Aprendizados com Josué, escolhido por Deus para liderar o povo de Israel e conquistar a Terra Prometida (Canaã). Por seu intermédio, Deus derrubou as muralhas de Jericó e lhes deu vitória. Josué e Calebe nos ensinam a ter ousadia e fé para conquistar tudo o que desejamos.


Personagens bíblicos – Josué




Textos de referência: Js 1–24

Resumo:

Moisés tinha morrido e a liderança do povo estava agora sobre Josué. Foi chamado por sua família de Oséias (Hoshea, הושע, ‘salvador, libertador’, Strong #1954; Nm 13: 8; 16; Dt 32: 44), mas foi Moisés quem o chamou de Josué (Yehôshua‘, יהושע, Strong #3091, YHWH salvou). Era efraimita, filho de Num (1 Cr 7: 27).

Deus lhe disse para passar o Jordão e tomar posse da terra, garantindo a ele que todo o lugar que pisasse a planta do seu pé seria dele. Confirmou Sua proteção e lhe renovou a esperança de vitória, dando-lhe força e coragem para entrar em Canaã.

Como as tribos de Gade, Rúben e meia tribo de Manassés já tinham suas terras deste lado do Jordão, o que foi combinado é que deixariam suas famílias aqui e cruzariam o rio para ajudarem seus irmãos a tomar posse das deles; depois poderiam voltar para casa.

Josué enviou dois espias à frente para observarem a cidade de Jericó. Eles entraram na casa de uma prostituta chamada Raabe e ali ficaram. Sua chegada foi anunciada ao rei de Jericó, que mandou vasculhar a casa da mulher para encontrá-los, mas ela os escondeu bem e despistou seus perseguidores.

Todos naquela terra já tinham ouvido falar dos israelitas e do seu Deus poderoso e tinham medo deles. Então, Raabe fez um acordo com os espias de que lhe poupassem sua vida, assim como a de sua família, pois ela os protegera em sua casa e, por sua vez, não denunciaria a missão dos filhos de Israel aos cidadãos dali. Sua casa estava sobre o muro da cidade e ela os fez descer até o chão por uma corda. Eles lhe disseram para atar um cordão escarlate à janela e, assim, toda a sua casa seria poupada da destruição.

Os espias contaram o que viram para Josué e ficaram às margens do Jordão por três dias. Ali, Josué instruiu o povo a passar o rio após a arca do Senhor, que seria carregada pelos levitas, e Israel manteria, mais ou menos, uma distância de novecentos metros dela. Ao colocar a planta dos pés dos sacerdotes no leito do rio, aconteceu que as águas se dividiram e o rio secou como tinha acontecido ao Mar Vermelho. Os levitas ficaram com a arca no meio do Jordão até que todo o povo passou. Um chefe de cada tribo de Israel tomou uma pedra do seu leito e a levou ao acampamento. No lugar em que a arca estava, também foram erguidas doze pedras em memorial ao Senhor. Quando as plantas dos pés dos sacerdotes que levavam a arca pisaram em terra seca, as águas do Jordão voltaram a correr como antes. Acamparam em Gilgal, do lado oriental de Jericó; as doze pedras que foram tiradas do rio, levantou-as Josué em coluna em Gilgal em memorial ao Senhor pela vitória.

Então o Senhor lhe falou para circuncidar o povo, pois este que entrava agora na Terra Prometida tinha nascido no deserto e não fora circuncidado como seus pais. Ficaram no arraial até que sararam. Josué novamente ouviu a voz de Deus dizendo: “Hoje, removi de vós o opróbrio do Egito”, por isso, o nome daquele lugar se chamou Gilgal, que quer dizer remover, revolver.

Dessa forma, o Senhor reafirmava a aliança com Seu povo. Celebraram a Páscoa no dia quatorze do mês, à tarde, nas campinas de Jericó. No dia seguinte, o povo comeu das novidades da terra de Canaã, pois cessou o maná.

