A Cidade Velha de Jerusalém tem oito portões atualmente, dos quais um está murado: A Porta Dourada. Deus ainda tem uma promessa de resgate para ela em Is 54:11-12 (a Nova Jerusalém), o que também tem a ver com a reconstrução da nossa alma. Além disso, uma explicação sobre o Islamismo no final do texto.


Os portões da Cidade Velha de Jerusalém


Neste estudo nós vamos entender um pouco sobre as muralhas e as portas da ‘Cidade Antiga’ ou ‘Cidade Velha’ de Jerusalém e por que Deus falou sobre a restauração dela em Is 54: 11-12: “Ó tu, aflita, arrojada com a tormenta e desconsolada! Eis que eu assentarei as tuas pedras com argamassa colorida e te fundarei sobre safiras [nome mais antigo do ‘lápis lazuli’]. Farei os teus baluartes de rubis, as tuas portas, de carbúnculos [pode se referir à ‘esmeralda’] e toda a tua muralha, de pedras preciosas”.

Estes versículos de Isaías não apenas falam de uma restauração espiritual logo após a vinda do cativeiro da Babilônia e após a primeira vinda de Jesus, mas nos deixa claro que se trata da Nova Jerusalém celestial, onde Judeus e Gentios viverão juntos, tendo Jesus como seu tabernáculo eterno (Ap 21: 2-4; 22-27).

Os versículos de Isaías citados acima (Is 54: 11-12) são uma descrição das muralhas e das portas da Cidade Santa, como está escrito em Ap 21: 16; 18-21: “A cidade é quadrangular, de comprimento e largura iguais. E mediu a cidade com uma vara até doze mil estádios. O seu comprimento, largura e altura são iguais [um cubo perfeito, como era o Santo dos Santos – inclusão minha]... A estrutura da muralha é de jaspe; também a cidade é de ouro puro, semelhante a vidro límpido. Os fundamentos da muralha da cidade estão adornados de toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento é de jaspe; o segundo, de safira; o terceiro, de calcedônia [na verdade, diamante]; o quarto, de esmeralda; o quinto, de sardônio [na verdade, granada]; o sexto, de sárdio; o sétimo, de crisólito [na verdade, ônix]; o oitavo, de berilo; o nono, de topázio; o décimo, de crisópaso [na verdade, ágata]; o undécimo, de jacinto; e o duodécimo, de ametista. As doze portas são doze pérolas, e cada uma dessas portas, de uma só pérola. A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente”.


A Nova Jerusalém


O interessante é que João, ao descrever as pedras da Nova Jerusalém (Ap 21: 18-21), descreveu pedras muito parecidas com as que Moisés usou em Êx 39: 8-14, quando mencionou as pedras usadas no peitoral das vestes do sumo sacerdote, simbolizando as doze tribos de Israel, mas nenhum dos dois escreveu a palavra ‘rubi’ ou ‘rubis’. Em Isaías 54: 12, a palavra ‘rubi’ foi assim traduzida como uma alternativa quando nenhuma outra palavra hebraica ou grega já não tenha sido traduzida de outros modos. A palavra hebraica neste texto é kadhkõdh ou kad·kōd (Strong #3539, que significa: uma pedra preciosa, talvez rubi). A KJV traduz como ágata. A palavra kad·kōd só é vista mais uma vez na bíblia em Ez 27: 16, e na nossa versão (ARA) é traduzida como ‘pedras preciosas’. A KJV mantém a tradução ‘ágata’.

Também está escrito em Isaías capítulo 26: “Naquele dia, se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte; Deus lhe põe a salvação por muros e baluartes [NVI: como muros e trincheiras]. Abri vós as portas, para que entre a nação justa, que guarda a fidelidade” (Is 26: 1-2).

‘Naquele dia’ (Is 26: 1), parece significar o tempo do evangelho, e Jerusalém será uma cidade forte, pois Deus põe a Sua salvação por muros e baluartes. Baluarte significa: fortaleza inexpugnável, lugar seguro, suporte, apoio, sustentáculo. O Messias é uma figura de Salvação para Israel. Portanto, esse versículo não é apenas um cântico de gratidão a Deus pelo livramento do Seu povo do jugo babilônico, como também uma profecia a respeito de Jesus, colocado em Jerusalém como um forte muro contra todo inimigo da igreja de Cristo: religiosidade e hipocrisia, idolatria e falsos ensinos, falsas profecias e trevas com aparência de luz. Sua presença torna a cidade inexpugnável como uma fortaleza. Assim, mesmo após o retorno dos exilados e depois da destruição do segundo templo pelos romanos sob Pompeu, a palavra de Salvação de Deus já era um escudo a proteger Seu povo. O templo de Salomão durou 380 anos. O segundo templo perdurou por 473 anos (contando desde 536 AC, quando foi dada a liberação para sua construção por Ciro II, até sua invasão por Pompeu em 63 AC).

‘Abri vós as portas, para que entre a nação justa, que guarda a fidelidade’ (Is 26: 2) significa que as portas da cidade se manteriam abertas para receber uma nação justa e fiel, os tementes a Deus. Que os pecadores fossem então encorajados a unir-se ao Senhor.

Neste estudo, nós veremos que ao longo dos séculos Jerusalém sofreu sucessivas invasões e seus muros foram destruídos, daí a esperança de uma restauração vinda da parte de Deus para Seu povo aflito (Is 54: 11-12).

Isso também tem relação com a restauração espiritual da nossa alma, pois quando a bíblia menciona ‘Jerusalém’, ela está falando espiritualmente dos muros e da proteção da nossa alma. Fazendo um paralelo com as muralhas de Jerusalém, nossa alma também sofreu destruições enquanto estávamos no mundo e afastados de Jesus, mas quando Ele nos tirou do mundo e nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor (Cl 1: 13), a nossa reconstrução teve início e nada nem ninguém tem mais o direito de nos destruir. Por isso, podemos dizer que os judeus e Jerusalém, a cidade atual material, também têm uma promessa de resgate e reconstrução da parte de Deus até que venham a buscá-lo de todo seu coração.

Quando lemos sobre as várias destruições e reconstruções da cidade e de suas muralhas por diferentes impérios e governantes gentios, nós podemos entender o que a bíblia fala sobre a definitiva restauração ser possível apenas depois que os tempos dos gentios se cumpram (‘A plenitude dos gentios’ – tanto em relação ao número dos gentios salvos quanto ao tempo que Deus deu aos perversos para fazerem o quisessem com Jerusalém). O evangelho de Cristo foi pregado exclusivamente aos judeus até 33 DC, completando as setenta semanas de Daniel 9: 24-26, quando surgiram os primeiros mártires como Tiago e Estevão. Depois que Jerusalém foi destruída pelos romanos (Tito) em 70 DC, o tempo de aliança de Deus com os Judeus foi consumado e teve início o tempo de reino de Deus para os gentios:

• Mt 21: 43: “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os devidos frutos”.
• Lc 21: 24: “Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações [os judeus, é o que quer dizer]; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles”.
• Rm 11: 25: “porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios” [Na versão em inglês – NRSV – deste versículo está escrito: ‘Até que tenha entrado o número completo dos gentios’].
Isso nos dá a entender que se trata do número total de todos os gentios que forem salvos. O ‘mistério’ a que Paulo se refere é que Israel foi temporária e parcialmente endurecido, mas Deus não os rejeitou. Ele tirou temporariamente de Israel o reino de Deus (por rejeitarem Seu Filho – Mt 21: 43; Mt 27: 25) e o deu aos gentios que o aceitaram, e Israel só vai recebê-lo de volta depois que se arrependerem e buscarem o Messias.

Dessa forma, a aliança com Israel só será restaurada na segunda vinda de Cristo, quando através do arrependimento, eles começarem a clamar o nome de Jesus (Lc 13: 34-35; Mt 23: 37-39; At 1: 6-7). “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. E em verdade vos digo que não mais me vereis até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Lc 13: 34-35).

