Isaías 61: o Messias é dotado do Espírito e da Palavra e tem a missão de pregar boas-novas, curar, libertar, dar entendimento de Deus, mostrar Sua bondade, fazer o juízo sobre o mal, consolar, alegrar, recompensar, tirar a angústia e trazer o louvor.

Isaiah 61: the Messiah is endowed with the Spirit and the Word and has the mission to preach good news, heal, free, give understanding of God, show His goodness, make judgment on evil, to console, bring joy and reward, to take away anguish and bring praise.


Isaías capítulo 61




Capítulo 61

A missão do Messias – v. 1-3.
• Is 61: 1-3: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados [NVI: ‘libertação das trevas aos prisioneiros’]; a apregoar o ano aceitável do Senhor [NVI: ‘para proclamar o ano da bondade do Senhor’] e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto [NVI: ‘e dar a todos os que choram em Sião’] uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória”.

O profeta Isaías fala em nome de Jesus, o único que recebeu toda essa capacitação do Pai.

Quando nós falamos sobre as características do Messias, algumas delas eram mais importantes, sendo que pessoas comuns personificavam aqui na terra o verdadeiro Messias por vir. As características eram: o Servo sofredor (algumas vezes representado pelo próprio profeta em sua árdua missão no meio daquele povo incrédulo) e o conquistador ungido (na figura de Ciro ou Davi), ou seja, de um rei que virá para governar sobre judeus e gentios, executando a vingança de Deus contra Seus inimigos, se vestindo com a armadura da salvação (Is 59: 16-21) e derrotando-os completamente, redimindo Seu povo. No capítulo 63: 1-6 esse conquistador messiânico é um homem entre os homens, mostrando igualmente as qualidades do rei e do Servo, com os mesmos dotes espirituais deles. Ele também se mostra como o conquistador de Edom, uma tarefa que foi realizada apenas através de Davi: Nm 24: 17-19 (a ‘estrela de Jacó’ diz respeito a Davi); 1 Cr 18: 11-12; 2 Sm 8: 13-14; Sl 60 (Quando lutou contra os siros da Mesopotâmia – 1 Cr 18: 3 – e os siros de Zobá, e quando Joabe regressou e derrotou doze mil edomitas no vale do Sal) cf. Sl 108: 6-13. Como vimos em outros capítulos de Isaías, o conquistador ungido pode ser prefigurado em Ciro ou em Davi.

Aqui em Is 61: 1-3 nós podemos ver outra característica do Messias, que é alguém dotado do Espírito e da Palavra. Jesus assumiu esta profecia, como está escrito em Lc 4: 18-19: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que o Senhor me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor (NVI, ‘o ano da graça do Senhor’)”.

Então, Jesus, o Messias viria com a assistência do Espírito do Senhor, ou seja, ungido pelo Espírito de Deus a quem Ele chama ‘Senhor’, cf. Sl 110 e Mt 22: 44: “disse o Senhor ao meu Senhor (no Sl 110, esta palavra está escrita com letra minúscula, embora com o mesmo significado): Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés”. Sua missão seria pregar boas-novas aos pobres de espírito, que precisariam se fortalecer com a palavra de Deus, ou seja, o evangelho, cujo significado é ‘boas novas’ ou ‘boa mensagem’ (euaggelion, em grego, ευαγγελιον). Essa missão também envolvia: curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados [NVI: ‘libertação das trevas aos prisioneiros’]; a apregoar o ano aceitável do Senhor [NVI: ‘para proclamar o ano da bondade do Senhor’] e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto [NVI: ‘e dar a todos os que choram em Sião’] uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.

‘Os quebrantados de coração’ – refere-se aos que têm consciência do seu pecado e se sentem tocados por isso, ou seja, os que estão debaixo de um espírito de arrependimento e precisam do perdão de Deus para curar suas feridas interiores.

‘Proclamar libertação aos cativos’ – os que estão presos nas mentiras de Satanás por causa do pecado e que precisam conhecer a verdade para alcançar a libertação (Jo 8: 31-36). A boa nova trazida pelo Messias era que o cativeiro no pecado terminou, porque Jesus tinha chegado.

