. O Espírito Santo corresponde à força espiritual divina que nos é dada quando aceitamos Jesus como Senhor e Salvador e que passa a tomar posse do nosso ser como um todo, também da nossa carne (corpo físico), sendo responsável por ela como o santuário onde Deus habita. Por isso, precisamos do poder do Espírito Santo para nos mantermos firmes contra as investidas do inimigo, conservando nosso corpo santo e incontaminado (Tg 1: 27b). Dessa maneira, as nossas emoções estarão também protegidas e fortalecidas, alinhando-as com o nosso espírito e com a vontade soberana de Deus. Além disso, é através do Espírito Santo que o poder de realizar milagres, vindo do Pai, se manifesta.

No dicionário, a palavra ‘maldição’ tem o significado de: ato ou efeito de amaldiçoar ou maldizer; praga; desgraça, infortúnio, calamidade. Assim, não apenas Deus tem uma palavra de maldição contra o pecado, mas o ser humano também pode amaldiçoar. Isso significa para nós que ‘maldição’ é a autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem para causar dano à vida do amaldiçoado, desde palavras depreciativas até fazendo juramentos em confirmação à palavra maldita que está sendo liberada ou invocando poderes malignos. Figuras de autoridade como pais, avós, cônjuges (em especial o marido), professores, líderes religiosos, médicos e outros profissionais de saúde podem influenciar de maneira positiva ou negativa as pessoas que estão em submissão a eles. A palavra negativa se torna uma maldição, principalmente quando vem com força emocional ou capacidade espiritual para gerar ‘vida’ ao que está sendo dito. Um dos piores exemplos é: “O diabo que te carregue”.

Aqui entra um detalhe interessante por ser algo muito sutil, usado pelo inimigo como uma legalidade de interferir na vida de pessoas, crentes e não crentes, porém inconscientes de tudo isso. Um palavrão, uma palavra de murmuração constante ou um ‘ditado familiar’ que se repete por anos entre os membros daquela família, e que muitas vezes são ouvidos por crianças pequenas que passam muitas horas do dia ao lado desses adultos desconhecedores da palavra de Deus, podem ser incorporadas pelo seu inconsciente, mesmo que não sejam palavras malditas direcionadas propositalmente contra elas, mas se tornam âncoras, através das quais o inimigo manipula a vida e as atitudes delas por longos anos. Por isso, certos crentes não entendem porque não conseguem ‘soltar’ sua vida. Crêem em Deus, liberam Sua palavra com fé, trabalham pela conquista de suas bênçãos, andam sobre a palavra, mas não conseguem nada. Não é só barreira espiritual das trevas. É porque há uma barreira humana inconsciente; e isso acontece até que o Espírito Santo traga essa armadilha à luz, ou seja, certas palavras venham à tona. Aí, sim, debaixo de unção espiritual, elas podem ser quebradas e haja uma verdadeira libertação.

Na cruz, através dos Seus sofrimentos e do sangue derramado, o Senhor quebrou todas as maldições que nos afligem, a maldição da Lei e a maldição dos homens:

1) A primeira foi no Getsêmani através do sangue perdido pelo suor. Jamais estaremos sozinhos na nossa dor. Quando estivermos passando por alguma dificuldade, saberemos que Jesus continua intercedendo junto ao trono de Deus pela nossa vida (Rm 8: 34). Através do suor de sangue, o Senhor aqui quebrou a nossa maldição de abandono, rejeição e solidão. Não temos mais que suar de medo frente ao inimigo e suas ameaças. Não temos mais que nos sentir sozinhos e abandonados diante de certas circunstâncias. Ele já sofreu por nós. Não temos mais que nos sentir abandonados pelos amigos, pois Ele já passou por isso em nosso lugar e nos diz que Ele é o nosso melhor e mais confiável amigo. Ele não nos deixa nem nos abandona e está conosco em todos os momentos difíceis. Por isso, em todas as nossas “aflições no Getsêmani” podemos ter certeza de tê-lo ao nosso lado. Nenhuma atitude ou palavra de maldição, nem nossa nem de ninguém, tem mais poder de nos fazer sentir isolamento, abandono e solidão. Jesus disse: “E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do século”. Também disse: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco. O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (Jo 14: 16-18)... “E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8: 29).