Estando Josué aos pés de Jericó, levantou os olhos e viu o Anjo do Senhor que lhe confirmou a vitória sobre os inimigos e lhe deu as estratégias para tomar posse da cidade: eles a rodeariam uma vez por seis dias consecutivos, tendo os sacerdotes à frente carregando a arca da Aliança e tocando trombetas de chifre de carneiro e, no sétimo dia, o fariam por sete vezes. Durante os seis dias os israelitas ficariam em completo silêncio e no sétimo, após as trombetas tocarem, gritariam e o muro da cidade cairia; aí a saqueariam. Não deveriam tomar para si os despojos, pois era condenado por Deus; somente o ouro, a prata, o bronze e o ferro consagrariam ao Senhor e iriam para o Seu tesouro. Também Raabe e sua família seriam poupados.


Josué e o Anjo do Senhor


Tudo foi destruído quando o muro ruiu. Raabe e sua parentela foram salvos e acamparam fora do arraial de Israel até que foram incorporados à nação, pois, posteriormente, Raabe se casou com um dos espias, Salmom, e passou a fazer parte do povo israelita (Mt 1: 4-5; 1 Cr 2: 11), por parte da tribo de Judá. Para fazer daquela conquista um memorial permanente da provisão e do livramento de Deus, Josué amaldiçoou todo o homem que tentasse levantar e reedificar a cidade, à custa da vida do seu filho primogênito e do seu mais novo. A profecia se cumpriu em 1 Rs 16: 34.

Entretanto, Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi (NVI e na Septuaginta: Zinri), filho de Zera, descendente de Judá, tomou das coisas condenadas que Deus tinha proibido os filhos de Israel de tocarem.

A próxima cidade era Ai (ruína), muito pequena em relação a Jericó, por isso estavam confiantes de que com apenas dois ou três mil homens a derrotariam, mas foram vencidos, feridos e perseguidos pelos cidadãos de Ai.


Jericó e Ai e a posterior conquista de Canaã
A CONQUISTA DA TERRA DE CANAÃ


Então, Josué se prostrou com o rosto em terra e clamou ao Senhor, pois não entendia porque Deus os havia abandonado. Mas Ele lhe disse que Israel tinha pecado e guardado as coisas condenadas escondendo-as na sua bagagem. Enquanto não eliminassem do seu meio o que roubaram, o Senhor não iria com eles. Pela manhã, Deus revelou com quem estavam as coisas condenadas e Sua punição era que o homem seria queimado, assim como tudo o que tivesse. Acã foi achado culpado e revelou que tinha escondido uma boa capa babilônica, duzentos siclos de prata (aproximadamente dois quilos e trezentos gramas, considerando o siclo igual a onze gramas e meio) e uma barra de ouro de cinqüenta siclos (quinhentos e setenta e cinco gramas) na terra, no meio de sua tenda. Tudo foi queimado no vale de Acor conforme a sentença do Senhor, assim como Acã, toda sua família, seu gado, sua tenda e seus pertences. E todo o Israel os apedrejou e os queimou. Assim, limpos e purificados aos olhos de Deus, tomaram Ai de emboscada e a saquearam. Mataram seu rei e todos os habitantes, ficando com os despojos. Josué ergueu no Monte Ebal um altar ao Senhor e ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas, que simbolizavam o agradecimento a Deus pela Sua vitória, como um culto de ação de graças que fazemos hoje. Ali escreveu uma cópia da lei de Moisés e a leu para todo o povo.

O vale de Acor (Js 7: 24-26; Is 65: 10; Os 2: 25), na fronteira de Judá (Js 15: 7), é provavelmente o Wadi Qelt, localizado 1,6 km ao sul de Jericó. No Wadi Qelt pode-se ver hoje um monastério do Cristianismo Bizantino, chamado de Monastério de São Jorge, construído em 340 EC e destruído pelos persas em 614 EC (a dinastia Sassânida: 224–651). Foi novamente reconstruído e abandonado no século XII e finalmente reconstruído e habitado por monges Greco-Ortodoxos no século XIX. Seu nome em árabe é Mar Jaras.


Monastério de São Jorge, no Wadi Qelt em Israel
O Vale de Acor no Wadi Qelt em Israel

Monastério de São Jorge, no Wadi Qelt em Israel
Detalhes do Monastério de São Jorge


Os moradores de Gibeão, com medo de Josué, enviaram espiões disfarçados de embaixadores de uma terra distante para fazerem acordo com Israel, mas o estratagema deles foi descoberto depois de três dias e, como os israelitas não podiam voltar atrás na promessa que lhes tinham feito de não os matarem, os condenaram a trabalhos forçados, assim como toda a sua descendência seria para sempre escrava do povo do Senhor.

