Ap 19: 1-21: os céus se alegram com a queda da Babilônia. Jesus volta visivelmente para a batalha do Armagedom, montado em Seu cavalo branco e seguido pelo seu séquito para estabelecer Seu reino absoluto. A besta e o falso profeta são derrotados.


O livro de Apocalipse – capítulo 19




Sexta seção – Capítulos 17 –19

Essa seção fala sobre a queda da besta (o Anticristo), do falso profeta e da Babilônia (Ap 17: 1 – Ap 18: 1-24), e do júbilo no céu por causa da sua queda (Ap 19: 1-10). A Grande Babilônia é o sistema mundial anticristão e a igreja apóstata. Todo o sistema político, empresarial e comercial entra em falência, pois se sustentavam de Babilônia. Por último, cairá o dragão (cap. 20 – próxima seção). Cristo volta visivelmente para a batalha do Armagedom, a batalha final, montado em Seu cavalo branco e seguido pelo seu séquito (Ap 19: 11-21) para estabelecer Seu reino absoluto.

Capítulo 19

Ap 19: 1-10 – mostra a queda dos inimigos de Deus e como os céus reagem à queda da Babilônia.
Ap 19: 11-21 – vem a derrota da besta e do falso profeta. Jesus volta visivelmente para a batalha do Armagedom, a última batalha, montado em Seu cavalo branco e seguido pelo seu séquito.

• Ap 19: 1-6: “Depois destas coisas [a ruína completa de Babilônia], ouvi no céu uma como grande voz de numerosa multidão, dizendo: Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande meretriz que corrompia a terra com a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. Segunda vez disseram: Aleluia! E a sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos. Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus, que se acha sentado no trono, dizendo: Amém! Aleluia! Saiu uma voz do trono, exclamando: Dai louvores ao nosso Deus, todos os seus servos, os que o temeis, os pequenos e os grandes. Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como de fortes trovões, dizendo: Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso”.

Nos v.1-6 João ouve a voz de uma multidão em júbilo no céu pela queda da Babilônia. Todos exaltam o poder de Deus e o Seu justo juízo sobre o mal e vingando Seus servos. Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes também se prostram e adoram a Deus.


Ap 19: 1-6


• v.7-8: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”.

Em Ap 19: 7-8: A multidão declara o reinado soberano do Senhor e se alegra com a chegada das bodas do Cordeiro.
A noiva (a Igreja de Cristo) é exaltada. Ela recebe uma vestimenta de linho finíssimo, resplandecente e puro mostrando, assim, que é imaculada, pura, santa e sem defeito, porque o linho fino, resplandecente e puro são os atos de justiça dos santos. Podemos notar que a roupa não é dela mesma, mas lhe é dada; isso significa que a obra de santificação vem de Deus, não de nós. As bodas do Cordeiro simbolizam a união figurada de Cristo com Sua esposa, Sua igreja, os remidos, os que foram comprados pelo Seu sangue.

Fazendo uma analogia com o casamento judaico da Antiguidade (que você pode ler no próximo parágrafo), Jesus pagou o dote da noiva na cruz (foi ‘o noivado’). E entre a 1ª e a 2ª vinda é o ‘intervalo de espera’. A ‘consumação’ das bodas é na 2ª vinda de Cristo. A noiva de Cristo são os filhos da luz.

O casamento judaico na época de João

Vamos interromper o estudo um pouco para falar como era o casamento judaico na época de João. Ele tinha algumas etapas importantes:

1) Noivado

Os noivos assumiam um compromisso público diante da família. Geralmente, os pais do jovem escolhiam uma esposa para ele (Hagar e Ismael – Gn 21: 21; Judá e Er – Gn 38: 6). Às vezes, o jovem fazia escolha e seus pais, as negociações (Siquém – Gn 34: 4,8 e Sansão – Jz 14; 2). Raramente um jovem se casava contra a vontade dos pais (Esaú – Gn 26: 34-35). Algumas vezes a jovem era interrogada se consentia no seu casamento (Rebeca – Gn 24: 58). Ocasionalmente, os pais da jovem escolhiam um jovem apropriado para ser seu marido (Noemi e Rute – Rt 3: 1-2; Saul e Mical – 1 Sm 18: 21). Nessa fase, o acordo já era como o acordo de fidelidade de um casamento. Eles eram considerados marido e mulher, só não tinham permissão para terem relações sexuais. E esse prazo de espera durava geralmente por um ano.