‘Pôr em liberdade os algemados [NVI: ‘libertação das trevas aos prisioneiros’]’ – o que inclui a libertação não apenas do cativeiro do pecado, como foi dito acima, mas a abertura do entendimento (‘abrir os olhos aos cegos’) daqueles que não sabiam que caminho seguir, pois o inimigo os cegava com suas trevas de mentira, roubando deles a esperança na salvação e impedindo-os de se posicionar na terra em relação às decisões a serem tomadas na sua própria vida. A falta de entendimento em determinado assunto ou a falta de revelação de Deus onde precisamos é um cativeiro, e precisamos ser libertos dele. Da mesma forma que Oséias escreveu: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento” (Os 4: 6a), Isaías repete o mesmo pensamento em outras palavras: “Portanto, o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento” (Is 5: 13a). Por isso, está escrito em Pv 11: 9: “O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento” [NVI: ‘Com a boca o ímpio pretende destruir o próximo, mas pelo seu conhecimento o justo se livra’]. Isso diz respeito ao conhecimento que temos sobre a Sua vontade para nós através da Sua palavra, que nos dá o discernimento espiritual para seguirmos para um lado ou para o outro, escapando ilesos dos sofismas do inimigo. Também diz respeito ao conhecimento de nós mesmos, do quanto já estamos trabalhados pelo Senhor em uma determinada área da nossa vida, a fim de que possamos nos libertar das falsas acusações e das afrontas. Sabendo o que Deus tem para nós, estando conscientes do que Ele está fazendo em nosso favor não há o que possa nos enganar. Jesus veio para trazer esta clareza, pois o Seu Espírito dentro de nós ilumina nossas ações e nossos pensamentos.

‘Apregoar o ano aceitável do Senhor’ ou ‘o ano da bondade do Senhor’ – significando que Jesus viria para anunciar a eles uma nova dispensação, uma época (‘o ano’) onde Deus se mostraria favorável com o ser humano, desejando derramar Sua bondade sobre todos aqueles que quisessem a salvação (2 Co 6: 2) e a verdadeira libertação. Eles deixariam de ser propriedade de Satanás e voltariam a ser propriedade do Senhor, do seu Criador. Talvez possa ser feito um paralelo entre essa frase e o ano do jubileu em Israel, que ocorria a cada cinqüenta anos, quando os cativos eram libertos e as terras voltavam ao poder do seu antigo possuidor (Lv 25: 8-13; 28; 32).

‘O dia da vingança do nosso Deus’ – o dia que Deus escolheu para fazer o juízo definitivo sobre o mal, derrotando de uma vez por todas os inimigos do Seu povo, na Sua segunda vinda (2 Ts 1: 7-9; Ap 20: 10; 14-15).

‘A consolar todos os que choram’ – Jesus veio para trazer consolo aos que choram pelo seu afastamento de Deus por causa do pecado, pelas injustiças do mundo e pelo seu sofrimento devido às dificuldades naturais da vida. E o Seu consolo é algo palpável e presente, atual, não apenas uma promessa de consolação num futuro distante (na Nova Jerusalém espiritual – Mt 5: 4), como Jesus trouxe o consolo a Marta e a Maria pela morte de Lázaro, ressuscitando-o; trouxe o consolo a Jairo, pela morte de sua filhinha, ressuscitando-a; à viúva de Naim, pela morte do seu único filho, ressuscitando-o; trouxe o consolo à mulher pecadora que ungiu Seus pés, perdoando-a; à mulher Siro-Fenícia que estava desesperada por causa de sua filha endemoninhada, libertando a menina do demônio que atormentava; e tantos outros casos. Ele igualmente nos traz o consolo no momento em que não estamos mais agüentando a angústia e as opressões externas, quando nos sentimos urgentemente necessitados de um socorro financeiro ou quando estamos doentes e precisamos de ajuda. Ele usa, muitas vezes, corpos humanos como instrumento do Seu consolo. Nem sempre o consolo é uma palavra que aquieta os temores. Às vezes, o consolo precisa ser algo palpável, natural, físico, que vem para aquietar a alma aflita. As ressurreições de mortos realizadas por Jesus e citadas acima são um exemplo disso.

