Aprendizados com Eliseu, o profeta que pediu porção dobrada do espírito de Elias para poder exercer seu ofício. Ele fez o dobro dos milagres que Elias fez. Seu exercício profético prefigura o ministério de Jesus.


Personagens bíblicos – Eliseu




Textos de referência: 1 Rs 19: 19-21; 2 Rs 2–9; 2 Rs 13: 14-25
Exercício profético: 848–797 AC

Resumo:

Eliseu (’elïshã, Deus é salvação) foi profeta do reino do norte e contemporâneo de Acabe, Acazias, Jorão, Jeú, Jeoacaz e Jeoás, portanto, seu ministério abrangeu aproximadamente cinqüenta anos da história de Israel.

Podemos dizer que o ministério de Elias foi “reproduzido” por João Batista, assim como o de Eliseu foi uma “sombra” do futuro ministério de Jesus.

Eliseu foi chamado ainda jovem e seu chamado não foi através de uma unção com azeite como os reis de Israel receberam, mas foi uma ordenação quando Elias jogou sobre ele o manto profético (1 Rs 19: 19-21). A partir daí, serviu seu mestre.

Alguns anos se passaram e, quando o Senhor estava para tomar Elias ao céu por um redemoinho, Eliseu acompanhou o mestre de Gilgal até Betel, depois para Jericó e para o Jordão, onde as águas se dividiram ao toque do manto de Elias. Cinqüenta discípulos dos profetas os acompanharam, tentando dissuadir Eliseu de seguir Elias. Quando eles atravessaram o rio, Elias perguntou a Eliseu o que ele queria antes de ser tomado por Deus. Eliseu pediu porção dobrada do espírito que estava sobre seu mestre, ou seja, o dobro do seu poder espiritual, assim como o filho mais velho herdava dupla porção da propriedade do pai (Dt 21: 17). De qualquer maneira, Eliseu queria o poder divino para cumprir sua nova missão como líder espiritual da nação (2 Rs 2: 15). Elias, então, lhe disse que ele teria isso se o visse quando fosse arrebatado. Continuaram andando até que um carro de fogo (símbolo da autoridade de Deus) com cavalos de fogo os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. Então, Eliseu verbalizou em voz audível o que estava vendo (“O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, tomando as suas vestes, rasgou-as em duas partes” – 2 Rs 2: 12). Rasgou suas vestes em duas partes e tomou o manto que Elias deixara cair. Como seu mestre tinha feito, feriu as águas e elas se dividiram. Eliseu passou (1º milagre feito por Deus usando seu ungido). Os discípulos dos profetas viram tudo e reconheceram a autoridade de Eliseu como profeta da nação (2 Rs 2: 15).


O arrebatamento de Elias


Os homens de Jericó comentaram com Eliseu que a cidade era boa, mas as águas eram más e a terra, estéril. Eliseu pediu que lhe trouxessem um prato novo e pusessem sal nele. Aí fez seu 2º milagre diante deles, jogando sal no manancial das águas, que ficaram saudáveis (2 Rs 2: 19-21). O sal simboliza aliança (Lv 2: 13; Nm 18: 19), fidelidade da promessa, natureza não perecível do pacto, o amor imutável de Deus, sinal de purificação e santidade.

Eliseu saiu de Jericó e voltou para Betel e, no caminho, quarenta e dois rapazes zombaram dele por causa de sua calvície. Ele os amaldiçoou em nome do Senhor e eles foram mortos por duas ursas. Não foi um caso de vingança contra jovens inofensivos, mas um juízo de Deus contra uma geração que demonstrava crescente desrespeito para com Ele e Suas leis. O insulto deles não era, na verdade, uma zombaria contra a calvície de Eliseu, mas uma zombaria contra o Deus que o profeta representava; uma rejeição de sua autoridade profética. Foi a 3ª atitude miraculosa ocorrida no seu recente ministério (2 Rs 2: 23-25).

