Estudo sobre os eventos principais do ministério profético de Jeremias. Ele era sacerdote e, ainda jovem, recebeu o chamado de profeta. Sofreu perseguição entre seu próprio povo, pois profetizou a destruição de Jerusalém pelos babilônios.


Profeta Jeremias




Seu ministério vai de 626 a 585 AC. Os últimos versículos do seu livro foram acrescentados depois de 561 AC, anos após a destruição de Jerusalém. Pelas referências em Jr 1: 1 e Jr 17: 16 nós podemos inferir que era pastor (sacerdote), não só profeta. Seu assistente, Baruque, anotou as profecias à medida que Jeremias as ditava. Ainda jovem ele recebeu seu chamado como profeta para chamar o povo para Deus antes que chegasse a destruição (Jr 1: 4-10, onde, no v.6, a palavra escrita é criança (na‘ar), que significa: infância e os últimos anos da adolescência, fora da idade média em que os profetas eram chamados, entre 20 e 30 anos). Provavelmente estava ainda no início da sua segunda década de vida quando o Senhor o comissionou. Foi criado numa família sacerdotal (era filho de Hilquias, o sacerdote).


Profeta


Seu nome, Jeremias, significa “YHWH exalta ou estabelece”. Profetizou durante o reinado de cinco reis: Josias (a partir do 13º ano do seu reinado), Joacaz [NVI escreve: Jeoacaz] ou Joanã ou Salum (2 Rs 23: 31-34; 2 Cr 36: 1-4; 1 Cr 3: 15 cf. Jr 22: 11-12), Jeoaquim (Eliaquim – 1 Cr 3: 15), Joaquim (Jeconias, Jr 24: 1 e Jr 27: 20; ou Conias, Jr 37: 1) e Zedequias (1 Cr 3: 15; até o 11º ano do seu reinado, filho mais moço de Josias e irmão de Jeoaquim). As últimas profecias atingem até o 5º mês do exílio de Jerusalém (Jr 1: 1-3; Jr 52: 12). Ao morrer Josias, seu filho Joacaz (conhecido também como Joanã ou Salum) subiu ao trono, e foi deposto pelo rei do Egito, que colocou em seu lugar Eliaquim, irmão de Jeoacaz, rei sobre Judá e Jerusalém, a quem mudou o nome para Jeoaquim (2 Cr 36: 1-4). Ao ser Jeoaquim levado para a Babilônia, Joaquim, seu filho, ficou em seu lugar (2 Cr 36: 8 b). Na primavera, Joaquim também foi levado à Babilônia por Nabucodonosor (2 Cr 36: 9-10. Anos mais tarde foi solto do cativeiro: Jr 52: 31-34), que estabeleceu a Matanias, seu tio paterno (cujo nome mudou para Zedequias), como rei (2 Rs 24: 17. Em 2 Cr 36: 10 está escrito sobre outro Zedequias, o irmão, não o tio de Joaquim ou Jeconias). Zedequias também não se humilhou perante o profeta Jeremias, que falava da parte do Senhor. Foi levado ao exílio como os outros antes dele (Jr 39: 5-7).


O chamado de Jeremias
O chamado de Jeremias


No início do seu ministério, Jeremias viu uma vara de amendoeira que simboliza o pronto cumprimento de Deus às Suas promessas (Jr 1: 12). A amendoeira é uma das primeiras árvores frutíferas a florescer no inverno. Flores brancas ou róseas são uma analogia com as cãs dos idosos (Ec 12: 5). Produtora de óleo, seu fruto era favorito na Palestina. A amêndoa era usada igualmente como presente. Jeremias foi comissionado pelo Senhor para profetizar contra Israel e contra as cidades de Judá que sofriam com a Sua ira por causa da idolatria (tanto do povo, quanto dos profetas e sacerdotes). Há muitas particularidades na personalidade de Jeremias que fizeram dele um profeta singular na sua geração. A autoridade de Deus era evidente nele; entretanto, sua carne lutava contra o Espírito, pois, além de ser chamado muito jovem e de lhe terem sido negadas as aspirações naturais da juventude (por exemplo, em Jr 16: 2, Deus o proibiu de casar para que não sofresse com a destruição que viria sobre Judá), suas emoções eram vívidas, era odiado pelos que amava (a quem era obrigado pelo Senhor a exortar pelo seu pecado: Jr 11: 19, quando planejaram matá-lo). Várias vezes, Jeremias recebeu o consolo de Deus durante as perseguições: Jr 11: 21-22; Jr 15: 11,15; Jr 15: 18-21; Jr 17: 12-18; Jr 18: 18-23 (nova trama de morte). Por isso, podemos vê-lo muito parecido com Davi, que sofreu inúmeras perseguições, mas conseguiu vencê-las pelo apoio e pelo consolo de Deus. Em Jr 20: 1- 13, Pasur, filho do sacerdote, colocou Jeremias no tronco.

