Estudo sobre os anjos de Deus, sua hierarquia, seus nomes revelados na bíblia, sua função e qual deve ser nossa postura diante deles. Falaremos sobre os serafins e querubins, os arcanjos (Miguel e Gabriel) e os anjos da guarda. Quem é Apoliom (Abadom)? O anjo Rafael existe? Qual deve ser nosso comportamento em relação aos anjos?


Anjos




Neste estudo, nós vamos falar sobre os anjos de Deus, sua hierarquia, seus nomes revelados na bíblia, sua função e qual deve ser nossa postura como filhos de Deus diante deles. Os serafins e querubins são anjos de alta hierarquia, pois tem sua função diretamente ligada ao trono de Deus. Os arcanjos, como Miguel e Gabriel, são anjos responsáveis por proteger o povo do Senhor, fazê-lo prosperar e lhe dar as boas novas da parte de Deus. Gabriel é também conhecido como o ‘mensageiro das boas novas’, pois foi ele o portador das promessas de Deus para Zacarias e Maria, mãe de Jesus.

Como base para o nosso estudo, usaremos o texto sobre as visões do profeta Daniel. Antes de entrar propriamente no texto das visões de Daniel, vamos relembrar o texto sobre as visões do profeta Ezequiel, onde também mencionamos as visões do profeta Isaías. Isaías viu os serafins ao redor do trono de Deus; e Ezequiel viu os querubins com quatro faces: homem, leão, boi e águia, o que foi confirmado pelo apóstolo João nas suas visões escritas no livro de Apocalipse.

Ezequiel 1: 1-25:

1 Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.
2 No quinto dia do referido mês, no quinto ano de cativeiro do rei Joaquim,
3 veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor.
4 Olhei, eis que um vento tempestuoso vinha do Norte, e uma grande nuvem com fogo a revolver-se, e resplendor ao redor dela, e no meio disto, uma coisa como metal brilhante, que saía do meio do fogo.
5 Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes, cuja aparência era esta: tinham a semelhança de homem.
6 Cada um tinha quatro rostos, como também quatro asas.
7 As suas pernas eram direitas, a planta de cujos pés era como a de um bezerro e luzia como o brilho de bronze polido.
8 Debaixo das asas tinham mãos de homem, aos quatro lados; assim todos os quatro tinham rostos e asas.
9 Estas se uniam uma à outra; não se viravam quando iam; cada qual andava para a frente.
10 A forma de seus rostos era como a de homem; à direita, os quatro tinham rosto de leão; à esquerda, rosto de boi; e também rosto de águia, todos os quatro.
11 Assim eram os seus rostos. Suas asas se abriam em cima; cada ser tinha duas asas, unidas cada uma à do outro; outras duas cobriam o corpo deles.
12 Cada qual andava para a sua frente; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando iam.
13 O aspecto dos seres viventes era como carvão em brasa, à semelhança de tochas; o fogo corria resplendente por entre os seres, e dele saíam relâmpagos,
14 os seres viventes ziguezagueavam à semelhança de relâmpagos.
15 Vi os seres viventes; e eis que havia uma roda na terra, ao lado de cada um deles.
16 O aspecto das rodas e a sua estrutura eram brilhantes como o berilo; tinham as quatro a mesma aparência, cujo aspecto e estrutura eram como se estivera uma roda dentro da outra.
17 Andando elas, podiam ir em quatro direções; e não se viravam quando iam.
18 Os seus aros eram altos, e metiam medo; e, nas quatro rodas, as mesmas eram cheias de olhos ao redor.
19 Andando os seres viventes, andavam as rodas ao lado deles; elevando-se eles, também elas se elevavam.
20 Para onde o espírito queria ir, iam, pois o espírito os impelia; e as rodas se elevavam juntamente com eles, porque nelas havia o espírito dos seres viventes.
21 Andando eles, andavam elas e, parando eles, paravam elas, e, elevando-se eles da terra, elevavam-se também as rodas juntamente com eles; porque o espírito dos seres viventes estava nas rodas.
22 Sobre a cabeça dos seres viventes havia algo semelhante ao firmamento, como cristal brilhante que metia medo, estendido por sobre a sua cabeça.
23 Por debaixo do firmamento, estavam estendidas as suas asas, a de um em direção à de outro; cada um tinha outras duas asas com que cobria o corpo de um e de outro lado.
24 Andando eles, ouvi o tatalar das suas asas, como o rugido de muitas águas, como a voz do Onipotente; ouvi o estrondo tumultuoso, como o tropel de um exército. Parando eles, abaixavam as asas.
25 Veio uma voz de cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça. Parando eles, abaixavam as asas.