Moabe pagava tributo ao rei de Israel. Quando Acabe morreu e Jorão, seu filho, subiu ao trono, o rei dos moabitas se revoltou, portanto, Jorão pediu ajuda a Josafá, rei de Judá, e com eles se aliou o rei de Edom (2 Rs 3: 1-7). Após sete dias de marcha, faltou água para o exército e para o gado deles. O rei de Israel murmurou, mas Josafá indagou por um profeta que se pudesse consultar em nome do Senhor. Um dos servos de Jorão lhe falou sobre Eliseu, filho de Sefate e os três reis foram até ele. Eliseu se irou contra o rei de Israel, porém por causa de Josafá, pediu que viesse um tocador de harpa. A música trouxe o poder de Deus sobre Eliseu, e ele profetizou que eles deveriam fazer muitas covas no vale e o Senhor as encheria de água, não só para matar sua sede e a do gado, como também entregaria Moabe em suas mãos. Na manhã seguinte as águas vieram (2 Rs 3: 20) pelo caminho de Edom (4º milagre de Eliseu), águas que provavelmente foram decorrentes de uma forte chuva que o Senhor mandara sobre as montanhas edomitas e que fluíram para Moabe. Os moabitas esperavam encontrar tanques d’água e confundiram o reflexo vermelho do sol da manhã com sangue (2 Rs 3: 22). Pensaram que os reis tivessem se destruído uns aos outros e foram ao arraial de Israel. Ali os israelitas os derrotaram perseguindo-os até suas cidades, que também foram destruídas segundo a profecia de Eliseu. O rei de Moabe, vendo que não poderia vencer, tomou seu filho primogênito e o ofereceu em holocausto sobre o muro da cidade. Isso fez com que os moabitas lutassem com maior intensidade e fúria, levando os israelitas a se retirarem, pois estes já tinham conseguido seu objetivo.

Com Eliseu, aconteceu milagre semelhante ao que fez Elias com a viúva de Sarepta (1 Rs 17: 8-16). Dessa vez, foi com uma mulher também viúva dos discípulos dos profetas (2 Rs 4: 1-7), que estava endividada e temia que os credores levassem seus filhos como pagamento (seriam escravos). Eliseu lhe deu instruções detalhadas sobre como levantar recursos colocando óleo em vasilhas. Ela obedeceu às ordens, viu o milagre de Deus (5º milagre por meio do Seu profeta), pagou sua dívida e sua fé no Senhor aumentou.

Havia uma cidade na região ocupada pela tribo de Issacar, ao norte de Israel, e no NT correspondente à Galiléia, chamada Suném (shünem, lugar de repouso). Ali morava uma mulher rica que lhe ofereceu pão. Todas as vezes que o profeta passava por lá, entrava em sua casa para comer. Foi ela que sugeriu ao seu marido que lhe fizesse um pequeno quarto, mobiliado de maneira simples para que, quando o profeta voltasse, pudesse se abrigar nele. Assim aconteceu. O moço de Eliseu se chamava Geazi e o profeta lhe perguntou o que ele poderia fazer pela mulher para retribuir sua hospitalidade. Geazi sugeriu que, talvez, Deus pudesse fazer um milagre de lhe dar um filho, já que ela não tinha nenhum e seu marido já era velho. Eliseu a chamou novamente e lhe disse que dali a um ano lhe nasceria um filho. E o milagre aconteceu como ele tinha predito (2 Rs 4: 15-17, o 6º milagre de Deus por seu intermédio). O menino cresceu e um dia adoeceu e morreu. A mãe o colocou sobre a cama de Eliseu e foi procurá-lo. Encontrou-o no Monte Carmelo. Contou ao profeta sobre sua dor e ele mandou Geazi colocar seu bordão (o de Eliseu) sobre o rosto do menino. A mãe não queria ninguém mais além do profeta, portanto, ele a acompanhou. Geazi até colocou o bordão como lhe fora orientado, mas nada aconteceu. Então, Eliseu orou ao Senhor e se deitou sobre o menino (seus olhos, sua boca e suas mãos sobre os do morto); o garoto espirrou sete vezes e abriu os olhos (7º milagre). Eliseu tomou o menino e o apresentou à sua mãe. Mais tarde, houve um período de fome na nação e a Sunamita buscou alívio na Filístia, perdendo todos os seus bens. Após sete anos, ela voltou e seus bens foram restaurados (2 Rs 8: 1-6). Estou descrevendo agora esse episódio para mostrar que o relacionamento de Eliseu com a Sunamita não terminou ali com a ressurreição do seu filho.

Após ter ressuscitado o menino, outro episódio que é colocado em seqüência também parece estar relacionado ao período de sete anos de fome em Israel, descrito em 2 Rs 8. Esse episódio trata da fraternidade dos profetas em Gilgal. Eliseu disse a Geazi para colocar a panela grande no fogo e fazer um cozido para os profetas. Algo no alimento, entretanto, não agradou aos homens; provavelmente estivesse envenenado pelas ervas que foram ali colocadas. Eliseu colocou farinha na panela e tornou o alimento saudável. Foi seu 8º milagre. O 9º milagre antecipa o milagre da primeira multiplicação de pães e peixes feito por Jesus (Mc 6: 35-44). Aqui, Eliseu multiplicou vinte pães de cevada e espigas verdes para alimentar cem homens.