Tronco (Jr 29: 26), no hebraico: mahpekheth, ‘pelourinho’; sadh, ‘algemas’; çïnôq (tsiynoq), ‘um colar’, só aparece nos últimos livros do AT. Em Jr 20: 2-3 a palavra usada é mahpekheth, ‘pelourinho’, ‘prisão’, ‘cepo’. O tronco era um instrumento de punição composto de duas grandes peças de madeira nas quais eram inseridos os pés da vítima, e algumas vezes também as mãos e o pescoço. Os profetas Jeremias (Jr 20: 2-3) e Hanani (2 Cr 16: 10) foram postos no tronco. No NT, a palavra grega é xulon, ‘madeira’, ‘árvore’, ‘vara’, ‘porrete’, ‘bastão’, e foi empregada para descrever o episódio da prisão de Paulo e Silas em Filipos, quando o carcereiro prendeu os pés dos apóstolos no tronco (At 16: 24).

Em Jr 20: 1-3 está escrito: “Pasur, filho [provavelmente um descendente] do sacerdote Imer [o principal da décima-sexta turma de sacerdotes (1 Cr 24: 14)], que era presidente na Casa do Senhor, ouviu a Jeremias profetizando estas coisas [O mal que o Senhor traria a Jerusalém por todos os seus pecados, em especial, a idolatria]. Então, feriu Pasur ao profeta Jeremias e o meteu no tronco que estava na porta superior de Benjamim, na Casa do Senhor. No dia seguinte, Pasur tirou a Jeremias do tronco. Então, lhe disse Jeremias: O Senhor já não te chama Pasur, e sim Terror-Por-Todos-Os-Lados (Magormissabib ou mâghor missâbhiybh) [Jeremias também predisse que ele e sua família haviam de morrer no cativeiro de Babilônia]”.


o profeta Jeremias no tronco (Jr 20: 2)


Voltando ao profeta Jeremias:

Ao contrário de Paulo e João Batista, Jeremias foi um caso de celibato determinado por Deus (Jr 16: 2: “Não tomarás mulher, não terás filhos nem filhas neste lugar”). Para um judeu, que tem a instituição familiar como algo forte e como um sinal da bênção de Deus sobre si, receber a ordem do próprio Criador para não casar deve ter sido um grande fardo sobre Jeremias, quase que uma maldição, mas era necessária esta atitude para poder desempenhar o ministério para o qual foi chamado. Além disso, era uma atitude protetora de Deus em relação ao profeta, pois muitas famílias em Israel seriam destruídas pelo jugo babilônico, inclusive a de Jeremias, e ele também sofreria com isso. Por aí, podemos ver os conflitos existentes na sua personalidade. Por muitos, foi chamado “o profeta chorão”. Talvez, sua solidão e suas carências, além de sua grande responsabilidade, o tenham feito sentir a sensação de viver um grande fardo, ao invés de uma vida prazerosa, apesar das dificuldades inerentes a ela. Para ele, o mundo deve ter parecido bem hostil. Apenas a força de Deus sobre ele e sobre o seu chamado deve tê-lo feito superar sua missão.

Seus conflitos internos decorriam de ver o que não queria e de dizer o que não pretendia. Ele profetizava, via os horrores que sobreviriam sobre o seu povo e se contorcia em dores (Jr 4: 19-21; Jr 20: 8-9). Na verdade ele sentia, assim como Davi, as dores de Deus. Profetizava contra os falsos profetas que profetizavam paz e que o Senhor não os destruiria pelo seu pecado, pois não queriam reconhecer seu erro (Jr 14: 14 e Jr 23: 9- 40). Podemos sentir a tristeza do profeta (Jr 8: 18; Jr 8: 21-22; Jr 20: 10) pelo engano, calúnia, traição entre irmãos; é como se Deus visse Seus filhos errando e perseverando no pecado. Fala também sobre o futuro exílio. Jeremias pergunta a Deus sobre a perversidade dos homens e é consolado por Ele (Jr 12: 1-6). Chega a amaldiçoar o dia do seu nascimento (Jr 20: 14-18). O pecado da nação era tão grande e a determinação de Deus era tão definitiva em puni-la que Ele rejeita a intercessão de Jeremias por várias vezes (Jr 7: 16; Jr 11: 14; Jr 14: 11; Jr 14: 13-18: título; Jr 14: 19-22: título; Jr 15: 1).


