Vamos falar da origem da humanidade do ponto de vista bíblico. Como a humanidade se multiplicou a partir de um único casal? Gn 6: 1-12 fala da corrupção do gênero humano, antes de Deus anunciar o Dilúvio; depois, menciona a descendência de Noé repovoando a Terra.


O início da humanidade




Gn 4
17 E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.
18 A Enoque nasceu-lhe Irade; Irade gerou Meujael, Meujael, a Matusael, e Matusael a Lameque.
19 Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá.
20 Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado.
21 O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
22 Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá.
23 E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou.
24 Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete.
25 Tornou Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou. [cf. Gn 5: 3: “Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete”].
26 A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do Senhor.

Gn 5
1 Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à imagem e semelhança de Deus o fez;
2 homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão [NVI: ‘Homem’; Inglês (NRSV): ‘Humankind” = humanidade; (NIV): ‘Man’; Hebraico: ‘Adam’, Adão], no dia em que foram criados.
3 Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete.
4 Depois que gerou a Sete, viveu Adão oitocentos anos; e teve filhos e filhas.
5 Os dias todos da vida de Adão foram novecentos e trinta anos; e morreu.
6 Sete viveu cento e cinco anos e gerou a Enos.
7 Depois que gerou a Enos, viveu Sete oitocentos e sete anos; e teve filhos e filhas.
8 Todos os dias de Sete foram novecentos e doze anos; e morreu.

A descendência de Sete (Gn 5: 9-32) foi: Enos → Cainã → Maalalel → Jarede → Enoque [arrebatado por Deus] → Metusalém → Lameque → Noé → Sem, Cam e Jafé. A bíblia diz sobre todos eles: “... E teve filhos e filhas”.

Aqui encontramos certos versículos que parecem controversos ou difíceis de entender. A bíblia fala que Caim se casou e teve um filho que, por sua vez, também se casou e gerou descendência. Na quinta geração depois de Caim, o descendente (Lameque) tomou para si duas esposas. Nos versículos seguintes e no capítulo seguinte, a bíblia diz que, após a morte de Abel, Eva teve o terceiro filho a quem chamou Sete. No capítulo 5 a referência é a mesma, acrescida da informação de que Adão gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem. Sete é um nome que vem do hebraico: Sheth, porque Eva disse: “Deus me concedeu (shãth) outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou”. Portanto, Sete significa: concedido, designado. Quando a bíblia fala que ele foi feito à imagem e semelhança de Adão, quer dizer que foi concebido à imagem humana deformada e corrompida, diferentemente do pai, que o foi à imagem de Deus. Em outras traduções, o nome Sete é traduzido como ‘tumulto’ ou ‘todos os arrogantes’, provavelmente se referindo a Moabe (Nm 24: 17 cf. Jr 48: 45). Depois de Sete, nasceu Enos, seu filho, cujo nome significa: ‘mortal, homem’. Em primeiro lugar, vamos raciocinar:

Como Caim se casou, se só havia sido criado um casal: Adão e Eva, seus pais?
A própria palavra de Deus diz: “E teve filhos e filhas”, o que nos faz pensar que a partir de Adão e Eva, nasceram outras criaturas além de Sete, ‘o segundo filho’, já que Abel morrera, e que, por sua vez, se multiplicaram, fornecendo casamento para Caim e para a sua descendência. Em outras palavras, Deus poderia ter permitido a poligamia e o casamento consangüíneo, pelo fato de não haver outras famílias para se contrair matrimônio. Caim poderia ter se casado com uma irmã ou sobrinha, por exemplo, e sua descendência praticar a poligamia ou o incesto para poder encher a terra, da mesma forma que Sete e Enos etc. Na maior parte das vezes, a bíblia só coloca na genealogia os descendentes masculinos.

— Será que era esse o projeto de Deus quando disse: “Sede fecundos e enchei a terra” (Gn 1: 28)?

Vamos voltar para Gn 2: 24: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. Jesus deu enfoque (Mt 19: 4-9) ao fato de Deus ter unido, assim como falou claramente sobre a instituição do matrimônio legal aqui na terra, abençoada por Ele diante dos homens (monogâmico, repetido por Paulo em 1 Co 7: 2: “mas, por causa da impureza, cada um tenha sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido”).

Então, continuemos nosso raciocínio lembrando o que a serpente introduziu através da sedução na mente e no espírito do ser humano, que foi a distorção, a perversão e a malícia, fazendo com que Adão e Eva passassem a ver tudo o que fora criado com outros olhos que não os de Deus; em outras palavras, com olhos maus. Isso não quer dizer que o sexo era pecado, mas o diabo o fez pecaminoso a partir do momento em que abriu o entendimento de Eva para outras práticas impuras como fornicação, prostituição, adultério, incesto e outras deturpações sexuais e compulsões. Dessa forma, temos uma explicação cabível para se gerar uma descendência e povoar a terra: o gênero humano já estava corrompido e afastado do projeto de Deus e Ele “deixou a natureza seguir seu curso”, pois sabia que mais tarde teria de enviar Seu Filho à terra para refazer a ligação que fora perdida no Éden. Voltando à pergunta (Será que era esse o projeto de Deus quando disse: “Sede fecundos e enchei a terra?”), o que podemos fazer é apenas deixar que este mistério nos seja revelado pelo próprio Deus na eternidade ou supor que, caso os filhos de Adão e Eva tivessem que casar entre si para gerar descendência (pelo menos na primeira geração – casamento entre irmãos), pelo fato de não haver maldade nem malícia, apenas a pureza do Criador, isso seria permitido. Sua mente não estava pervertida. Finalmente, a Palavra diz que, vendo gênero humano corrompido, o Senhor decidiu destruir todo o ser vivente e recomeçar o mundo com Noé (descendente de Sete): Gn 6: 5-6; Gn 6: 11-12; Gn 5: 32; Gn 6: 9; Gn 6: 22; Gn 7: 2-3; Gn 7: 6; Gn 7: 17; Gn 8: 13-16; Gn 8: 20-22; Gn 9: 1-4; Gn 9: 21-27; Gn 9: 19.