Nessa etapa inicial do noivado havia uma troca de presentes. Eles podiam ser de três formas:
1. môhar (traduzido como ‘dote de casamento’), como aconteceu com Diná (Gn 34: 12; Êx 22: 17 – para uma vigem seduzida) e Mical (1 Sm 18: 25).
O môhar pode ser considerado no caso de Rebeca (Gn 24: 53 – jóias de ouro, prata, vestidos, presentes à sua mãe e seu irmão), Jacó e Raquel (Gn 29: 18 – os sete anos de trabalho).
Poderia ser considerado como um presente de compensação dado pelo noivo à família da noiva, selando o pacto entre as duas famílias.

2. O dote: era um presente dado à noiva ou ao noivo pelo pai da noiva, e que às vezes consistia de servos (como foi com Rebeca: Gn 24: 59 e 61; Lia: Gn 29: 24; Raquel: Gn 24: 29) ou de terras (Acsa – Jz 1: 15; a filha de Faraó, esposa de Salomão – 1 Rs 9: 16) ou de outra propriedade qualquer.

3. O presente do noivo à noiva algumas vezes consistia de jóias e vestes como com Rebeca (Gn 24: 53). Nos dias atuais, no Oriente Próximo, as contribuições de cada família são fixadas num contrato escrito de noivado (Índia, Indonésia, alguns países da África e Oriente Médio).

2) Intervalo

Cada um ficava na sua casa por um ano para se preparar para as bodas. Eles se viam, mas se guardavam puros sexualmente. Nesse tempo, preparava-se a casa nova, o vestido, a festa e muitos outros detalhes, mas, em especial, o preparo interior para a nova vida. ‘O amigo do noivo’ (Jo 3: 29) ou ‘companheiro de honra’ (Jz 14: 20; Jz 15: 2) i.e., o padrinho do noivo (em hebraico: shôshebhïn), agia como agente do noivo, que fazia os arranjos para o casamento, e desempenhava papel importante nas festividades do matrimônio (‘mestre-sala’ – Jo 2: 8-9), no que também era auxiliado pelos atendentes do noivo, os quais são referidos em Mc 2: 19 e Mt 9: 15 como ‘os convidados para o casamento’, em nossa versão portuguesa (ARA) ou ‘os convidados do noivo’ (NVI).

3) Procissão para a casa da noiva

Depois de terminado o prazo de noivado de um ano, o noivo ia com seus amigos para a casa da noiva, que já estava pronta e esperando. Às vezes a ceia era realizada lá na casa da noiva: Gn 29: 22; Jz 14: 10; Mt 25: 1-13. Mas usualmente a festa era efetuada na casa do noivo (Mt 22: 1-10; Jo 2: 9).

4) Procissão para a casa do noivo

O noivo e seus amigos a levavam para a casa do noivo – lá se fazia festa (Sl 45: 14-15; Mt 22: 1-14; Jo 2: 9). A procissão podia ser acompanhada por cânticos, música e danças (Sl 45: 15; Jr 31: 4) e por lâmpadas se a festa fosse à noite (Mt 25: 7). Usualmente a festa era efetuada na casa do noivo (Mt 22: 1-14; Jo 2: 9) e freqüentemente à noite (Mt 22: 13; Mt 25: 6). Muitos parentes e amigos se faziam presentes; por isso é que o vinho poderia ocasionalmente faltar (Jo 2: 3). Um mestre-sala ou amigo supervisionava a festa (Jo 2: 9-10).

Os hóspedes usavam roupas festivas (Mt 22: 11-12).
Os pais e amigos abençoavam o casal e desejavam-lhes felicidades (Gn 24: 60; Rt 4: 11).
Um contrato de casamento era apresentado por escrito pelo pai da noiva, ou seja, o pacto de fidelidade (Ez 16: 8; Ml 2: 14).

Uma câmara nupcial era especialmente preparada. O nome hebraico para esse aposento é huppâ (Sl 19: 5; Jl 2: 16; chuppah – Strong #2646: um dossel, câmara; na ARA traduzida como ‘aposento’), originalmente um pavilhão ou tenda, enquanto que no grego o vocábulo é nymphõn (Mc 2: 19; numphón, νυμφών – Strong #3567: câmara nupcial). A palavra huppâ (Chupá ou Khupá; pronuncia-se rupá) ainda é usada entre os judeus hoje em dia para indicar o pavilhão sob o qual o noivo e a noiva se assentam ou ficam de pé durante a cerimônia.