Jeremias na prisão
Jeremias na prisão


Jeoaquim tinha pouco respeito pela pessoa de Jeremias, que repreendeu o rei por se rebelar contra a Babilônia. Por isso foi perseguido e aprisionado, sofreu conspiração e declarado digno de morte. Suas profecias contra Judá, Jerusalém e as outras nações, em forma escrita (rolo) por ordem do Senhor (Jr 36: 2-6), foram destruídas (Jr 36: 23). Posteriormente, Baruque reescreveu o rolo (Jr 36: 28, 32). Jeremias permaneceu intercedendo por Judá, desmascarando os falsos profetas e predizendo a destruição do templo. Zedequias (Matanias) foi o filho mais novo de Josias e nomeado por Nabucodonosor para o trono de Judá. Por ocasião do cerco de Jerusalém, o profeta foi tão rigorosamente maltratado por seus inimigos que perdeu a esperança na vida. Aprisionado sob acusação de estar se bandeando para o lado do inimigo, foi lançado num calabouço. Removido para uma prisão no pátio da guarda perto do palácio e acusado de traição, foi lançado numa cisterna abandonada pelos príncipes de Judá, onde teria morrido se não fosse a intervenção por parte de Ebede-Meleque, o etíope (Jr 38: 7-13). Por ter feito isso pelo Seu profeta, Deus o poupou da morte nas mãos dos babilônios (Jr 39: 17-18).


Jeremias lançado na cisterna
Jeremias lançado na cisterna


No pátio da prisão, o rei Zedequias se encontrou secretamente com ele (Jr 37: 17; Jr 38: 14). Durante os últimos estágios do cerco, comprou um terreno do seu primo, em Anatote (Jr 32: 7-9), onde profetizou restauração. Nabucodonosor tratou o profeta com gentileza (Jr 39: 12 e 14) e, quando nomeou Gedalias como governador de Judá, Jeremias se juntou a este em Mispa (Jr 40: 5-6). Gedalias foi assassinado por Ismael, o capitão do exército de Israel (Jr 41: 2), e o povo resolveu fugir para o Egito, contra a vontade de Jeremias (Jr 42: 10-12 e 17) que foi compelido a ir com eles (Jr 43: 6-7) junto com Baruque, seu escrevente e copista, para a cidade egípcia de Tafnes. Possivelmente, morreu lá.

Jeremias encenava suas profecias, a fim de se tornarem mais vívidas, mais facilmente entendidas e captadas. Em Jr 13: 1-11, Deus o fez colocar um cinto de linho, não molhá-lo, depois enterrá-lo e, mais tarde, tirá-lo da cova onde tinha sido posto para mostrar ao povo que Ele faria apodrecer a soberba de Judá e de Jerusalém. Eles não quiseram se apegar ao Senhor; portanto, apodreceriam (morreriam). Em Jr 18: 1-6, YHWH o manda ir à casa do oleiro para mostrar que Ele é que molda o coração dos homens e vai moldar Seu povo. Em Jr 19: 1-15, vemos o caso da botija quebrada que representa o juízo de Deus sobre as prostituições de Judá e Jerusalém. Em Jr 27: 1-22, Deus fala a ele para colocar sobre si canzis (canzil é cada um dos pares da canga, entre os quais o boi mete o pescoço) e enviá-los igualmente às nações ao redor de Israel como sinal divino de que estariam sob o jugo babilônico. Quem assim o fizesse, seria salvo por Ele. Quem se rebelasse e fugisse, morreria. O profeta Hananias tomou os canzis do pescoço de Jeremias e os quebrou (Jr 28: 10) para não ouvir a verdade pela boca do homem de Deus. Hananias pregava aos israelitas a rebelião contra YHWH a respeito de se entregarem à Babilônia. Como foi profetizado por Jeremias, Hananias morreu naquele mesmo ano (Jr 28: 16-17). Assim como Isaías, Jeremias também faz referência ao Messias (Jr 23: 5-6; Jr 33: 15-16).


