Capítulo 34: profecia sobre a punição de Edom (Bozra, sua capital), símbolo dos inimigos de Israel. Edom foi conquitado por Tiglate-Pileser III (736 AC) e pela Babilônia (581 AC). As figuras de linguagem mostram o horror da calamidade, abolindo cargos e deixando desolação ali.


Isaías capítulo 34




Capítulo 34

A indignação de Deus contra as nações – v. 1-10.
• Is 34: 1-10 (cf. Is 63: 1-6; Jr 49: 7-22; Ez 25: 12-14; Ez 35: 1-15; Am 1: 11-12; Ob 1-14; Ml 1: 2-5): “Chegai-vos, nações, para ouvir, e vós, povos, escutai; ouça a terra e a sua plenitude, o mundo e tudo quanto produz [NVI: o mundo e tudo o que dele procede!]. Porque a indignação do Senhor está contra todas as nações, e o seu furor, contra todo o exército delas; ele as destinou para a destruição e as entregou à matança. Os seus mortos serão lançados fora, dos seus cadáveres subirá o mau cheiro, e do sangue deles os montes se inundarão. Todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira. Porque a minha espada se embriagou nos céus; eis que, para exercer juízo, desce sobre Edom e sobre o povo que destinei para a destruição [NVI: ‘Quando minha espada embriagar-se nos céus, saibam que ela descerá para julgar Edom, povo que condenei à destruição’]. A espada do Senhor está cheia de sangue, engrossada da gordura e do sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; porque o Senhor tem sacrifício em Bozra [NVI: ‘Pois o Senhor exige sacrifício em Bozra’] e grande matança na terra de Edom. Os bois selvagens cairão com eles, e os novilhos, com os touros; a sua terra se embriagará de sangue, e o seu pó se tornará fértil com a gordura. Porque será o dia da vingança do Senhor, ano de retribuições pela causa de Sião [NVI: ‘um ano de retribuição, para defender a causa de Sião’]. Os ribeiros de Edom se transformarão em piche, e o seu pó, em enxofre; a sua terra se tornará em piche ardente. Nem de noite nem de dia se apagará; subirá para sempre a sua fumaça; de geração em geração será assolada, e para todo o sempre ninguém passará por ela”.

Essa profecia de Isaías 34 parece complementar a que foi falada em Is 21: 11-12, sobre Dumá, e que na verdade, se referia a Edom. Dumá (hebraico transliterado: ‘Duwmah’) é o nome usado de maneira figurada para uma terra semi-árida mais próxima (Edom ou Seir). Dumá fica ao norte da Arábia, entre a Palestina e o sul da Babilônia. Seus habitantes são descendentes de Ismael (Gn 25: 14; 1 Cr 1: 30). Nota da NVI – Dumá significa ‘silêncio’, ‘quietude’; é um trocadilho com a palavra Edom.

As inscrições assírias mostram que Edom se tornou estado vassalo da Assíria em 736 AC no reinado de Tiglate-Pileser III (745-727 AC). A Babilônia o conquistou mais tarde, e os outros profetas também profetizaram sobre isso. Edom foi destruído cinco anos depois do cativeiro de Judá por Nabucodonosor, ou seja, em 581 AC. Depois, caiu nas mãos dos persas (539 AC) e no séc. III AC foi dominado pelos Nabateus (árabes), que acabaram por empurrar os habitantes de Edom para o sul da Judéia, e que mais tarde, foi chamado Iduméia. Judas Macabeu os subjugou (séc. II AC) e João Hircano I (séc. II-I AC) os obrigou a circuncidar-se para poderem ser incorporados pelo povo judeu. Herodes, o grande, descendia dos Edomitas. Fica um pouco difícil localizar temporalmente a profecia neste trecho bíblico. Da mesma forma que no capítulo 21, não se sabe a que opressor o profeta se referia, se Assíria ou Babilônia.