O rei de Jerusalém fez pacto com mais quatro reis para pelejar contra Gibeão, pois tinha feito acordo com os israelitas. Porém, Deus os entregou nas mãos de Josué; fez cair uma chuva de pedra do céu que os dizimou. A bíblia diz que neste dia, pela palavra de Josué, o sol e a lua se detiveram no céu, até que a batalha estivesse ganha. Assim, Deus lhes deu vitória sobre os amorreus. Os cinco reis que tinham se escondido numa cova em Maquedá foram mortos pelos israelitas e pendurados num madeiro. Depois os tiraram e os enterraram naquele lugar.

Josué, então, entrou em Maquedá destruindo toda a cidade e o seu rei. As outras seis cidades ao redor também foram tomadas pelos homens de guerra e destruídas, assim como seus reis. Voltaram a Gilgal, ao acampamento. No dia seguinte o Senhor lhes deu vitória sobre mais três reis. Dessa forma, Josué tomou toda a terra, inclusive as cidades dos enaquins (apenas alguns sobreviveram em Gaza, Gate e Asdode, região dos filisteus: Js 11: 22).

Alguns anos se passaram e as batalhas de conquista da terra chegaram ao fim. Entretanto, algumas regiões permaneciam ainda não conquistadas. Josué já era velho. As terras eram: a terra dos filisteus (Gaza, Asdode, Asquelom, Gate e Ecrom); uma parte ao Sul de Canaã, a terra dos aveus; ao Norte, a terra dos sidônios, dos gibleus e todo o Líbano ao pé do Monte Hermon; Gesur, a leste do Jordão.

O Senhor lhe ordenou que distribuísse a terra pelo Seu povo. A terra não conquistada seria repartida da mesma forma e caberia ao povo tomá-la, assim como derrotar os inimigos que ficaram nela (Js 11: 22; Js 15: 63; Js 16: 10; Js 17: 12; Jz 1: 21; Jz 1: 27-36). Somente os levitas não tiveram herança, pois o Senhor lhes dissera que Ele seria a sua herança. Deram-lhes cidades em que habitassem (quarenta e oito cidades) e os seus arredores para o seu gado e para sua possessão (Js 14: 4; Js 21: 41). Josué abençoou Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, e lhe deu Hebrom (união, confederação), uma parte no meio dos filhos de Judá. Era, na verdade, o campo da cidade, com suas aldeias (Js 20: 12), pois a cidade propriamente dita tinha caído por sorte aos levitas, além de ser Hebrom também uma cidade de refúgio (as outras são: Quedes, Siquém, Bezer, Ramote, Golã). Quenezeu (‘salvo de uma vez’, ‘jogado de escanteio’), dos filhos de Quenaz, era descendente de Elifaz, filho mais velho de Edom (ou Esaú; Gn 36: 11; 15; 42; 1 Cr 1: 36; 53). Uma parte deles se reuniu aos judeus (1 Cr 4: 13-15), como Calebe, pela tribo de Judá. Calebe derrotou os enaquins dessa região com a ajuda do sobrinho Otniel e lhe deu sua filha Acsa por esposa (Js 15: 13-19; Jz 1: 13). Ela, por sua vez, pediu a ele um presente, as fontes de água, não terra seca. Calebe lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores. Acabando de repartir a terra em herança, os filhos de Israel deram a Josué a cidade que pediu: Timnate-Sera (Timnate-Heres), que significa: porção do sol ou porção dobrada, na região montanhosa de Efraim; reedificou a cidade e habitou nela.

