Começa a 3ª parte do livro de Isaías (capítulo 56-66). A profecia passa a revelar o caráter de Deus. No cap. 56 Isaías fala sobre o chamamento dos gentios e repreende os sacerdotes, que não desempenhavam seu ofício corretamente. O que aconteceu durante o exílio?


Isaías capítulo 56




A partir do 56º capítulo, o conteúdo da profecia deixa de ser direcionado aos exilados que retornaram (embora em alguns momentos pareça estar de referindo a eles), e passa a revelar o caráter de Deus. Em Is 56: 9-12 a profecia está sendo entregue aos judeus ainda no tempo dos assírios, antes do cativeiro da Babilônia, e mostra o que aconteceria com eles caso negligenciassem a advertência profética vinda de Deus. A incredulidade atingia o povo, os profetas, os sacerdotes e os reis. A crescente idolatria os afastava Dele.

Em Is 57: 14-19; Is 59: 9-15 e Is 65: 1-7; 11-12, o tema ‘idolatria’ se repete, e a profecia parece ser dirigida ao povo que ainda está em Israel, antes do cativeiro na Babilônia, pois não poderiam subir aos altos para prestar culto idólatra, nem oferecer sacrifícios debaixo de terebintos ou carvalhos estando em cativeiro em terra estranha. Por isso, presume-se que todas essas práticas estavam sendo realizadas em Israel mesmo.

Em Is 66: 1-5, a profecia parece ser endereçada aos judeus pós-exílio desde o período da construção do segundo templo até os judeus do período da vinda de Cristo, quando o medo de cair novamente na idolatria, e conseqüentemente, sofrer com a ira de Deus, os levou, em especial os sacerdotes e os mestres da Lei (como já havia no tempo de Jesus), ao outro pólo: a religiosidade, onde as minúcias da Lei eram observadas (Mt 23: 23-24) e onde o templo físico era mais valorizado do que o seu templo interior.

O que aconteceu durante o exílio?

Na Babilônia os judeus sentiram a opressão da idolatria daquela terra, e tentaram se adaptar a uma nova forma de vida e de compromisso com seu Deus. Eles tentaram reviver as tradições da sua terra natal da melhor forma possível. O sacerdócio começou a ser reavivado de uma nova forma agora: os sacerdotes se dedicaram à escrita, interpretando os eventos históricos sob a ótica sacerdotal, preservando os rolos judaicos e acrescentando outros escritos (a literatura sacerdotal). Os sacerdotes procuraram unir o povo em torno da palavra de Deus. Os babilônios permitiram que os exilados judeus formassem famílias, construíssem suas casas, cultivassem pomares (Jr 29: 5-7) e pudessem consultar os seus próprios chefes e anciãos (Ez 20: 1-44); dessa forma, eles aprenderam a viver em comunidade. Além da agricultura, alguns judeus se dedicaram ao comércio, a fim de terem sua sobrevivência. A instituição da sinagoga foi importante para encontros de oração, leitura e ensinamento da Torá, cântico dos Salmos e comentários dos escritos dos profetas. Entre esse grupo de sacerdotes estava o profeta Ezequiel, que exerceu uma grande influência sobre os exilados. Depois de algum tempo, devido às condições de tolerância e até bem-estar em que os exilados passaram a viver, muitos se acostumaram naquela terra e não quiseram retornar a Jerusalém, mesmo com a permissão de Ciro.

Capítulo 56

O chamamento dos gentios – v. 1-8
• Is 56: 1-8: “Assim diz o Senhor: Mantende o juízo e fazei justiça [NVI: ‘Mantenham a justiça e pratiquem o que é direito’], porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, prestes a manifestar-se. Bem-aventurado o homem que faz isto, e o filho do homem que nisto se firma, que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de cometer algum mal. Não fale o estrangeiro que se houver chegado ao Senhor, dizendo: O Senhor, com efeito, me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que eu sou uma árvore seca. Porque assim diz o Senhor: Aos eunucos que guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança, darei na minha casa e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. Aos estrangeiros que se chegam ao Senhor, para o servirem e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, sim, todos os que guardam o sábado, não o profanando, e abraçam a minha aliança, também os levarei ao meu santo monte e os alegrarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos (cf. Mt 21: 13). Assim diz o Senhor Deus, que congrega os dispersos de Israel: Ainda congregarei outros aos que já se acham reunidos”.

Nestes versículos o Senhor fala para manter a prática da justiça e fazer o que é direito, pois o reino do Messias está chegando. Feliz é o homem que pratica os mandamentos do Senhor; Ele o honrará por isso. Ele não está exigindo nada além do que eles possam cumprir, do que foi dito através de outros profetas: “Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene” (Am 5: 24)... “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6: 8).