Segundo o profeta Isaías na sua visão do trono de Deus descrita em Is 6: 1-13, os serafins estavam diante do trono e tinham uma forma humana (“rosto”, “pés”), ainda que se dispusessem de seis asas, e repetiam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; a terra inteira está cheia de sua glória”. Era tão forte esta ação de adoração que abalava o lugar.

Serafins e querubins

Por isso, os serafins e os querubins constituem uma ordem de seres angélicos responsáveis por certas funções de vigilância e adoração. Os serafins eram agentes de purificação pelo fogo, segundo os estudiosos hebraicos que procuram ligar o nome serafim à raiz: sãraph = queimar, consumir com fogo. Eles lideram a adoração no céu e protegem a santidade de Deus. Semelhantemente, os querubins, em hebraico (kerühbïm, plural de ‘querube’ = celestial) também são seres celestiais e no livro de Gênesis está escrito que tinham a incumbência de guardar o caminho para a árvore da vida [símbolo de Jesus] no jardim do Éden (Gn 3: 24), assim como foram colocados sobre a arca da Aliança (Êx 25: 18-22 e Hb 9: 5) para proteger os objetos sagrados guardados nela (1 Sm 4: 4; 2 Sm 6: 2; 2 Rs 19: 15; Sl 80: 1; Sl 99: 1). No Sl 80: 1, a bíblia diz: “Dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor” e no Sl 99: 1 está escrito: “Reina o Senhor; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra”. Em outras palavras, são guardiões do Trono de Deus. Isso também indica uma classe de anjos com grande força de conhecimento, sabedoria e iluminação divina e que refletem a beleza do Criador. Por isso, se diz que são conhecedores dos mistérios divinos (“cheios de olhos”). Talvez, por esse motivo, Ezequiel os descreve no meio de tanto fogo (= poder e santidade de Deus).

Sob esse prisma, os serafins e querubins são anjos de alta hierarquia, pois tem sua função diretamente ligada ao trono de Deus.

Arcanjos

Daniel, assim como Ezequiel e João, teve visões e revelações bastante claras da parte de Deus. Ele também foi instruído por anjos, como Gabriel, sobre as visões que não conseguia entender, além de ser consolado com a certeza do amor de Deus por ele.

• Dn 8: 15-16: “Havendo eu, Daniel, tido a visão [a do bode com os 4 chifres, dos quais um se tornou forte, representando Antíoco Epifânio], procurei entendê-la, e eis que se me apresentou diante uma como aparência de homem. E ouvi uma voz de homem de entre as margens do Ulai [pode ter sido o ramo oriental do rio Karkheh (ou Choaspes) a noroeste de Susã; ou o Coprates, afluente do rio Karun; ou um canal artificial perto de Susã e que conectava os dois rios], a qual gritou e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão”.

