Ap 6: 1-17 faz parte da 2ª seção paralela (Cap. 4-7) e relata a abertura dos seis primeiros selos pelo Cordeiro: os quatro cavalos (branco, vermelho, preto e amarelo), as almas dos mártires debaixo do altar e o sexto selo, quando os poderes do céu são abalados.


O livro de Apocalipse – capítulo 6




Segunda seção – Capítulos 4 –7

Nessa 2ª seção do livro de Apocalipse, João relata as visões do trono de Deus, dos quatro seres viventes e dos vinte e quatro anciãos, a visão do livro selado com sete selos e a do Cordeiro (Ap 4: 1-11 – Ap 5: 1-14), a visão dos glorificados e dos cento e quarenta e quatro mil selados de Israel (Ap 7: 1-17), após as quais lemos acerca dos sete selos (Ap 6: 1-17; Ap 8: 1). Entre o sexto e o sétimo selo há um espaço de tempo, um período de preparação e prelúdio (Ap 7: 1-17 – Ap 8: 1) para as sete trombetas e uma visão se segue a cada uma delas (Ap 8: 2-13 – Ap 9: 1-21; Ap 11: 15-19).

Selos significam: problemas, sofrimento, perseguição, representam o mundo perseguindo a igreja.

O sétimo selo, composto pelos julgamentos prefigurados nas sete trombetas há de ser o mais importante; em outras palavras: as trombetas podem ser vistas como subdivisões do sétimo selo. Mas, antes das trombetas começarem a tocar há um período de silêncio no céu (Ap 8: 1) de meia hora. Não apenas a multidão e os anjos ficam em silêncio, mas Deus também espera para ouvir o clamor do Seu povo (o incensário atirado à terra – Ap 8: 3-5). Há silêncio e súplicas em expectativa ao juízo de Deus ao mundo que perseguiu a igreja. Os céus estão atônitos e em silêncio por causa da gravidade e solenidade.

Capítulo 6

Agora, a bíblia relata a abertura dos seis primeiros selos pelo Cordeiro: os quatro cavalos (branco, vermelho, preto e amarelo), as almas dos mártires debaixo do altar, clamando ao Senhor que vingue o sangue dos Seus servos, que morreram por causa do testemunho da Palavra, mas são orientados a esperar um pouco mais, até que o número dos seus irmãos esteja completo. Por fim, o sexto selo, quando os poderes do céu são abalados e Deus envia Seus juízos aos ímpios.

• Ap 6: 1-2: “Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos e ouvi um dos quatro seres viventes dizendo, como se fosse voz de trovão: Vem! Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer”.

O primeiro selo é o cavalo branco, montado por um cavaleiro vestido de branco e que saiu vencendo e para vencer. Branco significa vitória, justiça e conquista; pureza, santidade e redenção. Assim, é uma referência a Jesus (cf. Ap 19: 11), que veio como justo e conquistador. Jesus vai à frente abrindo os selos. É o único que veio vencendo e para vencer.


O cavalo branco – Ap 6:1-2


• Ap 6: 3-4: “Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizendo: Vem! E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada”.

O segundo selo é o cavalo vermelho, e ao seu cavaleiro foi dada uma grande espada e a autoridade de tirar a paz da terra através da guerra. Portanto, o vermelho simboliza guerra. Certos historiadores (os da linha preterista do Apocalipse) ligam este selo a Trajano e Adriano, que perseguiram muitos cristãos. Mas no século XX, Nazistas (com Adolf Hitler), Fascistas (com Benito Mussolini) e Islâmicos radicais exterminaram muito povo de Deus.


O cavalo vermelho – Ap 6:3-4


• Ap 6: 5-6: “Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizendo: Vem! Então, vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão. E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho”.

O terceiro selo significa a escassez de alimento e a fome, luto e pesar, e é representado pelo cavalo preto com uma balança na mão. Por conseqüência, também significa a injustiça, o fruto do egoísmo. ‘Um litro de trigo por um denário’ corresponde ao salário de um dia de trabalho, mostrando os preços exorbitantes no período de escassez e fome. A fome é um produto da guerra.

O azeite e o vinho referem-se à oliveira e à videira, que não sofrem tanto na seca como os cereais. Isso poderia significar que essa escassez não se referia aos supérfluos, como azeite e vinho, que as pessoas podiam passar sem, mas às necessidades da vida (trigo e cevada, com que se faz o pão). Enquanto alguns passam fome, outros usufruem o melhor no tempo de fome por interesses econômicos.

Os teólogos da linha preterista do Apocalipse dizem que isso poderia ter ocorrido no tempo de Septímio Severo (193-211) e outros da Crise do Terceiro Século (235-284), que compreende quase 50 anos de guerras civis, pandemias, invasão estrangeira e um colapso na economia, quando o império Romano foi governado por imperadores soldados.


O cavalo preto – Ap 6:5-6


• Ap 6: 7-8: “Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizendo: Vem! E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra”.

