Capítulo 23: Isaías profetiza a queda de Tiro sob Nabucodonosor. Tiro, na Fenícia, era conhecida como ‘filha de Sidom’. Dividia-se em duas partes: a do continente (a ‘Antiga Tiro’ onde estava o porto ‘velho’) e a cidade da ilha (a ‘A Nova Tiro’). Foi sitiada desde o séc. IX AC até o séc. XII DC.


Isaías cap.23 – A queda de Tiro




Capítulo 23

A destruição de Tiro

Tiro é uma antiga cidade fenícia no Líbano na costa do mar Mediterrâneo. Era o principal porto marítimo da costa da Fenícia, distando quase quarenta quilômetros do sul de Sidom e cinqüenta quilômetros do norte do monte Carmelo. Tiro, em hebraico, ‘çôr’; em grego, ‘tyros’, significa ‘rocha’, ‘fortaleza’. Nos tempos do AT, a Fenícia era chamada de Canaã, e seus habitantes, cananeus, que significa ‘comerciantes’. Em grego, a Fenícia é chamada Phoiníkē, Φοινίκη), ‘terra das palmeiras’. Alguns historiadores lhe dão o significado de ‘terra da púrpura’, pois produzia tinta púrpura extraída da concha de um molusco chamado Murex, para tingir as vestes de reis e nobres. Tiro foi fundada em torno de 2750 AC de acordo com Heródoto e foi originalmente construída como uma cidade murada no continente. Na Antiguidade, Tiro estava dividida em duas partes: uma chamada ‘Antiga Tiro’, que ficava no continente (onde estava o porto ‘velho’), e a cidade construída numa pequena e rochosa ilha a cerca de setecentos metros da costa (a ‘A Nova Tiro’). A cidade era banhada pelo rio Litani e dominava a planície circunvizinha, ao norte da qual ficava Sarepta (atual Sarafande). Hoje permanecem antigas ruínas da cidade antiga de Tiro, ao lado da cidade nova, chamada Sur (significa ‘rocha’). Por volta de 1485 AC, Tiro comercializava artigos de luxo com o Egito, além do trigo; por isso, sofreu várias tentativas de ataque por parte dos egípcios.

Por volta de 1200 AC, os filisteus cercaram Sidom, e os seus habitantes fugiram para Tiro, que passou a ser conhecida como ‘filha de Sidom’ (Is 23: 12), pois se supõe que foi habitada pela primeira vez por uma colônia dos sidônios. Com o declínio do Egito, a cidade passou a ser independente, e os seus governantes começaram a dominar a maior parte das cidades costeiras da Fenícia, incluindo o interior do Líbano. O comércio de todo o mundo estava reunido nos armazéns de Tiro. Seus mercadores foram os primeiros a navegar através do Mediterrâneo, fundando colônias na costa e ilhas vizinhas do mar Egeu (Grécia), na costa do norte da África (em Cartago), na Sicília, na Córsega e na península Ibérica. No tempo de Davi e Salomão, Israel manteve boas relações comerciais com Tiro (2 Sm 5: 11; 1 Rs 5: 1; 1 Cr 14: 1) cujo povo era há muito tempo governado pelos seus reis nativos.


Localização de Tiro, no Líbano
Localização de Tiro – Líbano


Foi Hirão I (979-945 AC) que construiu um molhe (um istmo artificial) ligando a ilha ao continente, onde havia o porto principal. Os assírios destruíram esse molhe, provavelmente, em 719 AC, quando a Nova Tiro da ilha foi saqueada. Na ilha, Hirão I construiu um templo a Astarte e Baal-Mercarte. Ajudou a Salomão na construção do porto de Eziom-Geber, no mar Vermelho (Golfo de Aqabah) para facilitar o comércio para o sul. Desta época para frente os tírios se tornaram os grandes comerciantes do Mediterrâneo oriental (Is 23: 8), com grandes habilidades marítimas (Ez 26: 17; Ez 27: 32). Os tírios fabricavam vidro e corante púrpura, como foi dito acima. Um dos sucessores de Hirão I, quase um século mais tarde, foi Etbaal (ou Itobal I – 915-856 AC), cuja filha Jezabel se casou com Acabe (874-853 AC), rei de Israel (1 Rs 16: 31). Na época, era comum os habitantes de Tiro serem chamados sidônios; os sidônios, porém, é que nunca são chamados tírios. Por isso está escrito na bíblia que Etbaal era rei dos sidônios, mas na verdade, ele era rei de Tiro e tinha usurpado o trono do seu antecessor.

