Capítulo 21: profecia contra Babilônia, Edom (Dumá) e tribos árabes (Dedã, Temá e Quedar). Ciro viria do deserto da Média e da Pérsia e Elão o ajudaria. Elão é o nome antigo da planície de Cuzistão, na baixa Mesopotâmia, atual Irã. O significado da expressão: ‘Dentro de um ano, tal como o de jornaleiro’ ou ‘Dentro de um ano, e nem um dia mais’ (NVI) ou ‘Como os anos de um mercenário’ (KJV).


Isaías capítulo 21




Capítulo 21

Profecia contra a Babilônia – v. 1-10
• Is 21: 1-10: “Sentença contra o deserto do mar. Como os tufões vêm do Sul, ele virá do deserto, da horrível terra [NVI: ‘Como um vendaval em redemoinhos que varre todo o Neguebe, um invasor vem do deserto, de uma terra pavorosa’]. Dura visão me foi anunciada: o pérfido procede perfidamente, e o destruidor anda destruindo [NVI: ‘traidor fora traído, o saqueador, saqueado’]. Sobe, ó Elão, sitia, ó Média [NVI: ‘Elão, vá à luta! Média, feche o cerco!’]; já fiz cessar todo gemer. Pelo que os meus lombos estão cheios de angústias; dores se apoderaram de mim como as de parturiente; contorço-me de dores e não posso ouvir, desfaleço-me e não posso ver. O meu coração cambaleia, o horror me apavora; a noite que eu desejava se me tornou em tremores. Põe-se a mesa, estendem-se tapetes, come-se e bebe-se [NVI: ‘Eles põem as mesas, estendem a toalha, comem, bebem’]. Levantai-vos, príncipes, untai o escudo. Pois assim me disse o Senhor: Vai, põe o atalaia, e ele que diga o que vir. Quando vir uma tropa de cavaleiros de dois a dois, uma tropa de jumentos e uma tropa de camelos, ele que escute diligentemente com grande atenção. Então, o atalaia gritou como um leão: Senhor, sobre a torre de vigia estou em pé continuamente durante o dia e de guarda me ponho noites inteiras. Eis agora vem uma tropa de homens, cavaleiros de dois a dois. Então, ergueu ele a voz e disse: Caiu, caiu Babilônia; e todas as imagens de escultura dos seus deuses jazem despedaçadas por terra. Oh! Povo meu, debulhado e batido como o trigo da minha eira! O que ouvi do Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, isso vos anunciei”.

A Babilônia estava situada em uma planície (Gênesis 11: 2) e era uma terra muito frutífera. O vocábulo ‘mar’ se refere às águas de Babilônia, por causa da grande abundância de água dos seus rios e lagos. A cidade de Babilônia estava situada junto ao rio Eufrates, que corria através dela e, portanto, era dito que ela habitava sobre muitas águas (Jr 51: 13). O termo ‘o deserto do mar’ pode se referir ao destino que a Babilônia teria, pois, mesmo sendo um lugar fértil e regado por águas, ela se tornaria um deserto pela desolação da guerra que viria contra ela.

‘Como os tufões vêm do Sul’ é escrito na NVI como: ‘Como um vendaval em redemoinhos que varre todo o Neguebe’. O sul aqui se refere à parte sul da Judéia, onde havia muitos e grandes desertos, como o Neguebe, por exemplo. Neguebe (‘seco’) é um deserto bem ao sul de Israel, próximo à península do Sinai e do Mar Mediterrâneo e que só experimenta vida quando as chuvas enchem os leitos dos seus ribeiros secos. Os rios se enchem com as águas, as plantas são regadas e os animais são dessedentados.
Os tufões ou turbilhões do sul vêm de repente, sopram fortemente, carregam tudo diante deles e não há nada que resista a eles. A bíblia diz que, dessa maneira, isto é, com força e poder irresistíveis como os turbilhões do sul, ‘ele’ (se referindo a Ciro e ao seu exército) viria do deserto da Média e da Pérsia até a Babilônia. Havia um grande deserto entre eles e a Caldéia.
‘Da horrível terra’ ou ‘de uma terra pavorosa’ se refere ao reino da Média e da Pérsia, uma terra longínqua, cujo poder e usos e costumes não eram conhecidos de muitos povos; os medos e persas eram muito temidos por todos.