Jesus no Getsêmani


2) Rosto desfigurado pelos golpes. Aqui Ele quebrou nossa maldição de vergonha e humilhação. Palavras malignas nos esbofeteiam deformando nossa auto-imagem e nossa auto-estima, fazendo-nos sentir envergonhados e humilhados diante das situações que não estamos conseguindo resolver. Jesus tomou sobre o Seu próprio rosto as afrontas para que o nosso possa mostrar a Sua luz e a Sua confiança todos os dias, diante de todos os nossos desafios. “... o meu direito está perante o Senhor, a minha recompensa, perante o meu Deus” (Is 49: 4b)... “... eu sou o Senhor, vosso Deus, e não há outro; e o meu povo jamais será envergonhado” (Jl 2: 27b)... “Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (Tg 4: 10).

3) Coroa de espinhos. Seus olhos ficaram embaçados pelo sangue para que pudéssemos ver longe. Quebrou nossa maldição de mentalidade medíocre, dos pensamentos limitantes que outras pessoas nos impõem e da cegueira espiritual trazida pelo inimigo para que não vejamos a verdade e não possamos tomar decisões corretas e conscientes na vida. A coroa apertou e comprimiu Sua cabeça e Sua mente para que nossa mente fosse livre de toda a mediocridade e dos pensamentos e lembranças indesejáveis que nos ferem como espinhos. A bíblia diz que temos a mente de Cristo (1 Co 2: 16); portanto, ter os Seus pensamentos na nossa mente coloca sobre nós uma coroa de glória. Os pensamentos do mundo são espinhosos para nós e não mais devemos deixar que eles façam parte do nosso ser. Nenhuma palavra de maldição tem poder contra a palavra viva e libertadora vinda da boca de Deus para os que estão cobertos pelo sangue do Seu Filho.


coroa de espinhos


4) Açoites nas costas. Através do flagelo que sofreu, levou toda a opressão, violência e agressão que tenta nos atingir. Trouxe-nos cura física e emocional. Às vezes, nos sentimos violentados, física, emocional, mental, moral e espiritualmente por Satanás ou pelas pessoas e situações que nos rodeiam. Palavras malditas podem ter dado legalidade a ele para agir com ódio sobre nós até que passamos a conhecer o mistério da cruz. Ao relembrar a violência e a agressão que Jesus sofreu, podemos perceber que toda a agressão e desolação da nossa alma não são nada diante daquilo. Por isso, através do Seu sangue e do Seu sacrifício podemos nos sentir libertos e curados de todas as lembranças de violência sofrida. Podemos compreender Is 25: 8-9 e ter nossos olhos secos de toda lágrima pela vergonha que passamos. Ele (Jesus) é o nosso escudo, que nos cerca por trás e por diante nos protegendo dos dardos inflamados do diabo e das “âncoras dos aprendizados passados” que ficam ocultos e enterrados no nosso inconsciente, dificultando-nos de ver a verdade e impedindo o Espírito Santo de agir livremente em nós. A afronta já não é mais nossa, mas do Senhor. Is 25: 8-9 diz: “Tragará a morte para sempre e, assim, enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou. Naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos”. Através do Seu sangue derramado ali, Ele também nos trouxe a cura física, e nós só conseguimos isso quando conseguimos atingir outro patamar de compreensão; não mental, mas espiritual. Eu gostaria de colocar aqui uma experiência, dentre muitas, que tive com o poder do sangue de Jesus naquela cruz. Uma determinada pessoa, usada pelo diabo com ódio da minha vida, resolveu usar palavras completamente “envenenadas” contra mim por causa de um irmão em Cristo com quem eu tinha orado um ou dois dias antes. De repente eu senti muitos dardos e muita violência atingindo o meu espírito e comecei a orar por libertação, uma vez que eu não tinha feito nada de errado. Eu sentia a violência e a opressão das trevas, mas para minha surpresa, eu me vi pregada na cruz junto com Jesus. Eu via as trevas vindo com fúria e, de repente, saiu uma “unção muito suave” de dentro do meu coração, porém, com muita determinação, e então, eu percebi que não era exatamente do meu coração que ela saía, e sim do coração de Jesus, pregado ali comigo. As trevas começaram a recuar e eu passei a sentir alívio e libertação. Como isso, o Senhor me mostrou que o Seu amor ali estava neutralizando aquela força destruidora, ou seja, o Seu amor e o poder do Seu sangue naquele momento me confirmaram o que foi feito na cruz por mim e por todos os homens, principalmente quando Ele liberou o perdão para os Seus executores. O amor de Jesus nos protege de todo tipo de açoite e agressão, seja física, emocional ou espiritual, através das palavras amaldiçoadas e carregadas com poder destrutivo e que tentam nos atingir.


