Capítulo 46: aqui Ciro é chamado de ‘a ave de rapina’. Isaías profetiza a queda de Babilônia e exalta mais uma vez a majestade de Deus. Conheça o estandarte de Ciro (a águia) e alguns ídolos da Babilônia.


Isaías capítulo 46




Capítulo 46

A queda dos ídolos da Babilônia – v. 1-2.
• Is 46: 1-2: “Bel se encurva, Nebo se abaixa; os ídolos são postos sobre os animais, sobre as bestas [NVI: ‘os seus ídolos são levados por animais de carga’]; as cargas que costumáveis levar são canseira para as bestas já cansadas. Esses deuses juntamente se abaixam e se encurvam, não podem salvar a carga; eles mesmos entram em cativeiro”.

Nestes versículos o profeta fala sobre a posição vergonhosa dos ídolos da Babilônia. Até os animais, que estavam cansados de carregá-los, caíam sob o peso deles; e os próprios deuses não tinham poder de fortalecer os animais. Nem os Babilônios poderiam libertar seus ídolos da destruição, da mesma forma que os ídolos também não podiam libertá-los.

Bel era a principal divindade Babilônica, cuja derrubada é sinônimo do fim da Babilônia e de seu domínio (Jr 50: 2; Jr 51: 44). Bel significa ‘senhor’; comparável ao hebraico, ‘Baal’: ‘senhor, possuidor, marido’. Bel era o senhor das tempestades e outras manifestações naturais ligadas à atmosfera (raio e o trovão). Era um dos deuses da tríade original sumeriana (Bel, Anu e Enki). Anu era o deus do céu. Enki na mitologia suméria, posteriormente conhecido como Ea, em acadiano, era a divindade de artesanato (gašam); travessura; água, água do mar, água do lago (a, aba, ab), inteligência (gestú, literalmente ‘orelha’) e criação (Nudimmud). No segundo milênio AC, Bel passou a se chamar Marduque ou Merodaque, e recebeu o nome adicional de Bel, ou seja, Bel-Marduque. Marduque ou Bel era comparado a Júpiter, dos romanos. Marduque foi considerado o deus supremo porque derrotou a deusa Tiamate (‘o dragão-caos’ dos oceanos).

Bel tem seu nome ligado ao do deus Nabu (Nebo), que era considerado seu filho. Nebo ou Nabu aparece como parte de nomes pessoas (Nabucodonosor e, talvez, Abede-Nego). Seu nome em Babilônico significa: ‘elevação’; por isso, era o deus da erudição e, por conseguinte, da escrita, da astronomia e de todas as ciências. Seu símbolo consistia de uma cunha no alto de um poste, o que significava ou a escrita cuneiforme ou algum instrumento visor empregado na astronomia. Era a principal divindade de Borsipa, cidade a onze quilômetros a sudoeste de Babilônia, mas havia um templo chamado Ezida, ‘Casa do Conhecimento’, que lhe era dedicado em cada uma das cidades maiores da Babilônia e da Assíria.

Os babilônios costumavam inclinar-se para adorá-los; agora eles se inclinavam para os persas vitoriosos. Ciro entrou lá em 16 de outubro de 539 AC, depois de haver sido tomada pelo seu general (seu nome, em grego, era Gobrias; em Persa antigo, Gaubaruva ou Gubaru), e capturou Nabonido. O curso do rio Eufrates foi desviado a montante, e o exército persa passou com a água na altura da coxa de um homem, pois os portões estavam abertos. Os edifícios principais foram poupados, e os templos as imagens que porventura foram destruídas durante a invasão foram reconstruídos mais tarde por decreto real.