Elão é convocado, juntamente com a Média, a esmagar a Babilônia (Is 21: 2), entretanto, Elão, por sua vez, seria esmagado (Jr 25: 25; Jr 49: 34-39; Ez 32: 24). Elão é o nome antigo da planície de Cuzistão, na baixa Mesopotâmia, no atual Irã, banhada pelos rios Karkheh (ou Karkhen) e Karun (Kārūn), que deságuam no Tigre justamente ao norte do Golfo Pérsico. O Karkheh ou Karkhen é talvez o rio conhecido na bíblia como o Giom, um dos quatro rios do Éden. Outros cientistas acham que o Giom é o próprio rio Karun. Cuzistão ou Khuzistão ou Khuzestão (árabe transliterado, Khūzestān) é hoje uma das províncias ao sudoeste do Irã, fazendo fronteira com o sul do Iraque. A sua capital é Ahvaz. Khuzestan significa ‘a terra dos Khuz’ ou ‘Kuzi’, se referindo aos habitantes originais desta província, o povo ‘Susian’ (em persa antigo, ‘Huza’ ou ‘Huja’; Shushan, em Hebraico). Senaqueribe e Assurbanipal sujeitaram os elamitas e deportaram alguns deles para Samaria, transferindo alguns israelitas para o Elão (Is 11: 11; Ed 4: 9). O Elão foi anexado por um ancestral de Ciro, e Susã acabou por se tornar uma das três principais cidades do império Medo-Persa.

O profeta sente medo e fica perturbado por causa da visão da ruína de Babilônia pelos Medos e Persas. Nem consegue dormir. Então, ele incita os príncipes e soldados a ungirem seu escudo, ou seja, se prepararem para a guerra. Diz também para ser colocada uma sentinela que possa dar a notícia do que está acontecendo. Então, ele ouve a sentinela gritar que Babilônia caiu e todas as imagens de escultura dos seus deuses foram despedaçadas. O profeta fala consigo mesmo, sofrendo pelo seu povo para que o escute: “Povo meu, debulhado e batido como o trigo da minha eira! O que ouvi do Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, isso vos anunciei”.


Localização do Elão
Localização de Elam ou Elão


Profecia contra Edom (ARA – título: Profecia contra Dumá) – v. 11-12
• Is 21: 11-12: “Sentença contra Dumá. Gritam-me de Seir: Guarda, a que hora estamos da noite? Guarda, a que horas? [NVI: ‘quanto ainda falta para acabar a noite’] Respondeu o guarda: Vem a manhã, e também a noite [NVI: ‘Logo chega o dia, mas a noite também vem’]; se quereis perguntar, perguntai; voltai, vinde”.

O profeta entrega a sua profecia na forma de um diálogo entre o povo e o vigia (atalaia). As pessoas vinham até ele muito cedo pela manhã para saber o que aconteceu na noite; e antes do final do dia viriam outra vez para saber se tinha algo de novo, o que mostra um estado de grande perplexidade e medo, inquietação por causa de seus inimigos; eles se preocupavam e corriam de um lado para outro para ter notícias.
Seir é uma montanha habitada pelos edomitas (Gn 36: 8- 9; Gn 36: 20 – Seir, o horeu, habitava naquela terra antes da chegada de Esaú ou Edom); por isso, Edom é freqüentemente chamado de Seir.
Dumá (hebraico transliterado: ‘Duwmah’) é o nome usado de maneira figurada para uma terra semi-árida mais próxima (Edom ou Seir). Dumá fica ao norte da Arábia, entre a Palestina e o sul da Babilônia. Dumá é descendente de Ismael (Gn 25: 14; 1 Cr 1: 30), enquanto Esaú (ou Edom) é descendente de Isaque, filho de Abraão e Sara. Nota da NVI – Dumá significa ‘silêncio’, ‘quietude’; é um trocadilho (em hebraico) com a palavra Edom.

Se a profecia se trata realmente de Edom, precisamos pensar em que ano ela foi entregue e a que opressor o profeta se referia, pois Edom foi conquistado em 736 AC por Tiglate-Pileser III (745-727 AC), conforme as inscrições assírias deste rei, encontradas pelos arqueólogos. Se levarmos em conta a profecia de Malaquias (Ml 1: 2), Edom foi destruído cinco anos depois do cativeiro de Judá pela Babilônia, ou seja, em 581 AC. Fica um pouco difícil localizar temporalmente a profecia neste trecho bíblico.

Profecia contra a Arábia – v. 13-17
• Is 21: 13-15: “Sentença contra a Arábia. Nos bosques da Arábia, passareis a noite, ó caravanas de dedanitas. Traga-se água ao encontro dos sedentos; ó moradores da terra de Tema [NVI: ‘Temá’], levai pão aos fugitivos. Porque fogem de diante das espadas, de diante da espada nua [NVI: ‘desembainhada’], de diante do arco armado e de diante do furor da guerra [NVI: ‘do arco preparado e da crueldade da batalha’]”.

Dedanitas (hebraico transliterado: dedhâniym) se refere a Dedã, neto de Abraão e Quetura (Gn 25: 1-3: “Desposou Abraão outra mulher; chamava-se Quetura. Ela lhe deu à luz a Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá. Jocsã gerou a Seba e a Dedã; os filhos de Dedã foram: Assurim, Letusim e Leumim”). Os dedanitas habitavam no deserto; eram mercadores que se moviam em caravanas com suas mercadorias de um país para outro (Ezequiel 27: 15; 20), mas por causa dos inimigos que se aproximavam, seria melhor que se abrigassem nos bosques para passar a noite. Eles seriam fugitivos.

