Capítulo 54: o Senhor se compadece do Seu povo, por isso Jerusalém será reconstruída, habitada e protegida. Deus os estava moldando para receber as realidades espirituais, próprias da nova dispensação. A justiça é a característica do reinado do Messias.


Isaías capítulo 54




Capítulo 54

Sião é novamente habitada – v. 1-5.
• Is 54: 1-5: “Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto e exclama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária do que os filhos da casada, diz o Senhor. Alarga o espaço da tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas. Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas [NVI: ‘seus descendentes desapossarão nações e se instalarão em suas cidades abandonadas’]. Não temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque não sofrerás humilhação [NVI: ‘Não tema o constrangimento; você não será humilhada’]; pois te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não mais te lembrarás do opróbrio da tua viuvez [NVI: ‘não se lembrará mais da humilhação de sua viuvez’]. Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra”.

Deus volta a dizer que a Sua relação para com Israel é comparada a um vínculo matrimonial. Ele é o marido que defende Israel de toda humilhação e vergonha que ele (o povo de Israel) passou no cativeiro, onde se sentiu enviuvado e sem filhos. Os exilados que voltaram do cativeiro ainda se sentiam assim, como um povo estéril e solitário, como uma mulher abandonada, mas Deus os estimulava a cantar e se alegrar, pois sua descendência seria maior do que eles pensavam. Eles precisavam alargar sua maneira de pensar, alargar novamente a ‘tenda’ do seu coração e firmar bem as suas estacas, ou seja, se firmar na doutrina correta e no relacionamento sincero com Deus porque Ele iria fazer com que Jerusalém e as cidades de Judá que estavam desertas fossem novamente povoadas, e até com gentios. Os judeus também habitariam em outras nações e levariam o nome do Senhor a elas. Essa profecia fala muito ao povo que já voltou do cativeiro, mas se estende ao tempo do evangelho, onde Jerusalém ficou conhecida entre as nações por causa da nova doutrina de Jesus. Como a profecia em questão se segue ao sacrifício do Messias (Is 53), nós podemos dizer que ela se dirige também à Igreja Primitiva, recém-nascida, e que ainda não tinha frutos; em breve, esses frutos apareceriam, e seriam numerosos, como foram numerosos os cristãos que surgiram após o Pentecostes com o discurso de Pedro, e com a disseminação do evangelho em Samaria, Damasco e em outras regiões, antes do início do ministério de Paulo e, principalmente, depois, quando Cristo o levantou para a missão entre os gentios.

O Senhor se volta com compaixão para Sião – v. 6-9.
• Is 54: 6-9: “Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada [NVI: ‘uma mulher que se casou nova apenas para ser rejeitada’], diz o teu Deus. Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor. Porque isto é para mim como as águas de Noé; pois jurei que as águas de Noé não mais inundariam a terra, e assim jurei que não mais me iraria contra ti, nem te repreenderia”.

Deus se lembra do início alegre do Seu relacionamento com Israel como um marido se lembra de sua esposa com quem ele se casou na sua juventude. ‘Por breve momento te deixei’ se refere aos setenta anos de cativeiro, onde Ele os puniu por seus pecados e os fez sentir falta da Sua presença até que houvesse arrependimento. O povo que voltou do cativeiro tem a promessa de ser acolhido novamente pelo Senhor e não mais punido. Ele diz ao Seu povo que está se voltando para eles com misericórdia e que não mais os entregará à destruição. Ele os reunirá de todos os lugares para onde foram dispersos. O novo pacto que Ele faz com Seu povo é tão duradouro como o que Ele fez com Noé.

Sião é novamente reedificada e protegida – v. 10-17.
• Is 54: 10-15: “Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o Senhor, que se compadece de ti. Ó tu, aflita, arrojada com a tormenta e desconsolada! [NVI: ‘Ó cidade aflita, açoitada por tempestades e não consolada’] Eis que eu assentarei as tuas pedras com argamassa colorida e te fundarei sobre safiras. Farei os teus baluartes [NVI: ‘escudos’] de rubis, as tuas portas, de carbúnculos e toda a tua muralha, de pedras preciosas. Todos os teus filhos serão ensinados do Senhor [NVI: ‘pelo Senhor’]; e será grande a paz de teus filhos. Serás estabelecida em justiça, longe da opressão, porque já não temerás, e também do espanto [NVI: ‘pavor’], porque não chegará a ti. Eis que poderão suscitar contendas, mas não procederá de mim; quem conspira contra ti cairá diante de ti”.