As cidades dos Levitas estão descritas em Josué 21: 1-45, e são ao todo 48 cidades (Josué 21: 4-7): Quiriate-Arba (ou Hebrom, e também cidade de refúgio para o homicida), Libna, Jatir, Estemoa, Holom, Debir, Aim, Jutá, Bete-Semes, Gibeão, Gaba, Ananote, Almom, Siquém (na tribo de Efraim e também cidade de refúgio para o homicida), Gezer, Quibzaim, Bete-Horom, Elteque, Gibetom, Aijalom, Gate-Rimom (na tribo de Dã), Taanaque, Gate-Rimom (na tribo de Manassés), Golã (na tribo de Manassés e também cidade de refúgio para o homicida), Beesterá, Quisião, Daberate, Jarmute, En-Ganim, Misal, Abdom, Helcate, Reobe, Quedes (em Naftali e também cidade de refúgio para o homicida), Hamote-Dor, Cartã, Jocneão, Cartá, Dimna, Naalal, Bezer (na tribo de Rúben e também cidade de refúgio para o homicida), Jaza, Quedemote, Mefaate, Ramote (em Gileade e também cidade de refúgio para o homicida), Maanaim, Hesbom e Jazer. A bíblia diz no v. 41: “As cidades, pois, dos levitas, no meio da herança dos filhos de Israel, foram, ao todo, quarenta e oito cidades com seus arredores”.

Muito tempo depois que o Senhor dera repouso a Israel de todos os seus inimigos em redor, sendo Josué já velho, chamou todo o Israel e o exortou a observar a lei do Senhor, lembrando-o das vitórias que Ele lhe dera e advertindo-o a não servir outros deuses. O povo renovou sua aliança perante o Senhor.

Josué faleceu com a idade de cento e dez anos e foi sepultado na sua própria herança. Eleazar, filho de Arão, também faleceu e o sepultaram em Gibeá (na região montanhosa de Efraim), que pertencia ao seu filho Finéias, levita, o qual ficou em seu lugar.

Aprendizados importantes com Josué

1) Paciência e mansidão: devemos lembrar que Josué foi seguidor de Moisés, e escolhido por Deus para ser seu sucessor. A bíblia relata que quando Moisés subiu ao monte para receber as tábuas da Lei, foi Josué que o esperou em um ponto até que ele voltasse. Era Josué que ficava à porta da tenda da congregação quando Moisés falava com o Senhor. Portanto, podemos imaginar que essas qualidades foram incorporadas à sua personalidade ou desenvolvidas nela, caso já as tivesse, no contato íntimo com seu líder. A paciência e a mansidão eram, sem dúvida, qualidades imprescindíveis a um conquistador da Terra Prometida, pois, se elas lhe faltassem, poderia ser um desastre para a nação. Conosco ocorre da mesma maneira. Quando queremos tomar posse definitiva da nossa terra, devemos ter a paciência e a mansidão para estarmos na total dependência de Deus, esperando o momento certo para agir e perceber Suas estratégias.

2) Deus sempre cumpre o que promete e completa o que começou: a promessa foi feita a Abraão, se estendendo a Isaque, Jacó e José no que diz respeito à descendência, mas só começou a ter realização no que diz respeito à Terra Prometida quando os filhos de Israel deixaram o Egito. Ela só seria completa diante dos olhos do mundo com a tomada definitiva de Canaã pelos israelitas. Por isso, o Senhor levantou Josué para levar a cabo Seu projeto inicial para que todos os povos vissem que Ele era um Deus verdadeiro e digno de confiança, um Deus cumpridor de Sua palavra.

3) O individualismo não faz parte dos projetos de Deus: quando Deus nos levanta para algo, Ele, na verdade, pensa na coletividade e quer que pensemos assim também. Foi o que aconteceu quando entraram em Canaã. As tribos de Rúben, Gade e meia tribo de Manassés já tinham conquistado sua terra do lado leste do Jordão, mas o Senhor orientou Josué que eles deixassem suas famílias e ajudassem seus irmãos a tomar posse das suas; só, então, voltariam. É o famoso “um por todos e todos por um”, que na mentalidade judaica da Antigüidade era o comum de acontecer. Raramente eles pensavam em suas atitudes como atos isolados, pelo contrário, tudo o que faziam envolvia toda a comunidade, por isso Deus falava com Moisés sobre destruir todo o povo quando encontrava pecado em alguns indivíduos; suas ações repercutiam na vida dos seus semelhantes, como veremos mais tarde com Acã (item 12). Isso para nós pode parecer injusto até certo ponto, mas devemos pensar que essa ‘lei’ ainda continua a atuar de certa forma, queiramos ou não, pois nossas atitudes se refletem na vida de muitas pessoas do nosso relacionamento. Se pecarmos ou cometermos atos impensados, outros podem sofrer por causa disso. E se tomarmos decisões de acordo com a vontade de Deus, muitos podem ser libertos e abençoados. Então, quando Ele nos abençoa ou nos escolhe para um propósito especial, está pensando em fazer de nós uma bênção para inúmeros irmãos, não só em nos abençoar individualmente.