5) A consumação

O casamento se consumava: a noiva e o noivo eram escoltados até este aposento, freqüentemente pelos pais (Gn 29: 23) ou pelos convidados (Mt 9: 15). Antes de se ajuntarem (em hebraico, a expressão é ‘conhecer’), proferia-se a oração pelo marido e para mulher. A prova da virgindade – Um pano ou uma camisola manchada de sangue era exibido como prova da virgindade da noiva (Dt 22: 13-15). Esse costume continua em alguns lugares do Oriente Próximo.

As festividades do casamento continuavam durante uma semana (Jacó e Lia: Gn 29: 27; Sansão: Jz 14: 12). Tinha muita música (Sl 45: 7; 15; Sl 78: 63) e brincadeiras como o enigma apresentado por Sansão (Jz 14: 12-18). As festas de casamento tinham bastante música e danças. Era comum os hóspedes observarem a noiva, o centro da atenção, dançando nas celebrações.

O casamento judaico nos dias de hoje

Um casamento judaico é realizado exclusivamente entre noivos judeus, de preferência nascidos judeus (filhos de mãe judia). Não é permitido o casamento entre judeus com não judeus; por outro lado, existe a possibilidade de conversão, desde que a vontade de se tornar judeu seja genuína e não apenas para cumprir as regras do casamento.

Segundo a tradição judaica, no dia do noivado, os noivos assinam um contrato (Shtar Tena‘im, o ‘Documento das Condições’) onde se comprometem a se casar em algum momento futuro e determinam as condições em que ele deverá ser realizado. Após a leitura, as mães do casal quebram um prato de porcelana, simbolizando a irreversibilidade do compromisso. O tenaim é assinado pelos noivos e duas testemunhas. As testemunhas precisam ser homens adultos, judeus e não devem ser parentes entre si (nem por sangue ou agregados, como cunhados) ou dos noivos. Geralmente o tenaim é feito com antecedência, mas também pode ser feito antes da chupá, onde são lidos e assinados.

O casamento judaico não precisa ser necessariamente realizado em uma sinagoga, nem precisa ser realizado por um líder religioso, mas que seja realizado por alguém muito próximo ou um familiar mais velho e sábio. É um pouco diferente nas congregações ortodoxas e principalmente em Israel, onde é o rabino que celebra a cerimônia.

Huppâ ou Chupá ou Khupá (pronuncia-se rupá) é a tenda sob a qual se realiza o casamento judaico, símbolo do novo lar do casal; ela é aberta por todos os lados, representando a hospitalidade incondicional aos amigos e parentes, além de ser geralmente montada ao ar livre como sinal de bênção divina. Dentro da Chupá ficam os noivos, os familiares, os amigos mais próximos e o realizador da cerimônia. Os homens usam o Talit e depois guardam o que foi usado pelos noivos.

Os convidados se sentam separadamente, homens de um lado e mulheres de outro, mas este costume tem mudado ultimamente em algumas comunidades.

O vestido da noiva tem que ser de cor branca; não pode ter decote e deve ter mangas longas, de preferência (Hoje em dia já é permitido usar mangas curtas). O buquê de flores fica ao seu gosto. Não se costuma usar jóias, tanto o noivo quanto a noiva.

A aliança precisa ser feita de ouro, fina e simples, sem pedras; só tem a gravação do nome do cônjuge e a data. A aliança é colocada no dedo indicador da mão da noiva (se ela for destra, na mão direita e se ela for canhota, na esquerda).

Antes de se dirigir para a Chupá, o noivo veste o seu manto branco, o Kitel, para fazê-lo se lembrar da sua mortalidade, de que seu casamento é duradouro e de Deus.

O pai da noiva a leva com o rosto descoberto, mas antes de entrar na Chupá, o noivo a cobre com o véu. A noiva dá sete voltas na Chupá, conduzida pela mãe e pela sogra, como lembrança dos sete dias da criação do mundo. Ela também presenteia o noivo com um Talit (o xale de oração que os homens usam), que deve ser usado pela primeira vez na cerimônia de casamento.


Khupá ou Chupá

Uma Chupá ou Khupá de um casamento ao ar livre


No dia do casamento, eles assinam a Ketubá (Kethübhâh, conforme a Mishná ensina), o contrato que define as responsabilidades do esposo com a esposa como, por exemplo, direitos conjugais, manutenção e provisão da casa. Assim como no contrato de noivado, a Ketubá é assinada na presença de duas testemunhas, dois homens judeus, para assegurar que a tradição judaica legal seja seguida.