Jeremias com os canzis
Jeremias com os canzis

Aprendizados

Trazendo a experiência de Jeremias para os nossos dias, podemos aprender três coisas básicas: lealdade à missão, negação do eu e administrar o conflito entre carne e Espírito. Jeremias foi um ser que viveu um grande conflito, pois teve que aprender a negar a si mesmo em prol da causa divina, deixando de lado os desejos e as aspirações normais da sua alma para poder desempenhar a difícil missão de revelar a um povo o seu pecado e exortá-lo a voltar para YHWH. Enfrentou grandes oposições e rejeições, principalmente por aqueles a quem ele amava, mas não estavam andando no caminho correto. Como Davi, que muitas vezes sofreu perseguições e conspirações por se colocar do lado da justiça contra o pecado e a hipocrisia, dando mais valor à aprovação de Deus, Jeremias, igualmente, teve que superar todas essas provas para poder ter sucesso. Do ponto de vista humano sua vida foi um fracasso, entretanto, do ponto de vista divino o profeta foi um instrumento santo e ungido, com vitória completa naquilo para que foi designado. Assim, o homem de Deus, mesmo sofrendo oposições e rejeições, se entristecendo com o que vê de errado e tendo que negar a si mesmo em favor dos projetos do Senhor, deve permanecer firme no seu caminho, tendo a certeza do Seu consolo e da Sua aprovação sobre si. Começa a entender a verdade da sua vida e o valor da entrega verdadeira nas mãos do Senhor, o que traz paz e põe um fim ao conflito interior entre sua carne e o Espírito. A visão espiritual mais elevada das circunstâncias e as vitórias que foram conquistadas por si só lhe revelam a grandiosidade do que está no seu interior e a intimidade que passa a ter com o Altíssimo, o que começa a supri-lo naquilo que não pôde ter material ou emocionalmente. Ele começa a se sentir importante e deixa de lado os valores humanos que buscam uma falsa auto-estima, para encontrar a auto-estima e a identidade verdadeiras forjadas pelo próprio Deus. Nada mais o amedronta, pelo contrário, as provas passam a ser vistas como mais um desafio que gerará crescimento, vitória e conhecimento do seu Criador. Sua cruz não mais tem o fardo da obrigação ou da punição e, sim, o sabor da vida e da ressurreição.


Jeremias compra o Campo de Anatote
Jeremias compra o Campo de Anatote

O campo de Anatote

Sobre o campo de Anatote comprado por Jeremias, podemos ler em Jr 32: 6-15: “Disse, pois, Jeremias: Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Eis que Hananel, filho de teu tio Salum, virá a ti, dizendo: Compra o meu campo que está em Anatote, pois a ti, a que pertence o direito de resgate, compete comprá-lo. Veio, pois, a mim, segundo a palavra do Senhor, Hananel, filho de meu tio, ao pátio da guarda e me disse: Compra agora o meu campo que está em Anatote, na terra de Benjamim; porque teu é o direito de posse e de resgate; compra-o. Então, entendi que isso era a palavra do Senhor. Comprei, pois, de Hananel, filho de meu tio, o campo que está em Anatote; e lhe pesei o dinheiro, dezessete siclos de prata. Assinei a escritura, fechei-a com selo, chamei testemunhas e pesei-lhe o dinheiro numa balança. Tomei a escritura da compra, tanto a selada, segundo mandam a lei e os estatutos, como a cópia aberta; dei-a a Baruque, filho de Nerias, filho de Maaséias, na presença de Hananel, filho de meu tio, e perante as testemunhas, que assinaram a escritura de compra, e na presença de todos os judeus que se assentavam no pátio da guarda. Perante eles dei ordem a Baruque, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Toma esta escritura, esta escritura da compra, tanto a selada como a aberta, e mete-as num vaso de barro, para que se possam conservar por muitos dias; porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Ainda se comprarão casas, campos e vinhas nesta terra”.

Anatote era uma cidade no território de Benjamim que fora dada aos levitas na repartição da terra feita por Josué (Js 21: 18); portanto, era terra de sacerdotes, sendo o próprio Jeremias, profeta e sacerdote de Deus (seu pai Hilquias era sacerdote da descendência de Abiatar, que oficiou no reinado de Davi, e da linhagem de Itamar, irmão de Eleazar, este o primogênito vivo de Arão – 1 Rs 2: 26 cf. Jr 1: 1).

Anatote significa: ‘orações respondidas’. Para nós, isso significa que somos reis e sacerdotes e, como tal, precisamos orar de acordo com a palavra de Deus, como faziam os sacerdotes, para que os nossos objetivos sejam alcançados. Anatote é o campo das nossas promessas, onde Deus nos garante a paz, a restauração e a volta do cativeiro. Anatote é o campo onde Ele renova nossa esperança e restaura a nossa fé naquilo que está sendo comprado com choro em tempo de cativeiro. A mensagem que Jeremias pregava era rejeitada por seus compatriotas e isso o entristecia, além de sofrer pelos pecados deles. Isso não apenas o entristecia como o enfraquecia. Mas Deus lhe deu a esperança de um futuro resgate para Israel após o seu arrependimento.