4) Ousadia e disposição de mudar de vida geram transformação e milagre: aqui se trata de Raabe, que decidiu mudar de atitude e conhecer a salvação verdadeira. Ela, provavelmente, já estava nos planos de Deus, tanto é que teve seus olhos abertos para ver a oportunidade de ser livre de uma vida de pecado e humilhação quando os dois espias apareceram em sua casa. De acordo com o relato bíblico, desde que Moisés tinha saído do Egito, os povos de outras terras começaram a tomar conhecimento do Deus dos israelitas e, quando eles tomaram a terra dos amorreus (Basã e Hesbom), todos os outros moradores de Canaã começaram a temer diante de Josué. É provável que Raabe já tivesse tomado conhecimento do Deus de Israel antes que os judeus cruzassem o Jordão. Como ela mesma disse, o povo de Jericó estava com medo; com certeza, teve tempo de meditar e encontrou dentro de si a ousadia para mudar completamente de vida. De qualquer forma, o Senhor a honrou, casando-a com um descendente de Judá, o que faria dela uma ascendente de Davi. Como aprendizado para nós, podemos dizer que quando temos a ousadia de tomar uma nova posição em qualquer área das nossas vidas, Deus nos honra, nos traz os recursos e nos dá a vitória para servirmos de testemunhos vivos do Seu poder.

5) Quando temos a marca do sangue de Jesus sobre nós, somos poupados da destruição: o cordão escarlate que Raabe pendurou na janela foi outra forma de manifestar a proteção de Deus sobre Seu povo, como fizera no Egito com o sangue do cordeiro nas portas das casas, quando o Destruidor veio matando os primogênitos. É a mesma maneira do Senhor nos proteger do inimigo, quando temos sobre nós a marca do sangue do Seu Filho.

6) Mudar a mente pode ser o passo decisivo para tomarmos posse da bênção: passar o Jordão simboliza separar a mente do homem da mente de Deus, ser limpo da lepra, passar pelo divisor de águas. Quando o povo passou o Jordão, pôde se ver como conquistador e vencedor, não mais como um escravo de outras nações; em outras palavras, só tomou posse da terra, verdadeiramente, quando teve a certeza interior de que já não era mais escravo, e sim uma nação livre pela mão de Deus. O interessante aqui é que os sacerdotes foram uma peça chave no plano divino, pois foram os primeiros a ter que mostrar ousadia e coragem para colocar os pés no rio carregando a arca, crendo na Sua palavra que as águas se abririam assim que pisassem nelas. Eles foram à frente do povo levando a presença de Deus, simbolizada pela arca da Aliança, e esperaram que todos passassem para saírem do leito do rio. Por isso, o nosso pensamento deve estar sempre em obediência ao Senhor, em constante renovação e crescimento, para termos vitórias maiores.

7) Lembrar-se do autor da conquista: assim que deixaram o Jordão, as doze pedras que ergueram no seu leito como memorial ao Senhor ficaram lá e nunca mais foram retiradas, assim como as que foram trazidas para o acampamento também foram erguidas em forma de coluna como um memorial a Deus pela Sua vitória. Quando recebemos uma bênção em nossa vida, devemos nos lembrar de quem foi o estrategista e o autor dela e proclamar Sua glória.

8) Quando algo cessa é porque estamos prontos para o novo de Deus: no dia seguinte à Páscoa, o maná cessou e o povo comeu dos frutos de Canaã. Eles, agora, não precisavam do suprimento escasso de Deus, pois tinham conquistado a terra da abundância. Não precisavam mais do alimento velho, pois tinham algo novo para desfrutar. Além disso, comemoraram a Páscoa, que simboliza escravatura e morte, mas também liberdade e ressurreição. Eles enterraram o passado, morreram para o antigo, abandonaram a escravidão e os velhos hábitos para poderem ressuscitar para o novo, para a liberdade. Conosco acontece a mesma coisa: quando entregamos para Deus o que é velho, nós podemos experimentar o Seu novo em nossa vida; o pouco cessa para podermos desfrutar o muito.