Durante a cerimônia de casamento na Chupá e na festa são utilizadas duas taças de vinho e os noivos sempre tomam a bebida na mesma taça, simbolizando que vão partilhar totalmente a sua vida. Depois de beber o vinho, os judeus não ortodoxos pronunciam um curto voto de casamento hebreu. Os judeus ortodoxos não o fazem. Eles quebram com os pés as duas taças de vinho, como represália à destruição do templo de Jerusalém.

Em Israel, só é possível ter casamento religioso. Somente os rabinos ortodoxos fazem as celebrações, pois até mesmo judeus que não são ortodoxos têm dificuldades para o casamento; se forem provenientes de outros países e não forem filhos de mães judias também são recusados. Por isso, muitos casamentos mistos entre árabes e judeus, por exemplo, ou entre judeus e pessoas de outras religiões, acabam sendo realizados no civil em Chipre. Em outros países do Ocidente, a comunidade judaica é ainda dividida quanto a essa questão, mas judeus podem se casar no civil, conforme as leis dos países onde moram.

Em Israel, a Ortodoxia judaica tem completo monopólio sobre a legislação conjugal. Até há pouco tempo não havia casamento civil, mas recentemente foi feito um acordo entre o ministro da Justiça israelense e o líder ortodoxo judeu permitindo que casais que não são considerados judeus pela lei ortodoxa judaica se unam em um casamento civil, e que será realizado num tribunal.

Alambamento

Vamos falar de algumas curiosidades sobre noivado e casamento.

Quanto ao môhar (traduzido como ‘dote de casamento’), mencionado anteriormente, há uma curiosidade interessante sobre uma prática semelhante em alguns países da África e Indonésia (Timor-Leste) nos dias de hoje. Não sei se você já ouviu falar do ‘alambamento’, uma cerimônia tradicional, especialmente na cultura de Angola e Guiné-Bissau, por exemplo. Na África do Sul e Moçambique é chamado lobola ou lobolo. Embora a maioria dos Angolanos ainda pratique esta tradição, em algumas famílias ela já está entrando em desuso. Na Índia, esse tipo de dote é chamado de durgavat.

Alambamento é um neologismo da língua portuguesa criado pelos angolanos para designar a palavra original ‘ovilombo’ (pedido de casamento) em umbundu; ovilombo vem do verbo umbundu ‘okulomba’ (‘pedir’).

O alambamento ou ‘pedido’ para eles é uma tradição que chega a ser mais importante do que o casamento civil ou religioso, quando o namorado pede a mão da namorada à família dela, mais propriamente ao tio, que tem um papel fundamental para a concretização do casamento, mais do que o próprio pai da noiva. O papel dos tios é tanto ou mais importante do que o dos pais, pois os tios são também responsáveis pela educação da noiva.

Em algumas famílias e países, ‘alambamento’ é sinônimo de ‘casamento tradicional africano’. Também é muito comum celebrar o casamento logo depois do pedido, por isso os termos se fundem.

Quando um rapaz e uma moça namoram e decidem se casar, há certas etapas a cumprir. Pode haver diferenças nas etapas do alambamento de região para região. Também é comum que as famílias adaptem a cerimônia. As etapas são:

1) A apresentação: o homem se apresenta formalmente à família da noiva (tios, avós, irmãos e primos) através de uma carta que ele entrega a um dos tios da mulher com quem ele pretende casar. Nessa carta ele explica sua intenção de unir-se em matrimônio.
2) Em seguida, o tio marca a data do alambamento (uma lista de itens que o pretendente precisa conseguir até o dia do pedido oficial da mão da namorada). Quem prepara a lista é o tio da futura noiva depois que o homem entrega uma carta ao tio. É como se fosse um dote, e é composto de alimentos e até dinheiro.