Durante dois séculos os assírios subjugaram Tiro. Em 841 AC rei assírio Salmaneser III (859-824 AC) cercou o porto de Tiro, que passou a pagar tributo para os assírios. Foi sitiada por Salmaneser V (727-722 AC), iniciando em 724 AC, mais ou menos na época da queda de Samaria; e em 720 AC a cidade caiu nas mãos de Sargom II (722-705 AC). Passou a pagar impostos para Nínive através de oficiais assírios colocados lá para este fim. Sidom e a Velha Tiro, no continente, logo foram saqueadas em 720 AC; mas a Nova Tiro, na ilha, só caiu em 719 AC. Apesar de tudo, Tiro se voltava para o Egito em busca de ajuda. Os profetas hebreus repreendiam Tiro. Amós os repreendia por terem entregado prisioneiros hebreus aos edomitas (Am 1: 9-10), e Joel (Jl 3: 4-8), por terem vendido prisioneiros hebreus como escravos aos gregos. Isaías, assim como Ezequiel, profetizou sua queda. Tiro caiu sob domínio de Sidom, e quando Senaqueribe (705-681 AC) chegou em 701 AC, seu governante fugiu e morreu no exílio. A fuga livrou a cidade de ser assolada, e um governante assírio foi colocado lá. Os anos que se seguiram com Esar-Hadom (681-669 AC) foram de muita competição pelo domínio da cidade, que veio a cair em 664 AC por mão de Assurbanipal (669-627 AC), levando muitos para o cativeiro. Com a queda da Assíria, Tiro recuperou sua autonomia por um tempo, mas Jeremias profetizou sua queda diante dos babilônios, assim como Ezequiel.

Os babilônios destruíram muitas cidades da costa da Fenícia, e Tiro começou a enfraquecer. Nabucodonosor pôs sítio em Tiro por treze anos (582-569 AC) e, quando ela se rendeu ele colocou juízes para governá-la; mas não conseguiu capturar a cidade insular. Por quase uma década, Tiro lhe pagou tributo.
Em 539 AC Ciro conquistou a cidade para o império persa e ela se manteve sob seu domínio. Os habitantes de Tiro supriram Israel com madeira de cedro para a reconstrução do templo de Jerusalém (Ed 3: 7). Neste momento da História, Tiro era uma cidade arrogante e orgulhosa que confiava em si mesma, achando-se inexpugnável por causa de suas fortalezas; também se vangloriava em suas riquezas e no poder do seu comércio: Zc 9: 3.
Ela fechou os portões para os gregos sob o comando de Alexandre, o Grande, mas depois do cerco de sete meses (333-332 AC) e da construção de um novo molhe (um istmo artificial sobre uma ponte de terra natural) até a fortaleza da ilha, Alexandre a conquistou em 332 AC. Esse molhe existe até hoje e liga o continente à ilha onde estava situada a cidade de Tiro. Ele tem 1 km de comprimento e 2 metros de profundidade. Assim a profecia de Ezequiel (Ez 26-28) foi cumprida plenamente. A grande e arrogante Tiro finalmente tornou-se um lugar para os pescadores secarem as suas redes.

Antígono I Monoftalmo, um dos diádocos de Alexandre voltou a cercá-la em 315-314 AC. Os diádocos (Grego: Διάδοχοι, transliterado: Diadokhoi, ‘sucessores’) ou epígonos (grego: Επίγονοι, transliterado: Epígonoi, ‘filhos’) foram os sucessores de Alexandre, o Grande.
Os selêucidas recuperaram a cidade e depois a área se tornou uma província romana (64 AC). Herodes, o Grande, reconstruiu seu templo principal. At 21: 3-6 mostra que havia cristãos ali no século I DC, pois em Tiro foi fundada uma igreja cristã após a morte de Estevão (isso consta em livros apócrifos); e o apóstolo Paulo ficou ali por sete dias, quando voltava de sua 3ª viagem missionária para passar o Pentecostes em Jerusalém (At 21: 3-6).

