Explicação sobre a 3ª parte do sermão do monte (Mt 7: 1-29). A oração, o juízo temerário é proibido, não dar pérolas aos cães, a porta estreita, falsos profetas, a casa na rocha.

Explanation of the 3rd part of the Sermon on the Mount (Matt. 7: 1-29). Correct prayer to God, not to judge, not to give pearls to dogs, the narrow gate, false prophets, the house on the rock.


O sermão do monte parte 3 – Mt 7: 1-29




O juízo temerário é probido

• Mt 7: 1-5: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro [NVI: cisco] no olho de teu irmão, porém não reparas na trave [NVI: viga] que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão”.

v.1-2: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também”.

Compare com:
• Lc 6: 37-38: “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”.
• Mc 4: 24-25: “Então, lhes disse: Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido vos medirão também, e ainda se vos acrescentará. Pois ao que tem [tesouros no céu – anotação minha] se lhe dará; e, ao que não tem [não tem tesouros no céu – anotação minha], até o que tem lhe será tirado”.

A palavra acima (Mt 7: 1: “Não julgueis, para que não sejais julgados”) está ligada à de Lc 6: 37-38 e Mc 4: 24-25, e ela nos ensina também sobre a semeadura verdadeira na área material, emocional e espiritual: quem tem autoridade para julgar é Deus; não adianta condenar alguém que Deus julgou como inocente, portanto, na área espiritual, ao invés de julgar, a semente é orar. Na área emocional, as sementes que lançamos são o apoio emocional, a palavra de incentivo e o perdão. Reter o perdão mata nossa semente. Na área financeira (material), o Senhor nos aconselha a dar o melhor que temos, porque quem vai fazer os cálculos é Ele mesmo e os Seus pesos serão justos. Ele completa em Mc 4: 24-25 dizendo que, conforme a nossa maneira de nos comportarmos, tanto em oração como no tratamento com nossos semelhantes, teremos crédito ou débito no céu.

O ponto principal de Mt 7: 1-2 é que o cristão não deve ter um espírito acusador, que o leva a julgar e a condenar as pessoas, ou seja, um falso julgamento de quem anda na carne, pois ele mesmo será julgado por Deus (Rm 14: 10-13). Todo julgamento feito por alguém se torna a base de seu próprio julgamento (cf. Tg 3: 1-2).

A justiça está ligada ao juízo ou julgamento que, a princípio, é prerrogativa de Deus (Is 33: 22: “Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso Rei; ele nos salvará”), por isso Ele nos orienta no que diz respeito a não julgarmos nossos irmãos na fé sem sabermos realmente o que se passa dentro do seu coração ou da sua vida: Mt 7: 1-5; Lc 6: 37-38; Rm 2: 1; Rm 14: 4; 1 Co 4: 3-5; Tg 4: 11.

Ele não nos deu a licença de julgar as pessoas pelo que imaginamos delas. Um exemplo disso é a mulher adúltera que ia ser apedrejada (Jo 8: 1-11) e Jesus disse: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra” (v.7). O que Jesus queria dizer é que ninguém tem direito de julgar alguém pelas razões que estão por trás das suas atitudes e que são encobertas aos olhos dos homens; por isso, eles não tinham direito de julgá-la, apedrejando-a, sem primeiro ouvir suas razões. Eles estavam exercendo a Lei de maneira dura e cega, acusando a adúltera, mas sem examinar a situação toda, pois estavam julgando segundo a carne, não pelo Espírito. Por isso o Senhor nos orienta a deixar o julgamento para Ele, pois só Ele conhece toda a verdade.

Apesar de tudo o que lemos acima, entretanto, a Palavra nos mostra vários exemplos onde Jesus nos ensina como julgar: não pela carne, mas pelo Espírito, ou seja, não segundo a aparência, mas pela reta justiça (Jo 7: 24: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça”; Lc 12: 57: “E por que não julgais também vós mesmos o que é justo?”). Também diz para julgarmos todas as coisas e retermos apenas o que é bom (1 Ts 5: 21: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”).