Os pedidos realizados pelos tios das noivas são, em geral, sempre os mesmos:
• Dinheiro (em dólar): 300, 400, 500 USD, depende do que o tio estipular.
• Sumos de algumas árvores e frutas, geralmente, ‘o vinho de palma’, também chamado ‘mandijevo’ (em Angola) ou ‘toddy’, que é uma bebida alcoólica obtida a partir da fermentação da seiva de várias espécies de palmeiras como a Palmyra e coqueiros. A fermentação é rápida pode durar até cinco dias; quanto mais fermenta, maior será a taxa de álcool. Em certos países de África, ‘o vinho de palma’ ou ‘mandijevo’ é a principal bebida consumida em atividades culturais, algumas festas tradicionais (alambamento, por exemplo), reunião de anciãos de uma aldeia ou reunião das autoridades e nos julgamentos tradicionais. No Timor-Leste (parte oriental da ilha de Timor, no Sudeste Asiático, ligando-o à Indonésia a oeste, e ao sul à Austrália) também se faz a extração de seiva de palmeira para confecção de vinho de palma. Há outros frutos de plantas pertencentes ao gênero Cola.
• Cerveja: em muitas famílias, as grades (fardos) da bebida devem ser empilhadas e atingirem a altura da noiva.
• Vinho.
• Coca-Cola.
• Itens afetivos: fotos de membros da família e outros.
• Tecidos.
• Fatos (roupas típicas): um fato para o tio e uns sapatos para a mãe, ou um jogo completo de roupa para a mãe e para o pai.
• Animais: cabrito, bois, touros, galináceos.
Todos esses itens são oferecidos pelo noivo à família da noiva para fazer face às despesas do banquete.
Se a namorada estiver grávida, a lista é maior. As famílias também podem personalizar os pedidos.

3) Quando os itens da lista estão reunidos, o casal se reúne com a família da noiva, fazem-se as apresentações. O tio dá início à leitura do pedido apresentado pelo noivo. As duas famílias decidem se os candidatos podem se casar. A decisão deve ser unânime. Os itens solicitados são verificados sem a presença dos noivos.
4) Se o pedido for aceito, então, o noivo entrega a aliança à futura esposa.
5) A família da noiva e o noivo comemoram o acontecimento (o noivado) e se acerta a data do casamento. O noivo só pode entrar se a tia da noiva estender uma espécie de tapete (de tecido tipicamente africano). Pode parecer uma gentileza da família para a qual ele vai entrar, porém, ele precisa dar uma gorjeta para a tia da noiva. Depois dessa etapa, a mulher entra acompanhada da tia, como é tradicional. A partir deste dia, se tudo correr bem, o casal de namorados é considerado como marido e mulher.

Algumas pessoas fazem o casamento e o alambamento no mesmo dia e com muita festa, e ela pode durar alguns dias. Em alguns países da África, a família vem de todas as partes para este acontecimento.

Geralmente a noiva faz dois vestidos, um para a cerimônia do alambamento e outro para o casamento. Embora o vestido de casamento possa ser um fato, uma roupa típica do país, a maioria das noivas escolhe o branco. O homem se veste com uma camisa social, terno e gravata. Antes que a cerimônia comece, a noiva se cobre com um pano. Depois, eles seguem por um tapete verde até o altar, um espaço separado para o casal como uma Chupá (Khupá) judaica.

Algum tempo depois, como foi o acordo entre as partes, a família da noiva a leva à casa que o noivo já preparou para o casal e aí eles podem viver juntos. O casamento civil passa a ser uma escolha à parte, depois dessa união formal tradicional, quando se paga e se assina os documentos na presença de um juiz.

A formalidade de um casamento civil ou religioso é considerada menos importante que o alambamento, embora este não tenha validade legal. Infelizmente, muitos casais optam por não fazer o casamento civil por causa dos custos, porém isso acarreta outro inconveniente, como por exemplo, relações com outras mulheres e, conseqüentemente, uma ou mais famílias.

Embora atualmente não encontre referências a cerimônias espirituais associadas ao alambamento, há um trabalho da Universidade de Coimbra, citando um achado interessante. Em Cabinda (noroeste de Angola), uma região do antigo Reino do Congo, uma tábua esculpida em alto-relevo foi encontrada por missionários católicos (ao que parece datada do século XVIII), a qual se encontra atualmente no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Além da tábua com desenhos em alto-relevo foi também encontrada a caixa nkobe-bingu, a divindade protetora da família. O desenho mostra a origem da tradição na cultura dos cabindas e sugere a dificuldade de acordo entre as famílias dos noivos quanto ao alambamento, tentando negociar e selar o tradicional contrato de matrimônio.

