Explicação evangélica da oração do Pai-Nosso versículo por versículo. Por que ela se chama Oração Dominical?

An evangelical explanation of the Lord’s Prayer, verse by verse.


O Pai-Nosso




“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando orardes, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6: 5-15 cf. Lc 11: 2-4).

Por que ela se chama Oração Dominical?

O outro nome dado à oração do Pai-Nosso, “Oração Dominical”, não tem nada a ver com o dia do Domingo, mas com Jesus, pois Ele é o Senhor, e a palavra em latim para “Senhor” é “Dominus”. Portanto, “Oração Dominical” significa, a “Oração do Senhor”, uma vez que foi ensinada por Jesus Cristo aos Seus discípulos.

A oração do Pai-Nosso, assim como os Dez Mandamentos, pode ser dividida em duas partes, sendo que na primeira nós engrandecemos o nome do Senhor e, na segunda, expomos a Ele os nossos pedidos terrenos.

O Senhor nos ensina a dizer: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”. Isso quer dizer que devemos ter, antes de tudo, a consciência de que o nosso verdadeiro Pai está no céu, pois se trata do próprio Deus. E nosso Pai que está no céu é perfeito. Seu domínio é exercido pelo amor, pois coloca a misericórdia bem no centro do julgamento.

O que significa “santificado seja o teu nome?”

A palavra ‘santo’ (hagios, gr.) significa: sagrado, puro, sem culpa, consagrado, separado, digno de ser honrado, semelhante a Deus, ter a natureza mais íntima de Deus, ser separado e reservado para Deus e para o Seu serviço.

Deus é Santo, e devemos pedir que Ele santifique o próprio nome, ou seja, que Ele se revele a nós, que nos mostre a Sua pureza e grandeza e o quanto Ele é digno de honra. Essa frase implica um profundo respeito e reverência pelo nome de Deus, evitando que ele seja usado de uma forma vã ou profana. E a oração pede que Ele mesmo se mostre a todos os homens e criaturas no céu e na terra para que Seu nome seja reconhecido e tratado com reverência e respeito, glorificado, louvado e adorado unicamente, como ser supremo que Ele é. Quem O busca com seriedade recebe a Sua revelação e conhece a Sua santidade. Dessa forma, quanto mais nos achegarmos a Ele em oração, mais conheceremos o Seu caráter, o que se manifesta através de uma experiência espiritual reveladora da palavra de Deus em nosso próprio espírito; podemos, então, perceber como somos imperfeitos e mudar radicalmente o nosso conceito de santidade. Para termos acesso ao Pai é necessário estarmos cobertos pelo sangue de Seu Filho. Sermos cobertos pelo sangue de Jesus significa deixar o poder da cruz nos tocar por inteiro; não apenas no nosso espírito, por um ato de fé, mas de maneira profunda na nossa carne limpando a nossa alma de todo o tipo de deformação e distorção que traz dor e ferida, seja por pecado ou por outras ações espirituais externas, o que implica em ser tocado nas emoções e nos pensamentos, até no corpo, quebrando as prisões do diabo sobre nossa vida. Por isso, é tão importante orarmos diante da cruz, pois ali podemos fazer uma troca com Ele, deixando realmente que Ele leve as nossas dores sobre si e nos liberte derramando o Seu sangue purificador sobre tudo aquilo que nos amarra. Portanto, o ato de orar exige reverência, pois estamos realizando algo que tem implicações espirituais. A oração verdadeira é aquela que se processa com a nossa alma livre, despida, sem armaduras e prostrada diante da cruz ou do trono de Deus. Ali Ele nos faz ver quem nós somos e nos revela quem Ele é. Podemos perceber, então, que a própria natureza deformada da nossa carne já é, por si só, uma contradição com a verdadeira santidade de Deus. Quando Ele nos diz: “Sede santos porque eu sou santo”, Ele se refere a nos comportarmos como Ele se comporta, ou seja, transparência completa e sinceridade entre o que se prega e o que se vive. Que nós possamos mostrar a santidade de Deus aos outros através das nossas atitudes.

Um comentário aqui é sobre perfeição. Deus disse a Abraão: “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17: 1). Podemos pensar, portanto, que a perfeição para Deus é algo completamente diferente do que a nossa visão humana possa alcançar. Na verdade, é sermos completos nEle, sermos inteiros e verdadeiros porque Ele nos preenche e nos transforma espiritualmente à Sua imagem e semelhança. Não é a ausência de pecado, mas indica plenitude, maturidade, exercendo a lei do amor a Deus e aos homens.

