Estudo e aprendizados com a história de vida do personagem bíblico Jó. Qual o propósito do seu livro? Qual o significado do seu nome? Como se chamavam seus amigos? Ele perdeu tudo, sofreu, foi falsamente acusado, mas Deus lhe restituiu em dobro.

Textos de referência: Jó 1–42
Resumo:
Jó (hebr. ’iyyôbh, significa: voltando sempre para Deus; hostilizado, que suporta as adversidades) era, segundo a bíblia, um homem íntegro e temente a Deus e que se desviava do mal. Morava na terra de Uz, de localização incerta. Cogita-se ser próxima a Basã (Nordeste de Canaã), perto das fronteiras do deserto que separa os braços leste e oeste do Crescente Fértil. Era uma região de cidades, fazendas e rebanhos migrantes. A terra tinha o nome de Uz, filho de Naor, irmão de Abraão (Gn 22: 21), ou Uz, dos filhos de Seir, o horeu, na terra de Edom (Gn 36: 28), se levarmos em conta a proximidade com os locais de origem dos amigos de Jó e a menção dos sabeus (Jó 1: 15), que habitavam em Sabá, na Arábia Félix, ao sul da Península Arábica.

Crescente Fértil e a provável localização da terra de Uz
Ele era um homem rico e com uma posição respeitada na sociedade, mas não era rei. Jó é descrito na Bíblia como um juiz e líder respeitado em sua comunidade, atuando como um magistrado ou conselheiro, na porta da cidade, junto com os anciãos. O Capítulo 29 mostra sua posição de autoridade, onde ele resolvia disputas, consolava os necessitados e era respeitado como um líder da comunidade. Oferecia sacrifícios a Deus em favor dos filhos. Tinha sete filhos e três filhas.
O livro de Jó é um livro que aborda o sofrimento humano e o que acontece fora do nosso conhecimento, mesmo com os que são justos e que, muitas vezes, são incompreendidos até pelos amigos, cuja sabedoria carnal, limitada, também não compreende a razão do seu sofrimento, levando-os a agir de duas maneiras: aceitando sem contestar e ajudando o outro a superar a prova ou agindo como juiz, como os amigos de Jó fizeram, acusando o irmão de pecado, sem reconhecer sua própria ignorância no assunto. Para a mentalidade da época, quando alguém sofria era sinal da ira de Deus sobre ele por haver pecado; não entendiam os diferentes caminhos do Senhor e que alguém pode sofrer, mesmo não tendo nenhuma condenação divina sobre si. Para Elifaz, Bildade e Zofar o caso de Jó era um caso diferente de tudo o que já tinham visto. Aqui, o que estava em oculto era o ataque de Satanás contra o próprio Deus usando Jó como arma. Ele mostrou a Deus que Jó era fiel porque tinha tudo; se Ele tirasse dele a Sua mão e todas as coisas que tinha, ele (Satanás) duvidava que Jó continuasse sendo leal.
Assim, Jó perdeu bens e filhos num só dia. A princípio, se conformou com o juízo de Deus e não pecou contra Ele. Não satisfeito com a situação, Satanás exigiu de Deus que também a saúde de Jó fosse afetada e Ele permitiu que Jó fosse tocado em seu corpo para ter mais um motivo, no final, para envergonhar o adversário. Deus permitiu todas as coisas para mostrar que a fidelidade entre Ele e Jó não se quebraria nunca nem por coisa alguma.