Edom, Dumá e Temá
Bozra, Edom, Dumá, Temá

Bozra ou Botsra, Botzrah, Bozrah (em hebraico: הרצב, botsrâh) foi a capital do povo de Edom, e cujo rei foi Jobabe (Gn 36: 33; 1 Cr 1: 44). Esaú ou Edom (Gn 36: 19) foi o irmão de Jacó, e habitou em Seir, uma montanha que antes pertencia a Seir, o horeu (Gn 36: 8-9; Gn 36: 20); por isso, Edom é freqüentemente chamado de Seir. Bozra significa ‘curral de ovelhas’ ou ‘aprisco de ovelhas’, indicando que era uma cidade de pastores no sudeste do Mar Morto, na terra de Edom. Hoje ela é uma pequena cidade da Jordânia no estado de Tafilah, chamada de Buseirah. Josafá, rei de Judá, venceu na terra de Edom, os moradores do monte Seir, Moabe e os filhos de Amom (2 Cr 20: 22) com a ajuda do Senhor, pois ao colocar os levitas adiante do exército, esses povos acabaram por guerrear entre si e mataram-se uns aos outros. Os profetas Amós e Jeremias predisseram a destruição de Bozra (capital de Edom), que pode ser por Nabucodonosor em 581 AC ou pelos persas em 539 AC. O povo de Edom definitivamente foi destruído por Tito em 70 DC.


Ruínas de Bozra
Ruínas de Bozra

Os povos de Edom, Moabe e Amom (correspondente à atual Jordânia) não estarão sob o domínio do Anticristo, o que nos faz pensar que o Senhor separará um lugar de refúgio para o Seu povo (Dn 11: 41: ‘Entrará [O profeta está se referindo ao anticristo] também na terra gloriosa [Israel], e muitos sucumbirão, mas do seu poder escaparão estes: Edom, e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom’), assim como o Monte Sião será também demarcado (Obadias 17; Ap 14: 1). A Bozra antiga no passado ficou deserta, a Bozra futura e a terra de Edom serão símbolo da paz entre as nações no tempo da segunda vinda de Jesus.

Edom está colocado aqui em Isaías 34 como o símbolo de todos os inimigos de Deus, como o símbolo de todas as nações que pecaram contra Ele, mas também tem relação com a destruição de sua própria terra, se compararmos com a profecia de Obadias (Ob 1-14).

Portanto, Is 34: 1-10 retrata a destruição planejada por Deus contra a terra de Edom e contra os inimigos de Israel, aqui representados por ela: “Todo o exército dos céus se dissolverá [NVI: ‘as estrelas dos céus serão todas dissolvidas’], e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira. Porque a minha espada se embriagou nos céus; eis que, para exercer juízo, desce sobre Edom e sobre o povo que destinei para a destruição! [NVI: ‘Quando minha espada embriagar-se nos céus, saibam que ela descerá para julgar Edom, povo que condenei à destruição’]” (Is 34: 4-5).

Essa figura de linguagem é usada para expressar o horror desta calamidade, como se os próprios céus, o sol, a lua e as estrelas fossem afetados por ela (cf. Isaías 13: 10). Os céus serão enrolados como um rolo. Quando um rolo (livro) era enrolado, ninguém poderia ler mais nada dele; ou seja, Deus não tinha mais nada dizer ou revelar sobre aquele assunto. A descrição acima pode significar a total remoção e abolição de todas as dignidades e cargos, supremos e subordinados, civis e eclesiásticos, em toda a jurisdição de uma nação. As estrelas representam os príncipes e magistrados, conselheiros e representantes importantes do governo. A expressão ‘exército dos céus’ não apenas representa as hostes celestiais de Deus, mas os exércitos de nações às quais Ele dirige esta palavra de julgamento. ‘Sua espada está embriagada’ significa a palavra decretada por Ele mesmo, pronta a agir com ira (embriagada com o Seu furor). A mesma metáfora é usada em Apocalipse quando se trata de descrever as calamidades de Deus contra as forças das trevas e a arrogância e soberba dos homens. Esta era um tipo de linguagem muito entendida pelos judeus; por isso, o apóstolo João (séc. I DC) fez uso dela para descrever os eventos apocalípticos. Não significa nenhuma profecia apocalíptica da parte de Isaías, pois, a princípio, ele é considerado um profeta messiânico, não apocalíptico. Os profetas subseqüentes usaram suas citações em suas próprias profecias sobre o final dos tempos para descrever com mais exatidão a vontade de Deus.