Como vimos em Is 45: 3, quando o Senhor fala de tesouros, eles eram muitos, realmente, pois todos os reis da Babilônia que saquearam muitas nações trouxeram esses despojos para o palácio real. Por isso, Nabucodonosor se vangloriava tanto naquilo que tinha, especialmente em sua magnificente cidade. Esses tesouros foram mantidos por muito tempo em lugares secretos, encobertos, onde ninguém tinha acesso a eles, exceto o seu possuidor. Inclusive, os utensílios de ouro e prata do templo de Jerusalém estavam lá. Agora, o Senhor daria a Ciro esses tesouros que estavam tão cuidadosamente guardados para que Ele soubesse que Ele era o Senhor, o Deus de Israel, que o chamava pelo seu nome. Isso significava que nada estava oculto aos olhos de Deus, nem mesmo as riquezas outrora pertencentes aos ímpios e ganhas à custa do sofrimento, da miséria e da morte de muitos povos que os babilônios haviam pilhado.

Também está escrito em Is 45: 13: “Eu, na minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e libertará os meus exilados, não por preço nem por presentes”. Deus confirma Ciro como Seu escolhido, e diz que ele libertará os exilados, incondicionalmente, sem pedir nada em troca, sem requerer dinheiro ou qualquer recompensa por isso. Em outras palavras: como instrumento da justiça de Deus, Ciro faria o que o Senhor tinha ordenado: punir os babilônios e defender a causa dos oprimidos.

Foi muito diferente o comportamento de Ciro ao invadir a Babilônia do comportamento de Nabucodonosor ao invadir Jerusalém ou outras nações. Suas motivações eram outras. Como todos os governantes da Dinastia Aquemênida, ele mostrou sua tolerância para com as diversas religiões e culturas, reconstruindo templos antes destruídos, entre outros benefícios que realizou nas nações conquistadas. A História diz que Ciro não tinha uma religião específica; inclusive diz que, quando ele entrou na Babilônia, consagrou-se rei no templo de Marduque. Mas ele reconheceu a existência do nosso Deus e lhe creditou o sucesso dos seus feitos (2 Cr 36: 23; Ed 1: 1-2).

Então, com respeito a esta queda dos ídolos de Babilônia descrita em Is 46: 1-2, isso diz respeito à sua vergonha em não poder impedir a invasão da cidade pelos persas nem a libertação do povo de Deus. O profeta estava zombando da idolatria babilônica, e a profecia era dirigida para eles, os babilônios. Esses deuses continuariam ali para os ímpios idólatras que quisessem continuar adorando-os. Entretanto, o Senhor entrou lá para salvar Seu povo, que tinha o Deus verdadeiro e não mais deveria se dobrar diante de ídolos. Em outras palavras, Israel estava livre, por isso o profeta mostrava também a eles, israelitas, o ridículo e a inutilidade da idolatria. Como foi dito anteriormente, os templos ou imagens que porventura foram destruídos durante a invasão (Jr 51: 52; 54), foram reconstruídos mais tarde por ordens de Ciro, mesmo porque a política da Dinastia Aquemênida era preservar as religiões e culturas dos outros povos. Ciro matou os representantes do mal que realizavam opressão sobre os indefesos, ou seja, ele matou Belsazar, os príncipes babilônicos, os seus sábios, os seus governantes, os seus vive-reis e os seus valentes (Jr 51: 57), ou seja, os soldados que se opuseram à sua entrada lá e todos os magos e assessores reais. Os combates foram breves, mas muitas pessoas foram mortas (Jr 51: 53-56). Ele também capturou Nabonido, pai de Belsazar.

O amor e a fidelidade de Deus aos judeus – v. 3-4.
• Is 46: 3-4: “Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei”.

O Senhor mostra Seu zelo por Israel e diz que desde que eles foram concebidos Ele os carregou, e até o dia de sua morte Ele os levaria. Isso mostra o cuidado dos pais para com os filhos, da mesma forma que o de um Deus presente sempre na vida daqueles que Ele mesmo escolhe para um grande propósito. E Israel foi escolhido por Deus, através de Abraão, para fazer Seu nome conhecido na terra. Deus os levou através das suas tribulações como nação e continuaria a levá-los durante o cativeiro e a sua libertação dele, pois Seus projetos eram de paz e salvação para eles. Ao contrário dos ídolos, que eram carregados, Deus carregava Seu povo. O Senhor fala que Ele os gerou, os alimentou e os preservou até aqui.