Em relação ao motivo pelo qual Deus fez Jeremias comprar o campo de Anatote que era seu por direito, isso era um ato profético do que aconteceria a Israel depois do exílio na Babilônia, quando poderia ter de volta uma terra que era sua por direito divino; ou poderia se tratar do ano do Jubileu (que acontecia a cada cinqüenta anos), descrito em Lv 25, em especial neste caso, nos versículos 31 a 34: “Mas as casas das aldeias que não têm muro em roda serão estimadas como os campos da terra; para elas haverá resgate, e sairão do poder do comprador no Jubileu. Mas, com respeito às cidades dos levitas, às casas das cidades da sua possessão, terão direito perpétuo de resgate os levitas. Se o levita não resgatar a casa que vendeu, então, a casa comprada na cidade da sua possessão sairá do comprador, no Jubileu; porque as casas das cidades dos levitas são a sua possessão no meio dos filhos de Israel. Mas o campo no arrabalde das suas cidades não se venderá, porque lhes é possessão perpétua”.

O profeta diz: “Assinei a escritura, fechei-a com selo, chamei testemunhas e pesei-lhe o dinheiro numa balança. Tomei a escritura da compra, tanto a selada, segundo mandam a lei e os estatutos, como a cópia aberta; dei-a a Baruque, filho de Nerias, filho de Maaséias, na presença de Hananel, filho de meu tio, e perante as testemunhas, que assinaram a escritura de compra, e na presença de todos os judeus que se assentavam no pátio da guarda... Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Toma esta escritura, esta escritura da compra, tanto a selada como a aberta, e mete-as num vaso de barro, para que se possam conservar por muitos dias; porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Ainda se comprarão casas, campos e vinhas nesta terra” (Jr 32: 10-15).

Naquela época, é provável que em tais vendas entre os judeus, duas cópias da escritura fossem feitas: uma selada para ser mantido pelo comprador, e a outra aberta, para ser mostrado aos juízes, e por eles ratificado. Em outras palavras: uma era a original para uso privado do comprador; e a outra, uma cópia que seria colocada no registro público para qualquer pessoa interessada poder consultar ou recorrer a qualquer ocasião. Isso poderia evitar muita injustiça e contenção. As escrituras de compra foram colocadas em um vaso de barro (um símbolo da natureza de todas as garantias que este mundo pretende nos dar, coisas frágeis e logo quebradas) para que pudessem ser conservadas por muitos dias, para o uso dos herdeiros de Jeremias depois do retorno do cativeiro, pois eles poderiam ter o benefício desta compra (descendentes dos seus primos, por exemplo). Elas seriam conservadas como sinal da promessa de libertação por parte de Deus.

Como dissemos anteriormente, Anatote significa: ‘orações respondidas’ e isso quer dizer que quando oramos de acordo com a vontade do Espírito, todas as nossas petições serão ouvidas e respondidas por Deus (1 Jo 5: 14-15: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obteremos os pedidos que lhe temos feito”). Jesus, através do Seu sacrifício, já comprou espiritualmente este campo para nós, ou seja, podemos entrar livremente em Sua presença para conseguirmos o que quisermos (“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” – Hb 4: 16). Mas nós, aqui na terra, em momento de dor, sofrimento e cativeiro, compramos o campo de Anatote; pagamos o preço por ele. Depois, Deus providencia a negociação para que ele retorne a nós, como é nosso direito. A garantia de retorno é a promessa de Deus na Sua palavra, assim como o livramento e a restauração. Em outras palavras, para Jeremias havia uma herança e um resgate, o resgate em tempos de angústia. Há uma herança dada a nós por direito aqui na terra e na Nova Jerusalém.

O selo, mencionado acima significa que, da parte de Deus, temos a garantia da resposta e Sua determinação não será revogada. Também significa: a marca e o domínio do Espírito Santo sobre ela, fazendo-a prevalecer. O vaso de barro somos nós, mais especificamente a nossa alma, onde a fé nos faz crer na resposta, tomando posse (materialmente) do que já nos pertence por direito (já foi liberado no espiritual), ao mesmo tempo em que precisamos esperar até que a promessa se cumpra no mundo natural (por isso a cópia aberta). O que pedimos poderá beneficiar muitas vidas e edificar a nossa através das pessoas que o Senhor trouxer para nos abençoar (“casas, campos e vinhas nesta terra”) com toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo.

Quanto mais nos achegarmos ao trono através da oração, maior será a nossa unção e mais rápidas serão as respostas que necessitamos, pois é a nossa perseverança que nos ajuda a tomar posse deste campo que nos pertence. Deus tem poder de mudar o nosso destino.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

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