Em 2 Rs 5: 1-27, a bíblia descreve a história de Naamã, que não tem data precisa. Talvez, tenha ocorrido num período em que os assírios tentaram dominar a Síria; quem sabe, um período de trégua entre a Síria e Israel. Naamã era comandante do exército do rei da Síria e estimado pelo seu senhor. Através dele, Deus dava vitória ao seu povo, mas Naamã supunha que isso vinha de sua habilidade militar. Era um herói de guerra, porém, leproso. As tropas da Síria tinham feito prisioneira uma menina israelita que ficou a serviço da mulher de Naamã. Foi ela que falou à sua senhora sobre Eliseu, que estava em Samaria, e que era capaz de curar Naamã da lepra. Ele falou com seu rei, que o enviou a Israel. Parou na porta da casa do profeta, que lhe mandou um mensageiro com a instrução de Naamã mergulhar sete vezes no Jordão para ser curado. Naamã se enfureceu, pois esperava outra resposta e outra maneira de ser curado. Cedendo ao conselho dos seus oficiais, fez o que o profeta tinha mandado e ficou livre da lepra (10º milagre). Naamã quis recompensar Eliseu, mas este rejeitou o presente. Então, Naamã lhe pediu que pudesse levar um pouco de terra de Israel para a Síria, pois estava disposto a adorar somente o Senhor, a partir daquele momento. O profeta o despediu em paz. Geazi não entendeu a recusa de Eliseu e achou justo receber do oficial sírio uma recompensa; mentiu-lhe, falando-lhe em nome do seu mestre. Naamã lhe deu dois talentos de prata e duas vestes festivais. Quando o homem de Deus lhe pediu contas de onde tinha ido, Geazi mentiu novamente. O profeta o repreendeu e lhe disse que a lepra de Naamã ficaria, agora, nele e na sua descendência para sempre.

O próximo milagre de Eliseu (11º milagre) diz respeito a ele ter feito flutuar um machado (2 Rs 6: 1-7), o que, provavelmente, ocorreu na mesma época dos outros milagres nas habitações dos profetas.

Eliseu teve uma notável participação política, principalmente, nas guerras entre a Síria e Israel (2 Rs 6: 8-24). Avisou o rei de Israel sobre o acampamento do inimigo por várias vezes, livrando a nação de um desastre (2 Rs 6: 10) e isso perturbou o rei inimigo, que pensou haver um espião no seu meio. Informado sobre a existência do profeta, tentou prendê-lo, mas Deus desviou as tropas para Samaria em direção ao exército de Israel (12º milagre). Entretanto, por ordem de Eliseu, o rei de Israel lhes ofereceu um banquete e os mandou de volta ao seu senhor. As investidas sírias cessaram.

Algum tempo depois, voltou Ben-Hadade, rei da Síria, para sitiar Samaria (2 Rs 6: 24-25). Era o período de fome de sete anos predito por Eliseu à sunamita (1 Rs 8: 1) e descrito anteriormente. Vendia-se cabeça de jumento e esterco de pomba. O estado de Israel era tão crítico que até canibalismo de crianças era praticado. Isso indignou o rei Jorão que se voltou contra Eliseu para ter a quem acusar por aquela situação. Mandou-lhe um mensageiro, mas Eliseu profetizou que no dia seguinte haveria suprimento. O capitão que tinha sido enviado pelo rei como emissário ao profeta duvidou da profecia e recebeu mais uma palavra dele de que ele veria a profecia se cumprir, porém, não ficaria vivo para comer do alimento. A profecia se cumpriu (13º milagre) quando quatro homens leprosos que estavam à porta da cidade resolveram arriscar suas vidas para procurar comida no arraial dos siros. Ao anoitecer daquele dia, puseram seu plano em prática, mas quando chegaram lá encontraram o acampamento vazio, pois Deus fizera os siros ouvirem ruído de um exército e de carros de guerra, e pensaram que Jorão tinha pedido ajuda ao Egito e aos heteus; entraram em pânico e fugiram deixando tudo. Os leprosos comeram e beberam e viram as vestes e o ouro. Esconderam os despojos e voltaram a Samaria para contar ao rei e aos cidadãos o milagre do Senhor. O rei Jorão duvidou a princípio; depois, enviou soldados para confirmar. Constatando o milagre, saqueou o arraial inimigo. Assim, se cumpriu a profecia de Eliseu. O capitão do rei que duvidou das palavras do profeta foi atropelado pelo povo e morreu na porta da cidade como o homem de Deus havia dito.

