Ap 11: 1-19 faz parte da 3ª seção de Apocalipse (Cap. 8–11), retratando a medição do santuário de Deus e as duas testemunhas mártires (Ap 11: 1-14 – a Igreja de Cristo testemunhando). Elas são um prelúdio da sétima trombeta (Ap 11: 15-19), o juízo de Deus.


O livro de Apocalipse – capítulo 11




Terceira seção – Capítulos 8 –11

Nessa 3ª seção do livro de Apocalipse, estamos tratando das sete trombetas. No capítulo 8 e 9 falamos das seis primeiras. Entre a sexta e a sétima trombetas há um espaço de tempo (Ap 10: 1-11 – Ap 11: 14).

Enquanto os selos falam do mundo perseguindo a igreja, as trombetas falam do juízo parcial de Deus ao mundo que persegue a igreja, quando então o juízo divino é temperado com a misericórdia, i.e., ainda dá chance ao homem de se arrepender: 1/3 da terra e da vegetação, do mar, dos rios e das fontes de água e dos astros. Em Ap 9: 1-21 João descreveu a 5ª e a 6ª trombetas: demônios que atormentam e matam os homens que não têm o selo de Deus sobre a fronte. A sétima e última trombeta é descrita em Ap 11: 15-19.

Nessa sessão das trombetas a mão de Deus age na História pela oração da igreja. As trombetas não são sucessivas dos selos, mas paralelas aos selos. Isso quer dizer que, embora o mundo persiga a igreja, ela ora e Deus envia o Seu juízo sobre os ímpios, traz o Seu alerta ao pecador. Aqui há um paralelismo com as pragas do Egito, pois eles também oravam e Deus desceu para exercer juízo. Todos os esses sinais se intensificarão nos tempos do fim.

Nessa 3ª sessão do livro, além das trombetas há também menção aos anjos e aos sete trovões, João e o livrinho (Ap 10: 1-11) e a medição do santuário de Deus e as duas testemunhas mártires (Ap 11: 1-14), que são um prelúdio da sétima trombeta (Ap 11: 15-19), “a trombeta de Deus” mencionada por Paulo em 1 Ts 4: 16. As duas testemunhas mártires representam a própria Igreja de Cristo (composta por judeus e gentios) testemunhando durante a História, proclamando o evangelho e só no tempo do fim o Senhor permitirá que o Anticristo se levante. É a representação do povo de Deus que prega e profetiza a palavra durante o período entre a 1ª e a 2ª vinda de Jesus.

Capítulo 11

• Ap 11: 1-2 (O santuário de Deus é medido): “Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi dito: Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram; mas deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças, porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa”.

A medição do santuário de Deus ainda é um interlúdio entre a 6ª e a 7ª trombeta. E aqui nós podemos ter interpretações diferentes por causa das correntes teológicas. Os dispensacionalistas estão se referindo nesta parte à reconstrução física do templo de Jerusalém. Outros acreditam que nesse trecho Deus trabalha especificamente com a nação judaica.

Mas nós podemos notar que na mente dos judeus, o santuário, i.e., o templo de Jerusalém desde o primeiro que foi construído por Salomão, era o lugar onde Deus habitava com Seu povo. Quando Jesus veio em carne, Ele nos ensinou que Ele era o tabernáculo de Deus com os homens, enquanto estava na terra; e os crentes também eram o santuário onde o Espírito de Deus habitava com eles.

O templo era dividido em pátios diferentes: para os sacerdotes, para os homens, para as mulheres e para os gentios. E aqui é disso que João está falando, da igreja de Cristo (‘o santuário’ de Deus) sendo separada do mundo ímpio, onde os impuros ficavam. A igreja de Cristo é uma só: Judeus e Gentios. Durante as várias seções de Apocalipse, a igreja foi comparada com a nação judaica (cento e quarenta e quatro mil selados de Israel; sete candeeiros, a mulher com a coroa de estrelas na cabeça).

Então, essa parte pode ser interpretada da seguinte maneira: nos v.1-2, o verbo ‘medir’ (comparada com a medição da cidade de Jerusalém descrita por Zc 2: 1-5) significa a separação clara da igreja verdadeira e do mundo ímpio ou da igreja não comprometida com Cristo. O santuário é a igreja verdadeira, a igreja glorificada e selada, e que não recebe a marca da besta. Esse ato de medir tem a conotação de imunidade, proteção contra danos, delimitação para proteção e cuidado.