A próxima frase é: “Que venha o teu reino” ou “Venha a nós o teu reino” (gr. Basilea), ou seja, o Seu domínio, o Seu poder, a Sua realeza e a Sua autoridade sobre nós. Isso significa estar disposto a desistir de tudo, a fim de ter Deus; significa orar tanto pelo momento presente, para que as pessoas se curvem em submissão a Ele, quanto clamar pela consumação do reino na segunda vinda de Cristo. Esse reino está surgindo sob o ministério de Jesus, mas só será consumado no fim dos tempos, no dia em que Ele reinar soberanamente em justiça sobre tudo.

Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”; a Sua vontade deve ser feita na terra assim como é feita no céu. E no céu há paz, plenitude, perfeição, alegria, ausência de dores, sofrimentos e lágrimas. No céu, onde o governo de Deus é alegre e incondicionalmente aceito por todos, Sua vontade é espontânea e alegremente obedecida por todos e em todas as ocasiões. Portanto, a vontade de Deus para nós é boa, é a melhor e está ao nosso alcance. Ele exige de nós o máximo que podemos dar, mas nada além disso. Não devemos ter receio de pedir que se faça a Sua vontade em nossas vidas, pois Ele fará o melhor. Da mesma forma que ela é obedecida no céu, deve ser obedecida na terra.

O que significa “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje?”

A segunda parte da oração do Pai-Nosso nos ensina a pedir pelas nossas necessidades materiais (“o pão nosso de cada dia dá-nos hoje”), além do que nos fala sobre o perdão como uma condição essencial, não apenas para o louvor verdadeiro a Deus, mas para o nosso suprimento na terra em todas as áreas (“e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]”). A palavra pão, neste caso, simboliza tudo quanto realmente necessitamos para nossa existência terrena, para que possamos santificar o Seu nome e praticando a Sua vontade na terra como ela é praticada no céu. Precisamos do sustento material, dia a dia, a fim de podermos, inclusive, servir a Deus de maneira plena, pois uma pessoa mal alimentada e doente não tem forças sequer para orar. Portanto, o Senhor nos ensina a Lhe pedir que nos ajude nessa área, entregando também a Ele todas as nossas aflições e confiando que Ele vai cuidar do nosso suprimento; não dependemos de homens, mas dEle.

O que Jesus fala sobre o perdão na oração do Pai Nosso?

Depois de pedir por isso, Jesus nos fala sobre o perdão: Mt 6:12: “e perdoa-nos as nossas dívidas (transgressões ou ofensas, em algumas traduções), assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”.

Ele nos lembra que devemos pedir ao Pai que perdoe as nossas dívidas ou ofensas. A palavra ofensa não significa apenas transgressão, pecado, mas também insulto e afronta, porque quando desobedecemos aos Seus mandamentos, nós O ferimos e O ofendemos pelo nosso pecado, o que gera uma dívida no mundo espiritual, que é a brecha aberta por onde Satanás pode nos tocar. Portanto, ao pedirmos a Ele que nos perdoe as ofensas, Seu sangue nos cobre e as nossas dívidas são pagas, fechando nossas brechas. O vocábulo ‘dívidas’, em grego, opheiléma (ὀφείλημα, Strong #g3783), é o vocábulo que designa nossos pecados como aquelas coisas que nos tornam culpados e nos carregam de dívidas perante Deus e que jamais podemos saldar, senão o Seu Filho. Opheiléma significa: uma dívida, ofensa, pecado; algo devido, ou seja, (figurativamente) devido moralmente, uma falha.

“Assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” – Devedor, Devedores, em grego é: opheiletés (ὀφειλέτης, Strong #g3781), que significa ‘alguém que está em dívida, alguém que pecou contra outro, um pecador, alguém que deve, isto é, pessoa endividada; figuradamente, um inadimplente; moralmente, um transgressor (contra Deus)’.

E em Mt 6: 14-15 (“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”), a palavra grega traduzida como ofensa é paraptóma (παράπτωμα Strong #g3900), que significa: uma queda, um lapso, escorregão, passo em falso, transgressão, pecado, deslize (lapso ou desvio), ou seja, erro (não intencional) ou transgressão (intencional); queda, culpa, ofensa, pecado, transgressão.