A bíblia fala dos três amigos de Jó: Elifaz o temanita, Bildade o suíta, Zofar o naamanita e Eliú, filho de Beraquel, o buzita. Temã era filho de Elifaz, o primeiro filho de Esaú e Ada (Gn 36: 11; 1 Cr 1: 36) e talvez tenha dado seu nome ao distrito ao norte de Edom (Jr 49: 20; Ez 25: 13; Am 1: 12; Ob 9). Seus habitantes eram famosos por causa de sua sabedoria (Jr 49: 7; Ob 8 e seg.). Embora a localização exata de Temã permaneça desconhecida, há fortes evidências a favor da cidade Jordaniana de Ma‘ãn. Havia muitas nascentes de água na região, e isso a tornava atraente para as caravanas entre a Península Arábica e o Levante (um termo geográfico que abrange Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre). Quanto a Bildade, o suíta, nós podemos dizer que a tribo dos suítas (Gn 25: 2; 6) eram os descendentes de Suá, filhos de Abraão e Quetura, e que habitaram ao oriente, na Arábia Deserta. E os naamatitas localizavam-se nas terras do leste, região de homens sábios (cf. 1 Reis 4: 30). Zofar, o naamatita, pode ter vindo de Naamã, uma área montanhosa no noroeste da Arábia Deserta (ou Arábia Magna, uma região ocupada pelo deserto interior da Península Arábica). Em Jó 32: 2 é mencionado Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão. É provável que ele fosse descendente de Buz, o 2º filho de Naor, irmão de Abraão (Gn 22: 20-21); ou tivesse vindo da cidade de Buz, mencionada junto com Dedã e Tema (ou Temá; Jr 25: 23), lugares em Edom ou na Iduméia. Quanto a Rão, muito provavelmente se refere a Arã (Gn 22: 21), filho de Quemuel, irmão de Buz, filho de Naor.
Três questões são levantadas com muita freqüência no livro de Jó: a prosperidade dos perversos (Jó 4, 15, 18, 20, 21, 22, 27); porque coisas ruins acontecem com pessoas boas; e a severidade de Deus com os bons, sendo que os perversos não são punidos.
Jó descreve a prosperidade dos perversos (Jó 21), e reconhece que ela não vem de Deus (Jó 21: 16), mas contesta que os perversos muitas vezes não são castigados; parece que Deus os apóia e prolonga sua vida (Jó: 22-25). Depois, ele volta a falar que eles terão um destino ruim, pois Deus é justo e lhes trará o castigo (Jó 27: 6).
Jó amaldiçoou o dia do seu nascimento e sua mulher lhe disse para amaldiçoar a Deus e morrer. A princípio, seus três amigos se sentaram junto com ele para consolá-lo e se condoerem da sua dor; por sete dias e sete noites fizeram isso. Até que seu amigo Elifaz o lembrou que ele era um exemplo para o povo e deveria buscar a Deus.

A história continua com os amigos começando acusá-lo, dizendo que seus sofrimentos eram causados por pecado. Ao distorcerem a verdade, só fizeram aumentar sua dor.
Os amigos o afligiam com aquelas palavras (Jó 19: 1-2). Deus quis que ele sofresse (Jó 19: 6) e todos o abandonaram (Jó 19: 21), mas ele sabia que o seu Redentor estava vivo e o defenderia de todas as acusações. Aqui o ‘Redentor’ é uma forte alusão ao Resgatador de uma família e uma esperança forte num intercessor entre Deus e a humanidade (Jó 19: 25). O ‘Redentor’ ou a ‘Testemunha’ que está no céu a quem Jó se referia, expressava o seu desejo de ter um Advogado que pudesse defendê-lo perante Deus, o que poderia ser uma referência a Jesus, como nosso Intercessor e Advogado (Hb 7: 25; 1 Jo 2: 1).
“Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19: 25).
A narrativa prossegue numa seqüência quase que interminável de queixas contra Deus e embates de palavras e conhecimentos teológicos entre Jó e seus amigos. Ele ainda mantinha momentos de fé e confiança em Deus, mesmo não entendendo o que estava acontecendo, mesmo se revoltando contra o que acontecia, exigindo uma explicação do Senhor e mesmo sendo acusado falsamente pelos seus amigos de ter pecado. Começou a lembrar do seu primeiro estado feliz e declarou sua integridade. Em nenhum momento, Jó começou a achar que tinha pecado ou culpa de alguma coisa; não se deixou seduzir pelas acusações dos seus amigos, pois sabia como andava diante de Deus.
