A Nova Jerusalém tem doze portas como pérolas, muralha de pedras preciosas e uma praça de ouro puro. As pedras se assemelham à disposição das tribos ao redor do Tabernáculo e às pedras do peitoral do sumo sacerdote. João fez uso desse simbolismo.


A Nova Jerusalém




Apocalipse 21
9 Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias com os últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro;
10 e me transportou, em espírito, até uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus,
11 a qual tem a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina.
12 Tinha grande e alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
13 Três portas se achavam a leste, três, ao norte, três, ao sul, e três, a oeste.
14 A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
15 Aquele que falava comigo tinha por medida uma vara de ouro para medir a cidade, as suas portas e a sua muralha.
16 A cidade é quadrangular, de comprimento e largura iguais. E mediu a cidade com uma vara até doze mil estádios. O seu comprimento, largura e altura são iguais [um cubo perfeito, como era o Santo dos Santos, também chamado Debir, no tabernáculo e no templo, onde ficava a arca da Aliança; o Debir tinha dez metros e trinta e seis centímetros de comprimento por dez metros e trinta e seis centímetros de altura por dez metros e trinta e seis centímetros de largura e era coberto de ouro puro – inclusão minha].
17 Mediu também a sua muralha, cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, isto é, de anjo.
18 A estrutura da muralha é de jaspe; também a cidade é de ouro puro, semelhante a vidro límpido.
19 Os fundamentos da muralha da cidade estão adornados de toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento é de jaspe; o segundo, de safira; o terceiro, de calcedônia; o quarto, de esmeralda;
20 o quinto, de sardônio; o sexto, de sárdio (também chamado de cornalina); o sétimo, de crisólito; o oitavo, de berilo; o nono, de topázio; o décimo, de crisópraso; o undécimo, de jacinto; e o duodécimo, de ametista.
21 As doze portas são doze pérolas, e cada uma dessas portas, de uma só pérola. A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente.
22 Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.
23 A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada.
24 As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória.
25 As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite.
26 E lhe trarão a glória e a honra das nações (cf. Is 60: 11).
27 Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro.

O profeta Ezequiel viu uma cidade (Ez 48: 30-34), mas a descreveu com menos detalhes que João (Ap 21: 9-27). Trata-se da Nova Jerusalém, nossa morada celestial. João, como todos os outros antes dele, usou o simbolismo de pedras preciosas para descrever o brilho e o resplendor divino. As tribos no deserto acampavam ao redor do tabernáculo ou tenda da congregação e em volta do acampamento dos levitas. Assim, todas elas ficavam de frente para a tenda (Nm 2: 2). A leste se acampavam: Judá, Zebulom e Issacar. Ao sul: Rúben, Simeão e Gade. A oeste: Efraim, Manassés e Benjamin. Ao norte: Dã, Naftali e Aser. Assim como cada tribo tinha o seu estandarte, elas também eram simbolizadas por pedras, pedras essas colocadas no peitoral das vestes do sumo sacerdote. João usou mais ou menos o mesmo nome para as pedras (apesar das diferentes traduções posteriores); a única diferença é que individualizou cada uma (“fundamentos”), ao invés de colocá-las por “ordens” como foi usado em Êx 39: 8-14 por Moisés:

Êx 39
8 Fizeram também o peitoral de obra esmerada, conforme a obra da estola sacerdotal: de ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido.
9 Era quadrado; duplo fizeram o peitoral: de um palmo era o seu comprimento, e de um palmo dobrado, a sua largura.
10 Colocaram, nele, engastes de pedras, com quatro ordens de pedras: a ordem de sárdio, topázio e carbúnculo (na verdade, esmeralda) era a primeira;
11 a segunda ordem era de esmeralda (na verdade, granada), safira e diamante;
12 a terceira ordem era de jacinto, ágata e ametista;
13 e a quarta ordem era de berilo, ônix e jaspe; eram elas guarnecidas de ouro nos seus engastes.
14 As pedras eram conforme os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes; eram esculpidas como sinete, cada uma com o seu nome para as doze tribos.