9) Antes da derrota definitiva do inimigo, Deus se revela a nós com a estratégia perfeita: o anjo do Senhor apareceu a Josué quando este estava aos pés de Jericó, provavelmente só e à noite, escondido do adversário, tentando obter informações sobre seus pontos fracos para poder encontrar estratégias de batalha. O anjo do Senhor o supriu com as informações que necessitava para vencer. Quando estamos frente a uma batalha decisiva, devemos nos colocar em oração buscando a orientação de Deus. Nossas estratégias são espirituais, não carnais. O anjo do Senhor aqui (Js 5: 14) era, provavelmente, o arcanjo Miguel, uma vez que na NIV, no lugar de “príncipe do exército do Senhor” (ARA), está escrito: “Venho na qualidade de comandante do exército do Senhor”. Se não era Miguel, era, pelo menos, um anjo de guerra. Alguns dizem ser o próprio Jesus, o verdadeiro comandante do exército de Deus, já que a Versão ARA tem como título: ‘Deus aparece a Josué’, e a expressão: ‘Descalça as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo’ foi a mesma dita pelo Senhor a Moisés na sarça. O texto diz: 13 Estando Josué ao pé de Jericó, levantou os olhos e olhou; eis que se achava em pé diante dele um homem que trazia na mão uma espada nua; chegou-se Josué a ele e disse-lhe: És tu dos nossos ou dos nossos adversários? 14 Respondeu ele: Não; sou príncipe do exército do Senhor e acabo de chegar [“Venho na qualidade de comandante do exército do Senhor” (NIV). Em hebraico está escrito: “Chefe do exército do Senhor”]. Então, Josué se prostrou com o rosto em terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo? 15 Respondeu o príncipe do exército do Senhor a Josué: Descalça as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo. E fez Josué assim.

10) Muitas vezes, é o nosso grito de fé na promessa de Deus que nos garante a vitória: no sétimo dia rodeando Jericó, após a sétima volta, os israelitas gritaram e esse grito simbólico de fé na promessa divina é que fez os muros ruírem. Muitas vezes, é um grito de ‘glória a Deus’ dado no momento certo, ou um louvor ‘do fundo de nossa alma’ que põe um fim à nossa guerra e nos dá a vitória. Provavelmente, os cidadãos de Jericó estavam preparados para uma investida direta dos israelitas, mas não para trombetas tocando solitariamente por seis dias à frente de um povo mudo e passivo; também não estavam esperando que o povo gritasse de maneira desenfreada antes de atacar. Isso os desconcertou e colocou o poder de Deus em ação, derrubando, Ele mesmo, a fortaleza do inimigo.

11) Lembrar-se das primícias: na lei de Moisés, o povo era orientado a trazer ao Senhor a oferta de primícias, ou seja, o que primeiro tinha frutificado da colheita, para garantir a bênção de Deus para toda a safra. Assim, Jericó era como uma oferta de primícias (oferta = corbam; em hebraico, qorbãn ou qrbh = ‘aquilo que é trazido para perto’, ‘aproximar-se de Deus’; qorbãn é praticamente um termo genérico, enquanto outros são usados especificamente para holocausto, oferta pelo pecado e pela culpa etc.), por isso Ele tinha orientado o povo a não tocar no despojo. Isso mostrava Sua soberania e garantiria Sua glória sobre a primeira vitória dos israelitas em Canaã. A partir daí, eles não seriam mais derrotados.