Deus não faz acepção de pessoas. A graça que está prometida aqui é para todos, judeus e gentios. Até mesmo os eunucos que vierem a Deus serão aceitos e o Senhor honrará sua fé e sua fidelidade. Todos aqueles a quem Ele já separou para serem Dele virão à Sua Casa, ao Templo, e ela será uma casa de oração para todos os povos, confirmando a oração que Salomão fez quando consagrou o primeiro templo (2 Cr 6: 32-33; 1 Rs 8: 41-43; 1 Rs 9: 3). Deus deixa claro para o povo que retornou do cativeiro babilônico, que Ele congregou de todos os lugares para onde foram dispersos: ‘Ainda congregarei outros aos que já se acham reunidos’, e isso fala sobre a conversão dos gentios. Os gentios que se voltarem para Ele compartilharão da Sua salvação. Podemos ver que no AT mesmo, no tempo de Ester e Mordecai, algumas pessoas se juntaram aos judeus quando souberam do edito de Assuero (Et 8: 9-12) autorizando que os judeus se defendessem do ataque contra suas vidas, em todas as províncias do império persa, no dia treze de Adar: “Também em toda província e em toda cidade aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeus alegria e regozijo, banquetes e festas; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles” (Et 8: 17). O profeta Zacarias também escreveu sobre isso: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda sucederá que virão povos e habitantes de muitas cidades; e os habitantes de uma cidade irão à outra, dizendo: Vamos depressa suplicar o favor do Senhor e buscar ao Senhor dos Exércitos; eu também irei. Virão muitos povos e poderosas nações buscar em Jerusalém ao Senhor dos Exércitos e suplicar o favor do Senhor. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia [NVI: Naqueles dias], sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim [NVI: agarrarão firmemente], na orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco” (Zc 8: 20-23), mostrando que logo após a reconstrução do templo, muitos gentios aceitaram o judaísmo. Aconteceria muito mais após a vinda de Jesus, quando o evangelho por Ele pregado atrairia os povos a Deus.

Quando Isaías fala em nome do Senhor, ‘porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, prestes a manifestar-se’, está mais do que clara a salvação vinda através do Messias. Para eles, essa profecia ainda demoraria a se manifestar, setecentos anos, mas para Deus, que é atemporal e eterno, o nascimento de Jesus estava bem perto de acontecer.

‘Aos eunucos que guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança, darei na minha casa e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará’ – isso quer dizer que mesmo aqueles que eram proibidos pela lei de Moisés de participar das assembléias solenes (Dt 23: 1), pela lei de Cristo estariam livres para participar da bênção da salvação trazida a todos os verdadeiros crentes. A dignidade desses fiéis seria até maior que a dos judeus da antiga aliança, pois o nome de Jesus em suas frontes teria grande valor diante do mundo espiritual (‘Um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará’). O nome de Jesus é eterno e o selo do Seu senhorio sobre nós (Seu sangue na nossa testa) jamais se apaga. Eles eram a recompensa pelo sacrifício de Jesus na cruz. A adoração desses estrangeiros ao Deus Vivo seria aceita por Ele com alegria.

Ai dos guias cegos de Israel – v. 9-12.
• Is 56: 9-12: “Vós, todos os animais do campo, todas as feras dos bosques, vinde comer. Os seus atalaias são cegos, nada sabem [NVI: ‘As sentinelas de Israel estão cegas e não têm conhecimento’]; todos são cães mudos, não podem ladrar; sonhadores preguiçosos, gostam de dormir. Tais cães são gulosos, nunca se fartam [NVI: ‘São cães devoradores, insaciáveis’]; são pastores que nada compreendem, e todos se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância [NVI: ‘cada um procura vantagem própria’], todos sem exceção. Vinde, dizem eles, trarei vinho [NVI: ‘tragam-me vinho!’], e nos encharcaremos de bebida forte [NVI: ‘bebida fermentada’]; o dia de amanhã será como este e ainda maior e mais famoso [NVI: ‘até muito melhor’]”.

Quando o profeta fala sobre chamar os animais do campo e as feras dos bosques para comer, ele se refere à destruição dos líderes por nações ímpias, ou seja, dos sacerdotes e dos levitas (‘Os atalaias’ ou ‘As sentinelas de Israel’), que apascentavam a si mesmos e se esqueciam do rebanho, pois além de incrédulos, eram preguiçosos. Mais do que preguiçosos, só almejavam as vantagens do sacerdócio sem, entretanto, desempenhá-lo corretamente; eram insaciáveis (Mt 23: 14; 23-28). Quando lemos o livro do profeta Malaquias, onde ele fala com os sacerdotes, já podemos notar que tanto o povo como os líderes tinham se esfriado novamente na fé e na aliança com Deus. E isso se estenderia também ao Período Intertestamentário, onde surgiram os Saduceus e os rabinos, criando doutrinas próprias que sobrepujavam as Escrituras, trazendo grandes problemas por volta do nascimento de Jesus e durante todo o Seu ministério, quando o judaísmo já estava dividido em muitas seitas, umas brigando contra as outras.

Precisamos entender que esta profecia de Isaías está sendo entregue aos judeus no tempo dos assírios, antes do cativeiro da Babilônia, e que aconteceria com eles caso negligenciassem a advertência profética vinda de Deus. A incredulidade atingia o povo, os profetas, os sacerdotes e os reis.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 3º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

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