O significado das pedras na Jerusalém prometida por Deus a Isaías e a comparação que é feita com a Nova Jerusalém (a cidade celestial) é uma promessa de recompensa para uma cidade que foi destruída durante milênios, que soube o que é afronta e zombaria, indignidade e vergonha. Na Antiguidade, a porta da cidade era não apenas um ponto de honra numa cidade fortificada, mas era o local onde juízes e anciãos se assentavam; ela era o centro das atividades comerciais e jurídicas (Rt 4: 1-2; 11-12; Jó 29: 7-17; Jz 16: 3). As portas e as muralhas das cidades fortificadas eram sua defesa, sua proteção, e também o símbolo do poder e da autoridade contra o avanço do inimigo (Ne 1: 3; 3-5; 17), oportunidade e permissão para fazer algo (Is 45: 2-3; 1 Co 16: 9; Cl 4: 3-4). Portas também são símbolo da proteção divina (Sl 147:13-14), assim como novas oportunidades dadas por Ele para conhecermos mais o que está reservado para nós, por exemplo, o Seu reino (Mt 25: 34; Sl 24: 9); ou ainda, para deixar entrar as bênçãos que Ele derrama sobre nossa vida (Is 26: 2-3).

Dessa forma, ao dar essa promessa ao Seu povo através do profeta Isaías, Deus estava prometendo a eles uma restauração da sua posição de escolhidos de Deus diante das nações, uma esperança de que com a vinda do Messias eles compreenderiam muito mais do que tinham compreendido e vivido até então. Essa promessa foi cumprida espiritualmente na 1ª vinda de Jesus, mas poucos judeus a perceberam, pois esperavam um reino material. Ainda esperam esse reino material com a 2ª vinda do Messias; porém, o Senhor pode não trazer um reino material como o que estão imaginando, mas poderá abrir-lhes os olhos do coração para perceberem que a Nova Jerusalém que o Senhor promete é espiritual, onde todas as pedras preciosas, portas, edifícios e praças de ouro são o símbolo do reino de Deus com toda a Sua majestade, e que estará disponível a todos os que ouvirem o Seu chamado e responderem positivamente a Ele. Portanto, ainda há uma chance de ser restaurado e restituído; ainda há uma chance de ser vingado da injustiça que sofremos num mundo de trevas.

Entretanto, há uma coisa importante também para nós crentes de hoje em relação a tudo o que lemos e que ainda esperamos de Deus em vida, aqui na terra. Quando estudamos o livro de Neemias, nós podemos perceber que é um livro que fala de restauração de ‘muros’, da personalidade, do equilíbrio emocional, de relacionamentos; enfim, do que já se perdeu na alma. Neemias significa: Deus conforta ou Deus consola. Através desse livro, Deus nos chama a edificar nossa alma e nossa vida onde os nossos muros foram destruídos. E aqui em Isaías 54 (todo o capítulo, mas em especial os versículos 11-12), nós também estamos recebendo no nosso presente a promessa de restauração e de restituição de tudo o que a nossa alma perdeu. É só nos lembrarmos da definição acima sobre muralhas e portões. O profeta escreveu numa linguagem figurada o que uma alma aflita e abatida sente distante da presença de Deus, mas também fala da esperança e da segurança que ela sente ao ver-se fortalecida e justificada por Deus: “Ó tu, aflita, arrojada com a tormenta e desconsolada! Eis que eu assentarei as tuas pedras com argamassa colorida e te fundarei sobre safiras. Farei os teus baluartes [NVI: ‘escudos’] de rubis, as tuas portas, de carbúnculos e toda a tua muralha, de pedras preciosas”.

Assim, as pedras preciosas e os muros e portas reparados de todo dano representam: dignidade e honra, respeito, majestade, realeza, glória, riqueza, algo precioso, ‘enfeites’, isto é, dons espirituais derramados em abundância sobre todos os que experimentaram as tormentas, as destruições, choro e derrota, mas que mantiveram sua fé firme num Deus que não mente e que é capaz de se voltar com misericórdia para os que se arrependem e começam a buscá-lo de todo o coração. Ap 21: 27 acrescenta: “Nela [João se refere à Nova Jerusalém], nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro”. Portanto, da mesma forma que na Nova Jerusalém celestial haverá pureza e santidade, quando a nossa alma é restaurada pelo perdão de Deus e pela força que recebemos Dele para refazer nossos pensamentos, sentimentos e nossa maneira de nos comportarmos, as coisas impuras do mundo não mais entrarão na nossa alma. Haverá santidade na nossa vida, pois nós conhecemos a verdade e a vontade do Senhor. Apesar de estarmos num mundo imperfeito e viver alguns momentos de aflição, nós podemos ter a certeza de que um dia tudo isso irá acabar (Ap 21: 1-5).

Origem do palavra Jerusalém

A palavra Jerusalém (em hebraico: ירושלים, Yerüshãlayim) tem origem incerta. No século XIV AC, muito antes de Jerusalém ter se tornado uma cidade israelita, sendo parte da Assíria, a cidade tinha o nome de Urusalim (Ur-sa-li-im-mu), que em assírio significa ‘cidade da paz’. Alguns acreditam que é uma combinação das palavras ‘yerusha’ (legado) e ‘Shalom’ (paz), ou seja, legado da paz. Outros dizem que é a combinação do prefixo Yeru (derivado de Yireh, o nome que Abraão deu ao monte do Templo: YHWH yireh, ‘O Senhor proverá’) e Salém, o nome da cidade onde Melquisedeque era rei e sacerdote; portanto, significa: a ‘cidade de Salém’ ou ‘fundada por Salém’. Salém significa ‘completo, sem defeito’. Por isso, ‘Yerushaláyim’ significa a ‘cidade perfeita’, ou ‘a cidade daquele que é perfeito’.

A antiga Cidade de Jerusalém

A parte mais antiga da cidade de Jerusalém era circundada por muralhas construídas antes do ano 3000 AC pelos jebuseus, quando Davi a tomou. A chamada Cidade de Davi era separada do Monte do Templo pelo Ofel, uma área desabitada que se tornou a sede do seu governo. Ezequias expandiu as muralhas para oeste, incluindo um subúrbio até então sem muros, conhecido atualmente como Cidade Antiga de Jerusalém, a oeste do Monte do Templo. Jerusalém sofreu sucessivas invasões e seus muros foram destruídos quase que por completo pelo menos duas vezes, por Nabucodonosor e Tito. Dizem os estudiosos que além dessas duas destruições, Jerusalém foi sitiada 23 vezes, atacada 52 vezes e capturada e recapturada outras 44 vezes.

Os muros atuais de Jerusalém

Os muros que se vêem atualmente na Cidade Antiga’ ou ‘Cidade Velha’ de Jerusalém foram construídos entre 1535 e 1538 pelo sultão Otomano Solimão I o Magnífico (Em turco: Süleyman ou Kanunî Sultan Süleyman – 1494-1566). A circunferência da muralha é de aproximadamente 1 quilômetro quadrado e seu comprimento é de 4.018 metros. Tem 12 metros de altura e 8,5 metros de espessura. Atualmente, ela contém 34 torres de vigia e 8 portas de entrada, sendo que uma delas, a Porta Dourada foi fechada no século XVI pelo mesmo sultão.

Na época de Neemias, a bíblia descreve (Ne 3: 1-32) 10 portas, 4 torres [Ne 3: 1; 11; 26: a Torre dos Cem, a Torre de Hananel, a Torre dos Fornos e a ‘Torre Alta’ ou ‘a torre que ali sobressaía’ (NVI), provavelmente a torre próxima ao Portão dos Cavalos, o portão que mais se projetava para o Oriente, a sudeste do templo e a leste do palácio de Salomão; uma torre de vigia ao lado do palácio real] e dois grandes muros (Ne 3: 8; 27: o Muro Largo a oeste, e o Muro de Ofel a leste, na Cidade de Davi, defronte ao vale de Cedrom). O ‘Muro Largo’ também era chamado de ‘Muro Duplo’, pois ele tinha duas fileiras de muros, talvez para proteção da área noroeste da Cidade. Ele se estendia desde o Portão de Efraim até o Portão da Esquina, por quatrocentos côvados de comprimento, ou seja, 180 metros – ver mapa no final do tema sobre Neemias. Neste texto (Ne 3: 1-32), a porta de Efraim foi omitida, mas mencionada em Ne 12: 39. Em Ne 12: 39, o autor também faz menção da Porta da Guarda, provavelmente perto da Torre dos Cem (Meah, em hebraico), uma torre de vigia próxima a nordeste do Templo; e o autor chama também a Porta da Ovelhas de ‘Porta do Gado’.