• Em Dn 9: 21-23 está escrito: “Falava eu, digo, falava ainda na oração, quando o homem Gabriel, que eu tinha observado na minha visão ao princípio, veio rapidamente, voando, e me tocou à hora do sacrifício da tarde. Ele queria instruir-me, falou comigo e disse: Daniel, agora, saí para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão”. Ele teve outros encontros com Gabriel:

• Dn 10: 4-12: “No dia vinte e quatro do primeiro mês, estando eu à borda do grande rio Tigre, levantei os olhos e olhei, e eis um homem vestido de linho, cujos ombros estavam cingidos de ouro puro de Ufaz (*); o seu corpo era como o berilo, o seu rosto como um relâmpago, os seus olhos, como tochas de fogo, os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz das suas palavras era como o estrondo de muita gente. Só eu, Daniel, tive aquela visão; os homens que estavam comigo nada viram; não obstante, caiu sobre eles grande temor, e fugiram e se esconderam. Fiquei, pois, eu só e contemplei esta grande visão, e não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma. Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo-a, caí sem sentidos, rosto em terra. Eis que certa mão me tocou, sacudindo-me e me pôs sobre os meus joelhos e as palmas das minhas mãos. Ele me disse: Daniel, homem muito amado, está atento às palavras que te vou dizer; levanta-te sobre os pés, porque eis que te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, eu me pus em pé, tremendo. Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim”.

(*) Ufaz: Uma localidade não identificada e de onde vinha ouro fino. Entretanto, pode ter sido um termo técnico com o sentido de “ouro refinado” (1 Rs 10: 18: müphãz; Is 13: 12: mippãz, semelhante à definição de “ouro puro”; zãhãbh tãhôr de 2 Cr 9: 17). Outros estudiosos preferem ler ’üphïr (Ofir) em lugar de ‘uphaz, por causa da semelhança dos caracteres hebraicos para z e r.

• Dn 10: 13-19: “Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia. Agora, vim para fazer-te entender o que há de suceder ao teu povo nos últimos dias; porque a visão se refere a dias ainda distantes. Ao falar ele comigo estas palavras, dirigi o olhar para a terra e calei. E eis que uma como semelhança dos filhos dos homens me tocou nos lábios; então, passei a falar e disse àquele que estava diante de mim: meu senhor, por causa da visão me sobrevieram dores, e não me ficou força alguma. Como, pois, pode o servo do meu senhor falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, não me resta já força alguma, nem fôlego ficou em mim. Então, me tornou a tocar aquele semelhante a um homem e me fortaleceu; e disse: Não temas, homem muito amado! Paz seja contigo! Sê forte, sê forte. Ao falar ele comigo, fiquei fortalecido e disse: fala, meu senhor, pois me fortaleceste”.

Aqui temos comentários importantes sobre as visões de Daniel. Ele estava extremamente fraco pela luta espiritual que estava enfrentando e impedindo-o de saber a verdade do que o Senhor queria lhe transmitir. Ficara em jejum por vinte e um dias (Dn 10: 2-3); estava extremamente sensível ao mundo espiritual. A aparência do anjo que ele viu foi completamente diferente da de Ezequiel, em primeiro lugar, porque a mensagem que Deus queria lhe transmitir era diferente da revelada ao outro profeta; em segundo, porque ele estava entrando em contato com outra hierarquia de anjos, dos quais este era um anjo mensageiro (Dn 10: 11: “Ele me disse: Daniel, homem muito amado, está atento às palavras que te vou dizer; levanta-te sobre os pés, porque eis que te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, eu me pus em pé, tremendo”; Dn 9: 22 b-23: “Daniel, agora, saí para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão”). Gabriel é também conhecido como o “mensageiro das boas novas”, pois foi ele o portador das promessas de Deus para Zacarias, pai de João Batista (Lc 1: 19), e Maria, mãe de Jesus (Lc 1: 26). As mesmas palavras ou símbolos foram usados para descrever o resplendor do anjo e a força que emanava dele, tanto é que sua presença fortaleceu Daniel para que ele pudesse ouvir o recado do Senhor. Também a sua forma era humana.

Outro comentário pertinente aqui é a presença de mais um anjo relatada por Daniel. Trata-se de um anjo de guerra, um príncipe deles, na verdade, que é o arcanjo Miguel. Gabriel (também um arcanjo) disse ao profeta que a revelação que buscava estava sendo impedida por principados das trevas; estes demoraram vinte e um dias para cair, o tempo de jejum de Daniel, mas Miguel estava ao seu lado para lhe dar vitória e permitir que o servo de Deus recebesse a revelação:
• Dn 10: 21: “Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles [ele se referia ao príncipe da Grécia e o da Pérsia], a não ser Miguel, vosso príncipe”.