Isso nos faz pensar que julgar significa: discriminar, isto é, separar o certo do errado. Dessa forma, entendemos que Ele nos deu a capacidade de julgar o mal, as situações que nos cercam, as falsas doutrinas, as falsas profecias e os falsos ensinos, o que devemos escolher para nossa vida etc., como diz Paulo em 1 Co 14: 20: “Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, homens amadurecidos”.

Deus usou servos como Paulo e Pedro para exercer juízo e julgamento severo sobre algumas pessoas como, por exemplo, Ananias e Safira (At 5: 1-11) e Elimas, o mágico (At 13: 4-12). Todavia, eles não estavam na carne, mas movidos pelo Espírito de Deus.

Portanto, um profeta verdadeiro de Deus, movido pelo Seu Espírito, mesmo sem querer, como acontecia muitas vezes com Jeremias, pode proferir palavras duras de repreensão divina, julgando os erros de irmãos na fé ou não e que violam a lei de Deus e causam danos a muitas pessoas. Mas apenas o Senhor detém a autoridade de determinar a salvação de uma pessoa.

Outros textos onde poderemos ler sobre julgar são aqueles onde Jesus diz que o Pai Lhe conferiu autoridade para julgar e os que falam que Ele a ninguém julga (aparentemente contraditório), mas que veio para salvar: Jo 5: 22-30; Jo 8: 15-18; Jo 12: 31-32; Jo 12: 47-50. Isso nos remete de volta à justiça de Deus, que está ligada à salvação e ao “último dia”, quando ela estará completa. Na primeira vinda, Jesus veio para salvar (fazer a justiça); na segunda vinda, virá para julgar (exercer o juízo sobre os que rejeitaram a Sua justiça).

Deus não se omite de fazer cumprir a justiça humana (do ponto de vista judicial, por exemplo), já que Ele mesmo colocou as autoridades humanas na terra para serem respeitadas: Rm 13: 1-10.

v.3-5: “Por que vês tu o argueiro [NVI: cisco] no olho de teu irmão, porém não reparas na trave [NVI: viga] que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão”.

O argueiro (cisco), que representa o pecado alheio, não é de nossa responsabilidade corrigir; e os nossos pecados são como uma trave nos impedindo de ver. O argueiro é uma partícula de palha ou feno ou uma lasca de madeira. A trave (viga) é um tronco ou tábua, usado como viga mestra em um telhado ou assoalho; e aqui representa um espírito reprovador.

ilustração de Jesus foi intencionalmente exagerada para mostrar a posição ridícula daquele que se coloca como juiz dos outros. Essa pessoa é chamada de hipócrita, pois pretende agir como médico, quando ela mesma está enferma. Esta ordem, entretanto, não exime os crentes de fazer distinções morais (‘julgar’, como lemos acima no v. 1).

Jesus expôs nossa tendência de ver uma pequena falha em outra pessoa, enquanto ignoramos a mesma falha em nós mesmos. É hipócrita supor que podemos ajudar alguém com uma falta quando nós mesmos temos uma falta maior. Devemos remediar nossas próprias falhas antes de criticá-las nos outros:

• Rm 2: 1: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que seja; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas”.

Não deis o que é santo aos cães

• Mt 7: 6: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem”.

Entre os judeus daquele tempo os cachorros não eram animais de estimação; os porcos eram considerados impuros (Lv 11: 7; Dt 14: 8). Esta é uma maneira de falar sobre pessoas que não podem ou não querem valorizar as verdades espirituais, a preciosidade da palavra de Deus (Mt 13: 10-17 – a parábola do semeador) e se tornam até os inimigos declarados do evangelho, ao contrário daqueles que são simplesmente ‘gentios’, que ainda não tiveram chance de ouvi-la.