A ‘Cidade Antiga’ ou ‘Cidade Velha’ de Jerusalém é hoje dividida em quatro bairros: armênio, cristão, judeu e muçulmano, desde o início do século XIX.


Mapa da Cidade Velha de Jerusalém e seus bairros

Os portões atuais são:

A Porta Nova (em árabe: Bāb ij-Jdïd; em hebraico: השער החדש, HaSha`ar HeChadash) é o mais novo dos portões da Cidade Velha de Jerusalém e o nome usado pela administração otomana. Foi construído em 1889 para permitir aos peregrinos cristãos um acesso mais rápido aos seus lugares sagrados dentro das muralhas. O portão de pedra em forma de arco é decorado com ameias. O sultão otomano Abdul Hamid II (reinado: 1876–1909) permitiu sua construção. Esse portão não deve ser confundido com a Porta Nova do Segundo Templo (Jr 26: 10; Jr 36: 10), que serviu de entrada para o Salão de Pedras Lavradas do Grande Sinédrio e anteriormente chamado de Portão de Benjamim. O portão otomano foi construído dentro da cidade e alinhado com a fachada da muralha, ao contrário do portão anterior construído pelos Cruzados que tinha uma torre que se projetava da linha de fortificações.


Porta Nova de Jerusalém


A Porta de Damasco (em árabe: Bab al-Nasr, ‘portão da vitória’, e Bāb al-‘Āmūd, ‘portão da coluna’; hebraico: שער שכם, Sha`ar Shkhem) é um dos principais portões da cidade velha de Jerusalém, localizado na parede no lado noroeste da cidade e se conecta a uma estrada que leva a Nablus, na bíblia chamada de Siquém, e de lá à capital da Síria, Damasco, como era no passado; por isso, seu nome moderno é Portão de Damasco (em hebraico moderno, Sha`ar Shkhem – שער שכם, que significa Portão de Siquém ou portão de Nablus). Ela é mais imponente das portas de Jerusalém, sempre movimentada devido à proximidade dos mercados. A porta atual foi construída em 1537 pelo sultão do Império Otomano, Solimão I, o Magnífico. Sob o portão atual, os arqueólogos descobriram os restos de um portão anterior construído pelo imperador Adriano no século II DC, quando ele visitou a região (entre 130 e 131 EC). Na praça atrás desse portão, havia uma coluna da vitória romana e sobre ela, uma estátua do imperador Adriano, por isso o nome árabe Bāb al-‘Āmūd, que significa ‘portão da coluna’. Na verga do portão do século II, e que foi tornado visível pelos arqueólogos debaixo do portão otomano de hoje, está inscrito o nome romano da cidade após 130 EC, Aelia Capitolina, o nome que o Imperador Adriano deu a Jerusalém, quando a transformou numa cidade helenística. O portão romano de Adriano foi construído como um arco triunfal autônomo, e só depois de algum tempo, no final do século III ou no começo do século IV, é que se construíram as muralhas protetoras ao redor de Jerusalém, ligando-as ao portão existente. O portão romano permaneceu em uso durante o período dos primeiros muçulmanos, o primeiro Reino dos Cruzados de Jerusalém (1099-1187), o início do período Aiúbida (1187-1192) e a segunda fase do século XIII do domínio dos Cruzados sobre Jerusalém. O portão de Damasco é o único portão de Jerusalém que não teve seu nome mudado desde o século X (Bāb al-‘Āmūd, ‘portão da coluna’).


Portão de Damasco em Jerusalém


O Portão de Herodes (em árabe: Bab az-Zahra; Hebraico: שער הפרחים, Sha`ar HaPrakhim, traduzido como: ‘Portão das Flores’) também está localizado ao norte da Cidade Velha de Jerusalém e conecta o bairro muçulmano ao bairro palestino vizinho com o mesmo nome do portão, Bab az-Zahra, situado do lado de fora das muralhas. Esta porta leva aos mercados da Cidade Velha, e é chamada em hebraico de ‘Porta das Flores’, pois a etimologia do nome hebraico está ligada à roseta de pedra esculpida sobre a torre do portão. Zahra é a palavra árabe para ‘flor’ ou ‘botão (de flor)’. O Portão de Herodes é o nome cristão do portão, baseado no fato de que Jesus foi enviado a Herodes Antipas por Pilatos para ser julgado (Lc 23: 7) e identificando erroneamente o palácio de Herodes Antipas com o antigo local da Igreja Ortodoxa Grega de São Nicodemos nas proximidades. Ele é um portão modesto que se abre no meio de uma torre de muralha, e é um dos mais novos portões de Jerusalém. Na época que Solimão I o construiu havia um pequeno portão para pedestres na parede lateral leste da torre, que raramente era aberto. Ele fechou este portão original e abriu um novo portão na parede frontal norte da torre. Havia uma grande área residencial dentro do portão, que no período Neo-Testamentário era chamada Bezeta (traduzida como ‘Nova Cidade’) e terminava na torre da Fortaleza Antônia, ao norte do Templo de Herodes. Essa área já havia sido construída no período final do segundo templo.


Portão de Herodes em Jerusalém


Porta dos Leões: em hebraico, שער האריות, Sha`ar ha-Arayot; também chamado ‘o portão de Santo Estêvão’ ou ‘portão das ovelhas’. Cristãos acreditam que o início da Via Dolorosa começa no Portão dos Leões. Na parede acima do portão estão esculpidos quatro leões, dois à esquerda e dois à direita (na verdade são leopardos e não leões). Suleiman, o Magnífico, fez a escultura para celebrar a derrota otomana dos mamelucos em 1517. O historiador Moshe Sharon observou a semelhança dos leões (leopardos) esculpidos com pares semelhantes em dois lugares de Gaza: uma ponte construída em 1273 (Jisr Jindas, o nome árabe para ‘Ponte Jinda’, também conhecida como Ponte de Baibars) e um antigo palácio (Qasr al-Basha), que hoje é uma escola para meninas e um museu na cidade antiga de Gaza, construído no início do século XIII pelo sultão mameluco Zahir Baibars (conhecido também por Baibars Bunduqdari, pois seu nome completo é al-Malik al-Zahir Rukn al-Din Baibars al-Bunduqdari – 1223-1277). Segundo uma lenda do século XIII, ele construiu o primeiro andar da casa para sua esposa de Gaza e para seus filhos, e a escola de dois andares que está lá atualmente foi o que restou da sua casa. O historiador Moshe Sharon confirma a autoria do mesmo sultão e estima a escultura dos leões nesses dois sítios como sendo feitas em aproximadamente 1273 EC. Os leões são o símbolo heráldico do Sultão Baibars. Baibars foi um sultão mameluco do Egito e da Síria (reinado: 1260-1277), tendo como sugestivo cognome Abu al-Futuh, ‘Pai da conquista’, por causa de seus feitos tão incríveis quanto implacáveis. A Porta dos Leões é também chamada de Porta de Santo Estevão (em latim, Porta Sancti Stephani) por causa da proximidade com o local de martírio de Estevão, o primeiro mártir cristão. A Porta dos Leões conduz ao Tanque de Betesda, à Via Dolorosa e aos mercados, e tornou-se famosa durante a Guerra dos Seis Dias.