A concordância aqui é com Lc 21: 24: “Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles”. Jesus falava dos judeus depois da destruição de Jerusalém e do templo por Tito em 70 DC, quando teve início o tempo do reino de Deus para os gentios (Mt 21: 43; Lc 21: 24; Rm 11: 25). O tempo dos gentios declarado por Jesus vai da sua 1ª à sua 2ª vinda, quando a cidade de Jerusalém física, a terra dos judeus, será dominada por outros povos não judeus.

Mas João nos deixa a visão relativa à igreja de Cristo para as pessoas do seu tempo, para futuras gerações e para os tempos do fim, quando 3 ½ anos (‘por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa’ – Ap 11: 2) pode corresponder ao tempo em que a igreja de Cristo, selada por Deus, é exposta às mais variadas perseguições do mundo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, enquanto está pregando o evangelho, mantendo o seu testemunho, mas continua protegida pelo Senhor de grandes danos. Ou, então, no contexto escatológico, a igreja sendo separada e protegida por Deus num tempo de intensa perseguição e massacre do Anticristo, onde é feita a distinção entre os verdadeiros adoradores e os que não estão debaixo da verdadeira aliança com Deus, mas ela ainda estará pregando Sua Palavra. Em outras palavras, o tempo em que a igreja fica exposta à perseguição do Anticristo, quando as duas testemunhas estarão profetizando e não poderão ser tocadas até que sua obra termine.

Quarenta e dois meses ou 3 ½ anos simbolizam o domínio dos incrédulos no mundo; como aconteceu em relação a Jesus e ao tempo do Seu ministério, o número 3 ½ é o símbolo do poder vitorioso do mundo, em comparação ao número sete, que significa o número da plenitude de Deus. Também é um tempo que o Senhor abrevia pela Sua misericórdia (cf. Ap 12: 6; 14).

Então, nestes dois primeiros versículos, a igreja cumpre a sua missão como adoradora de Deus. E nos próximos versículos ela cumpre sua segunda missão, que é proclamar e profetizar a Palavra (‘as duas testemunhas mártires’).

• Ap 11: 3-14 (As duas testemunhas mártires):

• Ap 11: 3-4: “Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco. São estas as duas oliveiras e os dois candeeiros que se acham em pé diante do Senhor da terra”.

No v.3 pode-se notar que o tempo dado a elas para profetizarem é o mesmo tempo escrito no versículo anterior, em relação ao tempo dos gentios: 3 ½ anos (‘por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa’ – Ap 11: 2), o tempo em que elas ficam expostas à perseguição da Besta, mas não poderão ser tocadas até que sua obra termine.

No v.4 é feita uma alusão às duas oliveiras, mencionadas por Zacarias (Zc 4: 3; 11-14), de um lado e de outro do candelabro que ele viu.


Ap 11:3-4


• Zc 4: 3: “Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda”.

A visão de Zacarias diz respeito ao trabalho do Espírito Santo através de dois indivíduos: o rei e o sacerdote, que estão ao lado do candelabro, ou seja, a serviço de Deus. Josué (o sumo sacerdote) e Zorobabel (governador de Judá) prefiguraram o ofício de Cristo como Rei e sacerdote a serviço do Pai.

Aqui a referência é feita a Zorobabel e Josué, os dois ungidos (as ‘duas oliveiras’) que foram separados por Deus depois do retorno do cativeiro babilônico para liderar Seu povo, ou seja, na posição de rei e sacerdote, conforme o regime teocrático de governo judaico. Deus separou o representante civil e o eclesiástico para governar conjuntamente (por isso o ‘recipiente acima do candelabro’, significando igualdade de poder e autoridade para governar), como foi com Moisés (o legislador) e Arão (o sumo sacerdote). Zorobabel e Josué eram as ‘duas oliveiras’ por meio de quem o Espírito Santo (o azeite) supria o povo com a luz e coragem necessária para reconstrução do templo.