Jesus carregou a cruz


5) Mãos presas pelos pregos. Quebrou nossas maldições de mãos presas pelo egoísmo, mãos que não amam, não abraçam, não realizam; de insucesso, limitações, fracassos, de coisas que se começam, mas não terminam; às vezes até por maldições de palavras violentas que vêm para tentar destruir nosso trabalho ou frustrar um projeto que já foi determinado pelo Senhor para nós. Entretanto, a bíblia diz em Dt 28: 8 que eu me alegrarei em tudo o que eu fizer e em tudo o que eu colocar a mão prosperará: “O Senhor determinará que a bênção esteja nos teus celeiros e em tudo o que colocares a mão; e te abençoará na terra que te dá o Senhor, teu Deus”. No NT Lucas escreve: “Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos” (At 5: 12a). Quantas curas e libertações foram feitas pelas mãos de Jesus e pelas dos apóstolos? Nossas mãos estão livres para servir, tocar, realizar milagres, semear e prosperar, trabalhar e ver o fruto do nosso trabalho: “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem” (Sl 128: 2). Nenhuma palavra maldita pode nos impedir de realizar o que o próprio Deus já ordenou para nós. E nenhuma palavra maldita ou arma das trevas pode nos impedir de receber a recompensa do trabalho das nossas mãos.

6) Pés presos pelos pregos. Quebrou nossa maldição de paralisia diante das barreiras e fronteiras colocadas pelo inimigo. Ele nos permitiu tomar posse de toda terra onde pisamos (Dt 11: 24: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, desde o deserto, desde o Líbano, desde o rio, o rio Eufrates, até ao mar ocidental será vosso” e Js 1: 3: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés”). Dessa forma, Jesus nos enche de ousadia para caminharmos pelos caminhos determinados por Ele para nossa vida. “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1: 9).

7) Lança no lado (Jo 19: 34: “Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água”). Saiu do lado de Jesus água (símbolo da Palavra Viva) e sangue (símbolo de proteção, pois com ele nós fomos comprados, propiciados). Ele nos deu essas duas armas para que nós não sejamos mais derrotados nem fracassados ou impotentes. Em Ap 12: 11 e Ap 17: 14 podemos ler: “Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida”; “Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos Senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele”. Muitas vezes em nossa caminhada cristã levamos setas do inimigo (através de palavras malditas e sentimentos ruins), sobretudo em nosso coração, sobre nossas emoções, setas que nos desestabilizam e vão nos “matando” e “envenenando” aos poucos. Mas o Senhor não só sofreu como alvo de setas do diabo e das pessoas ao Seu redor, setas de todos os tipos, como levou uma lança no lado atingindo o Seu coração. Ele já estava morto, mas Satanás por covardia desfechou-lhe esse último golpe (Jo 19: 33-34: “Chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água”). Jesus recebeu uma lança em Seu tórax para que o nosso tórax fosse protegido de setas e dardos. Através do Seu amor, conhecemos a Sua justiça. Por isso, podemos nos revestir com a couraça da justiça, que faz parte da nossa armadura como cristãos. Não precisamos mais abrigar setas no nosso peito, principalmente aquelas que nos impedem de amar e nos obrigam a nutrir vingança. Quando entregamos nas mãos de Deus a vingança, descobrimos que, aí sim, estamos exercitando o ‘crucificar’ das nossas derrotas e fracassos, pois entregamos com confiança nossa causa ao único que pode verdadeiramente nos defender do maligno. Sem o sentimento de vingança no nosso coração, podemos realmente exercer a autoridade que Deus nos dá e exigir que o mal saia da nossa vida. “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4: 7)... “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4: 7-8)... “... A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12: 19b).