Porta dos Leões em Jerusalém
A Porta dos Leões em Jerusalém

Detalhe da escutura dos leões
O detalhe da escultura dos leões; na verdade, leopardos

Leão de Baibars na Ponte Jinda
Leão de Baibars na Ponte Jinda


A Porta Dourada (em hebraico: שער הרחמים – Sha`ar Harahamim, ‘Portão da Misericórdia’) também é conhecida como Portão de Ouro, Portão Dourado. Em árabe é conhecida como Portão da Vida Eterna, Portão da Misericórdia (Bab al-Rahma, para a porta do sul) e Porta do Arrependimento (Bab al-Taubah, para a porta do norte). De todos os portões da Cidade Velha, o Portão Dourado era o mais antigo deles e era usado na Antiguidade como uma passagem direta para o Templo. Ele está localizado no terço norte do muro leste da Cidade Velha. A porta original foi construída por Salomão e restaurada por Herodes e por ela Jesus entrou na cidade no Domingo antes da Páscoa. Ela foi destruída pelos romanos em 70 DC. Vendo-a do lado de dentro dos muros, nota-se que ela possui dois pórticos abobadados: a Porta da Misericórdia (Bab al-Rahma – sul) e a Porta do Arrependimento (Bab al-Taubah – norte). Essa porta passou por muitas intervenções: foi fechada pelos muçulmanos em 810, reaberta em 1102 pelos cruzados e murada por Saladino após recuperar Jerusalém em 1187. Como Jerusalém foi saqueada em 1244 por outros adeptos do Islamismo (os tártaros corásmios) e entre 1250 e 1517 os mamelucos destruíram os lugares sagrados dos cristãos no Monte Sião, é de se supor que o muro anterior foi novamente aberto no lugar onde estava a porta. Ela foi reconstruída por Solimão I, o magnífico (Em turco: Süleyman ou Kanunî Sultan Süleyman – 1494-1566), sultão otomano no séc. XVI (1541) junto com as muralhas, mas a fechou com grandes pedras e permaneceu assim até hoje. Essa evidência arqueológica foi encontrada pelo arqueólogo James Fleming em 1969, ao cair num buraco cheio de ossos naquele local e descobrir o arco de uma porta, gravado na pedra do buraco, do mesmo formato que a porta do lado de cima, provavelmente da época de Jesus ou Salomão. Mas suas investigações não puderam prosseguir porque um cemitério muçulmano foi construído no local. Segundo informações de alguns pesquisadores, o Sultão bloqueou a porta com pedras para que o Messias não pudesse entrar na cidade de Jerusalém e assim não se cumprisse a profecia de que o Messias entrará por essa porta na 2ª vinda. O cemitério muçulmano construído ali também barraria Seu caminho. Poderia haver também uma razão defensiva para fazê-lo. Segundo a tradição judaica, seria por esse portão que o Messias profetizado no Antigo Testamento iria utilizar para entrar na cidade, pois para eles a presença divina aparecia sempre pelo leste, pelo lado do nascer do sol (Ez. 43: 4: “A glória do Senhor entrou no templo pela porta que olha para o oriente”). E aparecerá outra vez quando o Messias vier. O oriente era o lado de onde viria a salvação, o Messias. Ezequiel escreveu: “Então, o homem me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário, que olha para o oriente, a qual estava fechada. Disse-me o Senhor: Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor, Deus de Israel, entrou por ela; por isso, permanecerá fechada” (Ez 44: 1-2). Embora os judeus achem que uma nova porta será aberta para o Messias naquele local, nós cristãos podemos ver essa profecia já cumprida, pelo fato de Jesus ter entrado por ela (Lc 19: 28-40; Ez 44: 2) e atualmente ela estar selada. Nós podemos afirmar isso pelas próprias palavras de Jesus: “Ora, alguns dos fariseus lhe disseram em meio à multidão: Mestre, repreende os teus discípulos! Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lc 19: 39-40). Ezequiel escreveu que essa porta ficaria fechada e não mais se abriria, e de fato, está fechada. Jesus disse que as próprias pedras clamariam se Seus discípulos se calassem, e de fato as pedras que ali estão proclamam a veracidade da Sua palavra; elas mostram que ali houve uma porta por onde o Messias entrou em Jerusalém.

[Fonte: vídeo de Rodrigo Silva – Programa: Evidências NT – 033 A Porta Dourada (Série Evidências) – Novo Tempo – YouTube].


A Porta Dourada em Jerusalém

A Porta Dourada vista de dentro do Monte do Templo
A Porta Dourada vista de dentro do Monte do Templo


A Porta dos Detritos [na bíblia, chamada de porta do Monturo – ARA – ou porta do Esterco – NVI; em hebraico: שער האשפות, Sha`ar Ha'ashpot ou sha`ar hâshaphoth (Ne 3: 13)], ou o Portão de Silwan (desde os tempos medievais) está situado perto do canto sudeste da Cidade Velha, a sudoeste do Monte do Templo. É a passagem principal para veículos que saem da Cidade Velha e para ônibus em direção ao Muro das Lamentações. No século XVI ele era muito menor. Em 1948 EC a Cidade Velha ficou sobre controle da Jordânia, mas Israel a recuperou (1967) e em 1952 o portão foi renovado e alargado. O nome Sha`ar Ha'ashpot aparece no Livro de Neemias 3: 13-14 e recebeu este nome por causa do resíduo do templo que era removido e levado até o vale de Hinom para ser queimado. Esse antigo portão pode não estar no mesmo local que o portão do século XVI, e só recebeu esse nome no século XIX. Alguns o chamam de Portão de Silwan, se referindo à aldeia de Siloé (em hebraico: Shiloah; ou em árabe: Silwan ou Sulwan), um antigo bairro a sudeste de Jerusalém, ao sul da Cidade Velha, localizada do lado de fora. A palavra hebraica ashpoth (Strong #830) significa: refugo, um monte de cinza, monte de lixo, monturo, esterco. E a palavra Sha`ar (Strong #8179) significa: cidade, porta, portão, porteiro.


A Porta do Esterco em Jerusalém


Quanto ao Vale de Hinom (do hebraico: Geh Ben-Hinom, literalmente ‘Vale do Filho de Hinom’) ou Geena (em Grego), ele está localizado fora das muralhas ao sul de Jerusalém, e nos tempos bíblicos, era lá onde se queimavam cadáveres de criminosos. Josias, por exemplo, queimou os ossos dos sacerdotes idólatras do tempo de Jeroboão (2 Rs 23: 15-20), pois no mesmo vale eram também oferecidos sacrifícios humanos a Moloque, o deus dos amonitas (2 Rs 23: 10). Mais tarde ele veio a ser usado como depósito de lixo, onde se lançavam os cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais, e toda espécie de imundície. Usava-se enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. Jesus usou este vale como símbolo da destruição eterna. Atualmente é conhecido como Uádi er-Rababi. O significado de ‘Hinom’ é desconhecido; alguns sugerem: ‘ben Hinom’, filho de Hinom [por causa do termo grego para o vale: Geenna – ge (vale de) hinnõm (Hinom)], dando a entender que é um nome próprio (2 Cr 28: 3). Em Jr 7: 32; Jr 19: 6 o nome é alterado pelo profeta para ‘vale da matança’. É também chamado de ‘Vale de Tofete’ (‘local de fogo, local de queima’ ou ‘local de torra’, ‘torrefação’) pelos Cananeus.


Vale de Hinom


A Porta de Sião (hebraico: שער ציון, Sha`ar Tzion, árabe: Bab Ṣuhyūn) também é conhecida em árabe como Bab Harat al-Yahud (‘Porta do Bairro Judeu’) ou Bab an-Nabi Dawud (‘Porta do Profeta Davi’) e leva diretamente aos bairros armênio e judeu. O Portão de Sião foi construído em 1540 EC, a oeste da localização do portão medieval. Na segunda metade do século XIX, uma colônia de leprosos, matadouros e mercado de gado se situaram nas proximidades do Portão de Sião. No final do século XIX, lojas foram construídas ao longo da muralha sul, mas foram demolidas durante o mandato britânico.