‘E a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória’ – essa promessa não só pode ser empregada como um consolo aos exilados que ainda choravam pela destruição de sua cidade ou que ainda esperavam a vinda do Messias para serem salvos e conhecer a verdade de Deus; é uma promessa para o povo do passado e para a igreja de hoje, a Sião espiritual de Deus, que chora e está de luto por algum tipo de perda: perda da fé, da esperança, da unção, perda da comunhão profunda com Deus, perda da liberdade de pregar livremente Sua palavra, pois foi impedida pelo inimigo. O Senhor promete remover as cinzas do luto e colocar na cabeça dos Seus guerreiros uma coroa de alegria, porque sempre há um escape, sempre há uma solução, sempre há um livramento. Ele vai trocar o pranto pelo óleo da alegria, pois Seu reino é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14: 17). A alegria é um fruto do Espírito (Gl 5: 22).

Ele vai dar uma veste de louvor, em vez de espírito angustiado – isso quer dizer que a angústia do peito pode ser removida quando colocamos nossa fé em ação, clamamos a Deus e vemos Sua resposta numa causa que parecia impossível, e isso nos leva a agradecer-Lhe, pois recebemos uma solução para o nosso problema. Por isso o apóstolo Pedro disse: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5: 6-7).

Em Fp 4: 6-7, Paulo escreveu: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”. Nosso Deus é um Deus de justiça, um Deus do hoje, do presente, que providencia o que necessitamos para cada dia da nossa vida, em todas as áreas dela. O que precisamos desenvolver para ver a nossa bênção materializada é justamente a fé; a fé aliada à perseverança, pois o reino de Deus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele (Mt 11: 12). Muitas vezes, ter fé em alguma coisa que nunca tivemos ou nunca vimos é um grande esforço, mas a bíblia também diz que sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11: 6: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”).

Resumindo: Deus não mudou. Ele não mudou Suas leis escritas no AT só porque Jesus veio. Jesus veio e cumpriu a lei, mas não a aboliu. Nele se cumpriram as profecias sobre a redenção de Israel através do Messias. Ele abriu para nós a realidade espiritual, ou seja, nos deu a consciência da necessidade de salvação da nossa alma e nos fez entender quem é o nosso verdadeiro inimigo. Mas não deixou de agir na terra, na matéria. A palavra de Deus continua viva. Jesus é Deus, e, portanto, é capaz de realizar todo tipo de milagre em todas as áreas da nossa vida. Se você tem dificuldade de entender isso, creia apenas. Nada vai ficar postergado para a nova Jerusalém. A justiça que muitas vezes nós gostaríamos de ver na terra vai ser feita, sim, por Ele. Lá na Nova Jerusalém o cumprimento de toda a palavra de Deus será pleno, mas Sua justiça, Seus milagres, Sua recompensa para nós é feita aqui na terra também. Em outras palavras: aqui nós conquistamos as pérolas. Lá, nós vamos receber a coroa completa e adornada com as pérolas que conquistamos aqui, em vida. Por isso, passamos as provas de aperfeiçoamento.

‘A fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória’ – o Senhor mostra o motivo da transformação mencionada acima: Ele coroa os enlutados, unge-os com óleo de alegria e põe sobre eles vestes de louvor para que eles sejam chamados ‘carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a Sua glória’. O carvalho é uma árvore do gênero Quercus, que tem vinte e quatro espécies na Palestina; por isso fica difícil determinar qual a espécie a que pertencem a palavras hebraicas como: ‘allâ, ’allôn (ou ’allown) e ’elâ. Esta última parece ser a mais usada na bíblia (’elâ).