8) O Senhor ficou calado diante de todo o sofrimento que sofreu nas mãos dos romanos (Is 53: 7 e 1 Pe 2: 23-24: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca”; “Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados”). Ele ficou calado e em nenhum momento usou de Sua autoridade e identidade de Filho de Deus para abreviar Seu sofrimento, pelo contrário Ele se submeteu ao tribunal humano: Mt 26: 53: “Acaso pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?” (1 legião corresponde a 3 a 6 mil soldados, ou seja, o Senhor poderia convocar mais de 36 ou 72 mil anjos); Jo 19: 11: “Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem”. Ele ficou mudo para que nós pudéssemos ter a liberdade de expressão, a liberdade de dizer e de ser quem somos, de tornar manifesta diante dos nossos inimigos a nossa identidade de filhos de Deus e a autoridade que Ele nos deu sobre as trevas. Quebrou aqui nossa maldição de mudez e covardia diante das situações que o diabo nos faz engolir. Também nos ensinou a nos calarmos diante das suas provocações para dizermos o que ele quer e, depois, nos arrependermos do que falamos sem pensar (revidar as afrontas – Ec 7: 20-22: “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque. Não apliques o coração a todas as palavras que se dizem, para que não venhas a ouvir o teu servo a amaldiçoar-te, pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros”). Isso é sabedoria: quando calar e quando falar e aprender a guerrear da maneira de Deus: orando, louvando e profetizando a Sua palavra. “A palavra de Deus não está algemada” (2 Tm 2: 9b); “agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus. Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (At 4: 29-31)... “Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem” (Lc 21: 14-15).

9) Outra maldição quebrada na cruz foram os rótulos que colocam sobre nós durante toda a nossa vida e que, às vezes, nós mesmos colocamos em nós ou nos outros; frases verdadeiramente limitantes e destruidoras. Em Jo 19: 19-22 podemos ver que foi Pilatos (Satanás) que colocou o rótulo (v.22), não Jesus: “Pilatos escreveu também um título e o colocou no cimo da cruz; o que estava escrito era: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS [INRI,o acrônimo da frase em latim: Iēsus Nazarēnus, Rēx Iūdaeōrum – minha nota]. Muitos judeus leram este título, porque o lugar em que Jesus fora crucificado era perto da cidade; e estava escrito em hebraico, latim e grego. Os principais sacerdotes diziam a Pilatos: não escreva: Rei dos judeus, e sim que ele disse: Sou o rei dos judeus. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi”. Pilatos escreveu e não permitiu mudá-lo. Rótulos são maldições de sentença, e debaixo da autoridade do Espírito Santo nós devemos quebrá-las e assumir nossa identidade de filhos de Deus com autoridade sobre todo o mal e capazes de reescrever nossa própria história. Mesmo sendo afrontados, devemos nos comportar como nova criatura em Cristo assumindo a identidade que Ele nos deu, não a que o diabo queria nos dar. Só Deus pode dizer o que somos: “Em todas essas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8: 37)... “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, com ele seremos glorificados” (Rm 8: 16-17)... “Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas” (Pv 31: 29)... “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4: 13)... “...Tu és meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41: 9b).