• Zc 4: 11-14: “Prossegui e lhe perguntei [ao anjo que falava com ele]: que são as duas oliveiras à direita e à esquerda do candelabro? Tornando a falar-lhe, perguntei: que são aqueles dois raminhos de oliveira que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado? Ele me respondeu: Não sabes que é isto? Eu disse: não, meu senhor. Então, ele disse: São os dois ungidos [tradução literal: ‘os filhos do óleo’], que assistem junto ao Senhor de toda a terra [NVI: São os dois homens que foram ungidos para servir ao Soberano de toda a terra! – No original: ‘os dois que trazem óleo e servem’]”.

Aqui, Zacarias volta a falar que o candelabro é alimentado por duas hastes com azeite saído de duas oliveiras (ou ‘dois raminhos de oliveira’ – Zc 4: 12) que derramam óleo sobre um recipiente que está acima do candelabro (Zc 4: 3). Isso era um encorajamento para Zorobabel e Josué, pois através deles Deus traria avivamento, força e coragem para o Seu povo.

Portanto, o candelabro de Zacarias significa o povo de Israel debaixo da unção do Espírito Santo através dos dois ungidos que Ele escolheu para governá-los. Quando se fala da Menorá no AT (o candelabro de ouro do Tabernáculo e do Templo), ela sempre simbolizou a presença de Deus com Seu povo, a luz do Espírito do Senhor com eles.

Para nós, esta profecia de Zacarias capítulo 4 foi cumprida na pessoa de Jesus em Seu ofício de Rei e sacerdote, derramando a unção do Seu Espírito sobre a Igreja para que ela possa levar à frente a sua missão de restaurar os templos destruídos pelo pecado, e apagados por falta do conhecimento da palavra de Deus.

As duas testemunhas mártires (Ap 11: 3-14)

• Ap 11: 5-6: “Se alguém pretende causar-lhes dano, sai fogo da sua boca e devora os inimigos; sim, se alguém pretender causar-lhes dano, certamente, deve morrer. Elas têm autoridade para fechar o céu, para que não chova durante os dias em que profetizarem. Têm autoridade também sobre as águas, para convertê-las em sangue, bem como para ferir a terra com toda sorte de flagelos, tantas vezes quantas quiserem”.

Estas testemunhas, terão o mesmo poder de Elias (Ap 11: 6: ‘fechar o céu’ cf. 1 Rs 17: 1) e Moisés (‘converter as águas em sangue’ cf. Êx 7: 17-19), uma autoridade dada por Deus para proclamar Sua palavra naquele tempo terrível (‘Se alguém pretende causar-lhes dano, sai fogo da sua boca e devora os inimigos; sim, se alguém pretender causar-lhes dano, certamente, deve morrer’). Elas também podem simbolizar o AT e o NT, a própria palavra de Deus que foi proclamada através da lei e dos profetas.

Se pensarmos do ponto de vista judaico ou dos dispensacionalistas, elas trarão avivamento ao povo da antiga aliança no papel de rei e sacerdote (como Josué e Zorobabel – Zc 4: 11; 14 – ‘as duas oliveiras à direita e à esquerda do candelabro’, ‘os dois raminhos de oliveira’ – cf. Ap 11: 4), fazendo frente ao Anticristo (o qual reivindicará o papel de governante civil) e ao falso profeta que, além de enganar o povo com falsa profecia, também desejará o papel de sacerdote no meio dos judeus. Elas profetizarão por 3 ½ anos em nome do Senhor para converter os judeus a Jesus.

Entretanto, do ponto de vista amilenista, elas representam a própria da igreja de Cristo testemunhando durante a História, proclamando o evangelho, e só no tempo do fim o Senhor permitirá que o Anticristo se levante. Elas são a representação do povo de Deus que prega e profetiza a palavra durante o período entre a 1ª e a 2ª vinda de Deus. E isso significa que a igreja será indestrutível até ter completado sua missão.

• Ap 11: 7: “Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar, a besta que surge do abismo pelejará contra elas, e as vencerá, e matará,...”.