O carvalho era a árvore favorita sob cujas sombras os israelitas se assentavam (1 Rs 13: 14) ou sepultavam seus mortos (Gn 35: 8 e 1 Cr 10: 12). Sua madeira, embora dura, não era empregada em construção. Era usada na fabricação de remos (Ez 27: 6) e de imagens de escultura (Is 44: 14-15). Basã era região repleta de carvalhos (Is 2: 13; Ez 27: 6; Zc 11: 2). O amorreu era forte como os carvalhos (Am 2: 9). Algumas espécies são perenemente verdes, mas a maioria muda de folhas anualmente (Is 6: 13). É uma árvore vigorosa, de madeira dura, que vive muitos séculos. Portanto, simboliza poder, força, longevidade, estabilidade e determinação; e isso é o que o Senhor espera daqueles a quem Ele resgata e abençoa: que sejam firmes na prática da justiça; permaneçam enraizados no reino de Deus para mostrar a Sua presença diante dos ímpios e irreverentes e diante dos inconstantes, que por qualquer coisa voltam ao pecado porque não querem pagar o preço da santidade e da realização dos seus sonhos.

A bênção futura de Israel – v. 4-9.
• Is 61: 4-9: “Edificarão os lugares antigamente assolados, restaurarão os de antes destruídos e renovarão as cidades arruinadas, destruídas de geração em geração. Estranhos se apresentarão e apascentarão os vossos rebanhos; estrangeiros serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros. Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis as riquezas das nações e na sua glória vos gloriareis [NVI: ‘e do que era o orgulho delas vocês se orgulharão’]. Em lugar da vossa vergonha, tereis dupla honra; em lugar da afronta, exultareis na vossa herança [NVI: ‘Em lugar da vergonha que sofreu, o meu povo receberá porção dupla, e ao invés da humilhação, ele se regozijará em sua herança’]; por isso, na vossa terra possuireis o dobro e tereis perpétua alegria. Porque eu, o Senhor, amo o juízo e odeio a iniqüidade do roubo; dar-lhes-ei fielmente a sua recompensa e com eles farei aliança eterna. A sua posteridade será conhecida entre as nações, os seus descendentes, no meio dos povos; todos quantos os virem os reconhecerão como família bendita do Senhor [NVI: ‘são um povo abençoado pelo Senhor’]”.

Aqui são feitas promessas aos judeus devolvidos do cativeiro e que se estabeleceram novamente em sua própria terra, mas veremos um pouco mais adiante que, muito provavelmente, essa profecia se estendeu aos tempos do evangelho, quando a nova dispensação passou a ser espiritual. Talvez, possa ser aplicada aos crentes da nossa geração.

É prometido que as suas casas serão reconstruídas, suas cidades serão levantadas das ruínas em que se encontram há muito tempo, e eles reconstruirão seus lares e suas terras novamente. Eles vieram do exílio e reconstruíram.

‘Estranhos se apresentarão e apascentarão os vossos rebanhos; estrangeiros serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros’ – isso aconteceu, em parte, quando retornaram do cativeiro e tiveram ajuda de alguns povos por ordem de Ciro (Ed 1: 4; 6) e, provavelmente dos moradores da Mesopotâmia e da Assíria que haviam sido enviados para a Palestina para colaborar com os judeus, ou povos de outras terras que se estabeleceram em Israel depois do seu exílio, e agora ajudariam voluntariamente os judeus com seus rebanhos e suas vinhas. Os judeus, sem dúvida, se sentiram privilegiados após seu retorno, pois agora sabiam valorizar a liberdade e as suas propriedades, além de valorizar sua crença no Deus vivo, não mais nos ídolos. Embora tivessem reconstruído suas casas e o templo, essas construções foram bastante inferiores às que possuíam antes de serem cativos, entretanto, era motivo de júbilo para quem chegou a perder tudo. Eles tinham novamente sua porção de terra, a terra de Israel, e não eram mais estrangeiros nela como foram na Babilônia.