Assim, o profeta chama os habitantes de Tema (ou Temá), seus compatriotas, que os ajudem, que tragam água e pão para eles na sua na aflição. Tema ou Temá (hebraico transliterado: tẽmã’ ou têymâ’) é o nome do nono filho de Ismael (Gn 25: 15; 1 Cr 1: 30) bem como do distrito onde seus descendentes habitavam (Jó 6: 19). É mencionado, juntamente com Dedã e Buz, um povo de costumes diferentes daqueles dos judeus (Jr 25: 23 – eles cortavam o cabelo nas têmporas), e como um oásis no deserto que ficava dentro da rota comercial que atravessava a Arábia (Is 21: 14).


Edom, Dumá e Temá
Edom, Dumá e Dedã


• Is 21: 16-17: “Porque assim me disse o Senhor: Dentro de um ano, tal como o de jornaleiro [NVI: ‘Dentro de um ano, e nem um dia mais’], toda a glória de Quedar desaparecerá. E o restante do número dos flecheiros, os valentes dos filhos de Quedar, será diminuto, porque assim o disse o Senhor, Deus de Israel”.

‘Dentro de um ano, tal como o de jornaleiro’ ou ‘Dentro de um ano, e nem um dia mais’ ou ‘Como os anos de um mercenário – KJV’ (cf. Is 16: 14) quer dizer um tempo determinado, como tempo de um contrato feito com um trabalhador, mais especificamente com um mercenário, que fica atento ao tempo pelo qual ele está sendo pago por aquele serviço. Quando seu tempo termina, ele exige seu salário ou sua demissão, ou ambos. O tempo deve ser contado a partir da entrega desta profecia. O que sabemos pelos dados históricos nas inscrições assírias é que durante o reinado de Assurbanipal (669-627 AC) houve muitos conflitos com os árabes, inclusive os de Quedar. Jeremias (Jr 49: 28-33) profetizou que Nabucodonosor investiria contra os árabes (ele fala de Quedar), o que ocorreu por volta de 599-598 AC. Quando Isaías fala de um tempo preciso de 1 ano, ele não poderia estar falando de Nabucodonosor, que ainda não havia nascido (645 AC) quando Isaías morreu (681 AC). Também não poderia estar falando de Assurbanipal, pois no seu reinado Isaías já havia morrido, portanto, o período de 1 ano pode ser descartado. Caso, por alguma hipótese, Quedar (na Arábia) tenha caído nas mãos de Tiglate-Pileser III (745-727 AC) como foi Edom (736 AC), a profecia poderia ter sido entregue ainda no início do período profético de Isaías (que começou em 740 AC), no final do reinado de Uzias ou, então, entregue para Jotão (740-732 AC), mas não Acaz (732-716 AC). A última possibilidade que sobra é pensar em Senaqueribe, quando ele invadiu as cidades de Judá (701 AC), e pôde tomar a Arábia em seu caminho. Pensando assim, a profecia teria sido entregue no reinado de Ezequias.

A profecia também diz que toda a glória de Quedar desaparecerá. Quedar, em hebraico, significa ‘obscuro’, ‘negro’ (da pele ou da tenda). Quedar era um dos filhos de Ismael (Gn 25: 13; 1 Cr 1: 29). Esta tribo era composta por outro tipo de árabes, ou seja, eram beduínos que viviam em tendas e apascentavam seus rebanhos; por causa dos animais, eles se moviam de lugar em lugar para o pasto e acampavam onde lhes era mais conveniente. Sua ‘glória’ era seus rebanhos de ovelhas (Is 60: 7), cabras e bodes. Em Ct 1: 5 há uma referência às tendas de Quedar, cujas tendas eram, em geral, feitas de peles de bodes negros. O Sl 120: 5 também faz menção a esta tribo. Além dos seus rebanhos, essa tribo nômade era dotada de habilidosos arqueiros, por isso o versículo 17 diz: “E o restante do número dos flecheiros, os valentes dos filhos de Quedar, será diminuto, porque assim o disse o Senhor, Deus de Israel”. Um exército destruidor seria trazido sobre eles, e os tornaria uma presa fácil. Nem a habilidade dos arqueiros, nem a coragem dos seus guerreiros poderiam protegê-los do julgamento de Deus.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

• Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
• Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com

Sugestão para download:

tabela de profetas AT

Tabela dos profetas (PDF)

Table about the prophets (PDF)


livro evangélico: Profeta, o mensageiro de Deus

Profeta, o mensageiro de Deus

Prophet, the messenger of God


Este texto se encontra no 1º volume do livro:


livro evangélico: O livro do profeta Isaías

O livro do profeta Isaías vol. 1

O livro do profeta Isaías vol. 2

O livro do profeta Isaías vol. 3

The book of prophet Isaiah vol. 1

The book of prophet Isaiah vol. 2

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