Ben-Hadade adoeceu e Eliseu foi a Damasco. O rei siro perguntou ao homem de Deus, através de um mensageiro, se ele sararia. O mensageiro e assistente do rei era Hazael, que tinha sido ungido por Elias a mando do Senhor para exterminar a casa de Acabe. Quando Eliseu o viu, chorou, pois Deus lhe mostrou que ele mataria o rei da Síria e dizimaria a nação Israel. No dia seguinte, Hazael matou Ben-Hadade e ocupou o trono. Por ordem de Eliseu, um dos discípulos dos profetas foi até Jeú, capitão do exército Israelita que estava em Hamote-Gileade, e o ungiu rei, pois Jorão, rei de Israel, tinha se unido com Acazias, rei de Judá, contra Hazael, rei da Síria, e voltara ferido para Jezreel.

Como o Senhor ordenara, Jeú dizimou a casa de Acabe matando Jorão, rei de Israel, e Acazias, rei de Judá. Jezabel, mãe de Jorão e mulher de Acabe, foi jogada da janela do palácio e também morreu, como o Senhor havia dito por boca do profeta Elias. Jeú matou também os setenta filhos de Acabe, assim como todos os seus conselheiros, sacerdotes e todos os seus conhecidos. Todos os sacerdotes de Baal foram exterminados.

Estando Eliseu enfermo, Jeoás (filho de Jeoacaz, filho de Jeú), rei de Israel, veio para visitá-lo. O profeta fez a ele uma promessa de vitória sobre os siros; infelizmente, ele não deu muito crédito a ela.

Eliseu morreu com, mais ou menos, oitenta e cinco a noventa anos e o sepultaram. Bandos de moabitas costumavam invadir a terra. Quando os israelitas que estavam enterrando um homem os viram, lançaram o corpo na sepultura de Eliseu e, quando o cadáver tocou os ossos do profeta, ressuscitou. Em relação a Eliseu, este foi o 14º milagre realizado por Deus e que, embora não tenha sido efetuado pelo poder Dele sobre o profeta ou sobre seus ossos, serviu como um sinal de que o Deus de Eliseu vivia.

Podemos ver com tudo isso que Elias realizou sete milagres ao longo do seu ministério. Eliseu tinha lhe pedido porção dobrada e realizou quatorze milagres.