A promessa de Isaías para eles era de um estado de alegria duradoura, muito mais duradoura do que o cativeiro na Babilônia. Porém, essa alegria não durou tanto tempo quanto se pensava (pelo menos na área material), pois eles tiveram paz durante o domínio do império persa, mas logo depois, com o domínio grego de Alexandre o Grande e seus generais, Israel trocou várias vezes de mãos: primeiro, sob domínio ptolomaico (os Egípcios), depois sob domínio selêucida (os Sírios), revolução dos Macabeus numa transição para o período Hasmoneano e que, de forma alguma trouxe alegria ou paz para a nação; apenas guerras, revoluções, mortes e mais destruição e divisões internas no âmbito civil e religioso até o domínio romano e o nascimento de Cristo. Por isso, eu disse anteriormente que esta profecia foi mais direcionada aos crentes, mais especificamente, à parte espiritual da igreja, pois também a parte material, física, dos novos convertidos foi bastante assolada, perseguida, e sua alegria, de pouca duração. O que tem durado até hoje é a esperança de a salvação ser completada na segunda vinda de Cristo, bem como a realização plena da Sua justiça. Não estou dizendo que o profeta ou que Deus estava mentindo; somente que esta parte da profecia de Isaías passa a ter uma natureza bastante diferente das profecias iniciais, já mostrando que, a partir do retorno dos judeus do exílio Deus estava e estaria tratando com a humanidade em outros termos.

‘Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis as riquezas das nações e na sua glória vos gloriareis [NVI: ‘e do que era o orgulho delas vocês se orgulharão’]’ – quando Deus libertou Israel do Egito, Ele os separou para Ele (“Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” – Lv 20: 26) e os chamou de um reino de sacerdotes (Ex 19: 6: “vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel”), significando, num sentido amplo, que através deles Suas leis seriam conhecidas entre as nações e eles trariam outros povos para Deus, como um sacerdote faz a ligação entre Deus e o povo e vice-versa. Para os crentes do NT essa lei continua a ser válida levando em conta que a Igreja de Cristo é o Israel espiritual de Deus: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2: 9).

Isso quer dizer que após o exílio, a posição dos judeus como mediadores entre Deus e os gentios voltaria a ser como foi planejada no início por Ele.

‘Em lugar da vossa vergonha, tereis dupla honra; em lugar da afronta, exultareis na vossa herança [NVI: ‘Em lugar da vergonha que sofreu, o meu povo receberá porção dupla, e ao invés da humilhação, ele se regozijará em sua herança’]; por isso, na vossa terra possuireis o dobro e tereis perpétua alegria’ – no lugar da vergonha que eles haviam passado durante o cativeiro (e até antes, por causa dos julgamentos de Deus contra a idolatria do Seu povo), eles teriam honra dobrada, assim como o regozijo de voltar a possuir a terra de Canaã. Aqui volta o comentário acima sobre a ‘alegria perpétua’, que passou a ser algo espiritual para os que entenderam o projeto de Deus através de Jesus. Apesar das circunstâncias externas, os crentes saberiam o que é a alegria da salvação e da companhia eterna do Espírito Santo. O que havia sido roubado deles seria restituído em dobro pelo Senhor, a mesma palavra (em Português) usada em Is 40: 2: “Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados”.

Em Is 40: 2 a palavra ‘dobro’ em hebraico é: kephel (Strong #3718), que significa: uma duplicata, dobro.
Em Is 61: 7 a palavra hebraica é: mishneh (Strong #4932), que significa, mais exatamente: uma repetição, ou seja, uma duplicata (cópia de um documento) ou uma dupla porção (em quantidade); por implicação, uma posição secundária, o próximo, segundo (ordem), o dobro, duas vezes mais.

Embora se tratando da mesma coisa, nós podemos até tentar explicar a diferença de palavras da seguinte forma: em Is 40: 2, o dobro (ou a duplicata) seria a quantidade de punição de Deus em medida dobrada à quantidade dos pecados deles.