Pedras que representavam as tribos


Pedra de Judá – Sárdio Pedra de Issacar – Topázio Pedra de Zebulom – Esmeralda
Judá – Sárdio; Issacar – Topázio; Zebulom – Esmeralda

Pedra de Rúben – Granada Pedra de Simeão – Safira Pedra de Gade – Diamante
Rúben – Granada; Simeão – Safira; Gade – Diamante

Pedra de Efraim – Jacinto Pedra de Manassés – Ágata Pedra de Benjamim – Ametista
Efraim – Jacinto; Manassés – Ágata; Benjamim – Ametista

Pedra de Dan – Ônix Pedra de Aser – Berilo Pedra de Naftali – Jaspe
Pedra de Dan – Ônix; Aser – Berilo; Naftali – Jaspe


Algumas pedras têm variadas traduções por falta de maior conhecimento do assunto na Antiguidade; por isso, muitos nomes usados em hebraico e grego podem trazer certa confusão. Por exemplo: sárdio (ou cornalina, variedade castanha de calcedônia), granada (traduzida erroneamente como: sardônio ou esmeralda), carbúnculo (às vezes, traduzida erroneamente como esmeralda), diamante (traduzida erroneamente como calcedônia), ágata (traduzida como crisópraso, uma calcedônia verde clara), crisólito (na verdade, ônix). O que podemos inferir pelos escritos de Moisés e João é que, talvez, Moisés tenha colocado as pedras das tribos de acordo com sua ordem no acampamento; João parece tê-las nomeado aleatoriamente.

Pedras no peitoral do sumo sacerdote (Êx 39: 8-14) – As mesmas ordens observadas no acampamento.


Pedras no peitoral do sumo sacerdote

Acampamento de Israel


Dessa forma, se nos basearmos nas pedras das vestes do sumo sacerdote, a nova Jerusalém teria a disposição semelhante das tribos ao redor da tenda da congregação. Veja a tabela abaixo:

Nova Jerusalém / Acampamento

* Outros nomes comumente usados na época. Em azul, os nomes normalmente conhecidos para elas em nossas traduções.


Tribo | ordem João | Moisés Ponto cardeal Cor
Judá | 1ª sárdio | sárdio Leste Vermelho
Zebulom | 1ª esmeralda | carbúnculo* Leste Verde
Issacar | 1ª topázio | topázio Leste Amarelo
Rúben | 2ª sardônio*(granada) | esmeralda* Sul Vermelho fogo
Simeão | 2ª safira | safira Sul Azul
Gade | 2ª calcedônia* | diamante Sul Branco
Efraim | 3ª jacinto | jacinto Oeste Amarelo
Manassés | 3ª crisópraso* | ágata Oeste Multicores
Benjamim | 3ª ametista | ametista Oeste Violeta
Dã | 4ª crisólito* (ônix)| ônix Norte Dourado
Naftali | 4ª jaspe | jaspe Norte Vinho
Aser | 4ª berilo | berilo Norte Verde-mar

Revelação sobre as pedras e a relação com a nova Jerusalém:

Embora pareça obscura para nós a relação entre as pedras escolhidas por Deus e cada tribo de Israel, podemos dizer num sentido geral que, para o Senhor, Seus filhos são jóias preciosas, cada um com uma unção diferente dando um colorido especial à Sua criação. Se tivéssemos que fazer uma correlação entre as faces dos querubins vistas por Ezequiel e João e a cidade quadrangular que está erguida para os que forem salvos, poderíamos dizer que, para estarmos lá, são necessárias quatro características:
a) o bom uso da autoridade, do poder e da liderança espiritual que foram colocados em nós (leão);
b) o uso adequado da inteligência e do livre-arbítrio dado por Deus aos Seus filhos (homem);
c) a sabedoria para lidar com os bens materiais e ser um verdadeiro adorador (boi);
d) a vontade de atingir as alturas espirituais e estar pronto à renovação que vem do Espírito Santo (águia).