Porta de Sião em Jerusalém
Em 2008 foi realizado um trabalho de restauração no portão, marcando seu 468º aniversário


Portão de Jafa (Hebraico: שער יפו, Sha`ar Yafo; Japho ou Joppa; Árabe: Bab al-Khalil, ‘Portão do Amigo’ ou Bab Mihrab Dawud, ‘portão da Câmara de Davi’; chamado pelos Cruzados: ‘Portão de Davi’): era o destino dos peregrinos judeus e cristãos que desembarcavam no porto de Jafa, daí o seu nome. Ela conduzia (e ainda conduz) diretamente para os bairros: armênio, cristão e judeu, bem como para as partes mais populares do mercado e para o Museu da Torre de Davi, outrora a cidadela de Jerusalém e agora um museu de sua história. Também fez parte da reconstrução das muralhas da Cidade Velha por Solimão I, o Magnífico. O nome ‘Portão de Jafa’ (Yāfā) se refere tanto à porta Otomana de 1538 quanto à grande brecha da cidade, adjacente a ela ao sul. A brecha no muro foi feita em 1898 pelas autoridades Otomanas para permitir que o imperador alemão Wilhelm II entrasse na cidade triunfantemente. A brecha e a rampa que leva a ela agora estão permitindo que carros acessem a Cidade Velha pelo oeste. O nome árabe do portão, Bab el-Khalil (literalmente ‘Portão do Amigo’), refere-se a Abraão, ‘o amigo de Deus’ (2 Cr 20: 7; Is 41: 8; Tg 2: 23). Como o local do enterro de Abraham (em Árabe: Ibrahim) está em Hebrom (Gn 23: 19; Gn 25: 9-10), então o nome do Portão de Jafa se traduz como ‘Portão de Hebrom’.

Nos tempos medievais, os árabes chamavam esse portão de Bab Mihrab Dawud, ou ‘Portão da Câmara ou Santuário de David’, por acreditar que a sala no topo da torre Herodiana representava a ‘câmara privada’ ou ‘sala de oração’ de Davi; o profeta Dawud é como o rei Davi é conhecido no Islamismo. Os Cruzados, que reconstruíram a cidadela ao sul do Portão de Jafa, também construíram um portão atrás da localização atual do Portão de Jafa, chamando-o de ‘Portão de Davi’. Dentro do Portão de Jafa há uma pequena praça com entradas para o Bairro Cristão (à esquerda), o Bairro Muçulmano (em frente) e o Bairro Armênio (à direita, após a Torre de Davi). A entrada para o Bairro Muçulmano faz parte do suq (mercado).


Portão de Jafa em Jerusalém


A Torre de Davi é uma antiga cidadela localizada perto da entrada do Portão de Jafa, na Cidade Velha de Jerusalém. Foi construída no século II AC para fortalecer as defesas da Cidade Velha. Ela chegou a ser destruída e reconstruída sucessivamente por cristãos, muçulmanos, mamelucos e otomanos que dominaram Jerusalém. Os fortes baluartes vistos ainda hoje ao redor da base da torre foram construídos pelo rei Herodes, o Grande, em memória de seu irmão; por isso, a Torre era anteriormente chamada de Torre de Fasael (em hebraico: פצאל מגדל; Fasael vem do latim: Phasaelus; em hebraico: פצאל – Petsal). Em cima das dezesseis fileiras de pedras originais quadradas da base da torre foram colocadas pedras menores nos períodos que se seguiram, dando-lhe uma altura maior. A torre de Fasael foi preservada durante a destruição de Jerusalém por Tito em 70 DC junto com mais duas torres. Durante a primeira guerra judaico-romana, Simon bar Giora, um líder Geraseno de uma das principais facções rebeldes da Judéia, fez da torre seu local de residência. Ele morreu em 70 DC na revolta, além de incitar uma amarga guerra civil em todo esse processo. Hoje é uma área separada para eventos, apresentações, concertos etc.


Torre de Davi em Jerusalém


• Uma das portas que vale a pena mencionar e que faz parte do Monte do Templo, dentro das muralhas da Cidade Velha, é a Porta de Hulda ou Portões de Hulda (שער חולדה, Sha'arei Chulda). Eles compreendem dois conjuntos de portões na parede sul do Monte do Templo. Eram antigos portões que passavam através do Pórtico Real e se abriam em duas passagens dentro do Átrio Exterior do Templo. O conjunto ocidental é um portão de arco duplo, conhecido como portão duplo (em árabe: Bab ath-Thulathe). Apenas parte do portão direito pode ser vista por causa de uma torre da época dos Cruzados, que dificulta a visão do portão esquerdo. O portão foi bloqueado por esta torre em frente a ele provavelmente durante o período do Califado Fatímida (969-1171). O conjunto oriental é um portão com três arcos, conhecido como Portão Triplo (Bab an-Nabi, ‘Porta do Profeta Muhammad’). Ambos os conjuntos, o duplo e o triplo, foram selados no século XI–XII. Os portões de Hulda são do período Herodiano. Mas quase tudo o que vemos hoje é trabalho do período muçulmano. Duas etimologias possíveis são dadas para o nome ‘Hulda’. Hulda significa ‘toupeira’ ou ‘camundongo’ em hebraico, e esse nome pode ter sido dado aos portões devido aos túneis atrás deles, que lembram os buracos ou túneis usados por esses animais. Outra possível etimologia seria a referência à profetisa Hulda, do tempo do Rei Josias (640-609 AC), e que pode ter habitado nessa área e ter a sua tumba colocada ali também. O nome ‘Portões de Hulda’ provavelmente foi o nome dado posteriormente no século II pela Mishná. No presente eles estão selados. ‘Hulda’ é a forma feminina de Helede (1 Cr 11: 30), que significa: sofrimento, vida transitória.


Reconstrução dos Portões de Hulda
Reconstrução dos Portões Herodianos de Hulda

Portões triplos de Hulda
O conjunto oriental dos portões triplos como estão hoje

Escadaria levando à porta dupla de Hulda
Escadaria levando à porta dupla de Hulda

Jerusalém esteve nas mãos de vários impérios e governantes:

• Dinastia Davídica.
• Império Assírio.
• Império Babilônico, que destruiu a cidade e seus muros.
• Império Persa – Dinastia Aquemênida.
• Império Grego – Alexandre o Grande e, mais tarde, seus generais – os Ptolomeus e os Selêucidas. Antíoco IV Epifânio profanou o templo, matando um porco, animal imundo para os judeus, e borrifando seu sangue no santuário.
• Reino Asmoneu ou Hasmoneano, a partir da revolta dos Macabeus até o reinado da dinastia de Herodes, o Grande.
• Império Romano – Em 63 AC o general Romano Pompeu tomou a cidade e entrou no templo.
• Em 40 AC um exército parta pilhou a cidade.
• Império Romano – Em 70 EC Tito destruiu a cidade e o templo. Adriano (reinado: 117-138) reconstruiu Jerusalém em 131 como uma cidade grega, com estátuas, banhos públicos e centros ruidosos de vida profana e ela passou a chamar-se Élia Capitolina. Os judeus ficaram proibidos de entrar nela sob pena de morte (exceto na Páscoa). Um templo a Júpiter foi construído no lugar do templo Judaico de Jerusalém.
• Domínio Bizantino – Constantino I (reinado: 306–337) construiu igrejas católicas em Jerusalém. Na época de Constantino, os judeus receberam permissão de entrar na cidade, mas a partir de Constantino até o século VII, os judeus foram novamente proibidos. A antiga província da Judéia passou a chamar-se Síria Palestina.
• Em 614 a cidade sofreu o cerco dos Sassânidas (persas).
• Em 629, o imperador bizantino Heráclio (reinado: 610–641) conseguiu recuperá-la.

• Em 637, o Califado Ortodoxo Rashidah (632-661, ‘Califado Bem-Guiado’, em árabe transliterado: Al-Khilāfatur Ar-Rāshidah) conquistou Jerusalém e a província romana da Palestina Prima (composta por Judéia, Samaria, litoral, Peréia e que foi província do Império Bizantino no período de 390-630). Com a conquista árabe, os judeus foram autorizados a regressar à cidade. O sultão Omar (579-644; reinado: 634–644) do Califado Ortodoxo Islâmico, chegou a assinar um tratado com o patriarca cristão Bizantino Sofrônio, protegendo os lugares sagrados cristãos de Jerusalém e a população cristã debaixo do governo muçulmano. Ele pretendia construir uma mesquita no Monte do Templo sobre as ruínas do antigo templo judeu. Mas a Mesquita de Omar foi construída em outro lugar. Inicialmente ela estava do lado leste do pátio externo da igreja do Santo Sepulcro, em um lugar onde o califa supunha que Davi tivesse orado. Sua mesquita consistia numa estrutura retangular de madeira, capaz de acomodar 3 mil pessoas. Essa foi a primeira mesquita de Omar construída em Jerusalém. Atualmente ela está localizada em frente ao pátio sul da Igreja do Santo Sepulcro (antigamente conhecida como a Igreja da Ressurreição – IV século – da época de Constantino) no bairro cristão. Esta atual mesquita foi erguida em 1193 pelo sultão Aiúbida chamado Saladino (Al-Afdal ibn Salah ad-Din) para comemorar a visita do Califa Omar a Jerusalém em 638 quando ele orou nos degraus da Igreja do Santo Sepulcro ao invés de orar no lado de dentro para que ela pudesse permanecer um lugar sagrado cristão. A pequena torre (minarete) tem 15 metros de altura, provavelmente foi construída entre 1193 e 1465 – entre o período Aiúbida (1171–1250) e o período mameluco (1250-1517) – talvez após o terremoto 1458, e foi renovado pelo sultão otomano Abdulmecid I (1839-1860).


A Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém
A igreja do Santo Sepulcro é também chamada de Basílica do Santo Sepulcro ou Igreja da Ressurreição

A Mesquita de Omar
O minarete da Mesquita da Omar perto do pátio da Igreja do Santo Sepulcro


O Monte do Templo (em hebraico: הר הבית, Har HaBáyit, ‘Monte da Casa’ de Deus, ou seja, o ‘Templo em Jerusalém’), conhecido pelos muçulmanos como Haram esh-Sharif (em árabe: al-Haram al-Šarīf, ‘o nobre santuário’, ou al-Haram al-Qudsī al-Šarīf, ‘o Nobre Santuário de Jerusalém’), onde está o Composto Al-Aqsa (hebraico: מסגד אל אקצא), é uma colina localizada na Cidade Velha de Jerusalém que há milhares de anos é venerada como um local sagrado por Judeus, Cristãos e Muçulmanos. O Composto Al-Aqsa e a Mesquita Domo da Rocha (Hebraico: כיפת הסלע), no Monte do Templo, foram construídas pelo próximo Califado depois do Rāshidah, o califado Omíada (661-750; em árabe: Umawiyy; em persa: Omaviyân; em turco: Emevi), o segundo dos quatro principais califados islâmicos estabelecidos após a morte de Maomé (570-632). A Mesquita de Al-Aqsa (‘a mesquita distante’) recebeu este nome por causa de uma viagem noturna do profeta Muhammad (Maomé) a ela desde Meca. A Mesquita de Al-Aqsa tem uma cúpula cinza.

O califa Abdal Malique (Abd al-Malik, reinado: 685–705) encomendou a construção do Domo da Corrente (árabe: Qubbat al-Silsila) em 685 DC, e serviu de modelo para a construção do Domo da Rocha, praticamente ao lado do Domo da Corrente, no final século VII (691-692), no local onde antes esteve o templo de Salomão, o segundo templo e o templo de Herodes. A cúpula colapsou em 1015 e foi reconstruída em 1022-1023 no período do Califado Aiúbida.

A Cúpula da Rocha (a que tem uma cúpula dourada) recebeu esse nome devido à grande rocha usada em sacrifícios e atualmente protegida no interior da Mesquita. Como os judeus, que construíram o 1º templo naquele lugar (2 Cr 3: 1), os islâmicos também acreditam que foi ali, sobre a antiga pedra, onde Abraão levou Isaque ao sacrifício. A Cúpula da Rocha (ou Domo da Rocha) é conhecida erroneamente pelo nome de Mesquita de Omar, que, como vimos, fica no bairro cristão, próximo à Basílica do Santo Sepulcro.


Mesquita Domo da Rocha em Jerusalém
Mesquita Domo da Rocha em Jerusalém

Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém
Vista nordeste da Mesquita de Al-Aqsa no Monte do Templo


• No século XI, turcos semibárbaros substituíram os árabes, o que levou às Cruzadas.
• Em 1099, Jerusalém foi conquistada pelos cruzados, que massacraram a maior parte dos habitantes muçulmanos e os resquícios dos habitantes judeus. As Cruzadas na Terra Santa ocorreram no período de 1095-1272, e tradicionalmente são contadas como nove; a 1ª de 1095 a 1099 EC e a 9º de 1271 a 1272 EC.
• Houve invasão de Jerusalém pelos turcos muçulmanos, os Aiúbidas, sob Saladino, que sitiaram a cidade em 1187 DC. Os Aiúbidas são uma dinastia muçulmana dos séculos XII-XIII na Síria e no Egito (1171–1250). Criaram o exército mameluco, um exército egípcio formado por escravos curdos (Turcos), comprados entre 14 e 18 anos de idade e treinados para o serviço militar. Saladino (1138-1193) foi um chefe militar curdo muçulmano (religião islâmica sunita, i.e., islamismo ortodoxo), sultão do Egito e da Síria, que se opôs aos Cruzados europeus no Levante (um termo geográfico que se resume à Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre). Reconquistou Jerusalém das mãos do Reino de Jerusalém, fundado por Godofredo de Bulhão, o antecessor e irmão de Balduíno I de Jerusalém. Saladino permitiu que os judeus e os muçulmanos pudessem voltar e morar na cidade.
• Em 1244, Jerusalém foi saqueada por outros adeptos do Islamismo (os tártaros corásmios), que dizimaram a população cristã da cidade e afastou os judeus. O Império Corásmio foi uma dinastia muçulmana sunita (islamismo ortodoxo) de influência persa formada por turcomanos de origem mameluca, que reinou no período de 1077–1231. Em outras palavras, eles eram turcos mamelucos que praticavam o Islamismo, mas adquiriram costumes persas. ‘Mameluco’ [Árabe: mamlūk (singular), mamālīk (plural)] é um termo que se refere a soldados escravos não-muçulmanos, escravos libertos, muçulmanos convertidos atribuídos a deveres militares e administrativos, e os governantes muçulmanos de origem escrava. A Rússia e os países ao redor são o lar da maior parte dos tártaros.
• Entre 1250 e 1517, Jerusalém foi governada pelos mamelucos (um exército Egípcio formado por escravos curdos, i.e., turcos), que impuseram um pesado imposto anual sobre os judeus e destruíram os lugares sagrados dos cristãos no Monte Sião.
• Em 1517, Jerusalém caiu sob domínio turco otomano e eles ficaram no controle até 1917. Em meados do século XIX, os otomanos construíram a primeira estrada pavimentada de Jafa a Jerusalém, e em 1892, uma ferrovia. Jafa foi incorporada a Tel-Aviv em 1950. O Império Otomano foi governado por um Califado que controlou o sudeste da Europa, o Ocidente da Ásia e o Norte da África entre o século XIV e XX. Foi fundado no final do século XIII no noroeste da Anatólia (Turquia), na cidade de Söğüt (atual província de Bilecik), pelo líder Osman I ou Osman Ghazi. Embora de origem turca, seus costumes eram persas. Os otomanos puseram fim ao Império Bizantino (Império Romano do Oriente) em 1453. O auge do Império Otomano ocorreu no reinado de Solimão I, o Magnífico (1494-1566), e controlava a maior parte do centro, do leste e sudeste da Europa, oeste da Ásia e Cáucaso, norte da África e o chifre da África. Os Otomanos eram Islâmicos sunitas, ou seja, ortodoxos.
• Em 1917, após a Batalha de Jerusalém (invadida pela força expedicionária egípcia), o exército britânico capturou a cidade. E no ano de 1922 a Liga das Nações (liga formada pelos vencedores da 1ª guerra mundial) confiou a administração da Palestina ao Reino Unido.
• 1948 – o Estado de Israel foi criado.
• 1967 – ocorreu a Guerra dos Seis dias, uma guerra árabe-israelense envolvendo Síria, Egito, Jordânia e Iraque, onde Israel ocupou Jerusalém Oriental e afirmou soberania sobre toda a cidade. Restabeleceu-se o acesso aos lugares sagrados dos judeus e o bairro marroquino (Bairro Mughrabi) a oeste do Monte do Templo foi desocupado para dar lugar a uma praça (Western Wall Plaza – a Praça do Muro Oeste), onde está o Muro das Lamentações. O Monte do Templo permaneceu sob a jurisdição islâmica.
• Os lugares sagrados da cidade e sua hegemonia ainda são a causa do conflito palestino-israelense, principalmente com a tentativa judaica de se expandir na parte oriental de Jerusalém.