Há outra referência em Jd 9: “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”

Os arcanjos são, portanto, uma hierarquia de anjos abaixo dos serafins e querubins, e que parecem ser responsáveis por proteger o povo do Senhor, fazê-lo prosperar e lhe dar as boas novas da parte de Deus.

A bíblia só revela o nome de três anjos

Em relação à experiência de Daniel que foi escrita acima podemos dizer que ela nos ensina algo: embora muitas teorias tentem dizer que há vários nomes de anjos, na bíblia apenas três têm seus nomes revelados: Miguel, Gabriel e Apoliom (Abadom) o anjo descrito no Apocalipse (Ap 9: 11: “e tinham sobre eles [os gafanhotos, personificação de demônios], como seu rei, o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom”). Abadom é o anjo satânico do abismo, cujo nome em grego significa ‘Destruidor’; em hebraico ’abhaddôn significa ‘lugar de destruição’ e é regularmente traduzido como tal em certas versões no Antigo Testamento para denominar a região dos mortos. Esta região era considerada pelos antigos judeus como “inferno”, seol em hebraico, hades e geenna em grego, este último nome proveniente de ge (vale de) hinnõm (Vale de Hinom), onde eram feitos sacrifícios idólatras ao sul de Jerusalém, principalmente a Moloque, o deus dos amonitas (2 Rs 17: 17; 31; 2 Rs 23: 10; 2 Cr 28: 2-3; 2 Cr 33: 6-7; Jr 19: 1-6). O significado de ‘Hinom’ é desconhecido; alguns sugerem: ‘Ben Hinom’, filho de Hinom [por causa do termo grego para o vale: Geenna – ge (vale de) hinnõm (Hinom)], dando a entender que é um nome próprio (2 Cr 28: 3; 2 Rs 23: 10 – ‘vale dos filhos de Hinom’). A palavra ‘Tofete’ pode ser vista em 2 Rs 23: 10; Jr 7: 30-32; Jr 19: 6; 12; Jr 32: 34-35. Em Jr 7: 32; Jr 19: 6 o nome é alterado pelo profeta para ‘vale da matança’. É também chamado de ‘Vale de Tofete’ (‘local de fogo’, ‘local de queima’ ou ‘local de torrefação’) pelos Cananeus (Jr 7: 31-32; Jr 19: 12). Também tem o significado de ‘fornalha’, ‘fogueira’ (Is 30: 33), ‘lugar de chama ou aborrecimento’. O ‘Devorador’ (de Ml 3: 11) ou Abadom (o ‘Destruidor’ – Ap 9: 11) é o demônio que foi liberado para matar todos os primogênitos do Egito (Êx 12: 12-13, 23).

Anjo Rafael

O conhecido Anjo Rafael não é na verdade um anjo criado por Deus, mas o próprio Espírito de Deus em ação de cura. Seu nome deriva de El = Deus; rafa = cura: O Senhor é o que sara (Êx 15: 26: “E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o Senhor, que te sara”).

Nosso comportamento em relação aos anjos

Os anjos são seres poderosos e cheios do resplendor divino, como diz a palavra (Sl 103: 20-21), entretanto, não devem ser adorados ou reverenciados como se eles fossem Deus. Só há um Deus a ser adorado: Jesus. Por isso, está escrito em:

• Sl 103: 20-21: “Bendizei ao Senhor, todos os seus anjos, valorosos em poder, que executais as suas ordens e lhes obedeceis à palavra. Bendizei ao Senhor, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade”.
• Hb 1: 13-14: “Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés? Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?”
• Ap 19: 10: “Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”.
• Ap 22: 8-9: “Eu, João, sou quem ouviu e viu estas coisas. E, quando as ouvi e vi, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrou essas coisas, para adorá-lo. Então, ele me disse: Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”.