Ídolos não se comparam a Deus – v. 5-8.
• Is 46: 5-8: “A quem me comparareis para que eu lhe seja igual? E que coisa semelhante confrontareis comigo? Os que gastam o ouro da bolsa e pesam a prata nas balanças assalariam o ourives para que faça um deus e diante deste se prostram e se inclinam [NVI: ‘contratam um ourives para transformar isso num deus, inclinam-se e o adoram’]. Sobre os ombros o tomam, levam-no e o põem no seu lugar, e aí ele fica; do seu lugar não se move; recorrem a ele, mas nenhuma resposta ele dá e a ninguém livra da sua tribulação. Lembrai-vos disto e tende ânimo; tomai-o a sério, ó prevaricadores [NVI: ‘Lembrem-se disto, gravem-no na mente, acolham no íntimo, ó rebeldes’]”.

Mais uma vez o Senhor desafia os idólatras com a pergunta que já havia feito antes: quem se compararia com Ele, ou quem eles o comparariam? Com seus ídolos de prata, que não podem sequer se mexer do seu lugar e que não tem resposta para dar a ninguém? Ídolos que não podem livrar ninguém dos seus problemas? Deus fala de uma maneira mais dura com os rebeldes e diz que seria bom se eles levassem a sério o que Ele diz para que, depois que a desgraça vier, eles se lembrem de que foram avisados.

A palavra de Deus prevalece; Ele chama Ciro; Sua justiça está próxima – v. 9-13.
• Is 46: 9-13: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho [NVI: ‘um homem para cumprir o meu propósito’]. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei. Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça. Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a minha glória [NVI: ‘Concederei salvação a Sião, meu esplendor a Israel’]”.

Nestes versículos Deus mostra que a incredulidade do homem não pode abolir Sua promessa. O que Ele disse vai acontecer porque Ele mesmo fará acontecer. Seu propósito permanecerá em pé, e Ele fará tudo o que lhe agrada; ninguém o impedirá. Ele lembra o Seu povo que desde os tempos mais antigos Ele já existia, e desde aqueles tempos Ele revelou Seus mistérios e Seus propósitos ao homem. Nenhum outro Deus foi capaz disso.

Ciro nesta profecia não tem o seu nome revelado, mas o Senhor o chama de ‘a ave de rapina’. Ciro era chamado ‘pássaro’ por sua rapidez, e ‘voraz’ por sua ferocidade e vitória sobre seus inimigos (uma ave de rapina, como a águia). Ele era rápido em cima do seu cavalo, sendo comparado a esta ave. Como relata Plutarco (Historiador e filósofo grego – 46-120 DC), Ciro tinha um nariz aquilino; portanto, os homens que têm tal nariz, entre os persas, são altamente estimados. Segundo Plutarco, Ciro (Kūruš, em persa antigo) é a palavra persa para ‘sol’. Xenofonte dizia que o estandarte de Ciro era uma águia dourada no alto de uma lança alta, e que foi mantido pelos reis da Pérsia. Xenofonte foi um historiador grego, escritor e líder militar e discípulo de Sócrates, e que viveu por volta de 430-354 AC. Ele foi contemporâneo de Artaxerxes II, um dos sucessores de Ciro como rei da Pérsia. Artaxerxes II viveu entre 436 e 358 AC e reinou no período de 404-358 AC.


O estandarte de Ciro
O estandarte de Ciro, mais tarde adotado pela Dinastia Aquemênida (fonte: wikipedia.org)


Levando em conta o texto bíblico de Isaías, Ciro pode ser comparado a um pássaro pela sua rapidez em vir no tempo indicado por Deus. Ele veio do oriente como o sol nascente da justiça, sendo chamado para executar a vontade do Senhor. A obra da redenção de Israel estava de acordo com o eterno propósito de Deus, profetizada por todos os santos profetas, e agora cumprida. E a justiça e salvação divinas são mencionadas nos versículos 12 e 13: “Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça. Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a minha glória” (Is 46: 12-13).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 2º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

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