A expressão ‘nkobe-bingu’ pode ser traduzida literalmente como ‘a caixa do bingu’, onde estão representados todos os deuses tutelares da família. No bingu há restos mortais do corpo dos antepassados mais ilustres e que eram consultados pelo chefe da família (o ‘mfumu kanda’) para resolver as disputas familiares e manter a harmonia, e isso ele fazia através de um Nganga-Mbingo (‘operador espiritual’ ou adivinho). Cada família tinha o seu adivinho, e ele se encarregava de celebrar as cerimônias do bingu e por zelar pelos preceitos estabelecidos, inclusive em relação ao casamento; guardava a caixa do nkobe-bingu, objeto privativo de cada família, em lugar especial. No nkobe-bingu não apenas estava uma parte dos restos mortais dos antepassados (unhas, cabelos, etc.), mas também outros itens como giz ou cal, argila vermelha, o fruto e folhas ou polpa de certas plantas, sementes, búzios, pedras e até tecidos. Pela importância dessa caixa e de sua responsabilidade de fazer respeitar as imposições concernentes ao casamento, daí se explica a sua representação na tábua em alto-relevo que foi encontrada.

Como a prática de consultar os antepassados foi testificada ainda hoje na área rural de Moçambique para o lobolo, é bem provável que nos nossos dias ainda se encontre algumas práticas parecidas em relação ao alambamento. Não se sabe com certeza quando ela começou, mas há registros desde o século XVI, ou de antes da colonização portuguesa na África.

Neste mesmo trabalho da Universidade de Coimbra se encontra o seguinte comentário: “Há situações em que o lobolo, fonte de rendimento para os pais das raparigas, não se destina apenas a obter uma mulher para casamento, podendo ser reservado à aquisição de uma jovem para ser iniciada nos mistérios da possessão espiritual” [fonte: Martins, M. do R. A. R., & Tavares, A. C. P. (2017). Singularidades museológicas de uma tábua com esculturas em diálogo: do alambamento ao casamento em Cabinda (Angola). Anais Do Museu Paulista: História E Cultura Material, 25(2), 83-115.https://doi.org/10.1590/1982-02672017v25n02d04].

Lobolo

Na África do Sul e Moçambique há uma prática semelhante ao alambamento, chamada lobola ou lobolo. Ele tem umas particularidades que podem ser seguidas ainda em Angola com o alambamento, em relação à parte espiritual, que faz parte da tradição deles desde antes da colonização portuguesa. Os vínculos espirituais no contexto rural do lobolo são muito mais evidentes do que no contexto urbano, quando se procura a comunicação entre os vivos e os seus antepassados mortos. O costume segue praticamente as mesmas etapas do alambamento, apenas com nomes diferentes. O encontro dos parentes e amigos próximos do noivo na casa da namorada se chama hikombela-mati (‘pedir água’), que é quando se leva os presentes iniciais e se faz a apresentação das famílias e os familiares da noiva entregam a lista de exigências (carta de lobolo) para a realização da cerimônia. Quando o noivo consegue todos os itens, ele os leva para a família da noiva. Os itens solicitados são verificados sem a presença do noivo. A noiva é chamada para avaliar os presentes e ouvir o pedido de casamento. Então se realiza a cerimônia do lobolo. Após o lobolo, o noivo se torna mukon’wana (genro). A última etapa se chama xigiyane, em que os presentes da noiva são levados por seus familiares para sua nova casa.

Geralmente, bem antes da cerimônia de lobolo ocorre o kuphalha, quando se realiza um culto de invocação dos antepassados e se dialoga com eles para que o lobolo ocorra bem. Quem geralmente dirige esse culto são os vinyamusoro (curandeiros). Os bantus ou bantos (subgrupos étnicos da África subsaariana) acham que a harmonia entre o casal e entre as famílias ocorre por meio da ligação com os espíritos dos antepassados e com o cumprimento de suas exigências. Para eles, após esse momento os antepassados estarão com o casal para sempre. Se tudo estiver de acordo com esses vínculos e exigências haverá bênçãos e prosperidade nessa nova família [fonte: Rhuann Fernandes – “lobolo – ritual de casamento moçambicano”] –
https://mundonegro.inf.br/lobolo-ritual-de-casamento-mocambicano-e-tema-de-livro-de-sociologo-brasileiro/

Jesus já pagou o dote

Por que coloquei tudo isso? Para reforçar a analogia do casamento e das tradições com Ap 19: 7-8, quando a multidão declara o reinado soberano do Senhor e se alegra com a chegada das bodas do Cordeiro, a união de Cristo com Sua igreja, Sua noiva, todos os que foram comprados pelo Seu sangue.