Pérolas: a pérola era a maior preciosidade para os orientais (Mt 13: 45-46 – a parábola da pérola). Dar pérolas a porcos como se fossem ervilhas (ou alfarrobas – Lc 15: 16) os irritaria, pois eles não podem comer pérolas.

O Senhor nos adverte quanto a dar as coisas sagradas aos que não dão o devido valor a elas, principalmente se respondem as nossas palavras com abuso e violência. A percepção para discernir essas pessoas vem do Espírito Santo. Assim, não podemos conversar ou discutir a palavra de Deus no mesmo nível com aqueles que não a compreendem ainda, que não conseguem entendê-la na sua essência, pois escarneceriam dela e a desprezariam. Nós devemos pregar para os pecadores, mas é inútil continuarmos pregando a verdade àqueles que a recusam. Insistir nisso só traz mais problemas, não só para nós como também para eles, ou seja, a condenação:

• Mt 10: 40: “Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou”.
• Lc 10: 16: “Quem vos der ouvidos ouve-me a mim; e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou”.
• Jo 3: 18: “Quem nele [Jesus] crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.
• Jo 12: 48: “Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia”.

Alguns, após receberem a palavra de Deus e a salvação, voluntariamente a abandonam, pois cedem à sedução do mundo, e seu estado volta a ser pior do que o primeiro:
• 2 Pe 2: 20-22: “Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro. Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio [significa provérbio] verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal”.

Jesus incita a orar

• Mt 7: 7-12: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem? [Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? – Lc 11: 13] Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas”.

v.7-8: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á”.
Devemos pedir a Ele o que necessitamos, mas também buscar e bater, o que nos faz pensar numa escala de fatores: primeiro um pedido, depois a busca mais profunda pelas respostas de Deus e, em seguida, bater no Seu trono pelas soluções que necessitamos, sendo a principal delas, o conhecimento da Sua vontade e o entendimento da Sua maneira de pensar. Isso quer dizer que não se trata apenas de pedir a Deus apenas as coisas simples que precisamos para a nossa vida; porém, pedir coisas maiores como a força do Espírito Santo em nós e Seus dons visando ao Seu serviço e para que nossas deficiências sejam supridas pela provisão divina. Os verbos em graduação crescente sugerem persistência, perseverança e oração freqüente por toda e qualquer necessidade, em especial aquilo que o Senhor mencionou até aqui no Sermão do Monte: retidão, sinceridade, humildade, pureza e amor esperados dos seguidores de Jesus; tais dons são deles se forem buscados por meio da oração.

v. 9-11: “Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem?” [Lc 11: 13: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”].

‘Boas dádivas’, em grego neste versículo, é escrito como ‘doma’, δόμα, Strong #1390, que significa: dom, presente, dádiva; proteção. Essa palavra aparece três vezes no NT:
• Mt 7: 11: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem?”
• Lc 11: 13: “Ora, se vós que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”
• Ef 4: 8: “Por isso diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons (doma) aos homens”.
A proteção, aqui, vem diretamente do Pai, não do Espírito Santo.

‘Coisas boas’ (Mt 7: 11) – a palavra grega aqui é uma palavra bem genérica (agathos, ἀγαθός, Strong #18), significando: bom, bom por natureza, intrinsecamente bom (substantivo), benefício, coisas boas, bem, literalmente: ingênuo. Agathós descreve o que se origina de Deus e é capacitado por Ele em suas vidas, por meio da fé.

O que Jesus queria ensinar aqui é que nós podemos ter total confiança de que Deus ouvirá e responderá às nossas orações por causa do Seu caráter (Tt 1: 2: “o Deus que não pode mentir”):
• Jo 14: 13-14: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”
• Mc 11: 24: “Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco”.
• 1 Jo 5: 14-15: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obteremos os pedidos que lhe temos feito”.

Aqui, Jesus faz a comparação entre Deus e um pai terreno que, mesmo sendo imperfeito (“Que sois maus” é uma referência à natureza pecadora do homem), não deixa de dar a um filho o que ele necessita nem o engana com outra coisa nem com nada que pudesse lhe causar dor.