Acender velas e fazer pedidos e orações a eles não é certo. As orações devem ser feitas a Deus Pai, em nome de Jesus (Jo 14: 13-14; Jo 15: 16).

Outras referências aos arcanjos estão em:
• I Ts 4: 16-17: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (Paulo escreveu em relação à segunda vinda de Cristo).
• Jd 9: “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”

Os anjos, abaixo dos arcanjos

Abaixo dos arcanjos vem a hierarquia dos anjos, que pode se referir tanto a mensageiros humanos quanto a sobrenaturais, sob um ponto de vista mais abrangente, pois em hebraico, ‘anjo’ significa ‘mensageiro’, como também são conhecidos os profetas de Deus. O nome Malaquias, por exemplo, o profeta de Deus, significa “meu mensageiro”.

Uma última palavra antes da nossa conclusão. Trata-se da existência ou não dos anjos que chamamos “anjos da guarda”, ou seja, de anjos específicos determinados por Deus para guardar uma pessoa. A bíblia não é tão específica quanto a isso; apenas sugere esta possibilidade:
• Mt 18: 10 (em referência às crianças que Jesus tinha pegado nos braços para abençoar): “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste”.
• At 12: 7-8; 11-15 (quando Pedro é liberto da prisão por um anjo do Senhor e vai até a casa de Maria, mas a criada não abre a porta porque fica assustada e as pessoas pensam que se trata do ‘anjo de Pedro’): “Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! Então, as cadeias caíram-lhe das mãos. Disse-lhe o anjo: Cinge-te e calça as sandálias. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Põe a capa e segue-me... Então, Pedro, caindo em si, disse: Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judaico. Considerando ele a sua situação, resolveu ir à casa de Maria, mãe de João, cognominado Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam. Quando ele bateu no postigo do portão, veio uma criada, chamada Rode, ver quem era; reconhecendo a voz de Pedro, tão alegre ficou, quem nem o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que Pedro estava junto do portão. Eles disseram: estás louca. Ele, porém, persistia em afirmar que assim era. Então, disseram: É o seu anjo”.

Quando Jesus estava em agonia no Getsêmani, Lucas descreve que Deus enviou um anjo para consolá-lo, mas não se referiu especificamente ao Seu anjo da guarda: “[Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra]” (Lc 22: 43-44).


O anjo aparece para Jesus no Getsêmani


Muitos outros servos de Deus viram anjos e foram ajudados por eles em diversas situações. Às vezes, a palavra ‘anjo’, na bíblia, foi escrita com letra maiúscula (‘Anjo do SENHOR’), dando a entender que se tratava do próprio Jesus. Alguns exemplos de servos de Deus que tiveram a visão e o auxílio de anjos: Abraão e Sara, Josué, Zacarias o pai de João Batista, Maria mãe de Jesus, José pai de Jesus, Maria Madalena e as mulheres que foram ao túmulo de Jesus no domingo de manhã, o profeta Elias, Gideão, a mãe de Sansão e seu marido Manoá, Pedro, o centurião Cornélio, Jacó, Isaías, Daniel, Ezequiel, o apóstolo João, os pastores que presenciaram o nascimento de Jesus.

Conclusão:

Deus envia os anjos, Seus mensageiros (significado da palavra anjo, em hebraico, muitas vezes também em referência aos profetas e sacerdotes – Ml. 2: 7) para trazer revelações e visões quando um filho Seu está necessitado dela. Ele é quem comanda todas as coisas e determina a maneira de se revelar e de se manifestar aos homens. Também chegamos ao entendimento que há várias categorias de anjos, cada uma delas criadas pelo Senhor com um propósito. Os anjos estão sob o nosso comando, pois servem a Deus e a todos os que receberam Dele a autoridade sobre o mundo espiritual, ou seja, a todos os que são fiéis à Sua palavra. Por isso, não devem ser objeto de veneração ou adoração. Acender velas e fazer pedidos e orações a eles não é certo. As orações devem ser feitas a Deus Pai, em nome de Jesus (Jo 14: 13-14; Jo 15: 16).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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