Aprendizados importantes com Eliseu

1) Semelhanças com o ministério de Jesus: o ministério de Eliseu antecipou o de Jesus, foi uma “sombra” do que ocorreria com o Senhor. O próprio chamado de Eliseu foi muito parecido com o chamado dos apóstolos. Elias passou pela plantação onde Eliseu estava arando a terra e o chamou. Eliseu se despediu dos seus familiares e o seguiu. Assim também foi com os discípulos de Jesus. A bíblia fala que eles deixaram o que estavam fazendo e o seguiram. A velha vida foi deixada para trás e uma nova começava com Jesus. Outra semelhança com o ministério de Jesus e que aconteceu na vida de Eliseu foi a ressurreição do filho da sunamita. A primeira semelhança diz respeito à confiança dela no profeta, não especificamente em sua autoridade através de outra pessoa. Quando ele enviou seu moço Geazi e o orientou a estender o bordão sobre o rosto o menino e nada aconteceu, a mulher não se apartou de Eliseu, ou seja, ela achava que ninguém mais poderia ressuscitar seu filho, que não fosse o profeta. Esse episódio foi muito parecido com aquele que Jesus curou o menino que tinha epilepsia (por causa de demônio), mas que não pôde ser curado por Seus discípulos porque o pai achava que só o Senhor poderia curá-lo. Quando Jesus foi até ele, não se importou de início com o menino possesso, e sim com o pai, restaurando-lhe a fé, não só na Sua presença física ali, como lhe mostrando que Ele era a palavra viva e estava também na boca de Seus seguidores para realizar os milagres que fossem necessários. Assim como a fé do pai teve que ser trabalhada, a fé da mulher também foi trabalhada por Eliseu. Mais um episódio onde podemos encontrar fatos parecidos com o evangelho é o relacionamento mais íntimo e prolongado com a sunamita, pelo fato de Eliseu voltar ali amiúde e até ter um quarto construído para si onde se abrigar. Eliseu, primeiro, conquistou a amizade da mulher e do marido, passou a ser como se fosse um membro da família e, com certeza, falava sobre o Deus de Israel com eles, ministrava a eles a palavra do Senhor; só depois realizou o milagre da ressurreição do filho deles. Seu relacionamento com essa família não terminou por aí, mas continuou quando, após sete anos de seca, os bens da sunamita foram restaurados porque Geazi intercedeu por ela junto ao rei. Jesus, da mesma forma, foi amigo íntimo de Lázaro, Marta e Maria; freqüentou sua casa e se hospedou lá, teve várias oportunidades de estar com eles ministrando a Palavra e ressuscitou Lázaro para mostrar a eles que era verdadeiramente seu amigo de todas as horas. Quando ele foi crucificado e passou três dias no túmulo, foi uma semelhança com o período de seca enfrentada pela sunamita, pois se sentiu afastada da fonte de águas vivas vindas do profeta. Lázaro, Marta e Maria ficaram sem a “Água da Vida” ali com eles, mas foram restituídos da sua esperança quando Jesus ressuscitou e voltou para eles, até subir ao céu depois de quarenta dias. O mesmo acontece conosco: Jesus nos chama para Ele, começa a nos encher com Sua palavra e, de repente, por alguma tribulação na nossa vida, nos sentimos secos e mortos, parecendo que Ele se afastou justo no momento da nossa assolação e solidão; entretanto, depois do nosso aprendizado com essa situação, Ele volta a ressurgir em nós e ressuscitar nossa esperança, nos restituindo daquilo que nos foi roubado. Outro milagre de Eliseu que teve semelhança com o de Jesus foi a multiplicação dos vinte pães de cevada e das espigas para cem homens, semelhante com a multiplicação dos pães e peixes para cinco mil e quatro mil homens (dois milagres de multiplicação de pães e peixes). O episódio ocorrido após a morte de Eliseu, quando o cadáver do homem que tinha sido jogado no seu túmulo passou a ter vida ao tocar seus ossos, pode ser outra forma de mostrar o poder ressuscitador de Jesus sobre todas as coisas mortas. Quando Jesus morreu e ressuscitou, não só tirou as chaves da morte das mãos do diabo, como pregou aos espíritos em prisão (1 Pe 3: 19), ou seja, os mortos do AT. Quando morreu na cruz, a bíblia diz que muitos mortos ressuscitaram e passaram a andar pela cidade (Mt 27: 52-53). O milagre realizado por Deus com o caso dos ossos de Eliseu foi para mostrar ao Seu povo que o Deus de Eliseu estava vivo; jamais morreria e tinha o poder da vida e da morte consigo. O fato de Jesus ressuscitar nos passa a mesma mensagem: Ele vive eternamente, assim como todos aqueles que crêem Nele e o tocam.

2) O profeta precisa superar todas as provas colocadas em seu caminho para ser reconhecido como uma autoridade vinda de Deus: foi o que aconteceu com Eliseu um pouco antes de ser sucessor de Elias. Primeiro, ele seguiu o mestre até Betel, que significa “a casa de Deus”. Isso quer dizer que o profeta deve estar sempre na presença de Deus para ter revelação e autoridade. Em segundo lugar, Eliseu o seguiu até Jericó. Isto significa que as muralhas das impossibilidades devem ser vencidas para conquistar a unção profética. É um ato de fé colocada em ação para que o profeta descubra a força da palavra de Deus em sua boca. O terceiro passo é ir para o Jordão, que simboliza a mudança de mente, o divisor de águas, ou seja, a separação da mente de Deus da mente do homem. O profeta deixa o Espírito vir separando a mente dele da de Deus para que possa ter um grau maior de fé e uma visão mais elevada das situações e, assim, possa ser um canal de milagres para o Senhor. Eliseu superou todas essas provas para poder conquistar a porção dobrada de Elias.