Semelhante aos pães orientais, pequenos, redondos e achatados, assim era a pedra. O peixe a que Ele se refere provavelmente era a enguia, que lembra uma cobra, e que pode chegar a 3,5 metros de comprimento e gerar fortes correntes elétricas. Por isso, são denominadas também como ‘peixes-elétricos’. As enguias são uns dos animais mais antigos do planeta e nadam em rios e mares.

Se os pais humanos atendem aos pedidos de seus filhos com o que é melhor para eles, quanto mais nosso Pai que está nos céus o fará!

Fazer aos outros o que quer que se faça a si é o cerne da Lei e dos ensinos dos profetas (Lv 19: 18: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” cf. Mt 22: 36-40; Rm 13: 8-10), ou seja, pensarmos no bem do próximo visando ao cumprimento da verdade e da justiça.

As duas estradas

• Mt 7: 13-14: “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”.

“A porta estreita” se refere à porta do discipulado, que é estreita e o caminho é difícil (o caminho da fé, disciplina, perseverança, abnegação; também da perseguição e da oposição). Mas aqueles que seguem fielmente os Seus ensinamentos encontram a vida abundante, o caminho para o céu.

Por outro lado, a porta larga diz respeito à vida de auto-indulgência e prazer, muito característica da multidão, mas não aconselhável aos discípulos. O fim de tal vida é a destruição, a ruína eterna (Pv 16: 25). Mas Deus Pai também leva os homens a encontrarem a porta e o caminho (Jo 6: 37; 44; 65).

Jesus é a porta (Jo 10: 7b; 9) e o caminho (Jo 14: 6), por isso a frase se encaixa muito bem naquilo que Ele espera dos Seus seguidores. Os cristãos primitivos eram conhecidos pelo apelido de ‘os que eram do Caminho’ (At 9: 2; At 19: 9; At 19: 23; At 22: 4; At 24: 14; 22).

Os falsos profetas

• Mt 7: 15-23: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

v.15-20: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis”.

Jesus adverte Seus discípulos agora contra os falsos profetas, o que já foi falado no AT (Dt 13: 1-11; Dt 18: 20-22 – tanto como reconhecê-los quanto o que se deveria fazer com eles). E a maneira de distinguir um falso profeta de um profeta verdadeiro é pelos seus frutos, não apenas através de suas ações e do seu testemunho de vida, mas também da sua doutrina (Mt 16: 12; 1 Jo 4: 1-3), daquilo que sai da sua boca. Muitos falam mansa e gentilmente e seguem práticas religiosas (v.15: “se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”), porém suas palavras mentirosas de sedução roubam a fé das pessoas.

Uma árvore ou planta produz frutos de acordo com seu caráter. Os espinheiros não podem dar uvas; os abrolhos (ou cardos; NVI: ‘ervas daninhas’) não dão figos. Uma árvore boa dá frutos bons, e uma árvore ruim dá frutos ruins. Este princípio é verdadeiro no mundo natural e no mundo espiritual.

A vida e o ensino daqueles que afirmam falar por Deus devem estar de acordo com a Sua palavra; caso contrário, o que resultar das palavras deles e das suas ações, por si só, provarão que eles não têm parte com Jesus (2 Jo 1: 9-11: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más”).

No tempo do NT os falsos profetas eram judaizantes ou gnósticos, o que se deduz de 2 Co 11: 13; 22; 1 Jo 4: 1; 1 Tm 4: 1.
Os judaizantes eram cristãos de origem judaica e não judaica que procuravam obedecer aos rituais da Torá, mas não eram mais parte do judaísmo tradicional. O termo foi usado no Novo Testamento para referir aos cristãos judeus que requeriam que os cristãos gentios seguissem leis mosaicas, em especial a circuncisão e as leis dietéticas do AT. Assim, aceitaram Jesus como Messias, mas não queriam abandonar as práticas religiosas do judaísmo tradicional da Antiga Aliança.