10) Rasgar as vestes. Em Jo 19: 23 está escrito: “Os soldados, pois, quando crucificaram Jesus, tomaram-lhes as vestes e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e pegaram também a túnica. A túnica, porém, era sem costura, toda tecida de alto a baixo”. Para o judeu, as vestes representavam a personalidade. Vestes rasgadas eram um sinal de dolorosa ferida interior. Assim, Jesus deixou que Suas vestes fossem rasgadas para que nós pudéssemos ter vestes espirituais novas e inteiras, de santidade e justiça, como filhos do Rei. Com essa atitude, tirou nossas vestes de pranto e nos deu vestes de alegria e vitória. Ele deixou que Satanás rasgasse Suas vestes de Filho de Deus para dá-las a nós, ao invés de deixar o diabo rasgar nossas roupas de santidade e nos tornar mendigos espirituais pelo pecado. Jesus impediu que as nossas feridas emocionais fossem expostas ao inimigo. A boca molda o mundo espiritual; o que entra pelo ouvido pode construir ou destruir a alma; e o que os olhos vêem são trazidos para o físico. Muitas palavras malditas ou depreciativas ouvidas por muitos anos destroem a personalidade de uma pessoa, e conseqüentemente, suas emoções, sua mente e seu espírito. Jesus veio para nos trazer a restauração da alma, através das Suas palavras de vida. Por isso, lê-las ou ouvi-las freqüentemente ajuda a restaurar nossa alma ferida, Seu Espírito reconstrói o que foi destruído pela maldade do inimigo. No Sl 30: 11 está escrito: “Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria”. E em Is 61: 3 podemos ler: “e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado”. É interessante aqui o comentário sobre a túnica de Jesus ser tecida em uma só peça, sem ter costuras. Da mesma maneira eram as vestes dos sacerdotes, de linho e sem costuras. Isso vem a confirmar o Seu sacerdócio eterno. Mais do que isso, suas vestes inteiras, sem rasgos ou costuras, para nós significa que Ele era um homem justo, sem pecado e por isso a sua alma não tinha brechas.

Conclusão

Essa vitória já foi conquistada por Jesus para nós, mas nós conquistamos na vida material a bênção que Jesus já nos deixou nas regiões celestiais, através do nosso novo posicionamento em Cristo: quebrando com a nossa boca as maldições que proferimos, aprendendo a abençoar vidas, pedindo perdão a quem ferimos e liberando perdão para quem nos feriu, restituindo o que foi roubado, agindo como um verdadeiro discípulo de Cristo e lutando pela justiça de Deus na terra. Esta parte é da nossa incumbência.

O que significa crucificar a carne?

Crucificar é tomar a decisão de não satisfazer nossos desejos e gostos que induzam ao pecado.

Quando falamos de crucificar nossos pecados, maldições e problemas na cruz (isto é, deixá-los na cruz para sermos livres deles), muitas vezes não sabemos como fazê-lo ou o que realmente ocorre quando aceitamos essa palavra no nosso coração como verdade. Sabemos que tudo ocorre pela fé, mas nossa alma, nossa racionalidade humana, procura entender o processo e isso não é necessariamente mau, mas uma curiosidade humana que precisa ser satisfeita por Deus para que nossa própria fé seja aumentada. O Senhor conhece o coração de cada filho e conhece também como cada um “funciona” internamente em relação à Sua Palavra. Em outras palavras, sabemos que Jesus já levou na cruz nossas dores, enfermidades etc., porém, não sabemos como nos livrar delas. Não basta declarar da boca para fora que Ele já levou nossas maldições, dores, sofrimentos e pecados e ignorar as deformidades que existem em nossa carne. Não é tão simples nos livrarmos das “manchas”. Is 53: 4-5 não é uma reza ou um amuleto contra Satanás, que falamos nas horas de perigo, e sim uma Palavra viva e poderosa que nos confronta com a cruz e nos traz o arrependimento verdadeiro através da revelação dos nossos erros. Com o coração nesta disposição interior estaremos prontos para sermos verdadeiramente libertos. Orar diante da cruz é fazer a troca: dar a Ele o nosso ruim e receber Dele o Seu melhor. Crucificar é tomar a decisão de não satisfazer nossos desejos e gostos que induzam ao pecado.