Ainda que os montes e as colinas fossem sacudidos e removidos de seus lugares, ainda assim a fidelidade do Senhor não seria removida, nem a Sua paz, pois Ele tem compaixão de Sião. Ele reconhece a cidade aflita, açoitada por tempestades e não consolada, mas diz a ela que será reedificada, como se fosse com pedras preciosas, pois um novo espírito Ele está colocando dentro do coração de cada um dos Seus filhos, um espírito de humildade, temor do Senhor e sede de aprender a verdade. Eles serão ensinados pelo Senhor e, por isso, andando no caminho correto, eles sentirão paz. Em relação ao NT, essas pedras coloridas são símbolos de respeito, majestade, realeza, glória, riqueza, algo precioso, ‘enfeites’, isto é, dons espirituais derramados em abundância sobre todos os que experimentaram as tormentas, as destruições, choro e derrota, mas que mantiveram sua fé firme num Deus que não mente e que é capaz de se voltar com misericórdia para os que se arrependem e começam a buscá-lo de todo o coração; também reflete a glória da Nova Jerusalém espiritual (Ap 21: 18-21).

‘Serás estabelecida em justiça, longe da opressão, porque já não temerás, e também do espanto [NVI: ‘pavor’], porque não chegará a ti’ – O povo que voltou do exílio pode ter uma certeza: sua terra será estabelecida pela justiça de Deus, o pavor estará removido para longe dela e não se aproximará mais de Sião. Seus governantes não mais os oprimirão, nem as nações estrangeiras. Alguém poderá até tentar criar uma contenda, ou tentar atacar os judeus, mas não será por obra de Deus ou por Sua vontade. Ele prossegue dizendo que quem conspirar contra eles cairá diante deles porque Deus está com eles para defendê-los.


A volta do exílio na Babilônia


Aqui é clara a promessa do reino Messiânico, pois na área material isso não aconteceu com Israel, nem mesmo com o término da construção do templo e dos muros de Jerusalém, quando houve muitas ameaças de interrupção dessas obras pelos povos que existiam na terra (Ed 3: 3; Ed 4: 4-6; 24; Ed 6: 6-7; 12; Ne 2: 10; 19-20; Ne 4: 1-3; 7-8; 15; Ne 6: 1-3); isso sem contar os impérios que dominaram a nação israelita no Período Intertestamentário. Era uma promessa para um tempo não tão próximo, mas que certamente viria. Deus os estava moldando para receber as realidades espirituais, características da nova dispensação que já estava preparada para eles. Nós podemos ver que a justiça é a característica do reinado do Messias (Is 11: 4-5; Sl 72: 2-4; Ap 19: 11). Com Jesus conosco já não há opressão, nem medo, nem pavor, pois o Seu amor não permite que isso chegue a nós (1 Jo 4: 18). Para suportar a oposição do mundo, por exemplo, a Igreja Primitiva estava muito revestida com o Espírito Santo, que dava aos apóstolos e discípulos, como Pedro, Estevão e Paulo, a coragem para responder a qualquer ameaça humana, seja de reis da Judéia, seja de imperadores ou governadores romanos, seja do Sinédrio.

• Is 54: 16-17: “Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo e que produz a arma para o seu devido fim; também criei o assolador, para destruir. Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás [NVI: ‘você refutará toda língua que a acusar’]; esta é a herança dos servos do Senhor e o seu direito que de mim procede [NVI: ‘e esta é a defesa que faço do nome deles’], diz o Senhor”.

Deus criou todas as coisas, o bem e o mal (Is 45: 7). Foi Ele quem criou o ferreiro para fabricar as espadas e as armas de guerra, mas eles só têm direito de usá-las quando Ele permite ou dá ordem a alguém para destruir. Os soldados estão sob Seu comando, portanto, não podem machucar o povo de Deus sem licença da parte Dele. Assim, Ele mesmo nos dá a defesa, colocando a palavra de poder em nossas línguas para recusar toda acusação e toda afronta contra nós, para condenar à morte toda palavra maldita de ameaça que puder tirar a nossa paz ou tentar destruir com pessimismo ou ostentação de poder ou qualquer outro subterfúgio o que estamos construindo; no caso dos judeus, por exemplo, a cidade de Jerusalém no tempo de Neemias. Deus deu a ele o discernimento necessário para rejeitar as palavras de ameaça, humilhação e chantagem que o inimigo tentou usar para parar a reconstrução dos muros. Neemias rejeitou e condenou tudo aquilo à morte, ou seja, anulou o poder de destruição dessas palavras malignas pela palavra de fé na promessa do Senhor. Da mesma forma, essa promessa é nossa, crentes em Cristo; e Paulo escreve isso nas Suas epístolas quando diz que o Senhor nos deixou as armas defensivas (a armadura de Deus) e as ofensivas (a espada, a palavra), para destruirmos todas as armas do diabo. Em 2 Co 10: 3-6 está escrito: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda a altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão”. E em 2 Co 6: 7 está escrito: “... na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas”.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 2º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

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