Jesus pagou o dote da noiva na cruz; Ele pagou o preço que Satanás exigia da humanidade por causa do pecado do homem, que começou no Éden. Ele pagou o preço exorbitante pelas vidas de todos os seres humanos que O reconhecem como Senhor e Salvador. Estamos vivendo um tempo de espera, quando somos preparados como noiva, limpando nossas vestes para recebê-lo. Não permitamos que o pecado e as mentiras de Satanás nos enganem e nos roubem esse status de noiva do Cordeiro. A consumação das bodas será na Sua segunda vinda.

Voltando ao texto sobre Apocalipse:
• Ap 19: 9: “Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus”.
No v. 9 o anjo diz a João que são bem-aventurados os que são chamados às bodas e confirma a veracidade das palavras de Deus.

• Ap 19: 10: “Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”.
Diante de tanta majestade e de visões e revelações tão grandes para um ser humano ver, ele se prostra para adorar o anjo (cf. Ap 22: 8-9). Em primeiro lugar, o anjo deixou claro quem é o único que deve ser adorado: Deus. Ele, o anjo, é apenas um servo de Deus e instruído por Ele para nos servir. Depois, ele lembra João que deve manter o testemunho de Jesus, pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia. Isso quer dizer que ele deveria manter o testemunho sobre Jesus (Ap 1: 2; 9), pois a profecia bíblica expressa ou depende da obra de Cristo e sua proclamação (1 Pe 1: 10-12).


Ap 19:10


• Ap 19: 11-21 – após a queda da Babilônia, vem a derrota da besta e do falso profeta. O céu está aberto para Jesus descer. Ele volta visivelmente para a batalha do Armagedom, a última batalha, montado em Seu cavalo branco e seguido pelo seu séquito para estabelecer seu reino absolutamente.

Aqui podemos notar as características dele:
— v.11: “Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça” – Ele é fiel e verdadeiro e faz justiça.
— v.12: “Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo”.
‘Seus olhos são chama de fogo’ – transmite a idéia do Seu poder de julgar as nações e que Ele a tudo perscruta.
‘Na sua cabeça, há muitos diademas’ – Diademas são coroas de vitória, de triunfo. Isso mostra o Seu domínio e poderio; Ele veio vencendo e para vencer.
‘Tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo’ – ou seja, Ele é insondável. Ninguém o conhece totalmente, Ele está além da compreensão humana.
— v.13: “Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus” – Isso quer dizer que Ele é a palavra de Deus em ação, Aquele que criou todas as coisas e hoje julga o mal.
— v.14: “e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro” – os exércitos que estão no céu são Seus seguidores e vêm montados em cavalos brancos e suas vestiduras são de linho finíssimo, branco e puro. Isso diz respeito aos anjos e às almas dos remidos que estão no céu, desde Abel e que voltam para buscar seu corpo glorificado (cf. Ap 17: 14). Por isso, Paulo escreveu em 1 Ts 4: 13-18 que os santos virão com Ele em glória; Jesus trará em sua companhia os que dormem. Em 1 Ts 4: 14 está escrito: “Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem”.
— v.15: “Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso” – Neste versículo Ele se mostra como um guerreiro furioso, que rege as nações com cetro de ferro e as fere com a espada afiada que sai da Sua boca para julgar os ímpios. A bíblia diz que pessoalmente Ele pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. O lagar onde uvas esmagadas é uma figura de linguagem de vingança contra os inimigos, por isso, no v. 13 está escrito que Ele está vestido com um manto tinto de sangue. Essa cena é a mesma cena do juízo descrita em Ap 14: 20, como se a nação de Israel inteira fosse coberta de sangue, ou seja, a altura do sangue dos inimigos chegou até os freios dos cavalos numa extensão de 1.600 estádios, que correspondem a trezentos quilômetros de extensão.
— v.16: “Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” – em outras palavras, Seu nome é exaltado.


Ap 19:11-21


— v.17-18: “Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande voz, falando a todas as aves que voam pelo meio do céu: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus, para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos como grandes” – Aqui não se fala da Ceia do Cordeiro com Sua noiva, mas da Ceia de Deus para juízo. A imagem usada para esse ‘banquete’ é a de aves de rapina, convocadas para fazer uma faxina na terra, para comer a carne de reis, comandantes, poderosos, cavalos e seus cavaleiros, de todos, quer livre, quer escravos, tanto pequenos como grandes. Esses são todos os seguidores da besta (cf. Ez 39: 4; 17-20).
— v.19: “E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército” – Deixa mais claro agora que essa multidão que sobe à peleja contra o Cordeiro e Seu exército são a besta e os reis da terra que ela convocou, além do falso profeta, uma batalha já descrita em Ap 17: 14 e Ap 16: 14; 16, onde recebe o nome de Armagedom. Não são quatro batalhas, mas uma só descrita de várias maneiras: Ap 16: 14; 16; Ap 17: 14; Ap 19: 19-21; Ap 20: 7-10.