E o Gnosticismo é uma doutrina filosófico-religiosa que surgiu no início da nossa era e se diversificou em muitas seitas, visando a conciliar todas as religiões e a explicar-lhes seu sentido mais profundo por meio da gnose (em grego: conhecimento). A gnose prega o conhecimento esotérico e perfeito da divindade e que se transmite por tradição e mediante ritos de iniciação.

v.19-20: “Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis” – Isso quer dizer que o destino dos falsos profetas é serem lançados no fogo, ou seja, a condenação no Dia do Juízo.

v.21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” – Muitos se diziam discípulos, mas não faziam de coração a vontade do Pai, pois nunca se converteram de verdade. Aqui, Jesus confirma Sua filiação divina.

v.22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” – os falsos profetas podem até fazer milagres, mas a sua motivação e os seus frutos não são os mesmos de Jesus (Gl 5: 22-23) e no Dia do Juízo serão julgados. Jesus conhece os segredos do coração de todos, e sabe quem são aqueles que fazem o mal.

Nem todos os milagres são de origem divina (Dt 13: 1-5; 2 Ts 2: 8-12; Mt 24: 24). Um milagre significa simplesmente que um poder sobrenatural está em ação. Esse poder pode ser divino ou satânico, simplesmente para iludir pessoas. Neste caso, Satanás só planeja coisas piores para o futuro:

• 2 Ts 2: 9: “Ora, o aparecimento do iníquo [ou homem da perdição, ou seja, se refere ao Anticristo] é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira,...”.

A palavra ‘poder’ aqui, em grego é dunamis (δύναμις, ou dunamei, δυναμει – Strong #g1411; poder para realizar milagres, obra poderosa, maravilhosa, poder físico, força, poderio, habilidade, eficácia, energia; no plural: ações poderosas, ações mostrando poder (físico), obras maravilhosas – por exemplo: Lc 24: 49, em relação ao Pentecostes, que os discípulos experimentariam). O diabo tem ‘dunamis’, ou seja, por ser um anjo criado por Deus, com poder (Sl 103: 20), ele pode fazer milagres, até de cura. Mas cura uma doença e traz outra. É o que se vê em lugares de idolatria onde pessoas buscam a cura para os seus problemas físicos e emocionais, ao invés de buscar no único e verdadeiro Deus. Elas recebem ‘um milagre’, ou seja, ficam livres daquela doença, mas logo depois o mal volta com outro nome e de maneira pior.

Em 2 Ts 2: 9, Paulo não estava falando do Anticristo? O equivalente hebraico dessa palavra grega (dunamis) é koach ou kowach (כח – Strong #3581), que significa: habilidade, ser firme; vigor, literalmente (força, no bom ou no mau sentido) ou figurativamente (capacidade, meios, produzir, gerar); capaz, força (com ação física), frutos, poderio (ou potência – grande e impressionante poder de uma nação, por exemplo), poder (faculdade, qualidade ou capacidade de fazer algo), poderoso, força (no sentido de algo mais físico), substância, riqueza, camaleão, lagarto (por sua robustez). Essa palavra, koach ou kowach, foi usada em Dn 11: 6: “Mas, ao cabo de anos, eles se aliarão um com o outro; a filha do rei do Sul casará com o rei do Norte, para estabelecer a concórdia; ela, porém, não conservará a força (koach ou kowach) do seu braço, e ele não permanecerá, nem o seu braço, porque ela será entregue, e bem assim os que a trouxeram, e seu pai, e o que a tomou por sua naqueles tempos”.

Também pode ser vista no Sl 103: 20: “Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, valorosos em poder (koach ou kowach), que executais as suas ordens e lhe obedeceis à palavra”.

Os dois fundamentos

• Mt 7: 24-27: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína”.