O quarto selo, cavalo amarelo, significa ‘Morte’ (Ap 6: 8), pois o amarelo (em inglês, na NRSV, ‘verde pálido’) é a cor pálida de um cadáver, e Deus poderia usar várias maneiras para isso (cf. Jr 15: 3 – espada; cães; aves dos céus; feras do campo; Ez 5: 12: peste, espada, exílio). O inferno vem atrás da morte. A morte derruba e o inferno recolhe os mortos. Por isso, este selo representaria a morte por doenças, peste (‘mortandade’ – Ap 6: 8), espada, fome, animais selvagens e outros tipos de calamidades enviadas por Deus como uma forma de executar Seu juízo contra o pecado e todos os inimigos do Seu povo; como alguns encaram o tipo de morte de certos imperadores romanos como uma vingança de Deus ao que eles fizeram aos cristãos (que foram mortos por animais selvagens nas arenas romanas), por exemplo, mas muitos imperadores morreram de mortes violentas, até pelo que fizeram contra o próprio povo romano. E a bíblia escreve sobre a quarta parte da terra, ou seja, Deus ainda está usando Sua misericórdia, deixando vidas intactas. Certos historiadores ligam este selo a César Caio Júlio Vero Maximino Augusto, conhecido como Maximino Trácio ou Maximino I (235-238 DC).

Durante várias eras da humanidade houve pandemias graves como varíola (165–180); varíola ou sarampo (250–271); peste bubônica – século VI; peste negra (peste bubônica por volta de 1300-1351); tifo durante as Cruzadas (1489 e 1542), em 1812 na época de Napoleão e na 2ª guerra mundial; cólera (4 vezes entre 1829–1875); gripe (três vezes entre 1729-1733; 1580; 1889-1892); gripe espanhola (1918-1920), que iniciou logo após o fim da 1ª guerra mundial e desapareceu em 18 meses; Coronavírus, a mais recente que iniciou na China em 2019.

Em todos os selos, há um clamor por parte dos homens.


O cavalo amarelo – Ap 6:7-8


• Ap 6: 9-11: “Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram”.

O quinto selo mostra no céu as almas dos mártires que foram mortos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Cristo, pois grande foi a perseguição aos cristãos, razão pela qual João foi exilado para Patmos (Ap 1: 9). Essas almas são orientadas a descansar no Senhor por um tempo. Certos historiadores ligam este selo a Diocleciano, pois foi no seu reinado que houve a grande perseguição.

As almas estão debaixo do altar porque o sangue dos sacrifícios era derramado na base do altar no templo (Êx 29: 12), ou seja, o fato de João ver as almas debaixo do altar pode ser uma alusão ao sangue dos sacrifícios de ofertas queimadas, ou seja, os holocaustos que eram feitos no altar de bronze do templo.


Ap 6: 9-11


John Wesley explica a primeira parte do versículo como sendo os mártires mortos sob a Roma pagã, e os seguintes, os mártires mortos sob a Roma Papal.

Mas os mártires estão impacientes e pedem ao Senhor para vingar o sangue deles e julgar os ímpios (Ap 5: 10). Eles pedem a vindicação da glória de Deus. Então o Senhor diz que essa vingança não será cumprida completamente até que se realize a derrota da grande meretriz (Ap 19: 2). Muitos outros ainda morreriam pela sua fé em Cristo.

Uma vez que o livro é separado por seções, onde novas revelações são dadas às visões anteriores, poderíamos dizer que as almas dos decapitados (Ap 20: 4) também estavam entre aquelas debaixo do altar ou das que ainda seriam acrescentadas. Como aconteceu com o Império Romano no tempo de Trajano (Ap 3: 10) acontecerá no final dos tempos com a Besta, no período da Grande Tribulação, um tempo terrível de perseguição para quem crer no evangelho e permanecer fiel a Deus e sua Palavra (cf. Ap 7: 13-14; Ap 13: 15; Ap 14: 1-5; Ap 18: 24).

• Ap 6: 12-17: “Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar. Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?”

O sexto selo fala que dos sinais nos céus, ou seja, a estrutura do universo é abalada. O universo foge daquele que está no trono e julga tudo e todos. Portanto, é uma cena dramática da segunda vinda de Cristo (cf. Mt 24: 29-31) e do juízo final, onde não há mais oportunidade para os pecadores, a graça de Deus se fechou. João está tocando no mesmo assunto. A partir do versículo 15, todas as classes sociais e econômicas (“Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre”) sofrerão esse juízo e se escondem por medo da ira do Cordeiro (“porque chegou o grande Dia da ira deles; quem é que pode suster-se?”).


Ap 6: 12-17


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Fontes de pesquisa:
• O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995.
• Rev. Hernandes Dias Lopes – Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (‘Estudo em Apocalipse’ – pregações online).
• Wikipedia.org
• Fonte para a maioria das imagens: wikipedia.org; Filme: ‘O Apocalipse’ (‘The Apocalypse’) – Coleção: A Bíblia Sagrada.

Este texto se encontra no livro:


O livro de Apocalipse – livro evangélico

O livro de Apocalipse

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