A arca de Noé


De Cam descenderam os povos do Egito, Etiópia, Norte da África e Canaã. De Jafé, os povos indo-europeus; e de Sem nasceram os povos semitas: os hebreus, i.e., a origem étnica de Abraão e seus descendentes (Gn 14: 13; os descendentes de Héber – Gn 10: 24-25; 1 Cr 1: 1-27) e também outros povos não israelitas como os arameus (Síria, Mesopotâmia e Babilônia), os moabitas e os amonitas, estes dois descendentes de Ló, sobrinho de Abraão.

Gn 6: 1-12 fala da corrupção do gênero humano, antes de Deus anunciar o Dilúvio. Está escrito:

1 Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas,
2 vendo os filhos de Deus [essa expressão pode ser apenas uma maneira poética de escrever, se referindo ao sexo masculino, originado do barro pelas mãos de Deus; outra explicação é de tratar dos descendentes de Sete, que temiam a Deus – segundo alguns teólogos] que as filhas dos homens [descendentes de Caim, que se corromperam na idolatria – segundo alguns teólogos; ou uma maneira poética de se referir às mulheres como criadas a partir do homem, como Eva o foi de Adão] eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhe agradaram.
3 Então, disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem [hebraico: o espírito que lhe dei não permanecerá nele], pois este é carnal [NVI: por ser o homem mortal; no original: ‘corrupto’ ou ‘corrompido’]; e os seus dias serão cento e vinte anos [provavelmente Deus dava ao homem um limite de idade por causa da sua perversidade e corrupção; os tementes a Deus poderiam viver mais tempo. É possível haver decorrido certo tempo entre este versículo e o v. 6, quando o Senhor optou definitivamente pela destruição de Sua própria criação].
4 Ora, naquele tempo havia gigantes [“gigantes” – os filhos de Anaque – Nm 13: 33 – ou “homens poderosos”] na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.
5 Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração;
6 então, se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.
7 Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os ter feito.
8 Porém Noé achou graça diante do Senhor.
9 Eis a história de Noé. Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.
10 Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11 A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência.
12 Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra.

A bíblia diz que o Senhor trouxe o Dilúvio para destruir todos os seres viventes sobre a terra, reconstruindo Sua criação a partir de Noé e sua família, e dos animais que havia separado.

Em Gênesis, da Criação até o Dilúvio, é mais provável que os animais a que a bíblia se refere sejam animais comuns, como os de hoje, e não bichos horrorosos ou monstruosos. Deus, com certeza, fez um homem e uma mulher bonitos, à Sua imagem e semelhança, com Sua inteligência espiritual e natural para lidar com instrumentos agrícolas, cuidar do gado e de todos os minerais. Quando Deus falou com Noé, Ele nos deu a entender que falava sobre animais conhecidos de todos nós (aves, mamíferos etc.) e não dinossauros. O que podemos pensar é que, com a queda do homem, sendo lançado fora da presença de Deus e perdendo o contato com o mundo espiritual sadio que conhecia com o Criador, o homem sofreu o efeito danoso das trevas (Satanás), assim como todas as formas de vida: vegetais e animais. Portanto, deformidades genéticas passaram a fazer parte das criaturas, transformando-as até fisicamente (hoje as malformações congênitas são um exemplo). Os achados fósseis e de primatas que já foram encontrados podem ser apenas resquícios de seres deformados pelos eventos daquela época da humanidade, mas muito difíceis de aceitar como tendo vivido há milhões de anos ou como ancestrais do ser humano. A própria palavra de Deus escrita nos versículos da Criação já elimina a teoria da evolução e seleção natural das espécies de Charles Darwin. A bíblia deixa bem claro que Deus fez cada espécie separadamente, segundo a Sua vontade. Quando lemos Gn 1, podemos ver escrita a expressão: “... segundo a sua espécie”. Nenhuma espécie se transformou em outra ou foi evolução de outra. Neste ponto a ciência e a bíblia se separam.

Concluindo: mesmo com os pecados e as deformações humanas, Deus cumpriu o Seu propósito de multiplicar os seres que havia criado para que a terra fosse habitada. A desobediência do homem trouxe a queda e o juízo de Deus pela sua corrupção e transformou sua aparência e todo o modo de viver que ele tinha anteriormente.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Este texto se encontra no livro:


livro evangélico: Curiosidades e Revelações – Gênesis

Curiosidades e Revelações – Gênesis

Curiosities and Revelations – Genesis

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