Quando elas tiverem concluído o seu testemunho, elas serão mortas pela besta que surge do abismo, mas depois de 3 ½ dias (Ap 11: 11) o Espírito de Deus as ressuscitará e serão arrebatadas. Então, virá juízo divino sobre a cidade. A besta que surge do abismo, se a compararmos com outras referências bíblicas (Dn 7: 3; 20-21; 25; Ap 13: 1; 5-7; Ap 17: 3; 8), é o próprio Anticristo. O fato de estar escrito ‘abismo’ sugere que seu poder é satânico. Além do que, as referências estão colocadas em seções distintas do livro de Apocalipse:

• Ap 11: 7 (3ª seção – Capítulos 8–11).
• Ap 13: 1; 5-7 (4ª seção – Capítulos 12–14).
• Ap 17: 3; 8 (6ª seção – Capítulos 17–19).

Abismo – os gregos empregavam essa palavra em referência ao submundo dos espíritos, um imenso buraco sem fundo nas profundezas da terra, onde os espíritos maus ficavam presos até o castigo final. A palavra usada para ‘abismo’ é ‘abussos’ ou ‘abussou’, e transmite a idéia de um lugar tão profundo que chega a ser insondável (cf. Lc 8: 31). ‘abussos’ ou ‘abussou’ = sem fundo, incomensuravelmente profundo, infernal, abismo, profundo, poço sem fundo. Eles também usam a palavra ‘phrear’ = poço, cova, um buraco no chão (cavado para obter ou conter água ou outros propósitos), i.e., uma cisterna ou poço; figuradamente, um abismo (como uma prisão), poço, cova, buraco.

A palavra hebraica para abismo pode ser escrita como thowm ou thom ou tehôm, significando um abismo (como uma massa de afluência de água), especialmente a afluência de água profunda (do mar principal ou o abastecimento de água subterrânea), lugar profundo, profundidade.

• Ap 11: 8: “e o seu cadáver ficará estirado na praça da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado.”

A bíblia diz que o nome da cidade é Sodoma e Egito. Se compararmos esses nomes com Is 1: 9-10, nós podemos dizer que há muita probabilidade de estar se referindo à própria cidade de Jerusalém, onde também haverá muita corrupção no final dos tempos, da mesma forma que Isaías escreveu como Deus a comparava. Mais adiante no mesmo versículo, João escreve que foi a cidade onde o seu Senhor (com letra maiúscula) foi crucificado, ou seja, Jesus.

Outros teólogos dizem que a cidade mencionada em Apocalipse é a cidade dos homens, o mundo hostil a Deus e à igreja, não Jerusalém, nem Roma. De acordo com este pensamento, João a chama de Sodoma, simbolizando o mundo pecaminoso no qual Cristo foi crucificado e o modelo de degeneração moral em uma grande cidade (Gn 19: 1-29). E Egito é o protótipo da idolatria desenfreada e da escravidão imposta por governantes poderosos e pelo sistema mundano e demoníaco.

Por mais que saibamos que o reinado do Anticristo será universal, ou seja, abrangerá toda a Terra (segundo a linha amilenista), não podemos negar que o ápice do conflito se dará em Israel, mais especificamente em Jerusalém, mesmo porque se Zacarias, que é encarado como profeta apocalíptico escreveu: “Eis que vem o Dia do Senhor, em que os teus despojos se repartirão no meio de... Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul... Fugireis pelo vale dos meus montes, porque o vale dos montes chegará até; sim, fugireis como fugistes do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá [Nota da NVI: Meu vale dos montes será fechado e se estenderá até Azel. Ele será fechado desse modo por causa do terremoto]; então, virá o Senhor, meu Deus, e todos os santos, com ele” (Zc 14: 1; 4; 5). Azel ou Azal (Atsel, אצל, Strong #682) pode ser o nome de um israelita ou de um local desconhecido na Palestina, que existiu no passado ou virá a existir.

Compare com Ez 38: 19-20: “Pois, no meu zelo, no brasume do meu furor, disse que, naquele dia, será fortemente sacudida a terra de Israel, de tal sorte que os peixes do mar, e as aves do céu, e os animais do campo, e todos os répteis que se arrastam sobre a terra, e todos os homens que estão sobre a face da terra tremerão diante da minha presença; os montes serão deitados abaixo, os precipícios se desfarão, e todos os muros desabarão por terra”.