Depois, no século X, Tiro foi sitiada pelo Califado Fatímida – sitiou Tiro em 996-998 DC. O Califado Fatímida era uma dinastia Xiita Ismaelita, composta por catorze califas, e que reinou na África do Norte (909-1048 DC) e no Egito (969-1171 DC).
As ruínas que vemos hoje datam do tempo das Cruzadas (as Cruzadas na Terra Santa – 1095-1272, tradicionalmente contadas como nove; a 1ª de 1095-1099 e a 9º de 1271-1272). Junto às ruínas de Tiro, há uma pequena colônia de quase quatorze mil pessoas, e essas velhas ruínas são usadas pelos pescadores para secarem as redes.

Os Cruzados sob Balduíno I de Jerusalém sitiaram Tiro em 1111-1112 DC. Balduíno I de Jerusalém (ou Balduíno de Bolonha; 1058-1118 DC) foi um dos líderes da 1ª Cruzada, o 1º Conde de Edessa (na Turquia; 1098-1100) e o 2º governante de Jerusalém (1100-1118); na verdade, o 1º rei da Cidade Santa.

Depois, os Cruzados Venezianos sitiaram Tiro em 1124 DC.
Assim, Tiro foi uma cidade importante para o Cristianismo até a invasão de Jerusalém pelos turcos muçulmanos, os Aiúbidas, sob Saladino, que sitiaram a cidade em 1187 DC. Os Aiúbidas são uma dinastia muçulmana dos séculos XII-XIII na Síria e no Egito. Criaram o exército mameluco, um exército egípcio formado por escravos curdos (Turcos), comprados entre 14 e 18 anos de idade e treinados para o serviço militar. Saladino (1138-1193) foi um chefe militar curdo muçulmano (religião islâmica sunita, i.e., islamismo tradicional), sultão do Egito e da Síria, que se opôs aos Cruzados europeus no Levante (um termo geográfico que se resume à Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre). Reconquistou Jerusalém das mãos do Reino de Jerusalém, fundado por Godofredo de Bulhão, o antecessor e irmão de Balduíno I de Jerusalém.
Foram feitas algumas escavações arqueológicas na parte sul da ilha no local chamado al-Mina (ou Al Mina, em Árabe, que significa ‘o porto’), e na parte onde o istmo a une ao continente, e que é chamado Al-Bass (a necrópole de Tiro). As imagens do local de escavação Al-Mina colocadas abaixo mostram: Hipódromo romano em Tiro, Teatro retangular, Restos de antigas colunas da suposta ‘palaestra’, em grego: παλαίστρα, a antiga escola grega de luta livre, onde se praticava boxe e luta livre e servia também como ginásio público; e detalhes das colunas – fonte: Wikipédia.


Hipódromo Romano em Tiro Teatro, no sítio arqueológico de al-Mina, em Tiro, Líbano
À esquerda: Hipódromo Romano em Tiro. À direita: Teatro retangular no local de escavação al-Mina

‘Palaestra’, no sítio arqueológico de al-Mina, em Tiro, Líbano Detalhes das colunas da palaestra
À esquerda: Restos de antigas colunas da suposta ‘palaestra’, escola de luta livre. À direita:detalhes das colunas


Resumo dos sítios de Tiro [Governantes / (período de reinado) / período de sítio]:
• Salmaneser III (859-824 AC) – 841 AC
• Salmaneser V (727-722 AC) + Sargom II (722-705 AC) – cerco: 724-720 AC
• Senaqueribe (705-681 AC) – 701 AC
• Esar-Hadom (681-669 AC) – 671 AC,
• Assurbanipal (669-627 AC) – mas a cidade caiu em 664 AC
• Nabucodonosor (605-562 AC) – 582-569 AC, mas não conseguiu capturar a Tiro da ilha (Nova Tiro)
• Alexandre o Grande destruiu a Nova Tiro – 332 AC
• Antígono I Monoftalmo, sucessor de Alexandre – 315-314 AC
• Califado Fatímida – 996-998 DC
• Os Cruzados (Balduíno I de Jerusalém) – 1111-1112 DC
• Cruzados Venezianos – 1124 DC
• Aiúbidas, sob Saladino – 1187 DC