12) Desobedecer a Deus e tocar no sagrado traz conseqüências sérias para muita gente: Acã não só desobedeceu a Deus, mas gerou com esse pecado uma maldição sobre a nação, pois foram derrotados em Ai e sua família toda “pagou o preço” por seus atos de rebeldia. Segundo a tradição judaica, Acã nasceu no meio do Mar Vermelho, quando o povo saiu do Egito, e viu a morte dos seus pais no deserto pela sentença de Deus. Talvez, isso tenha deixado uma mágoa em seu coração ou um desejo desesperado de posse de bens para compensar a privação do deserto. Por isso, provavelmente, tenha agido mais no impulso carnal do que pela razão; entretanto, esse “esquecimento” de Deus como o Primeiro em tudo lhe trouxe a maldição e a morte. Acã significa: o que dá trabalho, perturbador, e deriva de Acor ou Acar, em hebraico, derivado do verbo cãkhar = afligir, perturbar, causar transtorno, atribular. Portanto, Acar (‘ãkhar) significa: homem da tribulação. O pecado gera maldição, que compromete outras vidas.

13) Deus não compactua com pecado: em Js 7: 12 está escrito: “Pelo que os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos; viraram as costas diante deles porquanto Israel se fizera condenado; já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a coisa roubada”. E no v.13a a bíblia diz: “Dispõe-te, santifica o povo e dize: Santificai-vos para amanhã, porque assim diz o Senhor, Deus de Israel: Há coisas condenadas no vosso meio, ó Israel;...”. Deus é santo e deseja que o sejamos. Obedecendo às Suas ordens estaremos seguros e debaixo do Seu querer.

14) O mal precisa ser extirpado, pois afeta toda a comunidade: “Aquele que for achado com a coisa condenada será queimado, ele e tudo quanto tiver, porquanto violou a aliança do Senhor e fez loucura em Israel” (Js 7: 15). Para não desanimar as pessoas e não “contaminar” a mente dos outros com a rebeldia, o Senhor puniu fisicamente o pecado de Acã para extirpar o mal do meio do Seu povo. Conosco, que vivemos debaixo da Graça, não da Lei, confessar nossos pecados e nos cobrir com o sangue perdoador de Jesus é a forma de extirparmos o mal da nossa alma para que outros ao nosso redor não sejam afetados também. Precisamos mudar nossas atitudes.

15) A promessa de Deus permanece de pé, independente da nossa disposição interior: a promessa da parte de Deus foi cumprida dando a eles toda a terra, mas da parte deles foi deficiente; ao longo dos anos, eles desanimaram, deixando alguns antigos moradores junto com eles, por isso, mais tarde, arcaram com as conseqüências do erro, pois as advertências do Senhor dadas a Moisés e Josué se realizaram, tirando deles a soberania e fazendo com que Deus, pela idolatria do Seu povo, os entregasse nas mãos do inimigo. Portanto, quando Ele nos promete vitória total sobre a nossa terra, não devemos fazer o trabalho pela metade, pelo contrário, perseverar até que todo o antigo morador seja extirpado. Dessa forma poderemos habitar seguros, sem o risco de um “contra-ataque”. Veja novamente em Js 11: 22; Js 15: 63; Js 16: 10; Js 17: 12; Jz 1: 21; 27-36.

16) O suprimento precisa ser total: quando Acsa pediu a Calebe um campo, ele lhe deu terra seca, todavia, ela perseverou e lhe pediu as fontes de água. Então, ele lhe deu as fontes superiores e as inferiores, ou seja, as fontes espirituais e as materiais. Quando tomamos posse da nossa terra, devemos pedir a Deus que Ele nos dê suprimento abundante em todas as áreas, espiritual e material, as fontes do céu e da terra, para podermos lavrar e semear nossa terra sem escassez.

17) O conquistador tem direito à porção dobrada de unção: Josué “pagou o preço” e venceu, por isso pôde habitar na terra que pediu. Timnate-Sera ou Timnate-Heres significa: porção dobrada, porção do sol. Ele foi o “primogênito” na terra, por isso teve o direito à bênção do primogênito, a porção dobrada do pai, a unção dobrada da luz (sol) do Senhor sobre sua vida.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


A terra das doze tribos de Israel
A TERRA DAS DOZE TRIBOS DE ISRAEL

Nações de Canaã no tempo de Josué
AS SETE NAÇÕES DE CANAÃ NO TEMPO DE JOSUÉ
(Cananeus, Heteus, Girgaseus, Amorreus, Jebuseus, Fereseus, Heveus)

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Curso para ensino bíblico – nível 1

Curso para Ensino Bíblico – nível 1

Biblical Teaching Course – first level

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