Jesus não apenas mostrou os dois caminhos, como também mostrou aqui que há dois alicerces, duas maneiras de construir a própria vida. Não basta ouvir Seus ensinamentos; é necessário viver de acordo com eles (Tg 1: 22; Tg 2: 17).

Construir a casa sobre a rocha significa edificar nossa vida sobre os ensinamentos de Jesus, resistindo assim à ação devastadora do tempo e da eternidade: as provações, as tentações e o julgamento. Cristo é a rocha.

Construir a casa sobre a areia significa não praticar os ensinamentos de Jesus; pelo contrário, construir sua vida sobre os alicerces e valores humanos e mundanos: dinheiro, cultura, títulos, fama, idade etc., os quais, como a areia, não resistem à ação demolidora do juízo final.

v. 24-25: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha”.

‘Chuva, enchentes e vento’ são figuras das provações, das tentações que se enfrenta na vida e do julgamento final de Deus; das coisas que vem para destruir. Cada casa aqui parece segura quando o tempo está bom, mas quando vem alguma intempérie é que se prova a sua solidez.

Na Palestina, as chuvas torrenciais que caem nos leitos secos dos rios podem se transformar em enchentes. Assim, o sábio constrói uma casa para resistir a qualquer coisa, pois prevê o futuro e as circunstâncias. ‘Chuvas’ podem significar uma adversidade que vem de tempos em tempos, destrói, mas quando pára dá uma chance de haver uma restauração.

“Transbordaram os rios” indica inundações, que simbolizam uma pressão mais contínua e crescente, como aconteceu de maneira mais prolongada com alguns personagens na bíblia: Davi, por exemplo, quando Saul o perseguiu por tantos anos. Ou, então, Noé, que viu a chuva ir aumentando, transformando-se numa inundação avassaladora, deslocando a arca do seu ponto de origem e deixá-la à deriva por muito tempo até cessar por completo.

O povo de Israel experimentou provas semelhantes, em especial desde o início do exílio na Babilônia até a vinda de Cristo, sendo submetido cada vez mais ao jugo de nações pagãs. Isaías (Is 43: 2b) escreve: “Quando, pelos rios (NVI: ‘Quando você atravessar os rios’), eles não te submergirão”. Os rios seriam uma nova prova para quem voltasse do exílio, pois eles precisariam reconstruir sua própria vida e tomar posse de sua pátria novamente. Os rios também poderiam simbolizar as provações que eles ainda teriam que passar nas mãos dos persas e dos gregos e de todas as situações do Período Intertestamentário para firmar sua fé no Senhor e adquirirem não apenas um senso de patriotismo, de unidade entre eles como uma nação, mas também uma prova para serem preparados para a doutrina do Messias. Ele traria ao mundo a maneira de pensar de Deus, não a dos homens.

“Sopraram os ventos” – ventos significam algo que passa rápido, mas arrasta e muitas vezes deixa uma grande destruição como, por exemplo, as doutrinas estranhas à Palavra de Deus (“vento de doutrina” – Ef 4: 14). Paulo falou com Timóteo sobre “espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1 Tm 4: 1) que fariam de tudo para entrar na vida dos homens para corroer e destruir sua fé. Isso aconteceu com freqüência no cristianismo até hoje, desde a época dos apóstolos. Paulo diz a Timóteo que a Palavra é confiável e que ele deve colocar sua esperança no Deus vivo e ter cuidado da doutrina verdadeira (1 Tm 4: 9-10; 16).

Vento também pode significar o que não tem controle, nem depende da vontade de alguém; ou, então, algo fútil, sem frutos nem compensações (Os 12: 1 – a aliança de Israel com a Assíria). Nesse mesmo versículo, o profeta faz menção ao vento oriental. O vento oriental vindo do deserto (Jó 1: 19; Jó 15: 2) é muito seco e faz enrugar, murchar as ervas. Muitas vezes, sopra com violência, o que é uma ótima metáfora para a Assíria. Alguns estudiosos judeus explicam que esse vento oriental se refere ao Simoom (em árabe, ‘envenenar’ ou ‘vento venenoso’), um vento forte, de alta temperatura, seco e carregado de poeira, que se move em forma circular como um ciclone e produz um efeito sufocante sobre seres humanos e animais. Ele sopra no deserto do Saara, no leste da Palestina, na Jordânia, na Síria e nos desertos da Península Arábica. É de curta duração (vinte minutos, mais ou menos), mas dura o suficiente para destruir.