• Is 34: 6-7: “A espada do Senhor está cheia de sangue, engrossada da gordura e do sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; porque o Senhor tem sacrifício em Bozra [NVI: ‘Pois o Senhor exige sacrifício em Bozra’] e grande matança na terra de Edom. Os bois selvagens cairão com eles, e os novilhos, com os touros; a sua terra se embriagará de sangue, e o seu pó se tornará fértil com a gordura”.

Por cordeiros, bodes e carneiros, bois, novilhos e touros ele dá a entender as pessoas de todas as classes e condições, altas e baixas, ricas e pobres, jovens e velhos que serão destruídas como um sacrifício a Deus e transformadas em cinzas.

Se nos lembrarmos dos sacrifícios do AT, podemos ver que (com exceção das ofertas pacíficas e das ofertas de manjares), o holocausto, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa eram feitos com os animais citados acima. Vamos resumir:

Holocausto (Lv 1: 1-17) – usava boi, cordeiro ou ave do sexo masculino (rola ou pombinho para o pobre). Era totalmente consumido, e o animal devia ser sem defeito. Sua finalidade era um ato voluntário de adoração e expiação de pecado por ignorância, ou uma forma de manifestação de devoção, de compromisso e de completa submissão a Deus.
Oferta pelo pecado (Lv 4; Lv 5; Lv 6; Lv 16: 1-34) – usava o novilho (no caso do sumo sacerdote e da congregação); o bode (no caso do príncipe, ou seja, do governante); a cabra ou cordeiro (no caso de pessoas do povo); e a rola ou pombinho (no caso do pobre). Usava ainda a décima parte de uma efa de flor de farinha no caso do muito pobre (Efa: medida de capacidade, uma unidade básica que equivalia a 17,62 litros). Sua finalidade era a expiação obrigatória para determinados pecados por ignorância, a confissão de pecado e o seu perdão e a purificação da mácula.
Oferta pela culpa (Lv 7: 1-10) – usava o carneiro ou cordeiro. Sua finalidade era expiação obrigatória pelos pecados por ignorância que exigissem restituição (mais 20% de multa), e a purificação de máculas.

• A palavra original traduzida por ignorância significa: vaguear, como uma ovelha que se desgarra do rebanho. Refere-se ao pecado oriundo da fraqueza do caráter humano, não de uma rebelião mal-disfarçada ou de um mal premeditado. Associamos a culpa à intenção, mas os antigos a associavam aos seus efeitos.

• Em Lv 3: 14-16; Lv 4: 8-9; Lv 7: 3-5; Lv 9: 10, o Senhor ordenava que fossem separados a gordura, os rins e o redenho do fígado para serem queimados sobre o altar. Estas partes não eram queimadas junto com o resto do animal. A gordura do animal na oferta pela culpa eram queimadas separadamente sobre o altar para haver expiação.

• Em Lv 22: 17-33 a bíblia diz que a oferta deve ser sem defeito. Não eram aceitos animais defeituosos, portanto, a oferta diante do Senhor deveria ser com o que eles tinham de melhor, com as primícias, não com o que sobrava, com os restos. O v. 19 diz: “Para que seja aceitável, oferecerá macho sem defeito”.

Isso nos faz entender o que dissemos sobre todas as pessoas acima: de todas as classes e condições, altas e baixas, ricas e pobres, jovens e velhos, reis, príncipes, sacerdotes e súditos. E a continuação da explicação disso está no versículo seguinte:

• Is 34: 8: “Porque será o dia da vingança do Senhor, ano de retribuições pela causa de Sião [NVI: ‘um ano de retribuição, para defender a causa de Sião’]”. Isso significa o tratamento divino com Edom por causa de sua soberba, arrogância e demais comportamentos errados em relação ao povo de Israel, apesar de serem povos aparentados, mas que continuaria mesmo depois deste evento como uma rixa que só poderia ser desfeita pelo próprio Deus (em relação à sua invasão pela Babilônia, por exemplo).