Tiro insular
Esquema do cerco de Tiro por Alexandre, o Grande


Sidom: na bíblia, a palavra ‘sidônios’ é usada como sendo um nome genérico, significando tanto os fenícios quanto os cananeus (Js 13: 6; Jz 18: 7). Sidom ficava na tribo de Aser (Js 19: 28); mas seus habitantes não foram expulsos, e sua a idolatria foi um laço para os israelitas (Js 13: 6; Js 19: 28; Jz 1: 31; Jz 10: 6; 2 Sm 24: 6; 1 Rs 16: 31-32). A cidade de Sidom foi denunciada pelos profetas juntamente com Tiro (Is 23: 1-18; Jr 25: 22; Jr 27: 3; Jr 47: 4; Ez 28: 21-22; Jl 3: 4; Zc 9: 2-4). Jesus visitou os locais próximos de Sidom, ao norte de Nazaré (Mt 15: 21; Mc 7: 24-30); seus habitantes recorreram a Ele (Mc 3: 8; Lc 6: 17). Sidom era abastecida por Israel (At 12: 20) e foi residência de cristãos (At 27: 3).

A destruição de Tiro por seu orgulho – v. 1-14.
• Is 23: 1: “Sentença contra Tiro. Uivai, navios de Társis, porque está assolada, a ponto de não haver nela casa nenhuma, nem ancoradouro. Da terra de Chipre lhes foi isto revelado”.

A cidade de Tiro seria destruída por Nabucodonosor (569 AC) e depois por Alexandre o Grande (332 AC). Essa profecia parece se referir à destruição pelos babilônios, pois insinua que, depois de setenta anos (Is 23: 12), Tiro deveria recuperar algum poder e glória anteriores, antes de sua destruição por Alexandre.
Chipre (Quitim) – este era um lugar eminente para o transporte e comércio, e teve grandes relações com Tiro. Pode ser aqui colocado para todos os outros países que negociaram com ela.

Társis, onde havia uma colônia de Tiro, não tem ainda uma localização certa, podendo se referir a um porto desde o Oceano Índico até Cartago (na África) ou um porto fenício na Espanha.

Eziom-Geber (1 Rs 9: 26) se refere, muito provavelmente, à atual Aqaba ou Ácaba (também chamada Aila), uma cidade costeira do extremo sul da Jordânia, capital da província com o mesmo nome. Este é o único porto marítimo do país, por isso a cidade é de importância estratégica para a Jordânia. A cidade limita com Eilat (Elate, na bíblia, 1 Rs 9: 26), localizada em Israel. Tanto Aqaba quanto Eilat encontram-se no extremo norte do golfo de Aqaba. A cidade de Aqaba foi chamada Aila nos tempos antigos (era uma cidade islâmica medieval, na proximidade de minas de cobre), e que é um nome semítico escrito em fontes históricas de várias maneiras diferentes: Ayla, Ailana, Elana, Haila, Ailath, Elath e Wayla.

• Is 23: 2-3: “Calai-vos, moradores do litoral, vós a quem os mercadores de Sidom enriqueceram, navegando pelo mar. Através das vastas águas, vinha o cereal dos canais do Egito e a ceifa do Nilo, como a tua renda, Tiro, que vieste a ser a feira das nações” [NVI: “Fiquem calados, habitantes das regiões litorâneas, e vocês, mercadores de Sidom, enriquecidos pelos que atravessam o mar e as grandes águas. O trigo de Sior e a colheita do Nilo eram a sua renda, e vocês se tornaram o suprimento das nações”] – Sior (Strong #7883 significa ‘escuro, turvo’; Shichor era uma corrente, um riacho do Egito; Shihor, Sihor).

‘Calai-vos, moradores do litoral’ – fiquem em silêncio, não se gabem mais de sua riqueza e poder, é o que ele quer dizer. Na bíblia, a palavra ‘sidônios’ é usada como sendo um nome genérico, significando tanto os fenícios quanto os cananeus (Js 13: 6; Jz 18: 7).

Por volta de 1485 AC, Tiro comercializava artigos de luxo com o Egito, além do trigo; por isso, sofreu várias tentativas de ataque por parte dos egípcios. Mais ou menos em 1200 AC, os filisteus cercaram Sidom, e os seus habitantes fugiram para Tiro, que passou a ser conhecida como ‘filha de Sidom’ (Is 13: 12). Com o declínio do Egito, a cidade passou a ser independente, e os seus governantes começaram a dominar a maior parte das cidades costeiras da Fenícia, incluindo o interior do Líbano. Tiro era chamada aqui de ‘feira das nações’ ou ‘o suprimento das nações’ por causa do seu grande comércio com inúmeras nações. O comércio de todo o mundo estava reunido nos armazéns de Tiro.