Uma explicação sobre o Islamismo

Neste trecho, vamos explicar o que é o Islamismo e tirar as dúvidas sobre certas palavras como: Ismaelita, Maometano ou Muçulmano, Islamismo (Islão ou Islã), Sunita, Xiita, Alcorão, Mouros, Mauritanos e Sarracenos.

Ismaelita é o termo que se refere à confederação das tribos no deserto da Arábia. Maometano ou muçulmano é o árabe ou qualquer pessoa de qualquer nação que segue a religião muçulmana, o Islamismo, a religião de Maomé. É a mesma coisa que acontece com os Israelitas e o Judaísmo. ‘Israelita’ ou ‘Israelense’ (nos dias de hoje) se refere ao habitante de Israel, e Judeu é o praticante do Judaísmo, religião.

Ismael, filho de Abraão com Agar, gerou: Nebaiote, Quedar, Adbeel, Mibsão, Misma, Dumá, Massa, Hadade, Temá, Jetur, Nafis, Quedamá (1 Cr 1: 28-31; Gn 25: 12-18), os 12 príncipes das nações árabes. O livro Samaritano Asafīr diz no capítulo 8: “os filhos de Nebaiote construíram Meca”. Estes habitaram na terra do Eufrates até o Mar Vermelho.

O Alcorão é o livro sagrado dos muçulmanos que seguem o Islamismo (Islão ou Islã), uma religião monoteísta seguida pelos filhos de Abraão. Alcorão deriva de um verbo árabe que significa ‘declamar’ ou ‘recitar’. Deus é chamado por eles de Alá (palavra Romanizada como Allāh), o único Deus, o criador de todas as coisas, “o onisciente, o Clemente, o Misericordioso, o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande”. Eles consideram o Alcorão como a palavra literal de Deus, acrescida dos ensinamentos e normas de fé de Maomé, a chamada ‘Suna’ ou ‘Sunnah’, que é parte do hádice, o corpo de leis, lendas e histórias sobre Maomé. Ele é considerado pelos islâmicos como o último profeta de Deus. A palavra árabe Suna significa ‘caminho trilhado’, e logo, suna do profeta significa os caminhos trilhados pelo profeta. O Alcorão é dividido em 114 capítulos (suras). As cinco orações rituais diárias são chamadas de salah ou ṣalāt.

‘Islão’ provem do árabe Islām, que por sua vez deriva de uma raiz primitiva: slm, aslama, que significa ‘submissão (a Alá)’. Os árabes descrevem o Islamismo como um ‘diin’, que significa ‘modo de vida’ e/ou ‘religião’. Parece que a palavra ‘islam’ possui uma raiz etimológica relacionada com outras palavras árabes como ‘Salaam’ ou ‘Shalam’ (Shalaam / Shalom, em hebraico), que significam ‘paz’. Um adepto do Islão ou Islamismo é chamado muçulmano que, por sua vez, deriva da palavra árabe muslim (plural, muslimún), particípio do verbo aslama, designando ‘aquele que se submete’ (fonte: Wikipédia).

Para os muçulmanos, Maomé (c. 570–632) é considerado como o último profeta de Deus. Com 40 anos (610 DC), segundo alguns estudiosos, Maomé começou a relatar revelações que ele acreditava serem de Deus, transmitidas a ele através do arcanjo Gabriel (Jibril), revelações estas conhecidas como Alcorão. Naquela época ele vivia e pregava em Meca, ensinando o povo a acreditar num único Deus, abandonando o politeísmo. Mas, perseguido pelas autoridades da cidade, ele e seus seguidores migraram para a Abissínia (correspondente aos atuais territórios da Etiópia e Eritréia, no chifre da África) e depois para Medina em 622, estabelecendo sua autoridade política e religiosa. Após sua morte em 632 começou uma grande discordância sobre quem deveria sucedê-lo como líder da comunidade muçulmana. Abu Baquir ou Abacar (r. 632–634), um dos companheiros e amigos próximos do profeta, foi nomeado o primeiro califa e consolidou o Islão na península Arábica.

O Islamismo é dividido em duas principais denominações: 80-90% são sunitas (comumente descrito como um ramo ortodoxo, diferindo dos xiitas em seu entendimento da Suna e na aceitação dos três primeiros califas) e 10-20% são xiitas. Os xiitas consideram Ali, o genro e primo do profeta Maomé, como o seu sucessor legítimo e consideram ilegítimos os três califas sunitas que assumiram a liderança da comunidade muçulmana após a morte de Maomé: 1) Abu Baquir ou Abacar (r. 632–634), um dos amigos de Maomé, e que consolidou o Islão na península Arábica; 2) Omar (r. 634–644), que expandiu o Islão para fora da Península Arábica, iniciando com Síria (635) e Jerusalém (637); 3) Otomão (r. 644–656), um genro de Maomé, que continuou a obra de expansão territorial; 4) Ali ibn Abi Talib, o genro e primo do profeta Maomé, casado com Fátima, uma das filhas do profeta, com que tinha tido os únicos descendentes de Maomé. Esses quatro califas são conhecidos como al-khulafā’ ar-rāshidūn (‘califas bem orientados’ ou ‘califas bem guiados’), formando o Califado Rashidun. Mais tarde, essas diferenças entre muçulmanos sunitas e xiitas adquiriram um significado político mais amplo, bem como dimensões teológicas e jurídicas. A maior porcentagem da população xiita está no Irã. As dinastias Rashidun e Omíada foram as que iniciaram a expansão islâmica do século VII (632-732).

Crenças do Islamismo

• Eles acreditam que Deus (Alá) é único e incomparável, e o propósito deles é adorá-lo. Para eles, o Islamismo representa de maneira escrita, universal, completa e inalterada de uma fé inicial que foi revelada por Deus anteriormente em muitas eras e lugares, inclusive por meio de Abraão, Moisés e Jesus, para eles considerados profetas. As práticas religiosas islâmicas, que consistem em atos básicos e obrigatórios, fornecem a orientação para todas as áreas da vida e da sociedade, como sistema bancário e bem-estar, à guerra e ao meio ambiente. Com exceção de um capítulo do Alcorão, todos os capítulos iniciam com a frase: “Em nome de Deus, o clemente, o misericordioso”. Os muçulmanos acreditam que podem se achegar a Deus sem intermediários.

• Outra crença do Islamismo são os anjos, seres criados por Deus a partir da luz. Segundo eles, os anjos não têm livre arbítrio e apenas obedecem a Deus e louvam o seu nome. Uma das suas incumbências é revelar as verdades divinas aos profetas. Eles também protegem os seres humanos e registram todas as suas ações. O anjo mais famoso é Gabriel, que foi o intermediário entre Deus e o profeta. Os islâmicos também crêem em outros espíritos, além dos anjos, os jinnis, que habitam o mundo natural e que podem influenciar os acontecimentos, pois possuem vontade própria. Podem ser bons, mas na maioria das vezes são espíritos maus, como por exemplo, Iblis (Azazel), que desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar o mal.