3) Olhar para o espiritual, não para o natural: Elias disse a Eliseu que ele teria o que tinha pedido se pudesse ver o momento exato do seu arrebatamento, o que foi uma experiência espiritual. Os cavalos e carros de fogo, símbolo de autoridade de Deus no mundo espiritual, eram a visualização dos anjos trazendo a glória e o poder de Deus ao tomar Seu ungido. O Senhor estava fazendo algo insólito, pois ninguém teve esse tipo de morte, a não ser Enoque, antes de Elias. Todos os Seus servos, inclusive Moisés, foram enterrados como todos os mortais. Assim, o que estava acontecendo era algo espiritual que mostrava a Eliseu que, para ele ter o manto profético e o poder de Deus que desejava para dirigir a nação, era preciso aprender a olhar sempre com os olhos espirituais, não com os naturais. Se ele não estivesse “em espírito” naquele momento, não poderia ter visto o que viu. Os olhos naturais dos homens não os permitiam ver o milagre. Isso significa que o profeta precisa ter os olhos voltados para o alto, para as coisas espirituais, não para as da carne.

4) Os que desprezam e invejam vão ter que reconhecer a autoridade de Deus sobre Seus ungidos: os discípulos dos profetas que antes haviam tentado atrapalhar e dissuadir Eliseu de seguir Elias tiveram que reconhecer a autoridade de Deus sobre Seu escolhido, quando viram o profeta voltar sozinho do outro lado do Jordão e depois de procurarem por Elias em vão, sem achá-lo.

5) A nova aliança traz vida e bênção: o episódio que Eliseu pede um prato novo e coloca sal para tornar saudáveis as águas de Jericó exemplifica isso. O prato simboliza o nosso espírito. O sal simboliza aliança (Lv 2: 13 e Nm 18: 19), fidelidade da promessa, natureza não perecível do pacto, o amor imutável de Deus, sinal de purificação e santidade. Ao fazer Eliseu jogar o sal no prato novo, o Senhor estava mostrando com isso que Sua promessa não tinha morrido e Ele estava disposto a fazer uma nova aliança com Seu povo. Nada pode continuar estéril com Ele por perto. Outra característica interessante do sal é que ele derrete o gelo. Isso significa que a palavra verdadeira de Deus derrete os corações frios e endurecidos pelo pecado e pelas barreiras humanas.

6) Os mandamentos imutáveis de Deus prevalecem sobre a irreverência e a falta de temor: quando Eliseu foi ridicularizado pelos quarenta e dois rapazes por causa de sua calvície, na verdade, era Deus que estava sendo zombado e desprezado pelo povo de Israel. Duas ursas saíram do mato e os destruíram. O urso é um animal que tem maior força que o leão e suas ações são menos previsíveis. O leão representa a ação de forças e poderes espirituais sobre nós. Assim, podemos imaginar que o urso também é uma força dessas, porém, maior, como a força de Deus, que é capaz de realizar justiça contra tudo o que afronta Sua santidade e Sua palavra, e pode pegar o inimigo de surpresa em qualquer situação. O número dois para os israelitas simbolizam a Lei e os Mandamentos inscritos nas duas tábuas que Moisés trouxe do Sinai; em outras palavras, simboliza a aliança imutável de Deus com Seu povo. Com esse ato de juízo de Deus sobre a desobediência e falta de temor, realizado através de Eliseu, Ele quis mostrar que o Seu poder é maior para destruir todo o pecado e opressão. Sua palavra continua sendo fiel.

7) O louvor traz a presença de Deus: na guerra dos três reis contra Moabe, Eliseu pediu um tangedor. Quando a música trouxe a presença de Deus sobre ele, pôde profetizar e revelar as estratégias divinas ao Seu povo. Assim, o louvor nos aproxima do Seu trono e nos faz conhecer Seus segredos. Além disso, como aconteceu com Josafá na guerra contra os moradores de Seir, o louvor faz com que Deus guerreie por nós contra o que não podemos resolver e nos traz livramento.

8) Abrir espaço para Deus agir: quando o Senhor orientou que fizessem covas no vale para que Ele enchesse com água, isso queria dizer para abrir espaço (covas) no coração para que as situações aparentemente antigas e sem solução (vale) possam ser inundadas pela Sua vida e pela Sua palavra. Seu sangue (cor vermelha da água sob o reflexo do sol da manhã, vista pelos moabitas) afasta o inimigo e traz vitória e renovação.