Ventos também podem significar poderes destrutivos (Ap 7: 1-3).

v.26-27: “E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína”.

Ao contrário do sábio, que constrói sua casa para resistir a qualquer coisa, pois prevê o futuro e as circunstâncias, o tolo constrói a casa sobre a areia, ou seja, não pratica os ensinamentos de Jesus e edifica sua vida sobre os alicerces e valores humanos e mundanos: dinheiro, cultura, títulos, fama, idade etc., os quais, como a areia, não resistem à ação demolidora do juízo final.

Todos esses elementos (chuva, inundações e ventos) vão contra a casa da vida de alguém com ímpeto, como disse Jesus, e isso significa violência. Ninguém escapa do teste.

v.28-29: “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas”.

As pessoas ficaram maravilhadas da doutrina de Jesus porque Seu ensino era algo revolucionário que revogava os ensinos da tradição rabínica e mostrava ao mesmo tempo a simplicidade de Deus e a responsabilidade que Ele deixava aos Seus discípulos. E elas reconheciam que Jesus era diferente dos escribas porque Ele falava com autoridade. Eles podiam ter a autoridade cívica e religiosa, porém, era uma autoridade humana apenas, não espiritual, como a que vinha do Mestre. Suas palavras tinham vida e eram capazes de mover os corações e o mundo espiritual.

A palavra ‘autoridade’ neste texto, em grego é ‘exousia’ (Strong #1849, ἐξουσία), que significa: autoridade, influência, poder (tanto terreno como espiritual ou sobrenatural), força, capacidade, competência, liberdade, maestria, influência delegada, jurisdição, direito.

Na bíblia, a palavra ‘poder’ tem três significados em grego: exsousia (Strong #g1849; autoridade, jurisdição – Jo 1: 12); dunamis (δύναμις, ou dunamei, δυναμει – Strong #g1411; poder para realizar milagres, obra poderosa, maravilhosa – Lc 24: 49; 1 Cor. 2: 4-5) e isso nos é concedido pelo Espírito Santo; e uma terceira palavra, usada mais raramente (apenas 9 vezes no NT), que é kratos (κρατος – Strong #g2904), e que significa: grande vigor, glória, domínio, poder, força, posse geralmente sobre algo físico, material, como uma terra arrendada, herdade (Lc 1: 51; At 19: 20; Cl 1: 11; 1 Tm 6: 16; Hb 2: 14; 1 Pe 4: 11; 1 Pe 5: 11; Jd 1: 25; Ap 1: 6)].


Jesus prega o sermão do monte

Este texto se encontra no anexo:


O sermão do monte

O sermão do monte (PDF)

The sermon on the mount (PDF)

Sugestão de leitura:


livro evangélico: Muito pode a oração de um justo

Muito pode a oração de um justo (PDF)

Much can the prayer of a righteous (PDF)


livro evangélico: Ensina-me a orar

Ensina-me a orar (PDF)

Teach me to pray (PDF)

Outras sugestões de leitura:

Quanto a Mt 7: 24-27 (Os dois fundamentos, ou seja, praticar e não praticar a palavra de Jesus) há duas alegorias interessantes. Vale a pena conferir:


livro evangélico: Efatá

Efatá (PDF)

Ephphatha (PDF)


livro evangélico: Preciso de uma família

Preciso de uma família (PDF)

I need a family (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

▲ Início  

BRADESCO PIX: relacionamentosearaagape@gmail.com

E-mail: relacionamentosearaagape@gmail.com