• A terceira crença do Islamismo são os livros sagrados, onde Deus usou profetas para revelar escrituras aos homens: a revelação dada a Moisés foi a Taura (Torá), a Davi (Dawud) foram dados os Salmos (Zabur) e a Jesus (Isa), o Evangelho (Injil – fonte: Wikipédia). Segundo eles, Deus foi revelando a sua mensagem em escrituras cada vez mais abrangentes que culminaram com o Alcorão, o derradeiro livro revelado a Maomé. Em relação aos profetas, o Islamismo separa os profetas em dois tipos: 1) os anbiya’ (singular: nabi), para os quais Deus deu a missão de revelar Sua vontade, como por exemplo, o profeta Jonas (Nabī Yūnus, em árabe), que tem um santuário árabe muçulmano dedicado a ele num dos montículos ao lado de Tell Kuyunjik ou Kouynjik, o montículo da cidadela antiga de Nínive cujo nome significa ‘montículo de muitas ovelhas’; 2) os profetas para os quais foi entregue uma escritura revelada (rusul = ‘mensageiros’; singular rasūl), ‘mensageiro’). Os muçulmanos incluem alguns personagens bíblicos como profetas, homens guiados por Deus: Adão, Abraão (Ibrahim), Moisés (Musa), Jesus (Isa) e Maomé (Muhammad), o ‘Último Mensageiro’, trazendo a mensagem final de Deus a toda a humanidade no Alcorão. Sendo homens mortais comuns, o Islamismo não faz distinção entre nenhum deles, entretanto, afirma que os profetas são incapazes de ações erradas, por vontade de Deus. Os vinte e cinco profetas do Alcorão são (listados pelo nome Islâmico, Romanizado e bíblico):

’Ādam (Adão)
’Idrīs (Idris, conhecido na bíblia como Enoque) – 7ª geração depois de Adão
Nūḥ, Nu (Noé)
Hūd (Hude, conhecido na bíblia como Éber) – nasceu cinco gerações após Noé
Ṣāliḥ (Salá) – nasceu nove gerações após Noé e o Dilúvio – Gn 10: 24
’Ibrāhīm, Ibraim (Abraão)
Lūṭ Lute (Ló)
’Ismā‘īl, Ismail (Ismael)
’Isḥā, Ixaque (Isaque)
Ya‘qūb, Iacube (Jacó)
Yūsuf, Iúçufe (José)
Ayūb, Aiúbe (Jó)
Dhul-Kifl, Zulquifi (o profeta bíblico Ezequiel)
Shu‘ayb, Shoaib (Xuaibe, conhecido na bíblia como Jetro, sogro de Moisés)
Mūsā, Muça (Moisés)
Hārūn (Harune, conhecido na bíblia como Aarão)
Dāūd (Daúde, Davi)
Sulaymān, Solimão (Salomão)
Yūnus, Iunus (Jonas)
’Ilyās, Ilias (Elias)
Alyasa‘, Iaça (Eliseu)
Zakarīya, Zacarias (o profeta pós-exílico, que ajudou na reconstrução do templo com Ageu)
Yaḥyā, Iáia (João, se referindo a João Batista)
‘Īsā, Issa (Jesus) – Também crêem que Jesus é o Messias Judeu e que um dia vai voltar resgatar Seu povo.
Muḥammad (Maomé)

• Outra crença deles é o dia do Julgamento Final (Yaum al-Qiyamah), quando os homens serão ressuscitados e julgados na presença de Deus pelas ações que praticou. Os que não tiverem pecado vão diretamente para o Paraíso, e os pecadores deverão permanecer algum tempo no inferno, antes de poderem também entrar no Paraíso. Apenas os hipócritas religiosos, que nunca foram muçulmanos de fato, permanecerão para sempre no inferno. Antes do Juízo Final aparecerão sinais como o nascimento do sol no poente, o som de uma trombeta e o aparecimento de uma besta. De acordo com o Alcorão, o mundo não acabará verdadeiramente, mas sofrerá antes uma alteração profunda (fonte: Wikipédia).

Títulos dos governantes:

O califa era o líder do mundo muçulmano. O título ‘califa’ vem da frase árabe que quer dizer ‘sucessor do Enviado de Alá’. Foi adotado por sucessores do profeta Maomé depois de sua morte em 632. No período final dos abássidas, os governantes passaram a utilizar outros títulos, como sultão.

Dinastias muçulmanas e sua expansão na Idade Média:

Aqui nós temos um resumo do que foi falado sobre os cercos de Jerusalém.

• Califado Ortodoxo Rashidah (632-661, ‘Califado Bem-Guiado’, em árabe transliterado: Al-Khilāfatur Ar-Rāshidah), como comentado acima (Sobre o cerco de Jerusalém e neste trecho sobre o Islamismo), e que foi o primeiro após a morte de Maomé. Seus quatro califas sunitas foram: Abu Baquir ou Abacar (r. 632–634), Omar (r. 634–644), Otomão (r. 644–656) e Ali ibn Abi Talib (r. 656-661).
• Califado Omíada (661–750) em Damasco e na Turquia, e mais tarde na Espanha Islâmica entre 756 e 1031 (Califas e Emires). Iniciado por Moáuia I (r. 661-680); o cunhado de Maomé.
• Califado Abássida em Bagdá (750-1570 no total). Eram sunitas.
• A Dinastia Tulúnida (868-905, uma dinastia Turca).
• A Dinastia Iquíxida (935-969, uma dinastia Turca). Esses dois últimos califados foram estados independentes do califado Abássida de Bagdá e que surgiram no Egito.
• Califado Fatímida (969-1171), também no período da dinastia Abássida. Eram Ismaelitas xiitas, que se diziam descendentes de Fátima, filha de Maomé.
• Aiúbidas (turcos muçulmanos – 1171-1270) na Síria e no Egito. Os Aiúbidas criaram o exército mameluco, um exército egípcio formado por escravos curdos (Turcos), comprados entre 14 e 18 anos de idade e treinados para o serviço militar. Sob o comando de Saladino, um chefe militar curdo muçulmano sunita (1138-1193), eles retomaram Jerusalém em 1187 dos cristãos franceses que ocuparam a terra santa.
• O Império Mameluco (1250-1517) substituiu o dos Aiúbidas.
• Império Otomano (1517-1922; outros pesquisadores colocam a data de 1299 para o início) – controlou grande parte do sudeste da Europa, da Europa Central e Oriental e Cáucaso, Ásia Ocidental e norte da África e Chifre da África. Aqui já se chamava o governante de sultão, não mais califa. Fundado no final do século XIII no noroeste da Anatólia (Turquia), na cidade de Söğüt (atual província de Bilecik), pelo líder Osman I ou Osman Ghazi. De origem turca, gradualmente adquiriu costumes persas (língua, cultura, literatura e hábitos). Os otomanos acabaram com o Império Bizantino com a conquista de Constantinopla em 1453 por Mehmed, o Conquistador. No início do século XVII, o império continha 32 províncias e vários estados vassalos. Era de religião islâmica sunita.

Outros termos de interesse para nós

Alguns termos são conhecidos para nós, mas muitas vezes não entendemos. Vamos ver:
Sarracenos (do grego σαρακηνοί; transl.: sarakenoi) era uma das formas usada pelos cristãos da Idade Média para designarem genericamente os árabes ou os muçulmanos. Em português o termo é usualmente aplicado especificamente aos árabes que dominaram a Península Ibérica. As palavras ‘islão’ e ‘muçulmano’ só foram introduzidas nas línguas européias no século XVII. Antes disso utilizavam-se expressões como ‘lei de Maomé’, maometanos, agarenos (descendentes de Agar), mouros, etc.

Mouros, mauritanos, mauros ou sarracenos são considerados, originalmente, os povos oriundos do Norte de África, berberes (povos no norte da África que falam línguas de origem afro-asiáticas) e árabes, praticantes do Islamismo; eram provenientes da Mauritânia, Marrocos, Argélia e Saara Ocidental, e que invadiram a Península Ibérica, Sicília, Malta e parte de França, durante a Idade Média. Mais tarde, foram expulsos da Península Ibérica, num movimento que acabou se unindo numa cruzada histórica entre o Islamismo e o Catolicismo. A maior parte dos mouros da Península Ibérica era descendente de Espanhóis e Portugueses convertidos ao islamismo.


O Muro das Lamentações
O Muro das Lamentações


Ap 21: 1-5: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras”.

“Tenha fé, você, crente em Jesus Cristo. Tenha fé, povo da primeira aliança, escolhido de Deus. Tenha fé, Jerusalém atual na terra, que hoje se acha insegura e sofre ataques. Meditem no seu passado, vigiem o seu presente e olhem com esperança para o futuro, pois o que escolherem agora determinará o que receberão no porvir”.


A Nova Jerusaém


“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3: 36 cf. 1 Jo 5: 12).

Fonte de pesquisa para textos e imagens: wikipedia.org

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: O Senhor quer falar com Seu povo

O Senhor quer falar com Seu povo

The Lord wants to talk to His people

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