• Is 23: 4: “Envergonha-te, ó Sidom, porque o mar, a fortaleza do mar, fala, dizendo: Não tive dores de parto, não dei à luz, não criei rapazes, nem eduquei donzelas [NVI: ‘filhas’]”.

Sidom era uma grande cidade perto de Tiro, fortemente unida a ela por comércio e chamada por alguns a mãe de Tiro, pois se supõe que esta foi construída e habitada pela primeira vez por uma colônia dos sidônios. ‘O mar’ era aquela parte do mar onde Tiro estava, e de que os navios e os homens foram enviados a todos os países. Tiro era conhecida como ‘a fortaleza do mar’ por causa não apenas da sua força e poder comercial, mas porque defendia essa parte do mar das piratarias e dos invasores que tentassem dominar o continente. Como foi escrito acima, o comércio de todo o mundo estava reunido nos armazéns de Tiro. Seus mercadores foram os primeiros a navegar através do Mediterrâneo, fundando colônias na costa e ilhas vizinhas do mar Egeu (Grécia), na costa do norte de África (em Cartago), na Sicília, na Córsega e na península Ibérica.
‘Não tive dores de parto, não dei à luz, não criei rapazes, nem eduquei donzelas’ quer dizer que Tiro já não era tão fecunda como antes, já não podia fundar colônias e sentia estéril e desolada.

• Is 23: 5-7: “Quando a notícia a respeito de Tiro chegar ao Egito, com ela se angustiarão os homens. Passai a Társis, uivai, moradores do litoral [NVI: ‘das regiões litorâneas’]. É esta, acaso, a vossa cidade que andava exultante, cuja origem data de remotos dias, cujos pés a levaram até longe para estabelecer-se? [NVI: ‘a cidade jubilosa que existe desde tempos muito antigos, cujos pés a levaram a conquistar terras distantes’]”.

O milho e o trigo do Egito que eram abundantes nesta nação supriam outras através do comércio de Tiro; portanto, ficariam sem ser comercializados. E o Egito também sofreria com a queda de Tiro. Por isso, sentiriam angústia.

• Is 23: 8-12: “Quem formou este desígnio contra Tiro, a cidade distribuidora de coroas [NVI: ‘dava coroas’], cujos mercadores são príncipes e cujos negociantes são os mais nobres da terra? [NVI: ‘famosos em toda a terra’] O Senhor dos Exércitos formou este desígnio para denegrir a soberba de toda beleza e envilecer os mais nobres da terra [NVI: ‘orgulho e vaidade e humilhar todos os que têm fama na terra’]. Percorre livremente como o Nilo a tua terra, ó filha de Társis; já não há quem te restrinja [NVI: ‘você não tem mais porto’]. O Senhor estendeu a mão sobre o mar e turbou [NVI: ‘fez tremer’] os reinos; deu ordens contra Canaã [como os hebreus chamavam a Fenícia], para que se destruíssem as suas fortalezas. E disse: Nunca mais exultarás, ó oprimida virgem filha de Sidom; levanta-te, passa a Chipre, mas ainda ali não terás descanso”.

Diz-se que Tiro era distribuidora de coroas porque sempre houve uma grande sucessão de reis nesta cidade; ou, então, porque, servindo a muitas nações, a cidade dava honra a muitos reis de várias nações. Seus mercadores (comerciantes) eram tão conceituados como se fossem príncipes e nobres. Mas o Senhor planejou sua queda para destruir a soberba e a beleza de Tiro, e humilhar seus ‘príncipes’, seus mercadores.

Depois, a bíblia fala: “Percorre livremente como o Nilo a tua terra, ó filha de Társis; já não há quem te restrinja [NVI: ‘você não tem mais porto’]”.
Társis ou Tartessos se desenvolveu na costa sudoeste da Península Ibérica e teve o rio Tartesso como um rio central que dividia o país ao meio. Aqui no versículo 10, o profeta estava se dirigindo a Társis, falando a eles para navegarem pelo seu rio como os egípcios navegavam pelo Nilo, e cultivavam seu cereal, pois os habitantes de Társis não tinham mais o porto de Tiro onde se apoiar. Outras nações poderiam ajudá-los no comércio marítimo. O Senhor fez estremecer os reinos vizinhos e eles poderiam tremer com a queda de Tiro pelo espanto e imprevisto da situação, e porque esta cidade era um baluarte, e um refúgio para eles. Ele já tinha levantado inimigos para destruir suas fortalezas.