Jó 29 – Jó lembra-se do seu 1º estado feliz. Ele diz que era feliz porque o Todo-Poderoso estava com ele e os seus filhos ao redor dele. Ele tinha fartura de leite e tinha riqueza (‘ribeiros de azeite’). Era líder da cidade e quando chegava, os moços davam lugar para ele se sentar na praça, como se levantavam para um magistrado. Como juiz, magistrado, conselheiro da cidade, assim ele era. Os idosos se levantavam em sinal de reverência. Ele julgava de maneira justa os pobres, os órfãos e a viúva, e todos tinham prazer de ouvi-lo. Ajudava os cegos e os coxos. Era como um pai para os necessitados. Julgava até a causa dos desconhecidos. Providenciava o castigo dos maus. Ele diz que a fama e a saúde e sua força de guerra se renovarão nele (v. 19-20). A sua prosperidade material e espiritual estavam enraizadas em Deus. Ainda voltará a dar fruto (‘orvalho’). As pessoas aguardavam para ouvi-lo e estavam sedentas das suas palavras. Eles não desprezavam seu rosto, confiavam nele como tinham confiança em Deus. Tinha uma grande capacidade de aconselhamento.
Jó 31 – declara sua integridade. Descreve seus atos de justiça:
Não foi falso, nem se desviou do caminho correto (v.5-7).
Não teve olhos concupiscentes nem maldosos (v.7).
Não cedeu à tentação de mulher estranha (v.9).
Não desprezou o direito do servo e da serva (v.13).
Não reteve o que era do pobre ou da viúva ou do órfão (v.16-17).
Não negou roupa nem coberta a quem precisava (v.19-20).
Não foi a favor da maioria para prejudicar alguém (v.21).
Não pôs sua esperança no dinheiro (v.24).
Nem ostentou riqueza (v.25).
Não idolatrou os astros (v.26-28).
Não se alegrou com a desgraça do seu inimigo (v.29) nem o amaldiçoou com a boca (v.30).
Não encobriu suas transgressões (v.33) com medo do desprezo das pessoas.
Não explorou os trabalhadores do seu campo (v.38-40).
A partir de certo momento, entra em cena mais um personagem: o jovem Eliú, que repreende tanto Jó quanto os outros três e justifica a Deus, tentando explicar todas as Suas atitudes para com os homens. Jó começa a buscar revelação nEle. Depois disso, o Senhor o repreende, o que vai trabalhando sua amargura interior e esclarecendo muitas coisas, terminando por apoiá-lo e repreendendo seus amigos porque não disseram dEle o que era reto. Jó intercede por eles e os perdoa por tê-lo acusado falsamente. Deus o restitui em dobro tudo o que perdeu. Entretanto, lhe deu o mesmo número de filhos: sete homens e três mulheres. Aparentemente, Jó lidava bem com a riqueza e ela nunca prejudicou seu relacionamento com Deus, por isso o Senhor o restituiu em dobro, materialmente falando. Com isso quis mostrar que os bens materiais podem ser restituídos, mas não os filhos.
A bíblia fala sobre as filhas de Jó, mas não sobre os filhos. Falar das belas filhas de um herói era sinal da bênção divina. Seus nomes eram: Jemima (pombo), símbolo da paz; Quezia (canela), símbolo da restauração das coisas pessoais, não voltar a cometer os erros do passado, temor de Deus e resgate; Quéren-Hapuque (Pükh = brilho de cores, fonte de beleza), símbolo de cor, alegria, vida, luz, entendimento.
1) Deus permite tudo por um propósito: Deus permitiu todas as coisas para mostrar a Satanás e aos homens que Sua fidelidade é imutável e que existem filhos Seus que são capazes de suportar tudo para mantê-la também de pé, mesmo não O conhecendo inteiramente ou mesmo tendo uma visão limitada e distorcida a Seu respeito. Também mostra que o relacionamento sincero com Ele jamais pode ser quebrado por coisa alguma. Outra razão para permitir algo pode não ser a que aconteceu com Jó, por causa da reivindicação de Satanás, mas para mostrar aos homens que não conhecem nem entendem todas as coisas; que Ele é o Senhor agindo como quer para manifestar propósitos diversos no meio do Seu povo e para mostrar que Sua criação é infinita e diferente, não se repetindo nunca em nenhum filho Seu. Outra razão é despertar no homem atitudes que podem estar adormecidas como: o amor, a tolerância e o respeito pelos seus semelhantes, deixando o julgamento para Deus. Isso é trabalhar o orgulho, o preconceito e a soberba humana que, muitas vezes, impedem as revelações e o trabalho puro do Espírito.