• Is 34: 9-10: “Os ribeiros de Edom se transformarão em piche, e o seu pó, em enxofre; a sua terra se tornará em piche ardente. Nem de noite nem de dia se apagará; subirá para sempre a sua fumaça; de geração em geração será assolada, e para todo o sempre ninguém passará por ela”.

Edom seria tratado como Sodoma e Gomorra (Gn 19: 24), e isso seria lembrado pelas gerações seguintes. Cada império que se seguiu completou a vingança de Deus sobre Edom até purificar aquela terra (por exemplo, se nos lembrarmos da citação do profeta Daniel – Dn 11: 41, o que nos fala sobre uma regeneração da parte do Senhor sobre aquele povo).

Sua terra completamente desolada – v. 11-15.
• Is 34: 11-15: “Mas o pelicano e o ouriço (um mamífero com pêlos espinhosos nas costas e nas laterais do corpo) a possuirão [NVI: ‘A coruja-do-deserto e a coruja estridente a possuirão’]; o bufo [NVI: ‘o corujão’] e o corvo habitarão nela [NVI: ‘farão nela os seus ninhos’]. Estender-se-á sobre ela o cordel de destruição e o prumo de ruína [NVI: ‘Deus estenderá sobre Edom o caos como linha de medir, e a desolação como fio de prumo’]. Já não haverá nobres para proclamarem um rei; os seus príncipes já não existem. Nos seus palácios, crescerão espinhos, e urtigas e cardos [NVI: ‘sarças’], nas suas fortalezas; será uma habitação de chacais e morada de avestruzes [NVI: ‘corujas’]. As feras do deserto se encontrarão com as hienas, e os sátiros [NVI: ‘bodes selvagens’] clamarão uns para os outros; fantasmas [NVI: ‘as criaturas noturnas’] ali pousarão e acharão para si lugar de repouso. Aninhar-se-á ali a coruja, e porá os seus ovos, e os chocará, e na sombra abrigará os seus filhotes; também ali os abutres se ajuntarão, um com o outro [NVI: ‘os falcões também se ajuntarão ali, cada um com o seu par’]”.

Esses versículos descrevem criaturas que geralmente habitam em lugares desertos e desolados. Por ‘fantasmas’, que a NVI traduz como ‘as criaturas noturnas’, nós entendemos ‘morcegos’ e ‘corujas’, animais noturnos. Independente da tradução bíblica que foi dada aos outros animais, esse é um retrato do estado de desolação da terra de Edom após a invasão do inimigo como um instrumento de punição de Deus em relação a um povo pecaminoso, irreverente e duro de coração e que se deleitava na idolatria. Se sobrassem ainda alguns nobres ali, eles não teriam nada que pudessem chamar ‘reino’. Seus líderes e subordinados mais próximos desapareceriam, não mais existiriam. A linha de medir (régua) e o fio de prumo, muito usados em outros escritos proféticos, simbolizam o juízo de Deus e, algumas vezes, a Sua disposição de reconstruir (Zc 1: 16). Aqui, muito provavelmente, seria para marcar a destruição de Edom; para marcar o que seria derrubado.

A palavra de Deus não voltará vazia, mas se cumprirá – v. 16-17.
• Is 34: 16-17: “Buscai no livro do Senhor e lede: Nenhuma destas criaturas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a boca do Senhor o ordenou, e o seu Espírito mesmo as ajuntará. Porque ele lançou as sortes a favor delas, e a sua mão lhes repartiu a terra com o cordel [NVI: ‘Ele designa as porções de cada um; sua mão as distribui por medida’]; para sempre a possuirão, através de gerações habitarão nela”.

As pessoas veriam que a palavra de Deus não voltará vazia, mas se cumprirá na íntegra, exatamente como Ele disse. ‘O seu Espírito mesmo as ajuntará’ – O Espírito Santo é a força executora dos desejos de Deus Pai na terra. Tanto os animais quanto as almas dos homens pertencem a Deus, e Ele as governa (Jó 12: 10). A menção a lançar sortes se refere a repartir a porção da terra a cada uma delas como a Terra Prometida foi dividida entre as tribos por Moisés e Josué, por sortes.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

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