Jesus faz uma ligação diretamente proporcional entre sermos perdoados por Deus e liberarmos o perdão também para aqueles que nos devem algo. “Assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” ou “pois também nós perdoamos [verbo no presente do indicativo] a todo o que nos deve” não significa que devemos pedir perdão à base do perdão com que tivemos perdoado a outrem, ou seja, na mesma quantidade ou qualidade que conseguimos perdoar alguém. Só podemos receber perdão pela graça. Mas, a fim de podermos orar a Deus pedindo perdão, com sinceridade e sem qualquer hipocrisia, devemos estar livres de qualquer sentimento de ódio e vingança. Somente quando Deus nos tiver dado a graça para verdadeiramente perdoar nossos devedores é que estaremos preparados para fazer uma oração verdadeira.

O perdão aqui não está ligado ao sentimento, mas à nossa vontade de obedecer ao mandamento do Senhor e usar a força da nossa palavra para abrirmos os caminhos uns dos outros (já tendo nós mesmos sido perdoados por Ele); só assim Sua ação abençoadora será completa: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”. Em outras palavras, a disposição ao perdão dentro de nós nos aproxima do caráter de Deus, portanto, podemos sentir também o Seu perdão quando nos achegamos a Ele com os nossos problemas e pecados. Por outro lado, sem a vontade de perdoar o semelhante, o acesso ao Pai em oração é bloqueado. Se Deus nos perdoou por coisas muito maiores na cruz, por que não perdoarmos nossos irmãos por coisas mais simples? (Mt 18: 15; 21-22). Se liberarmos o perdão, vidas serão liberadas, mas se os retivermos, não só os outros deixarão de ter a chance de serem perdoados por Deus, como nós não teremos igualmente a liberação das nossas vidas, espiritualmente falando.

Em Jo 20: 23 Jesus disse aos Seus discípulos, após Sua ressurreição, quando apareceu a eles: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes [os pecados], são retidos” (ARA). Na NVI está escrito: “Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados”. A palavra grega para ‘pecados’ é hamartias (ἁμαρτία, Strong #g266), que tem o significado principal de “errar o alvo”; daí: (a) a culpa, pecado, (b) uma falha, a falha (em um sentido ético), ato pecaminoso; e, portanto, “agir incorretamente” e “quebrar a lei de Deus”.

Os discípulos sabiam que as palavras de Jesus não lhes davam poder para perdoar pecados (At 8: 22: “Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração”), pois somente Deus pode fazer isso (Mc 2: 7; Lc 5: 21). Nem os apóstolos nem a Igreja tem poder de perdoar qualquer pecado que seja ou negar perdão a qualquer indivíduo; em outras palavras: julgar se alguém vai ser salvo ou não pelos pecados que cometeu.

O que Jesus estava falando era sobre a responsabilidade que Ele estava dando à Sua Igreja de anunciar o evangelho em todo o mundo, a fim de que todo aquele que nEle crer possa encontrar o perdão de Deus (cf. Mt 16: 19 – as chaves do reino dos céus – abrir a porta da evangelização), como João Batista veio preparar os corações para a salvação.

Por fim, Jesus nos ensina a pedir a Deus que não nos deixe cair em tentação e nos livre de todo o mal que possa sobrevir sobre a nossa vida, seja do mundo, das trevas ou da carne. Isso significa que aqueles que oram sinceramente pedindo perdão de pecados, anseiam pela capacidade de não pecarem mais. O vocábulo grego ‘peirasmos’, traduzido como ‘tentação’, significa: não nos permitir cair em situações onde ficaremos expostos à tentação do mal. A expressão “livra-nos do mal” (‘rusai hEmas tou ponerou’ ou ‘rusai êmas apo tou ponêrou’; ρυσαι ημας απο του πονηρου) significa: ‘protege, escuda, guarda (rhyesthai), livra’ (rhuomai, ῥύομαι, Strong #4506; resgatar, livrar do perigo ou da destruição) contra os assaltos do diabo [tou ponerou, ou seja, do Maligno; Strong #4190, πονηρός, ponéros: mal, ruim, perverso, malicioso, danoso, penoso, doloroso, prejudicial, maligno, calamitoso; criminoso; masculino (singular) o diabo ou (plural) pecadores]. A frase colocada entre colchetes [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém] foi colocada mais tarde nos manuscritos, mas não foi dita por Jesus.


Jesus ensina a multidão

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Ensinos, curas e milagres

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Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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