‘Nunca mais exultarás, ó oprimida virgem filha de Sidom’ ou ‘Você não se alegrará mais, ó cidade de Sidom, virgem derrotada!’ quer dizer que ela não se alegraria por muito tempo. Quando a calamidade viesse sobre ela, seu tempo de alegria acabaria por um tempo.
Uma das palavras para ‘virgem’, em Hebraico, é bethülâ, mas geralmente vem acompanhada da palavra ‘desposada’, ou da frase: ‘prometida em casamento’ ou ‘a quem nenhum homem havia possuído’ (como em Jl 1: 8 ou Gn 24: 16, a respeito de Rebeca). Aqui neste texto de Isaías (Is 23: 12), a palavra hebraica usada é bethülâ ou bthuwlah – Strong #1330, que significa: separar; uma virgem (de sua privacidade); uma noiva; figurativamente: uma cidade ou estado: jovem senhora, virgem. Segundo a Lei, a virgem era propriedade de seu pai, e quando ela se casava, ele recebia um dote (Êx 22: 16; cinqüenta siclos de prata – Dt 22: 28-29; Gn 29: 15-18). A honra da virgem era protegida contra a maledicência, mas o seu desvio da virtude era severamente castigado (Dt 22: 13-21). A palavra ‘filha’, usada nas Escrituras, pode se referir a uma neta ou descendente; ou é usada quando se refere a cidades.
Tiro é chamada de ‘virgem’ não porque ela não havia sido ainda saqueada ou destruída, ou seja, no sentido de ser violentada ou perder a virgindade; pelo contrário, foi sitiada e saqueada desde o tempo de Sargom II até Nabucodonosor (Ez 26: 7-14), que sitiou a cidade do continente por treze anos (582-569 AC) e, quando ela se rendeu ele colocou juízes para governá-la; mas não conseguiu capturar a cidade insular.
Mas Tiro foi chamada de ‘virgem’ porque perdeu sua força como uma cidade comercial independente, e foi colocada sob ‘tutela’ de ‘pais’, como os assírios e babilônios, como se a vigiassem o tempo todo, com a desculpa de mantê-la ‘pura’, ‘santa’, i.e., protegê-la de ataques de outros povos, ou para evitar que ela, por si mesma, se rebelasse e voltasse a procurar sua independência e sua força.

‘Levanta-te, passa a Chipre, mas ainda ali não terás descanso’ significa que até mesmo suas colônias seriam afetadas, ou seja, seriam tratadas duramente, pois as calamidades as atingiriam: Sicília, Córsega, Cartago e Espanha.

• Is 23: 13-14: “Eis a terra dos caldeus [NVI: ‘babilônios’], povo que até há pouco não era povo e que a Assíria destinara para os sátiros [NVI: ‘as criaturas’] do deserto; povo que levantou suas torres [NVI: ‘torres de vigia’], e arrasou os palácios de Tiro, e os converteu em ruínas. Uivai, navios de Társis, porque é destruída a que era a vossa fortaleza!”

O profeta fala para os moradores de Tiro para olharem os caldeus, por exemplo. Eles nunca tinham sido uma grande nação; antigamente moravam em tendas, foram subjugados pelos assírios por muitos séculos, reunidos em cidades, e até desprezados por eles como se fossem bodes selvagens no deserto, mas assimilaram sua cultura e cresceram; de repente, se tornaram maiores do que a Assíria, estavam conquistando o mundo e, agora, sitiavam Tiro e levantavam suas torres de cerco contra esta cidade tão afamada e, talvez, até mais antiga do que a Babilônia. Se os babilônios derrubaram os fortes assírios, não poderiam derrubar Tiro?