Uma surpresa agora:

Ap 21
12 Tinha grande e alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
13 Três portas se achavam a leste, três, ao norte, três, ao sul, e três, a oeste.
14 A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro...
19 Os fundamentos da muralha da cidade estão adornados de toda espécie de pedras preciosas...
21 As doze portas são doze pérolas, e cada uma dessas portas, de uma só pérola. A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente.

É interessante perceber que essas pedras foram chamadas de fundamentos e nelas se encontravam igualmente doze pérolas, formando portas. Parece uma contradição entre o que está escrito no AT por Moisés sobre as pedras e o que está escrito por João, pois o apóstolo não mais se refere às pedras preciosas como os patriarcas e sim como os apóstolos, dando aos patriarcas o simbolismo de pérolas, mais precisamente de uma só pérola. Isso significa que os doze patriarcas representam as portas colocadas por Deus na terra para firmar Sua promessa de resgate com os homens, mais especificamente com o Seu povo escolhido (“uma só pérola” – Ap 21: 21). A eles, foi dada a Lei para que a cumprissem e se mantivessem junto ao Criador. Quando Jesus veio cumprindo-a e trazendo a nova aliança, Ele passou a preparar filhos com a Sua autoridade, por meio dos quais muitos outros povos pudessem conhecer a Salvação. Esses foram os apóstolos, simbolizados nesta visão de João como fundamentos adornados de todo tipo de pedras preciosas (Ap 21: 19).

Os patriarcas, portanto, foram as portas as quais o Senhor abriu para a aliança com o homem e construiu Sua obra, colocando regras para o ser humano, a fim de que ele entendesse ser possível passar para um novo nível de entendimento espiritual e atingir a perfeição (quatro lados da cidade, quatro ordens de tribos, quatro letras no nome hebraico do Senhor – YHWH, símbolo de um número perfeito, do homem unido à Trindade, o número do evangelho), portanto, a vida eterna. Entretanto, ao enviar Seu Filho a terra, Ele fundamentou definitivamente o caminho para que essa perfeição fosse atingida. Foi Jesus mesmo que disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14: 6). Dessa forma, os discípulos de Jesus, os doze apóstolos, são os fundamentos para a construção de uma grande obra, levando o evangelho e abrangendo todos os outros povos, não somente os judeus, mas igualmente os gentios (pedras preciosas de vários tipos – Ap 21: 19) nos quatro cantos da terra. Através da obra que eles deixaram estabelecida, a humanidade conheceria o caminho (a porta) de volta ao Éden:

Ap 22
1 Então, me mostrou o rio de água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.
2 No meio da sua praça, de uma e de outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos.
3 Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. O seus servos o servirão,
4 contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele.
5 Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos.

a) rio de água da vida: o fluir constante do Espírito Santo.

b) a árvore da vida: Jesus, no centro do jardim do Éden.

c) doze frutos: todos os meses do ano, frutificar ininterrupto dos eleitos de Deus.

d) Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles:

• Gn 1: 3: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”... Nesta fase inicial, a luz à qual a bíblia se refere é a própria glória de Deus entrando em cena na pessoa de Jesus.
• Is 60: 19-20: “Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória. Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua minguará, porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão”.
• Jo 1: 1-5: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela”.
• Ap 21: 23: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada”.
• Ap 22: 5: “Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos”.

Estou escrevendo palavras proféticas sobre a nova Jerusalém após a segunda vinda de Cristo para mostrar que estamos, na verdade, voltando para o ponto de onde saímos. A luz que um dia veremos (Jesus) é a mesma luz que iniciou todas as coisas.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Curiosidades e Revelações

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