9) Milagre de suprimento vem de Deus e não dos homens: podemos ver isso no caso da viúva endividada que estava prestes a entregar seus filhos como escravos para poder saldar o que devia. Com este pensamento e com esta atitude, ela estava lançando mão da solução humana, ou seja, vender o que se tem para pagar dívidas. Na verdade, ela estava mais do que vendendo algo para se ver livre da cobrança; ela estava dando “de mão beijada” na mão do inimigo o que ela tinha de mais precioso que era seus filhos. Filho representa o sonho. Dessa forma, quando nos vemos pressionados pelo adversário, temos a tendência a entregar a ele o que é precioso para nós, a ponto de vendermos nossos bens materiais e até abrir mão dos nossos sonhos porque achamos nessa solução humana o socorro imediato para nossa situação de miséria. Quando damos ouvidos à palavra de Deus (representada aqui por Eliseu) e a acolhemos com fé no nosso coração, podemos ver que Ele tem uma solução espiritual, que é mais eficaz do que a que temos. As vasilhas somos nós, os vasos capazes de comportar a unção do Senhor; portanto, quando nos encontramos numa situação de carência e falta de suprimento em qualquer área da nossa vida, Deus nos fala para pedirmos a Ele que nos traga vasilhas (Seus filhos) para que Ele possa encher e realizar, através deles, o milagre que precisamos. Quanto mais forem as vasilhas, mais unção de Deus vai ser derramada, e maior vai ser a vitória. Outro aprendizado aqui visto sob o prisma divino é que nós, quando pensamos que não temos mais nada, ainda temos uma porção da Sua unção para ser derramada sobre outros e multiplicar Sua palavra de salvação na terra. Outros precisam ser cheios com o Seu poder.

10) Se encher com o Espírito: voltando ao caso da ressurreição do filho da sunamita, podemos ver alguns tópicos de importância. Muitas vezes, não só a Palavra cura, mas a visão e a ação corretas (conjuntamente): “boca, olhos, mãos”. Por isso, Jesus tocava algumas pessoas. Espirrar, aqui no texto, simboliza uma ação libertadora divina perfeita (sete vezes) sobre o espírito do menino. Em Gênesis, está escrito que o sopro de vida de Deus (O Espírito) foi colocado no homem (Adão). Quando Eliseu colocou seus olhos, sua boca e suas mãos sobre o menino, o Senhor estava removendo simbolicamente do seu espírito o que o impedia de fluir e viver (o menino espirrou sete vezes). O Senhor fez o profeta se deitar sobre o garoto com o intuito de nos mostrar que queria fazer repousar sobre ele o Seu Espírito (Mt 12: 18). Há também certa semelhança com a cura do endemoninhado cego e surdo que Jesus curou (Mt 12: 22-23; 28), quando a bíblia fala que “expulsava demônios pelo dedo de Deus (i.e., o Espírito de Deus)” (Lc 11: 20). O filho da sunamita poderia não estar endemoninhado, mas necessitava do Espírito vivificante e restaurador de Deus. O ato de Eliseu também colocar seus olhos sobre os do menino simboliza que ele precisava de uma nova visão em sua vida para poder caminhar corretamente, livre da morte (pecado). Colocar suas mãos sobre as dele representava uma nova maneira de agir. O menino foi liberto da morte (pecado) pela palavra de Deus (boca do Espírito através do profeta), recebendo a visão correta da vida (olhos) e uma nova maneira de agir (mãos, a maneira de Deus). Eliseu teve elementos para realizar a cura: a palavra (boca), a visão de Deus para crer que o menino ressuscitaria (olhos) e a ação correta (mãos). Podemos dizer que ele também aprendeu com essa experiência.

11) Deus tem capacidade de salvar e transformar: em três milagres de Eliseu, Deus usou símbolos desse poder: sal sobre as águas estéreis de Jericó, farinha na panela que continha alimento envenenado para os profetas, e o azeite nas vasilhas da viúva. O sal simbolizava Sua aliança, Seu amor e Sua fidelidade em relação às promessas; a farinha, a verdade da Sua palavra e Seu poder restaurador (através do Seu corpo, simbolizado pelo pão comido na ceia, pois é com farinha que se faz o pão) trazendo resgate da morte; e o azeite, simbolizando o poder transformador, resgatador e multiplicador do Seu Espírito (unção).