Como vimos anteriormente, devemos confiar totalmente na justiça de Deus, não na nossa, e deixar que todo o processo espiritual que só Ele sabe realizar se manifeste em nossa vida. Quando busquei esclarecimento e revelação de Deus para escrever este tópico, pois algumas pessoas já tinham me perguntado antes como ocorre a libertação ou o que deveriam fazer para tê-la, o Espírito de Deus me lembrou de duas situações no Antigo Testamento que exemplificam o processo da cruz: Entrega. É o que aconteceu, por exemplo, com Ezequias quando Senaqueribe veio afrontá-lo (Is 37: 14-20). Ele não reagiu por si mesmo, mas mostrou diante do Todo-Poderoso as afrontas e transferiu-as para Ele, pois na verdade, o inimigo estava afrontando a fé de Ezequias e, portanto, o Deus em que ele cria. Ele não se vingou por si mesmo, pois sabia que o adversário era mais forte, entretanto, deixou que o braço de Deus agisse por ele e, assim, teve a vitória. É o que nós devemos fazer: apresentar através das nossas orações diante da cruz tudo aquilo que nos pesa e deixar que o sangue de Jesus nos limpe e nos purifique daquilo que não é nosso. Outra passagem que o Senhor me mostrou está em Js 10: 26-27: “Depois disto, Josué, ferindo-os, os matou e os pendurou em cinco madeiros; e ficaram eles pendentes dos madeiros até à tarde. Ao pôr-do-sol, deu Josué ordem que os tirassem dos madeiros; e lançaram-nos na cova onde se tinham escondido e, na boca da cova, puseram grandes pedras que ainda lá se encontram até o dia de hoje”.

As palavras em negrito são revelações importantes para nós. Pendentes dos madeiros até à tarde significa que devemos orar, entregar nosso problema na cruz e esperar a resposta de Deus. Não demora dias, mas segundos, pois é o processo instantâneo do sangue que ocorre pela fé. Depois, Josué ordenou que os tirassem dos madeiros e os lançassem na cova, ou seja, devemos enterrar e esquecer o que já foi limpo, perdoado e curado. Logo após, a bíblia fala que puseram grandes pedras, ou seja, erguer os muros, colocar a palavra de Deus no lugar e trabalhar para que ela aja e reconstrua o que antes estava destruído. É ter um novo comportamento após o ato do arrependimento e do perdão pelo sangue.

Em outras palavras, a libertação não ocorre apenas pelo conhecimento que temos sobre o assunto escrito acima, nem é conquistada pela nossa racionalidade ou vontade, mas pela ação espiritual de Deus, que atinge nossa alma de maneira profunda. Só Ele realiza esse tipo de cura interior. Por isso, quando você identificar o seu problema, ore como se estivesse diante da cruz e fale a Jesus tudo o que está no seu coração, até que você sinta o Espírito Santo tocando “na ferida”, pois é sinal de que sua alma está preparada para receber a cura. Provavelmente, as emoções virão à tona e você vai chorar. Mas continue conversando com Ele e deixe-o terminar o processo. Abra a bíblia e ouça o que Ele tem a lhe dizer. O alívio virá como sinal de que a libertação foi conquistada.

Dessa forma, através do sacrifício libertador da cruz somos transformados em novas criaturas e o que fomos antes de conhecer Jesus passa a fazer parte do ontem, pois com Ele começamos a viver o hoje e semeamos e construímos o nosso amanhã.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Cruz, sacrifício único ou diário?

Cruz, sacrifício único ou diário?

Cross, single or daily sacrifice?

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