E em Is 61: 7, o dobro corresponderia uma repetição, uma cópia do que tinham com Deus no início, antes de começarem a pecar e idolatrar imagens (como as tábuas da Lei foram escritas pela segunda vez para refazer o pacto). Seria uma aliança que estava sendo refeita entre eles e Deus; ou, então, uma porção dobrada (como a unção de Eliseu em relação a Elias) como uma maneira de compensar uma perda, uma necessidade ou um desejo de algo que foi conquistado com muita dedicação e esforço.

Na lei de Moisés está escrito:
Êx 22: 1; 4; 9: “Se alguém furtar boi ou ovelha e o abater ou vender, por um boi pagará cinco bois, e quatro ovelhas por uma ovelha... Se aquilo que roubou for achado vivo em seu poder, seja boi, jumento ou ovelha, pagará o dobro... Em todo negócio frauduloso, seja a respeito de boi, ou de jumento, ou de ovelhas, ou de roupas, ou de qualquer coisa perdida, de que uma das partes diz: Esta é a coisa, a causa de ambas as partes se levará perante os juízes; aquele a quem os juízes condenarem pagará o dobro ao seu próximo”.

Dessa forma, isso seria uma dupla recompensa para eles por todo roubo e vexame que sofreram nas mãos dos babilônios, como uma causa na justiça, onde se paga a indenização pelos danos morais sofridos pela vítima, ou seja, o litigante que primeiro deu entrada no pedido legal. A dupla riqueza que eles receberiam seria não apenas a posição de filhos de Deus, mas a bênção do primogênito (‘Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito’ – Êx 4: 22), que recebia a porção dobrada da herança do pai, em relação aos outros filhos (Dt 21: 17).

‘Porque eu, o Senhor, amo o juízo e odeio a iniqüidade do roubo; dar-lhes-ei fielmente a sua recompensa e com eles farei aliança eterna. A sua posteridade será conhecida entre as nações (no hebraico, gowy = gentios; nações, povos), os seus descendentes, no meio dos povos; todos quantos os virem os reconhecerão como família bendita do Senhor [NVI: ‘são um povo abençoado pelo Senhor’]’ – eles seriam reconhecidos pelos gentios como o povo escolhido de Deus.

Sião agradece a Deus pelo Seu retorno – v. 10-11.
• Is 61: 10-11: “Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com o manto de justiça, como noivo que se adorna de turbante [NVI: ‘qual noivo que adorna a cabeça como um sacerdote’], como noiva que se enfeita com as suas jóias. Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia [NVI: ‘Porque, assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente’], assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor perante todas as nações”.

Isaías fala aqui em nome da igreja judaica daquela época pós-exílio, abençoada pelo Senhor e consciente da salvação e da separação para Ele; para nós, é a igreja de Cristo, coberta pelo Seu sangue (salvação) e justificada do seu pecado (manto de justiça), da mesma forma que o noivo (Jesus) adorna sua cabeça e a noiva (a igreja) que se enfeita com suas jóias. Assim como o privilégio do sacerdócio é restaurado para a igreja, ao mesmo tempo o profeta compara a alegria da volta do Senhor a Sião com uma festa de casamento, onde Ele é o sumo sacerdote (o noivo com turbante), e a igreja (judaica) é a noiva.

O verbo ‘adornar’, em relação ao noivo, em hebraico é kahan (Strong #3547), que significa mediar em serviços religiosos; oficiar como sacerdote; figurativamente, colocar em regalia; enfeitar, embelezar, cobrir, ser sacerdote, fazer o ofício de um sacerdote, executar o ofício de um sacerdote, ministrar no ofício de um sacerdote. Assim, o turbante sacerdotal fala a favor da posição de sacerdócio da igreja de Cristo, levando Sua palavra viva aos quatro cantos da terra, como também é visto no próximo versículo: “Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia [NVI: ‘Porque, assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente’], assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor perante todas as nações”. Isso é falado em relação aos tempos messiânicos. Os que forem salvos (resgatados pela Sua justiça) louvarão o Seu nome.


• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Este texto se encontra no 3º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1 (PDF)

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1 (PDF)

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

Sugestão de leitura:


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus (PDF)

Prophet, the messenger of God (PDF)

Sugestão para download:


tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

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