Não se trata do conhecido lugar geográfico localizado em Israel como muitos pensam, onde tantas batalhas foram travadas no vale de Jezreel, também chamado de Vale de Esdrelom (forma grega do nome Jezreel) ou Megido (Baraque derrotou os cananeus: Jz 4: 13; Jz 5: 21; o exército de Saul acampou antes da batalha de Gilboa: 1 Sm 28: 4; 1 Sm 29: 1; 1 Sm 31: 1; Jorão e Acazias foram assassinados por Jeú: 2 Rs 9: 16; 24; 27; Josias: 2 Rs 23: 29; 2 Cr 35: 22).

Jezreel (yizre’e’el) significa: Deus semeia. É símbolo do juízo final (Oséias 1: 4; 11); também símbolo de fertilidade e favor divino (Oséias 2: 21-23). Outro nome para ele é Armagedom, que vem da palavra latina ‘Har-Magedone’, que significa Monte Megido, e pode se referir também à planície ou vale abaixo da colina de Megido. Megido hoje é uma colina arqueológica (‘tell’ = montículo), com ruínas de antigas cidades de milênios antes de Cristo. Armagedom (em latim, Har-Magedone; em hebraico, Megiddo ou Esdrelon), em grego é Armageddon. Megido significa: lugar de tropas; Armagedom significa: monte de Megido, monte do lugar das multidões.

Nem será uma batalha física com exércitos armados, mas espiritual, quando ‘a espada que sai da boca daquele que estava montado no cavalo’ (Ap 19: 21), ‘o sopro de sua boca’ (2 Ts 2: 8), ‘com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios’ (Is 11: 4), ou seja, a espada da boca do Cordeiro vencerá os inimigos: os reis da terra, o Anticristo e o falso Profeta, que serão lançados vivos para o lago de fogo e enxofre, símbolo de tormento eterno, inferno.

Se a besta e o falso profeta foram lançados vivos para dentro do lago de fogo e enxofre (Ap 19: 20) e seus seguidores foram mortos com a espada que sai de Jesus (Ap 19: 21); se em Ap 16: 16 está escrito que os reis da terra se ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom; se em Ap 20: 8-9 está escrito que Satanás irá seduzir as nações da terra para sitiar o acampamento dos santos e a cidade querida, é porque, pelo menos do lado das hordas do mal, uma batalha será planejada de maneira física, material, com aparato de guerra. Mas Deus os matará da Sua forma sobrenatural (cf. Ez 38: 8), pois Sua vinda será inesperada, sem que haja tempo para uma guerra (‘como um relâmpago’ – Lc 17: 24). O Senhor e Seu séquito não vêm de maneira natural, em carne, nem da maneira espiritual, sem corpo; Ele virá com seu corpo glorificado, outro tipo de matéria, como a que Jesus aparentou após Sua ressurreição, quando comeu peixe assado [e um favo de mel – Lc 24: 42] com Seus discípulos. Isso vai pegar os inimigos da Igreja de Cristo desprevenidos (cf. Ez 38: 1-23).

‘A cidade querida’ (Ap 20: 9) muito provavelmente se refere a Jerusalém (cf. Sl 78: 68; Sl 87: 2), onde Zacarias disse que Jesus colocaria Seus pés sobre o Monte das Oliveiras. O nome Armagedom significa: monte de Megido, monte do lugar das multidões. Pode ser apenas para designar que em algum lugar haverá multidões ajuntadas com o propósito de guerrear contra o Cordeiro e Seus escolhidos, talvez a própria Jerusalém.


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Fontes de pesquisa:
• O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995.
• Rev. Hernandes Dias Lopes – Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (‘Estudo em Apocalipse’ – pregações online).
• Wikipedia.org
• Fonte para a maioria das imagens: wikipedia.org; Filme: ‘O Apocalipse’ (‘The Apocalypse’) – Coleção: A Bíblia Sagrada.

Este texto se encontra no livro:


O livro de Apocalipse – livro evangélico

O livro de Apocalipse

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