Tiro ficará também em esquecimento por setenta anos – v. 15-17.
• Is 23: 15-17: “Naquele dia Tiro será posta em esquecimento por setenta anos, segundo os dias de um rei [NVI: ‘o tempo da vida de um rei’]; mas no fim dos setenta anos dar-se-á com Tiro o que consta na canção da meretriz: Toma a harpa, rodeia a cidade, ó meretriz, entregue ao esquecimento [NVI: ‘ó prostituta esquecida’]; canta bem, toca, multiplica as tuas canções, para que se recordem de ti. Findos os setenta anos, o Senhor atentará [NVI: ‘se lembrará’] para Tiro, e ela tornará ao salário da sua impureza e se prostituirá com todos os reinos da terra [NVI: ‘Esta voltará ao seu ofício de prostituta e servirá a todos os reinos que há na face da terra’]”.

O Senhor vai arruinar Tiro, infalivelmente. ‘Naquele dia Tiro será posta em esquecimento por setenta anos’ ou ‘Naquele tempo Tiro será esquecida por setenta anos’, ou seja, durante o tempo do cativeiro dos judeus na Babilônia. Nabucodonosor pôs sítio em Tiro (no continente) por treze anos (582-569 AC) e, quando ela se rendeu ele colocou juízes para governá-la. Por quase uma década, Tiro lhe pagou tributo. Edom, Moabe, Amom, Tiro e Sidom (Jr 27: 3; 8; Ez 26: 7-14) seriam súditos de Nabucodonosor. Assim, sem muitas nações para realizar independentemente o seu comércio, ou seja, como muitas nações passaram a ser súditos da Babilônia, Tiro seria posta em esquecimento.

‘Segundo os dias de um rei’ ou ‘o tempo da vida de um rei’ pode dizer respeito a Davi, por exemplo, que sempre foi um exemplo para Israel, e que viveu setenta anos. Por isso, Isaías usou esta expressão. Mesmo porque a bíblia fala ‘segundo os dias de um rei’ ou ‘o tempo da vida de um rei’, não ‘de uma dinastia’.

Depois dos setenta anos, Tiro voltará a se prostituir com seus ídolos e retomará o seu comércio. Ela retornará gradualmente ao seu antigo ofício, pelo qual ela facilmente atrairá os comerciantes do mundo para negociar com ela, como as meretrizes fazem para seduzir os homens com cânticos lascivos. Tiro foi restaurada pelo favor dos monarcas persas após o retorno dos judeus, e voltou a se prostituir com seus ídolos e retomou o seu comércio.

Tiro conhecerá a palavra de Deus – v. 18.
• Is 23: 18: “O ganho e o salário de sua impureza [NVI: ‘o seu lucro e a sua renda’] serão dedicados [NVI: ‘separados’] ao Senhor; não serão entesourados, nem guardados, mas o seu ganho será para os que habitam perante o Senhor [NVI: ‘irão para os que vivem na presença do Senhor’], para que tenham comida em abundância e vestes finas (cf. Mq 4: 13b)”.

Essa profecia diz que Tiro conhecerá a palavra de Deus. Isso se refere aos tempos do evangelho, nas primeiras eras do Cristianismo (o Sl 45: 12 pode se referir a isso: “A ti virá a filha de Tiro trazendo donativos; os mais ricos do povo te pedirão favores”), quando Tiro ouviu a palavra de Deus não só por Jesus (como foi o caso da mulher Siro-Fenícia), mas também por Seus discípulos e seguidores. É o caso de Estevão, pois uma igreja cristã foi fundada em Tiro após sua morte (segundo livros apócrifos), e de Paulo (At 21: 3-6; At 27: 3), que ficou ali por sete dias, quando voltava de sua 3ª viagem missionária para passar o Pentecostes em Jerusalém. Jesus visitou os locais próximos de Sidom, ao norte de Nazaré (Mt 15: 21; Mc 7: 24-30); seus habitantes recorreram a Ele (Mc 3: 8; Lc 6: 17). Deus, por meio da pregação do evangelho, ainda chamaria Tiro ao arrependimento e seus ganhos malignos e imundos seriam para ajudar liberalmente Seus enviados, seus pregadores, os ministros do Evangelho. O que eles ganhavam através do comércio seria dedicado ao Senhor. A evangelização completa dos tírios, assim como dos etíopes (Isaías 18: 7), dos egípcios e assírios (Isaías 19: 21-25) ainda está por vir (Isaías 60: 5).

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

The book of prophet Isaiah vol. 3

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