Por que, então, Zacarias escreveria tais palavras em relação à vinda de Jesus? Por que Lucas repetiria isso em At 1: 9-12, que a ascensão de Jesus ocorreu no Monte das Oliveiras, e lá se dará igualmente a Sua vinda, de maneira visível? Em Ezequiel esse local também é descrito (Ez 11: 23). A cena de Ezequiel descrita acima (Ez 38: 19-20) não corresponde à linguagem usada por João em Apocalipse para o dia da vinda de Jesus, fazendo juízo sobre os ímpios?

Então, a conclusão que chegamos é que Apocalipse não pode ser entendido totalmente de uma forma literal nem totalmente de uma forma simbólica. Às vezes, sim; às vezes, não.

• Ap 11: 9-10: “Então, muitos dentre os povos, tribos, línguas e nações contemplam os cadáveres das duas testemunhas, por três dias e meio, e não permitem que esses cadáveres sejam sepultados. Os que habitam sobre a terra se alegram por causa deles, realizarão festas e enviarão presentes uns aos outros, porquanto esses dois profetas atormentaram os que moram sobre a terra”.

Os ímpios se alegrarão com a morte das duas testemunhas, o mundo se alegrará quando tiver a impressão de que o Anticristo foi maior do que Deus e conseguiu destruir Sua igreja.

Várias vezes na História a igreja foi perseguida e morta, os ímpios se alegraram cada vez que os servos de Deus eram martirizados por pregar Sua palavra. Os inimigos de Cristo se alegraram, mas Seus servos estão hoje com Ele no céu e Seu evangelho nunca deixou de ser pregado.


Ap 11:9-10


• Ap 11: 11-12: “Mas, depois dos três dias e meio, um espírito de vida, vindo da parte de Deus, neles penetrou, e eles se ergueram sobre os pés, e àqueles que os viram sobreveio grande medo; e as duas testemunhas ouviram grande voz vinda do céu, dizendo-lhes: Subi para aqui. E subiram ao céu numa nuvem, e os seus inimigos as contemplaram”.

Depois dos 3 ½ dias, as testemunhas se erguem sobre os pés, significando a ressurreição gloriosa do povo de Deus torturado e morto. As testemunhas sobem numa nuvem e Jesus vem numa nuvem concomitantemente, pois a sétima trombeta vai soar. Este é o momento do arrebatamento visível da igreja, que mostra o terror ao mundo. É a mesma cena do juízo final; por isso, o desespero dos ímpios (Ap 11: 11; 13 cf. Ap 6: 12-17 – o 6º selo).

Quando Jesus veio pela primeira vez, Ele amarrou Satanás. Nos evangelhos (Mc 3: 27), ele é o valente prende as pessoas (‘bens’). Jesus é o ‘mais valente’ que o amarra, ou seja, o Senhor limita o poder do diabo. Nós fomos resgatados das trevas para a luz. E isso significa que o plano de Deus não pode ser frustrado. Satanás não pode impedir que os que ouviram a palavra de Deus sejam salvos, por isso, se diz que ele está amarrado. Ele já não pode tocar naqueles que já estão no céu com o Senhor. Nosso dono é Jesus.

Mas Satanás está solto no sentido de ainda perseguir a igreja, embora ela não possa ser destruída enquanto estiver pregando a palavra de Deus. O espírito do Anticristo já opera desde a época dos apóstolos de Jesus, mas vai agir com crueldade indescritível e perseguirá os santos nos últimos tempos porque Deus permitirá. O Anticristo matará os santos (Ap 11: 7; Ap 13: 7), mas os dias serão abreviados, Jesus o disse. A igreja vencerá por causa da palavra e do testemunho que deram, ou seja, não negarão a fé.

• Ap 11: 13-14: “Naquela hora, houve grande terremoto, e ruiu a décima parte da cidade, e morreram, nesse terremoto, sete mil pessoas, ao passo que as outras ficaram sobremodo aterrorizadas e deram glória ao Deus do céu. Passou o segundo ai. Eis que, sem demora, vem o terceiro ai. A sétima trombeta”.

Esta cena fala da segunda vinda de Jesus, do momento do arrebatamento, quando os santos sobem com o Senhor e os ímpios ficam amedrontados com o Seu juízo e com o que acontece com a natureza ao seu redor.