2) Ouvir falsas sabedorias, acusações e pareceres humanos pode nos levar a interpretar erradamente os motivos de Deus, até que nos viremos contra Ele: uma das estratégias que o diabo usa é a distorção da verdade, buscando fazer Deus mau e ele, bom. Tudo que acontece de mau passa a ser atribuído a Deus e tudo o que traz prazer e alegria passa a ser atribuído ao diabo. Não podemos nos esquecer que o diabo mente; ele é o pai da mentira, como disse Jesus. Só o que importa é sabermos que Deus sabe de todas as coisas e Sua justiça existe, assim como o Seu amor e Sua misericórdia. Jó, até certo ponto, não se deixou impressionar pelas acusações falsas dos amigos sobre ter ele pecado, mas foi influenciado por um sentimento de animosidade contra Deus.
3) Luta solitária contra as evidências apresentadas pelos que ‘vêem a cena do lado de fora’: Jó se sentiu só diante de todas as evidências contra ele e diante de todas as maneiras de pensar, diferentes da sua; tudo ao seu redor parecia querer provar que todos estavam certos e que ele era o errado. Quando ele se lembrava de exaltar o Senhor, sua força parecia se renovar dentro dele.
4) Abandonar a revolta e as justificativas; buscar a verdade e a revelação de Deus: depois que Jó buscou verdadeiramente a presença de Deus, pôde ouvi-lO e conhecer interiormente o que estava acontecendo com ele. O Senhor não lhe falou sobre Satanás, pois o alvo do inimigo era o próprio Deus, mas revelou a Jó Sua soberania e Sua justiça sobre todas as coisas. Com isso, diminuiu a força do mal dentro dele e exaltou Sua força benigna no coração do Seu filho. Por isso, enchermos nossa mente com as explicações sobre o diabo e sobre o que lhe diz respeito profana nosso templo, pois deixamos de exaltar o nome e o poder de Deus. Não devemos dar ouvidos às explicações dos outros, quando o “dono das explicações” já se encontra dentro de nós. Quando Deus apoiou Jó e repreendeu seus amigos por tê-lo acusado falsamente, restaurou a fé de Jó e o seu relacionamento com Ele. A partir daí, vieram o entendimento e a revelação e Jó pôde declarar que, agora, conhecia o Senhor não só de ouvir falar, mas de vê-lO na Sua essência. Quando a bíblia fala: “Me arrependo e me abomino na cinza e no pó”, quer dizer que Jó estava se retratando de sua falta de conhecimento e sabedoria.
5) Perdão e intercessão completam a cura: quando Jó perdoou seus amigos e intercedeu por eles, sua cura foi completada, pois viu aí a aprovação de Deus recebendo sua oração. Sentiu-se exaltado por Ele.
6) A glória da última casa é maior do que a da primeira: Deus trabalhou a alma e o espírito de Jó e lhe restituiu dobrado, não só o espiritual como o material. Seu conhecimento dEle cresceu, assim como teve, materialmente, mais do que tinha antes. Quando Jó se lembrou do que tinha no passado, jamais poderia imaginar que o Senhor lhe daria muito mais.
7) Bênçãos representadas pelas filhas: Jemima (pombo) simboliza a restituição dobrada da paz sobre sua vida; Quezia (canela) simboliza a restauração das coisas pessoais, não voltar a cometer os erros do passado, temor de Deus e resgate. Como ela é macerada (a casca e a sementes) até se tornar pó, é uma figura profética da aceitação de Jesus Cristo em Sua morte e cruz. Representa nossa aproximação de Jesus em humildade, despindo-nos da nossa carne, tornando-nos mais como Ele é. E Quéren-Hapuque (chifre de pintura para olhos, brilho de cores) simboliza que não mais sua vida seria cinza, sem vida, mas colorida com a alegria, a verdadeira vida de Deus, uma visão diferente das coisas e a luz do entendimento divino.
Esse vídeo está em compartilhamento com meu Google Drive. Se estiver assistindo pelo celular, abra com o navegador, em modo paisagem e com tela cheia. Ele é parte do curso bíblico (ver link em dourado no alto das páginas).
“Jó – Personagem bíblico” - removi temporariamente para atualização

Curso para Ensino Bíblico – nível 1 (PDF)
Biblical Teaching Course – first level (PDF)
Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti
E-mail: msearaagape@gmail.com