12) Curar a lepra: a palavra lepra, na bíblia, pode ter o significado de lepra mesmo (doença de pele), pecado (lepra espiritual) e feridas emocionais. Isso nos fala de doença física, espiritual e emocional. Naamã era um herói de guerra; aparentemente, um vitorioso aos olhos dos homens, mas totalmente deficiente no nível espiritual, pois era carente de Deus. Em Pv 16: 32 está escrito: “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade”. Isso exemplifica o caso de Naamã. Exteriormente era uma pessoa bem sucedida, mas seu interior era derrotado e precisava de cura divina. Podemos ver pela atitude de Eliseu e pela reação de Naamã que um dos maiores empecilhos à sua cura era o orgulho, que Deus removeu mudando sua maneira de pensar (mergulho no Jordão; Jordão significa: mudança de mente, divisor de águas, separação da mente de Deus da mente do homem). A cura foi progressiva, mostrando que Ele vai mudando gradualmente nossa maneira de pensar, trazendo a cura da alma, a libertação do pecado e a restauração física. Ele faz isso de maneira perfeita e completa (sete vezes). Outro aprendizado com Naamã é que o Senhor cura da maneira que Ele quer porque Ele conhece todas as coisas, não da maneira que o homem espera. Naamã esperava ouvir uma palavra de cura da boca do profeta, mas este lhe deu uma incumbência, como que mostrando a Naamã que a responsabilidade da cura estava em suas mãos, não nas mãos de outros; as suas escolhas corretas, assim como uma nova maneira de pensar, é que trariam a solução do problema. Deus tem poder para nos purificar de toda a lepra.

13) Buscar a glória de Deus, não a dos homens: Eliseu não aceitou a recompensa de Naamã, pois sabia que o mérito da cura não era dele, mas de Deus. Geazi, por outro lado, reivindicou a glória para si, aceitando um presente de Naamã. Isso acarretou morte em sua vida, pois ele incorreu em pecado de orgulho, mentira e desobediência. Desobediência, porque não respeitou a autoridade profética de Eliseu; mentira, porque falou em nome de Eliseu a Naamã quando o profeta nada tinha lhe dito, além do que mentiu para seu próprio senhor não dizendo aonde tinha ido; e orgulho, porque queria receber uma honra que não era sua, queria receber de Naamã uma recompensa que, teoricamente, pertencia a outro. Como conseqüência desses pecados, a maldição de Deus se manifestou nele e na sua descendência. A mancha (lepra) deixada pelo pecado o marcou para sempre, assim como aos seus filhos. Podemos ver aqui uma semelhança tremenda com o que aconteceu no Éden com Adão e Eva. O pecado de orgulho, querendo se colocar no lugar de Deus, detendo Sua sabedoria e querendo Sua glória, acarretou ao homem a maldição divina, deixando nele uma marca, uma mancha, que era a natureza pecaminosa do diabo em sua carne.

14) É necessário saber localizar o erro: o machado que estava na mão do discípulo dos profetas tinha caído no rio. Mas ele teve que dizer exatamente o lugar onde isso tinha ocorrido para Eliseu jogar o pedaço de madeira e o fazer flutuar. Isso significa que quando oramos com sinceridade ao Senhor, colocando diante Dele o que nos aflige e Lhe dizendo exatamente onde nos sentimos incomodados, Ele nos traz uma palavra libertadora que traz à tona o problema e o remove de uma vez por todas. Outro ensinamento que podemos tirar dessa situação é que quando não temos mais recursos para nossos problemas, a palavra de Deus vem encontrando o que parecia estar perdido e trazendo luz e solução. Machado é um instrumento que decepa e que corta, o que quer dizer que a Palavra é um machado que não devemos deixar perdido dentro de nós, mas sempre atuante para cortar as malignidades das nossas vidas e separar o que é de Deus para nós e o que não é.

15) Pagar o mal com o bem para cessar a guerra: quando o exército dos siros foi desviado por Deus para Samaria e o rei queria matá-los, o profeta lhe deu uma ordem que pareceu absurda: servir a eles um banquete e devolvê-los ao seu rei. A estratégia surtiu efeito e os ataques cessaram. É o mesmo ensinamento que Jesus nos deu para que o inimigo não tenha do que nos acusar.

16) Não ter apegos nem medos nos garante a conquista da bênção: os leprosos não tinham nada a perder no caso da fome que reinou em Samaria, não tinham apegos; também tiveram ousadia de arriscar a procurar alimento no território do inimigo. Por isso Deus os ajudou e conseguiram a vitória. Os medrosos e “prudentes” ficaram apenas olhando, não tiveram a primogenitura da bênção. Como eles tomaram uma atitude de coragem, foram os primeiros a provarem do despojo. Deus espera de nós uma atitude pró-ativa, não passiva, pois essa atitude de coragem e determinação nos torna conquistadores e reis, não coitados ou impotentes.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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livro evangélico: Curso para ensino bíblico – nível 1

Curso para Ensino Bíblico – nível 1

Biblical Teaching Course – first level

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