• Ap 11: 15-18 (A 7ª trombeta) – Essa cena ocorrerá na segunda vinda de Jesus (cf. 1 Ts 4: 16-17; 1 Co 15: 24-25). Antes dessa trombeta, Jesus se mostrou a João com o livrinho nas mãos (interlúdio), da mesma forma que houve muito silêncio no céu antes do sétimo selo (Ap 8: 1).

• Ap 11: 15: “O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos”.

Agora chegou a glória do reino de Deus sobre tudo, por isso, os cânticos de louvor. Aqui, o poder de Cristo é visto na Sua plenitude. A 7ª trombeta não é apenas um evento, mas ela desemboca nos sete flagelos da ira total de Deus (Ap 15–16), por isso o desespero dos ímpios (Ap 11: 11; 13).

• Ap 11: 16-17: “E os vinte e quatro anciãos que se encontram sentados no seu trono, diante de Deus, prostraram-se sobre o seu rosto e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar”.

Os anciãos (figura da igreja do AT–NT) que se encontram sentados no trono se prostram porque Cristo reina soberanamente (Ap 11: 17) e porque há recompensa e justiça (v. 18). É a igreja adorando o Rei conquistador.


Ap 11:16-17


• Ap 11: 18: “Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra”.

Aqui ocorre o julgamento dos mortos, que se dará após a segunda vinda, e o recebimento dos galardões (1 Co 3: 11-15).

Assim, a sétima trombeta anuncia o tempo do fim; o reino do mundo se tornou de Cristo. A igreja dá graça e os ímpios estão enfurecidos porque já não há mais chance. Os ímpios não serão aniquilados, mas serão atormentados dia e noite para sempre (Ap 20: 10b). Portanto, não há aniquilacionismo.

Podemos notar, então, que o sofrimento em si não pode levar o homem ao arrependimento (Ap 9: 20-21; Ap 16: 21), ou seja, Deus vai chamando ao arrependimento até o fim, pois Jesus disse: “Não perdi nenhum dos que me deste” (Jo 18: 9 cf. Jo 17: 24).

Em Ap 11: 13 está escrito, depois que as duas testemunhas são arrebatadas: “Naquela hora, houve grande terremoto, e ruiu a décima parte da cidade, e morreram, nesse terremoto, sete mil pessoas, ao passo que as outras ficaram sobremodo aterrorizadas e deram glória ao Deus do céu”.

Mas nas passagens de Apocalipse descritas acima (Ap 9: 20-21; Ap 16: 21), os que não se arrependeram de seus pecados nem com os juízos de Deus, realmente são os que não foram destinados à salvação.

• Ap 11: 19: “Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada”.

João mostra agora outra cena: a comunhão com Deus é plena, é o próprio Deus com os homens. A arca da Aliança deixa subentendido que a comunhão com Deus só é possível mediante a expiação, pois era sobre a arca da Aliança que o sumo sacerdote aspergia o sangue do animal sacrificado como oferta pelo pecado e como holocausto, por ele e pela congregação uma vez por ano, no dia da Expiação (Lv 16: 14; 15; 29-30; 34 – Yom Kippur). Essa expiação foi feita por Jesus na cruz. Ele é o nosso sumo sacerdote; por Seu intermédio, temos plena comunhão com o Pai. A arca também simboliza a presença, a liderança e a proteção de Deus quanto à bênção relacionada à nova Aliança (como foi para Israel no deserto e na Terra Prometida).

As manifestações que aparecem com a abertura do santuário de Deus no céu para que a arca seja vista (relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada) não apenas se assemelham às de Deus sobre o Sinai, como podem apontar para a chegada do fim, ou seja, Seus juízos.


Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti

Fontes de pesquisa:
• O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – edições vida nova, 2ª edição 1995.
• Rev. Hernandes Dias Lopes – Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (‘Estudo em Apocalipse’ – pregações online).
• Wikipedia.org
• Fonte para a maioria das imagens: wikipedia.org; Filme: ‘O Apocalipse’ (‘The Apocalypse’) – Coleção: A Bíblia Sagrada.

Este texto se encontra no livro:


O livro de Apocalipse – livro evangélico

O livro de Apocalipse

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